quarta-feira, 30 de junho de 2010

Vamos lá falar de coisas sérias

Não percebo nada de economia. Bem, já consigo, ao fim destes anos todos a viver em Portugal, fazer render um orçamento mensal negativo sem aumentar muito ao défice. Também acho que consigo juros mais favoráveis nos meus créditos do que os da divida publica portuguesa.
Dito isto, para que não pensem que isto é uma lição de economia, fiquei chocado com esta utilização da "Golden Share" do estado português para evitar que a Telefónica espanhola comprasse por 7,15 mil milhões de euros a quota da Portugal Telecom na brasileira Vivo.

Ora, como percebo pouco de economia, e como esta jogada me pareceu no mínimo estranha, fui ler um jornalzeco que dá pelo nome de Finantial Times e que acho que entende umas coisas. E cito:
«The Lisbon government on Wednesday used special veto rights to override shareholders and block Telefónica’s €7.15bn offer to buy Portugal Telecom out of Vivo, their Brazilian mobile phone joint venture.
Portugal’s controversial use of its “golden share” to overrule 74 per cent of shareholders who voted in favour of the offer gave a new twist to the acrimonious bid battle between the two Iberian operators. 
People close to the meeting said the government intervention had caused widespread surprise among investors. Lisbon-based analysts said the veto was also likely to lead to intense legal wrangling.».

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Mas como disse percebo pouco de economia. Mas números são números. E o que sei é que através da sua participação na caixa geral de depósitos, de 500 "golden share" e de uns quantos mais accionistas (num total de cerca de 26%), o estado vetou um negócio aprovado por uma maioria de accionistas de 74%. Ou seja, o estado resolve ignorar de forma grosseira a vontade daqueles que investiram o seu dinheiro com intenção de obter lucros. Accionistas estes e o seu dinheiro, que permitiu que a PT chegasse onde está hoje e que queriam ver terminado e reembolsado o investimento. Mas o estado diz não.
Quem manda sou eu e digo que não. Não é bom negócio. E como quem manda na PT é o estado (não devia) o negócio não se faz.

Mas como pouco ou nada percebo de economia! Mas já vou dando uns toques de democracia. E não é de forma alguma democrático que o estado intervenha no mercado de negócios, mais ainda, numa empresa cotada na bolsa.
E, depois diz-se o estado preocupado com a negatividade que poderia a falência do BPN no estrangeiro. E isto? Não tem impacto nenhum? E as repercussões futuras de uma contestação junto da UE por parte da Telefónica? E com que opinião ficarão agora os investidores do mercado e da bolsa portuguesa?

Acredito que o estado até tenha razão. Que o negócio fosse mau, inoportuno, não interessasse, enfim. Mas mercado é mercado. regras são regras. O que o estado fez, foi perder o jogo, roubar a bola no fim e dizer que afinal o jogo era um treino e não contava para nada.

Mas isto sou eu que não percebo nada de economia.



Fonte: Finantial Times, PT, Ionline, Sol

2 comentários:

Paulo Pimentel Torres disse...

pois sim, mas eu aplaudo a não venda... para mais que os espanhois não foram sérios, e as regras do jogo sempre foram essas, essa golden share existe e todos os acionistas sabem.
e mais, o Brasil é uma economia em crescente...e falta saber se os espanhois pagavam, estão tão falidos como nós.

Paulo Novais disse...

Paulo, a Telefonica deve ser a segunda maior companhia de telecomunicações do mundo. Acho que isto nem lhes fazia cocegas. Mas a questão nem é essa. A questão é que o governo está a tentar equilibrar a economia portuguesa atraindo novos investidores para Portugal. E que mensagem lhes dá? bem, venham, mas se não gostar-mos de alguma coisa usamos o nosso direito de preferência.
Não faz sentido algum a PT ser uma empresa cotada em bolsa, com participação na Vivo também cotada na bolsa brasileira e não respeitar as regras do mercado que devem ser iguais para todos.
Porque para entrar dinheiro e accionistas a PT e o estado não reclamaram. Agora que a maioria quer sair da sua participação na Vivo "ai Jesus".
Quero ver para a semana o tribunal europeu pronunciar-se contra as golden share. Então e depois?
Ou a Telefónica lançar uma OPA hostil à PT.
E então depois?