Já se percebeu que Carlos Queiroz, e muito bem, trabalhou no sentido de preparar uma equipa para não perder. O que, tendo em conta as limitações de Portugal e o facto de termos calhado no Grupo da Morte, está muito bem pensado. A ideia passa por, na pior das hipóteses, não perder com nenhum adversário directo, o que está perfeitamente ao nosso alcance.
Uma vez mais afirmo que concordo com a lógica de Queiroz e que acho que ele está a fazer um belíssimo trabalho (com as armas que tem, e não com as armas com que os treinadores de bancada sonham)à frente desta selecção (que não é a de 2000, nem a de 2002, nem a de 2004, nem a de 2006, nem sequer a de 2008).
Quanto a este ponto, sei que sou amplamente minoritário, mas gostava de perguntar aos portugueses que criticam o facto de andarmos sempre a depender da matemática duas coisas: primeiro, qual é o mal da matemática, se é por menosprezarmos a matemática que, como país, estamos como estamos?; segundo, como é que queriam passar um grupo destes sem matemática?
Assim sendo, percebe-se que Portugal se está claramente a habilitar a uma qualificação com 5 pontos. Que pode até ser a 4 pontos, caso a Costa do Marfim (primeiro) e Portugal (depois) venham a perder com o Brasil - o que não poderia deixar de ser considerado como normal, apesar de achar que o empate também pode perfeitamente acontecer (a vitória acho mais difícil).
Ora, correndo tudo normalmente, grande parte da nossa qualificação - pensada de um modo realista e não a dar cabazadas a tudo o que nos aparecer pela frente, como me parece que certos adeptos tugas achavam exigível - passa por ganhar à Coreia do Norte com a maior diferença de golos possível.
Aí chegados, o histerismo tuga não permitiu ainda perceber que as qualidades de líder e de estratega de Queiroz estarão à prova no próximo jogo, bem mais do que neste último. E que a dúvida essencial estará em saber se esta selecção, que foi montada - e muito bem, repito - para não perder, será capaz de jogar para ganhar por muitos (pelo menos 3 golos de diferença) a um adversário, esse sim, muito mais fraco.Se Portugal conseguir fazer isso, e acredito que conseguirá - não devíamos ser nós a queixar-nos da exibição de ontem. Ainda poucos entenderam isto, mas de facto é o Brasil, e não Portugal, quem tem motivos maiores de preocupação após esta primeira jornada do Grupo da Morte.
P.S. - Claro está que o Sven-Goran Eriksson, que não é burro nenhum, pensou exactamente como nós (e daí o jogo fechado e muito táctico que vimos ontem). E por isso digo que a fava pode bem acabar por sobrar para... o Brasil. A selecção de Dunga entrou sobranceira e ganhou apenas por um à Coreia do Norte, pelo que poderá ficar em maus lençóis em caso de empate a 5 pontos entre os 3 primeiros. Pelo que o Brasil é que precisa mesmo de ganhar já à Costa do Marfim, abrindo-nos o caminho dos oitavos de final.
Não há duvida. As coisas vistas nesse (o do mundial) continente têm outra perspectiva.
ResponderEliminarA ultima vez que fiz um jogo de futebol em competição (tosco como sou) a olhar para o retrovisor para não se ultrapassado e ao mesmo tempo a olhar para as médias/números/golos sofridos e marcados e toda a treta toda foi... na Playstation.
Pera lá. mas eu nunca joguei Playstation.
Ah! Agora já percebi porquê.