quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

"Não, o que nos está a acontecer não é normal nem tolerável"

"A 25 de Junho de 2009, José Sócrates jantou com Henrique Granadeiro na casa de Manuel Pinho. O chairman da PT informou então o primeiro-ministro que a compra da TVI pela empresa de telecomunicações não se concretizaria. No dia seguinte, no Parlamento, Sócrates anuncia aos jornalistas que se vai opor a um negócio que, nessa altura, já não existia. Estranho? Não, como o mesmo Sócrates explicou quarta-feira: "Do ponto de vista formal, o Governo não foi informado."

"Pronto, e assim está tudo resolvido. Do "ponto de vista formal" nunca nada aconteceu. A começar pelo conteúdo das escutas reveladas pelo Sol, pois o senhor presidente do Supremo Tribunal e o senhor procurador-geral entenderam não haver indícios de crime contra o Estado de direito nesses documentos. Logo esses documentos não existem. E tudo o resto quer-se fazer passar por "normal".

"Ou seja, é normal que um ex-jotinha de 32 anos, Rui Pedro Soares, seja nomeado para a administração da PT e premiado com um salário anual de mais de um milhão de euros. É normal que esse "gestor" em ascensão trate com Armando Vara, um outro "gestor" de fresca data e socrático apadrinhamento, da compra da TVI pela PT e discuta com ele e com Paulo Penedos a melhor forma de afastar José Eduardo Moniz e acabar com o Jornal de Sexta. É normal que um jornal propriedade de um "grupo amigo" publique manchetes falsas para dar uma justificação política e económica à compra da TVI pela PT. É normal que seja depois esse "grupo amigo" a comprar a TVI beneficiando de apoios financeiros do BCP de Armando Vara e da PT. É normal que, na sequência dessa aquisição, Moniz deixe a direcção da estação e acabe o Jornal de Sexta.

"Se tudo isto é normal, também é normal que o BCP, que tinha uma participação no jornal Sol, tenha criado dificuldades de última hora à viabilização financeira daquele título, quando nele saíram as primeiras notícias sobre a investigação inglesa ao caso Freeport. Tal como é coincidência Vara já ser nessa altura administrador do BCP. Também será normal que o Turismo de Portugal tenha discriminado a TVI em algumas das suas campanhas - o mesmo, de resto, que fez com o PÚBLICO - e que o presidente desse organismo seja Luís Patrão, o velho amigo de Sócrates desde os tempos de liceu na Covilhã. Como normal será Mário Lino, ex-ministro das Obras Públicas, ter reuniões no ministério com Rui Pedro Soares quando o seu interlocutor natural é o presidente da PT. Como Lino disse à Sábado, é assim quando se conhece muita gente nas empresas. Como homem bem relacionado não se estranha que tenha recebido, de acordo com o Correio da Manhã, uma "cunha" de Armando Vara no âmbito do processo Face Oculta. No fundo é tudo boa gente.

"Mas como todos estas factos padecem de várias "informalidades", passemos a eventos mais formais, que sabemos mesmo que aconteceram, que foram testemunhados e até deram origem a processos na ERC. Como o das pressões exercidas pelos assessores de José Sócrates para desencorajarem qualquer referência pelas rádios e televisões à investigação do PÚBLICO sobre as condições em que o primeiro-ministro completou a sua licenciatura. Como o de o Expresso, que rompeu o bloqueio e prosseguiu com a investigação, ter sofrido depois um "boicote claro" e "uma hostilidade total do primeiro-ministro", como escreveu esta semana o seu director, Henrique Monteiro. Ou como o das palavras ameaçadoras dirigidas por Sócrates a um jornalista do PÚBLICO por alturas do congresso em que foi eleito líder, em 2004: "Você tem de definir o que quer para a sua vida e para o seu futuro."

"Excessos de quem ferve em pouca água? Infelizmente não. A actuação metódica e planeada sempre foram uma marca deste primeiro-ministro e dos que lhe são mais próximos no PS. Por isso, quando Vara teve a tutela da comunicação social, criou um monstro chamado Portugal Global que integrava a RTP, a RDP e a Lusa e nomeou para a sua presidência um deputado do PS, João Carlos Silva. Pouco tempo depois, caído Vara em desgraça, seria José Sócrates a conseguir colocar na RTP o seu amigo Emídio Rangel. Um favor logo retribuído: na noite eleitoral que se seguiu (e que determinaria a demissão de Guterres), os únicos comentadores em estúdio foram o próprio Sócrates e o seu advogado, Daniel Proença de Carvalho; e na curta travessia do deserto até ao PS regressar ao poder, Sócrates pôde ter, a convite de Rangel, um programa semanal de debate com Santana Lopes. Já primeiro-ministro apressou-se a propor um conjunto de leis - estatuto do jornalista, lei da televisão, lei sobre a concentração dos órgãos de informação - que se destinavam, segundo Francisco Pinto Balsemão, a "debilitar e enfraquecer os grupos privados" de informação - ou seja, os que não dependem do Governo.

"E não, não é verdade estarmos apenas perante mal-entendidos, excessos pontuais ou uma mera má relação com as críticas: estamos face a uma forma de actuar autoritária e que não olha a meios para atingir os fins. Até porque o que se relatou é apenas a pequena parte do que temos vivido (vide caso Crespo).

"Da mesma forma não existe nenhuma má vontade congénita dos jornalistas para fazer de Sócrates, como lamentou Mário Soares, o primeiro-ministro mais mal tratado pelos órgãos de informação. O que houve de novo foi Portugal ter como primeiro-ministro alguém que esteve várias vezes sob investigação judicial (por causa de um aterro sanitário na Cova da Beira, por causa do Freeport), cujo processo de licenciatura levantou dúvidas e que se distinguiu como projectista de maisons no concelho da Guarda. Isto para além de ter mostrado uma tal incontinência ao telemóvel que somou e soma dissabores em escutas realizadas noutros processos, como os da Câmara da Nazaré, da Casa Pia e, agora, no Face Oculta.

"Ainda é possível achar que tudo é normal? Ou porventura desculpável? Só se estivéssemos definitivamente anestesiados."

José Manuel Fernandes, Jornalista
in "Público", 12.2.2010

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Shiiiuuuu... estou a ouvir.

Porque me apeteceu

Será um sinal dos tempos?


GEORGE THOROGOOD -  "Bad To The Bone"

 

Roma 55 a.C.

"O Orçamento Nacional deve ser equilibrado.
As Dívidas Públicas devem ser reduzidas,
a arrogância das autoridades deve ser moderada e controlada.
Os pagamentos a governos devem ser reduzidos, se a Nação não quiser ir à falência.
As pessoas devem novamente aprender a trabalhar, em vez de viver por conta pública."

Marcus Tullius, Roma 55 a.C.

Cromos...

Excelente. Só para descongestionar um bocado...



Fonte: obrigado pelo email BA

Realidade distrital - Braga

Durante o ano de 2009 houve uma média de 12 empresas por dia que, em tribunal, apresentavam um plano de insolvência ou viam a sua falência decretada. E uma delas fazia-o em Braga, o distrito que, segundo a Coface, a empresa que monitoriza as acções e decisões de insolvência das empresas, de acordo com os anúncios que são publicados em Diário da República, foi aquele onde houve maior taxa de incidência de falências em todo o país.

Onde andam as câmaras municipais? Principalmente as dos distrito de Braga?

Será que não se apercebem da crise que rodeia o distrito? Da realidade das falências, do desemprego a aumentar em flecha?
Gostava de ver medidas objectivas e principalmente eficazes, para recuperar a economia do distrito. E criar condições para aumentar a competitividade destas empresas no mercado.

Mas atenção. Chega de subsídios. Apoiar sim, mas quem trabalha, quem produz, quem gera riqueza e emprego. Porque de subsídios a fundos perdidos, para fazer perder a cabeça de uns quantos empresários "de carregar pela boca", que passados meses abrem falência outra vez e desaparecem, já chega! Mas chega mesmo.

Fonte: Publico

Cabala?!

Talvez agora se calem com a teoria da "cabala" contra Sócrates e o governo PS.
Digo eu...

Fonte: Correio da Manhã

Afinal a justiça funciona mesmo!!!!!!!!!!!!!!

Um colectivo de três juízes começou esta segunda-feira a julgar, em Matosinhos, dois jovens por, alegadamente, roubarem um saco de amêndoas e uma garrafa de whisky num supermercado.
'Ganita' e 'Pistolas' estão acusados de um crime de roubo, punível com  pena de prisão até oito anos, refere a agência Lusa. 

Reparem no pormenor, de serem necessários 3 juizes.
O alegado crime ocorreu há menos de um ano. Aposto que terá sentença rápida.

Pergunta: se é assim por um saco de amêndoas e uma garrafa de whisky, então e os outros?

Já dizia alguém "mais vale ser filho da mãe do que filho da... outra".

A Tourada (ainda e sempre)



"Não importa sol ou sombra
camarotes ou barreiras
toureamos ombro a ombro
as feras.
Ninguém nos leva ao engano
toureamos mano a mano
só nos podem causar dano
esperas.

Entram guizos chocas e capotes
e mantilhas pretas
entram espadas chifres e derrotes
e alguns poetas
entram bravos cravos e dichotes
porque tudo o mais
são tretas.

Entram vacas depois dos forcados
que não pegam nada.
Soam brados e olés dos nabos
que não pagam nada
e só ficam os peões de brega
cuja profissão
não pega.

Com bandarilhas de esperança
afugentamos a fera
estamos na praça
da Primavera.

Nós vamos pegar o mundo
pelos cornos da desgraça
e fazermos da tristeza
graça.

Entram velhas doidas e turistas
entram excursões
entram benefícios e cronistas
entram aldrabões
entram marialvas e coristas
entram galifões
de crista.

Entram cavaleiros à garupa
do seu heroísmo
entra aquela música maluca
do passodoblismo
entra a aficionada e a caduca
mais o snobismo
e cismo...

Entram empresários moralistas
entram frustrações
entram antiquários e fadistas
e contradições
e entra muito dólar muita gente
que dá lucro aos milhões.

E diz o inteligente
que acabaram as canções."

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Joãozinho

 
Sócrates foi a uma escola conversar com as criancinhas, acompanhado de uma comitiva. Depois de apresentar todas as maravilhosas realizações de seu governo, disse às criancinhas que iria responder perguntas.
Uma das crianças levantou a mão e Sócrates perguntou:
- Qual é o seu nome, meu filho?
- PAULINHO. (lembre-se bem deste nome)
- E qual é a sua pergunta?
- Eu tenho três perguntas:
1ª) Onde estão os 150.000 empregos prometidos na sua campanha eleitoral?
2ª) Quem meteu ao bolso o dinheiro do Freeport?
3ª) O senhor sabia dos escândalos do Face Oculta?
Sócrates fica desnorteado, mas neste momento a campainha para o recreio toca, ele aproveita e diz que responderá depois do recreio. 
Após o recreio, Sócrates diz:
- Porreiro Pá, onde estávamos? Acho que eu ia responder perguntas. Quem tem perguntas?
Um outro garotinho levanta a mão e Sócrates aponta para ele.
- Pode perguntar, meu filho. Como é o seu nome?
- Joãozinho, e tenho cinco perguntas:
1ª) Onde estão os 150.000 empregos prometidos na sua campanha eleitoral?
2ª) Quem meteu ao bolso o dinheiro do Freeport?
3ª) O senhor sabia dos escândalos do Face Oculta?
4ª) Por que é que a campaínha do recreio tocou meia hora mais cedo?
5ª) E onde está o PAULINHO???
 
Fonte: obrigado pelo email S.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Ao que a CRISE nos obriga


Fonte: obrigado pelo email BA

Homenagem à outra senhora



Ela fartou-se levar baile. Dizem que é uma avozinha e que não é telegénica. Dizem que se veste mal, que não tem imagem, que dá gaffes. Dizem que é fraquinha, um erro de casting, uma retrógrada. Pois dizem.

Mas, e ela? O que andou ela a dizer ao país ao longo do último ano? Alguém se lembra? Porventura a minha análise poderá estar afectada pela distância, mas será que existe hoje algum português com dois dedos de testa que consiga olhar agora para a Grécia, ou assistir ao "socasgate" em directo, e não se lembrar do que esta senhora - chamavam-lhe a outra - andou a dizer ao longo do último ano?

2 little monkey's


sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Até as criancinhas!

Preservativos Sócrates



via Edgar Alain Prost

O governo é uma tourada

Depois do ministro que fazia corninhos aos deputados da oposição, temos o gestor que foi encornado pelos meninos do PS...

Não sei se são efeitos secundários da asfixia democrática, mas de há uns tempos a esta parte andam a crescer coisas nas mais excelsas cabeças da nação...

O elefante no meio da sala - súmula da actualidade portuguesa, por João Miranda

Não podia deixar de roubar este post ao João Miranda, do Blasfémias:

"As escutas são uma espécie de elefante no meio da sala. Está um elefante no meio da sala e as pessoas discutem se está um elefante no meio da sala. A facção que diz que não está elefante nenhum no meio da sala vai dizendo:

1. Não tomei conhecimento oficial do elefante no meio da sala por isso ele não pode estar lá

2. A minha religião proíbe-me de ver elefantes, por isso vamos falar como se o elefante no meio da sala não existisse

3. Se ignorarmos as provas visuais (que são nulas), o que lhe garante que está um elefante no meio da sala?

4. Tenho aqui uma notícia da Lusa que prova que eu fui informado do elefante no meio da sala pelo presidente da Confederação dos Elefantes. Ele diz que não recebeu ordem do governo para colocar elefantes no meio da sala. Logo não fui eu que mandei colocar o elefante no meio da sala.

5. Não está elefante nenhum no meio da sala. Eu só estou a ir à volta porque gosto de caminhar.

6. Se mandei colocar um elefante no meio da sala? Não existe nenhum despacho do meu governo a mandar colocar um elefante no meio da sala. Consultem o Diário da República.

7. Olha! Está uma formiga no meio da sala!

8. Tenho aqui um acórdão no Supremo que diz que não há elefante nenhum no meio da sala."

"Face Oculta: Rangel exige esclarecimentos ao Governo"

"Paulo Rangel sublinha a existência de uma questão política de fundo, que exige explicações claras do executivo, pois notícias como as que saíram esta sexta-feira no semanário “Sol” transportam-nos para “indícios que abalam a nossa confiança nas instituições”.

"“Não podemos ser um Estado de Direito formal. Posta uma questão política com estas características, em qualquer país do mundo ocidental já o poder político estava obrigado a dar um resposta substantiva às alegações que vêm na imprensa”, considera o candidato a líder social-democrata.

"“É essencial reclamar do Governo um esclarecimento cabal desta situação, para que se saiba se houve ou não interferência”, acrescenta.

"O histórico socialista Medeiros Ferreira afirma, por seu lado, que devem ser o Presidente da República e a Assembleia da República a fazer a avaliação do momento político que vivemos.


Há violação do segredo de justiça

"As notícias que têm sido veiculadas sobre o processo “Face Oculta”, como as de hoje, pelo semanário “Sol”, são uma “violação do segredo de justiça”, defende o juiz desembargador Eurico Reis, ouvido pela Renascença.

"“Do meu ponto de vista, não há dúvidas de que aquilo que tem saído no «Sol» diz respeito a um processo que está em segredo de justiça”, afirma.

"O antigo bastonário da Ordem dos Advogados, Rogério Alves, lembra, por sua vez, que a apreciação dos factos cabe, por inteiro, à Procuradoria-Geral da República. O Supremo não tem, neste momento, qualquer intervenção adicional."

RR

"Ruptura no PSD"

Golpe de teatro. É assim que um deputado social-democrata descreve a jogada de antecipação de Paulo Rangel. Antes do anúncio de José Pedro Aguiar-Branco marcado para sexta-feira, o eurodeputado volta para Lisboa e avança com a candidatura à liderança do PSD. Uma ruptura que não surpreende completamente o advogado que lidera a bancada parlamentar laranja, mas que o deixou muito zangado com o antigo amigo.

À zanga entre amigos corresponde alguma satisfação da candidatura de Pedro Passos Coelho. Como dizia ontem um divertido Miguel Relvas, apoiante de primeira hora de Passos, "não há fome que não dê fartura. Vamos ter mais dois candidatos" - e logo dois políticos que disputam o mesmo eleitorado no interior do partido.

A relação entre Aguiar-Branco e Rangel é antiga mas a desconfiança - ou o jogo de sombras na corrida à liderança - estava em crescendo desde Dezembro, altura em que o eurodeputado terá garantido ao amigo que não se candidataria, dizendo que o apoiava. Os ânimos estavam por isso exaltados ontem entre os apoiantes de Aguiar-Branco, que ainda esta semana voltou a informar Paulo Rangel de que iria avançar sexta-feira, como previsto, depois de arrumada a questão do orçamento do Estado. Em resposta, recebeu apenas o silêncio.

O silêncio foi quebrado ontem, com o anúncio bombástico da candidatura do eurodeputado. Segundo fontes próximas da candidatura de Rangel, a ainda líder do PSD, Manuela Ferreira Leite, só ontem foi informada da intenção. Paulo Mota Pinto, vice-presidente do partido, declarou o apoio. Outra vice-presidente, Sofia Galvão, está entre os apoiantes mais entusiastas - foi aliás a única dirigente que esteve ao lado de Rangel na apresentação da candidatura. A ideia é dizer que avança só, sem negociar com ninguém, distritais ou "elites", falando directamente aos militantes sociais-democratas. Sem intermediários.

José Pedro Aguiar-Branco já tinha marcado uma reunião do grupo parlamentar, que decorreria logo a seguir à votação do orçamento de Estado, na sexta-feira. Objectivo declarado: anunciar à bancada que chefia que seria, a partir daí, candidato à liderança do PSD.

Quando a notícia da antecipação de Paulo Rangel, o também ex-líder parlamentar, foi conhecida entre os apoiantes de Aguiar Branco, foi o choque e a fúria: choviam as acusações de "deslealdade" daquele que foi secretário de Estado do próprio Aguiar- Branco, quando este ocupou a pasta da Justiça no governo Santana Lopes. Afinal, Rangel não tinha avisado Aguiar-Branco, apesar das conversas que mantiveram nos últimos tempos.

Uma ultrapassagem que não é inédita na história política portuguesa: depois de Constâncio se demitir de líder do PS, António Guterres e Jorge Sampaio combinaram que nenhum dos dois avançaria sem avisar o outro primeiro. Mas Sampaio acabaria por candidatar-se, deixando Guterres surpreso e em fúria. Mas, ao contrário do que se passou em 1989, quando Guterres não chegou a apresentar a candidatura perante a antecipação de Sampaio, desta vez Aguiar-Branco decidiu ir à luta.

Manuela Ferreira Leite recusou comentar a candidatura de Paulo Rangel, mas ao que o i apurou, a líder identifica-se mais com o perfil de Rangel do que com o de Aguiar-Branco. De resto, a primeira declaração formal de apoio a Rangel veio de um dos vice-presidentes do PSD mais próximos de Ferreira Leite, Paulo Mota Pinto. Numa declaração escrita, Mota Pinto foi entusiástico no apoio a Rangel: "Esta é, a meu ver, a candidatura pela qual ansiavam os militantes do PSD e, em geral, os portugueses, para quem nesta hora o superior interesse nacional exige uma alternativa forte, credível, mobilizadora e vitoriosa ao desgoverno socialista. No que estiver ao meu alcance, ajudá-lo-ei a ganhar o PSD e, sobretudo, a ganhar Portugal para o futuro que merece".

"O risco das duas candidaturas da ala cavaquista-barrosista-ferreirista serem um factor de divisão de votos e facilitarem a eleição de Pedro Passos Coelho é evidente. É verdade que Rangel já recolheu ontem o apoio de Miguel Veiga - um histórico muito próximo do militante nº 1 do PSD, Pinto Balsemão - mas Alexandre Relvas, o presidente do Instituto Sá Carneiro, já tinha declarado apoiar a candidatura de Aguiar-Branco. Mas entre os "rangelistas", havia quem ainda contasse poder alterar a posição do ex-director de campanha de Cavaco Silva.

"O conselho nacional do PSD marcado para amanhã à noite vai decidir agora a data para o congresso extraordinário, defendido por Pedro Santana Lopes, que recolheu as 2500 assinaturas necessárias, e a marcação das directas. "O Congresso será marcado numa data anterior à das directas e queremos ter as coisas concluídas em Março", disse ao i o presidente da Mesa do Congresso, Rui Machete."

Por Ana Sá Lopes com Paulo Pinto Mascarenhas,
com Sónia Cerdeira, Patrícia Silva Alves e Adriano Nobre
Publicado no "i" em 11 de Fevereiro de 2010

"PSD: Aguiar-Branco propõe-se a unir o partido"

"O candidato à liderança do PSD José Pedro Aguiar-Branco disse hoje que a sua proposta é unir o partido e que obteve a confiança dos deputados para ficar na liderança parlamentar durante o período de campanha.

"José Pedro Aguiar-Branco falava aos jornalistas, no Parlamento, minutos depois de ter confirmado aos deputados do PSD que é candidato à liderança do partido.

"«Há quem esteja para mudar, há quem esteja para romper, eu proponho-me unir», declarou, depois de lhe perguntarem se ficou magoado com a atitude do eurodeputado Paulo Rangel de ter anunciado a sua candidatura na quarta feira."


Diário Digital / Lusa

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

A crise não é mesmo para todos!!!

Haja quem pague! Conta do almoço chegou aos 116 euros mas quem comeu... não pagou.

Comer e não pagar, há problema? Para 5 funcionários do SEF, a resposta a esta pergunta é coisa para ser resolvida sem espinhas. 

 
116 Euros para uma refeição de 5 funcionários? Em tempo de crise?
Eu ontem ao almoço comi a "diariazinha" ali da tasca por 5 Euros. Será que é muito rasca para os senhores do SEF?

E a D. Joaquina da minha rua só recebe o dobro desse valor de reforma... para o mês inteiro.
Fonte: Nós por cá - SIC

Bartoon


Fonte: Publico

Nem sempre...


O Sol quando nasce é para todos!

Bichinho

"OE2010: Paulo Portas impõe condições para manter abstenção na votação final global"

«O líder do CDS-PP, Paulo Portas, impôs hoje condições para manter a abstenção na votação final global do Orçamento do Estado para 2010, a começar por "uma negociação séria" no Programa de Estabilidade e Crescimento.

«"Por patriotismo confirmamos a abstenção no Orçamento do Estado. Tudo faremos para manter essa abstenção na votação final global mas estaremos atentos à forma como o Governo faz ou não uma negociação séria do Programa de Estabilidade e Crescimento", afirmou Paulo Portas.

«A segunda condição, acrescentou, será ver se "o Governo, que tem direito à coerência do seu orçamento, aceita também o dever de procurar melhorá-lo na medida do que é possível".»

Lisboa, 11 Fev (Lusa)

Pensamento da semana

Recessão é quando o vizinho perde o seu emprego,
depressão quando perdes o teu,
e recuperação será quando Sócrates perder o dele.
 
Fonte: obrigado pelo email S.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Paulo Portas - inicio de ano em cheio


Paulo Portas tem surpreendido na sua performance, ao melhor do que já se lhe viu. Depois de ter exigido um rigor absoluto no controle da atribuição e, sobre os usos e abusos do Rendimento Mínimo de Inserção, continua a fazer sugestões passíveis da simpatia dos portugueses e, por incrível que pareça, pessoas de todos os quadrantes políticos.
Para além de ter imposto o ritmo nos acordos para aprovação do O.E. deixando para trás o próprio PSD, desta vez Portas volta à carga com uma sugestão para que os políticos pagos pelo estado acompanhem o rigor do aumento zero (0%) porcento dos funcionários públicos, prescindindo estes do salário relativo ao 13ª mês.
Não que se trate de uma medida cuja receita tenha qualquer impacto sobre o défice, mas por uma questão de solidariedade, honestidade e como exemplo para os restantes portugueses, era bom que de vez em quando os políticos dessem um ou outro exemplo.
Ainda em relação aos (não) aumentos da função publica Paulo Portas teve ainda tempo de ironizar no seu discurso, que depois de em ano de eleições o governo dar um aumento de 2,9% aos funcionários públicos propõe para 2010 zero de aumento - “Antes de eleições, fortuna. Depois das eleições, miséria” - ironizou Portas.
Em resposta, Sócrates acusou Paulo Portas de demagogia e de querer ganhar votos fáceis com medidas avulso. Para rematar, Sócrates disse a Portas para falar com o líder da bancada socialista ou com o ministro das finanças. O mesmo ministro que disse estar dispostos a prescindir de 10% do seu vencimento para dar o exemplo.
Eu falo por mim. Gostava sinceramente, na crise que o país atravessa, de ver aqueles que têm emprego às custas do voto dos portugueses, darem pelo menos uma vez o exemplo e mostrarem que não são só candidatos e depois eleitos, para arranjar um bom emprego com um salário e regalias à altura.
Mas isso sou eu, que não passo de um mortal eleitor/contribuinte em Portugal.
Chego afinal há conclusão de que existe em Portugal quem finte bem melhor do que o Cristiano Ronaldo. Pena é no entanto, que neste caso a bola de futebol seja o povo português.
Fonte: Publico

"PSD: Paulo Rangel apresenta candidatura"

"O eurodeputado Paulo Rangel apresenta hoje à noite, no Hotel Tivoli, em Lisboa, a sua candidatura à presidência do PSD, confirmou o CM. Pedro Passos Coelho e Castanheira Barros eram até agora os únicos candidatos assumidos à sucessão de Manuela Ferreira Leite, mas há quem aponte ainda uma possível candidatura do líder parlamentar do PSD, José Pedro Aguiar-Branco.

"O Conselho Nacional do PSD reúne-se na próxima sexta-feira para analisar a realização de um congresso extraordinário, solicitado por 2500 militantes, e a marcação das eleições directas."


Por Ana Patrícia Dias,
in "Correio da Manhã"

"Hospedaria do Mosteiro de Tibães é inaugurada hoje"

"A hospedaria do Mosteiro de S. Martinho de Tibães, em Braga, é hoje inaugurada. A abertura esteve prevista para o final do ano passado, mas o espaço teve que sofrer adaptações de última hora.

"Os primeiros clientes chegam a Tibães amanhã. A inauguração é feita hoje pelo Arcebispo de Braga, Jorge Ortiga. A hospedaria será gerida pela Igreja Católica, que delegou a sua exploração num grupo de missionárias francesas. Cinco religiosas da ordem Donum Dei assumem a gestão da unidade hoteleira e do restaurante.

"A abertura ao público esteve prevista para o final do ano passado, mas os responsáveis pela recuperação do edifício foram obrigados a fazer algumas adaptações nos últimos meses para responder às exigências técnicas feitas a uma unidade hoteleira.

"A hospedaria foi criada na última fase da intervenção arquitectónica em S. Martinho de Tibães, que foi inaugurada em Setembro do ano passado. A ala do hospício e do noviciado do mosteiro, que estavam em ruínas, deram lugar à hospedaria, que tem nove quartos. No mesmo espaço foi também criado o restaurante Eau Vive, com 50 lugares, no espaço do antigo refeitório dos monges beneditinos."

Por Samuel Silva,
in "Público", 10.2.2010

"Pinto Monteiro revela cenário negro da falta de meios para combate à corrupção"

"O procurador-geral da República traçou ontem, no Parlamento, um quadro negro na investigação aos crimes de corrupção. Tudo devido à falta de meios. Perante os deputados da comissão parlamentar do combate à corrupção, Pinto Monteiro falou em perícias que demoram dois anos a fazer por existir apenas um gabinete em Portugal para as fazer e de departamentos que "não servem para nada" por terem poucos investigadores.

"Pode haver as melhores leis, se não houver meios elas caem", disse o procurador. Acentuando por diversas vezes que em Portugal só existe um departamento para fazer perícias informáticas e insistindo que há falta de meios em outros departamentos de investigação, Pinto Monteiro acabou por deixar a sugestão de se poder vir recorrer a instituições privadas para dar apoio às investigações.

"Pinto Monteiro afirmou ainda que o sistema informático ao serviço do Ministério Público tem bastantes debilidades. "Eu próprio não tenho uma base informática que me permita aceder a todos os processos. Quando me fazem perguntas eu ainda tenho de recorrer ao telefone para obter informações", afirmou.

"O crime económico avança mais depressa que a investigação. Têm mais meios, nomeadamente informáticos", acrescentou.

"Vera Jardim (PS), que preside à comissão parlamentar, questionou o procurador-geral sobre o estado do Núcleo de Apoio Técnico para o combate à corrupção, criado há 11 anos. A resposta de Pinto Monteiro foi esclarecedora: "Quando eu tomei posse tinha seis pessoas, hoje tem oito. Ou aumenta o número de pessoas para 30 ou não serve para nada. São oito pessoas para responder ao país todo".

"Já Pacheco Pereira (PSD) quis saber como o procurador avaliava o estado da corrupção em Portugal ("se grave, muito grave, ou gravíssima"). Pinto Monteiro disse que o considerava "grave e até gravíssimo", salientando porém que corrupção mais grave, "a corrupção de Estado, não existe em Portugal". Não acha porém que o fenómeno tenha vindo a crescer em Portugal. "O que acontece hoje é que a corrupção é mais investigada. O que cresceu foi a investigação", acrescentou. Na passada semana, Noronha Nascimento, presidente do Supremo Tribunal de Justiça, afirmou na comissão que não tinha indicadores que lhe permitissem avaliar o estado da corrupção em Portugal.

O ónus da prova

"Pinto Monteiro também não se mostrou muito favorável à criminalização do enriquecimento ilícito, por causa da inversão do ónus da prova. A necessidade de ser criado o crime urbanístico foi também defendido pelo procurador, que afirmou que este tipo de crime em Portugal não tem penalização.

"Outro aspecto defendido por Pinto Monteiro para um mais efectivo combate à corrupção é a fixação de montantes das prendas que são dadas a funcionários do Estado. O procurador diz que esta prática já é feita em vários países, lembrando que nos Estados Unidos o valor das prendas não pode ultrapassar os 100 dólares."

Por Luciano Alvarez,
in "Público", 10.2.2010

"Jaime Gama preocupado com a credibilidade do primeiro-ministro"

"Depois da dramatização e da ameaça de uma crise política, o PS teme agora um problema chamado José Sócrates. O incómodo provocado pela divulgação das escutas do processo Face Oculta (as já noticiadas pelo Sol e as que o semanário promete revelar na sexta-feira), e que atingem a credibilidade do primeiro-ministro, já se faz sentir ao mais alto nível do Estado. Ao que o PÚBLICO apurou, o presidente da Assembleia da República (AR), Jaime Gama, já manifestou a sua profunda preocupação com os efeitos que as notícias podem vir a ter no Governo, no PS e na liderança do partido.

"Na reunião do Conselho de Estado, na passada semana, Gama concordou com o Presidente da República sobre a necessidade de todos os partidos convergirem para a criação de uma sólida estabilidade política. Um dia depois, no Parlamento, reiterou o apelo, apontando que as instituições devem concentrar-se na "resolução dos problemas" do país. Agora, após a publicação de excertos do despacho do juiz de Aveiro, Gama ganhou novas preocupações. Que se estendem à bancada parlamentar e ao partido: em surdina, vários dirigentes do PS começam a olhar Sócrates como um problema que está a ganhar proporções cada vez maiores, sobretudo porque aguardam a divulgação de mais escutas comprometedoras para o primeiro-ministro.

(...)

A oposição em bloco votou a favor das audições a personalidades, jornalistas e entidades propostas pelo PSD. O PS ainda pediu (depois de um compasso de espera para decidirem sobre o seu sentido de voto) para o PSD alterar o texto do requerimento, mas, perante a recusa dos sociais-democratas, optou pelo voto contra.

(...)


Sócrates critica PS

"A ausência de vozes solidárias com Sócrates, entre os socialistas, foi ontem criticada pelo próprio primeiro-ministro. Que, em Cantanhede, afirmou que todos os partidos, "sem excepção", "aproveitaram o cometimento de um crime para com esse crime atacarem os adversários políticos e atacarem-me a mim, em particular" (ver texto ao lado). No entanto, horas antes, o líder parlamentar, Francisco Assis, condenara a divulgação das escutas, considerando-a como um crime de "violação do segredo de justiça e divulgação indevida de escutas".

As declarações de Sócrates não satisfizeram a oposição. PSD, CDS, BE e PCP exigem esclarecimentos sobre a compra de uma participação da TVI pela PT. E colocam a questão no campo político e não no judicial.

"Houve ou não promiscuidade entre empresas de capital público e grupos de comunicação social para compra de uma estação de televisão e mudança da respectiva linha editorial?", questionou o líder parlamentar do BE, José Manuel Pureza. O líder da bancada do PSD, Aguiar Branco, acusou o primeiro-ministro de ensaiar "mais uma vez uma imagem de vitimização" ao "atacar o PSD para desviar a atenção do essencial" - "o condicionamento do exercício da liberdade de expressão".

(...)

O líder parlamentar do CDS apontou contradições a Sócrates. "Quando questionado na AR, disse que não tinha conhecimento [do negócio], num segundo momento, depois das eleições, disse que não tinha conhecimento oficial", notou Mota Soares(...)"

Por Maria José Oliveira, Nuno Simas e Sofia Rodrigues,
in "Público", 10.2.2010

«Ferreira Leite vs Sócrates: “Como quer que confie naquilo que propõe?”»

"O frente-a-frente Manuela Ferreira Leite-José Sócrates azedou mal o primeiro-ministro acabou o discurso de abertura do debate do Orçamento do Estado no Parlamento. Tudo porque Sócrates não tinha dito “uma palavra”, acusou a líder do PSD, sobre o maior problema de Portugal: o endividamento externo do país. “Deve ser lapso meu...”, afirmou, lembrando que foram as medidas prometidas pelo Governo nessa área, no Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC), que justificaram a abstenção do PSD.

"Manuela Ferreira Leite apontou o dedo para acusar o chefe do Governo de não se importar com “grandes encargos” – “mesmo que eles nos endividem, desde que eles não tenham expressão orçamental”.

"O primeiro-ministro, concluiu, está “fora da realidade”. “Como quer que confie naquilo que o senhor está a propor se na apresentação do Orçamento omite o grande problema do país e aquele em que se baseia a viabilização do orçamento por parte do PSD?” Até parecia que o PSD iria votar contra o orçamento e não abster-se para viabilizar o documento.

"Anda distraída", respondeu Sócrates. Que insistiu na tese de que a maneira de combater o endividamento é reduzir a dependência energética do exterior e apostar nas energias renováveis, por exemplo. E apostar no aumento das exportações."

Por Nuno Simas
in "Público", 10.2.2010

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

"Hans-Gert Pöttering: Europa precisa de renovação espiritual"

"As políticas europeias “devem adotar a mensagem da Quaresma do Santo Padre”, disse Hans-Gert Pöttering, presidente emérito do Parlamento Europeu e da Fundação “Konrad Adenauer”.

"O político participou na semana passada da coletiva de imprensa na qual foi apresentada a mensagem de Bento XVI para a Quaresma de 2010: “A justiça de Deus está manifestada mediante a fé em Jesus Cristo” (Rm 3, 21-22).

"“Precisamos novamente de um espírito europeu de solidariedade com todos os povos e culturas”, disse Pöttering.

"Ele indicou que este continente precisa viver a solidariedade não somente em questões materiais, ainda que este aspecto seja importante, mas também é necessária “uma renovação espiritual”.

Presença de Deus na justiça

"Indicou que uma “visão secular sobre a ideia de justiça distributiva que se dissocia da ideia de Deus se converte em ideologia” e assegurou que um exemplo disso é a queda do sistema socialista na Europa no final do século XX.

"Por isso, disse que é importante “manter o balanço entre a ideia de justiça, que repousa na alma de cada ser humano, e a realidade material, que só pode ser concebida em relação com os demais, com nossos semelhantes e com o sistema em que vivemos”.

"Afirmou estar convencido de que a solidariedade global não ter a ver somente com os bens materiais: “Justiça e paz, redistribuição e reconhecimento só podem existir entre os povos e Estados deste mundo se nós agirmos em solidariedade e irmandade”.

"“Politicamente se fala de solidariedade – acrescentou Pöttering. Teologicamente, sempre falamos de caridade.” E nos termos caridade, solidariedade e fraternidade “se encontra a chave para uma verdadeira compreensão da responsabilidade dos cristãos do mundo”.

"Indicou como solidariedade e caridade implicam na “responsabilidade de defender e proteger a dignidade universal de cada ser humano em qualquer parte do mundo e em qualquer circunstância”.

“Se quisermos conservar a liberdade e aumentar a justiça, então devemos colocar o valor da fraternidade e o da solidariedade no centro do nosso pensamento político”, insistiu o presidente da Fundação “Konrad Adenauer”.

"Indicou que a Europa tem necessidade de um novo espírito de solidariedade “em nosso mundo contemporâneo de globalização e encontro entre culturas e religiões”.

“A Europa e a comunidade internacional têm a obrigação moral de assumir outras responsabilidades”, assegurou.

"Acrescentou que a solidariedade da Europa com o mundo “deve ser concreta” ao enfrentar o fato de que dois bilhões de pessoas vivem com menos de 2 dólares por mês.

"Convidou a estender no mundo inteiro o projeto da Organização Mundial da Saúde denominado Unitaid, que combate doenças como AIDS, malária, tuberculose e outras em 93 países pobres.

"Tal projeto é financiado com uma estratégia que algumas companhias aéreas têm, acrescentando à taxa de impostos das passagens aéreas 1 ou 2 dólares, e com isso se arrecadou nos últimos três anos 1,5 milhão de dólares.

Diálogo inter-religioso

"Pöttering indicou também que a paz e a justiça precisam de povos que respeitem as convicções religiosas.

"“O respeito recíproco no interior de um diálogo intercultural não significa fechar os olhos diante dos contrastes insuperáveis”, advertiu.

"“Não obstante, conseguiremos deter o fanatismo no mundo do século XXI somente se privarmos os fanáticos – que pretendem transformar o mundo através da violência – dos pretextos espirituais graças aos quais é possível manipular as pessoas de boa vontade.”

"Para isso, é importante um “diálogo de solidariedade” entre cristãos e muçulmanos e entre cristãos e judeus. “Precisamos disso entre os privilegiados que vivem a prosperidade e a liberdade material e entre aqueles que vivem marginalizados da existência social e cultural e que são excluídos do crescimento econômico e das oportunidades tecnológicas”.

"Pöttering concluiu sua intervenção destacando os pontos da mensagem do Papa: “renunciar à autossuficiência e aceitar nossa missão com humildade”."

Por Carmen Elena Villa
CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010 (ZENIT.org).

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Pelo sim, pelo não...

Se calhar, mais vale começar a procurar dono.

Fechaduras e jornalismo

Escutas "face oculta"

O dirigente socialista Augusto Santos Silva considerou hoje que a divulgação de escutas telefónicas efectuadas no processo Face Oculta "põe em causa fundamentos básicos de um Estado de Direito" e rejeitou que o Governo procure comandar a comunicação social.

Santos Silva sublinhou que as autoridades judiciais máximas do país "não encontraram indício de qualquer ilícito criminal", uma decisão que "os amantes do Estado de Direito devem respeitar".

Ora vamos lá fazer uma pequena análise destas palavras.
Em primeiro lugar concordo com o ministro, no que à divulgação das escutas diz respeito.
Desta forma, claro. Porque se não houvesse intimidação e domínio sobre as instituições por parte do governo, estas escutas teriam sido divulgadas de forma perfeitamente legal. Pois os "ceguinhos e surdinhos" das autoridades máximas (hehehe, autoridade) judiciais nada encontraram de suspeito. Só mesmo eles. Porque o resto do país que teve conhecimento das escutas não acha isso. Mas também somos muitos para ser possível intimidar-nos. Pelo menos de forma eficaz. Aparece sempre um "caralhote" que manda estes gajos todos "à merda".
Mas já que foram divulgadas, reparem, que para o ministro o grave não é o conteúdo. Aliás nem dele fala, não se vá "pelar" num assunto tão quente.

Faz-me lembrar o problema do "copo". Para o dono da casa está meio-cheio e para a vista meio-vazio. Mas este governo nem desse problema sofre. Pois serve-se logo pela garrafa.

Fonte: Publico

Todos pela liberdade

Todos pela Liberdade | 11 Fev | 13h30 | Frente à A.R.




Assine a petição. Aqui

Fonte: http://todospelaliberdade.blogs.sapo.pt/

Nomeações de Sócrates

Crise? Onde? Para quem? De certeza?


O segundo Governo de José Sócrates já nomeou 1361 pessoas desde que assumiu funções no final de Outubro.

Só para os gabinetes ministeriais já foram recrutadas 997 pessoas, 323 sem qualquer vínculo à Administração Pública. Estas são as principais conclusões que se podem retirar da pesquisa efectuada pelo PÚBLICO aos despachos publicados em Diário da República até à última sexta-feira.

Fonte: Publico

"A descredibilização do Primeiro-ministro"

"Marcelo Rebelo de Sousa defende que as tentativas de interferência de José Sócrates na comunicação social o desgastaram muito mas, nas actuais circunstâncias, o Governo tem de manter-se em funções.

"“Por muito grande que seja – e é – a debilitação política e psicológica e a descredibilização do Primeiro-ministro na opinião pública portuguesa, não faz sentido uma crise política”, disse.

"Situação obriga a entendimentos do Bloco Central

"No seu habitual espaço na RTP, Marcelo acrescenta que PS e PSD estão condenados a entenderem-se em nome do interesse do país.

"“A situação difícil em que está o país exige um entendimento no sentido do PEC ser apoiado por todos, os Orçamentos do Estado serem viabilizados porque não vai ser possível enfrentar esta realidade sem o apoio ou contra o PSD, como não é possível enfrentar sem a intervenção ou contra o PS”, acrescenta."

in RR, 7.2.2010

sábado, 6 de fevereiro de 2010

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

MADE IN PORTUGAL (BRAGA)

Consegue transformar qualquer superfície plana ou curva num touchscreen, um ecrã sensível ao toque, capaz de detectar 16 dedos em simultâneo e capaz até de responder ao sopro. A mais recente tecnologia desenvolvida pela empresa portuguesa Edigma, com sede em Braga, está a correr mundo nas revistas da especialidade e acaba de ser apresentada numa feira em Amesterdão, na Holanda.

Fonte: Publico

Calhandrices, calhordas e outros ministros

Por falar em calhordas que agora é nova moda (made in PS).
Sem mais comentários, leiam esta noticia.

In Semanário SOL

Denuncia do fracasso das políticas de combate à pobreza da UE

Cáritas Espanha: na Europa há 80 milhões de pobres

MADRID, 4 de fevereiro de 2010 (ZENIT.org). – A 65ª Assembleia Geral da Cáritas espanhola denunciou o que entende como “uma visão limitada” da União Europeia em não reconhecer que a pobreza e a exclusão social permanecem como alguns dos maiores desafios com que se depara a União, afirmando haver 80 milhões de pobres hoje na Europa.

A organização humanitária católica alegou, em sua página na web, que a UE não reconhece “o impacto sobre as pessoas do fato de viverem em uma sociedade com desigualdades tão pronunciadas – e crescentes”, nem a ameaça à coesão social causada pela “precária integração” dos imigrantes provenientes de diferentes culturas.

A afirmação consta na declaração final da Assembléia, realizada na semana passada em Madri, apresentada pelo secretário-geral da Cáritas, Sebastian Mora, na quarta-feira passada, numa conferência de imprensa.

Para os membros da assembleia, “a pobreza e a exclusão constituem injustiças sociais, que afetam a dignidade e violam os direitos fundamentais do homem”, de forma “inadmissível numa sociedade que dispõe de recursos e riqueza suficiente para todos”.

Por esse motivo, expressaram sua preocupação, por ocasião do início da convocação do Ano Europeu contra a Pobreza e a Exclusão Social, que na consulta realizada pela Comissão Europeia sobre a denominada UE2020, a forte pressão por subordinar todas as decisões ao crescimento econômico, que esquiva dos défices estruturais de coesão social, da precarização do emprego e da desigualdade social.

“Reduzir a agenda política a estas dimensões” – enfatizou Mora – “representa um retrocesso em relação à construção de uma visão integral da Estratégia para a Inclusão Social”, especialmente se consideramos que estamos diante de uma óptica que contrapõe os ‘mercados’ às ‘sociedades’, e que semeia uma concepção de indivíduo como mero ‘consumidor’.

Para a Cáritas, o primeiro passo para contribuir para um modelo social para a Europa baseado na solidariedade e na justiça, é essencial que, ao longo de 2010, sejam os três seguintes eixos: conferir significado real à Carta de Direitos Fundamentais; elaborar uma declaração clara de como a economia deve servir a objetivos sociais e sustentáveis, a uma sociedade mais justa e a uma distribuição mais equilibrada da renda que promova maior coesão social; e garantir o direito a uma vida digna mediante a criação de condições econômicas, sociais, culturais e éticas, tendo em vista uma sociedade mais comunitária e participativa.

Para isso, a Cáritas pede às instituições européias “mudanças substanciais no modelo social definido na Estratégia 2020”, de modo que a “coesão social constitua um elemento estrutural” da mesma, e que essa estratégia “estabeleça objetivos e prioridades para o combate à pobreza e à exclusão, e que estes compromissos estejam claramente definidos em uma carta de intenções, com metas verificáveis e quantitativas de redução da pobreza”.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Quem vai sanear este "Ranking"?

Teixeira dos Santos é o pior ministro europeu das Finanças no "ranking" do Financial Times.

Vá lá, vá lá. Pensei que o defeito era meu!

Vejam a data do artigo do Publico. Eles bem avisaram. Ninguém ligou. Pimba.

Fonte: Publico

Vamos Limpar Portugal

Vamos Limpar Portugal

O grupo concelhio de Braga do projecto Vamos Limpar Portugal reúne-se sexta-feira dia 5 de Fevereiro de 2010 pelas 21:15 horas na Associação Industrial do Minho - AIMinho, Avenida Pires Gonçalves, Braga.

Esteja presente. Ajude esta Causa. Ajude o Planeta.


Este país não é para INCOMPETENTES

A Bolsa de Lisboa acentuou a tendência de forte perda em que entrou durante a manhã, com o PSI 20 a descer já 4,44 por cento face ao fecho de ontem, e a liderar destacadamente a baixa que apresentavam todas as bolsas munidas perto das 11h de hoje.

O país gastou no ano passado 14 mil milhões de Euros a mais do que foi capaz de produzir. Em consequência o défice ultrapassou os 9%. Para 2010 prevê-se que o estado gaste 13 mil milhões de Euros. Ou seja, o caminho para baixar o defice para 3% até 2013 está cada vez mais negro.
Em consequência disso os juros sobre a divida publica portuguesa e o custo do seguro de incumprimento da mesma, aumentaram exponencialmente e Portugal colou-se definitivamente à Grécia, sendo neste momento um país à beira de um ataque de nervos. Estamos a um passo da bancarrota. Corremos o risco de o dinheiro que os bancos pedem emprestado e por suas vez as empresas e singulares a esses bancos, atinja semelhante juro que seja insuportável para o país e tenha consequências desastrosas na economia.
Mas nada se passa. Enquanto a economia entra em colapso e depois do parecer do CE ser de que a lei das finanças regionais não é motivo para uma crise politica e apelar ao consenso das partes, o PS acha que o mais importante é prolongar para o estrangeiro, para os investidores e para o mercado em geral, a imagem de ser birrento, irresponsável, obtuso, enfim, aquilo que quase todos já sabemos e os restantes estão a aperceber-se: o governo PS é caótico, incompetente, irresponsável, autoritário e vai levar país à bancarrota.
Haja alguém que ponha termo a isto.

Está cada vez mais certa a intervenção da presidência da republica.

É talvez altura de considerar o que será mais grave para o país. O arrastar desta incompetência governamental e com ela o desgoverno total do país e o efeito que já se verifica sobre a economia ou, acabar definitivamente e tomar as devidas previdências para destituir o governo e provocar eleições antecipadas.

Talvez seja um mal menor. Talvez seja o sinal de que os mercados esperam para travar esta crise.
 
Fonte: Publico, Sol, Expresso

"Quem nos defende?"

"Que o primeiro-ministro não goste de Mário Crespo não tem qualquer importância, nem para o Mário Crespo nem para o País. Grave é aquilo que este episódio nos confirma: a ideia de que se pode governar escamoteando a verdade e encenando a realidade com quanto se consiga silenciar tudo à nossa roda.

"O facto de Crespo se ter tornado um alvo a abater pelo Governo funciona, aliás, como uma irónica certificação da sua qualidade profissional. Já o facto de o JN ter suspendido a publicação do seu artigo semanal, interrompendo uma colaboração regular, é um mau sinal, mas que fica com quem o dá. Todos os argumentos evocados não colhem, o colunista é sempre responsável pelo que escreve e assina por baixo, o colunista não dá notícias, relata factos e analisa-os. Mas o que dizer de um primeiro-ministro que, acolitado por dois ministros e acompanhado por um "executivo de televisão", utiliza a hora de almoço do dia do Orçamento do Estado para discutir a remoção de Mário Crespo? E o faz, ao que parece, com a displicência de quem acha que afastar quem incomoda por evidenciar contradições e mostrar um rei que vai nu é algo perfeitamente normal.

"A conclusão é evidente: Sócrates provou uma receita perigosa e tem levado a sua avante. Nos últimos quatro anos e meio, um estilo de governação persecutório foi fazendo caminho e, apesar de muitas denúncias e de muita indignação, a capacidade cénica do Governo facilitou as necessárias manobras de diversão. Se bem me recordo, as primeiras vítimas eram funcionários públicos e serviram de aviso à navegação, testando a subserviência da máquina burocrática tomada de assalto por clientelas cuja dependência das benesses governamentais tornou veneradora das iras do poder. Depois, como sempre acontece quando se assumem os excessos como manifestações toleráveis do exercício de um mandato, seguiram-se os meios de comunicação, os jornalistas, os fazedores de opinião. E também neste caso a técnica parece ter funcionado pois, embora em democracia estes visados estivessem por definição fora do alcance da ira governamental, o facto é que parece ter saído vitoriosa essa metástase sombria de redes informais de poder feitas de pressões, chantagens e ameaças por parte dos que têm sempre alguma coisa para dar ou para tirar.

"Saber se isto é assim e, sendo-o, se é possível e tolerável é a grande questão. Num país onde as instituições estão debilitadas, onde as elites abdicaram das suas responsabilidades, onde a justiça não funciona, onde se acentuam as desigualdades, onde se reforçam as dependências, onde a soberania nacional está alienada a agências de rating, onde não se consegue reinventar um desígnio nem levantar a auto-estima nacional, onde uma sociedade civil cada vez mais debilitada se torna cada vez menos participativa, temo que sim, que seja possível e tolerado. Caso contrário, como se explica que este PS tenha ganho as eleições?

"Conheci Mário Crespo muito antes dos Frente a Frente da SIC, num tempo em que também o consideraram incómodo. Há anos que me sento regularmente àquela mesa para uma conversa a três, num espírito de total liberdade. Tempo suficiente para ter claro aquilo que ele é e o que pretende como jornalista: um espaço de debate, de ventilação e, em momentos mais críticos, um espaço de exercício do poder tribunício dos media. E é precisamente esse poder que hoje foi posto em causa."

por MARIA JOSÉ NOGUEIRA PINTO,
in "DN", 4.2.2010

"Sigilo fiscal incendeia PS"

"Líder parlamentar socialista não aceita o projecto dos seus vice-presidentes de bancada."

"Francisco Assis ficou furioso, ontem de manhã, ao saber, pelo DN, que três dos seus vice-presidentes estavam a pensar apresentar na Comissão Parlamentar da Corrupção um projecto que tornaria públicos, pela Internet, todos os rendimentos brutos declarados ao fisco por todos os contribuintes.

"Nem Mota Andrade, nem Afonso Candal nem Jorge Strecht Ribeiro lhe haviam dado conta da intenção. A qual consubstanciava uma ideia a que Assis se opõe frontalmente: a de uma espécie de big brother fiscal. Depois de confirmar que aqueles seus três vices tinham efectivamente o projecto - e até já em fase adiantada de escrita -, mandou passar a mensagem de que ao princípio da tarde falaria com os jornalistas.

"Strecht Ribeiro, entretanto, já havia também confirmado publicamente, em declarações a vários órgãos de informação, o teor essencial da notícia do DN. Disse que o projecto visava revelar apenas na Internet o rendimento bruto de cada contribuinte; sem a origem dos rendimentos nem o imposto final pago nem, por exemplo, as despesas reembolsáveis apresentadas. "É uma medida puramente preventiva, levanta preventivamente o sigilo fiscal (...), mas levanta o suficiente para que cada um de nós possa ter consciência de que a comunidade nos olha (...) isso alterará a prazo a forma como nos comportamos", explicou à Lusa.

"Enquanto isto, os dois outros subscritores do projecto, Mota Andrade e Afonso Candal - dois importantes sustentáculos do "aparelho" socrático no PS, respectivamente em Bragança e Aveiro -, tentavam por todos os meios evitar contactos com os jornalistas.

"Às 15.30, Francisco Assis, em declarações aos jornalistas, revelou-se taxativo: "A minha discordância em relação a essa proposta vai ao ponto de garantir que, enquanto eu for presidente do grupo parlamentar, ela não será apresentada pelo PS." "Essa proposta [dos três vice-presidentes] não é do PS - e quero deixar isso bem claro. O grupo não discutiu esse assunto e não tem qualquer intenção de apresentar uma iniciativa com essas características." Anunciou, ao mesmo tempo, que tencionava pôr tudo em pratos limpos: "Hoje mesmo terei uma reunião da direcção em que terei a oportunidade de debater e resolver definitivamente o assunto." "Não me reconheço nos pressupostos dessa iniciativa. Não sou só eu. Essa é a posição do PS."

"O assunto parecia resolvido - afinal não haveria projecto. Mas não foi isso que aconteceu. Strecht Ribeiro anunciaria depois que tencionava mesmo levar o seu projecto até à comissão que está a tratar da legislação anticorrupção: "O líder da bancada tem o seu ponto de vista, isso não impede os deputados de darem os seus contributos, é o que faremos."

"Na reunião da direcção da bancada, Assis censurou os seus vices por ter sido apanhado desprevenido. Recordou-lhes que têm obrigações adicionais por serem da direcção da bancada. O projecto não será do PS, apenas, a título individual, dos seus subscritores. Que se manterão vices. Se chegar a ir a votos, o projecto será chumbado. Pelo PS, inclusivamente."

por JOÃO PEDRO HENRIQUES,
in "DN", 4.2.2010

"Um problema de liberdade"

"Problema?! Sim, talvez haja um problema, mas de outra índole: o de termos um primeiro-ministro que lida mal com a liberdade de imprensa "

"O episódio José Sócrates/Mário Crespo em que o primeiro-ministro aproveitou um contacto fortuito com o director de programas da SIC para atacar violentamente o jornalista revela duas coisas: primeira, um certo baixar de nível, no comportamento que deve ser exigido aos homens de Estado; segunda, e esta é mais grave na medida em que joga com a liberdade, a existência de um padrão, na forma como o chefe do Governo se relaciona com a comunicação social. Sócrates encara os media e/ou os jornalistas mais críticos como adversários políticos, logo, como alvos a abater. E não distingue os planos de actuação das partes, além de ignorar, olimpicamente, o papel dos media na dialéctica democrática.

"Não sei se Sócrates andou, na sombra, a mexer os cordelinhos para tirar Manuela Moura Guedes dos ecrãs da TVI e José Manuel Fernandes da direcção do Público. Mas a verdade é que estes dois jornalistas já não ocupam os cargos influentes que ocupavam. Ambos eram bastante cáusticos relativamente à acção do primeiro-ministro e ambos foram por este publicamente atacados. Agora, com o jornalista da SIC, há uma identidade de padrão: Crespo escreve textos com críticas a Sócrates, que o refere a um seu superior hierárquico de forma insultuosa, sugerindo que a sua permanência no canal é um "problema". Problema?! Sim, talvez haja um problema, mas de outra índole: o de termos um primeiro-ministro que lida mal com a liberdade de imprensa. Já são demasiados casos para se tratar de um acaso ou de um mal-entendido. E a quem, por absoluta cegueira partidária, seja incapaz de encarar o assunto com frieza, sugiro o seguinte exercício: mude o protagonista destes episódios. Em vez de Sócrates, ponha Ferreira Leite a atacar, num comício, este ou aquele jornalista. Ou imagine Cavaco a dizer a um alto quadro da empresa de comunicação social onde trabalha o Mário Crespo que este é um "louco" a precisar de "ir para o manicómio" e um profissional "impreparado". Assim, de uma outra perspectiva, não dá para concluir que tais atitudes implicam um défice de compreensão sobre o que significa liberdade de imprensa?(...)"

Áurea Sampaio ,
in "Visão", 4.2.2010

Conselho de Estado

"O Presidente da República, Cavaco Silva, só convocou o Conselho de Estado, que terminou com um apelo ao “espírito de compromisso e de diálogo” no Parlamento, depois de perceber que a ameaça de demissão de José Sócrates e do Governo por causa da lei das Finanças Regionais era um cenário para ser levado a sério. Um assunto que terá sido abordado na habitual audiência semanal de Cavaco e Sócrates, na passada quinta-feira."


"Passadas quase cinco horas de reunião no Palácio de Belém, em que se sentaram à mesma mesa o primeiro-ministro e o presidente do Governo Regional da Madeira, pouco ou nada foi dito sobre o que se discutiu. José Sócrates limitou-se a afirmar que a reunião “correu muito bem” e Alberto João Jardim desejou “bom carnaval” aos jornalistas.

"O comunicado final reduziu-se a um simples parágrafo que atinge tanto o Governo como Jardim. “O Conselho de Estado reunido hoje faz votos para que predomine na Assembleia da República o espírito de compromisso e de diálogo paciente e frutuoso que permita ao país enfrentar os desafios estruturais que tem à sua frente.” Uma frase que tenta esvaziar o ambiente crispado das últimas semanas e em linha com a mensagem de Ano Novo do Presidente em que se fazia um apelo ao compromisso.

"A verdade é que quando o Conselho de Estado foi convocado os sinais da crise política já andavam nos jornais e nas palavras dos ministros . O cenário de demissão se a lei avançasse já fora colocado por Sócrates na última ronda para negociar o Orçamento do Estado, com o PSD e o CDS. Uma estratégia de dramatização que passou por ameaça idêntica do ministro das Finanças, Teixeira dos Santos. Ele que, na apresentação do Orçamento, admitira que o diploma para as Regiões Autónomas poderia pôr em causa a política do executivo.

"Na sexta-feira passada, Sócrates tinha mais um debate quinzenal na Assembleia da República, em que as Finanças Regionais foram abordadas apenas marginalmente. E antes de entrar para o hemiciclo, soube o PÚBLICO, Cavaco falou telefonicamente com Sócrates, informando-o que iria convocar o seu órgão de consulta política e qual a agenda. Que, em tese, abria espaço à discussão da “crise” e da lei para as regiões autónomas, rotulada pelo executivo de “despesista” para a Madeira. O que acontece numa altura em que o Orçamento do Estado impôs contenção e medidas para combater o défice e o endividamento externo do país. Argumentos ditos e repetidos por José Sócrates e outros ministros nos últimos dias. Francisco Assis, líder parlamentar do PS, disse-o de novo, ao fazer um derradeiro apelo ao “bom senso” da oposição para não mudar a lei.

"Mas o facto é que desde segunda-feira era claro que as negociações entre o Governo e a oposição, em especial com o PSD, tinham fracassado. Apesar dos sinais de abertura, o executivo voltou à “estaca zero”, e foi mais uma ameaça de demissão, desta vez de Teixeira dos Santos, a travar o PS de fazer mexidas na lei.

"No Parlamento criou-se um consenso alargado na oposição, do CDS ao PCP, para alterar o diploma. Uma “coligação negativa”, concluiu o PS. Voltava em força o cenário da dramatização e da crise. E é neste clima em que, passado um “problema” chamado Orçamento, com a anunciada abstenção do PSD e do CDS, o Conselho de Estado reuniu. O encontro condicionou a Assembleia: hoje a comissão de Orçamento e Finanças tem na agenda a votação na especialidade da lei que, conforme os partidos e fontes, custa entre 50 milhões de euros a 800 milhões.

"Na bancada do PS, que deu sinais de desorientação e incerteza quanto ao desfecho desta crise, esperava-se o final da reunião em Belém, para ultimar a estratégia para as votações de amanhã. Estava prevista uma reunião de Assis com o ministro dos Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão. Deputados ouvidos pelo PÚBLICO dividiram-se entre a incredulidade e a preocupação com uma crise que consideravam difícil de compreender pela opinião pública.

PSD esvazia

"O PSD tentou esvaziar o cenário de “conflito institucional”, através do líder parlamentar, Aguiar Branco. Enquanto o deputado madeirense Guilherme Silva afastou a ameaça de um veto presidencial. “Não vejo qualquer razão para o veto”, afirmou o deputado, que retirou a proposta para “retroactivos” pelos valores que a Madeira não recebeu desde 2007, ano em que o PS aprovou sozinho uma alteração à lei. Esta proposta tinha chumbo garantido não só do PS como do CDS, PCP e BE. E o PSD também votará com o CDS o faseamento, até 2013, das tranferências do IVA para a região da Madeira.

"Paulo Portas passou do apelo ao desafio a Sócrates. O líder do CDS-PP considera que “não há qualquer fundamento para uma crise política sobre as Finanças Regionais”. E desafiou o primeiro-ministro a clarificar posições: “Se alguém quer uma crise então que tenha a coragem de dizer que não governa o país na situação em que o deixou. Voltou o pântano e voltaram aqueles que abandonam na situação mais difícil”, disse Portas, no final das jornadas parlamentares, surpreendido pela falta de vontade do PS em aceitar alterações que “reduziram o impacto da lei em três quartos”. Dos 80 milhões calculados pela Unidade Técnica de Apoio Orçamental passou-se para os cerca de 40 milhões na nova redacção do CDS nas transferências para a Madeira...

"Mesmo sendo aprovada em “coligação negativa” pela oposição – e já muito mitigada pela presumível aprovação das emendas do CDS – a lei das Finanças Regionais não entrará em vigor sem antes passar pelo crivo presidencial. Tratando-se de uma lei orgânica, de acordo com a Constituição, o diploma tem de ser aprovado por maioria absoluta na Assembleia da República, o que no actual quadro parlamentar pode ser conseguido sem os votos do PS. Mas o Presidente tem direito de veto político, e fazendo-o, o diploma será devolvido à AR. Será então necessária uma maioria de dois terços dos deputados para ultrapassar. O que já exige os votos do PS.

Por Nuno Simas, com Sofia Rodrigues e Leonete Botelho,
in "Público", 4.2.2010

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

SOCRATECRACIA - II

"População mundial: do auge ao fracasso"

"A nova década de um mundo envelhecido"

ROMA, terça-feira, 2 de fevereiro de 2010 (ZENIT.org).– As Nações Unidas acabaram de publicar um relatório chamando atenção sobre o rápido envelhecimento da população mundial. Pouco depois do começo do ano, o Departamento de Assuntos Econômicos publicava seu relatório “Envelhecimento da População Mundial 2009”.

Entre os principais resultados do relatório estavam os seguintes pontos:

- O envelhecimento atual não tem comparativos com a história. É esperado que, para o ano de 2045, o número de pessoas com mais de 60 anos supere o número de menores de 15. Nas regiões mais desenvolvidas, onde se tem avançado o envelhecimento, essa situação já aconteceu em 1998.

- A idade média atual do mundo é de 28 anos, com a metade da população mundial acima dessa idade e outra metade abaixo. Na metade do século a idade média chegará provavelmente aos 38 anos.

- O envelhecimento está afetando quase todos os países do mundo, devido à diminuição de fertilidade que tem se tornado quase universal.

- O envelhecimento terá uma forte impacto no desenvolvimento econômico, investimentos, mercados trabalhistas e fiscais.

- Dado que a taxa de fertilidade é pouco provável que suba novamente para os níveis elevados do passado, o envelhecimento é irreversível e as populações jovens, algo até recentemente comum, serão mais raras no século XXI.

- No âmbito mundial, existe atualmente cerca de 9 pessoas na idade de trabalho que sustentam cada pessoa idosa. Em 2050, cairá para 4, com consequências graves para o sistema de pensões. Além disso, a atual crise econômica trará um grave declínio do valor dos fundos de pensão.

Mais relatórios

Outros relatórios recentes da ONU examinam em maior profundidade os problemas demográficos de cada país. Um estudo do Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas (UNDP), nomeado “Rússia frente aos Desafios Demográficos”, previu que a população vai continuar a diminuir, informou em 4 de outubro Associated Press.

Segundo a UNDP, a população da Rússia baixou 6,6 milhões desde 1993, apesar do afluxo de milhões de imigrantes. O relatório advertiu que em 2025 o país poderia perder outros 11 milhões de pessoas.

As consequências de tal redução serão, segundo a UNDP, o corte de mão de obra, o envelhecimento da população e o menor crescimento econômico. Em 2007 a Russía era o nono país do mundo em população. Em 2050, as Nações Unidas estimam que a Rússia irá ocupar o posto de décimo quinto na lista, com uma população menor do que o Vietnã.

A Rússia necessita reduzir seu alto índice de abortos para contrapor a tendência de diminuição da população, advertia a ministra da Saúde do país, Tatyana Golikova, informou em 18 de janeiro France Presse.

Golikova declarou que em 2008 houve 1.714.000 nascimentos na Rússia e 1.234.000 abortos.

Em sua análise de 20 de janeiro às declarações de Golikova, o centro de geopolítica Strarfor observava que, ainda que a ministra anuncie que em 2009 houve um ligeiro aumento da população da Rússia entre 15 a 25 mil habitantes, isso se deve a causas extraordinárias.

O aumento se deve, em parte, aos incentivos do governo para que os russos voltem a seu país desde as antigas repúblicas soviéticas. Depois de vários anos desse fluxo migratório, o número de russos que querem voltar diminuiu com rapidez.

Outra causa do ligeiro aumento da população é que o grupo de idade entre 20 e 29 anos soma cerca de 17% da população e se demonstra bastante fértil. A geração nascida antes dessa, no entanto, foi muito menos.

Falta de meninas

Ainda que o Vietnã esteja a ponto de superar a Rússia, o excesso de abortos naquele país está causando graves problemas, segundo o relatório de agosto de 2009 publicado pelo Fundo de População das Nações Unidas.

O estudo “Mudanças recentes na proporção entre os sexos nos nascimentos no Vietnã. Uma Revisão de Evidências”, examinava o problema dos abortos seletivos por sexo.
Normalmente a proporção dos sexos ao nascer (definida como o número de meninos nascidos por cada cem meninas), está entre 104-106/100.

Essa proporção, explicava o informe, é, em circunstâncias normais, bastante estável ao longo do tempo, em regiões geográficas, continentes, países e raças.

Os estudos sobre a porcentagem de sexos revelaram uma mudança inesperada, que começou nos anos oitenta em alguns países asiáticos, comentava a agência das Nações Unidas. “Junto ao declínio de fertilidade, essa tendência está se estendendo por países com grandes populações da Ásia, ameaçando assim a estabilidade demográfica mundial”, continuava o relatório.

No Vietnã, a proporção entre os sexos ao nascer para o ano de 2006 foi de 110/100 crianças do sexo masculino. Segundo o relatório, a mudança na proporção começou faz cerca de uma década e atualmente está aumentando em quase um ponto por ano. Nesse ritmo atual de mudança, a proporção pode superar a marca de 115 em alguns anos, estabelecia o relatório.

Se essa tendência não se inverter, o Fundo de População adverte que em 2025 o Vietnã terá um excesso significativo de população masculina. Isso terá muitas consequências negativas para o país e afetará especialmente a população adulta jovem no momento de se casar.

O fenômeno de “falta de meninas” é bem conhecido na China. Um relatório recente confirmava a prática de abortos seletivos por sexo. A Academia Chinesa de Ciências Sociais afirmou que haverá mais de 24 milhões de homens que não poderão encontrar uma esposa no final dessa década, informou em 12 de janeiro o jornal Times.

A reportagem culpava por esse desequilíbrio a política da chinesa de ter somente um filho.

“O problema é mais grave nas zonas rurais, devido à falta de um sistema de segurança social”, indicava a reportagem. “Os camponeses idosos têm de se confiar na sua descendência”, observava.

Segundo o artigo do Times, um especialista chinês afirma que em 2006 a proporção de sexo havia aumentado para 120/100.

Declínio

No país vizinho, Japão, a população segue diminuindo. Um editorial publicado em 15 de janeiro no jornal Japan Times indicava que as estimativas do ministério de Saúde, Trabalho e Bem Estar da nação calculam que em 2009 a população diminuirá em 75 mil pessoas, que é 1,46 vezes o declínio de 2008.

Segundo o editorial, o Instituto Nacional de Investigação de População e Segurança Social estima que a população do Japão cairá dos 100 milhões em 2046 para 90 milhões em 2055. A população atual se estima em cerca de 128 milhões.

Enquanto surgem cada vez mais elementos de preocupação por envelhecimento de população do mundo e a diminuição dos índices de fertilidade, o governo dos Estados Unidos está no meio de uma dramático aumento de seu apoio à anticoncepção e ao aborto por todo o mundo.

A 8 de janeiro, a secretária de Estado, Hillary Clinton, discursou com ocasião do décimo quinto aniversário da Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento que teve lugar em 1994 no Cairo, Egito.

Em sua intervenção, celebrava uma das primeiras actuações do presidente Barack Obama em seu cargo, que foi suspender as restrições de financiamento do governo federal às organizações que financiam o aborto nos países em desenvolvimento.

Também observava que os Estados Unidos renovaram seu financiamento ao Fundo de População das Nações Unidas e que o Congresso destinou 648 milhões de dólares em ajuda ao exterior para programas de planejamento familiar e saúde reprodutiva.

Prometeu ainda mais ajudas no futuro para levar ofertas de anticoncepcionais a todas as mulheres de cada nação. E também destacou o trabalho que o governo dos Estados Unidos está conduzindo junto à International Planned Parenthood Federation, conhecida por realizar milhões de abortos por ano.

O entusiasmo actual por fazer todo o possível para baixar a fertilidade está movido claramente por motivos ideológicos que não param para considerar as consequências econômicas de políticas que conduzem a um rápido declínio de fertilidade em um curto período de tempo."

Por Pe. John Flynn, L.C.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

SOCRATECRACIA

Considero-me um democrata. No entanto, e a custas da democracia ou da liberdade de expressão, muita gente comete excessos, faz difamações, diz ou escreve verdadeiras atrocidades. Muitas delas marcantes para os alvos. Muitas delas que seguirão as pessoas pelo resto da sua vida. Muitas delas que destroem famílias, carreiras, vidas.

Mas não é este o caso que aqui vou relatar. E vou fazê-lo da forma mais simples e democrata que conheço.
Começa assim. Era uma vez um jornalista, com uma carreira que fala pelo próprio. Era uma vez um primeiro-ministro que lida mal com a critica, principalmente com a da imprensa.
Era uma vez o Jornal de Noticias. Era uma vez uma crónica de opinião neste jornal, que a pretexto de o não ser, foi censurada. Era uma vez este jornalista que, com a verticalidade que se lhe reconhece, bateu com a porta ao referido jornal. Era uma vez este jornalista que pôs a boca no trombone, pregando aos quatro ventos o(s) motivos da censura ao seu artigo.

Era uma vez a confirmação, de fontes fidedignas, e várias, pois a intervenção do PM foi num local publico, de que a pressão sobre o director de informação da SIC a propósito deste jornalista.

Ou seja, após todos os casos e toda a opressão e todas as tentativas de abafar qualquer critica, José Sócrates continua igual a si próprio. Nada mudou.

Aqui fica a minha opinião (não censurada) sobre a censura que este governo pretende que seja feita sobre a opinião ou os comentários que cada um possa ter referente à sua governação (má, diga-se).

Será que também me vão perseguir?



Fontes: Expresso, JN

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Défice subiu por decisão do Governo

Eu diria, resumindo, que o "défice subiu por culpa do governo".
Assim, sim, estamos de acordo.

O primeiro-ministro, num golpe de cintura invejável, transformou hoje uma incompetência e um erro colossal do seu governo ao deixar o défice atingir os 9,3% numa acção milagrosa, justificando-a como tendo sido a forma de apoiar a economia, as famílias e as empresas.

Mas, claro. O défice aumentou, sim, mas por uma boa razão. E não por uma razão qualquer.

Mas não é tudo. Para se justificar, Sócrates diz que o défice em Portugal aumentou nos últimos dois anos 6,7%, enquanto que nos G-20 a média do aumento foi de 6,9% e na OCDE de 6,8%.

Resumindo. Não se preocupem porque não podem pagar a prestação da casa. Ou do carro. Afinal são mais de 20 as pessoas que também não pagam na vossa rua e todos os clientes da mercearia da Mariquinhas.

Ufa... que alivio.

Fonte: Expresso

Que pervertido sentido de Estado

O texto de Mário Crespo que não foi publicado:

"O Fim da Linha


"Terça-feira dia 26 de Janeiro. Dia de Orçamento.

"O Primeiro-ministro José Sócrates, o Ministro de Estado Pedro Silva Pereira, o Ministro de Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão e um executivo de televisão encontraram-se à hora do almoço no restaurante de um hotel em Lisboa.

"Fui o epicentro da parte mais colérica de uma conversa claramente ouvida nas mesas em redor. Sem fazerem recato, fui publicamente referenciado como sendo mentalmente débil (“um louco”) a necessitar de (“ir para o manicómio”). Fui descrito como “um profissional impreparado”. Que injustiça. Eu, que dei aulas na Independente. A defunta alma mater de tanto saber em Portugal.

"Definiram-me como “um problema” que teria que ter “solução”. Houve, no restaurante, quem ficasse incomodado com a conversa e me tivesse feito chegar um registo. É fidedigno. Confirmei-o.

"Uma das minhas fontes para o aval da legitimidade do episódio comentou (por escrito): “(…) o PM tem qualidades e defeitos, entre os quais se inclui uma certa dificuldade para conviver com o jornalismo livre (…)”. É banal um jornalista cair no desagrado do poder. Há um grau de adversariedade que é essencial para fazer funcionar o sistema de colheita, retrato e análise da informação que circula num Estado. Sem essa dialéctica só há monólogos.

"Sem esse confronto só há Yes-Men cabeceando em redor de líderes do momento dizendo yes-coisas, seja qual for o absurdo que sejam chamados a validar. Sem contraditório os líderes ficam sem saber quem são, no meio das realidades construídas pelos bajuladores pagos. Isto é mau para qualquer sociedade. Em sociedades saudáveis os contraditórios são tidos em conta. Executivos saudáveis procuram-nos e distanciam-se dos executores acríticos venerandos e obrigados.

"Nas comunidades insalubres e nas lideranças decadentes os contraditórios são considerados ofensas, ultrajes e produtos de demência. Os críticos passam a ser “um problema” que exige “solução”. Portugal, com José Sócrates, Pedro Silva Pereira, Jorge Lacão e com o executivo de TV que os ouviu sem contraditar, tornou-se numa sociedade insalubre.

"Em 2010 o Primeiro-ministro já não tem tantos “problemas” nos media como tinha em 2009.

O “problema” Manuela Moura Guedes desapareceu.

"O problema José Eduardo Moniz foi “solucionado”.

"O Jornal de Sexta da TVI passou a ser um jornal à sexta-feira e deixou de ser “um problema”.

"Foi-se o “problema” que era o Director do Público.

"Agora, que o “problema” Marcelo Rebelo de Sousa começou a ser resolvido na RTP, o Primeiro Ministro de Portugal, o Ministro de Estado e o Ministro dos Assuntos Parlamentares que tem a tutela da comunicação social abordam com um experiente executivo de TV, em dia de Orçamento, mais “um problema que tem que ser solucionado”. Eu.

"Que pervertido sentido de Estado. Que perigosa palhaçada."


Mário Crespo

Nota: Artigo originalmente redigido para ser publicado hoje (1/2/2010) na imprensa.

in "Sol", 1.2.2010