sexta-feira, 20 de Novembro de 2009

Jobs for the boys... 35.698.751 acho eu!

O ex-secretário de Estado Adjunto de José Sócrates, Filipe Alberto da Boa Baptista, foi ontem nomeado para integrar a administração da Anacom, o regulador das telecomunicações.



Já dizia o outro "e depois o burro sou eu?"


Fonte: Diário Económico

Nem a propósito!

Teixeira dos Santos considerado um dos piores ministros das Finanças.




Dos 19 ministros das Finanças europeus avaliados pelo Financial Times (FT), Teixeira dos Santos surge em 15º, uma posição que o coloca perto do fundo da tabela.
"Um sobrevivente ainda perante dificuldades, enquanto a sua economia enfrenta uma considerável fraqueza estrutural e a escalada do défice", escreve o FT sobre o ministro das Finanças português.
Os ministros avaliados fazem parte das 19 economias mais fortes da União Europeia e foram julgados de acordo com as suas capacidades políticas e o desempenho das suas economias, neste momento de crise. Para esta segunda avaliação o FT juntou um painel de sete reputados economistas europeus que classificaram os ministros pela rapidez e eficácia com que implementaram medidas contra a crise, bem como o seu peso no palco internacional.

Fonte: Ionline 

Orçamento quê?

Ou eu ando muito distraído ou ele é mesmo muito mau...


Fonte: Ionline

Sócrates e escutas? Só se forem estes...


A nós saiu-nos um Sócrates


  
Fonte: obrigado pelo email S.

Van Rompuy

O primeiro Presidente da União Europeia é um democrata-cristão.

"Os líderes europeus designaram o belga Herman Van Rompuy para presidente da União Europeia. O consenso foi atingido numa reunião em Bruxelas após a desistência da Grã-Bretanha no nome de Tony Blair para presidente.

"Herman Van Rompuy, 62 anos, lidera o governo de coligação da Bélgica há menos de um ano. Democrata-cristão flamengo, é considerado o responsável pelo regresso da estabilidade política ao país depois dos repetidos conflitos entre flamengos e francófonos."

in RTP, 19.11.2009

quinta-feira, 19 de Novembro de 2009

Casamento

Seguem-se as cinco partes da conferência sobre o casamento, apresentada por Porto Carrero na Universidade Católica

Casamento I

1. INTRODUÇÃO.

Antes de entrar em matéria, queria agradecer o convite para participar neste debate promovido pela Capelania da Universidade Católica Portuguesa, que saúdo muito cordialmente na pessoa do seu Capelão, o Padre Hugo Santos, e pela Associação Académica de Direito desta Universidade, com a qual tenho uma certa afinidade, na medida em que sou licenciado em Direito, muito embora Nosso Senhor, talvez por amor às ciências jurídicas, me tenha arredado destas lides, que, contudo, à revelia do meu ministério pastoral, procuro cultivar na medida das minhas reduzidas possibilidades. A verdade é que não há amor como o primeiro…

Quero também agradecer à Drª Alexandra de Almeida Teté, o seu amável convite para esta minha participação, que, não tendo eu predicados que a justifiquem, se fica a dever por inteiro à simpatia de quem me convidou, em nome de uma longa amizade que é também para mim uma muito especial bênção de Deus.

At last but not at least, uma palavra de muito apreço ao Padre Nuno Serras Pereira, apóstolo da vida e heróico defensor da ortodoxia católica e, por isso, candidato ao martírio, porque confessor da fé já é. Se aceitei que a minha intervenção antecedesse as suas palavras foi apenas porque, como é sabido, nas procissões o último lugar é sempre o mais importante, como também aqui se observa.

Poderá resultar estranho que um sacerdote se proponha falar do casamento, sobretudo quando o que está em causa nem sequer é o sacramento do matrimónio, mas o casamento civil, ao qual alguns pretendem equiparar as uniões de pessoas do mesmo sexo. É verdade que Nosso Senhor exige o celibato a quantos chama para o sacerdócio ministerial, dom que alguns consideram também uma terrível infelicidade, que, contudo, Nosso Senhor atenua com a correspondente graça de, por esta via, estarmos livres de uma das mais dolorosas provações dos casados: a sogra. Mesmo sem mulher nem sogra, há quem questione a pertinência de um padre pretender dar algumas pistas de reflexão sobre um tema que é essencialmente jurídico e civil e, portanto, alheio à sua condição clerical e à sua correspondente competência teológica.

A quem questione a pertinência de um sacerdote se permitir opinar sobre uma temática essencialmente civil, quereria recordar que, embora respeitando a autonomia própria dos diversos saberes humanos e concordando, em linha de princípio, com a não ingerência dos princípios confessionais em questões de justiça social, não sou nem me sinto, pelo facto de ser sacerdote, menos cidadão, por muito que lhes custe aos anticlericais que nos quereriam fechados, a setes chaves, nas sacristias. Ainda que aos padres nos esteja vedada a actividade política strictu sensu, não nos está proibido o exercício dos deveres próprios da nossa cidadania: é no âmbito dessa qualidade que se inscreve, com efeito, esta minha intervenção que, por este motivo, não expressa oficial ou oficiosamente os ensinamentos eclesiais, mas a minha opinião pessoal.

Neste sentido, não procurarei recordar os princípios da doutrina cristã, nem sublinhar os ensinamentos do Magistério da Igreja em relação ao sacramento do matrimónio, mas tentarei esclarecer, num âmbito civil e recorrendo apenas a argumentos de razão natural, a natureza jurídica do casamento e a sua relação com as uniões de pessoas do mesmo sexo. Não implica, esta minha opção na exposição do tema, nenhum desafecto em relação à correspondente doutrina católica, apenas releva o propósito de dar a esta modesta contribuição uma maior abrangência.

Não se pode deixar de reconhecer que a questão do casamento é, pela sua própria natureza, de ordem política e jurídica, mas também moral e natural, na medida em que é uma realidade básica na estrutura da sociedade. Nenhum cidadão se deveria alhear de temáticas que, de uma forma tão drástica, afectam a realidade social: mesmo quem não tem, como é o caso, a qualidade técnica que se requer para um abalizado parecer jurídico, nem a competência necessária para uma abordagem satisfatória de uma realidade tão complexa que, na realidade, exigiria uma análise interdisciplinar, não se deve furtar a participar num debate que é urgente e necessário e em que todos devemos intervir e agir.

Conta-se que um desventurado sacerdote, recém-chegado de uma prestigiada universidade belga, iniciou a homilia, diante do seu Bispo, com as seguintes palavras:

- "Tenho 26 anos, venho de Lovaina e vou falar-vos do amor…"

O prelado, ao ouvir um tal intróito e temendo o pior, levantou-se de imediato e iniciou a reza do Credo, dando assim por finda a alocução do infeliz presbítero, que não foi além daquela auspiciosa introdução…

Tenho quase o dobro daqueles verdes 26 anos, venho do Dafundo e não de Lovaina mas, com a vossa licença, aproveitando a ausência episcopal, vou falar do amor e do casamento, do matrimónio natural e da sua não equiparação à união entre pessoas do mesmo sexo.

Casamento II

2. DUAS QUESTÕES PRÉVIAS.

2.1. Algumas questões terminológicas e não só.
Costuma-se dizer que é a falar que as pessoas se entendem mas, nesta questão, como em tantas outras trazidas para a praça pública, boa parte dos desentendimentos ocorrem, em boa medida, por razões de linguagem e comunicação. Ao contrário do que pensam os que entendem que tais questões aparentemente nominalistas não são de interesse, é fundamental esclarecer os termos em que se aborda uma temática, não tanto por um purismo formalista, que alguns poderiam considerar uma vã bizantinice, mas porque as palavras expressam conceitos e, por isso, o uso indevido de certos termos pode significar não apenas uma deficiente expressão mas sobretudo uma menos feliz compreensão da realidade que se pretende referir.

Além do mais, muitas destas inflexões morfológicas ou sintácticas não operam apenas ao nível da linguagem propriamente dita, mas das noções respectivas e, mais ainda, dos valores correspondentes. A bem dizer, não é inocente a substituição do termo «aborto» pela inexacta e falaciosa expressão «intervenção voluntária da gravidez», que falseia a realidade significada, na medida em que, em vez de reconhecer como próprio desse acto a morte produzida ao nascituro, o camufla na aparência de um mero processo biológico da mulher, a gravidez, que eufemísticamente se diz interromper, quando na realidade é dramaticamente frustrado. Nesta lógica, o assassinato deveria ser designado como uma mera «interrupção voluntária da respiração», ou o roubo uma «interrupção voluntária da propriedade» …

Para além desta questão terminológica, necessária para o esclarecimento da questão sub judice, interessa também apurar a realidade social subjacente à reforma jurídica em curso. Com efeito, não seria lógico admitir uma tão profunda alteração dos princípios que orientam o regime jurídico português sem uma razão social e política que a justifique, nem que a mesma seja realizada contra a vontade da maioria dos cidadãos. Se, com razão, se afirma que o Estado de direito, para que o seja, tem de ser democrático, não apenas quanto aos mecanismos de selecção dos seus governantes, mas também no modo como estes exercem as suas funções, não é despicienda a questão da legitimidade democrática de uma qualquer reforma que, para que seja justa e democrática, não basta que seja sancionada por um governo ou um parlamento eleito democraticamente, mas também conforme ao bem comum.

2.2. O termo «casamento homossexual».
A expressão «casamento homossexual», que serve de tema a esta sessão, é profundamente infeliz. Não censuro os organizadores por este facto, que julgo intencional, mas não posso deixar de chamar a atenção para a contradição dos termos, na medida em que o adjectivo, «homossexual», em vez de qualificar o substantivo que o precede, «casamento», nega-o.

Como é sabido, o termo «homossexual» significa uma tendência, exclusiva ou predominante, por pessoas do mesmo sexo. Ora não há casamentos, nem casas, nem carros, nem astros ou planetas que tenham tendências sexuais e que, por isso, possam ser homossexuais, pelo que a homossexualidade não pode ser nunca referida como atributo de uma realidade que não seja o indivíduo sexuado, porque só este, enquanto dotado de uma tendência desta natureza, pode experimentar essa invulgar preferência.

Neste caso específico, acresce ainda uma outra incongruência conceptual. De facto, a homossexualidade implica, em princípio, uma tendência não-matrimonial, senão mesmo anti-matrimonial, porque aquele que se afirma ou assume como tal não só não experimenta a natural atracção por pessoas do outro sexo, como ainda manifesta um desejo de realização afectiva pessoal fora do âmbito de uma relação conjugal. Portanto, quem quer casamento, quer, obviamente, uma união com uma pessoa do outro sexo; e quem, pelo contrário, quer para si mesmo um outro tipo de relação, nomeadamente porque prefere viver a sua intimidade com uma pessoa do seu género, não quer, em princípio, casar.

Seja como for, a expressão «casamento homossexual» resulta evidentemente contraditória e, por isso, inaceitável num debate que se pretende intelectualmente honesto e esclarecedor. Assim sendo, nesta exposição, em vez de se utilizar a falaciosa expressão «casamento homossexual», usar-se-á preferencialmente, pelas razões já invocadas e o mais que se dirá, o termo «matrimónio entre pessoas do mesmo sexo».

2.3. «Homossexual» e «heterossexual».
A propósito do uso e abuso dos termos homossexual e heterossexual, interessa referir algumas implicações de ordem conceptual, que são relevantes para o tema em apreço.

É sintomático que hoje em dia estes termos quase substituíram os de homem e mulher, porque os indivíduos são definidos não em função do seu sexo, mas da sua tendência sexual predominante. Pior ainda é a pretensão de normalidade que se pretende dar a estes estatutos, como se a condição homossexual e heterossexual pudessem ser consideradas como duas vertentes de uma mesma realidade, como duas expressões equivalentes da sexualidade humana.

Pelo contrário, importa recordar o que sociologicamente é um dado assente: a grande maioria dos adultos, homens e mulheres, sentem-se naturalmente atraídos pelos seus contrários, com os quais tendem a unir-se em casamento. Com carácter de excepção, há também uns 3 ou 4% de pessoas que se afirmam homossexuais, precisamente porque não se reconhecem naquela tendência generalizada e experimentam uma especial atracção por pessoas do mesmo sexo. Portanto, não se pode dividir a sociedade em dois grupos análogos, quais seriam o das pessoas homossexuais e o das pessoas heterossexuais, mas reconhecer o que é uma evidência estatística, ou seja que aproximadamente 96 ou 97% do total dos membros de uma determinada sociedade são e sentem-se atraídas por pessoas do sexo oposto; enquanto o 3 ou 4% restante acusa uma tendência diversa.

Em termos sociológicos, é evidente que não se pode estabelecer uma paridade entre estas duas situações e que a relação que entre ambas cabe estabelecer não é a de duas modalidades equivalentes do género humano. Pelo contrário, o comportamento observado na esmagadora maioria das pessoas tem a condição de regra ou paradigma da normalidade, enquanto a atitude homossexual tem, em termos estatísticos e sociológicos, todos os requisitos que são próprios de uma excepção à regra.

Não se entenda que esta constatação numérica está eivada de algum preconceito, pois mais não é do que uma leitura atenta dos factos. Além do mais, a condição muito minoritária não releva nenhuma carga pejorativa: os sobredotados também são uma escassa percentagem e, contudo, essa menção é evidentemente muito honrosa.

Mesmo sem necessidade de recorrer a princípios de ordem moral ou religiosa, é perfeitamente justificada a distinção entre o comportamento maioritário e o que, pelo contrário, apenas se observa numa muito reduzida percentagem da população. Quer se queira, quer não, essa minoria nunca poderá ser equiparada à maioria e, mesmo que não se lhe queira reconhecer o carácter patológico com que até aos anos 70 a Organização Mundial da Saúde estigmatizava a homossexualidade, não se pode deixar de reconhecer que não é uma outra face da normalidade, mas a sua excepção. Portanto, em rigor, não existem pessoas heterossexuais e pessoas homossexuais, mas pessoas normais e pessoas que o não são em termos estatísticos e que, precisamente por essa razão, só estas últimas carecem de uma designação própria.

Ora bem, aquilo que cumpre os padrões da normalidade não carece de nenhum termo próprio ou específico, que no entanto se impõe para o que é raro ou original. Por isso, em jeito que reconheço um pouco provocador e pelo qual desde já me penitencio, faço sempre questão em me assumir como não sendo heterossexual. Quer isto então dizer que me reconheço com outra tendência sexual?! Não, de modo nenhum! Pelo contrário, apenas pretendo afirmar assim a minha normalidade que, precisamente porque é a condição comum à quase totalidade dos seres humanos, não carece de nenhuma designação própria e exclusiva.

Não sou heterossexual pela mesma razão que não sou um não-cego, ou um não-paralítico, ou um não-génio. Não são as singularidades que não tenho que me definem, mas a sua ausência, que não carece de nenhum termo próprio, como é óbvio. E o facto de ser, por desgraça minha, canhoto e míope, não converte todas as outras pessoas em não-canhotas ou não-míopes, mesmo que escrevam com a mão direita e tenham, para minha inveja, uma óptima visão.

Aceitar ingénua e acriticamente a distinção terminológica entre homossexuais e heterossexuais é meio caminho andado para a concessão do estatuto de matrimónio civil às uniões entre pessoas do mesmo sexo, precisamente porque essa terminologia já pressupõe o que é, em termos sociológicos e jurídicos, falso, ou seja, que a heterossexualidade e a homossexualidade são dois aspectos da mesma realidade, quando na realidade são, em termos sociais, a regra e a sua excepção.

Insisto num particular que me parece relevante: não estou a fazer uma análise de carácter moral ou ético, mas meramente sociológica, baseada apenas na constatação factual da incidência da tendência homossexual.

2.4. O casamento dos homossexuais.
Importa ainda distinguir a expressão «casamento homossexual» que, como já se disse, não tem cabimento, do termo «casamento dos homossexuais», que tem um sentido diametralmente oposto.

É habitual ouvir-se dizer que algumas legislações, como a portuguesa, não reconhecem o direito ao casamento por parte dos homossexuais, o que não é verdade. De facto, o Código Civil não impede os homossexuais de contraírem matrimónio civil, pelo que estão legalmente equiparados, para estes efeitos, a quaisquer outros cidadãos, e a tão badalada suposição de uma eventual discriminação não tem qualquer fundamento jurídico. Os homossexuais estão a par de todos os outros cidadãos, até porque essa sua particularidade não tem qualquer relevância jurídica, nem consta como impedimento matrimonial. Para efeitos matrimoniais, os homossexuais estão equiparados aos heterossexuais e têm os mesmos direitos e deveres no que concerne ao casamento civil. Afirmar o contrário é tão disparatado como dizer que o Código Civil não reconhece o direito ao casamento dos daltónicos, dos hipocondríacos ou dos canhotos, pela simples razão de que estas particularidades não são explicitamente consideradas no diploma legal que regula o matrimónio, como também o não é a condição homossexual ou heterossexual.

Mas – atenção! - quando se fala do casamento dos homossexuais, está-se a aludir ao matrimónio, ou seja, àquela relação jurídica em virtude da qual duas pessoas de diferente sexo se unem, constituindo uma família. Se os homossexuais tivessem direito a um casamento próprio, então sim haveria razão para entender que eram alvo de uma discriminação, como seria também injusto que os daltónicos, os hipocondríacos ou os canhotos, por razão destas suas singularidades, se vissem privados do direito ao regime geral do casamento civil, tal como qualquer outro cidadão.

É verdade que, para efeitos de casamento, é indiferente que se seja dextro ou esquerdino, daltónico ou hipocondríaco, mas não que se seja homossexual ou heterossexual. Mas qualquer outra particularidade psicológica, ou sexual, também tem relevância para a vida conjugal e não parece aceitável que o Código Civil estabeleça tantos regimes matrimoniais especiais quantas as especificidades ou as anomalias psíquicas e físicas susceptíveis de repercussão na vida conjugal. Ao Direito não lhe interessa conhecer as tendências sexuais, ou outras, dos cidadãos, mas estabelecer os requisitos próprios de cada instituto e permitir o seu acesso a todos os que reúnam essas condições, qualquer que seja a sua religião, cultura, tendência sexual, opção política, ficha médica ou equipe de futebol.

Seria aliás ultrajante que o conservador do Registo Civil, por hipótese, tivesse que inquirir das tendências íntimas dos nubentes e, consoante o resultado do seu exame às respectivas aptidões físicas, psíquicas e sexuais determinasse a idoneidade do sujeito para contrair matrimónio segundo a lei. É evidente que um tal juízo não cabe à autoridade, nem à lei, mas ao próprio, que em cada caso ajuizará da sua capacidade efectiva de realizar o que é próprio do negócio jurídico em causa. À lei compete estabelecer o regime geral do matrimónio, como aos conservadores do Registo Civil recordar aos noivos os direitos e deveres inerentes à condição nupcial.

Por esta razão também não faz sentido que repetidamente se evoque um pretenso casamento homossexual quando, na realidade, o que se quer dizer, em termos jurídicos, é um matrimónio entre pessoas do mesmo sexo, o que não é sinónimo. Com efeito, um eventual casamento homossexual pressuporia prova da homossexualidade de um ou dos dois contraentes como requisito prévio à sua celebração, mas uma tal condição seria obviamente discriminatória e aberrante em termos jurídicos. Com efeito, se ninguém reivindica uma proibição legal de contrair matrimónio com uma pessoa do mesmo sexo para os ditos heterossexuais, também não faz sentido que uma pessoa, com inclinação homossexual, seja interditada de contrair matrimónio civil com uma pessoa do sexo oposto.

Assim sendo, há que concluir a irrelevância jurídica da condição homossexual para efeitos do matrimónio civil, devendo a questão ser formulada em outros termos, ou seja, se duas pessoas do mesmo sexo, qualquer que sejam as suas tendências sexuais, podem ou não contrair matrimónio à face da lei.

Ainda que muito brevemente e sem qualquer pretensão de invadir o âmbito próprio das ciências médicas, convém referir, muito de passagem, que a condição homossexual não pode ser tomada como um todo absolutamente determinado e irreversível. De facto, há pessoas que experimentam uma tendência homossexual durante algum período da sua vida e que conseguem superar essa sua atracção. Há também quem, mesmo acusando essa tendência, não exclui a possibilidade de um fecundo relacionamento amoroso com uma pessoa do outro sexo. Portanto, o esquematismo de raciocínio que associa a qualquer grau de homossexualidade a total proibição de um possível casamento com uma pessoa do outro sexo não colhe, por falta de fundamento científico. Esse entendimento excessivamente simplista parece facilitar a resolução de um problema certamente complexo mas, na realidade, apenas falseia os seus pressupostos, precisamente por não acolher todas as possibilidades que a vida real conhece. Tende-se a crer que é necessariamente disparatado propor, a quem tenha tendências homossexuais, um casamento com uma pessoa do outro sexo, mas, se é certo que ninguém pode ser compelido a violentar-se a si mesmo nestes âmbitos, também é verdade que não há ninguém que não tenha que se esforçar para lograr uma convivência matrimonial que seja gratificante.

Se se permite a comparação e salvando as distâncias, que são muitas, cabe afirmar que há pessoas egoístas que são casadas e, apesar desse seu manifesto egocentrismo, ninguém entende que essas pessoas estão por esse facto absolutamente impedidas de contrair matrimónio, pois é de admitir que se vão esforçar por contrariar essa sua tendência, na medida em que a mesma não é conciliável com a partilha conjugal de toda a vida. Há também pessoas que padecem uma leve inclinação homossexual e, nesse sentido, não seria de excluir, em princípio, a possibilidade de que venham a enveredar por um estilo de vida matrimonial, ou seja, de intimidade com uma pessoa do outro sexo. Contudo, se essa união com uma pessoa do outro sexo representasse uma violência, é óbvio que um tal casamento não deveria ser realizado, pois não faz sentido exigir a alguém algo que essa pessoa, pelas suas próprias circunstâncias, não pode dar.

2.5. A questão sociológica.
Esta observação tem alguma transcendência ao nível jurídico, na medida em que questiona a conveniência de uma modalização do matrimónio que satisfaça apenas uma tão limitada minoria de cidadãos, em prejuízo da grande maioria dos que optaram por esse estado civil. Se 3 ou 4% de homossexuais têm direito a exigir uma alteração substancial do regime matrimonial, porque não aceitar que os crentes do Islão, que nalguns países europeus já excedem os 3 ou 4% da população, exijam e obtenham a possibilidade de um casamento civil poligâmico? E, se nalguns países houver uma igualmente numerosa minoria que defenda o incesto ou a pedofilia, que razão poderá invocar o Estado para não lhes conceder também um regime matrimonial civil que satisfaça essas suas aberrantes pretensões?!


Não deixa de ser curioso que se permita, ao que parece, que uma exígua mas muito combativa minoria pretenda impor a subversão do regime civil do casamento e que uma tal pretensão não seja liminarmente rejeitada pelo seu carácter manifestamente anti-democrático. Se os poucos canhotos que somos portugueses impuséssemos a condução à esquerda, decerto que não seriamos menos democráticos do que os que pretendem que o casamento não seja aquilo que 97 ou 96% dos portugueses querem e vivem, mas o regime alternativo que uma escassa minoria de 3 ou 4% pretende e furiosamente reivindica.

Pena seria que esses mais de noventa por cento de cidadãos e cidadãs normais se deixassem arrastar por essas minorias sectárias, como seria lamentável que também o governo e o parlamento, em vez de implementarem o bem comum, cedessem aos poderosos lóbis dos que, não querendo casar, querem contudo todas as regalias inerentes à condição matrimonial.

Casamento III

3. AS RAZÕES DE UMA DISCRIMINAÇÃO.

3.1. O argumento favorável ao casamento entre pessoas do mesmo sexo.
Um dos tópicos mais em voga no debate relativo à equiparação das uniões entre pessoas do mesmo sexo e o casamento civil poder-se-ia expor nos seguintes termos: na medida em que o ordenamento jurídico admite o casamento entre pessoas de diferentes sexos, é uma violência que o não permita também a pessoas do mesmo sexo. Como se trata, portanto, de uma discriminação por razão da tendência sexual, é ilegítima e até anti-constitucional, sendo assim imperativa a aceitação de um regime matrimonial para as pessoas homossexuais.

Este raciocínio, que resume de algum modo o pensamento comum a quantos reivindicam o chamado «casamento homossexual», padece vários vícios de forma e de conteúdo, que importa escalpelizar. Para esse efeito e apenas por uma questão de ordem, procurar-se-á considerar por separado cada um dos termos em causa, para uma mais fácil apreciação do argumento que se pretende refutar.

3.2. Da discriminação justa e injusta.
É da praxe considerar automaticamente como injusta qualquer discriminação, esquecendo que a distinção legal com fundamento real não só não é necessariamente injusta como, pelo contrário, é muitas vezes uma exigência da mais elementar justiça.


Por exemplo, a lei proíbe aos menores a participação activa e passiva nos actos eleitorais e uma tal descriminação, por razão da idade, não é injusta. Os cidadãos portugueses que o não são originariamente, não podem candidatar-se á presidência da República, o que significa uma discriminação por razão da naturalidade. Os casados não podem contrair matrimónio, o que é uma discriminação por força do seu estado civil. Os paralíticos e outros deficientes não podem ser admitidos nas forças armadas ou corpos de segurança, pela sua inaptidão para as referidas funções, o que releva uma discriminação por razões de ordem física. Os deficientes motores têm direito a um lugar de estacionamento privativo na via pública, o que significa um privilégio não reconhecido ao comum dos cidadãos. Uma mulher não pode fazer parte da selecção nacional masculina de futebol, nem um homem da equipe feminina de voleibol, mesmo que ambos pratiquem a modalidade na perfeição.

Estes exemplos bastam para provar que a discriminação não é, por natureza, um acto de injustiça, mas de respeito por uma singularidade que o ordenamento jurídico não pode deixar de ter em conta. Quer isto dizer que todas as discriminações são justas? Não, decerto, mas que também não se pode afirmar o contrário, ou seja, que qualquer distinção é necessariamente iníqua.

Em jeito de conclusão, poder-se-ia dizer que a discriminação é razoável quando a diferença invocada é relevante para o efeito em causa, mas não é admissível quando significa uma prática de arbitrária exclusão, o que poderá supor que um mesmo critério seja conclusivo para uma discriminação, mas não para outra. Por exemplo, é razoável que um sujeito condenado por abuso de menores não seja aceite como vigilante de um orfanato, mas não que se lhe impeça a condução de veículos motorizados, por exemplo; o mesmo se diga em relação à adopção: é justo que um casal possa adoptar mas que essa opção já não seja dada a dois amigos ou duas amigas que vivem em união de facto, por entender-se que não seria positivo para a criança, cujo superior interesse importa, acima de tudo, salvaguardar.

3.3. Da relevância jurídica de alguns comportamentos sociais.
Há já muitos milhões de anos que existem mulheres e homens que vivem com pessoas do mesmo sexo, mas nunca, até à data, tiveram a veleidade de institucionalizar essas uniões civilmente, nem muito menos pretender equipará-las ao casamento. Na realidade, pouco interessa ao direito as opções sexuais ou afectivas dos cidadãos, desde que observem algumas exigências básicas de justiça, nomeadamente no que respeita aos direitos dos outros.

Se um estranho senhor deseja andar em sua casa tal como veio ao mundo, não parece razoável que o Estado intervenha e essa sua impudica atitude seja punida com uma coima e a obrigação de usar em sua casa, pelo menos, uma tanga ou uma parra, à imagem e semelhança do pai Adão. Caso contrário é o de quem queira andar nesses preparos na via pública, porque aí esse estranho procedimento é susceptível de ferir a sensibilidade dos outros cidadãos, que se podem sentir ofendidos com tão escandalosa nudez.

Ou seja, se o senhor A quiser viver com o senhor B, ou até com o senhor B e C, é coisa que a eles diz respeito e que não interessa ao Estado, nem tem porque ser objecto de nenhuma sanção jurídica, sobretudo numa sociedade que se afirma laica e parece ter abdicado de qualquer ideal de perfeição moral.

Seria pertinente que as pessoas que querem viver a seu modo, quisessem que o Estado as não perseguisse nesse seu propósito, como acontece ainda nalgumas repúblicas islâmicas, onde a prática do adultério ou da homossexualidade são severamente punidas. Não é, contudo, o caso de Portugal, onde tais comportamentos são tolerados pela sociedade e pelas autoridades.

Se é aceitável um certo permissivismo legal, muito embora essas acções e comportamentos sejam passíveis da correspondente sanção moral, já não é admissível que se dê a esse tipo de conduta uma aparência legal contraditória com a realidade. Ou seja, o dito senhor pode andar nu pela sua casa e até lograr que as autoridades públicas não o impeçam dessa bizarra homenagem aos animais irracionais, que também costumam deambular na mesma atitude desavergonhada, mas não pode exigir que a sociedade afirme que se passeia por sua casa decorosamente vestido, pois uma tal declaração é falsa e ninguém está obrigado à mentira, antes pelo contrário a verdade a todos obriga.

Portanto, regressando ao suposto que aqui interessa, o ordenamento jurídico pode tolerar modos de vida alternativos às instituições previstas no seu sistema, mas não pode afirmar que são o que manifestamente não são. No máximo, o senhor A tem direito a casar ou a não casar, andar vestido ou nu, viver só ou com uma companhia do seu mesmo sexo, mas qualquer que seja a sua opção, fica pela mesma vinculado também socialmente. Se o senhor A quer viver com a senhora B sem com ela casar, pode-se admitir que o faça, mas não que exija que à sua companheira seja dado o tratamento de esposa, que não é, e não é precisamente porque ele não quer que seja, pois se o quisesse, com ela teria logicamente casado. Se o senhor A quiser que a pessoa com quem vive seja sua mulher, tem toda a liberdade para com ela se casar, mas não pode ser esposo de alguém com quem não casou, como é óbvio.

Não está em discussão a homossexualidade ou, sequer, a legitimidade de uma vida de intimidade entre duas pessoas do mesmo sexo. O que está em causa é a moderna pretensão de alguns para que a essas duas pessoas, que vivem nessa situação de facto, seja outorgado um estatuto não só contrário à realidade da sua situação como ainda específico de muitas outras pessoas, cuja opção nada tem a ver com esse estilo de vida alternativo.

3.4. Do direito à diferença.
Durante muitos anos foi recorrente na argumentação dos libertários a invocação de um suposto direito à diferença, entendido como o legítimo recurso a um modo singular de vida social. Mais modernamente, este argumento já não é invocado, por razões que são fáceis de intuir.

Na realidade, a diferença é legítima até porque a justiça não é igualitária mas diferenciadora. Ser justo não é tratar todos por igual, mas dar a cada um o que merece. Por isso, o Estado, que penaliza o criminoso e condecora o benemérito, distingue os comportamentos dos cidadãos e dá a cada qual segundo as suas obras. Mas não seria justo se condecorasse o criminoso ou punisse o benemérito, ou mesmo que castigasse todos ou todos premiasse, em cujo caso deixaria de fazer sentido a pena ou o galardão.

É óbvio que o casamento é de facto e de iure, uma realidade diferente da união entre duas pessoas do mesmo sexo e, portanto, é razoável que o ordenamento jurídico trate diferentemente o que é realmente diferente. O que seria injusto é que as uniões entre pessoas do mesmo sexo ou de sexos contrários fossem consideradas juridicamente equivalentes, pois nesse caso o Direito estar-se-ia a afastar da realidade e a contradizer-se, na medida em que consideraria como igual o que é manifestamente diverso.

Mesmo que não se queira fazer nenhum juízo moral sobre a união entre pessoas do mesmo sexo, não se pode fingir que estes ajuntamentos reúnem as características que são próprias das uniões matrimoniais. Portanto, mesmo que os que enveredam por aquela opção alternativa se afirmem iguais aos outros cidadãos, não o são quanto ao regime de vida alternativo e claramente excepcional por eles liberrimamente querido e adoptado.

São iguais quanto aos direitos, deveres e garantias de todos os cidadãos, na medida em que estes não dependem da opção de vida de cada um, mas não são iguais aos casados, porque não são esposos, nem vivem no âmbito de uma relação matrimonial. Seria absurdo que eu, por hipótese, enquanto celibatário, reclamasse, em nome da igualdade, o direito a ter um filho, invocando para o efeito que muitos casados, que não são mais nem menos cidadãos do que eu, têm-nos, como é normal em qualquer família. Não faria sentido que um solteiro exigisse todas as prerrogativas próprias dos cônjuges, ou que um casado requeresse, também em nome da igualdade, o estatuto jurídico civil dos solteiros, em cujo caso a distinção deixaria de fazer sentido em termos jurídicos e sociais.

Na realidade, o pretendido acesso ao estatuto matrimonial das uniões de pessoas do mesmo sexo não é outra coisa senão uma tentativa para destruir o casamento porque, no dia em que qualquer união, seja ela qual for, seja juridicamente matrimonial, o casamento, como tal, terá deixado de existir na legislação e na vida social, a não ser que noutras sedes, nomeadamente a canónica, mantenha a sua identidade natural.

3.5. Da natureza do casamento.
Em tempos de relativismo e de positivismo jurídico, talvez não seja despicienda uma breve análise da essência do casamento. Na actualidade predomina uma concepção voluntarista do matrimónio e também de outras instituições sociais, ao ponto de se crer que o casamento é aquilo que os homens queiram que ele seja, nomeadamente aqueles que, pelo seu poder, têm a possibilidade de estabelecer, como lei, a sua soberana vontade. Se é verdade que há uma relativa indeterminação quanto ao modo como os homens se organizam em sociedade, também é certo que há alguns pressupostos de ordem antropológica que não podem ser ultrapassados, pois a natureza humana tem também limites próprios e regras indeclináveis.

Há uma recorrente tendência a identificar o casamento com a emergência do amor humano e, assim sendo, onde surja esse tão nobre sentimento, faria sentido, em termos sociológicos, a instituição matrimonial. É a esta falaciosa razão que se agarram os defensores do casamento entre pessoas do mesmo sexo: se se amam, como também se querem marido e mulher, porque não dar-lhes a possibilidade de constituírem um matrimónio? Quem pode ajuizar qual o amor mais verdadeiro? Não há também casamentos entre pessoas de diferente sexo que fracassam? E, no entanto, ninguém nega que são, ou foram, verdadeiros matrimónios!

Pois bem, muito embora o amor esteja na génese do relacionamento que depois se consubstancia no pacto matrimonial, não é a sua essência e por isso se explica que, mesmo na sua ausência, o casamento enquanto tal não perde a sua vigência quando falta o amor. Por outro lado, há muitas expressões amorosas e nem todas são susceptíveis de configurar uma relação matrimonial: o afecto de um pai ou uma mãe pelo seu filho e vice-versa, a amizade entre dois irmãos ou dois amigos, são amores verdadeiros, de uma grande intensidade e nobreza, mas não são amores esponsais, não porque não sejam autênticos ou sinceros, mas porque o amor matrimonial tem uma característica específica que, nestes casos, não se verifica.

Que característica é essa que distingue o amor esponsal de todos os outros afectos? Precisamente a sua componente de entrega definitiva, através de uma partilha recíproca da intimidade masculina e feminina, em ordem à constituição de uma família. A especificidade da recíproca doação é a sua expressão sexual complementar, que tem como consequência natural a geração da prole. O amor matrimonial é, por definição, um amor que não se satisfaz com a própria felicidade, nem com o mero prazer sensual, mas tende a uma realidade fora do próprio casal, mesmo que, por alguma razão, não seja possível alcançar esse fim.

É de tal forma essencial essa inclinação para a prole que, para certos ordenamentos jurídicos, se duas pessoas de diferentes sexos se quisessem unir para toda a sua vida, em regime de exclusividade, mas excluíssem, com um acto positivo da sua vontade, a descendência, não teriam casado, precisamente porque teriam omitido um elemento essencial do pacto matrimonial. Não porque os filhos sejam necessários para a efectivação do casamento, mas sim a abertura à vida, sem a qual, com efeito, não existe, com propriedade, um verdadeiro casamento.

Quem quer unir-se a uma mulher, ou a um homem, mas não para sempre; quem quer-se unir a uma pessoa do outro sexo para sempre, mas não quer ter filhos; quem se quer unir para sempre a uma pessoa do sexo oposto e com ela procriar, mas sem excluir outros relacionamentos íntimos com outras pessoas, segundo algumas normas vigentes, não é que case mal ou menos perfeitamente, mas pura e simplesmente não casa. Mas não casa porque não quer casar? Certamente que não, porque se calhar a sua vontade é a de contrair matrimónio. A razão pela qual o casamento não se chega a verificar é porque aquilo que a pessoa quer quando casa não é o que se entende por casamento e, por isso, a sua vontade não é eficaz ao nível de produzir um verdadeiro matrimónio. Para que duas pessoas casem validamente não basta que ambas sejam de diferentes sexos e queiram efectivamente casar, é preciso que, ao quererem estabelecer esse compromisso de todas as suas vidas, queiram aquilo que se entende por casamento. Em caso contrário, o seu consentimento de nada serve, por muito que se amem e queiram entre si.

Não quer isto dizer que não haja uma relativa liberdade das partes quanto à modalidade do pacto que entre si estabelecem, mas desde que observem a natureza do próprio instituto. O senhor A é livre de doar ou vender a sua casa ao senhor B, mas não pode querer doar a propriedade a troco de uma certa importância, nem pretender que a venda seja a título gratuito, porque nesse caso não seria uma transacção onerosa mas uma oferta. A liberdade de doar ou vender exige que aquele que doa, ou venda, nada receba em troca, ou exija o preço correspondente, respectivamente, mas não consente que se introduza uma condição que, na realidade perverta a natureza do instituto em causa. Uma doação disfarçada de venda, ou uma venda camuflada de doação, são juridicamente negócios nulos ou, se se quiser, fraudes. O mesmo se diga de um casamento que não observa o que é da sua essência: não é casamento nenhum e mais não é do que uma fraude.

3.6. Das uniões entre pessoas do mesmo sexo e do ónus da exclusão.
Já se explicou porque motivo o amor recíproco entre dois homens ou duas mulheres não é relevante para a constituição de um verdadeiro matrimónio. O amor, embora seja condição necessária para o casamento, não é suficiente na medida em que o próprio da relação esponsal não é apenas nem principalmente o afecto, mas a concordância de ambas vontades em relação ao objecto dessa relação jurídica, que é a família. Enquanto um casal constitui uma família e tem, por esse motivo, relevância social e jurídica, nomeadamente por razão da prole, dois amigos ou duas amigas que vivem conjuntamente não constituem um casal, por maior que seja a sua recíproca amizade. Na realidade, essa união de duas pessoas do mesmo sexo, que pode não ter nenhuma conotação de carácter sexual – pense-se, por exemplo, em dois irmãos que partilham a mesma casa de família – é apenas uma realidade social, mas de modo algum um casal, nem sequer na linguagem comum.


É razoável que o ordenamento jurídico contemple alguns tipos de uniões, outorgando aos parceiros respectivos alguns direitos, mas o que não parece aceitável é que dê a esse tipo de situações um carácter matrimonial, que evidentemente não lhes é próprio. Com efeito, é aberrante que dois homens ou duas mulheres possam constituir um casal, precisamente porque é da essência desde conceito a diferença específica entre os dois membros da relação, na medida em que é dessa complementaridade que resulta a sua fecundidade, a sua razão de família. Dois amigos ou duas amigas que partilham a mesma casa e, até, a vida, não constituem, por esse facto, um casal nem uma família porque, se assim fosse de facto, seria imperioso considerar como casados todos os soldados que partilham a mesma caserna ou os doentes que dormem na mesma enfermaria. Para além da materialidade de uma vida conjunta, é indispensável a opção matrimonial, ou seja, a firme vontade de constituir uma unidade de vida com uma pessoa de outro sexo, com a qual se quer dar origem a novos seres. Quem quer efectivamente assumir esse compromisso e o realiza, casa, mas quem não quer para si uma tal responsabilidade, não casa.

Seguramente todos os cidadãos têm direito a escolher o estado civil que entendam, mas ninguém tem o direito a optar pelo estado matrimonial sem aceitar o que é próprio desta condição, como também ninguém pode optar por ter filhos mas sem os gerar nem aceitar as consequências jurídicas decorrentes desse facto. Quem opta pelo casamento, opta por um parceiro de outro sexo ao qual se une de forma estável; quem opta por não se unir a ninguém, ou prefere faze-lo com uma pessoa do seu mesmo sexo, opta por não casar, pelo que não faria nenhum sentido que lhe fosse outorgada a condição jurídica de cônjuge. Portanto, não é o direito que exclui o celibatário do estatuto matrimonial, mas é o dito sujeito que, no exercício pleno da sua liberdade, ao optar por um tipo de vida solitária, se exclui livre e voluntariamente do regime matrimonial.

Não se pode estar vinculado a uma empresa e, ao mesmo tempo, receber subsídio de desemprego: quem se emprega, sabe que perde o direito ao dito subsídio e que, se o quiser reter mesmo tendo já um rendimento profissional, está a cometer uma ilegalidade. Pois bem, mutatis mutandis, o mesmo cabe dizer de quantos não querem casar e, no entanto, reivindicam os direitos e deveres dos cônjuges, ou de quantos casados, exigem as prerrogativas próprias dos que não se comprometeram matrimonialmente.

Se o senhor A quiser casar, pode faze-lo com a senhora B, a C, a D, etc., do mesmo modo como a senhora F, se quiser casar, pode faze-lo com o senhor G, H, I, etc. Mas se o que o senhor A ou a senhora F querem é viver com o seu amigo H, ou com a sua amiga B, respectivamente, pura e simplesmente não querem casar e, portanto, não faz sentido que se lhes conceda legalmente o que eles efectivamente não querem. Não é o Estado ou a sociedade que os proíbe, são eles próprios que excluem o casamento, porque aquilo que querem para as suas vidas nada tem a ver com a realidade matrimonial.

A razão pela qual é justa e razoável a exclusão do estatuto matrimonial para as uniões homossexuais não nasce de nenhum preconceito religioso ou civilizacional, mas do respeito pela liberdade individual no que concerne à opção de vida. Portanto, o ónus da exclusão deve remeter-se directamente para quem é o autor da opção que a determina, e não para o Estado, para a sociedade, para a Igreja, ou qualquer outra entidade. De modo semelhante, quando o senhor A casa com a senhora B, também exclui um possível matrimónio com todas as outras possíveis candidatas, mas essa exclusão só a ele é imputável, como consequência directa que é da sua prévia opção pela pessoa com quem casou.

Se, por absurdo, se entendesse que todas as pessoas têm direito a casar, mesmo aquelas que optam por um estilo de vida não matrimonial, como é viver com um parceiro do mesmo sexo, o direito deveria também prever, para os que não se querem comprometer com ninguém, o «casamento solitário», precisamente para não excluir do regime matrimonial os que querem ser casados juridicamente, sem contudo aceitar a correspondente responsabilidade, que é a livre vontade de partilhar a própria vida com uma pessoa do outro sexo, com quem se pretende fundar uma família.

Casamento IV

4. ALEGAÇÕES FINAIS.

Não é propósito desta intervenção um estudo exaustivo da instituição matrimonial, mas apenas oferecer algumas pistas que possam ser de utilidade para uma legítima defesa do casamento no contexto de uma sua eventual equiparação às uniões entre pessoas do mesmo sexo.

4.1. As propriedades essenciais do matrimónio e os limites objectivos de uma reforma do casamento.
É recorrente, na argumentação dos que pretendem a outorga do estatuto matrimonial às uniões de pessoas do mesmo sexo, a afirmação de que o casamento é uma instituição que, como todas as outras, é susceptível de evolução e, por isso, nada obsta a que, de acordo com o sentir de um sector não desprezível da população, se amplie o seu conceito de forma a nele também incluir as uniões de pessoas do mesmo sexo. Para os defensores desta causa fracturante – que se calhar poderiam ser mais propriamente designados como advogados do diabo …- esta reforma do estatuto do matrimónio civil representaria um passo decisivo no sentido de uma maior justiça social, bem como o quebrar de uma barreira, que releva uma discriminação que entendem injusta e contrária ao princípio da liberdade e da igualdade de todos os cidadãos ante a lei.

Uma tal posição doutrinária obriga, como é óbvio, a um entendimento sobre os limites do casamento, ou seja, quais as fronteiras intransponíveis do conceito em causa. Isto é, se se entende que tudo pode ser assimilado à instituição matrimonial, esta deixa de ter qualquer vigência jurídica, porque a progressiva descaracterização do instituto em questão acarretaria, na prática, a sua extinção. Se, por um absurdo, todos os cidadãos, pelo simples facto de o serem, têm imediato acesso ao casamento, ou qualquer relação humana pode ser considerada juridicamente como matrimonial, então o casamento deixaria de ter qualquer significado, na medida em que o que é tudo também nada é.

No extremo oposto, encontram-se quantos defendem uma noção unívoca de casamento, identificado com o casamento cristão ou o casamento tradicional, e que, em consequência, não admitem quaisquer variantes nem novas modalidades.

Entre estas duas posições extremistas, por excesso ou defeito, cabe uma posição intermédia, que se afigura também de mais equilíbrio e bom senso e que se poderia resumir na seguinte tese: o casamento tem algumas propriedades essenciais que não são reformáveis, mas admite diversos regimes jurídicos e, por isso, diferentes modalidades no que lhe é acidental. Pode-se assim concluir que importa então esclarecer quais são essas propriedades essenciais do matrimónio, para depois poder considerar a hipótese de que a união entre pessoas do mesmo sexo seja tida juridicamente por um verdadeiro casamento.

Não é tarefa fácil a determinação da essência da instituição matrimonial, mas talvez o melhor método para o apuramento das referidas propriedades essenciais seja a realidade social, entendida histórica e universalmente. Ou seja, aquilo que desde sempre e em todos os lugares foi sempre tido por casamento configura, na sua essência, o matrimónio, enquanto as variações históricas ou geográficas seriam reputáveis aos tempos ou às diferenças culturais.

4.2. Breve história do matrimónio.
O âmbito desta intervenção não permite uma viagem pelo tempo e pelas diversas sociedades de modo a poder estudar todas as concretizações históricas da instituição matrimonial. Mas, de uma forma muito sucinta, talvez se possam considerar alguns exemplos retirados da Sagrada Escritura e que, mesmo não sendo exaustivos, são certamente significativos.

Por exemplo, consta que nos tempos dos patriarcas do Antigo Testamento era relativamente usual a união matrimonial de um homem com várias mulheres, muito embora depois se tenha evoluído para um sistema monogâmico. Neste sentido, pode-se então admitir que a poligamia é compatível com a instituição matrimonial e, em consequência, também a poliandria, muito embora não constem exemplos bíblicos de uma só mulher casada simultaneamente com vários homens. Contudo, quer no caso da poligamia, quer no caso da poliandria, muito embora se possa admitir que se trata de um verdadeiro casamento de um homem com várias mulheres, ou de uma esposa com vários maridos, respectivamente, é óbvio que tais modelos ferem o princípio da igual dignidade de homens e mulheres, razão que faria intolerável um tal modelo na nossa sociedade.

Uma segunda constatação histórica, reportada a Moisés e ao seu famoso libelo de repúdio, permite afirmar que o matrimónio dissolúvel foi um verdadeiro casamento na antiguidade, muito embora repugne à nossa moderna sensibilidade que a mulher possa ser arbitrariamente despedida pelo seu esposo e o contrário, em princípio, não seja possível, de acordo com as leis e praxes judaicas. Mas não restam dúvidas de que co-existiu com o verdadeiro casamento a prática do divórcio, consentida até pelo divino Legislador.

Com o começo da nossa era, o estatuto matrimonial recebe uma nova formulação, bem mais exigente, a condizer com o projecto inicial do Criador e da sublimidade da perfeição a que são chamados os filhos de Deus em Cristo Nosso Senhor. Com efeito, o casamento cristão não só foi elevado à condição excelsa de Sacramento da Nova Lei, como foi ainda blindado com a garantia da indissolubilidade, que reforça extraordinariamente o próprio vínculo nupcial. A uma tal exigência corresponde também, como é óbvio, uma especial assistência divina, qual é a graça sacramental com que são fortalecidos os noivos para que logrem levar a bom termo esse seu compromisso recíproco, que o é também com a Igreja e com Deus.

Mais modernamente e no contexto das sociedades secularizadas, a emergência do casamento civil veio oferecer um modelo matrimonial laico, descomprometido de qualquer crença ou religião. Mas também este matrimónio civil se afirma como aquela união de um homem e uma mulher que tende naturalmente para a geração e que se distingue, por isso, de todas as outras relações amorosas que não estão vocacionadas para essa complementaridade sexual que é própria e específica do casamento e que é, por exigência natural, princípio de vida.

Monogâmico ou poligâmico, dissolúvel ou indissolúvel, religioso ou civil, a verdade é que ao longo de toda a história da civilização mundial o casamento é sempre a união de um homem com uma mulher em ordem á constituição de uma família.

4.3. Uma lição do Direito Romano.
Como é sabido, o Império romano contribuiu de forma decisiva para a formação do espírito e da civilização europeia, de que muito justamente o nosso país e quantos fazem também parte da União Europeia se consideram herdeiros. Se a Grécia contribuiu com a riqueza do pensamento filosófico, Roma aportou o instrumento que, por excelência, configura a vida social: o direito. A estas duas poderosas contribuições históricas de particular relevo na constituição da cultura e identidade europeia há ainda que acrescentar o influxo da fé cristã, que fez do novo continente a pátria do humanismo, expressão cívica da caridade evangélica.
A sociedade romana do princípio do primeiro milénio da nossa era não tinha ainda assumido os princípios cristãos que, pelo contrário, furiosamente combatia. A sua vida social era aliás já muito decadente, em termos morais, razão que então, como agora, terá motivado as perseguições dos cristãos, tidos por principais inimigos da sua desregrada vida e dos seus decadentes costumes.

Entre outras expressões dessa acentuada crise moral se conta a prática da homossexualidade, que não só era tolerada pela sociedade civil como também assumida pela religião imperial. Portanto, não obstante o seu carácter anti-natural, a praxe das relações íntimas entre pessoas do mesmo sexo era um comportamento admitido socialmente e que não merecia qualquer pena jurídica, nem nenhuma condenação social ou religiosa. Por assim dizer, estavam criadas todas as condições para que esse comportamento fosse institucionalizado pelo respectivo direito, no entendimento de que este deve traduzir, em termos jurídicos, a realidade social. Contudo, em tempo algum consta que os romanos tenham querido equiparar ao casamento as uniões entre pessoas do mesmo sexo que, por isso, no Direito Romano como em nenhum outro ordenamento jurídico, nunca tiveram estatuto matrimonial.

A constatação de que em nenhum momento tenha sido dado, pelo Direito Romano, o estatuto matrimonial às uniões homossexuais, não obstante a comprovada existência e aceitação social destas, só pode ser explicada na medida em que os juristas romanos, como aliás a própria sociedade de então, entendiam o matrimónio como uma realidade social diferente de uma qualquer união entre pessoas do mesmo sexo. Não obstante a decadência dos costumes, era contudo assente que o matrimónio era uma realidade essencialmente diferente de uma união homossexual, muito embora nenhum preceito religioso ou preconceito social desaprovasse as uniões de pessoas do mesmo sexo.

Não resulta portanto descabido concluir que, também para os romanos, a heterogeneidade de sexos dos cônjuges é essencial ao matrimónio, pelo que não faz sentido admitir um «casamento homossexual», que em caso algum seria uma modalidade possível do matrimónio, mas um não-casamento, na medida em que este, por definição, é sempre estabelecido entre um homem e uma mulher.

Note-se também que, curiosamente, para o Direito Romano era relevante a chamada «affectio maritalis», isto é, o amor que deve existir entre aqueles que se unem pelos laços da união esponsal. O próprio Direito Romano admitia, de acordo com as modernas tendências divorcistas, que a ausência dessa referida afeição matrimonial era razão suficiente para dissolver o vínculo, segundo o entendimento de que não seria um verdadeiro casamento a união que já não estivesse estabelecido sobre a base de um verdadeiro amor entre os cônjuges. Razão de mais para que essa mesma «affectio», quando existente entre pessoas do mesmo sexo, pudesse também legitimar entre elas uma sui generis união matrimonial. Contudo, nem sequer por esta via se chegou nunca ao absurdo de considerar como casamento uma união que, por não ser de um homem com uma mulher, não é matrimonial, nem constitui verdadeiramente uma família.

4.4. O matrimónio natural, património mundial.
O que fica dito é quanto basta para se poder extrair uma conclusão, qual é a de que, desde sempre e em todo o lugar, se entendeu o matrimónio como sendo a união entre um homem e uma mulher. É certo que são verificáveis diferentes modos de estabelecer essa relação matrimonial, que pode ser dissolúvel ou permanente, religiosa ou meramente civil, etc., mas é sempre, em qualquer cultura, uma relação entre duas pessoas de diferente sexo, que se unem com o propósito de constituir uma família. A razão dessa disparidade entre os cônjuges resulta não só da conveniência dessa distinção em termos de conjugalidade, a qual decorre da complementaridade existente entre o modo de ser masculino e o modo de ser feminino, mas também em função da fecundidade, na medida em que só a união sexual do homem e da mulher é susceptível de ser naturalmente fonte de vida.


Com efeito, a razão pela qual a mulher só pode casar com um homem e vice-versa é a que decorre da complementaridade entre os dois sexos, em virtude da qual o ser masculino só se completa pela união com um ser feminino e a mulher, por sua vez, só complementa a sua feminilidade na medida em que se une a um varão. Essa recíproca dependência é ainda mais manifesta quando relacionada com a geração, porque o filho é naturalmente fruto da união sexual do homem e da mulher.

À margem dos diversos modelos históricos de casamento, pode-se assim chegar à essência da realidade matrimonial, a qual se expressa na conjugalidade da união entre um homem e uma mulher: todas as relações que revestem este carácter são susceptíveis de integrar um verdadeiro casamento, do mesmo modo que todas as uniões que não observam esta condição essencial não são, por definição, de carácter matrimonial. Este requisito essencial configura, portanto, o que se poderia designar pelo matrimónio natural, que mais não é do que a essência de todo e qualquer casamento e a condição sine qua non para que se possa atribuir carácter matrimonial a uma determinada relação jurídica. É natural porque é anterior a qualquer especificação cultural ou religiosa, não decorre de nenhum modelo civilizacional determinado, nem expressa nenhuma crença particular. É, pura e simplesmente, o casamento em si mesmo ou de per si, por si próprio e em si mesmo.

O matrimónio natural, assim entendido, não se identifica com o casamento cristão, nem com o casamento pagão, também não reproduz um modelo europeu ou oriental, não é tradicional nem progressista. É o casamento, tout court. E, por isso, constitui também o limite objectivo à reforma da instituição matrimonial: qualquer alteração do estatuto legal que não respeite este limite intransponível necessariamente destrói o próprio matrimónio, em vez de o reformar.

Um casamento que fosse para além desta fronteira, na realidade excederia o conteúdo noético e ontológico da realidade visada e, por isso, já não seria um matrimónio. Porque as coisas não são os seus nomes, muito embora os nomes sirvam, em princípio, para significar a sua essência. As coisas são o que são e os seus nomes só servem quando significam a realidade respectiva, pois qualquer outro uso desses termos configura uma ficção ou uma fraude.

Ainda uma última observação: a negação de uma essência do matrimónio implica necessariamente a destruição social e jurídica do casamento. Se a instituição matrimonial não está minimamente estruturada, nomeadamente pela sua composição de homem e mulher, está vulnerável a qualquer equiparação, por mais absurda e aberrante que possa ser.

Com efeito, se a união matrimonial se define essencialmente pelo amor entre os cônjuges, qualquer que seja o seu sexo, que razão assiste à proibição de uma interdição do casamento entre irmãos, por hipótese, ou até mesmo com ascendentes ou descendentes?! Não é verdade que também os membros de uma mesma família se amam entre si? Se a relação matrimonial já não tem nenhuma conotação conjugal nem reprodutiva, razão da disparidade sexual dos cônjuges, nada obsta que a mesma se estabeleça entre pessoas do mesmo sexo, da mesma família e, também – porque não – com animais, como alguns partidos políticos já reivindicam, muito embora, não ao ponto de requerer que a essas aberrantes relações seja dado carácter matrimonial.

Abrir a instituição matrimonial às relações entre as pessoas do mesmo sexo é abrir a caixa de Pandora. É de crer que à conta de uma tão radical perversão do casamento se sigam não poucas monstruosidades, até porque um mal nunca vem só.

Casamento V

5. CONCLUSÃO.

Ao concluir este já longo arrazoado em defesa do matrimónio natural, património da humanidade, e contra o alegado «casamento homossexual», resta-me exprimir a minha mais firme convicção de que o casamento, como união perdurável entre um homem e uma mulher, está para durar, mesmo que agora, por razões de ordem ideológica, possa ser equiparado juridicamente às uniões entre pessoas do mesmo sexo.

Há já alguns anos, alguém disse: «Chassez le naturel et il reviendra au galop!». Um homem, um governo, um partido ou uma geração pode cometer um atentado contra a dignidade humana e a identidade da família, mas a natureza encarregar-se-á de repor a identidade matrimonial, porque o modelo natural não é mais uma opção religiosa ou cultural, mas a voz da verdade, a razão da natureza, daquela natureza que é imagem e semelhança do Criador.

Talvez se aproximem tempos difíceis para os casais e para as famílias portuguesas. Por isso, vem a talho de foice recordar que, quando a cidade de Hipona estava cercada pelos bárbaros, que ameaçavam a sua destruição, Santo Agostinho, o santo Bispo daquela comunidade cristã, já no seu leito de morte, sossegou os seus irmãos na fé dizendo-lhes que uma tal catástrofe não era o fim da civilização, mas o começo de uma nova era.

Estes são tempos novos, tempos de mudança, tempos também para uma nova e renovada esperança no homem e na sua grandeza. E, se as dificuldades nos cercarem numa crescente asfixia de contra-valores, resta-nos olhar para o divino Crucificado e ouvir a Sua voz, que hoje, como há dois mil anos, nos grita a razão da nossa luta e a esperança da nossa fé: «Haveis de ter aflições na terra, mas tende confiança, Eu venci o mundo!» (Jo 16, 33).

Gonçalo Portocarrero de Almada

Lisboa, 16 de Novembro de 2009.

A melhor cara em campo

Em jogos de "o importante é passar, o resto logo se vê" (em língua mais sucinta diz-se play-off), gosto de estudar a táctica. E esta vê-se quando se canta o hino, as câmaras se aproximam e as caras dos jogadores se expõem à análise. Ontem, vi logo que a táctica era a adequada para um campo trabalhado pelo único tractor jugoslavo que, na região de Zenica, ainda funciona depois da guerra civil. A cara do guarda-redes Eduardo, sulcada por alfaias agrícolas, tranquilizou-me - ele jogava em casa. Em desafios destes é conveniente não levar jogadores que frequentem as produções fotográficas. Eduardo, além do visual certo, tem também voz. Não que se ouvisse, era impossível: à volta, era um coro de 20 mil assobios. Nessas circunstâncias, não conta o timbre, as cordas vocais não se exprimem por som mas intumescendo o pescoço (que ainda fica com mais socalcos). Não se ouvia, mas percebíamos todos, sobretudo os segundos mais interessados, os bosníacos, o que Eduardo dizia: "Às armas! Às armas!" Os primeiros mais interessados, os jogadores portugueses, espero que tenham ouvido aqueles arreganhos no vestuário (haja alguém que na selecção fale assim; o professor, duvido). E foi assim que, ainda nem o árbitro apitara, eu já sabia que tínhamos dobrado o cabo da Boa Esperança.

Por Ferreira Fernandes (in DN, 19.11.2009)

quarta-feira, 18 de Novembro de 2009

SSHHIIIUUU... a tanta imbecilidade

GOOOOOOOOOOOOLLLLOOOOO




É dentro das quatro linhas, em futebol jogado, que se mostra quem merece a presença no mundial da África do Sul.

Não sei sequer o que salientar desta segunda mão do Play-Off para o mundial. Se os estado do relvado, se a assistência 50% acima da capacidade do Estádio (se é que merece essa classificação), se o facto de enviarem o representante da FPF para a bancada junto com o demais publico, se o facto de banco de suplentes não ter capacidade para toda a equipa, enfim, escolham.
Os meus parabéns à FIFA pelo rigor e cumprimento escrupuloso das suas regras e dos seus critérios.

O que interessa é o resultado. Porque se metade disto acontecesse em território nacional, ai Jesus, que eramos um país do terceiro mundo.

PIMBA. Embrulha. Aconchega. Mais a mais, nem vaselina levou. Foi mesmo a sangue frio.


Assobiem agora a Portuguesa, seus terceiro-mundistas.

Campanha de Recolha de Alimentos




A próxima Campanha de Recolha de Alimentos em supermercados e superfícies comerciais realiza-se nos dias 28 e 29 de Novembro de 2009.


Ajude a ajudar. Contribua.

Banco Alimentar Contra a Fome - aqui

Bossa Nova - Armazém do Caffé

Sexta-Feira dia 20 de Novembro pelas 21h30, terá início no "Armazém do Caffé" de Braga, um concerto de música brasileira (Bossa Nova), com o músico GALDIR.



Oh as casas as casas as casas

Oh as casas as casas as casas
as casas nascem vivem e morrem
Enquanto vivas distinguem-se umas das outras
distinguem-se designadamente pelo cheiro
variam até de sala pra sala
As casas que eu fazia em pequeno
onde estarei eu hoje em pequeno?
Onde estarei aliás eu dos versos daqui a pouco?
Terei eu casa onde reter tudo isto
ou serei sempre somente esta instabilidade?
As casas essas parecem estáveis
mas são tão frágeis as pobres casas
Oh as casas as casas as casas
mudas testemunhas da vida
elas morrem não só ao ser demolidas
Elas morrem com a morte das pessoas
As casas de fora olham-nos pelas janelas
Não sabem nada de casas os construtores
os senhorios os procuradores
Os ricos vivem nos seus palácios
mas a casa dos pobres é todo o mundo
os pobres sim têm o conhecimento das casas
os pobres esses conhecem tudo
Eu amei as casas os recantos das casas
Visitei casas apalpei casas
Só as casas explicam que exista
uma palavra como intimidade
Sem casas não haveria ruas
as ruas onde passamos pelos outros
mas passamos principalmente por nós
Na casa nasci e hei-de morrer
na casa sofri convivi amei
na casa atravessei as estações
Respirei – ó vida simples problema de respiração
Oh as casas as casas as casas


Ruy Belo
Todos os Poemas
Lisboa, Assírio & Alvim, 2000

terça-feira, 17 de Novembro de 2009

Já não há desportistas

Recentemente Andre Agassi reconheceu para a autobiografia que consumiu drogas duras em 1997 durante as competições.

No entanto, fontes próximas do jogador garantem que este para jogar preferia erva.
 

Fonte: Publico Online

"Obviamente, publique-se"

"O presidente do Supremo Tribunal anulou e mandou destruir as escutas entre Sócrates e Vara. Infelizmente, Noronha Nascimento não anulou nem destruiu as dúvidas do país sobre o conteúdo dessas escutas.


"O problema, longe de ser legal, é agora político: pode um primeiro-ministro sobreviver ao clima de desconfiança que paira sobre ele? Um clima onde ‘tráfico de influências’ e ‘conspiração contra o Estado de Direito’ fazem parte da suspeição? A pergunta responde-se a ela própria: se Sócrates não esclarece coisa alguma; e se o Presidente junto do PGR, não parece interessado em avaliar a insanidade do regime, pondero seriamente se os jornalistas não deviam fazer serviço público e, caso as tivessem, que publicassem as conversas em falta. Seria um crime? Ainda que fosse, a história ensina que há crimes necessários para evitar crimes maiores."


João Pereira Coutinho, Colunista
(in Correio da Manhã, 15.11.2009)

"A história, os símbolos e as proibições"

Os juízes de Estrasburgo proibiram a exposição de crucifixos nas escolas. Na Turquia proibiriam a meia-lua e em Israel a estrela de David. Há já quem peça a supressão do Natal e, segundo a mesma lógica, do Yom Kippur e do Ramadão. Tudo em nome da laicidade do Estado.

O que se passa é que, no mundo, o Estado não significa apenas Estado central. Também são "Estado" as regiões, os concelhos, as comunidades autónomas, as associações religiosas e culturais em que são delegadas funções públicas de acordo com o princípio da subsidiariedade.

"Numa Europa multiétnica e multirreligiosa continuam a ser importantíssimas as velhas nações e as formações que têm por base valores, normas e símbolos tradicionais. Proibi-los por irritarem, perturbarem e incomodarem alguém significa impedir que comunidades inteiras continuem a ser elas mesmas; é negar o pluralismo.

"A história mostra-nos que o pluralismo sempre foi negado por aqueles que querem destruir o passado e construir utopias. Os espanhóis anularam as civilizações pré-colombinas, a Revolução Francesa até mudou o nome dos anos e dos meses. Os comunistas soviéticos impuseram o ateísmo. Nos estados islâmicos totalitários, quem mostrar uma Bíblia vai preso. A utopia leva ao totalitarismo.

"Significará isto que os filósofos e os juristas dos direitos humanos têm uma mentalidade totalitária? Se quiserem realizar a utopia de impedir que qualquer indivíduo possa ser perturbado pelo comportamento real ou simbólico de outro indivíduo, sim.

"Para conseguirem contentar toda a gente têm de proibir tudo: usos e costumes, valores, até mesmo as línguas de outros povos. Enquanto os grandes impérios persa, romano e britânico deixavam viver os cultos, as tradições e as línguas, os nossos visionários são impiedosos. E não apenas em relação às dimensões das ervilhas e das laranjas, mas também aos símbolos religiosos e até à linguagem. Em determinados países não se pode dizer "sexo"; tem de se dizer "género", para não ofender ninguém.

"Após os totalitarismos jacobino, marxista, nazi e muçulmano, pode vir a nascer um totalitarismo eurocrático. Acena com promessas utópicas, destrói as instituições do passado e impõe o seu poder. Ensinados pela história, tentamos impedir que isso aconteça, estamos atentos e somos desconfiados. É certo que somos europeus, mas, por favor, conservemos as nossas tradições, as nossas línguas, e até mesmo as nossas fraquezas e os nossos preconceitos. E, se tentarem impor-nos alguma coisa à força, devemos dizer que não."

por Francesco Alberoni, Sociólogo, escritor e jornalista
in "i" , 17 de Novembro de 2009

“A fome é o sinal mais cruel e concreto da pobreza”

ROMA, segunda-feira, 16 de novembro de 2009 (ZENIT.org).- A fome é o “sinal mais cruel e concreto da pobreza” e não tem “uma relação de causa-efeito com o aumento da população”, afirmou Bento XVI nesta segunda-feira de manhã, na sede da FAO em Roma.
O Papa interveio na sessão de abertura da Cúpula Mundial sobre Segurança Alimentar, que se realiza de 16 a 18 de novembro, em Roma.

A terra pode nutrir suficientemente todos os seus habitantes (...) porque, ainda que em algumas regiões se mantenham baixos níveis de produção agrícola por causa também de mudanças climáticas, tal produção é globalmente suficiente para satisfazer tanto a demanda atual como a que se pode prever no futuro.”

Colaborar para um “desenvolvimento humano integral”

Segundo o pontífice, “ainda que os países mais pobres se integraram na economia mundial de maneira mais ampla que no passado, a tendência dos mercados internacionais os torna em grande medida mais vulneráveis e os obriga a ter de recorrer às ajudas das instituições intergovernativas”.

A cooperação, indicou, deve ser “coerente como princípio de subsidiariedade”. Por isso, é necessário “envolver as comunidades locais nas opções e decisões referentes à terra de cultivo”, indicou.

“Porque o desenvolvimento humano integral requer decisões responsáveis por parte de todos e pede uma atitude solidária que não considere a ajuda ou a emergência em função de quem põe à disposição os recursos ou de elite que existem entre os beneficiários”, acrescentou.

A solidariedade para o desenvolvimento dos países pobres, por outro lado, pode chegar a ser também uma “via de solução para a atual crise global”, sugeriu.

Contra a fome: consciência solidária

Bento XVI também alertou contra o perigo de considerar a fome como um fenômeno “estrutural, parte integrante da realidade sociopolítica dos países mais fracos, objeto de um senso de resignada amargura, quando não de indiferença”.

Não é assim nem deve ser assim! – exclamou. Para combater e vencer a fome, é essencial começar por redefinir os conceitos e os princípios aplicados até hoje nas relações internacionais.”

Neste sentido, indicou a importância de buscar “novos parâmetros – necessariamente éticos e depois jurídicos e econômicos – que sejam capazes de inspirar a atividade de cooperação para construir uma relação paritária entre países que se encontram em diferentes graus de desenvolvimento”.

Ao mesmo tempo, é necessário “entender as necessidades do mundo rural”, descartando a possibilidade de ser considerado “de modo míope, como uma realidade secundária”; e favorecer o acesso ao mercado internacional dos produtos procedentes das áreas mais pobres, “hoje frequentemente relegados a espaços limitados”, disse.

Também pediu que não se esquecessem “dos direitos fundamentais das pessoas, entre os quais se destaca o direito a uma alimentação suficiente, saudável e nutritiva, e o direito à água”.

Para alcançar estes objetivos, “resgatar as regras do comércio internacional da lógica do proveito como um fim em si mesmo, orientando-as em favor da iniciativa econômica dos países mais necessitados de desenvolvimento, que, dispondo de maiores entradas, poderão caminhar rumo à autosuficiência, que é o prelúdio da segurança alimentar”.

Referindo-se à encíclica Caritas in veritate, Bento XVI também recordou a necessidade de uma “consciência solidária, que considere a alimentação e o acesso à água como direitos universais de todos os seres humanos, sem distinção nem discriminações”.

“Não é possível continuar aceitando a opulência e o desperdício, quando o drama da fome adquire cada vez maiores dimensões”, indicou.

“Reconhecer o valor transcendente de cada homem e mulher é o primeiro passo para favorecer a conversão do coração, que possa sustentar o esforço para erradicar a miséria, a fome e a pobreza, em todas as suas formas.”

O desenvolvimento respeita o meio ambiente

Os métodos de produção alimentar, recordou o bispo de Roma, impõem igualmente uma “análise atenta da relação entre o desenvolvimento e a tutela ambiental”.

Desse ponto de vista, deve-se aprofundar nas conexões existentes “entre a segurança alimentar e o fenômeno preocupante da mudança climática”, levando em conta o lugar central da pessoa humana e sobretudo as populações mais vulneráveis.

Para isso, concluiu, não bastam “normativas, legislações, planos de desenvolvimento e investimentos”, mas “uma transformação nos estilos de vida pessoais e comunitários, no consumo e nas necessidades concretas”; e sobretudo “ter presente esse dever moral de distinguir nas ações humanas o bem do mal, para redescobrir assim o vínculo de comunhão que une a pessoa e o criado”.

O diretor geral da FAO, Jacques Diouf, definiu a presença do pontífice como um evento excepcional, que confere à cúpula uma forte dimensão espiritual.

“A Igreja sempre teve como responsabilidade o alívio da pobreza dos mais necessitados”, destacou.

Também desejou que a presença do Papa permita levar a luta contra a fome “a um nível de responsabilidade coletiva e de ética que transcenda os interesse nacionais e regionais, para reafirmar com voz clara e forte o direito à alimentação, o primeiro dos direitos humanos”.

(...)

Atualmente, 1,02 milhão de pessoas estão desnutridas.

segunda-feira, 16 de Novembro de 2009

Memórias



Dos políticos conservadores logran vencer al relativismo de Obama sin esconder su fe

"Nadie daba un centavo de dólar por ellos. ¿Cómo iba a apostar alguien por Bob McDonnell y Chris Christie, si Barack Obama estaba haciendo campaña por sus adversarios? Y, sin embargo, dieron la campanada. Contra todo pronóstico y esperanza ganaron las elecciones a gobernador en Virginia y Nueva Jersey. En los cuarteles del Partido Demócrata no se lo explican. O sí.

***

"McDonnell y Christie no han tenido miedo de ser ellos mismos, por poco populares que pudieran resultar: católicos, provida, a favor de la familia, partidarios de la cultura del esfuerzo y el sacrificio...

"En la primera entrevista que hicieron a la candidata demócrata a vicegobernadora de Nueva Jersey, la senadora Loretta Weinberg, se refirió al candidato republicano Chris Christie con una sencilla reflexión: «No vamos a elegir a un gobernador provida en este Estado».

"Mientras tanto, el jefe de Weinberg, el todavía gobernador demócrata y candidato a la reelección, Jon Corzine, subió al estrado de un acto de campaña y dijo, con tono apesadumbrado, incluso con cierta conmiseración: «Francamente, Chris Christie está demasiado a la derecha, es como Bush, es demasiado conservador; debería explicar a los habitantes de Nueva Jersey por qué se opone al aborto y al matrimonio gay y por qué rechaza recibir fondos federales para estimular la economía».

"Christie, el republicano-católico-y-gordo-sin-posibilidades-de-ganar (Nueva Jersey es un estado demócrata desde 2002 y Obama se implicó en la candidatura de Corzine), no se arredró: «Todo el mundo sabe cómo pienso. La primera vez que escuché el corazón de mi hija no nacida supuso un fuerte impacto en mis creencias. Ahora me gustaría hablar de exenciones de impuestos para las empresas familiares…».

Las ideas claras

"A 427 kilómetros de distancia, en Virginia, en un Estado demócrata de toda la vida —sólo ocho de los últimos 43 gobernadores han sido candidatos del GOP, el Partido Republicano—, una fuente anónima había filtrado a la prensa un documento de trabajo sacado de la oficina del candidato republicano, Bob McDonnell, en el que se relataba la posición de este ex fiscal en los asuntos claves. Empezaba este memorando así: «Bob McDonnell es provida y cree que el matrimonio es la unión entre un hombre y una mujer».

"Meses después, en el primer debate televisado entre McDonnell y el candidato demócrata, Creigh Deeds, se les formuló esta misma pregunta: «¿Cómo aconsejarían a una de sus hijas sobre un embarazo no deseado?». Ambos dieron respuestas sencillas. Deeds dijo: «Soy pro elección. Esas decisiones difíciles son profundamente personales. El Gobierno no debería inmiscuirse». McDonnell, sin torcer el gesto, dijo: «Soy provida, me educaron en una familia católica de clase media en el Condado de Fairfax en la que mis padres me enseñaron a respetar la vida y la importancia de la familia. Mi mujer y yo hemos educado a nuestros hijos de la misma manera, así que le diríamos a nuestra hija que la amamos a ella y a su hijo y que la ayudaremos a criarlo». Dos días después, volvieron a preguntar a McDonnell sobre el aborto y respondió: «Todo el mundo sabe ya cómo pienso».

"Aunque alguien quisiera pensar lo contrario, las cuestiones clave de la campaña no fueron el aborto, ni el matrimonio homosexual, ni el control de armas, ni siquiera el delicado y espinoso asunto de la educación.

"En un mundo en crisis, en una Virginia agraria y en una Nueva Jersey industrial, la economía fue el motor de los mítines y presentaciones de partido. Sin embargo, no hay un solo analista que no haya ponderado que los republicanos presentaron a unos candidatos que «cuando los veías hablar de economía —como cuenta la politóloga Beth Samuelson— sabías que detrás de sus discursos había unas convicciones. Con principios sólidos, con las ideas claras, que muchas veces no tenían ni por qué exponer sus principios cuando se hablaba de recorte de impuestos o de aranceles agrarios… pero que estaban ahí. Los veías, se podían palpar. Los demócratas “sólo” tenían un programa y al presidente Obama, que se arremangó la camisa para ayudar a sus candidatos en el final de campaña».

"En el bando perdedor, Paul Goldman, estratega demócrata, asesor de campaña del todavía gobernador demócrata de Virginia Tim Kaine, analizó la victoria de McDonnell y dijo: «Seamos claros: Bob McDonnell y su familia han llevado a cabo la campaña más fotogénica en la historia de este Estado. Sus principios estaban inteligentemente claros, a la vista; todo el equipo republicano tenía una total confianza en que este tipo podría vender la luna a cualquiera».

"Tim Streeting, un asesor republicano de Michigan, comparte la visión de Goldman, pero añade un matiz interesante: «Los demócratas trataron de centrar la campaña en si somos provida, si estamos en contra del matrimonio homosexual, nos quisieron acorralar en cuestiones morales; así que los asesores de McDonnell y de Christie decidieron no morder el anzuelo. Lo que hicieron fue convencer a la gente en 30 segundos de que tenían unos sólidos principios morales y luego lanzarse a proponer ideas para mejorar la economía. Pero cuando se dice esa frase de “Todo el mundo sabe cómo pienso” tiene que ser verdad. Creo que no hay un virginiano que no sepa que el gobernador McDonnell está en contra del aborto y estoy seguro de que no hay un solo vecino de Nueva Jersey que no sepa que el gobernador Christie está en contra del matrimonio gay; y a esas cuestiones ambos candidatos les dedicaron no más de un 1% de todo el tiempo de campaña. Pero en ese 1% no se puede dudar; si dudas, mientes y eres carne de cañón».

"De nuevo a 427 kilómetros de distancia, esta vez en Nueva Jersey, un desesperado consultor demócrata gimoteaba en una mesa redonda en un programa televisado: «El gobernador electo (Chris Christie) nos ha enseñado cómo un republicano puede ganar incluso sin tener un líder nacional y cuando las bases del GOP están fracturadas. La derecha ha presentado candidatos sólidos, familiares, sin aristas, sin cartas en la manga, transparentes. Sabíamos que eran provida, pero también sabíamos que querían reducir los subsidios a los temporeros y no pudimos hacer nada para frenar ninguna de las cuestiones. Tenemos que sacar la conclusión de que el poder de Obama es limitado».

"Y ya que hablamos de Obama… ¿Qué es lo mejor que hicieron los candidatos republicanos, los dos católicos, cuando iniciaron sus campañas? John Corver, analista del GOP, asegura «saber que no eran Obama, que no querían ser Obama, que no tenían que hacer la campaña que hizo Obama». Corver recalca que los demócratas, «por el contrario, estaban obsesionados por hacer la campaña que hubiera hecho Obama».

"La idea de no ser como Obama se ejemplifica a la perfección en el rifirrafe que tuvo Christie con el excéntrico locutor Don Imus, un humorista temido por sus críticas feroces que durante la campaña llamó a Christie «gran gordo» (big fat, en inglés, que tiene un componente peyorativo que aquí es intraducible salvo que lo llamemos «culo gordo»).

"Al final de la campaña, Christie accedió a ser entrevistado por Imus, quien le saludó con un adecuado «Buenos días, señor Christie», a lo que este respondió: «Buenos días, Don, y no quisiera que dudaras ni por un instante de que soy un culo gordo ganador». Hubo risas en el estudio, pero Don Imus, con más tablas que el María Guerrero, no se arredró: «¿Cuánto mide, señor Christie? —Uno ochenta. —¿Y cuánto pesa? —Doscientos kilos». Entonces Don le dijo:«“Aunque la mayor parte de la población de Estados Unidos sea obesa, ¿no cree que debería ser un ejemplo para ellos?». Y Christie respondió: «Pero Don, ya soy un ejemplo. Todo el mundo sabe cómo soy. Tenemos una economía repartida. ¿Acaso no tienen derecho a trabajar los vendedores de donuts?».

Donuts y tomates

"Ese mismo día se filtró la noticia de que el Servicio Secreto había bloqueado una calle de Washington en hora punta para que la primera dama Michelle Obama pudiera ir a una tienda de alimentos «orgánicos» a comprar los ingredientes para una deliciosa y equilibrada comida yanqui: peras asiáticas, tomates cherry, patatas multicolor, huevos de granja y col toscana.

«Nadie dice que comer donuts sea mejor que comer col toscana —asegura Samuelson— pero lo que es seguro es que si te muestras como eres, conectas mejor con la mayoría del pueblo americano. Michelle Obama no tiene ese cuerpo por comer col Toscana. En las cuestiones clave de principios morales puede ser que no todos tus votantes compartan las mismas creencias que tú, pero lo que ha demostrado la victoria republicana es que es importante ser claro».

"Hay quien habla ya de una candidatura conjunta McDonnell-Christie, dos republicanos católicos que enseñen a McCain cómo se reconquista la Casa Blanca, pero eso, a día de hoy, es política-ficción por más que McDonnell sí que será un clarísimo candidato republicano en las primarias.

"Lo que es seguro es que estos dos republicanos —más conservador Bob McDonnell, menos conservador Chris Christie—, ambos provida, ambos ex fiscales, ambos padres de familia numerosa, ambos en contra del matrimonio homosexual y ambos a favor de una economía del esfuerzo, han dado con la tecla magistral para ganar a los demócratas en tiempos de la obamanía.

Não sabia. Afinal Mesquita Machado perdeu as eleições...

Análises e outras atoardas politicas! 

Segundo um representante concelhio do CDS/PP, as eleições autárquicas para Braga do passado dia 11 de Outubro, podem afinal esconder nos resultados mais "simplistas e da palavra fácil" de que oficialmente temos conhecimento, uma vitória de força(s) politica(s) que não a que elegeu  e governa os destinos de Braga.

Ora, segundo este analista (muito verde pelos vistos) a coligação Juntos por Braga terá conseguido as vários níveis uma grande vitória. Sem querer discutir os argumentos "contabilísticos e faustosos" apresentados (bolas que aquilo aborrece), que para ele servem de desculpa para a derrota da qual também é responsável, gostava apenas de dizer ao senhor vereador: ou se ganha ou se perde! Não existe essa merda da vitória moral.
O que existe sim, é o exame de consciência e o assumir do que de mal se fez e tentar corrigir. Para na próxima não se cometerem os mesmos erros.

Espero desta vereação, não posições circenses e obtusas como esta, mas posições verdadeiramente acutilantes e benéficas para a cidade. As eleições já lá vão. Espero que se voltem agora para o futuro.
E espero que esta nova direcção concelhia comece finalmente a mostrar trabalho e a fazer o que prometeu aos que os elegeram.
Como representantes dos bracarenses na vereação e na assembleia, a responsabilidade é enorme. A fasquia foi deixada muito alta. E já tardam a mostrar capacidades para a manterem alta.
Não chega agora abrir a sede aos sábados das 10h ás 12h.

Para bem de Braga, espera-se então, um rápido e eficaz desabrochar destes representantes dos bracarenses. Fica o meu beneficio da duvida.

CDS e PSD. Mais debates sobre o casamento?

"1.a) Confesso que me faz impressão ouvir católicos e ainda para mais hierarcas advogarem a necessidade de debate sobre absolutos morais ou princípios e valores inegociáveis quando os sectários do “ … comum inimigo do género humano, que sempre se opõe às boas obras para que pereçam … ” (Papa Paulo III), pretendem subverter a Lei Moral Natural e o Direito que dela deriva. É que Jesus Cristo não disse ide e debatei com todas as gentes mas sim Ide e ensinai todas as gentes a observar tudo o que vos prescrevi (cf. Mt. 28, 19-20). Não quero com isto negar a conveniência e a bondade do diálogo com todos, em determinadas circunstâncias, como um dos métodos de proporcionar a compreensão recíproca e suscitar uma abertura sempre maior à Verdade que sempre nos excede.

"b) Desde há muito, seguindo uma estratégia cuidadosamente programada e diligentemente posta em prática, que os ideólogos sodomitas nos têm submetido a uma propaganda avassaladora, umas vezes descarada outras subtil e mesmo subliminar, através de livros, revistas, jornais, telenovelas, séries televisivas, Internet, programas e mesas redondas televisivos e radiofónicos, etc., que têm vindo a predispor os ânimos, em particular as emoções e os sentimentos – que, se viciados, como é o caso, obnubilam o exercício livre da recta razão dificultando gravemente a sua capacidade de apreensão da verdade -, dizia que têm vindo a dispor os ânimos para a aceitação acrítica e benévola dos comportamentos e das “uniões” ou “casamentos” entre sodomitas. Debater e discutir num ambiente assim corrompido e nos lugares em que se promove essa conspurcação, com adversários que não estão de boa-fé e recorrem a argumentos e informações que sabem ser falsas para esconder os verdadeiros objectivos do que pretendem alcançar é dar armas ao inimigo e colocar a cabeça no cepo para que nos acutilem e decapitem (acresce que num debate entre por exemplo um charlatão eloquente e um médico competente mas gago, este perde tendo embora toda a razão). Sou, por isso, de opinião que não se participe, da nossa parte, naqueles circos mediáticos onde não é possível desenvolver um raciocínio, nem passar, com credibilidade, a informação necessária nem dar a formação adequada. Acho também contra producente os debates pelo país fora. Sou de parecer, isso sim, que se organizem, por esse Portugal fora, sessões de formação e de esclarecimento; que os sacerdotes, como aconselhou o Arcebispo de Braga, ensinem nas homilias e em outras circunstâncias convenientes; que se dêem entrevistas com o tempo suficiente para se poder expor qualquer coisa de jeito.

"Quanto à comunicação social da Igreja é evidentemente impensável que se comporta de modo a por em pé de igualdade a injustiça e a Justiça, o mal e o Bem, a mentira e a Verdade porque fazê-lo, como o fez aquando do referendo do aborto, é tomar partido pela injustiça e pela mentira, no sentido em que o pressuposto que subjaz a tais debates ou tempos de antena, ou espaços de opinião, é o relativismo ético e gnoseológico.

"2. A comunicação social tem noticiado que dois partidos políticos o CDS e o PSD estão pensando numa suposta “alternativa” ao “casamento” entre pessoas do mesmo sexo que passaria pela celebração de um “contracto civil” entre pessoas do mesmo sexo. Como se não fosse na prática a mesma coisa só que com um nome diferente.(...) Convém citar algumas partes de um texto oficial do Magistério da Igreja que é muito claro sobre esse assunto: “Se todos os fiéis são obrigados a opor-se ao reconhecimento legal das uniões homossexuais, os políticos católicos são-no de modo especial, na linha da responsabilidade que lhes é própria. … A Igreja ensina que o respeito para com as pessoas homossexuais não pode levar, de modo nenhum, à aprovação do comportamento homossexual ou ao reconhecimento legal das uniões homossexuais. O bem comum exige que as leis reconheçam, favoreçam e protejam a união matrimonial como base da família, célula primária da sociedade. Reconhecer legalmente as uniões homossexuais ou equipará-las ao matrimónio, significaria, não só aprovar um comportamento errado, com a consequência de convertê-lo num modelo para a sociedade actual, mas também ofuscar valores fundamentais que fazem parte do património comum da humanidade. A Igreja não pode abdicar de defender tais valores, para o bem dos homens e de toda a sociedade. … (o) Estado não pode legalizar tais uniões sem faltar ao seu dever de promover e tutelar uma instituição essencial ao bem comum, como é o matrimónio.”"


Nuno Serras Pereira

"Um problema de confiança"

"Compreendo muito bem que haja meus amigos no PS que se interroguem sobre as razões pelas quais "ataco" tantas vezes José Sócrates e que entendam esse ataque como uma questão de animosidade pessoal. Divirjo profundamente das suas políticas, que penso fazem mal ao país, e coloco-o numa espécie de top ten daqueles políticos do PS, do PSD e do CDS que entendo terem, pela sua acção política e governativa, provocado mais danos ao Bem Público (...). Mas não são as discordâncias políticas, nem sequer é o julgamento sobre o Governo, que inclui ministros que respeito, que explicam a minha atitude.

"O problema com Sócrates é outro: é um problema de desconfiança política profunda. Acrescentei o adjectivo "política" porque o terreno dessa desconfiança é o da própria acção política, não o da pessoa, embora reconheça que é impossível separar de todo os dois níveis, porque a desconfiança implica também com uma questão de carácter. Mas gostaria que, no que eu digo e no que eu faço, a desconfiança ficasse no político e fosse a partir do político que inquinasse o julgamento do carácter e não ao contrário. Não penso que os políticos tenham que ser julgados pelo carácter, o que é sempre uma atitude propícia a um moralismo que acaba por ser arrogante, mas o carácter também importa e em determinadas circunstâncias importa mais. É o caso de José Sócrates.

"Essa desconfiança não me surgiu com o aparecimento da personagem na cena pública, cuja acção como secretário de Estado na co-incineração apoiei, nem na sua vitória de 2005. Pelo contrário. Foi encontrando terreno propício quando me foram sendo cada vez mais nítidos o papel da encenação e da pose na sua acção e a crescente disparidade entre os resultados e a propaganda. Mas também não foi por isso. Sócrates era um político típico da sua geração e da sua formação e nisso não era muito diferente de muitos políticos oriundos do interior dos partidos, das "jotas" em particular", feitos pela promiscuidade entre as "fontes" e os jornais, com "biografias do nada", especializados nas técnicas interiores das carreiras partidárias, construindo "imagens" e obcecados pelo "protagonismo".

Portugal e a Europa estão cheios deste tipo de políticos, que se entendem bem entre si e movem-se com habilidade pelo actual panorama mediático, as televisões em particular. Nesse estilo, Sócrates era aliás do melhor, porque não se chega onde ele chegou sem qualidades, muito trabalho, determinação e - e isto é uma questão-chave - sem um grupo. No aparelho sobe-se sempre em grupo, e o de Sócrates anda à sua volta em tudo o que é complicação passada e presente. Mas, mesmo assim, nada disto chegava para me mover contra Sócrates com a intransigência que, reconheço, tenho.

"O clic, chamemos-lhe assim, foi, de facto, a primeira "história", a do curso e a do diploma. Nada daquilo seria muito relevante, se fosse apenas uma certa ligeireza associada à pose, e um curso mais ou menos artificial, que não foi apenas o dele, mas o de muitos da sua geração que apareceram "formados" em escolas privadas pouco exigentes e facilitadoras. Confrontado com o facto de usar um título académico que não possuía, Sócrates podia ter acabado com a questão num instante, dizendo que partilhava a reivindicação dos seus colegas de considerar que o seu curso era de "engenheiro", ou admitindo que não fora muito rigoroso. Toda a gente passaria em frente e não haveria danos.

"Mas ele insistiu que estava tudo bem, e não só que estava bem como tudo era exemplar. E esta atitude, acompanhada por algo que acompanha sempre Sócrates, que é uma enorme e agressiva pressão sobre todos os que não lhe são subservientes - e como são poucos nota-se mais -, levou-me a olhar com outros olhos para o que aparecia e para documentos particularmente bizarros como o currículo emendado existente na Assembleia. Fiquei convicto de que ele era capaz de fazer muita coisa que não devia, por seu próprio interesse, e como se trata de um homem poderoso, isso preocupa-me.

"A partir daí não há pedra em que não se dê um pontapé, casinhas, processos na área do ambiente quando ele foi secretário de Estado ou ministro, Freeport, negócios ligados ao controlo da comunicação social, Face Oculta, em que Sócrates não apareça. Pode-se dizer que isso é perseguição, como há quem no PS diga. Mas não é, o problema é que Sócrates aparece sempre lá, perto ou longe, com mais ou menos responsabilidades, e aparece porque está lá. Ele, a família, os seus amigos do PS, as pessoas que escolheu, as áreas onde governou e governa. E, quando ele aparece, nada nunca se esclarece cabalmente. Nem na justiça (e isso é uma arma de dois bicos, porque também o prejudica), nem na parte da política que exige transparência. Por isso, a minha desconfiança original não tem conhecido a não ser um crescendo, porque encontra um padrão e não "casos". E penso, posso estar enganado, mas penso, que essa desconfiança é puramente racional.

"O que está a acontecer com o seu envolvimento no caso Face Oculta, e isto para usar o termo exacto "envolvimento" e não "culpa", é mais uma pedra em que, quando se lhe dá um pontapé, aparece Sócrates. Ou dito de outra maneira, cada cavadela sua minhoca, numa terra que, pelos vistos, é fértil nas ditas porque algum adubo há-de ter. (...)

"Uma vez publicada informação, admitindo que ela é verdadeira, não se pode evitar que nos pronunciemos sobre o "escândalo público" que ela suscita, nem sobre os factos que ela revela. (...)

"E o que se sabe, sem ter sido desmentido, sendo até confirmado da habitual forma retorcida pelo primeiro-ministro, é que José Sócrates mentiu ao Parlamento sobre o seu conhecimento e eventual papel na tentativa de compra pela PT de parte da TVI. Esta não é uma matéria secundária, mas releva das relações institucionais entre órgãos de soberania. E quando digo que ele próprio já confirmou de forma retorcida, foi por o ver começar a fazer uma distinção, demasiado útil, entre conhecer e ter sido "oficialmente informado", que se percebe ir ser a escapadela que vai usar. E é isso que me faz desconfiar e muito, porque o que José Sócrates disse ao Parlamento e aos jornalistas nessa ocasião foi que "não estou sequer informado disso" quando se tratava de saber que grau de envolvimento tinha ele próprio e o Governo no processo. E neste caso, saber a verdade é crucial porque envolve algo de que este Governo tem sempre negado: a interferência a partir do poder na comunicação social. Pelos vistos, o que veio já a público explica que quem temia a chamada "asfixia democrática" tinha até mais razão do que imaginava.

"É por isso que desconfio de Sócrates. Vale o que vale, mas para o meu julgamento vale muito. E as razões pelas quais desconfio fazem-me considerar que existe perigosidade na sua actuação para a democracia e para Portugal."

José Pacheco Pereira, Historiador
Público, 14.11.2009

Basicamente, é assim:

domingo, 15 de Novembro de 2009

O Factor Vara

O Factor Vara por Miguel Sousa Tavares 
Segunda-feira, 16 de Fev. de 2009
Toda a 'carreira', se assim lhe podemos chamar, de Armando Vara, é uma história que, quando não possa ser explicada pelo mérito (o que, aparentemente, é regra), tem de ser levada à conta da sorte. Uma sorte extraordinária. Teve a sorte de, ainda bem novo, ter sentido uma
irresistível vocação de militante socialista, que para sempre lhe mudaria o destino traçado de humilde empregado bancário da CGD lá na terra. Teve o mérito de ter dedicado vinte anos da sua vida ao exaltante trabalho político no PS, cimentando um currículo de que, todavia, a nação não conhece, em tantos anos de deputado ou dirigente político, acto, ideia ou obra que fique na memória.

Culminou tão profícua carreira com o prestigiado cargo de ministro da Administração Interna - em cuja pasta congeminou a genial ideia de transformar as directorias e as próprias funções do Ministério em Fundações, de direito privado e dinheiros públicos. Um ovo de Colombo que, como seria fácil de prever, conduziria à multiplicação de despesa e de "tachos" a distribuir pela "gente de bem" do costume. Injustamente, a ideia causou escândalo público, motivou a irritação de Jorge Sampaio e forçou Guterres a dispensar os seus dedicados serviços. E assim acabou - "voluntariamente", como diz o próprio - a sua fase de dedicação à causa pública.

Emergiu, vinte anos depois, no seu guardado lugar de funcionário da CGD, mas agora promovido por antiguidade ao lugar de director, com a misteriosa pasta da "segurança". E assim se manteve um par de anos, até aparecer também subitamente licenciado em Relações Qualquer Coisa por uma também súbita Universidade, entretanto fechada por ostensiva fraude académica.
Poucos dias após a obtenção do "canudo", o agora dr. Armado Vara viu-se promovido - por mérito, certamente, e por nomeação política, inevitavelmente - ao lugar de administrador da CGD: assim nasceu um banqueiro. Mas a sua sorte não acabou aí: ainda não tinha aquecido o lugar no banco público, e rebentava a barraca do BCP, proporcionando ao Governo socialista a extraordinária oportunidade de domesticar o maior banco privado do país, sem sequer ter de o nacionalizar, limitando-se a nomear os seus escolhidos para a administração, em lugar dos desacreditados administradores de "sucesso". A escolha caiu em Santos Ferreira, presidente da CGD, que para lá levou dois homens de confiança sua, entre os quais o sortudo dr. Vara. E, para que o PSD acalmasse a sua fúria, Sócrates deu-lhes a presidência da CGD e assim a meteórica ascensão do dr. Vara na banca nacional acabou por ser assumida com um sorriso e um tom "leve".

Podia ter acabado aí a sorte do homem, mas não. E, desta vez, sem que ele tenha sido tido ou achado, por pura sorte, descobriu-se que, mesmo depois de ter saído da CGD, conseguiu ser promovido ao escalão máximo de vencimento, no qual vencerá a sua tão merecida reforma, a seu tempo.
Porque, como explicou fonte da "instituição" ao jornal "Público", é prática comum do "grupo" promover todos os seus administradores-quadros ao escalão máximo quando deixam de lá trabalhar. Fico feliz por saber que o banco público, onde os contribuintes injectaram nos últimos seis meses mil milhões de euros para, entre outros coisas, cobrir os riscos do dinheiroemprestado ao sr. comendador Berardo para ele lançar um raide sobre o BCP, onde se pratica actualmente o maior spread no crédito à habitação, tem uma política tão generosa de recompensa aos seus administradores - mesmo que por lá não tenham passado mais do que um par de anos. Ah, se todas as empresas, públicas e privadas, fossem assim, isto seria verdadeiramente o paraíso dos trabalhadores!

Eu bem tento sorrir apenas e encarar estas coisas de forma leve. Mas o 'factor Vara' deixa-me vagamente deprimido. Penso em tantos e tantos jovens com carreiras académicas de mérito e esforço, cujos pais se mataram a trabalhar para lhes pagar estudos e que hoje concorrem a lugares de carteiros nos CTT ou de vendedores porta a porta e, não sei porquê, sinto-me deprimido. Este país não é para todos.

P.S. - Para que as coisas fiquem claras, informo que o sr. (ou dr.) Armando Vara tem a correr contra mim uma acção cível em que me pede 250 000 euros de indemnização por "ofensas ao seu bom nome". Porque, algures, eu disse o seguinte: "Quando entra em cena Armando Vara, fico logo desconfiado por princípio, porque há muitas coisas no passado político dele de que sou altamente crítico". Aparentemente, o queixoso pensa que por "passado político" eu quis insinuar outras coisas, que a sua consciência ou o seu invocado "bom nome" lhe sugerem. Eu sei que o Código Civil diz que todos têm direito ao bom nome e que o bom nome se presume. Mas eu cá continuo a acreditar noutros valores: o bom nome, para mim, não se presume, não se apregoa, não se compra, nem se fabrica em série - ou se tem ou não se tem.
O tribunal dirá, mas, até lá e mesmo depois disso, não estou cativo do "bom nome" do sr. Armando Vara. Era o que faltava!

Acabei de confirmar no site e está lá, no site institucional do BCP. Vejam bem os anos de licenciatura e de pós-graduação!!!!!

Dados pessoais:
Armando António Martins Vara
Data de nascimento: 27 de Março de 1954
Naturalidade: Vinhais - Bragança
Nacionalidade: Portuguesa
Cargo: Vice-Presidente do Conselho de Administração Executivo
Início de Funções: 16 de Janeiro de 2008
Mandato em Curso: 2008/2010
Formação e experiência Académica
Formação:
2005 - Licenciatura em Relações Internacionais (UNI)
2004 - Pós-Graduação em Gestão Empresarial (ISCTE) 

sábado, 14 de Novembro de 2009

Ele está melhor armado...





Cuidado. Ele agora está mais forte do que nunca. Tem todos os meios de segurança ao seu dispor.

Descoberto o verdadeiro problema de Portugal

Neste momento todas as teorias são válidas. Esta tem o condão de ser inédita, para além de muito gira.
Desfrutem também.

«Descobri o verdadeiro problema do nosso país» aqui


Fonte: Nuno Ramalho - Fontes do Ídolo

Enquanto o sporting não arranja treinador novo, aqui fica a sentida homenagem ao Paulo Bento.

sexta-feira, 13 de Novembro de 2009

No melhor pano cai a nódoa!

O melhor Ministro do PS dos últimos tempos, talvez o único político de qualidade (não conhecemos ainda os novos ministros), diz uma asneira monumental.

Estará o governo `a beira de um ataque de nervos?


"O ministro da Economia, Vieira da Silva, considera que o Primeiro-ministro foi alvo de “espionagem política”, numa referência às escutas das conversas com Armando Vara no âmbito do caso “Face Oculta”.

"As escutas podem ser ilegais e quem as desencadeou não pretendia investigar, mas sim fazer espionagem política, acusa Vieira da Silva, em declarações à Antena 1.

"“Torna-se claro que o que motiva essas forças e as pessoas que estão por detrás do que me parece ser uma ilegalidade, não é qualquer averiguação relativamente a qualquer processo de corrupção, é pura, aquilo que nós podíamos chamar, espionagem política”, afirma.

"“Estar a ouvir um dirigente de um partido que também é Primeiro-ministro sobre temas políticos e depois colocá-los nos jornais através de escutas cuja legalidade é mais do que duvidosa, considero isso algo de extremamente preocupante”, sublinha Vieira da Silva."

www.rr.pt

Versão Portuguesa





Fonte: obrigado pelo email S

quinta-feira, 12 de Novembro de 2009

Um português na China

(Um texto de um estudante jesuíta)

"A última vez que escrevi para o Essejota estava em Macau. Macau sempre foi porta de entrada na China e comigo não foi diferente. No passado 31 de Julho, dia muito especial para todos os que se sentem inspirados por Inácio de Loyola, entrei finalmente no coração da China que é Pequim.

"Agora, passados dois meses, quero partilhar aqui alguma coisa do vivido, mas têm sido tempos tão ricos, que se torna difícil escolher. Podia falar desta cidade incrível, com os seus 17 milhões de pessoas, 100000 restaurantes, cinco anéis de circulação (auto estradas de 12 vias) em torno de uma “cidade proibida”, 15 linhas de metro, muita poluição, e muita vida que vai acontecendo de forma simultaneamente organizada e espontânea. Podia também falar do centro onde estou a estudar chinês, um pouco de filosofia e artes marciais chinesas. Podia falar da incrível viagem que fiz pela Rota da Seda, em que, de comboio, avião, autocarro e até camelo, acompanhámos a linha da grande muralha por mais de mais de 6000 km, desde Pequim até ao interior ocidental deste Antigo Império. Podia falar da minha lenta aprendizagem, das dificuldades linguísticas e culturais, ou dos maravilhosos (e baratos) sabores da comida chinesa.

"Mas desta vez vou falar de pessoas porque são as pessoas que mais me “dizem” a mim. Para além das aulas normais, cada aluno estrangeiro tem um tutor de chinês. Tive muita sorte porque a minha tutora está a tirar o curso de “chinês para estrangeiros”. É uma jovem normal, filha única, claro, que não sabe ainda o quer fazer no futuro. Nos últimos 3 meses, juntamente com mais 3000 alunos aqui da universidade, preparou-se para a grande celebração do seu país, que fez 60 anos no passado 1 de Outubro. Todos os dias, entre as 5 e as 8 da manhã (!), 3000 jovens treinavam sobre o olhar atento dos organizadores, em busca de uma sincronização e ordem que todos desejam perfeita. A cerimónia decorreu sem percalços e ela, orgulhosa, fundiu-se com centenas de milhares no grandioso desfile.

"Mais tarde perguntava-me timidamente: “Achas que é um desperdício de tempo tanta gente ensaiar tanto tempo para caminhar 7 minutos diante do presidente?” O que me veio à cabeça foi: “Se pedissem isso no meu país havia uma revolução de certeza!” Mas, não sem sinceridade, respondi: “Acho que revela algo muito bonito acerca dos chineses: são capazes de enorme entrega por uma causa maior que eles. Ainda assim confesso-te que não me é fácil perceber-vos: tantas pessoas tão diferentes todas vestidas de igual e a fazer o exactamente o mesmo…” E assim nos vamos conhecendo, ela com muitos porquês sobre esta minha vocação e crença, e eu sempre a perguntar qual é o tom deste ou daquele carácter da sua língua (obviamente estou num patamar existencial muito básico!).

"A segunda pessoa que vos queria apresentar é a funcionária da biblioteca. É difícil adivinhar a idade dos chineses, mas pela entrevista que lhe fiz (trabalho de casa para chinês), e pelo aspecto posso arriscar que é senhora de uns 60 anos. Fala um chinês lindo, com pronúncia de Pequim e contou-me com imensa simplicidade que aos 16 anos foi mandada para o campo cultivar a terra. Passou 5 anos no campo, sem ver ou telefonar à família, até que foi enviada de novo para Pequim, onde trabalhou vários anos numa fábrica de químicos. O salário era mínimo, mas todos tinham comida de graça.

"Depois das políticas de abertura, não sei bem como, foi contratada para a nossa biblioteca, onde, sem falar uma palavra de inglês, se torna amiga de todos quantos cá passamos. É uma pessoa agradecida, pacificada e muito amável. Nunca lhe senti desprezo por um “passado que não pôde escolher”, antes apreciei a sua gratidão por ver o seu país chegar onde chegou. Confessou que o que mais gosta agora é de conversar connosco, porque lhe ensinamos muita coisa e a ajudamos a abrir horizontes (em chinês diz-se expandir o olhar). Diz que os padres (o centro tem um director jesuíta) sempre a trataram muito bem, especialmente porque falam com ela “como se fosse igual” a eles.

"Há mais de um ano no Oriente ainda ando à procura de um modo de estar. Parece-me que passa por saber apreciar o diferente procurando aí algo de valioso e santo, sabendo ao mesmo tempo assumir-me e apresentar-me com aquilo que trago. O que é que quero dizer com esta frasezinha bonita? Quero dizer que os chineses devem ser para mim como uma pergunta, tal como eu o devo ser para eles. “O que é que os faz ser capazes de trabalhar e lutar tanto por algo? O que te faz vir de tão longe? De onde lhe vem esta paz, mesmo tendo sofrido tanto no passado? Por que é que este rapazinho quer estudar a nossa língua e por que é que decidiu não casar?” E por aí fora…"

Francisco

É esta a verdadeira questão

"No recente estudo de opinião efectuado pela Eurosondagem, 45,5% dos inquiridos concordam com o casamento homossexual, contra 49,5%, que se opõem. Contudo, à pergunta "E com a adopção por casais homossexuais?", o resultado do "não" (68,4%) mais que triplica o do "sim" (21,8%).

"Um número significativo dos inquiridos - embora não maioritário - concorda que a união de duas pessoas do mesmo sexo possa ser integrada na categoria de um casamento civil, porque, julgam eles, o contrário significaria uma discriminação. Não têm tempo, paciência ou liberdade de espírito para pegar na questão e pô-la no seu lugar certo, nem que seja por um mero exercício intelectual: não há discriminação quando se trata diferentemente o que é diferente, nem o que é diferente passa a ser igual através da alteração de alguns artigos do Código Civil. A única consequência será destituir de qualquer sentido o casamento civil, que, ao perder os seus pressupostos e objectivos, fica reduzido a um contrato subtraído à liberdade contratual das partes, por uma inexplicável ingerência do Estado. Porque se duas pessoas do mesmo sexo se podem casar não há razão para proibir o casamento a termo certo (5, 10, 20 anos) ou o casamento poligâmico (um homem e três mulheres, uma mulher e dois homens). Fazia mais sentido a devolução deste contrato às partes, hetero ou homossexuais, permitindo que cada um estabelecesse livremente o modelo da sua união.

"Quanto à segunda pergunta, isto é, se concorda ou não que casais homossexuais adoptem crianças, quase metade dos que antes diziam "sim" ao casamento dizem, agora, "não" à adopção. É que enquanto o casamento só envolve os próprios, a adopção implica terceiros, crianças que não têm capacidade de exprimir a sua vontade e, por isso, precisam de quem as represente. Ora, sendo ao Estado que compete esta função, e sendo o Estado, ele próprio, o legislador, na prática as crianças ficam sem representante que defenda o seus superiores interesses. Aqui a situação complica-se e, à cautela, quem antes dizia sim passa a dizer não.

"A ausência de debate permitiu que uns ocultem, e muitos desconheçam, um inexorável nexo de causalidade: o casamento dos homossexuais acarretará, automaticamente, o direito a adoptarem. Também aqui, basta um mero exercício intelectual. De facto, assentando a iniciativa legislativa no princípio da igualdade, uma vez esta estabelecida por lei, não poderá manter-se uma capitis diminutio em nome da diferença. Porque é ela - a diferença - que cria dúvidas quanto à adopção, dúvidas que terão de ser engolidas após a aprovação da lei sob pena de se estar a consagrar casamentos de primeira e casamentos de segunda, ao arrepio de todo o discurso oficial e, julgo mesmo - agora sim -, da Constituição.

"É esta a verdadeira questão. Não estamos perante um mero exercício intelectual, nem no âmbito restrito da contenda política. É mais grave, é mais sério. As crianças adoptáveis são crianças privadas, por diversos motivos, dos seus pais biológicos. Vêm de famílias tão ausentes que se tornaram inexistentes e são entregues à tutela do Estado, a quem compete providenciar um novo projecto de vida que passa pela realização do direito de cada criança a ter um pai e uma mãe adoptivos, na falta dos biológicos. A tarefa é enorme e só quem nunca lidou com estas crianças, os seus percursos, as dúvidas e angústias na construção de um novo destino assente no respeito absoluto pelo melhor interesse de cada uma delas, pensa que uma promessa eleitoral transformada em lei pelo Parlamento, sem um maior escrutínio da sociedade, pode varrer todos os valores e princípios que enformam o sistema de protecção dos menores.

"Esta lei pode ser a consagração da "coisificação" das crianças, a sua utilização como uma coisa, um adorno de uma mera simbologia. Uma irresponsabilidade atroz para a qual ninguém recebeu mandato."

por Maria José Nogueira Pinto,
in DN, 12/11/2009

quarta-feira, 11 de Novembro de 2009

S. Martinho (de Tours), bispo, +397

São Martinho nasceu no ano de 316, na Sabária da Panónia (Hungria). Seu pai era oficial do Exército Romano. Aos 12 anos, contrariando a vontade dos pais, tornou-se cristão. Entretanto, o pai contrapôs-se terminantemente a essa decisão do filho, alistando-o no Exército Romano. Aconteceu, nessa época, o famoso episódio da manta de guarda imperial: ao ver um mendigo tiritando de frio, corta ao meio a sua manta e oferece-lhe uma parte. À noite sonhou e viu Jesus envolto naquele pedaço de manta, dizendo: "Martinho, ainda não baptizado, deu-me este vestuário".

Abandonou, então, o Exército e fez-se baptizar por Santo Hilário de Poitiers. Entregou-se à vida de eremíta, fundando um mosteiro em Ligugé, França, onde vivia sob a orientação de Santo Hilário. Ordenado sacerdote, foi mais tarde aclamado bispo de Tours (371). Tornou-se um grande evangelizador da França, verdadeiramente pastor, fundando mosteiros, instruindo o clero, defendendo a causa dos oprimidos e deserdados deste mundo. Morreu no ano de 397.

Uma das questões políticas mais importantes a nível mundial

Importância das comunidades de paz no conflito palestino-israelense

A religião como um “fermento capaz de unir”


ROMA, terça-feira, 10 de novembro de 2009 (ZENIT.org).- Para solucionar os problemas do conflito palestino-israelense, é preciso resolver as tensões de natureza econômica, social e política e centrar-se nas comunidades que representam o verdadeiro e próprio campo de convivência pacífica, muito além da diversidade religiosa.

Quem está convencido disso é Gianluca Solera, administrador da rede da Fundação Anna Lindh, que trabalha entre as culturas do Mediterrâneo e tem suaa sede em Alexandria (Egito).

Católico de longes origens judaicas sefarditas, depois de ter passado muitos anos em Bruxelas como conselheiro político do parlamento europeu, Solera viajou à Palestina no verão de 2004 e permaneceu 2 anos nos Territórios estudando árabe na universidade de Bir Zeit.

Suas experiências foram recolhidas depois do livro “Muri, lacrime, za'tar” (“Muros, lágrimas, za'tar”), cujo prólogo é de Dom Michel Sabbah, patriarca latino de Jerusalém durante 20 anos.

Em uma entrevista a Zenit, Solera indicou alguns problemas que afetam a base do caminho de paz, como o “processo de teologização ligado à criação do Estado de Israel” e a “grande confusão entre o campo cultural, espiritual e afetivo e o campo religioso, político e institucional que está consumindo Israel desde dentro”.
O filósofo Martin Buber afirmou em 1947 que o conflito árabe-israelense é um conflito de dois povos em uma mesma terra. Neste sentido, explicou Solera, o problema dos assentamentos judaicos constitui um grave obstáculo para a reconciliação entre as duas partes.

Atualmente, 450 mil colonos judeus vivem em cerca de 150 assentamentos na Cisjordânia e em Jerusalém. Os chamados postos avançados, isto é, as colônias não-autorizadas, são quase 100. Todas as leis internacionais consideram ilegais tanto as colônias como os postos avançados.

A folha de rota solicitada pela ONU, União Europeia, Estados Unidos e Rússia pediu o congelamento dos assentamentos israelitas existentes antes de 2003, além da evacuação dos construídos posteriormente.

“Há colonos – explicou Solera – que vão lá expressamente para lutar e sacrificar sua própria vida pela terra de Israel.”

As causas desta situação, em sua opinião, encontram-se em uma “cultura, fruto da história de perseguição dos judeus, que gerou um estado permanente de alerta e uma espécie de obsessão coletiva”.

No entanto, esta não é a norma, mas expressão de uma minoria. De fato, em seu livro, Solera fala de grupos que se comprometem efetivamente na integração e no diálogo, como a associação Rabbis for Human Rights ("Rabinos pelos Direitos Humanos”), que em 2006 ganhou o prêmio pela paz da Fundação Niwano, conhecido como o “Nobel das religiões”.

Esta associação, escoltada pela tradição judaica, vigia o que ocorre nos pontos de controle, oferece assistência legal, ajuda a coleta de oliva em terras, propriedade de palestinos, colidentes com os assentamentos israelenses.

“Israel, estando reconhecida pelas Nações Unidas, é um país sem fronteiras certas”,
afirmou Solera.

Na época da divisão da Palestina em 1947 e do nascimento do Estado de Israel, as Nações Unidas definiram Jerusalém como um corpo independente.

No entanto, em 1981, Israel proclamou unilateralmente a anexação da cidade, incluindo dos distritos orientais ocupados em 1967, declarando-a sua capital, decisão nunca apoiada pela comunidade internacional.

Neste sentido, destacou, “se a identidade judaica se reduz a uma questão de fronteiras, perde sua natureza”.

Por outro lado, denunciou uma “islamização no movimento político palestino” e um “recorrer à identidade religiosa como último recurso para reforçar as batalhas do movimento nacionalista, em uma lógica que tem Deus como prisioneiro”.

No entanto, indicou, “também é preciso estar atentos para não representar, politicamente e na mídia, a questão palestino-israelense como um desencontro entre civilizações”.

“Este é um erro político e cultural gravíssimo no Ocidente, que cria as condições para a instabilidade e gera tensões no interior da nossa sociedade.”

“As consequências podem ser devastadoras também para nós, para nossas relações com o mundo árabe e para a estabilidade das nossas próprias comunidades no Ocidente.”

“As diferenças em termos de desenvolvimento, democracia, reconhecimento dos direitos culturais, dignidade, que podem existir entre a comunidade árabe a o Ocidente são um fator de instabilidade maior que as incompreensões entre o ser muçulmano e o ser cristão.”

“Penso que a política do diálogo intercultural – continuou – não tem nenhum sentido se não forem enfrentadas primeiro as tensões de natureza política, econômica e social.”

Para Solera, “refugiar-se na identidade cultural e religiosa é um subproduto da incapacidade para enfrentar estas questões cruciais”.

“Temos, portanto, de desativar as bombas da diversidade”, porque estas constituem “o terreno sobre o qual o fanatismo pode criar suas raízes e crescer”.

“E neste contexto, os cristãos desempenham uma função fundamental, ao mostrar que se pode coexistir apesar da diversidade religioso-cultural”, declarou.

Por exemplo, em Taybeh, a antiga Efraim, onde Cristo se refugiou junto aos discípulos, o último povoado completamente cristão da Terra Santa, existe uma comunidade muito viva que abriu as escolas às crianças muçulmanas dos povoados vizinhos.

Lá, as paróquias católicas criaram, além disso, uma residência de terceira idade e um centro de reabilitação para deficientes sem recursos da Palestina e do exterior.

“É necessário defender as comunidades que vivem em coexistência pacífica – afirmou. Mas é preciso defendê-las de verdade: através das peregrinações, visitas, união das paróquias, e através de um trabalho de fundo entre os fiéis da comunidade.”

E concluiu: “Os cristãos devem demonstrar ser portadores de irmandade muito além das conveniências políticas”.

Por Mirko Testa

12 razões pelas quais crucifixo não viola liberdade

VIENA, terça-feira, 10 de novembro de 2009 (ZENIT.org).- A verdadeira liberdade religiosa não é a liberdade da religião, afirma o historiador Martin Kugler, em resposta à decisão do Tribunal Europeu para os Direitos Humanos de eliminar os crucifixos das salas de aula das escolas italianas.

Kugler, diretor da rede de defesa dos direitos humanos Christianophobia.eu, com sede em Viena, ofereceu 12 teses que mostram o pensamento equivocado do tribunal que decidiu a favor de uma mãe ateia que protestou pelos crucifixos pendurados na escola dos seus filhos.

“O direito à liberdade religiosa pode significar somente seu exercício, não a liberdade de confrontar; o significado de ‘liberdade de religião’ não tem nada a ver com a criação de uma sociedade ‘livre da religião’”, explica.

“Eliminar à força o símbolo da cruz é uma violação, como seria obrigar os ateus a pendurarem este símbolo.”

“A parede branca também é uma declaração ideológica, especialmente se nos primeiros séculos não podia estar vazia”, afirma.

“Um Estado neutro com relação aos valores é uma ficção frequentemente utilizada com um objetivo de propaganda.”

Para Kugler, decisões como a do tribunal europeu atacam realmente a religião, ao invés de lutar contra a intolerância religiosa.

“Não se pode combater os problemas políticos lutando contra a religião – indica. O fundamentalismo antirreligioso se torna cúmplice do fundamentalismo religioso quando provoca com a intolerância.”

“A maior parte das pessoas afetadas gostaria de manter a cruz – declara. É também um problema de política democrática, dando descaradamente prioridade aos interesses individuais.”

Retomando os argumentos propostos pelo governo italiano em defesa dos crucifixos nas salas de aula, Kugler indica que “a cruz é o Logos da Europa; é um símbolo religioso, mas também muito mais que isso”.

Uma miragem

Em um debate com Die Presse, Kugler destaca outros dois elementos do debate Igreja-Estado.

Falar de um “Estado neutro na confrontação dos valores” é “simplesmente ingênuo, e o resultado é uma miragem. É como uma brincadeira”.

“Um Estado neutro quanto aos valores? Contra a fraude e a corrupção? Contra a xenofobia e a discriminação? Diante dos pecados contra o meio ambiente e as conquistas sexuais no trabalho?” – pergunta-se.

E continua: “Um Estado que abençoa os neonazistas, permite a pornografia, favorece certas formas de ajuda ao desenvolvimento e outras não... tudo por valores neutros? Alguém está tentando nos enganar”.

O especialista também destaca um segundo ponto que merece mais atenção: a ideia segundo a qual uma esfera pública sem presença alguma da vida religiosa ou dos símbolos religiosos seria mais “tolerante” ou mais apropriada para a liberdade de consciência que uma que permite ou inclusive fomenta declarações de crença religiosa.
“Obviamente, os pais ateus podem sentir que seu filho é molestado pela cruz na sala de aula, mas é inevitável”, explica.

“Pode me incomodar também, ao entrar em uma agência dos correios, ver uma fotografia do presidente federal no qual não votei – continua. A influência, os sinais ideológicos, as presenças visuais – inclusive sexistas – existirão sempre e em todos os lugares.”

“A única pergunta é como e o que contêm.”

Neste sentido, Kugler afirma que o Estado “deve intervir somente de maneira muito moderada e, se o faz, não deve ser somente com proibições que reduzam a religião a um gueto”.

“Sentinela da porta da liberdade”

Lech Walesa: João Paulo II teve grande papel na queda do Muro de Berlim

“Europa necessita desesperadamente dos valores que empurraram aquela revolução”

BERLIM, terça-feira, 10 de novembro de 2009 (ZENIT.org).- A abertura do Leste e a queda do Muro de Berlim devem-se principalmente à intervenção de João Paulo II e à força motriz da Divina Providência, disse o cofundador do sindicato polonês Solidariedade e depois presidente da Polônia Lech Walesa, ontem à noite, durante as celebrações dos 20 anos da queda do Muro.

“O futuro da Europa unida deveria ser construído sobre o fundamento da verdade da história, não sobre a mentira –insistia Walesa. Não foram só os políticos os que nesse momento levaram as honras do golpe da liberdade”.

“A verdade é muito importante quando falamos do curso da história”, disse Walesa durante a Fest der Freiheit (Celebração da Liberdade). Para Walesa, João Paulo II e o movimento trabalhista Solidarnosc (Solidariedade) têm a maior parte na nova abertura da Europa.

Sob uma chuva insistente, a chanceler alemã Angela Merkel atravessou ontem com seus anfitriões a ponte da Bornholmer Strasse, uma das primeiras passagens fronteiriças abertas em 1989. Para Merkel, foi um dos momentos mais felizes de sua vida, confessou.

As celebrações dos 20 anos da queda do Muro começaram com um serviço religioso na igreja Getsemani, símbolo da dissidência de Berlim Leste. Junto com o ex-presidente Mikhail Gorbachov e Lech Walesa, e outros lutadores pelos direitos civis, assim como várias testemunhas, a chanceler alemã cruzava simbolicamente a fronteira, onde de 13 de agosto de 1961 até 9 de novembro de 1989, mais de cem pessoas foram brutalmente fuziladas.

Lech Walesa elogiou o papel do Papa polonês na queda do muro de Berlim. Durante seu testemunho se puderam ver nos telões cenas da lendária visita do Papa João Paulo II à Polônia em 1979, e do levantamento dos mineiros. As imagens mostravam que no estaleiro “Lenin”, de Gdańsk, começou uma Europa livre.

Sua primeira viagem à Polônia, em junho de 1979, teve um impacto enorme, pois era a primeira visita de um Papa a um país comunista. Este fato suscitou uma força enorme na Polônia. Para os alemães, a reunificação, que ainda continua sendo um desafio, começou a 9 de novembro de 1989.

“A Europa necessita desesperadamente dos valores que empurraram aquela revolução”, reiterou Walesa na cerimônia, que milhões de espectadores puderam seguir pelas telas da TV alemã.

Momentos antes, sob a Porta de Brandemburgo, a chanceler Angela Merkel tinha recordado a queda do Muro de Berlim como o dia da “vitória da liberdade”, uma liberdade que se deve contemplar como algo pelo que se luta e defende a cada dia.
A 4 de junho de 1979, o Papa disse aos representantes do regime comunista: “permitam-me, veneráveis senhores, que siga considerado o interesse da Polônia como meu, e de participar nele tão profundamente como se ainda vivesse neste país e fosse cidadão desta nação”.

João Paulo II, a “sentinela da porta da liberdade”, como chamou Helmut Kohl, passou, no dia 23 de junho de 1996, ao final de sua visita à Alemanha reunificada, pela Porta de Brandemburgo.

“Agora que passei pela Porta de Brandemburgo, sinto que acabou verdadeiramente a Segunda Guerra Mundial”, comentou João Paulo II naquele momento, profundamente comovido.

O ex-presidente da Polônia e Prêmio Nobel da Paz Lech Walesa, junto ao primeiro-ministro da Hungria, Miklos Nemeth, pôs em marcha ontem à noite a operação de derrubada do dominó gigante de mil peças com o qual se simboliza o fim da Cortina de Ferro.

Foi também uma homenagem à Polônia, ao primeiro papa deste país do Leste, que foi o primeiro a lutar por eleições democráticas.

(Angela Reddemann)

terça-feira, 10 de Novembro de 2009

"Batalha sem fim"

"A Europa sempre foi movida por ideologias: esperança de uma renovação radical em que os homens se tornassem todos irmãos. O sonho foi iniciado com o cristianismo, renasceu com os iluministas e foi renovado pelo marxismo. Os comunistas estavam certos de ter dado início ao processo que libertaria o homem de toda a necessidade e de toda a avidez. Hoje essa fé fanática desapareceu, mas com ela também a esperança de uma melhor vida social e espiritual. Do comunismo só resta uma organização de apoio económico mútuo. No mundo católico, alguns perderam o rumo e a alma, e a moralidade laica parece ter desaparecido completamente.

"Que acontece quando se esfumam todos os sonhos de perfeição pessoal e social? Quando o ser humano não aspira a superar o seu egoísmo, a melhorar em termos morais, a criar uma comunidade que premeie o mérito e a virtude? Quando não há ideais, para onde se dirige o impulso humano? Apenas para o poder e para o dinheiro. O poder transforma-se num fim em si próprio. Quem não avança em direcção ao bem avança para o poder. Em todos os campos: política, finanças, magistratura, meio universitário, televisão. Deixa de ter importância o que se faz e como, por haver a ideia de que o poder e o dinheiro permitem corromper as almas.

"Todos os meios passam a ser lícitos para trepar: acordos transversais, chantagens, sociedades secretas, licenças públicas, subornos internacionais.

"A grande e espalhafatosa batalha da política italiana esconde gente que acumula enormes poderes e enormes riquezas.

"Vivemos numa época de cinismo, de avidez, de associações secretas, de bloqueios sectários, de comportamentos não revelados nos jornais e na televisão. São estas as forças que estragam e degradam a luta política porque, quando faltam ideais, só restam um poder contra outro e a mentira. É preciso muita força para resistir, para continuar a agir com rectidão e rigor quando os outros não o fazem. Mas há sempre pessoas corajosas, com ideais e fé, e que desejam dar o exemplo aos jovens. A história demonstra-nos que, a determinada altura, os corruptos acabam por se autodestruir. A ineficácia torna-os mais fracos e, apesar de um certo grau de inércia, os homens revoltam-se, procuram novas orientações e voltam a ter esperança e a construir."

Francesco Alberoni,
publicado no "i" a 3 de Novembro de 2009

Mais uma saída no SCP





Fonte: Obrigado pelo email JB

Escutas e outras audições

Par quem tinha duvidas de que também estas teriam outro desenlace.... 

Fonte: Expresso

San Siro esgota para receber Nova Zelândia

"Os italianos estão ansiosos para ver a selecção de râguebi da Nova Zelândia, os All Blacks, actuar e já esgotaram os 77 mil bilhetes disponíveis do San Siro, estádio do AC Milan e do Inter, para a partida do próximo sábado.

"Juntamente com os espectadores que não vão pagar bilhete, espera-se que estejam cerca de 80 mil pessoas nas bancadas, no que será a maior assistência de sempre numa partida de râguebi disputada em Itália."

por FIlipe Duarte Santos, publicado no "i", hoje 10 de Novembro de 2009

segunda-feira, 9 de Novembro de 2009

"Uma realidade difícil de encarar"

«"Há mais crianças e jovens institucionalizados no nosso país do que reclusos!" Custa a acreditar mas como a afirmação veio de um responsável por uma das grandes instituições nacionais que acolhem crianças e adolescentes rejeitados e abandonados pelos pais ou retirados às famílias por decisão jurídica, tudo leva a crer que seja verdade. E se assim é, é brutal. A realidade dos maus--tratos, do abandono e da carência nos primeiros anos está envolta numa espécie de obscuridade social que urge desocultar. É duro aceitar que há demasiadas crianças e jovens maltratados pelos pais, e os relatos casuísticos destas legiões de desvalidos incomodam mas não podem ser ignorados. Mais, é impossível fingir que não sabemos que muitas destas crianças e jovens começam por ser agredidos ainda no ventre materno, seja pela violência doméstica a que as mulheres estão expostas, seja pela mal-nutrição decorrente da pobreza extrema das mães. O pior é que os níveis de desemprego e de desestruturação familiar são um perigo na medida em que multiplicam a possibilidade de novas vítimas. Quando o governo declara que um dos seus objectivos é desinstitucionalizar 25% da população infantil e juvenil, espero que esteja a falar de trabalhar a montante desta realidade.»

por Laurinda Alves, Publicado no "i" a 09 de Novembro de 2009

domingo, 8 de Novembro de 2009

O dia seguinte

Este blogue tem andado a embandeirar precocemente. Houve quem embandeirasse em arco à oitava jornada, depois veio outro e embandeirou à nona como se fosse um braguista dos sete costados. Mas agora que o Braga levou na pinha do Guimarães pode ser que o neobraguista volte a embandeirar à décima, sim, porque eu ainda sou do tempo em que eras dragão, não é, meu caralhete?

Quem não embandeira nada sou eu, mas ao menos agora escuso de andar de lenços brancos. PB foi mais homenzinho do que a direcção do Sporting toda junta e lá se pôs a andar.

Obrigado, Paulo. Sei que foste sempre um homem digno e acredita que a minha embirração contigo não tinha nada de pessoal, era apenas devida à circunstância de tu defenderes que o Sporting devia jogar mau futebol. E isso para mim é um KO técnico para qualquer treinador. Gosto muito que sejas um rapaz impecável, mas isso não me chega. E fico quilhado mas com um F* maiúsculo quando ouço esse leão albino tresloucado em que se transformou o nosso presidente a dizer que era incapaz de te mandar embora por uma série de razões que de seguida enumera e das quais não consta o teu brilhantismo como treinador. Só por esse bitaite era de o mandar embora também...

E mais te digo, Paulo: tu é que devias ser presidente do Sporting Clube de Portugal. Ou director-técnico. Ou qualquer coisa ligada ao futebol do Sporting, sem ser treinador. Aí, e com um Mourinho no banco, talvez embandeirasse.

Mas não embandeiro para já. Ainda me sai o Scolari na rifa, foda-se. Ou o Manuel Machado, duplo foda-se! Desculpa o palavreado, mas eu como adepto também não sou corno. Muito menos manso. E juro que se me sai o Scolari vou aí e levo um lençol tão grande logo, na estreia do gajo, que me arrisco a ser o segundo a quem o leão albino tenta agredir. E, da maneira que ando quilhado com um f com o futebolzinho de merda que o Sporting anda a jogar pelo menos há três anos e meio, parto-lhe a boca. E atenção que eu até gosto dele!

Termino com uma frase que não sei se é do teu agrado, mas olha, se não gostares comes menos: Sporting Forever! Isso sim, caralho.

E que venha daí o Psycho Co, a ver se faz daquela canalha gente a sério. E se ensina aquela banda de música a jogar à bola. Como equipa. Que pratica um desporto chamado futebol. Que não é bem o mesmo que râguebi com os pés. E onde o objectivo é marcar golos e não marcar passo. Percebeste ó Bento?

sexta-feira, 6 de Novembro de 2009

Nuno de Santa Maria (Santo Condestável)

Nasceu a 24 de Junho de 1360 no Castelo do Bonjardim.

Aos 13 anos fazia parte do séquito do rei Dom Fernando e por essa altura foi armado Cavaleiro. Por obediência a seu pai casa com D. Leonor de Alvim, rica dama de Entre-Douro-e-Minho. Do casamento nasceu uma filha: Dona Beatriz.

Após a morte de D. Fernando e porque a filha deste era casada com o rei de Espanha, vendo ameaçada a independência nacional entra em actividade política. Em Santarém dá-se o estranho encontro com o Alfageme de Santarém. Convidado pelo Mestre de Avis foi eleito Regedor e Defensor do Reino. Após vencer várias batalhas (Atoleiros, Aljubarrota) e já viuvo lança ombros à construção do Convento do Carmo, em Lisboa.

Em 1422 partilha os seus bens e professa no Carmo, em 15 de Agosto de 1423. Sempre o dia de Nossa Senhora da Assunção a presidir aos momentos culminantes da sua vida. Ei-lo agora o asceta despegado de toda as ambições terrenas, frivolidades, entregue por completo ao único fito de adorar e servir a Deus: o herói de outra batalha que, depois de se ter mostrado invencível nas lutas do mundo, abandona tudo para se tornar apenas, humilde e feliz, Frei Nuno de Santa Maria.


A 15 de Janeiro de 1918 a Sagrada Congregação dos ritos, em sessão plenária, aprova e reconhece o culto do Santo condestável, que o Papa Bento XV confirma, no decreto de 23 de Janeiro do mesmo ano. Em 26 de Abril de 2009, foi canonizado por Bento XVI.

quinta-feira, 5 de Novembro de 2009

Jobs for the boys...

Nuno Alpoim foi eleito presidente do conselho de administração da Agere em nome dos 51% da empresa pertencentes à Câmara Municipal de Braga.



Por muito que considere Nuno Alpoim... bem... já dizia a minha avó «quem parte e reparte e não fica com a melhor parte, ou é burro ou não tem arte».

Fonte: Correio do Minho

quarta-feira, 4 de Novembro de 2009

Nadie logrará arrancarnos nuestra identidad

(Governo italiano não aceita decisão do Tribunal Europeu, considerando-a "impregnada de ideologia")

"La Ministra de Educación, Mariastella Gelmini, rechazó el fallo del Tribunal Europeo de Derechos Humanos que apoya el retiro de los crucifijos de las escuelas públicas, y señaló que «nadie, aún menos un Tribunal Europeo impregnado de ideología, logrará arrancarnos nuestra identidad».

"El Tribunal con sede en Estrasburgo estimó que la presencia de crucifijos en las aulas puede ser «molesta» para los alumnos que practiquen otras religiones o sean ateos y señaló que «el Estado debía de abstenerse de imponer creencias en lugares de los que dependen las personas. En concreto, se debía observar una neutralidad confesional en el contexto de la educación pública».

"El caso fue presentado al Tribunal por Soile Lautsi, cuyos hijos de 11 y 13 años asistieron en el curso 2001-2002 a la escuela pública «Vittorino da Feltre», de Abano Terme al noreste de Italia, donde cada aula exhibe un crucifijo.

"Tras perder en todas las instancias nacionales, Lautsi acudió al Tribunal europeo que falló a su favor y ordenó a Italia a pagarle cinco mil euros de indemnización. Portavoces del Gobierno anticiparon que apelarán el fallo.

"Sin embargo, la Ministra Gelmini repudió el fallo y explicó a la prensa que «la presencia de crucifijos en las aulas no significa una adhesión al catolicismo, sino que representa nuestra tradición».

"«La historia de Italia está llena de símbolos y si ellos se eliminan se termina por eliminar parte de nosotros mismos», indicó.

"Tras aclarar que «en este país nadie quiere imponer la religión católica», recordó que la Constitución italiana «reconoce justamente el valor de la religión católica para nuestra sociedad».

"Por su parte, el Ministro de Agricultura, Luca Zaia, deploró el fallo y consideró que «la Corte ha decidido que los crucifijos ofenden la sensibilidad de los no cristianos. Quien ofende los sentimientos de los pueblos europeos nacidos del cristianismo es sin duda la Corte. ¡Que se avergüencen!».

"Además, el ex Ministro de Cultura, Rocco Buttiglione, consideró que se trata de «un fallo aborrecible» y pidió rechazarlo con firmeza porque «Italia tiene su cultura, sus tradiciones y su historia. Los que vienen entre nosotros debe entender y aceptar esta cultura y esta historia»."

in religionenlibertad

E ela, a criança?

"1. Uma das primeiras vezes que Deus me concedeu a Graça de salvar uma criança nascitura andava pelos 23 anos de idade. Tenho agora 56. A experiência pessoal e a de outros que partilham comigo confirmam cada vez mais a falsidade das generalizações abstractas ou pseudo-científicas que ilibam “as mulheres” de qualquer responsabilidade e malícia no aborto provocado. Os culpados são sempre os outros, geralmente os homens. O varão, aos olhos de muitos celibatários, que tendem a idealizar a mulher como incapaz de qualquer malvadez ou pecado, é o monstro medonho, capaz de todas as patifarias, causador único de todas as desgraças que sucedem às mulheres. Estas, pelo contrário, são entes etéreos, indefesos, acossados, manipulados, coagidos, vítimas de todas as indignidades, canalhices, sordidezes e ignomínias.

"Não se pode negar que com alguma frequência assim é. Mas não o é sempre. E Nosso Senhor Jesus Cristo veio Redimir e Salvar não só a varões mas também a mulheres.

"Deixando agora de parte aqueles casos, não raros, em que a mulher grávida, contra tudo e contra todos e por motivos fúteis, é a única responsável na eliminação violenta do seu filho consideremos, exemplificando com um caso recentíssimo, aquelas situações e circunstâncias em que se dá uma rede de cumplicidades femininas que concorrem à uma para a matança da criança nascitura.

"2. São casados. Ele, em virtude da sua profissão, tem, por vezes, de andar por fora. Ela, durante a sua ausência, embeiçou-se de um estrangeiro. Arroubada entregou-se a ele em fornicações adúlteras. Naturalmente, apesar das prevenções e cautelas hormonais e mecânicas que a propaganda milionária garante que são eficazes, ficou pejada.

"Quando o marido regressa, aparentemente arrependida, conta-lhe tudo e comunica-lhe a decisão de abortar o bebé em gestação. Que não!, diz-lhe o esposo peremptório. Deixe-se de sustos e desvarios, pois ele, diz-lhe com ternura, acolherá a criança como a um filho, dando-lhe o melhor de si.

"Como a avó e a tia (mulheres!), da esposa – órfã de mãe – soubessem do caso, vai de instigá-la a matar a criança. Por mais que o marido instasse com ela, no dia a dia, para que não desse tal passo e a sossegasse pintando-lhe na fantasia um futuro risonho e cheio de alegrias teimou na obsessão homicida alimentada pela avó!, e pela tia!, que não perdiam oportunidade de lançar achas para fogueira. Pobre criança inocente e indefesa alvo de uma perseguição demoníaca de três mulheres tuas familiares que te odeiam ainda antes de teres nascido e conjuram o teu aniquilamento!

"Antes que ultrapassasse as dez semanas de idade, dirigiu-se a mãe grávida ao abortadouro dos Arcos, propriedade de uma mulher, tratou da papelada numa recepção dirigida por mulheres e, passado o tempo exigido por lei, foi anestesiada por uma mulher médica… e entregou o filho (ou filha?) a uma morte violenta e cruel.

"3. Exerceu, como hoje se diz eufemísticamente, o seu “direito à autodeterminação sexual e reprodutiva”, consciente e livremente, a conselho e com o auxílio de mulheres, a expensas dos serviços de saúde do estado português, pagos com os impostos de todos. Deve estar feliz, sorridente, orgulhosa de si, verdadeiramente realizada. Pois não teve o que queria!? A verdade, porém, é que está uma lástima… Emocionalmente esbodegada, inteiramente derreada, derramando lágrimas infinitas, numa desconsolação de quebrar o coração, prenhe de moléstias interiores, desgarrada de si mesmo, num pasmo de alienada. Quem a abraça agora? Quem a acompanha? Quem lhe deita a mão? Quem a aconchega do seu coração? Quem infunde Esperança naquele abismo de desespero? Quem lhe impede o suicídio? Quem lhe alivia a depressão? Quem desassombra aquela angústia? Quem aplaca aqueles urros do coração dilacerado? Quem!? Quem!? Quem!? QUEM!!? QUEM!!!? QUEM!!!!!??

"Onde está a corja dos que advogavam o aborto em nome das mulheres!? Onde estão os partidos homicidas que batalharam a favor do “sim” no referendo do aborto!? Onde está a Odete idolatrada pela comunicação social que dançava em concursos televisivos enquanto reivindicava o holocausto de crianças nascituras? Onde estão os canalhas que o votaram favoravelmente!? Onde estão os covardes inqualificáveis e os preguiçosos safardanas que se abstiveram!? Onde está o maléfico primeiro-ministro que orquestrou a liberalização da matança!? Onde estão os deputados necrófilos que a aprovaram no Coliseu da república!? Onde está o presidente da república que infamemente promulgou a nefanda e iníqua “lei”, a abominação horrenda!? Onde está a cambada, a súcia!? Onde!? Onde!? Onde!?

"Estão gozando, estão sorrindo, estão dando entrevista, (...) estão jurando a bondade e incorruptibilidade dos seus caracteres, estão sendo adulados, estão fazendo marketing comunicacional, estão prometendo mundos de felicidades para a república, (...) estão seduzindo o povo incauto sem que alguém tenha uma pouca de misericórdia para com os infelizes e os desmascare e chame as coisas pelo nome e se disponha a enfrentá-los e a dizer-lhes, sem titubeios os seus crimes e os seus pecados.

"E ela, a criança? Desfeita, decapitada, esfrangalhada, dilacerada, esquartejada, triturada, lançada ao lixo, como escória da humanidade ou feita cobaia em investigações ignóbeis. (...) Nem lhe fazem funeral, nem lhe celebram as exéquias, nem a entregam à Misericórdia de Deus. Esquecida de todos, de todos menosprezada, diante dela todos viram o rosto, ninguém faz caso, é reputada como uma amaldiçoada, não tem graça nem beleza para atrair os nossos olhares, o seu aspecto não nos seduz."


Nuno Serras Pereira, 3.XI.2009

Bossa Nova - Armazém do Caffé




MPB – Bossa Nova do músico Galdir
6 de Novembro - 21h30

terça-feira, 3 de Novembro de 2009

Só por causa do cheiro à tinta :p


Ainda pensei dar uma de sobranceiro e em não ripostar na mesma moeda àqueles que embandeiraram à oitava jornada, mas, deixa-me aproveitar enquanto dura…
Cautelas e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém, meus amigos. Até à lavagem dos cestos ainda é vindima, por isso esperem até ao fim do campeonato para ver se efectivamente há motivos para histerismos. Como dizem em V. N. de Cerveira, “cauma”...
eheheheheheheheheheh

sábado, 31 de Outubro de 2009

Este fim de semana vou andar de lenço branco no bolso

quinta-feira, 29 de Outubro de 2009

Sessão espírita online


Eu não sei quanto a V. Exas. que aqui me lêem, mas eu aderi definitivamente às novas tecnologias. Bem, aderir, aderir não é bem assim! Há perto de 25 anos resolvi que queria ser informático - ganhava-se umas massas - e aí vou eu. Logo a adesão às novas tecnologias está implícita.
Tal e qual a musica dos  Rio Grande que reza assim: «.. A Laurinda faz vestidos por medida; O rapaz estuda nos computadores; Dizem que é um emprego com saída...».

Bem, mas tudo isto para vos dizer que as novas tecnologias deram mais um passo - «um grande passo para o homem...» - na direcção da homogeneização das mesmas dentro da sociedade.

Desta vez vamos ser presenteados com uma inovação depois da qual nada mais será o mesmo para a humanidade.

Uma sessão espirita transmitida pela rede social Twitter e organizada por uma loja inglesa de trajes de fantasia (acho que a ideia surgiu numa altura em que houve uma quebra no abastecimento de cerveja) em que convidaram uma medium que colocará perguntas a 4 famosos escolhidos pelo internautas (já falecidos, claro. Convém.). Tal como os famosos também as perguntas serão sugeridos pelos internautas.
Das personalidade escolhidas, a que mais se destacou foi... foi...
OK. «This is it». Não digo.

Eu vou tentar ver se me esqueço de estar atento ao invento.

Promete-se começar a pensar em realizar uma partida de «sueca» com Al Capone em vídeo-chamada através do Skype.

Um programa de governo fraco

Governo: de lume brando a banho-maria
por Maria José Nogueira Pinto



"A Chanceler alemã, Ângela Merckel, anunciou que é prioridade do novo Governo uma redução fiscal de 24 mil milhões de euros a realizar faseadamente entre 2010 e 2013. Outro dos objectivos para este segundo mandato é o de rever o modelo de financiamento dos serviços públicos de Saúde. Tanto quanto nos é dado ouvir e ler, parece que as duas grandes prioridades de José Sócrates para o seu segundo mandato são o casamento gay e a avaliação dos professores. Se Tocqueville tinha razão, em democracia cada povo tem o Governo que merece e é isso mesmo o que nos está a acontecer: uma merecida punição sob a forma de uma pura perda de tempo.

"Do elenco governamental - não obstante a continuação de duas presenças reconfortantes, Luís Amado e Teixeira dos Santos e de uma novidade prometedora, Isabel Alçada - e do que se disse (e não se disse) na tomada de posse podemos supor que este é um Governo para sobreviver quatro anos, de fininho e sem turbulências: saíram os que incomodavam, ficou o núcleo-duro político, meteram-se na gaveta as medidas reformistas, tirou-se do bolso a capacidade negocial. A pressão do BE vai obrigar o Governo a tomar a dianteira na agenda fracturante que servirá como manobra de diversão, a União Europeia remete oportunamente para 2011 a disciplina orçamental, e a perda da maioria absoluta passa, não se sabe como, de uma derrota de Sócrates e do PS para um álibi permanente, a agitar sempre e quando este Governo minoritário se sentir contrariado.

"Entretanto, já todos se esqueceram como o anterior Governo de maioria absoluta escapou à risca a uma avaliação rigorosa, graças a uma crise de costas largas que ocultou um número significativo de medidas meias feitas ou meias por fazer. Basta lembrar o famoso Plano Anticrise tão bem vendido a um país assustado, que não só foi executado em apenas 42%, como mereceu um relatório da Comunidade Europeia que concluía pela pouca eficácia das medidas. Uma prioridade reconhecida por todos, mas mal conduzida pelo Governo, que apesar da urgência das circunstâncias não alcançou os objectivos nem conseguiu reduzir danos. Não foi um bom Governo e não vai ser um bom Governo só que, agora, vão convencer-nos que é por falta de estabilidade.

"As três prioridades que o primeiro-ministro enunciou no discurso de posse são três lugares comuns, vagos no conteúdo e infelizes na forma. Mas confirmam a viragem à esquerda de Sócrates, uma concessão pré-eleitoral ao seu partido e aos partidos à esquerda deste: em qualquer uma delas, o que se sublinha é o reforço do papel do Estado - no combate à crise e ao desemprego, na modernização da economia e da sociedade ou na justiça social. Três chavões despidos de qualquer sabedoria e imaginação, como se fosse possível alcançar qualquer um dos objectivos sem uma forte convocatória dos cidadãos, das famílias, das empresas, dos corpos intermédios, do terceiro sector, enfim, de tudo o que possa ainda estar vivo para além e apesar deste Estado tutelar. As consequências não serão de somenos se a receita da nossa salvação passar por mais Estado e já não por melhor Estado.

"A ideia mais absurda é a de caber agora ao Estado a função de modernizar a sociedade. Este nosso Estado arcaico, que apenas se agitou com uma meia reforma… Semântica de mau augúrio, em que uma fina camada de verniz, um pequeno polimento, consegue escamotear o valor do desenvolvimento humano num mar de tecnologias sem ideias. É a nossa sina, esta pesada circunstância de nos termos tão só modernizado quando nos devíamos ter desenvolvido. E silêncio de pior augúrio é o que se abate sobre a Justiça.

"Será que, de lume brando a banho-maria, Portugal se prepara para perder mais quatro anos? Provavelmente, o que merecemos."

in Diário de Notícias, 29.X.2009

quarta-feira, 28 de Outubro de 2009

Para os indecisos...

Não me parece que alguns escritores, alguns mesmo prémio Nobel, se tenham dado ao trabalho de fazer este teste para determinar a religião que deviam seguir. Porque me parece que alguns deveriam ser cientologistas e não ateus.
E não por serem ricos...


terça-feira, 27 de Outubro de 2009

Campanha de Recolha de Alimentos


Banco Alimentar Contra a Fome
Braga



28 e 29 de Novembro

A próxima Campanha de Recolha de Alimentos em supermercados e superfícies comerciais realiza-se nos dias 28 e 29 de Novembro de 2009.

Se quiser ser Voluntário inscreva-se aqui.

Outros contactos:
Telefones: 253 679 305, 963847988
E-mail: ba.braga@bancoalimentar.pt
Morada: Praça da Faculdade de Filosofia, 16 - r/c - 4710-297 Braga
Armazém: Rua da Confeiteira, 6-Palmeira 4700-755 Braga



AJUDE. COLABORE. SEJA VOLUNTÁRIO. DIVULGUE.

segunda-feira, 26 de Outubro de 2009

Agora um post "mete nojo"


BEEN-FIIII-CAAA
 BEEN-FIIII-CAAA
 








A reter da tomada de posse do XVIII Governo Constitucional



Reportagem: Revista "A Sombra da Rua"

Repórter de imagem: Ricardo Oliveira (GPM)
Jornalista: Soutinho
Tiragem: Imensa




A tomada de posse do XVIII Governo constitucional, hoje no Palácio da Ajuda, decorreu sem incidentes e com discursos marcados por factores de esperança, para quem ainda a tem.
Mas a reter desta tomada de posse está principalmente a mensagem
transmitida pela indumentária de cada um dos ministros, essa sim,
reveladora do verdadeiro programa de governo para lá das palavras ditas.

Da "toilette" da ministra Ana Jorge, sobressai o branco e preto, reflexo talvez da imagem que os portugueses têm hoje da saúde em Portugal e que a ministra tarda em mudar. Branco, preto e cinzento...

Dulce Pássaro, por seu lado, apresentou-se com uma imagem graciosa, onde os padrões e cores vivas e quentes são visíveis. Qual pássaro, qual quê, viva lá o canário.

Com um fato saia-casaco, casaco em padrão xadrez brancos e pretos e saia preta, a ministra diz-nos que a solidariedade está negra e, o trabalho provavelmente no "xadrez".


Por seu lado, o primeiro ministro faz jus ao prémio "Sexy Platina Correio da Manhã" e a sua imagem transmite aquilo que já nos habituou, pelo que dali...

O próximo numero da "A Sombra da Rua" mostrará o governo e os seus ministros à imagem dos carros que os conduzem.
Trazemos assim, em cada numero, a informação isenta e objectiva. Com rigor. A informação que o país anseava.

Agradecemos a sua fidelidade, caro leitor (não se sabe bem porquê!?) e, prometemos confundi-lo muito mais do que qualquer governo constitucional desta nação.

Fontes: Site oficial do Governo

"O Governo menor"

"Estava nos livros. E nas estrelas, não necessariamente nas de bom agoiro. O Governo será minoritário. O PS, seu único responsável, sempre sonhou com este dispositivo. É verdade que prefere ser maioritário, mas, desta maneira, pode oscilar e tentar demonstrar que é a "charneira" do sistema.

"Os socialistas sempre encararam com enorme dificuldade a hipótese de um governo de coligação (ou de apoio parlamentar) com o PCP. Há quase 40 anos que esta exclusão vigora com força de lei. Com duas consequências. A primeira: é uma espécie de seguro de vida da direita. A segunda: ajuda a reforçar o papel central do PS. Esta foi uma das razões que levaram o PS a forjar uma Constituição e uma tradição favoráveis aos governos minoritários.

"Têm igualmente dificuldade em encarar uma aliança com o Bloco de Esquerda. Para as presidenciais, talvez, mas isso é sem consequências. Para o Governo, nem pensar. Na verdade, com as suas "causas" culturais, jovens e fracturantes, o Bloco exerce uma enorme atracção junto dos socialistas. A ponto de provocar estragos consideráveis nas suas bases militantes e no seu eleitorado. No Governo, o Bloco destruiria o PS em pouco tempo.

"Mas as suas relações com os partidos à direita tiveram também influência. A análise tradicional, no PS, diz que a "maioria sociológica do país é de esquerda". Esta lei, apesar de ter sido negada várias vezes, ainda é fonte de inspiração para o partido. Sendo assim, importava garantir que os socialistas, sozinhos, sem o PCP, não tivessem a necessidade de estabelecer coligações com o PSD ou o PP. Historicamente, já houve essas alianças. Feitas, ironicamente, por alguém que é actualmente defensor do Governo minoritário: Mário Soares. Mas este excepcional político sempre entendeu que, se for ele o protagonista, pode perfeitamente realizar alianças e acordos com quem entender. Fez um governo macabro com o CDS, em 1978. Fez o Bloco Central com o PSD, em 1983. Recebeu alegremente os votos do PCP em 1986. E contou com serenidade os votos do PSD em 1991. Autorizar outros a fazer o mesmo, em condições sociais e económicas ainda mais difíceis, não está no seu feitio

"As entrevistas que Sócrates concedeu aos partidos, a semana passada, foram um ponto alto de hipocrisia. Sócrates pediu o que não queria, convidou todos para o Governo. Os partidos não perceberam a armadilha e responderam negativamente. Quando todos deveriam ter dito que estavam prontos. Em condições a negociar, pois claro. Mas não. Elevaram a sua covardia ao estatuto de dignidade. Vão agora ouvir, meses a fio, o primeiro-ministro recordar-lhes que foram convidados e recusaram. Este jogo da cabra-cega foi considerado um golpe de génio de estratégia política. A esperteza rafeira é a última palavra da inteligência política.

"Como se vão passar os próximos meses? O Governo minoritário vai dedicar-se a uma das actividades preferidas dos políticos do nosso país: negociar à esquerda e à direita. Com o PSD, vai provavelmente rever os mecanismos de avaliação dos professores. Com o PP, vai privatizar uma ou duas empresas do sector público e aumentar as pensões. Com o BE, prepara-se para nacionalizar um sector económico ou uma empresa, assim como aprovar diplomas extravagantes sobre casamentos, adopção e sexualidade. Com o PCP, propõe-se reforçar os mecanismos estatais do Serviço Nacional de Saúde e aumentar os impostos sobre os lucros das empresas e as mais-valias. Depois, com o PSD e o PP, interessar-se-á de novo pela reforma da legislação laboral. Mas, com o BE e o PCP, olhará para as leis da eutanásia e do suicídio assistido. De permeio, voltará a ocupar-se das grandes obras e dos grandes empreendimentos, já não com os partidos de oposição, mas com os construtores e os banqueiros do regime. Não há, evidentemente, qualquer sentido nisto. Mas as perspectivas são exactamente estas.

"A Constituição e as leis eleitorais estão de tal modo feitas que este é o resultado inevitável. Quando a grande maioria dos países da Europa se rege por mecanismos legais ou por tradições que forçam ao entendimento parlamentar, a uma relativa estabilidade de governo e a uma acção responsável no sentido de assegurar maiorias de governo e de legislatura, em Portugal é exactamente o contrário. Os juristas de Coimbra e de Lisboa, finos engenheiros de minas e armadilhas e reputados florentinos da instabilidade, aprimoraram esforços para conseguir governos de minoria e para evitar o esforço conjugado de vários partidos. Joga-se com a abstenção no Parlamento, como se esta fosse um voto positivo. Procuram-se os mecanismos perversos da "moção de censura construtiva", uma maléfica e perversa invenção, a fim de perpetuar os governos minoritários.

"Sabe-se o que nos espera. Um ou dois anos particularmente difíceis, com desemprego crescente, mais endividamento e cada vez maior défice da balança comercial e de pagamentos. Um défice público a atingir níveis inéditos nos tempos recentes. Dificuldades na obtenção de investimento privado, nacional ou estrangeiro. O crédito externo será muito mais difícil e caro, pois os governos minoritários, tão apreciados pelos políticos indígenas, não constituem bom cartão de visita para os nossos credores. O clima será desfavorável à reforma da administração pública, apesar dos novos aumentos que se anunciarão em breve. Serão grandes os obstáculos à alteração do fanatismo dogmático nas escolas e nos serviços de saúde. E a Justiça, cujo melhoramento exige um sério e consistente esforço nacional, continuará a vegetar. A aprovação do Tratado de Lisboa, iminente, dará uns dias de euforia, insuficientes todavia para esbater a crise europeia.

"Tudo isto recomendaria a formação de um governo de programa e coligação ou aliança. A evidência impunha ao Presidente da República o dever político e moral de fazer quanto podia para obter esse governo. A necessidade de estabilidade e de maioria parlamentar é tal que os partidos, alguns partidos, deveriam mostrar-se receptivos a negociações imediatas e a concessões suficientes para a criação de um governo maioritário. Mas parece que nada disso tem qualquer espécie de importância ou eficácia. Fazer um sacrifício político, abdicar temporariamente de ideias ou de nomeações dos amigos, em nome do interesse público, não faz parte da nossa "cultura" política. Renunciar, em nome das necessidades do país, ao bairrismo tribal e marialva do seu partido é considerado crime maior. Esperar pelo desastre dos outros, e do país, para poder recolher louros, é considerado fino raciocínio estratégico. Trabalhar pela derrota dos seus próprios correligionários, a fim de estar "a jeito" para as eleições que se seguem, é estimado como se talento político fosse.

"O preço a pagar por um governo minoritário, instável e de coligações "pontuais" à esquerda e à direita, é enorme. O Governo menor terá efeitos na instabilidade social, na impossibilidade de realizar reformas, no investimento e no saneamento das finanças públicas. O pequeno Governo pagará muito mais caro pelas suas dívidas externas. Esse Governo deverá recorrer à demagogia ainda com mais frequência e apetite. Os ministros terão à sua disposição recursos ilimitados "até às próximas eleições", até à oportunidade de conseguir uma maioria absoluta. Essa é a miragem que faz correr Sócrates e os seus amigos.

"Mas as oposições não se eximem de culpas e responsabilidades. Conscientes das dificuldades nacionais, certos de que o Governo minoritário não aguentará e seguros de que, desta vez, não haverá um período de ouro como em 1985/87, têm a certeza de que este Governo minoritário não transformará as suas insuficiências em vantagens para obter a maioria. Pelo contrário: estão seguros de que chegará a vez deles, depois do desastre.

"Os partidos políticos, como nunca desde 1974, estão a milhas da gravidade dos problemas nacionais. Eventualmente, nem sequer os percebem. Não partilham com os cidadãos as suas inquietações, se as têm. Preferem esta estratégia de terra queimada e de campos devastados, na esperança de que os cemitérios sejam férteis. Dispostos a exigir todos os sacrifícios da população, são incapazes de fazer os seus, de renunciar ao seu orgulho ou de moderar o seu apetite predador. Anunciam-se maus tempos para este pobre país."

António Barreto
in Público, 24.10.2009

sábado, 24 de Outubro de 2009

510.356

No final de Setembro, encontravam-se inscritos nos Centros de Emprego 510.356 desempregados, ou seja, mais 115.113 indivíduos do que há um ano atrás.
Comparativamente com o mês de Agosto, o aumento foi de 1,7 por cento, o que representa mais 8.693 indivíduos inscritos.
Para o aumento homólogo do número de desempregados inscritos, tendência que se mantém desde Outubro de 2008, contribuíram principalmente as subidas do desemprego entre os homens (mais 46,2 por cento).

sexta-feira, 23 de Outubro de 2009

Deus é um filho...





Mais do que uma opinião, mais do que uma aversão, mais do que ateísmo, toda esta encenação é um excelente golpe publicitário. Saramago não engana apesar dos seus 86 anos. Aqui fica também a minha contribuição.

No entanto, ocorre-me dizer «se o homem foi criado à imagem de Deus, então Saramago também é um filho...».

Até já camarada!

Fonte: Correio da Manhã

Do ataque para a defesa...




no comment!

Poesia





Nascido Tarde de Ana Maria Costa

31 de Outubro - 21h30
Armazém do Caffé

quinta-feira, 22 de Outubro de 2009

As crianças e os pais

Santa Sé na ONU: leis sobre crianças devem levar em conta os pais
Pedido para que a Convenção sobre os Direitos da Criança inclua os não nascidos

NOVA YORK, quarta-feira, 21 de outubro de 2009 (ZENIT.org).- A delegação da Santa Sé na 64ª Assembleia Geral das Nações Unidas reafirmou a importância da família na salvaguarda dos direitos das crianças.

“Minha delegação não poderá nunca mostrar suficientemente a importância da família na vida de toda criança e que a legislação relativa às crianças deve tomar em consideração a função indispensável dos pais”, afirmou o observador permanente da Santa Sé na ONU, o arcebispo Celestino Migliore, em 15 de outubro.

Ante a Terceira Comissão da 64ª Assembleia Geral da ONU, sobre a promoção e a tutela dos direitos das crianças, Dom Migliore lamentou a difundida pretensão de deixar à margem os progenitores.

“Às vezes, nas decisões sobre a promoção e sobre a tutela dos direitos da criança, existe a tendência de falar em termos de relação entre a criança e o Estado, minimizando a função dos pais”, denunciou.

Este ano, a Assembleia Geral prossegue suas considerações sobre o direito das crianças a expressar suas opiniões livremente sobre as questões que lhes afetam e a importância de escutá-las seriamente.

Para a Santa Sé, “ao considerar a realização concreta da participação da criança, é necessário recordar sempre, como afirma a Convenção [sobre os direitos da Criança], que os Estados membro estão chamados a ‘respeitar a responsabilidade, o direito e o dever dos pais... de proporcionar ao filho, de maneira correspondente ao desenvolvimento de suas capacidades, a orientação e os conselhos adequados ao exercício dos direitos que lhe são reconhecidos na presente Convenção”.

A Santa Sé aplaude o crescente consenso internacional sobre a necessidade e a maneira de proteger todas as crianças, expressado nas ratificações e adesões de numerosos países à Convenção sobre os Direitos da Criança.

Contudo, seu observador permanente na ONU, Dom Migliore destacou a necessidade de defender também os direitos das crianças não nascidas.

A delegação da Santa Sé “alenta todos os Estados que não o fizeram ainda a associar-se à promoção da tutela legal das crianças ratificando e aderindo à Convenção e aos Protocolos e exorta a uma correta atualização destes instrumentos legais, que implica o respeito pelo inato direito à vida de todas crianças”, afirmou.

Em seu discurso, Dom Migliore destacou que “a mortalidade global das crianças menores de cinco anos foi diminuindo constantemente nas últimas duas décadas”.
Indicou que “mais de 300 mil instituições educativas, assistenciais, e sociais da Igreja Católica trabalham cada dia para garantir às crianças uma educação ou para assegurar a reinserção das crianças vítimas de abusos e descuidos, em suas próprias famílias se é possível e na sociedade”.

“Todas as crianças merecem crescer num ambiente estável e estão em sintonia com sua dignidade”, declarou.

Contudo, acrescentou, as estatísticas nos dizem também que na última década mais de dois milhões de crianças morreram no transcurso de conflitos armados, seis milhões ficaram deficientes, dezenas de milhares foram mutiladas por minas terrestres e mais de 300 mil foram recrutadas como crianças soldado.

“Para eliminar a violência contra as crianças, é necessário que o Estado e a sociedade apoiem a família e lhe permitam desenvolver sua própria responsabilidade”, assegurou o representante da Santa Sé.

E advertiu: “os governos devem assumir sua função justa para proteger e promover a vida familiar porque esta última tem vínculos evidentes e vitais com a sociedade”.

quarta-feira, 21 de Outubro de 2009

Agora algo totalmente diferente

Ontem fui abordado por uma amiga que se está a iniciar nestas lides da blogosfera, estando a desenvolver uma curiosidade relativamente a este canal de (contra)informação e comunicação interpessoal. No entanto, ela exteriorizou, de uma forma simpática, que os blogues (referindo-se aos que tem lido) gravitam quase sempre em torno do mesmo assunto: política. E eu perguntei-lhe que outros assuntos gostava de ver abordados - mas na expectativa que ela não me falasse de temas relacionado com matemática. Ela respondeu: “ Não sei… Coisas diferentes.” Dando o exemplo do polícia que causou um engarrafamento na R. D. Pedro V por que se lembrou de contar o número de passageiro de um autocarro.


Eu, para lhe fazer prova que na Rua do Souto “transitam” todo o tipo de assuntos, e que não “engarrafamos” sempre os mesmos conteúdos, propus-me escrevinhar um post que não falasse de política, mas, com a contrapartida de que ela escrevesse um comentário. Por isso comecei a escrever esta coisa esquiva, já que estava diante o embaraço da “folha em branco”. Mas eis que me lembro de um tema que tem sido ostracizado e que tenho especial apreço: Efélides, vulgarmente apelidadas de sardas.


Para determinadas pessoas as sardas são sinónimo de graça, charme, encanto… Já para outras, as mais vaidosas e possuidoras das mesmas, são um tormento, um desânimo, um incómodo.


As sardas são um dos elementos de graciosidade, são um detalhe de beleza, são um traço característico da individualidade fisionómica. Por estes motivos, e por muitos outros, minhas Senhoras, deixem estar a bela da sarda. Não nos privem de apreciar essa pigmentação distintiva da beleza feminina.


Salvem a sarda!


ps: aqui tens um post diferente :)


segunda-feira, 19 de Outubro de 2009

Ricardo Rio assume vereação.

«Por todas estas ordens de razões, em coerência com os princípios que sempre defendemos e com os valores por que sempre regemos a nossa conduta, só poderíamos tomar uma atitude.

Iremos assumir o lugar de Vereadores para que fomos eleitos e conduzir o trabalho de oposição com redobrada energia, como impõem as actuais circunstâncias e como foi reforçado pelo claro mandato que nos foi conferido por mais de 41.000 Bracarenses.»
Ricardo Rio

ler tudo: aqui

Vamos Limpar Portugal


Vamos Limpar Portugal




Colabore. Inscreva-se. Divulgue. 
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Matrimónio natural, património mundial

"O casamento é, na actualidade, objecto de discussão nos fóruns políticos, onde se reclama, em nome da liberdade, o direito ao que alguns entendem como novas formas de matrimónio. Para os que defendem tal equiparação, o casamento monogâmico, ordenado à procriação e educação dos filhos, seria apenas um modelo de matrimónio, sendo de admitir outros, nomeadamente o que institucionalizaria a união afectiva entre duas pessoas do mesmo sexo, mesmo que, por este motivo, ficasse excluída a priori a eventualidade da geração.

"É razoável que o matrimónio conheça, no ordenamento jurídico positivo, outros contornos que não os da família tradicional, mas importa não esquecer que, em termos conceptuais, o casamento é, de per si, uma instituição que obedece necessariamente a certos requisitos essenciais. O matrimónio tradicional corresponde a um modelo histórico de casamento e, como tal, é discutível, mas há certamente alguma coisa que caracteriza a união esponsal e a distingue de todas as outras uniões. É essa essência da união matrimonial que se pode designar, com propriedade, o casamento natural. É portanto necessário identificar o que é essencial no casamento, por ser natural, e o que no seu regime jurídico é acidental, por ser meramente histórico ou circunstancial.

"Mesmo os sistemas legais mais modernos não outorgam o estatuto de união matrimonial às relações existentes entre parentes próximos – como seria o caso de irmãos, pais e filhos, avós e netos, etc. – não porque ignorem que entre essas pessoas possa existir um autêntico amor, mas porque entendem que esse sentimento não é susceptível de constituir um verdadeiro casamento. É também pacífico admitir que uma união poligâmica ou poliândrica é inaceitável, não por razões de ordem ideológica ou confessional, mas porque uma tal associação é contrária à essência do matrimónio natural. Uma razão análoga é a que obriga à disparidade de sexos entre os nubentes, não por uma questão religiosa ou cultural, mas por uma exigência natural que decorre, com necessidade, da própria essência do pacto nupcial e que, por isso, não é reformável. Com efeito, o matrimónio natural é a união de um só homem com uma só mulher, em igualdade de dignidade e diversidade de funções.

"A diferenciação sexual exige-se em função da complementaridade que é essencial ao casamento, mas também da sua fecundidade, porque o matrimónio não é dissociável da finalidade procriativa, apenas realizável quando a união se estabelece entre pessoas de diferente sexo. O casamento, mais do que amor ou união, é o pacto em virtude do qual a mulher se capacita para ser mãe, isto é «mater», a palavra latina que, muito significativamente, é a raiz etimológica do termo «matrimónio».

"Os gregos e os romanos, que conheciam e toleravam as uniões de facto entre pessoas do mesmo sexo, nunca tiveram a veleidade de lhes reconhecer o estatuto jurídico do casamento: seria absurdo considerar matrimonial a união homossexual, na medida em que esta, por se estabelecer entre pessoas do mesmo sexo, não é apta para a geração. Portanto, a aptidão da união matrimonial para a prole não decorre de uma histórica intromissão religiosa ou cultural, mas da mesma essência natural do matrimónio. Seria aberrante, não só juridicamente mas também em termos lógicos, considerar que dois homens possam constituir um matrimónio. Aliás, também na linguagem popular, um casal não são dois machos ou duas fêmeas, mas um de cada, precisamente porque só essa união é prolífica.

"Admitir um direito subjectivo universal ao matrimónio é um contra-senso: se é verdade que todos os cidadãos têm, em princípio, direito a optar pelo estado matrimonial, é evidente que o exercício dessa sua faculdade só é pertinente quando observam os requisitos essenciais do matrimónio. Qualquer pessoa é livre de comprar ou de doar, mas não pode pretender comprar sem se obrigar à entrega do preço do bem adquirido, nem querer doar a troco de uma compensação pecuniária, porque qualquer uma destas exigências contraria a essência do respectivo contrato, na medida em que a compra pressupõe sempre uma contra-prestação e a doação é, por definição, gratuita.

"Discuta-se, se se quiser, o que há de histórico e cultural e até religioso na configuração jurídica da instituição civil do matrimónio, mas não se esqueça o que neste instituto é essencial, por ser natural. Admita-se, no limite, a institucionalização de uma sui generis união de pessoas do mesmo sexo, mas não à custa da perversão da instituição matrimonial.

"O casamento cristão é, talvez, uma modalidade discutível, nomeadamente numa sociedade que já não se pauta pelos princípios evangélicos e, pelo contrário, faz questão em se afirmar laica e multicultural. O casamento tradicional é certamente um modelo respeitável, mas é legítimo que uma sociedade pós-moderna não se reveja em figurinos de outras eras. Mas o casamento natural não é mais um tipo de união matrimonial, mas a essência de todo e qualquer casamento e, por isso, um bem universal que, como a natureza ambiental, faz parte do património da humanidade."

Gonçalo Portocarrero de Almada, in PÚBLICO, 13.10.2009

domingo, 18 de Outubro de 2009

Vamos limpar a floresta portuguesa num só dia - 20-03-2010



Vamos limpar a floresta portuguesa num só dia

Dia 20 de Março de 2010




VAMOS OLHAR POR NÓS
OLHANDO PELO NOSSO PAÍS.





Vamos Limpar Portugal

Vamos limpar a floresta portuguesa num só dia - 20-03-2010
http://limparportugal.ning.com/



sexta-feira, 16 de Outubro de 2009

Moderado... eu?!

Depois de uma conversa com amigos meus; depois de ouvidos os argumentos de uns e outros; depois de reflectir; cheguei à conclusão de que era benéfico para todos que... bem... que me moderasse.
Que guardasse os cães, que aguentasse os cavalos, que tomasse um "Xanax" (onde é que já ouvi isto)...

Mas prometi está é prometido.

MAS ESTE EM BAIXO, SOU EU A TENTAR CUMPRIR A PROMESSA!!!!

quinta-feira, 15 de Outubro de 2009

Provedor do leitor - Miguel Brito e o triste fim do Aníbal Duarte Corrécio

Anónimo disse:

" (..) Ou acham mesmo que o MPT teria mais que os 260 votos que teve na legislativas, se não fosse o Miguel Brito?
Aliás, há uma pergunta a que não se pode responder porque não existe no mundo real, mas suponhamos que o MB era militante do PSD, alguém duvida que limparia a Câmara e o que mais houvesse!?"


Caro Anónimo:

Estou plenamente convencido de que tem toda a razão. E mais. A esta hora o Aníbal, com aquela cegueira laranja que o caracterizava, "would be alive... and kicking..."

O DIA DEPOIS DE AMANHÃ




Após as eleições autárquicas e os resultados que se verificaram, bem como o tradicional período de "nojo" onde os comentários e análises são mais efusivas, não posso deixar de retratar aqui um aspecto que me parece muito importante em todo este processo. Tenho ouvido e lido muitos comentários do género "ai o povo é burro", "não percebo porque é que o povo vota sempre no mesquita", na própria noite das eleições ouvi do comentador na RUM do PSD que o Mesquita nas áreas rurais ganhava porque as pessoas eram menos informadas... enfim... uma série de considerações que me parecem ser desde logo o motivo pelo qual o Mesquita Machado ganha sempre nas freguesias do segundo e terceiro anel. Eleição após eleição há pessoas com responsabilidades na oposição que acham que o povo é burro, mas não pensam porque é que existe uma barreira quase que intransponível entre as candidaturas da oposição e esses eleitores. A auto-crítica fica bem e é construtiva... e ainda não vi nenhum elemento da coligação a faze-la. Eu já fiz a minha logo na noite eleitoral, porque fiz oposição até agora e ele ganhou sempre... disse e volto a afirmar, toda a oposição deve fazer uma introspecção e análise cuidada de tudo o que se passou nos últimos anos para perceber qual o défice, nem que seja comunicacional, com essas freguesias e esse eleitorado inatingível até hoje. Há que ultrapassar barreiras e não contorna-las... Com um pouco de humildade e menos arrogância como têm demonstrado nestes dias que se seguiram, possam começar a caminhar no sentido correcto... finalmente!

“Obama deve recordar que existe uma guerra contra a vida”

Jornal "L’Osservatore Romano" mostra algumas reservas ante a concessão do Nobel

CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 14 de outubro de 2009 (ZENIT.org).- Ao receber o Prêmio Nobel da Paz 2009, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, deveria recordar não apenas das guerras no Iraque e no Afeganistão, mas também da guerra que está sendo dirigida contra os não-nascidos, segundo um artigo do L’Osservatore Romano.

O jornal oficioso vaticano publicou um artigo em sua edição do domingo passado, em resposta à concessão do prêmio da paz a Obama.

O Comitê norueguês do Nobel anunciou a notícia na sexta-feira, afirmando que se reconheciam assim “os extraordinários esforços do presidente para reforçar a diplomacia internacional e a colaboração entre os povos. O Comitê outorgou especial importância à visão e o trabalho de Obama em favor de um mundo sem armamento nuclear”.

O artigo de L’Osservatore, firmado por Lucetta Scaraffia, chama o presidente a reconhecer que “a guerra mais longa, e com o maior número de ‘quedas’, é a prática do aborto, legalizado e facilitado pelas estruturas internacionais”.

Pede também ao presidente que recorde das palavras da ganhadora do Prêmio Nobel da Paz de 1979, Madre Teresa de Calcutá, que chamou o aborto de “o grande destruidor da paz hoje, [...] porque é uma guerra direta, uma matança direta – um assassinato direto por parte da própria mãe”.

O jornal observou que o Nobel de Obama “suscitou um pouco de surpresa em todo o mundo, em primeiro lugar ao próprio presidente dos Estados Unidos”. Era a primeira vez, desde que Woodrow foi premiado em 1919, que um presidente norte-americano recebe o prêmio estando na ativa.

O artigo afirma que a concessão do prêmio a Obama enquanto está no cargo o converte em “uma forma de pressão para inclinar Obama para decisões pacíficas enquanto durar seu mandato”.

“Em base às decisões tomadas até a data, é difícil descrever o presidente como um pacifista convicto”, afirma L’Osservatore.

O diário observa que as políticas de Obama no “Iraque e Afeganistão parecem estar a meio caminho entre a fidelidade aos princípios pacifistas proclamados durante a campanha eleitoral e uma política mais realista, que alguns já descreveram como uma continuação da ‘belicista’ de Bush”.

“Trata-se de uma política oscilante, muito similar à que o presidente americano está levando a cabo em importantes questões bioéticas, sobretudo em relação com o aborto, que suscitou tanta controvérsia entre os católicos norte-americanos”, acrescenta.

Questões

L’Osservatore Romano também põe em questão o processo de eleição de quem será premiado à paz, observando que o Papa João Paulo II foi ignorado em duas ocasiões, em 1999 e 2003.

O Comitê do Nobel elegeu Médicos sem Fronteiras em 1999, e o advogado e ativista pelos direitos humanos iraniano Shirin Ebadi em 2003.

O pontífice havia sido “considerado um grande favorito em 2003, após sua condenação da guerra do Iraque”, afirma L’Osservatore. “Esse ano, muitas iniciativas e o favor de uma grande parte do mundo pareciam fazer-lhe o destinatário do prêmio. Foi considerado como o favorito, inclusive entre os apostadores”.

O Papa João Paulo II “foi considerado pelos membros do júri como conservador demais em outras áreas, e se temia que, premiando com ele a Igreja Católica, poder-se-ia favorecer uma importante confissão religiosa em detrimento das demais”.

“Esses medos”, observa o jornal vaticano, “foram superados no caso, muito mais controverso, do prêmio a Obama”.

“Uma vez mais, portanto, o Prêmio Nobel da Paz suscitou perguntas e críticas, dado que os critérios para a designação com frequência parecem influenciados pelo pensamento politicamente correto”, acrescenta L’Osservatore.

Em todo caso, “como já manifestou o diretor de imprensa da Santa Sé – conclui o artigo –, não podemos senão estar contentes de ver reconhecidos no presidente Obama o esforço pelo desarmamento nuclear e a propensão pessoal a uma política mais pacífica que a afirmar o poder americano no mundo”.

quarta-feira, 14 de Outubro de 2009

Mais uma reflexão

"As leituras múltiplas que se fizerem dos resultados das autárquicas não deixarão também de acentuar a tentação de discutir a arquitectura geral do regime, em tempos de nova revisão constitucional. É que a crise económica e social, o crescente desordenadamento territorial, o despovoamento urbano e a ruína dos centros históricos colocam hoje o poder autárquico perante desafios a que, nas condições actuais, está cada vez mais longe de conseguir responder. Um mal nunca vem só. Ou, se quisermos ver o caso pela positiva, é no fio da navalha que seremos obrigados a enfrentar a urgência das mudanças do regime."

Vicente Jorge Silva, in Sol (9.X.2009)

terça-feira, 13 de Outubro de 2009

E o MPT, existe ou não existe?

Acho que a reacção do pessoal do MPT aos resultados das últimas eleições é mais ou menos unânime: o resultado foi uma merda. Sem subterfúgios, sem colocar culpas a terceiros e sem que alguém amue com isso.

Por outro lado, todos parecem concordar que para o futuro se colocam duas questões essenciais:

Primeira: Uma candidatura que transforma 30 votos em 710 votos em quatro meses conseguirá transformar 710 votos em 7000 no espaço de quatro anos?

Segunda: com 710 votos (890 para a Assembleia Municipal), a candidatura do MPT existe ou não existe?

A resposta a estas duas questões já não é tão unânime: à primeira pergunta todos respondem que em tese é, obviamente, possível, embora alguns entendam que tudo dependerá da conjuntura em 2013; já no que toca à segunda questão, a resposta é: depende do ponto de vista.

Passo a explicar: com 710 votos conquistados nas urnas, poderá dizer-se, em 2009, que o MPT não existe. Mas, tendo em conta que o PPM só se candidatou sozinho à CMB em 1976 e teve, na altura, 501 votos, nunca se sabe se, na pior das hipóteses, daqui a 4 ou até, sei lá, 30 anos, a candidatura do MPT não tem 3 ou 4 deputados municipais caídos do céu. Afinal, se há lição a tirar destas eleições é a de que o que hoje não existe amanhã pode existir, e vice-versa...

Os dramas dos nossos dias

Deixo aqui um texto duro, à consideração:

"Assassinas!!!!"

"1. Em passo lento e esforçado, como quem sucumbe sob um peso esmagador, rosto anuviado, olhar sombrio e feições crispadas, arrastava-se cambaleante pela rua abaixo. Duas senhoras compadecidas aproximaram-se pressurosas para a confortar. Ao vê-las desatou num pranto convulsivo arrimando-se àquela consolação. Experimentadas no trato com as infelizes escutam-na, abraçam-na, envolvem-na em carinhos, dizem-lhe esperanças. Subitamente, rompem histéricas duas funcionárias do “abortadouro dos Arcos”, lugar onde aquela mãe dolorosa tinha abortado seu filho, investindo furiosamente em altos gritos: Assassinas!!!!!, assassinas!!!!, assassinas!!!!

"O alvoroço e a confusão foram enormes. Houve testemunhas. As injuriadas atordoadas paralisaram de espanto. A mãe grávida ficou pasmada e incrédula. A custo, as matadoras de bebés nascituros que acusavam de assassinato as consoladoras da mãe desconsolada pela perda e cumplicidade na morte do filho lá se retiraram para o seu covil de feras.

"Se alguém cuida que este episódio é invenção de uma mente delirante desengane-se, sucedeu há poucos meses e está registado na esquadra da polícia da Praça da Alegria.

"2. Os católicos inchados do “caridosamente correcto” encolherão os ombros desculpabilizando com uma compreensão infinita o comportamento e o impropério das funcionárias. Se pelo contrário tivessem sido as consolativas senhoras a acusar, descrevendo rigorosamente o que tinha acontecido, as funcionárias de assassinato logo esses fiéis “caridosamente correctos” se levantariam indignados com a falta de caridade daquela gente que ali tem salvado crianças nascituras e confortado mães desvairadas pelo crime que cometeram. Naturalmente os jornais, as televisões e as estações emissoras,(...) noticiariam o acontecimento, repetindo até à exaustão, as “injúrias” caluniosas dos fundamentalistas religiosos, abortofóbicos, radicais conservadores, extremistas terroristas, etc.

"3. Se matar crianças nascituras é muito grave, se legalizar esse extermínio ainda o é mais, pior é ainda dar como assassinos os que as salvam e como benfeitores os que as eliminam. Por este caminho não tardará a perseguição policial aos amantes da vida."


Nuno Serras Pereira

Desafio Rua do Souto: reflexão sobre mais uma vitória de Mesquita

Sempre que há eleições autárquicas, a seguir à vitória de Mesquita Machado aparece, invariavelmente, uma teoria imbecil segundo a qual os bracarenses são acéfalos. Em bom português, burros.

Ora, o que eu proponho para o dia de hoje é uma reflexão completamente diferente e bastante menos estúpida.

É, aliás, a reflexão mais dolorosa para quem está na oposição. Mas também pode ser a mais fértil: o que é que Mesquita fez de bom ao longo dos anos para merecer, pela décima vez, a confiança dos bracarenses? Quais as virtudes e os méritos do mesquitismo?

Aceitam-se sugestões na caixa de comentários.

"O dinheiro não é o suficiente"

«Dai esmola do que possuís, e para vós tudo ficará limpo»
Lc 11, 41



"É preciso que não se satisfaçam com dar dinheiro; o dinheiro não é o suficiente, porque pode encontrar-se. É das nossas mãos que os pobres precisam para serem servidos, é dos nossos corações que eles precisam para serem amados. A religião de Cristo é o amor, o contágio do amor.

"Os que podem oferecer-se uma vida fácil têm sem dúvida as suas razões. Podem tê-la obtido pelo seu trabalho; só me encolerizo em face do desperdício, em face dos que deitam para o lixo o que poderia ser-nos útil. A dificuldade é que muitas vezes os ricos, ou mesmo as pessoas abastadas, não sabem verdadeiramente o que são os pobres; é por isso que podemos perdoar-lhes, porque o conhecimento só pode conduzir ao amor, e o amor ao serviço. É porque eles não os conhecem que não são sensibilizados por eles.

"Tento dar aos pobres, por amor, o que os ricos podem obter com o dinheiro. É verdade, não tocaria num leproso por um milhão; mas trato dele voluntariamente por amor a Deus."

Beata Teresa de Calcutá (1910-1997), fundadora das Irmãs Missionárias da Caridade
Something Beautiful for God (a partir da trad. La Joie du don, p. 49)

segunda-feira, 12 de Outubro de 2009

Mais uma vitória de Braga - Miguel Esteves Cardoso

Mais uma vitória de Braga - Miguel Esteves Cardoso

Braga é mesmo uma cidade superior. Na semana passada escrevi sobre ela e sobre o sporting dela e nunca tive tantas reacções. Por uma só coluna recebi mais comentários e citações do que por todas as crónicas que aqui escrevi desde o primerio número da J.
Quero agradecer, sobretudo, ao magnífico site que é o superbraga.com. É um site de fanáticos do Sporting de Braga, que está em número 1 e, por conseguinte, numa posição de mandar fazer amor a concorrência. Mas não. Eles sabem que eu sou um lisboeta e benfiquista genético e incurável e que, ainda por cima, tenho uma panca severa pelo Porto e uma admiração-quase-orgulho pelo FCP.
Sabem que eu queria que o benfica ganhasse o campeonato, graças ao treinador que roubámos ao Braga. E, no entanto, tiveram a generosidade e a superioridade civilizacional de agradecer o meu elogio e de entendê-lo no espiríto em que foi feito.
Desde quando é que um benfiquista, portista ou sportinguista faria isto? Nunca. Os bracarenses são diferentes. São aristocratas. Aceitam amavelmente a admiração do povo enganado e distante.
Se calhar, são, juntamente com os alentejanos litorais, os únicos portugueses que não tratam como estrangeiros os portugueses que têm o azar de não ser de lá. Mal se chega a Braga, vem logo o abraço do "Bem-vindo ao clube!" Não é o clube de Braga. É o clube dos portugueses.
Uma pessoa diz, quase como se pedisse desculpa, que é do Benfica. Eles respondem: " Não te preocupes, que não levamos a mal. Se calhar, nasceste lá, em Lisboa? E a escolha era seres do Sporting ou do Benfica? Imagino a pressão! Fizeste bem em escolher o Benfica! E o Sporting também é um clube porreiro, apesar de queque. É pena não seres do Porto: O Porto é mesmo bom."
O Sporting de Braga vendeu o treinador genial e faz questão de ficar à frente do clube cem mil vezes mais rico que o comprou. Dirão que é uma questão de tempo. Pois sim, porque o dinheiro significa jogadores muito melhores. Mas, à partida quando mais interessa, o Sporting de Braga já ganhou este Campeonato.
As respostas no superbraga.com - no qual me registei, com o meu e-mail verdadeiro, para poder agradecer- são um exemplo para os adeptos dos outros grandes clubes do mundo. Mostram que se pode ser incondicional e fanático sem ser malcriado ou cego ou agressivo. Mostram que a superioridae genuína não é rejeitar nem desconfiar dos elogios alheios- mas agradecê-los com generosa condescendência, do género "Olha, este pobre desgraçado, preso a outro clube por razões meramente geográficas ou genéticas, ainda tem a clarividência de reconhecer que o Sporting de Braga é um grande clube e a intelegência de compreender que tal se deve a Braga ser uma grande cidade."
Como benfiquista, há muito que me magoa nesta atitude. Pensava que éramos nós os mais inclusivos. Se fosse sportinguista, também me magoaria, pensando que éramos os maiores snobs. Se fosse portista, já sabia (com o mesmo medo e respeito) que Braga e o Sporting de Braga são mesmo assim.
Superiores. Gentis. Felizes. Bem-educados. Sinceros. Como português, tiro-lhes o chapéu. E, com toda a sinceridade, rendo-me a eles.
Mais do que isto, não posso dizer. Mas já disse. Exijo que o Benfica nomeie uma equipa de investigadores que descubra (inutilmente, de certeza) o que eles têm e nós nunca teremos. Serem bracarenses. É uma das poucas coisas que não se podem fingir: ou se é ou não se é. Eles são. Nós não. Paciência.

E agora, juntos por Braga ou nem por isso? E com ou sem Ricardo?

Nos últimos quatro anos havia dois "dados adquiridos" nas bandas da Coligação "Juntos por Braga": a primeira era a de que o Ricardo Rio tinha um projecto a oito anos; a segunda era a de que não fazia sentido voltar a haver coligação em 2013 se a direita perdesse em 2009.

Ora, tendo em conta que a Coligação perdeu em 2009 e que o projecto liderado por Ricardo Rio faz oito anos em 2013, julgo que as questões do momento à direita do PS bracarense são: e agora, juntos por Braga ou nem por isso? E ainda: Com ou sem Ricardo ao leme?


Nota: é óbvio que acho que Ricardo Rio, por tudo o que fez nestes quatro anos (e foi mais do que qualquer outra pessoa nos 33 anos que antecederam), é um excelente candidato em 2013, quer pelo PSD, quer em Coligação. Não sei é se ele está para aí virado...

Mesquita tem maioria absoluta? Agradeçam ao PSD (e, por omissão, ao CDS)

Anda por aí uma tese completamente absurda, segundo a qual a Coligação perdeu as eleições em Braga por causa da esquerda. Ora, uma coligação de direita pretender fazer campanha como se a esquerda ou os partidos pequenos não existissem é a mesma coisa que querer que Braga tenha praia e mar. Até podia ser bonito, mas é impossível.

Ora, o PSD não perdeu a Câmara por causa dos pequenos partidos. Muito pelo contrário, e isto é muito importante: os pequenos partidos é que não conseguiram tirar a maioria a Mesquita por culpa do PSD, dos seus erros estratégicos e dos seus tiques hegemónicos.

A pressão do voto útil feita pelo PSD - nem falo do CDS porque o CDS não existiu, para efeitos desta campanha - sobre as candidaturas dos pequenos partidos foi responsável pelo sexto vereador do PS - essa é que é essa. Se o PSD se tem preocupado em perceber que na dicotomia Braga Rural/Braga Urbana o factor decisivo que faz pender a balança eleitoral a favor da primeira é a escassa abstenção que aí se verifica, tinha apontado para um universo eleitoral bem maior. A última semana tinha que ter sido marcada por um apelo ao voto, e não por um apelo ao voto supostamente útil. Porque útil tinha sido, por exemplo, que toda a gente que preferia o candidato da CDU tivesse votado na CDU.

Para justificar o puto chorão

Os meus sinceros parabéns... ao Dr. Ricardo Rio!

Vamos por partes. Em primeiro lugar, reconhecer a vitória do PS: ganhou as eleições para a Câmara Municipal de Braga, o objectivo número 1 destas eleições aqui na cidade.

O povo votou na continuação da política socialista, confiou-lhe o seu voto e este resultado tem de ser, naturalmente, respeitado.

Em segundo lugar, pela minha parte, comecei, ainda ontem, a trabalhar para vencer o PS nas próximas eleições autárquicas (estando já previstas iniciativas nesse sentido, por iniciativa do Gonçalo, também ele motivado para mudar a Câmara).

Por fim - e o mais importante - quero dar os meus parabéns ao Dr. Ricardo Rio!

É verdade que a Coligação "Juntos por Braga" tinha alguns defeitos, não digo que não. Mas, o que eu acho que deve ser sublinhado é o empenho e a dedicação do Ricardo Rio: absolutamente notáveis!

Houve um enorme esforço da sua equipe, houve um trabalho sério, dedicado e competente, por todas as freguesias, a campanha eleitoral foi muito boa e o discurso do candidato a Presidente da Câmara tinha muita qualidade. E, tudo isto, deve ser sublinhado e reconhecido: é política de grande qualidade (o que é bom para Braga).

Mais, é importante realçar isto: Ricardo Rio tinha (e tem) razão!
É certo que o PS ganhou, mas é trágico. Porque foi escolhida a pior política e a pior equipe (facto estranho...). Por exemplo, em Lisboa, a situação não é dramática. É certo que o Dr. António Costa - o "indiano-alfacinha" - será um bom Presidente da Câmara e até tem um vereador de luxo, o arqº Manuel Salgado. E, portanto, ganhou - como podia ter ganho o Dr. Pedro Santana Lopes - não é drama nenhum.

Em Braga não foi assim.
Ganhou a pior política - objectivamente má e incompetente - e perdeu o melhor candidato. É uma pena.

A terminar, deixo aqui um apelo, se mo permitem: Dr. Ricardo Rio, volte a recandidatar-se!
Tem o meu apoio. Vamos continuar nesta luta por tornar Braga uma cidade melhor!

Nuno Oliveira Dias,
militante do CDS.

Posta com o único objectivo de tirar o menino da lágrima do topo do blogue

Detesto o menino da lágrima. Nunca percebi que raio de prazer sádico é que leva as famílias tugas a terem uma criança lavada em lágrimas na sala de jantar. Ou na cozinha, não é esse o ponto. O ponto é que o puto já se ria qualquer coisinha. Criancinha insuportável. Tem mesmo carinha de potencial vítima de bullying. Depois admiram-se que esteja sempre a chorar, com aquele cabelinho à Paulo Bento e aquela cara de carneiro mal morto. Ok, o cabelinho do puto não tem nada a ver com o do Paulo Bento. E o puto até era giro, se não passasse a vida a chorar. Arranjam-lhe um irmão. Ou dois. Levem-no a passear. Ponham-no a chorar com razão. Dêem-lhe uma Playstation. Mas tirem-me esse puto da frente, se faz favor.

FIM...


Finda toda esta maratona eleitoral, onde primeiro vieram as europeias, depois as legislativas, e por fim as autárquicas, espero que fique definitivamente extinto o infortúnio de os eleitores terem contrariado, em todas elas, a minha vontade e as minhas expectativas. Nunca pensei vivenciar, e ter que corroborar – num espaço de tempo tão curto – com o velhinho aforismo popular: “Um mal nunca vem só”. Pois não! Anda sempre acompanhado.


O que me conforta é que o povo tem sempre forma de contrariar as contrariedades, por que “depois da tempestade vem sempre a bonança.” ;) A ver vamos...



I hate to say "I told you so" - última posta da noite

Bem, em jeito de despedida, não posso deixar de referir que o prémio Zandinga das Autárquicas 2009 vai para... mim.

Quem ganhou teve maioria absoluta. Ganhou Mesquita por curta margem. Ganhou Mesquita porque ainda foi capaz de ganhar votos. Só as duas forças políticas mais votadas é que conseguiram eleger vereadores. A CDU ficou à frente do Bloco. O MPT teve setecentos e poucos votos.

Foi cada cavadela, cada minhoca. Infelizmente.

Bem, resta-me uma consolação: sempre vou jantar de borla.

Agora é tempo de ir dormir. Amanhã faremos a leitura destes resultados. Um abraço a todos os que passaram por aqui. Voltem sempre.

FIM DE EMISSÃO

Resultados finais - Assembleia Municipal

PS - 42,23% - 41.372 votos - 28 mandatos
PPD/PSD.CDS-PP.PPM - 40,93% - 40.105 votos - 27 mandatos
PCP-PEV - 7,69% - 7.530 votos - 5 mandatos
B.E. - 5,71% - 5.598 votos - 3 mandatos
MPT - 0,91% - 890 votos

EM BRANCO 1.66% 1.624 votos
NULOS 0.87% 856 votos

Resultados finais - Câmara

PS - 44,71% - 43.806 votos - 6 mandatos
PPD/PSD.CDS-PP.PPM - 41,99% - 41.142 votos - 5 mandatos
PCP-PEV - 6,34% - 6.212 votos
B.E. - 4,02% - 3.935 votos
MPT - 0,72% - 704 votos

EM BRANCO 1.36% 1.337 votos
NULOS 0.86% 839 votos

Derrota histórica do PSD no distrito de Braga

Não ganhou Braga (e esperava ganhar).
Perdeu Barcelos.
Perdeu Vieria do Minho (por vinte e seis votos, mas perdeu).
Perdeu Terras de Bouro.

É uma derrocada distrital para o PSD.

domingo, 11 de Outubro de 2009

Últimas de Braga - Ricardo Rio não vai exercer o lugar de vereador?

Eu não sei se ele disse mesmo isso, só sei que a notícia que me chegou a Luanda dava conta de que RR disse que não ia exercer o cargo de vereador. Se é verdade, fica-lhe muito, mas mesmo muito, mal.

Até ver, espero que seja só um boato. mas era irónico: tantas vezes os laranjinhas perguntaram ao Mesquita se, caso perdesse, aceitava o lugar de vereador na oposição e agora levavam com uma coisa destas? É a vida.

Adenda: coloquei um ponto de interrogação no título do post. É que me custa a acreditar...

Serviço público de blogosfera

Num país que às vezes parece que começa em Lisboa e acaba... bem, acaba na Área Metropolitana de Lisboa, coberturas das eleições como a do Avenida Central são um verdadeiro serviço público. Está de parabéns o Pedro Morgado, mas também toda a equipa do Avenida Central.


Adenda: O Fontes do Ídolo também esteve muito bem. Aqui na Rua do Souto a cobertura foi mais modesta, sou o único que não está nas sedes de campanha - ou do MPT, ou da Coligação. Mas, por outro lado, estou em Luanda e sem televisão, o que não facilita o serviço. :)

Braga 2013

Bola prá frente, que atrás vem gente...

Tudo como dantes, quartel-general em Abrantes - informação não oficial

Enquanto o site do DGAI continua bloqueado, de Braga garantem-me que a contagem já acabou: Mesquita ganhou com cerca de 2,5% de avanço sobre a Coligação e com maioria absoluta. 6 vereadores para 5 da Coligação. Tudo como dantes, quartel-general em Abrantes

Segunda boa notícia da noite

O Sr. João Pires também ganhou de forma folgada em São Lázaro. Parabéns!

PPD/PSD.CDS-PP.PPM - 45,01% - 3.465 votos - 7 (mandatos)
PS - 37,96% - 2.922 votos - 5
PCP-PEV - 7,18% - 553 votos - 1
B.E. - 6,3% - 485 votos - 0

EM BRANCO - 2.33% - 179 votos
NULOS - 1.22% - 94 votos

Primeira boa notícia da noite

PSD/CDS/PPM 53,56%6. - 468 votos - 11 mandatos;
PS - 24,69% - 2.982 votos - 5 mandatos;
B.E. - 10,61% - 1.281 votos - 2 mandatos;
PCP-PEV - 7,5% - 906 votos - 1 mandato;

EM BRANCO 2.49% 301 votos;
NULOS 1.14% 138 votos;

Parabéns ao Presidente Firmino Marques e a toda a sua equipa. Um resultado esmagador para um grande autarca.

Mesquita vai à frente, mas falta a cidade e o anel suburbano

Não sei porquê, mas pelo que vejo dos resultados nas freguesias apuradas, acho que as sondagens á boca da urna se enganaram. Resta saber até que ponto. Será que Mesquita perde a maioria?

Mesquita eleito vereador

Será que assume o mandato? :)

Para memória futura

Pelo modo como as coisas estão a correr, a grande dúvida do resto da noite é saber se a Coligação, ou o PS, perdem ou não um vereador - e, já agora, para quem. Sendo certo que a Coligação não o ganha. Ou seja, estas eleições servem de aviso para o futuro: só uma das três candidaturas pequenas conseguirá tirar a maioria a quem tem o poder, escusamos de contar com o PSD para isso. O PSD que se concentre em ter mais votos do que o PS, ao invés de andar a pressionar os pequenos à esquerda e à direita.

Dedicado aos que diziam que o Miguel Brito não ia ter nem 100 votos

O MPT já tem 114, com 23 freguesias apuradas :)

SIC confirma indicação da TVI

Vai dar Mesquita.

TVI dá vitória a Mesquita

E com maioria abosoluta. Resta saber se 6-5 ou 6-4-1.

Especial autárquicas 2009

Hoje há Edição Especial - Autárquicas 2009 no Rua do Souto.

Não perca, ao longo do dia e, em especial, a partir das 19h, "Prognósticos só no fim do jogo - Especial Autárquicas 2009". Aqui, no coração da cidade.

Votos para o dia de hoje

Hoje acordei com muita vontade de... pagar uma jantarada a uns quantos amigos.

sábado, 10 de Outubro de 2009

Saint-Exupéry

"Conheço gente que demanda o mar ao passo lento das caravanas e que tem necessidade do mar. Ao chegarem ao promontório, vêem-se senhores dessa extensão cheia de silêncio e de densidade,que furta aos olhares deles as provisões de algas e de corais, e respiram a acidez do sal e ali ficam eles, maravilhados diante de um espectáculo que de momento não lhes serve de nada, porque uma pessoa não pode apoderar-se do mar. Mas ficam com os corações lavados da escravidão das coisas mesquinhas. Talvez observassem descoroçoados, como que através das grades duma prisão, a cafeteira, os utensílios domésticos, as queixas das mulheres, a ganga quotidiana, que pode ser rosto lido à transparência e sentido das coisas, mas pode por vezes converter-se em túmulo e engrossar e aprisionar.

"Abastecem-se então de extensão e voltam para casa com a felicidade lá encontrada. E a casa transforma-se, por existir lá longe a planície do nascer-do-sol e o mar. Porque tudo dá para alguma coisa mais vasta do que a gente. Tudo se torna caminho, estrada e janela que dá para coisa diferente de nós."

in Cidadela, XVIII

Saint-Exupéry II

"Portanto, mandei vir os arquitectos e disse-lhes:

"- É de vocês que depende a cidade futura. Não o significado espiritual, mas sim o rosto que ela há-de exibir e há-de constituir a expressão dela. Estou plenamente de acordo convosco: trata-se de que os homens fiquem bem instalados. Eles que disponham das comodidades da cidade em vez de desperdiçarem os esforços em complicações vãs e em despesas estéreis. Mas eu sempre aprendi a distinguir o importante do urgente. Porque é realmente urgente que o homem coma, já que, se não se alimenta, deixa de haver homem e de se pôr o problema. Mas o amor e o sentido da vida e o gosto de Deus são mais importantes. E eu não quero saber de uma espécie que engorde. A questão que eu ponho a mim próprio não é saber se um homem será ou não feliz e estará ou não bem alojado e próspero. Eu pergunto em primeiro lugar a mim próprio que homem será próspero, alojado e feliz. Aos meus lojistas ricaços, que a segurança incha, eu prefiro o nómada que eternamente se desvanece e persegue o vento. Cada dia se torna mais belo por servir um senhor tão vasto. Se, obrigado a escolher, eu soubesse que Deus recusa ao primeiro a sua grandeza e só ao segundo a concede, eu faria o meu povo desaparecer no deserto. Gosto de que o homem dê a sua luz. Não quero é saber da vela gordurosa. Só pela chama meço a qualidade dela."

in Cidadela, XVIII

Eles são nossos irmãos!

Bispo da Líbia: Europa não é cristã com clandestinos

Explica Dom Giovanni Innocenzo Martinelli, O.F.M.

Por Chiara Santomiero
CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 9 de outubro de 2009 (ZENIT.org).- Um bispo que participa do Sínodo da África denunciou que a Europa não trata os imigrantes de maneira cristã, particularmente os clandestinos.

Dom Giovanni Innocenzo Martinelli, O.F.M., vigário apostólico de Trípoli, ilustrou o drama de tantos homens e mulheres que chegam à Líbia fugindo da guerra e da miséria de muitos países africanos, buscando de qualquer forma atravessar o mar para alcançar as costas do antigo continente.

Na pausa do almoço desta sexta-feira, Dom Martinelli explicou aos jornalistas, entre os quais a Zenit estava presente, que sua Igreja está composta por estrangeiros: "Muitos são trabalhadores procedentes da Ásia, filipinos em sua maioria, funcionários de multinacionais. Junto a eles, outros são africanos de diferentes Estados, sobretudo subsaarianos".

A maioria destes últimos vê na Líbia a ponte rumo às costas italianas.

No país, existem cerca de 8 mil eritreus, que "não podem voltar à sua terra, pois suas aldeias foram destruídas pela guerra, e estão determinados a ficar ou atravessar o mar, ainda que isso lhes custe a vida".

Em meio ao debate que se dá neste momento na Europa sobre a imigração clandestina, o prelado reconhece que "não é um fenômeno positivo"; porém, "a forma como a Europa se comporta com as pessoas afetadas por este fenômeno não é civilizada nem cristã. Eles são nossos irmãos!".

Os que são expulsos das costas italianas e do Mediterrâneo são presos em centros de imigrantes ou em cárceres, no caso de serem acusados de ter feito algo contra a lei.

Os representantes da Igreja Católica na Líbia, que no sínodo foram felicitados pelo cardeal Renato Raffaele Martino, presidente do Conselho Pontifício Justiça e Paz, pelo compromisso na acolhida de migrantes, visitam constantemente esses centros e as prisões.

Além de Dom Martinelli, em Trípoli existem 6 sacerdotes e cerca de 30 religiosas que trabalham nos centros sociais; um sacerdote desenvolve seu ministério no Saara há mais de 20 anos; e outro bispo desempenha seu ministério em Bengasi, Dom Sylvester Carmel Magro, O.F.M.

"As autoridades da Líbia não nos negam as autorizações e os responsáveis dos centros nos pedem ajuda quanto têm necessidade de remédios. Os diretores das prisões também demonstram sensibilidade humanitária e não fecham os olhos diante de situações de necessidade", reconhece.

"A Líbia faz o que pode com os imigrantes; pelo menos lhes dá de comer e não nos impede de visitá-los. Trata-se de um problema que supera suas forças", mas isso exige da Europa que ajude seu país a enfrentar a emergência. "Não basta expulsar as pessoas!"

"A Europa deveria ajudar estas pessoas em seus países de origem, por exemplo, na Nigéria ou no Congo, prestando atenção à forma como as ajudas são distribuídas."

O bispo mostra uma compaixão particular pelas mulheres, "trazidas com a promessa de um trabalho bem pago, obrigadas depois a se prostituírem ou a se tornarem escravas. Outras, sobretudo da Eritreia, perderam o marido, pois ele fugiu ou está preso, e chegam grávidas ou com filhos pequenos, decididas a encontrar uma possibilidade de trabalho".

O prelado explica que centenas destas mulheres se reúnem às sextas-feiras, na igreja de Trípoli, para receber um pacote com alimento e roupa para os filhos.

Às sextas-feiras, dia de festa na Líbia, celebra-se também a Missa, da qual os cristãos podem participar.

"Quando vejo toda essa gente que reza com fervor - confessa Dom Martinelli aos jornalistas -, fico arrepiado. É impressionante a sua valentia para agarrar-se à fé e encontrar uma esperança."

"Os europeus - conclui Martinelli - têm medo destas pessoas desesperadas, mas se trata de um medo em boa parte injustificado. Se os víssemos como cristãos, descobriríamos com que intensidade vivem sua fé. De fato, não são mais do que seres humanos em busca de um trabalho para fugir da miséria do seu país."

sexta-feira, 9 de Outubro de 2009

Braga é esta Gente



E não é que temos GENTE!




Recebida em Angola



Sabem que estou longe e que não posso aparecer a estas coisas, mas mesmo assim mandam-me estas fotos, mesmo para meter nojo. Mas deixem estar, amanhã respondo à vossa provocação. Vou mandar-vos uma foto minha na praia, no mussulo. Mais tostado que o porco no espeto!