quarta-feira, 14 de abril de 2010

Há coisas que nunca mudam.

Um gajo será sempre um gajo. E grande parte das suas energias diárias são gastas... em gajas, claro.


Não sei porquê, mas deu-me assim uma sede. Ou será...

Só para variar o assunto dos submarinos


O DIAP de Lisboa comunicou à Entidade das Contas dos partidos o despacho de acusação do ‘caso Figo’, onde se concluiu que os contratos da PT e do Taguspark com o jogador visaram o apoio eleitoral a Sócrates. 

Fonte: Sol

Chamem os bombeiros? Será?

Depois da polémica com a auto-escada do bombeiros e de ser sugerida a criação de uma taxa/imposto municipal para colmatar carências nos bombeiros locais, agora surge nova polémica com o transporte de doentes a exames, tratamentos, consulta, fisioterapia e outros.
A justificação do responsável dos BVB é plausível, se bem que denote o portuguesismo típico do "depois logo vemos". Nada é programado, nada é previsto. Tudo se desenrasca.
Pelo que se torna inaceitável. Afinal trata-se de assuntos de grande responsabilidade e fundamentais para os doentes.

Espero que agora, a oposição e o executivo camarário não se lembrem de taxar mais qualquer coisa, para também colmatar mais esta lacuna.

Fonte: Correio do Minho

Rapidez também é importante

Todos nós sabemos o quanto penoso é fazer uma procura e visitar um numero infindável de páginas web até encontrar-mos o que pretendemos. E o tempo imenso que algumas páginas demoram a abrir, porque estão carregadas de pequenas porcarias que não servem para nada. Quantas vezes apenas não desistimos e cancelamos essa página e passamos à seguinte. E quanto mais rápidas estão as nossas velocidades de acesso, mais lentas e pesadas se tornam essas páginas web, carregadas de publicidade.
Agora a Google decidiu juntar a rapidez de abertura de uma página web aos critérios de busca do seu motor de pesquisa de Internet.
Ufa! Já não era sem tempo.

Fonte: Publico

Vicio do dia! Um café e o jornal.

Hoje, Dia Mundial do Café, bebo ao meu "vicio" preferido. Para os que como eu apreciam o café, sabem do que estou a falar. Sinto falta, ás vezes, do dito cigarrito que costumava acompanhar com o café.

Fonte: RUM - Rádio Universitária do Minho

"O prodígio do Seu Amor"

* * *
Bento XVI: Ressurreição, a mensagem mais extraordinária

Queridos irmãos e irmãs!

A habitual Audiência geral da quarta-feira está hoje inundada pela alegria luminosa da Páscoa. De facto, nestes dias a Igreja celebra o mistério da Ressurreição e experimenta a grande alegria que lhe provém da boa nova do triunfo de Cristo sobre o mal e sobre a morte. Uma alegria que se prolonga não só na Oitava de Páscoa, mas que se propaga por cinquenta dias até ao Pentecostes. Depois do choro e do temor da Sexta-Feira Santa, e após o silêncio cheio de expectativa do Sábado Santo, eis o anúncio maravilhoso: "Verdadeiramente o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão!" (Lc 24, 34).

Esta, em toda a história do mundo, é a "boa nova" por excelência, é o "Evangelho" anunciado e transmitido ao longo dos séculos, de geração em geração.

A Páscoa de Cristo é o acto supremo e insuperável do poder de Deus. É um acontecimento extraordinário, o fruto melhor e mais maduro do "mistério de Deus". É tão extraordinário, que se torna inenarrável naquelas suas dimensões que se furtam à nossa capacidade humana de conhecimento e de averiguação. E contudo ele é também um facto "histórico", real, testemunhado e documentado. É o acontecimento que funda toda a nossa fé. É o conteúdo central no qual cremos e o motivo principal pelo qual acreditamos.

O Novo Testamento não descreve a Ressurreição de Jesus no seu actuar-se. Refere apenas os testemunhos de quantos Jesus encontrou pessoalmente depois de ter ressuscitado. Os três Evangelhos sinópticos narram-nos que aquele anúncio – "Ressuscitou!" – é proclamado inicialmente por alguns anjos. É portanto um anúncio que tem origem em Deus; mas Deus confia-o imediatamente aos seus "mensageiros", para que o transmitam a todos. E assim são os próprios anjos que convidam as mulheres, que foram de manhã cedo ao sepulcro, a irem imediatamente dizer aos discípulos: "Ele ressuscitou dos mortos e vai preceder-vos a caminho da Galileia; lá O vereis" (Mt 28, 7). Deste modo, mediante as mulheres do Evangelho, aquele mandato divino alcança todos e cada um para que, por sua vez, transmitam aos outros, com fidelidade e coragem, esta mesma notícia: uma notícia bela, jubilosa e portadora de alegria.

Sim, queridos amigos, toda a nossa fé funda-se na transmissão constante e fiel desta "boa nova". E nós, hoje, queremos manifestar a Deus a nossa profunda gratidão pelas numerosas multidões de crentes em Cristo que nos precederam nos séculos, porque nunca faltaram ao seu mandato fundamental de anunciar o Evangelho que tinham recebido. A boa nova da Páscoa, por conseguinte, exige a obra de testemunhas entusiastas e corajosas. Cada discípulo de Cristo, também cada um de nós, é chamado a ser testemunha. É este o exacto, empenhado e exaltante mandato do Senhor ressuscitado. A "notícia" da vida nova em Cristo deve resplandecer na vida do cristão, deve ser viva e activa em quem a anuncia, realmente capaz de mudar o coração, toda a existência. Ela é viva antes de tudo porque o próprio Cristo é a sua alma vivente e vivificante. Recorda-no-lo São Marcos no final do seu Evangelho, quando escreve que os Apóstolos "partiram e foram pregar por toda a parte, e o Senhor cooperava com eles, confirmando a sua Palavra com os milagres que a acompanhavam" (Mc 16, 20).

A vicissitude dos Apóstolos é também a nossa e a de cada crente, de cada discípulos que se faz "anunciador". De facto, também nós temos a certeza que o Senhor, hoje como ontem, coopera com as suas testemunhas. Este é um facto que podemos reconhecer todas as vezes que vemos rebentar os germes de uma paz verdadeira e duradoura, onde o compromisso e o exemplo de cristãos e de homens de boa vontade é animado pelo respeito à justiça, pelo diálogo paciente, por estima convicta em relação aos outros, por abnegação, sacrifício pessoal e comunitário. Infelizmente vemos no mundo também tanto sofrimento, tanta violência e inúmeras incompreensões. A celebração do Mistério pascal, a contemplação jubilosa da Ressurreição de Cristo, que vence o pecado e a morte com a força do Amor de Deus é a ocasião propícia para redescobrir e professar com mais convicção a nossa confiança no Senhor ressuscitado, o qual acompanha as testemunhas da sua palavra realizando prodígios juntamente com eles.

Seremos deveras e profundamente testemunhas de Jesus ressuscitado quando deixarmos transparecer em nós o prodígio do seu amor; quando nas nossas palavras e, mais ainda, nos nossos gestos, em total coerência com o Evangelho, se puder reconhecer a voz e a mão do próprio Jesus.

Portanto, em toda a parte, o Senhor envia-nos como suas testemunhas. Mas só o podemos ser a partir e em referência contínua com a experiência pascal, a que Maria de Magdala expressa anunciando aos outros discípulos: "Vi o Senhor" (Jo 20, 18).

Neste encontro pessoal com o Ressuscitado estão o fundamento inabalável e o conteúdo central da nossa fé, a nascente fresca e inexaurível da nossa esperança, o dinamismo fervoroso da nossa caridade. Assim a nossa própria vida cristã coincidirá plenamente com o anúncio: "Verdadeiramente, Cristo Senhor ressuscitou". Por isso, deixemo-nos conquistar pelo fascínio da Ressurreição de Cristo. A Virgem Maria nos ampare com a sua protecção e nos ajude a apreciar plenamente a alegria pascal, para que, por nossa vez, a saibamos levar a todos os nossos irmãos.

Mais uma vez, Boa Páscoa a todos!

Saudação:
Queridos peregrinos vindos de Lisboa e demais localidades de língua portuguesa, a minha saudação amiga para todos vós, com votos duma boa continuação de santa Páscoa! Que o Ressuscitado seja sempre o centro da vossa fé, a fonte da vossa esperança e o dinamismo ardente da vossa caridade. Sobre vós e vossas famílias, desça a minha Bênção Apostólica.

Papa Bento XVI na Praça de São Pedro, na quarta-feira passada.

© Copyright 2010 - Libreria Editrice Vaticana

terça-feira, 13 de abril de 2010

Reparem que não tenho falado de futebol...

Ou por estas merdas...

A justiça portuguesa não para de me espantar.
Agora, e num impressionante golpe de cintura, conseguiu condenar três cidadãos como corruptores passivos e, espante-se, ilibar o corruptível.


Fonte: Publico

É por merdas destas...

É a homossexualidade e não o celibato dos padres que o secretário de Estado do Vaticano, cardeal Tarcisio Bertone, relaciona com a pedofilia e com os casos de abusos no seio da Igreja Católica.

«Muitos psicólogos e psiquiatras demonstraram que não há relação entre o celibato dos padres e a pedofilia, mas muitos outros demonstraram, e disseram-me recentemente, que há uma relação entre homossexualidade e pedofilia», afirmou Bertone.

São afirmações destas, sem qualquer fundamento, e principalmente, totalmente descabidas no tempo e no objectivo, que fazem com que cada vez mais a igreja seja acusada de proteccionismo aos sacerdotes acusados de crimes de pedofilia.

Chega de desculpas e argumentos esfarrapados. E afaste-se quem como o secretário de Estado do Vaticano, presta um péssimo serviço à igreja, aos fieis e ao sacerdócio.
Porque da ultima vez que vi, os pedófilos não fazem distinção entre crianças de um ou outro sexo. Como é então possível  tentar argumentar semelhante coisa em defesa do celibato dos sacerdotes.
E será mesmo que um homem casado, pai de filhos, chefe de família, provedor  de sustento será um mau padre?
Ou será que um padre cansado da solidão, reprimindo o instinto sexual natural dos animais (homens incluídos), sem nunca ter a satisfação de ser pai, marido, amado, não será um pior padre?

Uma coisa é certa. Assim as coisas não estão bem. E as provas vão surgindo todos os dias, disfarcem-se como quiserem.
E continuar a argumentar semelhantes barbaridades para desculpar uma coisa que deve ser veementemente e exemplarmente condenada e castigada não é com certeza o caminho certo para demonstrar que a igreja realmente, por muito que tenha errado no passado, está a mudar as suas atitudes.

Fonte: Publico

Antidepressivo dos pobres... e dos espertos!

Aproveitem. Nunca se  sabe se a correcção ao PEC (daqui a um par de meses) não vai contemplar... sei lá. Um imposto. Uma taxa.

«Exercitar dezenas de músculos, libertar endorfinas, combater a depressão, diminuir o stress, queimar calorias: tudo isto resulta de um beijo apaixonado: "É o teletransporte para um paraíso", segundo especialistas ouvidos pela Lusa».

Fonte: Ionline

A "flechada"

Namoro: ideias para acertar

Capelão universitário aventura-se em um livro sobre o tema

Por Miriam Díez i Bosch

BARCELONA, segunda-feira, 12 de abril de 2010 (ZENIT.org).- Alguns têm 80 anos. Outros têm 16. Mas todos se apaixonaram e vivenciaram um namoro. O livro do sacerdote Rafael Hernández Urigüen recolhe as experiências de diferentes pessoas e tira conclusões acerca do amor e do ato de apaixonar-se. Trata-se da obra “Namoro: Seguros? Ideias para acertar” ("Noviazgo: ¿Seguros? Ideas para acertar"), da editora Eunsa.

O livro deste professor e capelão universitário surge como fruto dos seminários mantidos com jovens no instituto universitário em que trabalha, o ISSA, http://www.issa.edu.

O autor explica a ZENIT que a obra oferece “pistas práticas para estabelecer um novo diálogo que evite os graves problemas que se estão detectando há anos nos casamentos”.

Desde a flechada até o compromisso, o itinerário da obra transcorre detendo-se em breves apontamentos de “características práticas e antropologia profunda do gênio feminino”, até a explicação da “castidade fundamentada em uma antropologia cristã inteligível e bem divulgada”.

Como escreve em seu prólogo o professor de psiquiatria Enrique Rojas, “quando o amor chega, pode ser cego, mas quando se vai é muito lúcido. Daí a importância de acertar na escolha”.

Hernández Urigüen recebeu consultas muito díspares desde a primeira edição do livro, em 2008. Um senhor de 80 anos perguntava por email onde podia adquirir o livro, já que com 50 anos de casado, apaixonadíssimo por sua mulher, jamais a compreendia por completo.

Uma jovem manifestava que depois de ler o livro e o que se afirma acerca da necessidade de respeito, sinceridade e horizonte de compromisso, tinha decidido romper com seu noivo, classificado como “romântico, mas imaturo e constantemente infiel”.

No livro se insiste na importância do período de namoro para se conhecer, no referido clima de “respeito, sinceridade e horizonte de compromisso”. Um slogan da obra é: “mais vale um trauma no namoro – romper se não tem boa perspectiva – que um matrimônio traumático”.

Mais que perguntar-se: “como saberei se isso vai ser para sempre?”, o autor propõe uma questão mais audaz: “como devo me comportar – como nos devemos comportar – para que isso seja para sempre?”.

Um aspecto muito importante, segundo o autor, é “a fé e a graça do sacramentos, que os cristãos vêem como ajudas eficazes no cultivo da fidelidade, da ternura e da renovação do amor, também dando e recebendo o inestimável presente do perdão”.

O livro recorda “o papel fundamental dos sentimentos, que se devem harmonizar com a razão, a vontade e a prudência, para analisar as situações, e para que cada pessoa saiba discernir se está ‘cega’ ou se a intuição que sente tem fundamento e, sobretudo, futuro”.

Na internet, blog de Hernández Urigüen: http://noviazgosegurosideasparaacertar.blogspot.com

Uma boa noticia...


Um amigo de Beja, propôs no seu blogue que costumo seguir, que a câmara de Beja podia organizar um evento onde casariam o primeiro casal homossexual. Segundo ele, isto ajudaria a região de Beja e coloca-la-ia no topo da modernidade no mapa do país.

Ora eu concordo. Como é inevitável já a aprovação do casamento gay, como cidadão do resto do país (que não Beja) agradeço a sugestão e subscrevo.
Pode ser que assim todos os gays do país se mudem para Beja, exemplo que será da tal modernidade.

A verdade é uma. O resto do país  poupa no Prozac e Beja carrega-lhe no Viagra. Meu caro H, gostei da sua sugestão. Tanto que em vez de comentar fiz um post e liguei ao seu.

Fonte: Viagra e Prozac

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Esta eu tinha que roubar...

 
Não existe melhor exemplo para o que está a acontecer.
Claro que a igreja tem culpas no cartório. Claro que andou anos a encobrir padres,  que profanando todo aquilo que deviam ser, usaram a sua posição dominante e se aproveitaram de outros que frágilmente se iam cruzando com eles. E não deve ser um, nem dois, nem cem.
E atenção, não confundam, que em minha opinião, cada caso a mais  que se conhece é um caso a mais.
Tolerância zero.
Mas também é verdade que a pedofilia não se resume à igreja e aos padres. Antes pelo contrário, a maior incidência de casos deste acontecem no seio da família. Mas não me parece ver ninguém preocupado com o que realmente é importante em todos estes casos de pedofilia que vêm a publico.
AS CRIANÇAS.

E ter tomates para assumir de uma vez por todas, que é urgente tomar medidas sérias para punir os prevaricadores e, principalmente, para prevenir que casos destes aconteçam. Se para isso é preciso enviar um AVISO (ou mesmo ameaça) séria a estes predadores sexuais, então faça-se.

Castração química? Porque não? Se funcionar.
Cadastro nacional de pedófilos. Com toda a certeza.
Penas de prisão exemplares? Obviamente.
Prisão separada dos outros reclusos para estes prevaricadores? Porquê? Eles tiveram essa consideração pelas suas vitimas?
Obrigatoriedade de anunciar sempre às autoridades a sua residência? Claro. Queremos saber onde eles andam.
E claro, algures pelo meio, uma puta de uma coça bem dada...

Mas fale-se do que realmente é importante. Acabar com a pedofilia, não só no seio da igreja, mas em todo o lado.




Fonte: imagem gentilmente "gamada" ao Blasfémias

Só para dizer que continuo Benfiquista


Nem que isso signifique ficar neste estado.

"Macedo será o braço político do PSD em São Bento"

"Parlamento O sotaque nortenho denuncia as origens bragantinas. Distingue-se entre os deputados sociais-democratas pelo seu imaculado cabelo branco, prematuro para os 50 anos que tem. Miguel Macedo, de seu nome, é o deputado que se propõe ser o "braço político" de Pedro Passos Coelho no Parlamento. Ontem anunciou que se lança na corrida à liderança da bancada e vai já a votos na próxima semana. Se for eleito, como é quase certo, vai enfrentar José Sócrates na próxima sexta-feira, no debate quinzenal, na primeira linha da bancada em nome do novo líder social-democrata.

"Miguel Bento Martins da Costa Macedo tem fama de ser bom orador, caústico q. b. e com forte sentido de humor. É amigo de Marques Mendes, de quem foi secretário-geral do partido. Mas a sua relação com Passos Coelho é mais antiga. Andaram juntos nas lutas da JSD. "Conheço-o há muitos anos e reconheço-lhe grandes qualidades pessoais e políticas", disse ontem Passos à saída da primeira reunião com a bancada parlamentar.

"O candidato a presidente do grupo parlamentar - que terá oito vice-presidentes, entre os quais se deverão contar Luís Montenegro, Agostinho Branquinho, Luís Filipe Menezes (filho) e Miguel Frasquilho, numa lista que se espera de abrangência - diz que quer "contribuir para a unidade" e ajudar a "construir uma alternativa de poder". Advogado, Macedo foi secretário de Estado da Justiça nos governos de Durão e Santana, deputado em várias legislaturas e membro da Assembleia Municipal de Braga. Neste momento presidia à Comissão Parlamentar de Inquérito ao Magalhães."

DN, 9.4.2010

"Corrupção à solta"

"O detalhado estudo ontem apresentado pelo ISCTE e pelo DCIAP sobre as investigações de crimes de corrupção em Portugal vem no tempo certo, para mostrar aos poderes públicos o que é, há anos, dito e redito por todos no meio judicial: que mais importante do que uma enorme reforma legislativa é que se dêem meios à justiça para fazer o seu trabalho com sucesso.

"Entre as dezenas de páginas de dados estatísticos agora compilados - finalmente compilados, acrescente-se - sobressai que mais de 60% dos casos de corrupção que chegam ao Ministério Público acabam arquivados e que, nos últimos cinco anos, pouco mais de 3% acabam em condenação. Fosse necessária prova de que o país tem, aqui, um problema, e ontem as dúvidas ficariam desfeitas. Infelizmente não é o caso: os portugueses não só sentem o problema, como lhe atribuem parte da culpa pela degeneração da República. Pelo que cabe a quem deve, os políticos, contribuir para a sua resolução. Urgentemente, sublinhe-se.

"Acresce que o mesmo estudo indica outros dados preocupantes, como sejam os 500 euros de "preço médio" da corrupção que chega a investigação. Aqui, das duas uma: ou este valor aparentemente irrisório é a imagem de um país, também ele, pequeno; ou significa que o Ministério Público só consegue chegar aos mais insignificantes casos de corrupção. O mais provável é que seja, sobretudo, o segundo caso.

"Assim sendo, regressamos à máxima do imperador romano Tácito, ontem recordada no seminário do ISCTE: "Quanto mais corrupta é a República, maior é o número de leis." Tem mais de 1800 anos, mas continua terrivelmente apropriada."

Editorial do DN, 9.4.2010

Tudo bons rapazes...

"Há mais vida para além da política." A afirmação foi feita por Manuel Alegre quarta-feira, à entrada do lançamento do seu último livro, e está a preocupar o círculo mais próximo dos apoiantes da sua candidatura à Presidência da República.(...)

"Quem conhece bem Manuel Alegre tem reparado no silêncio e na crispação bem visível no rosto que as perguntas sobre a corrida a Belém lhe provocam. Mas, também sabe que o poeta aprecia desafios políticos que parecem inatingíveis como o verificado aquando da última eleição presidencial, onde derrotou Mário Soares. (...)

"Também o vice-presidente do grupo parlamentar socialista mostrou divergência da recente posição do ministro Silva Pereira, que considera que o partido ainda está longe do tempo certo para decidir que candidato apoia. Segundo Strecht Ribeiro, "em política o tempo é uma unidade fundamental porque não se deve tomar posição nem antes nem depois do tempo". E criticou a possibilidade de o PS se confrontar com o facto de "não ter um candidato que apoie nas próximas eleições presidenciais".

"Esta estratégia poderá ser, no entanto, uma hipótese que se coloca a Sócrates no que respeita ao cenário presidencial. A verificar-se, seria uma posição inédita nos socialistas, mas a forma de não repetir situações como a que aconteceu na anterior eleição, em que Mário Soares e Manuel Alegre dividiram o eleitorado PS e criaram as condições para a vitória de Cavaco Silva, e para que Alegre voltasse a disputar o lugar ao actual presidente.

"O atraso no anúncio da posição do PS pode ser comparado ao triângulo das Bermudas: nas três pontas estão Soares, Alegre e Sócrates, no centro um vazio decisório. E, mesmo tendo já José Sócrates intimamente declarado a sua intenção de apoiar Alegre, a oposição determinada de Mário Soares à escolha está impossibilitar a sua concretização.

"As pressões do ex-presidente Mário Soares têm sido poderosíssimas junto do secretário-geral do PS, segundo o DN confirmou, e José Sócrates confronta-se com uma guerra entre egos históricos que lhe poderá custar caro no momento em que precisa de ter o partido consigo. As críticas feitas por Alegre ao PEC, em Bragança, foram, entre outros, argumentos arremessados por sectores contestatários ao apoio do PS ao candidato."

por JOÃO CÉU E SILVA,
DN 9.4.2010