Para começar seria com toda certeza minha amante. Por outro lado teria já terminado com o meu casamento, pelo simples facto do meu envolvimento ser pouco discreto.
E garanto-vos também que já teríamos um filho bastardo. Seria uma daquelas muitas transversais, e agrada-me particularmente a rua de Janes.
Janes seria uma rapaz saudável, inteligente, trabalhador, contudo um pouco tímido.
Mas deixemos-nos de desvarios e vamos falar da Rua do Souto.

Mas o que me deleitava verdadeiramente, era como recebia o Verão, começando logo em Junho homenageando o S. João nos seus coloridos infindáveis, nas suas vestes e enfeites simples e alegres que abraçavam as primeiras mini-saias e blusas decotadas que por si transitavam ao despertar dos primeiros dias quentes do anos.
Aquela beleza infindável numa personalidade muito “sui generis”, que sempre atraiu todos os homens da cidade. Não me esqueço a corte permanente daquele Barão de S. Martinho, aristocrata irritante e petulante, do Dr. Justino Cruz, sempre de olho espreitando uma oportunidade de a cortejar, e quem sabe, mais. Valha D. Diogo de Sousa, zelador permanente e atento, um verdadeiro pai para ela.
Pretendentes teve muitos. Tantos quantos os que se orgulham de ser bracarenses e de ter conhecido e privado com ela. Caixeiros, médicos, juízes, varredores, carrejões, eu sei lá. Acredito que até uma ou outra senhora. Mas foi sempre mulher de um só homem. Homem de sorte, esse Braga. Felizardo. Senhor de uma mulher cobiçada desde Pousada a Arentim e de Pedralva a Padim da Graça.
Ficam as recordações de anos vividos nesta companhia ubíqua, dos passeios, das namoradas, dos amigos, da família, enfim, de tudo o que não podemos dissociar da Rua do Souto, esta senhora que ostenta de cima dos seus mais de 550 anos uma jovialidade invejável.
A Rua do Souto, o coração de Braga, rua abaixo, rua acima.
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