segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Isto foi, e isto há-de ser sempre

"Em Portugal cada um quer tudo e quando os homens são de tal condição, que cada um quer tudo para si, com aquilo com que se pudera contentar a quatro, é força que fiquem descontentes três. O mesmo nos sucede. Nunca tantas mercês se fizeram em Portugal, como neste tempo; e são mais os queixosos, que os contentes. Porquê? Porque cada um quer tudo. Nos outros reinos com uma mercê ganha-se um homem; em Portugal com uma mercê, perdem-se muitos. Se Cleofas fora português, mais se havia de ofender da a metade do pão que Cristo deu ao companheiro, do que se havia de obrigar da outra metade, que lhe deu a ele. Porque como cada um presume que se lhe deve tudo, qualquer cousa que se dá aos outros, cuida que se lhe rouba. Verdadeiramente, que não há mais dificultosa coroa que a dos reis de Portugal: por isto mais, do que por nenhum outro empenho. (…)

Em nenhuns reis do mundo se vê isto mais claramente que nos de Portugal. Conquistar a terra das três partes do mundo a nações estranhas, foi empresa que os reis de Portugal conseguiram muito fácil e muito felizmente; mas repartir três palmos de terra em Portugal aos vassalos com satisfação deles, foi impossível, que nenhum rei pôde acomodar, nem com facilidade, nem com felicidade jamais. Mais fácil era antigamente conquistar dez reinos na Índia, que repartir duas comendas em Portugal. Isto foi, e isto há-de ser sempre: e esta, na minha opinião, é a maior dificuldade que tem o governo do nosso reino.”

Padre António Vieira,
in ‘Sermões’ ( Séc. XVII )

Reino Unido garante que a pressão vai aumentar sobre a Síria

O ministro britânico dos Negócios Estrangeiros, William Hague, garantiu nesta segunda-feira que a comunidade internacional vai aumentar significativamente a pressão sobre o regime de Damasco, depois de o Presidente sírio, Bashar al-Assad, ter afirmado que não vai ceder aos apelos para pôr fim à repressão do movimento de revolta no país.

“Vamos todos aumentar a pressão. Discuti isto com o secretário-geral da Liga Árabe ontem e estou confiante que estão dispostos a fazê-lo na próxima reunião, amanhã”, sublinhou o chefe da diplomacia britânica numa entrevista esta manhã na rádio BBC.

“O comportamento do regime de Assad é chocante e inaceitável, e é óbvio que faremos tudo quanto estiver ao nosso alcance para apoiar a democracia na Síria no futuro”, prosseguiu, dando conta da crescente impaciência das potências ocidentais face ao conflito na Síria, que se prolonga há oito meses e com um saldo de mais de 3500 vítimas mortais, segundo estimativas das Nações Unidas.

Juntando-se a este intensificar da retórica contra a intransigência do regime de Damasco, o primeiro-ministro turco, Recep Erdogan, frisou já hoje que Assad tem os dias contados: “Virá o dia em que tu também partirás”, afirmou, rodeado de jornalistas à margem do fórum internacional que decorre em Istambul.

Erdogan – que já ameaçou cortes de electricidade à Síria e sugeriu mesmo adopção de sanções futuras – foi veementemente crítico às declarações recentes de Assad, numa entrevista ontem publicada pelo britânico The Sunday Times, onde se afirmou “indubitavelmente” pronto a combater e morrer se tiver que defrontar forças militares estrangeiras na Síria.

Mais quatro pessoas terão sido mortas a tiro nesta segunda-feira pelas forças policiais, em raides na província de Homs, no centro do país, foi avançado pelo Observatório sírio dos Direitos Humanos.


http://www.publico.pt/Mundo/reino-unido-garante-que-a-pressao-vai-aumentar-sobre-a-siria-1521822

O Braga fez tudo, o Sporting só fez os golos

Há um ano, Paulo Sérgio eliminou o Paços em Alvalade, mas cairia na ronda seguinte em Setúbal, no penoso caminho do técnico para o cadafalso. O seu nome era entoado no estádio e alguns assobios percorriam as bancadas. O treinador saiu sem glória e foi para a Escócia. O nome de Domingos é agora recebido com aplausos. Foi a maior ovação na noite fria deste domingo e percebe-se porquê. O Braga foi eliminado (2-0), os “leões” estão fortes e os adeptos acreditam no seu líder. É tudo muito mais calmo agora no reino do leão.

Até quando as coisas não correm bem, os jogadores parecem mascarar as insuficiências e dão a volta. Os bracarenses tinham ameaçado entrar em Alvalade para reclamar a eliminatória. Jogaram para isso, fizeram tudo para marcar. A equipa que Domingos deixou sem cabeça quando abandonou Braga, em Maio (agora liderada por Leonardo Jardim), chegou mesmo a tomar conta do jogo. Só falhou onde não devia: em frente à baliza adversária, onde o Sporting acertou, e junto à sua própria baliza, onde os “leões” foram letais.

O relvado escorregadio é inimigo dos artistas. Muitos caíram nas piores alturas. Outros erraram quando não podiam. Foi o caso de Lima, logo aos 6’, ao falhar um golo isolado frente a Patrício. Depois foi Vinícius, que se esqueceu de Capel na área e o espanhol aproveitou para fazer o primeiro golo, pleno de classe. E ainda Berni, o guarda-redes que não segurou o remate de Matías e socou a bola contra o corpo inerte de Insúa, agente passivo no segundo golo.

Mas houve mais. Domingos parecia assistir aos erros da antiga equipa e aproveitar-se disso, instigando os jogadores a não largarem a presa. A segunda parte começou com o Braga novamente em cima do adversário, mas Ewerton escorregou e Elias isolou-se. Foi Elderson a tentar redimir o companheiro e acabou expulso, por derrube do brasileiro. Foram quatro erros fatais para um Braga imenso, perante um predador que cobrou com pena máxima as suas hesitações.

Com mais um elemento, nem assim o “leão” mandou no jogo. Manteve-se na expectativa. O Braga, coxo, tentou a sorte. Mais rápido, mais forte, nunca desistiu nem deixou o Sporting tranquilo. Os jogadores leoninos eram obrigados a fazer faltas e a verem cartões (o árbitro foi muitas vezes ao bolso) - até Wolfswinkel viu amarelo. Todos corriam atrás da bola.

Jardim acabou o jogo com três avançados: Lima, Nuno Gomes e Paulo César. Poucos minutos depois de ter entrado, este último subiu mais alto que João Pereira e bateu Patrício, só que a bola foi ao poste. O Sporting estava encolhido e tentava o contra-ataque, agora com Carriço e Evaldo na equipa.

Domingos, para não se encostar muito lá atrás, também lançou Carrillo. O peruano, numa das suas rápidas investidas, sacudiu a pressão por uns segundos e acertou em cheio na barra. Ainda não se estreou a festejar um golo, mas a noite foi dele e de Capel.

O Sporting segue para os oitavos-de-final da Taça à custa de um Braga demasiado perdulário. (...)


Filipe Escobar de Lima
http://desporto.publico.pt/noticia.aspx?id=1521775

Esquerda à deriva ( XI )

El 'tsunami' de Rajoy tiñe de azul el mapa de España

El mapa electoral español se tiñe de azul con la victoria, con holgada mayoría absoluta (con 186 escaños frente a 110 del PSOE), que obtuvo este domingo el Partido Popular (PP) de Mariano Rajoy. La tendencia, que ya se marcó en las elecciones autonómicas y municipales del pasado mayo, se ha hecho realidad.

Por provincias, el PP ha ganado en 43 de las 50 que hay en España y en las dos ciudades autónomas -Ceuta y Melilla-; CiU ganó en tres provincias -Tarragona, Lleida y Girona-; el PSOE, en dos -Barcelona y Sevilla-; y PNV y Amaiur, en una cada uno (Vizcaya y Guipúzcoa, respectivamente).

La contundente victoria deja en manos populares casi todo el poder municipal, autonómico -que ganó en mayo- y nacional.

Y aún puede ser mayor esta marea azul: el próximo 4 de marzo los andaluces elegirán su nuevo ejecutivo autonómico y todo parece indicar que se producirá un histórico relevo. El PP ya ganó en mayo en esa región y este domingo obtuvo, por primera vez, una clara victoria: obtuvo 33 escaños y 1.982.091 votos, frente a los 25 y 1.590.844 votos del PSOE, y se impusieron en ocho de las nueve provincias andaluzas.

Hemiciclo fragmentado

A pesar de los habituales llamamientos a terminar con el bipartidismo éste, favorecido por el sistema electoral, continúa vigente. El PP ha obtenido 186 escaños y el PSOE 110, suman en conjunto 296 de los 350 escaños del Congreso. Lo que sí cambia es la fragmentación de la parte del hemiciclo que no será ni azul ni roja.

Trece partidos estará en el Congreso, cifra que no se veía desde las elecciones de 1989. Una parte del hemiclo que tendrá más peso -serán 54 escaños frente a los 27 de la legislatura pasada-, debido en gran parte a la debacle socialista y los buenos resultados de CiU -de 10 a 16 escaños-, los réditos recogidos por IU -que pasa de 2 a 11 escaños-, Amaiur -que entra por primera vez con siete escaños- y UPyD -que pasa de un escaño a 5-.

Sin embargo, a pesar de ser más, estarán más fragmentados. Trece formaciones estarán representadas en el nuevo hemiciclo, una cifra inédita desde los comicios de 1989 y 1979. Además de PP y PSOE, CiU (16), IU (11), Amaiur (7), UPyD (5), PNV (5), ERC (3), BNG (2), CC (2), Compromís-Equo (1), FAC (1) y GBai (1) contarán con representación parlamentaria.

http://www.20minutos.es/noticia/1226916/0/pp/marea-azul/rajoy/

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

E o que é mais importante, pelo Cristianismo

Um viver juntos europeu, vispo por Herman Van Rompuy

Para uma economia socialmente e humanamente correcta

Roma, 15 de Novembro, 2011 (ZENIT.org) - Falando em Roma, o presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy , realizou um plaidoyer para um viver juntos Europeu e para uma economia socialmente e humanamente correta.

Van Rompuy teve na manhã do Sábado 12 Novembro uma conferência na Pontifícia Universidade Gregoriana (PUG) com o título 'Solitário - Solidário', que é a essência de um viver juntos na Europa, a presença do Cardeal Zenon Grocholewski, prefeito da Congregação para a Educação Católica e Chanceler da Universidade, Padre Adolfo Nicolás, SJ, Superior Geral da Companhia de Jesus, o professor Giovanni Maria Flick, presidente emérito do Tribunal Constitucional italiano - que evocou os 150 anos da unificação da Itália - e membros do Corpo Diplomático, incluindo o embaixador da França junto à Santa Sé, Stanislas de Laboulaye.

O presidente europeu foi recebido pelo reitor da Gregoriana, o padre François-Xavier Dumortier, SI, que evocou a coragem necessária para os responsáveis políticos. A coragem política requer muito do estadista, especialmente quando se trata ao mesmo tempo, de continuar este projecto apaixonante que é a construção de uma Europa mais solidária que seja uma terra de paz e justiça, e de encontrar, dia após dia, através de luzes e sombras da história actual, as formas e meios de convivência que tenha senso, disse o jesuíta.

O Presidente do Conselho Europeu sublinhou que a Europa em permanente construção está unida por valores baseados no amor – tendo se tornado a solidariedade em nossos dias, muito institucional.

A Europa, como projeto político foi a resposta à guerra, ao horror, ela tem sido construída através da memória dos túmulos de milhões de inocentes, disse Van Rompuy. Hoje, no entanto admitiu, é de recear que ela possa cair no individualismo, cujo populismo e o nacionalismo são as expressões. O Presidente lamentou que por um lado o mundo se humaniza porque, onde quer que seja, combate a pobreza”, por outro lado, “se despersonaliza porque o nosso destino se torna sempre mais dependente de um sistema financeiro capitalista desenfreado e sem ética. De acordo com Van Rompuy, hoje, há um novo desafio para acolher, ou seja aquele de construir uma economia que chamaria de ‘socialmente e humanamente’ correcta.

O Presidente do Conselho Europeu sublinhou a importância de respeitar a pessoa. Se, amanhã, a União Europeia, a comunidade dos povos europeus, deseja chegar, a nível global, a uma maior unidade no respeito da liberdade dos povos, ela deverá, sem dúvida, fundamentar-se no que é seu gênio, ou seja, sobre uma maior solidariedade de todos no respeito pela integridade de cada um, assim reiterou.

Para Van Rompuy, a famosa estratégia dos pequenos passos tão cara aos pais da Europa, não perdeu sua relevância. A essência de uma Europa em construção não reside em um espírito de conquista, à maneira de Carlos Magno, Carlos V ou de Napoleão, mas em pequenos passos tomados todos os dias, porque na ausência de grandes sonhos, impossíveis de alcançar, nós tentamos, e repito ‘tentamos’, manter políticamente, diplomáticamente e economicamente a Europa sobre os trilhos e, para o bem de todos, a fazer avançar o comboio conduzindo-o para uma vida melhor, um melhor viver em comum”.

No início de sua palestra, Van Rompuy citou o vocábulo Europa da famosa Enciclopédia de Diderot e D'Alembert: Não importa que a Europa seja a menor parte das quatro partes do mundo por extensão territorial, porque é a mais significativa de todas pelo seu comércio, suas navegações, pela criatividade, as luzes e a operosidade dos seus povos, pelo conhecimento das artes, das ciências, dos mistérios, e o que é mais importante, pelo Cristianismo cuja moral da caridade tende só ao bem-estar da sociedade.

Anita S. Bourdin
[Tradução realizada por Thácio Siqueira]

Precisamos de políticos, precisamos de ideias, de ideias protagonizadas por gente de coragem

Venha de lá o plano B

Mesmo quando a nossa vida é dominada pela necessidade de sabermos fazer bem as contas, este não é o tempo dos contabilistas. E muito menos dos banqueiros

É humilhante ver a Europa a pedinchar junto dos seus parceiros do G20 e a levar tampa e puxões de orelhas por mau comportamento. A Europa berço da democracia, até ainda há pouco admirada pela construção de um espaço único de civilização e prosperidade, a Europa sinónimo de liberdade e de pujança jaz, doente e isolada, no leito de um destino incerto. Até este frenesim inconsequente de cimeiras, de onde os líderes vão saindo com uma mão cheia de nada e outra de coisa nenhuma, emana já o cheiro insuportável da putrefação. Por detrás da coreografia das aparências, com sorrisos, apertos de mãos e as inevitáveis photo opportunities, esconde-se a debilidade das lideranças. Por ali não se descortina pensamento político estruturado e muito menos sombra de causa ou ideal, o que é trágico quando o objetivo primordial da política deveriam ser as pessoas, o seu bem-estar e a sua felicidade. Pelo contrário, a esmagadora maioria dos poderosos que nos governam guia-se pela frieza dos números, como se a política fosse um pingue-pongue estatístico em que inflação, taxas de juro e cotações valessem por si e não pelo reflexo que têm no emprego, nas pensões ou na qualidade de vida das pessoas reais.

Mesmo quando a nossa vida é dominada pela necessidade imperiosa de sabermos fazer bem as contas, este não é o tempo dos contabilistas. E muito menos dos banqueiros, pois é a governação da alta finança que tem mergulhado a Europa na instabilidade e na angústia. Se olharmos com atenção para o currículo da maior parte das figuras que decidem as nossas vidas a partir das chancelarias europeias, reconhecemos-lhes percursos quase miméticos, desde os bancos de escola. Pensam todos da mesma forma, frequentam os mesmos sítios, revezam-se nos cargos importantes. Por exemplo, Mario Draghi, o italiano que chegou agora à presidência do Banco Central Europeu (BCE), foi governador do Banco de Itália, ex-diretor executivo do Banco Mundial e diretor executivo da famosa Goldman Sachs, um dos bancos causadores da crise do subprime. Instituição financeira de onde, curiosamente, foi conselheiro Mario Monti, o ex-comissário europeu agora muito falado para substituir Berlusconi à frente do Governo italiano. Também António Borges, o português que dirige o Departamento Europeu do FMI, foi vice-presidente do conselho de administração da mesma Goldman Sachs. Lucas Papademus, o nome que poderá suceder a Papandreou como primeiro-ministro grego, tem, igualmente, experiência na banca. Além de governador do Banco da Grécia, foi vice-presidente do BCE, sendo visto como um homem da confiança do sistema financeiro europeu. Jean Claude Juncker, o conhecido presidente do chamado Eurogrupo, foi governador do Banco Mundial e presidiu ao FMI...

Esta gente e outra da mesma estirpe já provou que não serve. Precisamos de políticos, precisamos de ideias, de ideias protagonizadas por gente de coragem, capaz de resistir à cartilha de uma austeridade que não está a resolver os problemas, mas a agravá-los. É urgente ter um plano B e é fundamental estarmos o mais unidos possível, mesmo com todas nossas diferenças. Em tempos de guerra não se limpam armas, e nós estamos em guerra. Só quem entender isso ficará na História.

Áurea Sampaio, 10 de Nov de 2011
http://aeiou.visao.pt/venha-de-la-o-plano-b=f632475#ixzz1dxSE9Epc

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

"Ó meus amigos, o que é verdadeiramente a dança?"

«SÓCRATES: Ó meus amigos, o que é verdadeiramente a dança?
ERIXÍMACO: [...] — Que queres de mais claro sobre a dança, além da dança nela mesma?/ [...]
SÓCRATES: [...] Um olhar frio tomaria com facilidade por demente essa mulher bizarramente desenraizada, que se arranca sem cessar da própria forma [...]. Afinal, por que tudo isso? — Basta que a alma se fixe e faça uma recusa, para só conceber a estranheza e o repulsivo dessa agitação ridícula... Se quiseres, alma, tudo isso é absurdo!/ [...]
FEDRO: Queres dizer, amado Sócrates, que tua razão considera a dança como uma estrangeira, cuja linguagem ela despreza, cujos costumes lhe parecem inexplicáveis, senão chocantes; ou até mesmo, totalmente obscenos?
ERIXÍMACO: A razão, por vezes, me parece ser a faculdade que nossa alma tem de nada entender de nosso corpo!
FEDRO: [...] Athiktê me parecia representar o amor. [...]
ERIXÍMACO: Fedro quer, a todo custo, que ela represente alguma coisa!
FEDRO: Que pensas, Sócrates?/ [...]/ Crês que ela representa alguma coisa?
SÓCRATES: Coisa nenhuma, caro Fedro. Mas qualquer coisa, Erixímaco. [...] Não sentis que ela é o acto puro das metamorfoses?
FEDRO: [...] não posso ouvir-te sem acreditar em ti, nem acreditar sem ter prazer em mim mesmo ao acreditar em ti. Mas que a dança de Athiktê nada represente, e não seja, acima de tudo, uma imagem dos transportes e das graças do amor, eis o que considero quase insuportável de ouvir...
SÓCRATES: Eu nada disse de tão cruel ainda! — Ó amigos, nada faço além de perguntar-vos o que é a dança; um e outro de vós parece respectivamente sabê-lo; mas sabê-lo totalmente em separado! Um me diz que ela é o que é, e que se reduz àquilo que nossos olhos estão vendo; e o outro insiste em que ela represente alguma coisa, e que não existe então inteiramente nela mesma, mas principalmente em nós. Quanto a mim, meus amigos, minha incerteza fica intacta!... Os meus pensamentos são numerosos — o que nunca é bom sinal!...»

[ mais gregos clássicos ]

«ANAXÁGORAS: Se você tem razão, posto que eu não sou você, você não pode ter
verdadeiramente razão, ó Sócrates. É necessário então que eu ainda reflita. É necessário que, retomando o que você me disse, e partindo do estado no qual você colocou o meu pensamento, tendo combatido e vencido, eu encontro finalmente uma razão em mim que, por sua vez, contém a sua própria e justifique, entretanto, minha opinião precedente. E isso sob pena de minha morte.Pois de outro modo, ao que rimaria minha existência?

«SÓCRATES: Que orgulho! Anaxágoras... O orgulho é o sentimento de ser nascido para alguma coisa que somente nós podemos conceber, e esta coisa [é] mais grande e mais importante que todas as outras. [...]/ A coisa que eu quero deve ser sempre superior àquela que quer qualquer outro. Tal é o orgulho. Ele não emana das coisas feitas nem daquilo que se é.»

in "Orgulho por orgulho", Diálogo socrático

"No fundo de qualquer homem ocidental repousa um grego" André Malraux

André Malraux escreveu que no fundo de qualquer homem ocidental repousa um grego. Quanto a mim, tive que refazer muitas vezes a imagem que desde adolescente fui-me construindo da Grécia. Depois da fase inicial, a da Grécia antojada através de manuais de história e dos poetas parnasianos, brasileiros ou franceses, veio a fase polêmica, na tentativa de destruir uma Grécia que me parecia irreversível, imobilizada no academismo, fora da experiência deste século: embora contraditoriamente soubesse que as idéias gregas continuavam a fecundar a cultura ocidental, da teologia à pesquisa leiga, da arte à política, do teatro à pedagogia.

Mais tarde a leitura de Platão e dos pré-socráticos ajudou-me a desenhar a figura duma Grécia do equilíbrio, da razão, da justa medida, que ainda podia ligar-se à nossa época por meio de numerosos fios de contacto, sobressaindo aqui o texto de "Eupalinos ou l'architecte". Mas, talvez acima de tudo, a Grécia possui uma força inesgotável: sua mitologia, que constitui ao mesmo tempo sistema cosmogônico, transposição figurada de fatos reais, reservatório sempre renovado de arquétipos e símbolos. Haverá nesta terra muitas coisas maiores que a mitologia grega, na sua capacidade de contaminar poetas e pensadores? Dai-me uma fábula grega, um "mitologema", e eu recriarei o mundo.
*

Hoje a Grécia se apresenta aos meus olhos como um país fundamental, um dos raros onde a presença do mito subsiste no ar, na paisagem, nas ruínas, também na obra de alguns poetas maiores, que posso ler somente em tradução. Grande é o meu prazer quando vejo a importância e necessidade do mito sublinhadas por algum alto espírito de cientista ou pensador; ainda agora nesta passagem de C. G. Jung:

"Infelizmente hoje se dá bem pouco desafogo ao lado mítico do homem: este não pode mais criar mitos. Assim muitas coisas lhe escapa: já que é importante e saudável falar também de coisas incompreensíveis. Na realidade, dia a dia vivemos muito além dos confins da nossa consciência; a vida do inconsciente caminha conosco sem que disto sejamos sabedores. Quanto mais domina a razão crítica, tanto mais a vida se empobrece; quanto maior carga de inconsciente e de mito somos capazes de levar à consciência, tanto mais completa tornamos a nossa vida. A razão, se superestimada, tem isto de comum com o absolutismo político: sob o seu domínio a vida individual se empobrece."



MENDES, Murilo.
"Grécia e Atenas"
in Carta Geográfica, in Transístor, Nova Fronteira, 1980.


Publicado por Patrícia Lino
http://ojardimdeadonis.blogspot.com/2011_01_01_archive.html

Frank Gehry vai desenhar hotel e museu para a Guarda

O arquitecto norte-americano Frank Gehry vai desenhar um hotel de cinco estrelas e um museu numa aldeia do concelho da Guarda. A obra assinada por Gehry integra a terceira fase do empreendimento turístico Cegonha Negra Golf Resort & SPA.

Localizados na freguesia de Gonçalo, a unidade hoteleira e o museu dedicado à comunidade judaica da região (o próprio arquitecto é filho de judeus polacos) deverão abrir ao público em 2014.

O Cegonha Negra Golf Resort & SPA encontra-se, neste momento, a construir a sua segunda fase, da que fazem parte um aldeamento turístico de cinco estrelas, 65 vivendas e um spa medicinal, num investimento que ronda os 25 milhões de euros e que deverá estar concluído dentro de um ano.

O arquitecto, vencedor do Pritzker, prémio Nobel da arquitectura, em 1989, foi contratado pelo empresário Manuel Alexandre Abreu, que em 2003 iniciou este projecto no vizinho concelho de Belmonte com o clube de golfe da Quinta da Bica.


http://p3.publico.pt/cultura/arquitectura/532/frank-gehry-vai-desenhar-hotel-e-museu-para-guarda

Base militar síria

Serviços secretos da Força Aérea são uma das agências mais temidas no país
Base militar síria atacada por desertores do exército fiel a Assad

Um grupo de soldados desertores das tropas sírias atacou durante a noite uma importante base militar do país em Harasta, perto da capital, Damasco, dando sinais de uma cada vez maior intensificação da oposição armada ao regime do contestado Presidente, Bashar al-Assad.

Segundo fontes do grupo da oposição Comissão Geral da Revolução Síria, partes do complexo da base da Força Aérea de Harasta foram destruídas, incluindo o edifício que serve de sede aos serviços secretos deste ramo das forças militares do país.

Os desertores, que se reúnem já num semi-organizado Exército Livre da Síria, usaram rockets e metralhadoras neste ataque às forças convencionais, o mais ousado desde que as primeiras manifestações pacíficas contra Assad eclodiram a 15 de Março – visando agora um alvo que é considerado um dos mais temidos no país e aquele que mais significativo papel tem tido na repressão infligida pelas autoridades contra os protestos ao regime.

Este ataque surge no mesmo dia em que a Liga Árabe reúne em Marrocos para oficializar a suspensão da Síria da organização, decidida já na semana passada, depois de o regime de Assad não ter cumprido no terreno os termos do acordo – que tinha aceite – para pôr fim a esta crise, que acumula mais de 3500 mortos, segundo estimativas das Nações Unidas.

O regime sírio, que argumenta estar a combater “grupos criminosos armados”, mantém os seus tanques e soldados dentro das cidades revoltosas, recusa permitir a entrada de jornalistas estrangeiros no país e nada fez ainda para encetar negociações sérias com a oposição, tudo condições expressamente elencadas no acordo do Plano de Acção Árabe.

Além da operação contra a base de Harasta, nos subúrbios da capital, os soldados rebeldes lançaram também durante esta noite e madrugada outros ataques, mas já de menor envergadura, contra postos de controlo militar nas imediações das cidades de Douma, Qaboun, Arabeen e Saqba. Dois dias antes o auto-designado Exército Livre da Síria atacara uma posição militar do regime em Deraa – a cidade onde surgiram as primeiras manifestações – causando a morte a 34 soldados leais a Assad e 12 desertores.

Por Dulce Furtado,
http://www.publico.pt, 16.11.2011

La crisis de la deuda en Europa «es un problema de voluntad política, no técnico», Barack Obama,

La crisis de la deuda en Europa «es un problema de voluntad política, no técnico», afirmó hoy el presidente de EE.UU., Barack Obama, en una rueda de prensa conjunta con la primera ministra australiana, Julia Gillard.

Obama indicó que, hasta el momento, los países europeos "han hecho progresos» pero añadió que la Unión Europea (UE) debe dejar claro que está decidida a «respaldar el proyecto europeo».

Hasta que eso no suceda «estaré muy preocupado hoy, mañana, la semana próxima y más allá», dijo, y los mercados continuarán los sobresaltos de los últimos días. Insistió en que Europa necesita «un plan y una estructura concreta que envíe a los mercados la señal clara de que está dispuesta a hacer lo necesario».

Hay un deseo genuino de resolver la crisis, pero con una estructura política complicada. «Es un problema de voluntad política, no un problema técnico», aseguró Obama.

Italia y Grecia han puesto en marcha gobiernos de unidad nacional que pondrán en marcha reformas, consideró. «Seguiremos asesorando a los europeos acerca de qué medidas creemos necesarias para que los mercados se calmen», dijo, pero advirtió de que esos países «van a tener que tomar decisiones duras».

En su opinión, hasta el momento, los países europeos han logrado avances en algunos aspectos, como la capitalización de los bancos, pero la prueba clave será el establecimiento de un cortafuegos lo suficientemente sólido como para demostrar «que respaldan el proyecto europeo, y el euro» y los países miembros de la eurozona tendrán la liquidez que necesitan para resolver su deuda.(...)

http://www.abc.es/20111116/economia/abci-obama-problema-euro-politico-201111160948.html

terça-feira, 15 de novembro de 2011

“Dunquerque ou Normandia?”

Só ontem acabei de ler a última edição do Expresso. O suplemento Economia traz um artigo de opinião de Luís Mira Amaral, um dos mais destacados apoiantes dos estarolas da São Caetano, com o sugestivo título “Dunquerque ou Normandia?”, através do qual se percebe o grau de consistência da coligação de direita:

‘(…) participei no desembarque cavaquista de 1985. Avancei sempre na primeira linha da infantaria, nunca consegui chegar ao estado-maior, mas curiosamente nunca fui atingido pelo fogo in, mas várias vezes alvejado pelas forças supostas amigas, as quais posteriormente me puseram em estado de coma na CGD… O mesmo parece estar a acontecer com o ministro da Economia neste desembarque. O CDS-PP quer o lugar e no PSD Moreira da Silva quer ser ministro da Energia, Transportes e Ambiente para o qual já tem como Gabinete de Estudos o Centro de Estudos da Energia, Transportes e Ambiente do Carlos Pimenta¹… O Álvaro que se cuide pois agora toda a gente reconhece a necessidade da função, talvez porque há muitos anos que não existia ministro da Economia.

No meio disto, apareceram também os treinadores de bancada, quais repórteres de guerra. Um deles, aliás já muito activo no governo Sócrates, é Bagão Félix, aquele que fez uma legislação laboral que nada resolveu mas levou a uma greve geral (um desastre em termos de análise custos-benefícios…) e que depois foi o pior ministro das Finanças que tivemos, brindando-nos com um défice superior a 6% do PIB e isto ainda sem crise financeira. Deus queira que as tropas aliadas não o sigam, se não ainda temos um novo Dunquerque…’
________
¹ Este notável texto deve também ser lido à luz dos interesses do lobby nuclear, naturalmente mais interessado na manutenção de um Álvaro sem vontade própria e que já admitiu que será estudada a possibilidade de construir uma central nuclear no país.


Publicado por Miguel Abrantes,
http://corporacoes.blogspot.com/

Governo propõe acabar com os feriados de 5 de Outubro e 1 de Dezembro

O Governo propõe cortar com os feriados de 1 de Dezembro, que assinala a restauração da independência, e de 5 de Outubro, que celebra a implantação da República,

A Renascença apurou que serão estes os dois feriados sugeridos pelo Executivo em contrapartida à proposta da Igreja, que avançou com a possibilidade de abdicar do 15 de Agosto, festa da Assunção de Nossa Senhora, e do Corpo de Deus, um feriádo móvel que calha sempre a uma quinta-feira depois do Domingo da Santíssima Trindade que, por sua vez, tem lugar na semana depois de Pentecostes.

A proposta da Igreja é, por enquanto, apenas indicativa, já que a palavra final cabe ao Vaticano, uma vez que o assunto é regulado pela Concordata entre o Estado português e a Santa Sé.

As negociações formais com a Igreja deverão começar em breve. O Estado português será representado por João da Rocha Páris, ex-embaixador de Portugal junto da Santa Sé, e o Vaticano será representado pelo bispo emérito de Bragança, D. António Montes Moreira.

Ainda ontem, o Ministro da Economia referiu que não deverá haver mais mexidas, uma vez que os feriados que restam são inamovíveis. A proposta inicial do Governo foi desde sempre o corte de quatro feriados: dois civis e dois religiosos.

por Domingos Pinto
http://rr.sapo.pt/informacao

Desemprego sobe para 12,5%

A taxa de desemprego subiu para os 12,5% em Setembro, avançou hoje a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE). Em Agosto, a taxa tinha ficado inalterada, nos 12,4%.

Os números colocam Portugal no quarto lugar da lista dos países com maior taxa de desemprego dentro da OCDE. Espanha (com 22,6%) lidera a tabela, seguida da Irlanda (14,2%) e da Eslováquia (13,5%). (...)

http://rr.sapo.pt/informacao

Determinado a não facilitar

Otelo parece entusiasmado com os tumultos na Grécia. E ressuscitou no seu pior. Diz que não gosta de ver militares na rua, mas ameaça com uma saída dos quartéis. Desta vez, diz que até pode ser mais fácil organizar um golpe que derrube o poder político do que foi em 74. Bastam 800 homens.

Na Madeira, Alberto João Jardim não prepara a revolução, mas parece. Com a "troika" a exigir-lhe poupança, decidiu dar folga aos funcionários do seu Estado para o ouvirem discursar. Como se eles tivessem ouvido outra coisa nos últimos 30 anos.

Em Lisboa, Juncker, o presidente do Eurogrupo, encontrou-se com Passos Coelho, em S. Bento, à hora em que Jardim discursava. E não terão ouvido em directo a enésima insolência do político madeirense, que, ao tomar posse – mais uma vez – festejou à dívida contraída porque agora ela não seria possível.

Visto de fora, Portugal tem sol, é ameno, simpático e conta, para já, com um primeiro-ministro que se reafirma determinado a não facilitar na correcção das dívidas. Mas quem aterrasse ontem em Lisboa e ouvisse Otelo e Jardim bem podia lembrar-se do desabafo do general romano que um dia terá constatado: há na parte mais ocidental da Ibéria um povo muito estranho que não se governa nem se deixa governar.

Ângela Silva
http://www.rr.pt/

O Presidente do Conselho, Van Rompuy, elogiou as raízes cristãs da Europa

Roma,14 de Novembro, 2011 (ZENIT.org) - Durou todo o sábado a visita a Roma de Herman Van Rompuy, Presidente do Conselho da Europa. Na parte da manhã, Van Rompuy foi recebido em audiência pelo Papa Bento XVI, tendo com o pontífice um colóquio que durou uns vinte minutos.

"Vivemos uma época de crises", começou o Papa em seu discurso ao euro dirigente belga. "Europa tem grandes problemas", acrescentou o Santo Padre, com particular referência à crise económica. Van Rompuy, em seguida, apresentou sua esposa e o resto da sua delegação ao Papa.

De acordo com o que foi referido pela Sala de imprensa da Santa Sé, a reunião foi realizada "em uma atmosfera de cordialidade" que permitiu "uma troca útil de pontos de vista sobre a situação internacional e sobre a contribuição que a Igreja católica deseja oferecer à União Europeia".

O Presidente do Conselho Europeu deu ao Papa o livro Europe epure du dessin ("Europa esboço de um projeto"), enquanto Bento XVI homenageou Van Rompuy e a sua delegação com a medalha do seu pontificado.

Após a reunião com o Papa, Van Rompuy foi recebido pelo Secretário de Estado vaticano, o cardeal Tarcisio Bertone, e pelo Secretário para as Relações com os Estados, monsenhor Dominique Mamberti.

Posteriormente, o Presidente do Conselho Europeu visitou a Comunidade de Santo Egídio, onde ficou para o almoço, discutindo ainda sobre Europa, sobre a crise econômica e sobre o compromisso da União Europeia no Norte da África, depois da Primavera árabe.

Van Rompuy, por fim, participou da conferência Viver juntos na Europa de hoje, hospedado pela Pontifícia Universidade Gregoriana, durante à qual defendeu as raízes cristãs do velho continente.

O Presidente do Conselho da Europa citou o historiador belga Jacques Pirenne, que disse: "A Europa é um verdadeiro caos, formada por antigos povos romanos, cuja civilização tem origens milenárias, e por novos povos que incluem todos os graus de barbárie e semi-barbárie. A Igreja, unindo-os no cristianismo, cria a Europa. Não será uma entidade política, nem uma entidade econômica, essa será exclusivamente uma comunidade cristã".

O cristianismo foi um "elemento constitutivo” que “marcou profundamente as estruturas” do velho continente, acrescentou o ex-primeiro ministro belga.

A Europa como projecto político "foi a resposta para a guerra, para o horror". Essa está “fundada sobre esta rejeição e sobre esta escolha, pelo homem, contra a barbárie e o totalitarismo ", disse Van Rompuy.

A união dos valores que deveriam unir as nossas comunidades não deverá ser apenas a "solidariedade", conceito que "para não ser demasiado estéril, implica uma noção de partilha e de amor". É justo o amor, de acordo com Van Rompuy, o elemento fundamental: um amor "gratuito no sentido do dom".

O amor é uma "força transcendente", sem, no entanto, ser "abstracta". "Ele precisa, também, de concretização – continuou o euro dirigente -. O amor, como também a fé, está morto se não se traduz em obras".

Depois de prestar homenagem à Companhia de Jesus e ao grande legado religioso, cultural e cívico da congregação de Santo Inácio de Loyola, Van Rompuy concluiu com um elogio à cidade de Roma, citando uma frase do Papa Pio XII: "Roma, a geradoura, a anunciadora, a tutora da civilização e dos eternos valores de vida".

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Capitão Desassisado



Outro Ponto de Vista


Acácio de Brito
in DM de 11/11/11 

“O nosso conhecimento só pode ser finito, enquanto a nossa ignorância tem necessariamente de ser infinita” (Karl Popper)

A propósito do frenesim provocado pela presença, ou não, da selecção portuguesa de futebol no europeu da bola chutada pelos pés, uma reflexão: o futebol, enquanto prática desportiva, transformou-se, para bem e para mal, numa indústria de entretenimento que move milhões. Milhões de pessoas e de dinheiro! Os seus actores principais, os jogadores, transformam-se em autênticos deuses do Olimpo. Idolatrados por multidões, têm responsabilidades acrescidas. Significam para muitos, nomeadamente, os mais jovens, modelos que procuram seguir. Recordamos o exemplo de jogadores como António Simões, Coluna, Humberto Coelho, Fernando Gomes, Jordão, Nené, José Augusto e, por que não, Nuno Gomes, Rui Costa ou Messi, como modelos de bom comportamento. Queremos, ou procuramos esquecer, exemplos de outros e de um conjunto de indivíduos, capitaneados não sabemos por quem que, na celebração de uma vitória, que nós devemos parabenizar, a estragam completamente. Sempre visto, do palanque da vitória, o gozo é o insulto ordinário e gratuito. Só não é trágico porque é cómico. As acções caracterizam bem os seus autores. Contudo, não podemos permitir que alguns, sem qualquer formação cívica
e moral, se permitam, de forma leviana, insultar tantos que gostam de futebol e até são adeptos de clubes diferentes. Bem sei que a culpa não é só dos que aparecem, mas isto não deve constituir um factor de desculpabilização. Estes, os que aparecem, têm a responsabilidade acrescida de quem é visto como modelo. Sabemos que muitos dos ídolos têm pés de barro. Os exemplos, tanto no mercado doméstico como no exterior, são abundantes, desde um Vítor Baptista a Best, ou mesmo a Diego Maradona. Mas alguns parecem que nunca aprendem...
O problema, se calhar, pode ser outro: termos alguns dirigentes que, usando e abusando da mais fina ironia, julgam mesmo que são intocáveis! Quão efémeros são os poderes temporais! Às vezes, quando nos apercebemos desta iniludível realidade, o nosso tempo já passou!

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

São Martinho

A Comissão Política Concelhia do CDS-PP/Braga, convida todos os seus militantes e simpatizantes a participar num magusto/convívio que se realizará na sede no dia 12 de Novembro pelas 17:00.

A conta que o PS deixou por pagar aos portugueses

Quinta-feira, 10 de Novembro de 2011

Análise da Proposta de Lei do Orçamento de Estado para 2012


A Comissão Política Concelhia de Braga do CDS-PP reuniu na passada sexta-feira, em conferência aberta com os militantes do concelho, para análise e discussão da proposta de lei do OE2012. Presidida por Henrique Borges, a reunião contou a presença interessada e motivada dos militantes que se quiseram questionar sobre este importante documento e que marcará, de forma indelével, a vida nacional no próximo ano. Desta reunião saíram as seguintes notas, que visam responder a duas perguntas essenciais:

Porque é que este Orçamento é mais exigente do que o acordado no memorando de entendimento com a Troika internacional?

1- O Orçamento de Estado para 2012 (OE) é um dos mais exigentes orçamentos para o pais na era democrática, quer na sua configuração inicial, quer na previsível difícil execução, que exigirá de todos uma atitude de esforço, rigor e determinação excepcionais à altura das circunstancias, também elas excepcionais, em que o pais se encontra.

2- Para a sua perfeita compreensão ter-se-á de entender o quadro da situação económica e financeira em que nos encontramos, ie, a constatação que este é um orçamento que vai além do esforço imposto pelo plano de assistência financeira internacional ao nosso país encontra a sua explicação não na livre opção política do actual governo, mas antes sim no facto que quadro financeiro com verdade apurado é, significativamente, diferente daquele que está na base do acordo celebrado com a troika internacional. Finalmente o país começa a conhecer, com verdade, a sua real situação financeira e é a essa realidade que este Orçamento responde. Não é mais tempo de enganos e de malabarismos de contabilidade. Este é um Orçamento de verdade.

3- A execução orçamental nos primeiros meses de 2011 revelou um desvio substancial do previsto, o que resultou da evidente incapacidade do Governo do Partido Socialista em aplicar as medidas com que se tinha comprometido e que, consequentemente, obriga o actual Governo tomar medidas não previstas, nem antecipadas para 2012. Só nos primeiros meses de 2011 foi consumido 70% do Orçamento, isto em meses em que não houve sequer o pagamento dos subsídios de férias e de Natal da função pública. Percentagem que corresponde à totalidade do valor do Orçamento disponível para este ano. Vamos todos ter de nos governar nos 12 meses de 2012 com igual valor daquilo que o Governo socialista gastou só em 6 meses.

4- Sem uma proposta de orçamento para 2012 que previsse um ajustamento drástico na despesa e na receita fiscais não seria possível respeitar o limite para o défice acordado no programa de assistência internacional e assumido para que Portugal pudesse continuar a cumprir com compromissos quer com os seus fornecedores quer com os trabalhadores da função pública, quer nos apoios sociais, o que, consequentemente, implicaria a paralisação do Pais e a colocação dos economicamente mais débeis numa situação insustentável.

5- A expressão popularizada de que “Há mais vida para além do défice” é uma enorme falácia: sem umas finanças públicas saudáveis não é possível o imprescindível financiamento da economia e, consecutivamente, a potenciação do crescimento económico do País e a geração de riqueza. Neste sentido, falhar as metas traçadas para o défice público é falhar a possibilidade de um crescimento económico no curto prazo.

6- Neste quadro adverso é notável que, em resultado da renegociação do Programa da Troika, se tenha corrigido algumas situações de flagrante justiça social e que assim, apesar de previstas no plano não serão executadas: o subsídio de desemprego, o subsídio de doença, os abonos de famílias e outras prestações sociais não serão sujeitos a tributação em sede de IRS.

7- É pois o actual quadro de verdade que justifica, cabalmente, as medidas adicionais que este Governo preconiza e não uma qualquer vontade masoquista de impor aos Portugueses medidas ainda mais exigentes do que aquelas assumidas internacionalmente. Este é um Orçamento extremamente exigente porque é um Orçamento de verdade, realista e de prudência.

Este é um Orçamento socialmente justo e que prepara Portugal para o futuro?

1- Portugal precisa de um Orçamento que alie a consolidação orçamental à reestruturação da nossa economia. É neste equilíbrio que se joga a nossa sobrevivência enquanto Estado soberano.

2- Ao gastarmos menos do que aquilo que vamos receber, para além de provar que conseguimos viver de acordo com as nossas possibilidades, vai-nos permitir uma real redução do défice público. Este é um bom caminho. A meta traçada é a de conseguir reduzir o défice 2/3 pelo lado da redução da despesa e 1/3 pelo aumento da receita. Consecutivamente, ao termos um Estado menos gastador, temos um Estado que vai libertar os recursos financeiros essenciais para o financiamento da economia.

3- Todas as medidas de redução de despesa deixam intactos os trabalhadores da função pública que auferem o salário mínimo e afectam primariamente as pessoas elevados rendimentos, nomeadamente através da taxa acrescida de solidariedade social. Passam também significativamente pela redução das despesas correntes de funcionamento da máquina administrativa, onde a implementação do programa PREMAC já permitiu a extinção/fusão de mais de 100 organismos. A suspensão dos subsídios de férias e Natal é essencial para evitar os despedimentos na função pública, permitindo-se desta forma menos gravosa que a necessária redução das despesas com pessoal se faça com o movimento normal das aposentações. Não fosse o desvio herdado e esta não teria sido uma medida necessária.

4- Da mesma forma, as medidas de aumento da receitam preservam a taxa reduzida do IVA no cabaz de bens essenciais, assim como a restrição de benefícios fiscais afecta sobretudo os escalões de maior rendimento, atendendo-se à dimensão do agregado familiar através da majoração das deduções para as famílias com mais filhos. Nota especialmente positiva para a taxa intermédia para os sectores essenciais de produção nacional como a vinicultura, a agricultura e as pescas.

5- Finalmente, uma nota muito positiva e uma importante marca CDS neste Orçamento: receita adicional de IVA será alocada ao financiamento do Programa de Emergência Social, aumentando os recursos destinados ao auxílio das famílias portuguesas em situação de exclusão ou carência social.

6- Por último, quanto à reestruturação da economia, será fundamental a redimensionar o sector empresarial do Estado, cujo nível de endividamento junto dos bancos nacionais constitui uma das razões de peso do estrangulamento do crédito à economia.

7- O grande desafio da política orçamental para 2012 será cumprir a meta para o défice público de 4,5% do PIB imposta pelo Memorando de Entendimento, conciliando este esforço com o estímulo à actividade económica e uma vincada equidade social.

Pensamos que este é o Orçamento necessário, ditado pelas circunstâncias, o Orçamento possível, numa tentativa de minorar os efeitos recessivos e o Orçamento socialmente justo, repartindo o esforço de consolidação das finanças públicas de forma transversal na sociedade portuguesa mas com um forte enfoque nos mais ricos, preservando os mais débeis.


Braga, 6 de Novembro de 2011

A Comissão Política Concelhia do CDS-PP/Braga

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Passos promete redução da despesa pública para 43% até 2015

Na abertura da discussão do Orçamento do Estado, o primeiro-ministro anunciou que Governo pretende fazer uma diminuição da despesa pública “sem precedentes”.

Numa intervenção que sublinhou, recorrentemente, o diálogo político e partidário em torno da proposta do Orçamento do Estado (OE) para 2012 (“somos um exemplo para os nossos parceiros europeus”), o primeiro-ministro deu a conhecer ao Parlamento uma das metas definidas pelo Executivo em relação à despesa pública: “Caminhamos rapidamente para a redução da despesa pública para 43% e esta será uma redução sem precedentes”, afirmou, garantindo que o objectivo será alcançado até ao final da legislatura, em 2015.

Esta previsão está mais ou menos em linha com o delineado nas Grandes Opções do Plano 2012-2015, que aponta para um corte da despesa pública para os 43,5%. A confirmar-se, representará uma diminuição de cerca de seis pontos percentuais do PIB, visto que, em 2011, a despesa pública ronda os 49,3%.

Ao abrir o debate parlamentar sobre o OE, Passos Coelho insistiu, por diversas vezes, em classificar o documento como “duradouro”, “sustentável” e “equitativo”, apontando ainda a sua “robustez”, “equilíbrio” e “realismo”. Considerando que as propostas inscritas no OE traduzem o início da “estabilização da economia portuguesa”, o chefe do Governo não deixou de lançar alguns elogios implícitos ao PS, que irá abster-se na votação na generalidade e na votação final global, notando que, nas últimas semanas, Portugal “evidenciou-se” pelo consenso e discussão política”.

Numa referência à situação europeia, nomeadamente na zona euro, Passos frisou que as dificuldades “não são apenas económicas e financeiras, mas também políticas”. Pelo que, sustentou, os tempos exigem mais e melhor discussão política: “Mesmo na adversidade não podemos deixar de pensar no futuro.”

Numa altura em que o Governo, juntamente com a troika, está a negociar alguns ajustamentos no programa de assistência financeira, Passos assegurou que esta negociação não corresponde a uma alteração nas metas definidas no memorando. “Não o fizemos e nunca o faremos”, asseverou, “porque o compromisso é agir e decidir nas condições que existem e que muitas vezes não dependem das nossas escolhas”.

Por Maria José Oliveira
http://www.publico.pt/

Presidente do Eurogrupo satisfeito com medidas do Governo português

Jean-Claude Juncker, presidente do Eurogrupo, mostrou-se satisfeito com as medidas adoptadas em Portugal para consolidar as contas públicas e disse que o desastre grego não se compara com as dificuldades de Portugal.

"Não há comparação possível entre a Grécia e Portugal, entre as características do desastre grego e as dificuldades momentâneas portuguesas. Por isso tudo deve ser feito em 2011 e 2012 para atingir os objectivos orçamentais que foram definidos", afirmou Juncker, que se diz satisfeito com os esforços feitos por Portugal.

http://noticias.portugalmail.pt

A economia volta a crescer em 2013

Previsões da Comissão Europeia apontam para uma contracção mais forte que o estimado pelo Governo no próximo ano. Em 2013 Portugal estará a crescer acima de 1%, mas em 2012 terá a recessão mais forte da Zona Euro, com a economia a encolher 3%.

A Comissão Europeia estima que o PIB português vai registar uma contracção de 3% no próximo ano. Uma estimativa mais pessimista que a inscrita pelo Governo no Orçamento do Estado de 2012, que antevê uma queda do PIB de 2,8%.

De acordo com as previsões de Outono, Portugal e Grécia serão os únicos países da zona euro e da União Europeia com uma contracção tanto em 2011 como em 2012, estimando Bruxelas que a economia grega recue 5,5% este ano e 2,8% em 2012.

A confirmarem-se as previsões de Bruxelas, Portugal será assim a economia da Zona Euro com a recessão mais forte no próximo ano. Uma expectativa que reflecte o impacto das medidas de austeridade a implementar no próximo ano, para que o país consiga cumprir a meta de redução do défice.

As previsões anteriores de Bruxelas para Portugal apontavam para uma contracção de 1,8% no PIB português em 2012. Quanto para este ano, Bruxelas manteve a previsão de uma queda de 1,9% no PIB.

No que diz respeito às estimativas para a Zona Euro, foram revistas em baixa para 0,5% em 2012, sendo que a Comissão Europeia não descarta um cenário de recessão na região, que continua a ser castigada pela crise da dívida.

Desemprego em alta e economia volta a crescer em 2013

Para 2013 a Comissão Europeia, nas previsões de Outono hoje divulgadas, estima que o PIB português irá crescer 1,1%.

Quanto aos restantes indicadores macro-económicos, a Comissão Europeia projecta que o desemprego se situe este ano nos 12,6%, aumentando um ponto percentual em 2012, de acordo com as previsões de outono hoje reveladas pelo executivo comunitário.

A Comissão Europeia estima que Portugal irá cumprir as metas de défice público para 2011 e 2012, prevendo mesmo um valor ligeiramente mais optimista que o Governo português para este ano, ao antecipar um valor de 5,8% do PIB. A meta definida no memorando de entendimento entre o Estado português e a 'troika' é de 5,9 %, e prevê um défice de 4,5 por cento para 2012, o objectivo traçado no quadro do programa de assistência.

Quanto à dívida pública, a Comissão Europeia prevê que chegue a 101,6% do PIB este ano e registe um aumento para 111,6% em 2012.

Já a inflação em Portugal será de 3,5% este ano, e registará um abrandamento de meio ponto percentual, para 3%, em 2012.

http://www.jornaldenegocios.pt/

Estrela por direito próprio

Depois de um ano fantástico, Nani espera atingir a 50ª internacionalização por Portugal em grande estilo frente à Bósnia e Herzegovina, esta sexta-feira, na primeira mão do "play-off" de qualificação para o EURO UEFA 2012 agendado para Zenica.

O extremo estreou-se na selecção principal em Setembro de 2006, mas apenas saiu da sombra de Cristiano Ronaldo no Manchester United FC em 2009, quando o compatriota assinou pelo Real Madrid CF. Nani alinhou em todos os jogos do Grupo H de qualificação para o UEFA EURO 2012 e está determinado em continuar a brilhar com a camisola das "quinas".

Na época passada, o antigo jogador do Sporting revelou-se figura de destaque na conquista do 19º título da Premier League por parte do United, registo recorde em Inglaterra, o seu terceiro em quatro anos. Com nove golos e 18 assistências, viu também reconhecida a influência na equipa de Alex Ferguson ao ser eleito jogador do ano de 2010/11 pelos jogadores dos "red devils".

"O Nani fez uma época fantástica no ano passado", comentou Alex Ferguson, treinador do United, após ver o seu pupilo bisar na vitória da SuperTaça de Inglaterra, por 3-2, sobre o rival Manchester City FC, isto após a sua equipa ter estado a perder. "Só está na sombra do Ronaldo porque ser português. É a única ligação que vejo. Na minha cabeça ele nunca esteve na sombra. Sempre mostrou enorme potencial, mas há jogadores que precisam de mais tempo para amadurecer."

Nani afirmou-se definitivamente desde que Ronaldo deixou Old Trafford e realizou igualmente duas das suas melhores exibições pela selecção na ausência do antigo colega de clube, quando Portugal garantiu a qualificação para o Campeonato do Mundo de 2010 ao vencer os dois jogos do "play-off" ante a Bósnia e Herzegovina, por 1-0. Em Novembro de 2009, com Ronaldo lesionado, Nani esteve à altura da responsabilidade e fez as assistências para os golos decisivos de Bruno Alves, em Lisboa, e de Raul Meireles, em Zenica.

Foi mais uma declaração de independência de um jogador que não gosta de comparações. "Sou o Nani e não o Cristiano Ronaldo", afirmou a dada altura. "Não quero comparações porque o nosso estilo de futebol é diferente."

Portugal vai lutar no "play-off" pela quinta presença consecutiva na fase final do Campeonato da Europa e Nani espera poder voltar a ser decisivo. O atacante completa 25 anos dois dias depois da segunda mão em Lisboa e, após ter falhado o Mundial de 2010 devido a uma lesão numa clavícula, confia estar na idade certa para brilhar na Polónia e na Ucrânia.

"Pensei que seria o meu Campeonato do Mundo", lamentou no Verão passado. "Estava a treinar e a jogar bem, mas é a vida." Nani não parou de crescer como jogador e tem motivos para acreditar que finalmente chegou a sua hora.

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terça-feira, 8 de novembro de 2011

Outro Ponto de Vista


 por Acácio de Brito

 “Quem procura na liberdade algo mais do que a própria liberdade é feito para servir.” (Alexis de Tocqueville)
Desde sempre considero a política uma das artes mais nobres do ser humano. Entendo-a, mesmo, como uma actividade que, na sua acção prática, sempre transfiguradora e configuradora, nos tende a aproximar de um limite próximo do infinito. Aos homens, intérpretes desta nobre arte, são exigidas qualidades que os devem diferenciar. Aliás, uma análise por mais superficial que seja, leva-nos sempre à constatação de que os líderes políticos, os verdadeiros anunciadores de uma realidade nova, são possuidores de qualidades diferenciadoras dos demais, pelo menos em tese. Não obstante este considerando,
o mundo de hoje parece-nos negar esta nossa convicção.
A política, hoje, parece mais um exercício do faz-de-conta para não fazer conta de nada. Relativismo total, com afirmações proclamadas com solenidade, desmentidas de imediato por uma realidade que teima em considerar-se outra coisa. Vejamos! Anunciaram, de forma solene, que
a carga fiscal tinha atingido o limite do “intolerável”!
A realidade nua e crua demonstra que, afinal, ou os políticos não sabiam o que se passava, o que é grave, ou então... com uma elegância que me imponho, remeto-me a um silêncio de palavras. Disseram-nos, ainda há relativamente pouco tempo, de forma desassombrada, que o problema se situava no âmbito do descontrolo das despesas intermédias. Com pompa e gráficos, ficámos, então, a saber que tudo seria facilmente resolúvel! Agora, nem se fala nas despesas ou gastos intermédios. Dizem-nos,
e com aparente convicção, que são irrelevantes. Hoje, já não são um escândalo, são uma consequência de reajustamentos do mercado em que estamos inseridos. Este faz-de-conta, este comportamento troca-tintas, não é fazer política. Política deve ser generosidade autêntica, mas aquela que não se altera ao sabor dos lugares que se vão ocupando.

Publicado em D.M. de 4/11/2011

"O Ministério não tolera indisciplina nas aulas"

O ministro da Educação, Nuno Crato, disse hoje que "não tolera indisciplina nas escolas", ao comentar um vídeo de uma aula na Escola Secundária Miguel Torga, em Monte Abraão, que decorre com várias perturbações, perante a passividade da professora.

De acordo com o jornal "Correio da Manhã" de hoje, o vídeo mostra que "um grupo de alunos monopoliza a aula sem que a professora exerça qualquer autoridade", sendo que um dos alunos, que é sempre o protagonista, levanta-se e filma, impedindo o normal decurso da lição.

Questionado esta noite sobre o episódio à margem de encontros com os sindicatos, o ministro da Educação, Nuno Crato, afirmou que o Ministério tomou "uma série de medidas em relação a isso", garantindo que um aluno da Escola Secundária Miguel Torga já foi suspenso.

"O Ministério não tolera que haja indisciplina nas aulas, não tolera que os professores possam ser maltratados verbalmente ou mesmo fisicamente, como em alguns casos tem acontecido. Queremos criar um clima de disciplina nas escolas, um clima de respeito pelo professor para que o professor possa cumprir a sua missão, que é ensinar os alunos", disse o governante. (...)

http://www.dn.pt/

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

[Sobre o niilismo (em português)]

As palavras de Bento XVI
Reflexão sobre a vida eterna

* * *

Queridos irmãos e irmãs!

As leituras bíblicas da liturgia ordinária dominical nos convida a prolongar a reflexão sobre a vida eterna, iniciada em ocasião da Comemoração de todos os fiéis defuntos. Sobre este ponto é evidente a diferença entre quem acredita e quem não acredita, ou, poderíamos dizer, entre quem espera e quem não espera. De fato escreve São Paulo aos Tessalonicenses:"não queremos, porém,irmãos, que sejais ignorantes acerca dos que já dormem, para que não vos entristeçais como os outros que não têm esperança." (1Ts 4,13). A fé na morte e ressurreição de Jesus Cristo marca, também neste campo, um divisor de águas decisivo. São Paulo sempre recorda aos cristãos de Éfeso que, antes de acolher a Boa Nova, estavam "sem esperança e sem Deus no mundo" (Ef2,12). Na verdade, a religião dos gregos, os cultos e mitos pagãos, não eram capazes de iluminar o mistério da morte, de fato uma antiga inscrição dizia: "In nihil ab nihilo quam cito recidimus", que significa: " No nada do nada logo cairemos". Se tiramos Deus, se tiramos Cristo, o mundo recai no vazio e na escuridão. E isso se reflete também nas expressões do niilismo contemporâneo, um niilismo muitas vezes inconsciente que infelizmente, destrói muitos jovens.

O Evangelho de hoje é uma palavra célebre, que fala de dez jovens enviadas à uma festa de casamento, símbolo do Reino dos Céus, da vida eterna(Mt 25,1-13). É uma imagem feliz, com a qual Jesus ensina uma verdade que nos coloca em discussão, de fato, daquelas dez jovens: cinco entraram na festa, porque, na chegada do esposo, tinham óleo para acender suas lâmpadas; enquanto as outras cinco ficam de fora, porque, tolas, não levaram óleo. O que representa este "óleo", indispensável para ser admitido no banquete nupcial? Santo Agostinho (disc 93,4) e outros autores antigos lêem como símbolo do amor, que não se pode comprar, mas se recebe como dom, se conserva no íntimo e se aplica na prática. Verdadeira sabedoria é aproveitar a vida mortal para realizar obras de misericórdia, porque, depois da morte, isso não será mais possível. Quando nos acordarmos para o juízo final, este será realizado na base do amor praticado na vida terrena(Mt 25,31-46). E este amor é dom de Deus, derramado em nós pelo Espírito Santo. Quem acredita em Deus-Amor leva dentro de si uma esperança invencível, como uma lâmpada com a qual atravessar a noite além da morte, é alcançar a grande festa da vida.

À Maria, Sedes Sapientiae, pedimos que nos ensine a verdadeira sabedoria, aquela que se fez carne em Jesus. Ele é a via que conduz à esta vida em Deus, ao Eterno. Ele nos mostrou a face do Pai, e assim nos deu uma esperança repleta de amor. Por isto, à Mãe do Senhor a igreja se dirige com as seguintes palavras: "Vita, dulcedo, et spes nostra". Aprendendo dela a viver e morrer na esperança que não desilude.

[Tradução: ZENIT. ©Libreria Editrice Vaticana]

Bento XVI na lista dos mais «poderosos» do mundo 2011, segundo a revista Forbes

Na sétima posição

Quien conoce un poco de prensa le resulta familiar el nombre de la revista Forbes, ampliamente conocida por ser una publicación especializada y con excelente acogida en el público al que principalmente está destinada: líderes de negocios y empresarios alrededor del mundo. La información que ofrece va enfocada a ese auditorio y de ahí su lema «Information for the World´s Business Leaders».

Una de sus secciones habituales son los rankeos que periódicamente hace sobre variadas áreas. La de inicios de noviembre de 2011 la ha dedicado, como es costumbre una vez al año, a las personalidades «más poderosas» del mundo. En la lista 2011 de las 70 personalidades aparece el Papa Benedicto XVI en la séptima posición, después del presidente de los Estados Unidos, que ocupa el primer lugar; de Vladimir Putin, primer ministro ruso (2º lugar); Hu Jintao, presidente chino (3er. Lugar); Angela Merkel, canciller alemana (4º lugar y la mujer mejor posicionada de toda la lista); Bill Gates (fundador de Microsoft, en el 5º lugar) y el rey saudita Abdulah bin Abdulaziz al Saud (en la sexta posición). (...)

Sobre el Papa Benedicto XVI refiere Forbes: «Es el líder espiritual de una sexta parte de la población mundial -1.2 mil millones de almas-; ofrece la última palabra en materia de aborto, matrimonio gay, mujeres sacerdotes y, más recientemente, se ocupa de Wall Street. En octubre el Vaticano II invitó a una autoridad supranacional para supervisar la economía global: "Para que funcione correctamente la economía se necesita la ética y no de cualquier tipo, sino una centrada en las personas"» (se puede consultar el perfil del Papa en Forbes aquí http://www.forbes.com/profile/pope-benedict-xvi/)....)

Los diez primero puestos de la revista Forbes.
Resulta interesante que uno de los criterios de elección sea la influencia moral que, en este caso concreto, tiene una persona sobre muchas otras (los temas están enunciados de hecho por Forbes misma). El «poder» del Papa no es económico, militar o tecnológico, sino moral. Y que sea una publicación de cariz económico-financiero-social la que lo recoja y reconozca es todavía más elocuente. De suyo destaca el énfasis puesto en el tema de la ética económica centrada en las personas y, aunque no lo cita explícitamente, es en Caritas in veritate, la encíclica «económico-social» de Benedicto XVi, donde él tocó personalmente los temas aludidos.

Desde luego que Forbes no ha hecho una apología del Papa pero es buena señal que se reconozca la labor de Benedicto XVI como voz de los que no la tienen en un periodo de crisis económica donde no pocos hombres y mujeres han quedado sin empleo.

http://www.religionenlibertad.com/

"Pode-se acreditar no ministro das Finanças?”

Marcelo Rebelo de Sousa pergunta se há motivos para dar credibilidade e acreditar em Vítor Gaspar, o ministro das Finanças.

Lembra o comentador da TVI que, primeiro, o ministro disse que era preciso cortar dois subsídios (de Natal e de férias) e que não havia folga orçamental, mas, afinal, agora, a pedido do PS, parece que já não é preciso. “As pessoas ficam a pensar”.

Diz Marcelo que, quer o primeiro-ministro, Passos Coelho, quer o ministro das Finanças, vieram garantir que a única solução era o corte dos dois subsídios. Afinal, a dúvida instala-se.

“É verdade? Enganaram-se nas contas ou aquilo não era exactamente assim? Era para exagerar ou meter medo? Ou a situação melhorou espectacularmente em termos orçamentais – e isso é boa notícia – ou então lança-se o balão para assustar o povo e depois recua-se um bocadinho”.

O antigo líder social-democrata acrescenta que a confirmar-se que, afinal, só vai haver um corte, isso são boas notícias para os portugueses.

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quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Orgasmo pode causar amnésia

Sexo pode afectar a memória. A Universidade de Georgetown, nos EUA, publicou um estudo de caso interessante: uma mulher de 54 anos chegou ao hospital reclamando que não se lembrava de nada do que havia ocorrido nas últimas 24 horas. E tudo começou após um orgasmo, ao fazer sexo com seu marido.

Os autores da pesquisa dizem que ela sofreu amnésia temporária por conta do sexo, uma situação rara e que dificilmente ocorrerá novamente com a mesma pessoa. “Pode estar relacionada a alterações no fluxo sanguíneo que alimentam a formação de memórias do cérebro – uma consequência da circulação sanguínea que ocorre durante o sexo.”

Segundo os estudiosos, a tal amnésia ocorre apenas em 3 a 5 pessoas em cada 100.000. Com homens e mulheres, principalmente com mais de 50 anos.

in ABCNews

"Cidade mal planeada?"

Na última reunião de vereação, realizada um dia após o forte temporal que assolou Braga, Ricardo Rio acusou Mesquita Machado de uma "claríssima falha no planeamento da cidade". Acrescentando a isto, sublinhou a escassez de meios que a protecção civil dispõe no município, problema que já foi levantado em outras situações semelhantes.

A questão do planeamento urbano é oportuna e justificará, no futuro, uma análise mais aprofundada. Sendo a área do planeamento um parâmetro multi-disciplinar, exigiria a presença, não apenas de arquitectos ou geógrafos, mas também de arqueólogos, historiadores, sociólogos, bem como outras instâncias que se dedicam a aprofundar a natureza do tecido urbano bracarense ou que trabalham em projectos de vertente social. Se uma cidade não é construída tendo em atenção o seu contexto histórico, sociológico e urbanístico, então os decisores políticos, quaisquer que sejam, correrão o sério risco de cometer erros difíceis de corrigir. Talvez Braga esteja a começar a pagar o preço de um crescimento acelerado e, seguramente, pouco reflectido.

É uma pena que nas reuniões de Assembleia Municipal ou de Vereação não co-exista um esforço conjunto por pensar as linhas com que se traça uma cidade. Não basta alterações de PDM atempadas, mas é necessário que sejam bem discutidas e aprofundadas. Não pode ser de ânimo leve, que se deixa destruir edifícios referência na arquitectura da cidade, ou que se permite o desaparecimento de ruas e das respectivas comunidades, como entretanto já sucedeu. Não basta traçar avenidas e artérias com a régua e esquadro. Não chega permitir uma volumetria de construção suficiente para determinada área. É preciso ir mais longe! É necessário pensar nas pessoas que aí se irão concentrar. É preciso entender a história como parte integrante da própria cidade. É preciso perceber que tipo de estruturas são necessárias patrocinar para o serviço do conjunto de cidadãos que determinada área alberga. A falha nos espaços verdes e de lazer é, talvez, o maior pecado e evidência das últimas décadas de gestão autárquica.

Salvaguardo que em Braga nem tudo é falha e desorganização. Há bons exemplos de urbanismo. Pena é que haja também tão maus planeamentos efectuados..
.
Que soluções poderemos adoptar para minorizar os efeitos de uma cidade, em parte, mal planeada? Seria este um tema tão pródigo para o futuro de Braga. Assim os 'nossos' políticos o queiram discutir...

por Rui Ferreira,
http://bragamaior.blogspot.com/

A bizarria de se chamar Seguro

António José Seguro, o novo líder do PS, dificilmente podia ter gerido pior a decisão sobre como votar o Orçamento do Estado mais odiado das últimas décadas.

Inseguro no partido, Seguro deixou-se empurrar para um estado de hesitação insuportável. Também aqui estamos com azar: uma oposição à altura faz sempre falta.

Foram os socialistas que pediram ajuda externa, foram eles que negociaram com a “troika” os 70 mil milhões que nos livraram da insolvência. E foram eles que geriram o país nos anos que mais directamente nos conduziram aqui. Não foram eles, é certo, que fizeram o Orçamento que aí vem e ao qual não quererão ficar amarrados. Mas a saída airosa não exigia ser genial.

Bastava António José Seguro dizer: este é um mau Orçamento, não posso aprová-lo por discordar do seu conteúdo, mas a situação do país exige conjugação de esforços e, por isso, o PS abstém-se. E, quanto mais cedo o dissesse, mais ganhava com isso: descolava do conteúdo do pacote de horror que aí está, mas mostrava o sentido de Estado exigido ao segundo maior partido. E deixava-se de dúvidas existenciais.

Não foi capaz. Pressionado internamente pelas várias correntes à solta no PS – uns a pedir sangue, outros nem por isso – António José Seguro começou por dizer que só havia 0,0001% de hipóteses de chumbar o Orçamento. Mas foi a reboque do desastrado tiro de Cavaco Silva – que, se queria promover a concórdia, acabou a incendiar os ânimos. E, a poucos dias de ter que votar o Orçamento do Estado, o PS continua dividido e a alimentar um tabu que só fragiliza o seu líder.

Passos Coelho aproveita a fragilidade alheia e já avisou que se o PS tiver uma fórmula fantástica de fazer diferente do Governo, sem deixar de cumprir o que a “troika” lhe exige, ele pára para ouvir. Mas, até agora, do lado da barricada socialista, o silêncio é total. Alguém conseguirá explicar aos socialistas que não há eleições no horizonte?


por Ângela Silva,
http://rr.sapo.pt/opiniao, 27-10-2011

Último recurso de Isaltino foi recusado

O Tribunal Constitucional (TC) considerou transitado em julgado o seu acórdão de Outubro relativo ao caso do autarca de Oeiras Isaltino Morais, que pedira uma aclaração sobre uma decisão deste tribunal que lhe tinha sido desfavorável.

Um comunicado daquele tribunal superior refere que "na sessão de 31 de Outubro de 2011, a 2/a Secção do TC proferiu decisão em que (...) considerou transitado em julgado, nessa data, o seu acórdão de 11 de Outubro de 2011" relativo a um recurso de Isaltino Morais.

A defesa do presidente da Câmara Municipal de Oeiras tinha apresentado a 27 de Outubro um requerimento ao TC para que este esclarecesse o sentido da decisão desfavorável relativa ao recurso anteriormente apresentado pelo autarca.

A 12 de Outubro os juízes do TC decidiram por unanimidade não julgar inconstitucional o artigo da lei que impede o julgamento por tribunal de júri dos crimes de participação económica em negócio, de corrupção passiva para acto ilícito e de abuso de poder quando são cometidos por um membro de um órgão representativo de autarquia local.

Nesse dia, o advogado do autarca mostrou-se surpreendido com a "rapidez da decisão" do TC, proferida em menos de uma semana após a entrega do recurso.

Isaltino Morais foi condenado em 2009 a sete anos de prisão e a perda de mandato por fraude fiscal, abuso de poder e corrupção passiva para ato ilícito e branqueamento de capitais. Posteriormente, a pena foi reduzida para dois anos pelo Tribunal da Relação.

Em maio, o Supremo Tribunal de Justiça rejeitou um pedido de anulação da pena de dois anos de prisão efectiva e fez subir para o dobro a indemnização cível a que estava sujeito a pagar. Para que a decisão não transitasse em julgado, o autarca apresentou recurso ao TC, que agora foi chumbado.

Papandreou cada vez mais tremido

O primeiro-ministro grego, George Papandreou, deve apresentar a sua demissão em breve ao Presidente Karolos Papoulios, avança a BBC online. Uma fonte do gabinete de Papandreou, no entanto, assegura à Reuters que este não se demitiu. E a televisão pública grega está a dizer que exclui essa possibilidade.

A televisão britânica diz que Papandreou deve oferecer-se para formar um governo de coligação, que seria liderado pelo ex-presidente do banco central Lucas Papademos como primeiro-ministro. Estas seriam as conclusões da reunião de emergência do conselho de ministros, que esteve a decorrer esta manhã, avança o site da emissora britânica, que cita fontes em Atenas não identificadas.

"O primeiro-ministro vai falar, como previsto, no Parlamento, mais tarde. Não há nenhuma demissão", disse fonte do gabinete de Papandreou à Reuters, face a estas notícias.

O ministro das Finanças,Evangelos Venizelos, tinha-se afastado de Papandreou esta manhã, após regressar de um encontro na cimeira do G20, em Cannes, opondo-se ao referendo. "A posição da Grécia na eurozona é uma conquista histórica do país que não pode ser posta em dúvida", afirmou.

A reunião de emergência do Conselho de Ministros é a de um Executivo dividido. Alguns deputados já tinham abandonado o grupo parlamentar, acabando com a maioria governamental socialista. Numa carta assinada por cerca de 30 parlamentares socialistas e também da oposição, era proposto o nome de Lucas Papademos, político muito respeitado na Grécia, para liderar um “governo de salvação nacional”.

http://economia.publico.pt/

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

UE suspende sexta tranche até Grécia cumprir acordo

Os líderes europeus recusam renegociar os requisitos para o segundo resgate da Grécia e vão bloquear a ajuda urgente de 8 mil milhões de euros ao país, caso Atenas não aplique os ajustes exigidos, segundo a imprensa espanhola e francesa.

Segundo a agência Europa Press, que cita o jornal Le Monde, essa é a mensagem que o presidente francês, Nicolas Sarkozy e a chanceler alemã, Angela Merkel, vão transmitir ao primeiro-ministro grego, George Papandreou, durante a reunião desta tarde.

Nesse encontro vão participar também a directora geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, e os representantes das instituições da União Europeu.

Recorde-se que a ajuda de 8 mil milhões de euros, que corresponde à sexta tranche do primeiro resgate à Grécia, foi aprovada a 21 de Outubro, depois de vários atrasos da Grécia na aplicação de medidas de austeridade acordadas.

O Le Monde refere que tanto a União Europeia como o FMI consideram «inimaginável» entregar os 8 mil milhões de euros depois do anúncio do referendo. Segundo o mesmo jornal os líderes europeus vão pedir também a Papandreou que questione directamente os cidadãos gregos sobre se desejam ou não sair da moeda única.


http://www.abola.pt

La Piovra

“Negócio” do urbanismo

As suspeitas de corrupção nos pelouros de urbanismo das câmaras municipais já nem surpreendem, de tal modo se banalizaram.

Nesta matéria, as maiores vigarices consistem na alteração abusiva da capacidade construtiva dos terrenos. Deste modo, áreas agrícolas que permitiam apenas uma agricultura de subsistência a pobres agricultores, mudam de mãos e, como que por magia, aí nascem edifícios de quinze ou vinte andares. São as alterações aos planos directores municipais, feitas por desejo de quem domina o poder político.

Mas há mais, muito mais. Quantas vezes são até licenciados edifícios ilegais, que violam os regulamentos em vigor. Tudo isto acontece graças a uma total promiscuidade entre promotores imobiliários e vereadores do urbanismo, num sistema em que vigora também uma legislação confusa que permite todas as arbitrariedades.

Com este tipo de esquemas, terrenos de cem mil euros podem passar a valer dois milhões. Assim, o “negócio” do urbanismo gera assim margens de lucro só comparáveis às do tráfico de droga. Não é pois de admirar que se instalem, na política local, o mesmo tipo de mecanismos perversos e o mesmo tipo de máfias.

Paulo Morais
http://rr.sapo.pt/opiniao

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Outro Ponto de Vista

Acácio de Brito
in Diário do Minho, 18/10/2011

 “Se quisermos preservar uma sociedade livre, é essencial que reconheçamos que o facto de um determinado objectivo ser desejável não constitui justificação suficiente para se usar de coerção.”
Friedrich Hayek

Uma declaração prévia de interesses: sou quadro da administração pública, funcionário público, com um vínculo contratual de nomeação.
Tenho uma opinião que sujeito a escrutínio e sou apoiante desta maioria de governo.
Não obstante, a propósito dos disparates que por aí pululam, nomeadamente com os considerandos sobre as características do emprego público e da sua pretensa duração “para
sempre”, a propósito da introdução disparatada de um imposto direccionado apenas a alguns, diga-se, em abono da verdade, que só tem esta opinião quem é manifestamente ignorante ou, pior, pratica uma desonestidade intelectual.
A maioria dos funcionários públicos tem um estatuto contratual de contrato individual de trabalho de funções públicas, ou de tempo incerto ou determinado. Logo, pode ser dispensado, vulgo, objecto de despedimento previsto na Lei.
Aliás, o actual ministro das Finanças, a fazer fé no que disse, só não promove o despedimento de cerca de 50 a 100 mil funcionários públicos porque é mais barato, segundo o próprio, a adopção deste imposto, vulgo confisco dirigido.
As excepções aos contratos para funções públicas, as consideradas nomeações, são apenas para os servidores de serviços com determinadas especificidades, mormente, as forças de segurança, os magistrados, diplomatas e inspectores.
Vem isto a propósito de se ouvir dizer que os funcionários públicos gozam da prerrogativa de emprego para a vida, contrariamente aos do mundo privado. Não é de todo verdade, como as palavras de Vítor Gaspar, obviamente confirmam.
Os professores, muitos deles com uma precariedade contratual assinalável, alguns com muitos anos de docência, encontram-se no desemprego. E a tendência é para piorar. Contratos de curta duração, só enquanto são necessários ao sistema. Os técnicos da área de saúde com vínculos laborais a roçar o limite da legalidade, e os técnicos da área social, sem perspectiva de carreira, e aposentados/pensionistas sem qualquer poder reivindicativo, encontram-se na mesma situação.
Estes três exemplos das áreas consideradas com maior custo agregado nas despesas públicas, (educação, saúde e segurança social) com as remunerações, ilustram que, afinal, a diferença entre o público e o privado reside em que num dos sectores, a função pública, são alteradas as condições previstas de remuneração de forma arbitrária, em contraponto com o privado, que tem de ser objecto de acordo em sede da concertação social.
Temos de perceber que o novo paradigma/modelo legislativo, nomeadamente a Lei n.o 59/2008, de 11 de Setembro, implicou, per se, o início de um processo de laboralização do emprego público, nomeadamente com a aplicação de um novo contrato de trabalho e a passagem de uma visão estática do emprego público, de outrora, para uma jurisprivatização do direito laboral, que pode ser ilustrada no binómio expulsão versus despedimento, e tem enquadramento instrumental no Estatuto Disciplinar.
Estes considerandos encontram substantividade na recente intenção prevista na proposta da Lei de orçamento do “confisco” de dois meses de remuneração/subsídios de Natal e de Férias, apenas dos funcionários públicos, o que já mereceu, até por parte do Senhor Presidente da República, manifesta discordância.
E esse desacordo público pode ser entendido como alerta para o facto de se estar a dar importância ao fácil e acessório – corte nas remunerações/subsídios – esquecendo o importante – a reforma dos serviços que ao Estado deve competir fazer.
Sem essa reforma estruturante do Estado, estes “estupros fiscais” ou “confiscos” brutais são paliativos. Entretanto, todos sabemos que não mais haverá lugar a qualquer tipo de recuperação do que agora é, indevidamente, retirado.
Os assuntos de Estado são demasiado sérios e importantes para estar nas mãos de “guarda-livros”, mesmo encartados, ou de “troca-tintas”.
Com efeito, eles tratam e afectam as nossas vidas de pessoas, irrepetíveis e únicas.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

"Portugal está no bom caminho".

Chefe do fundo de resgate europeu, Klaus Regling, elogia Portugal pela forma como tem conduzido o seu programa de reajustamento económico e financeiro.

O chefe do fundo de resgate europeu, Klaus Regling, elogiou hoje Portugal pela forma como tem conduzido o seu programa de reajustamento económico e financeiro, afirmando que o país "está no bom caminho".

"Portugal está a caminho de se tornar uma história de sucesso", disse Klaus Regling numa conferência de imprensa em Pequim. As autoridades portuguesas "estão a alcançar os objetivos" e "estão no bom caminho", acrescentou.

Klaus Regling falou de Portugal depois de ter evocado o "sucesso" obtido pela Irlanda, outro país da zona euro que recorreu à ajuda financeira externa.

"A Irlanda é uma historia de sucesso, o que é também reconhecido pelos mercados", disse Regling, salientando que nos últimos quatro meses, os juros dos títulos da dívida soberana irlandesa a 10 anos "desceram de 14 por cento para 8,5 por cento".

O chefe-executivo do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF) destacou ainda que a Irlanda conseguiu "melhorar a competitividade" e "baixar o deficite".

"Portugal começou seis meses mais tarde do que a Irlanda (o programa de reajustamento) mas está também no bom caminho", afirmou. Sobre a reestruturação da divida grega, Regling disse que se trata de "tratamento excecional" e que "não será repetido noutros países".

"Os outros países não terão necessidade (desse tratamento)", acrescentou O Fundo Europeu de Estabilidade Financeira foi criado em maio de 2010, com uma dotação de inicial de 240.000 milhões de euros.

"Os 17 países da zona euro são os acionistas do Fundo e proporcionam as garantias para a emissão de títulos", recordou.

Klaus Regling chegou a Pequim hoje de manhã (hora de Lisboa) para contactos com responsáveis do ministério chinês das Finanças e do Banco Central da China.

Quarenta por cento dos títulos emitidos este ano pelo FEEF foram comprados por investidores asiáticos, entre os quais chineses, indicou Regling, sem precisar os montantes.

A visita ocorre dois dias depois da última cimeira da zona euro, que decidiu aumentar a capacidade do FEEF para cerca de um bilião de euros.



Ler mais: http://aeiou.expresso.pt/portugal-esta-no-bom-caminho=f683937#ixzz1c4ah0E7K

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Tintin é de Todos

Há que tempos que os fãs do mais famoso repórter do mundo andam num nervoso miudinho. Tudo porque dois não europeus (pior: um americano e um neo-zelandês) ousavam penetrar no território sagrado de Hergé. Ainda por cima adulteravam com a terceira dimensão o país plano de Jacques Brel. E corrompiam a limpeza, a elegância e o apuramento do traço, ou humor, a qualidade e a imaginação das histórias, dos gags, do ritmo narrativo criados por um dos mais referenciais autores de BD com a motion capture, a técnica que mistura imagem real e CGI (computer generated imagery), utilizada recentemente por James Cameron, em Avatar, seguindo o caminho trilhado por Peter Jackson (Senhor dos Anéis, King Kong). Mas a verdade é que não se imagina melhores câmaras, melhores técnicas, melhores mentes e melhores mãos a que pudesse ser entregue esta missão quase impossível. Peter Jackson, produtor e futuro realizador da eventual sequela, cresceu a ler o Tintin - este repórter globetrotter é transversal a geografias e a gerações, as suas aventuras são traduzidas em 80 idiomas, com mais de 350 milhões de cópias vendidas. . .

E Spielberg tornou-se um ávido leitor, nos anos 80, depois muita gente ter associado o seu indiana Jones a Tintin - aliás, adquiriu os direitos logo em 83, com a concordância e o agrado do próprio Hergé.

De facto, Tintin é um Indiana Jones sem mochila, sem chicote, sem suor nem barba por fazer - e, neste filme, o já lendário compositor John Williams encarrega-se de o sublinhar. Nem um rasgo de mau feitio, cobiça ou mínima centelha amorosa se lhe atravessa no caminho. E é dramática e cinematograficamente difícil sustentar um herói tão imberbe, tão angelical, sem back-ground familiar, sem passado, sem rugas nem dirty secrets a macular a sua perfeição. Ele é quase uma abstracção, uma espécie de incorporação da neutralidade (em francês Tintin quer dizer Rien du tout). Por isso a motion capture é a técnica que melhor lhe serve, num meio termo entre o realismo e animação, que tornam os actores - seres digitalmente modificados - irreconhecíveis, sendo-lhes, contudo, captáveis as milhares de nuances e expressões faciais e corporais. Muito longe, portanto, do triste destino e que condenou ao ridículo o magistral Goscinny, quando a saga Astérix foi lamentavelmente vertida nas telas.

O filme baseia-se nos álbuns sequenciais Segredo de Licorne e O Tesouro de Rackham, o Terrível, que não são de todos os mais sofisticados, mas faz sentido, se pensarmos que este pode ser o início de uma triologia (se tudo correr bem na bilheteiras, já na América é uma incógnita): aqui Tintin cruza-se pela primeira vez com o seu contraponto de vícios, o capitão Haddock e a sua prolixidade de insultos e com o mítico castelo de Moulinsart. Há um excerto de O caranguejo e Tenazes de Ouro, à mistura, e intrometem-se o barco Karaboujan e a travessia do Saara. Rackan é o vilão do filme, mas falta-lhe carisma, daí nem ter sido retomado em aventuras seguintes, ao contrário do incorrigível Rastapopoulos. E esta pode ser uma falha do filme. Se o herói é atípico e dificílimo de assimilar numa lógica de estereótipo por uma lógica cinéfila mas iletrada nos álbuns de BD, teria de se compensar com um vilão mais terrível. Faltam também os irmãos Pardal, mas em contrapartida introduz-se os gémeos mais redundantes do mundo Dupond e Dupont, Allan, o mordomo Nestor e Castafiore - que não satisfaz o potencial humorístico, mas cumpre a quota feminina. Diz-se que o português Oliveira da Figueira estava previsto (interpretado por Danny de Vito), mas afinal não compareceu. Nem o general Alcazar, ou vendedor de seguros Lampião, a Irma, camareira do rouxinol milanês, e o ensurdecido Professor Girassol. De resto toda a meticulosidade de Hergé, e o seu amor pela tecnologia de transportes, estão presentes nas batalhas navais, nas perseguições com side-cars e modelos de carros dos anos 30, com hidro-aviões amarelos, botes e navios. É preciso ver que Tintin chegou à lua, 16 anos antes de Armstrong. Há, além da banda sonora, um genérico fabuloso, e um diálogo muito à Indiana Jones, agora vestido com calças de golfe: "Sabes pilotar", pergunta-lhe o velho lobo do mar Haddock, a bordo do hidro-avião. "Uma vez entrevistei um piloto", responde Tintin.



Ler mais: http://aeiou.visao.pt/tintin-e-de-todos=f628651#ixzz1byUSXw3d

Zona euro arranca acordo sobre plano anti-crise

A zona euro chegou esta madrugada a um acordo sobre praticamente todos os aspectos de um novo plano contra a crise que pressupõe uma redução da dívida grega e o aumento do seu fundo de estabilidade de ajuda aos países em dificuldades para “cerca de um bilião de euros”. (...)

http://economia.publico.pt/

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Presidente da República

Falta de vergonha

Bom, também ando a dizer isto há bastante tempo:

«A eleição do dr. Cavaco para Presidente da República foi uma das maiores desgraças que sucederam a Portugal e aos portugueses desde 2006. Mas foi pior do que uma desgraça. Foi um erro». (VPV, 21/10)

Mas adiante….

Agora deu-lhe para pedir «sentido de responsabilidade aos líderes europeus»(*). Claro, oportunisticamente, sabendo-se já que a cimeira de amanhã não dará em nada de especial (como felizmente a esmagadora maioria das cimeiras), nada como na véspera tentar falar grosso e de dedo em riste. É fácil e rende boa imagem. Falta-lhe é um pingo de autoridade e muita vergonha na cara.

Ou acaso esquece que uma cimeira europeia não é propriamente um grupo de pessoas num seminário ou reunião de trabalho a quem seja pedido «vá lá, entendam-se». Esse discursinho da treta da «ausência de grandes líderes» é um bocado fassita… . Nestas cimeiras estão líderes eleitos de países, representando e defendendo interesses divergentes, opostos e dificilmente reconciliáveis. Qualquer entendimento tem um elevadíssimo grau de dificuldade e implica custos elevados para as suas populações. Exemplo. Portugal emprestou o ano passado 3 mil milhões de euros à Grécia. Quer-se mesmo que o nosso PM, em nosso nome diga, «ok, perdoe-se…«? Acham mesmo que o eleitorado e os contribuintes alemães, finlandeses, franceses, luxemburgueses…estariam dispostos assim do pé para a mão a aceitar ver subir as suas taxas de juro para que gregos e portugueses tenham taxas de juro mais baixas e que caso estes não paguem as suas dívidas eles, contribuintes alemães, finaldeses, austríacos… seriam os fiadores de tais dívidas (eurobonds)? Não, pois não?

Pois é,…é feio exigir «sentido de responsabilidade» quem dela nunca assumiu a grande quota-parte na criação do «monstro» imparável que agora é preciso domar e derrotar, pelo que se agradeceria que deixasse as coisas importantes para quem de facto tem a responsabilidade de as decidir e limitar-se a entregar prémios literários, assinar de cruz leis «com que não concorda» e a ver as vacas, coisas para que, ao que consta, não lhe tem faltado a arte e o engenho.

Por Gabriel Silva
http://blasfemias.net/
22 Outubro, 2011

Que o velho continente «saia da actual crise mais forte do que entrou».

A chanceler alemã, Angela Merkel, lembrou esta quarta-feira no Parlamento alemão que Portugal «está firmemente disposto a impor» o programa de ajustamento económico negociado com a «troika» da União Europeia e o FMI.

Isto no dia em que a Comissão Europeia pediu aos líderes europeus que cheguem a um acordo «credível», na cimeira desta quarta-feira, para dar resposta à crise da dívida na Zona Euro.

A chanceler discursava antes da votação no Parlamento alemão sobre o reforço do fundo de resgate europeu, que precede o Conselho Europeu e a cimeira de líderes da Zona Euro desta noite, em Bruxelas, para aprovar um pacote de medidas para estabilizar a moeda única.

Merkel afirmou ainda que a Alemanha «não pode estar duradouramente bem se a Europa estiver mal», preconizando que o velho continente «saia da actual crise mais forte do que entrou».

Merkel defendeu uma «união de estabilidade para superar a crise e encontrar soluções sustentáveis» contra o endividamento e a falta de competitividade de alguns Estados, sublinhando que é também necessário «corrigir os erros do passado e evitar o contágio a outros países».

A chanceler prometeu ainda empenhar-se no conselho europeu e na cimeira de líderes da zona euro de hoje à noite «a favor de soluções sustentáveis», garantindo que tem havido «bons avanços» nas negociações.

Após a intervenção da chanceler, o Bundestag iniciou o debate sobre o reforço do FEEF, e votará em seguida uma moção conjunta dos partidos do Governo, democratas-cristãos e liberais, e de dois partidos da oposição, sociais-democratas e Verdes, favorável às alterações, mandatando a chanceler para negociar com os parceiros europeus esta noite, em Bruxelas, o pacote de medidas para estabilizar a Zona Euro.

Tratados europeus têm de ser alterados

A chanceler alemã disse ainda que os tratados europeus devem ser alterados para a Europa combater de forma mais eficaz a crise da dívida soberana e admitiu recorrer a mais financiamento por parte do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Num discurso no Parlamento alemão, Merkel afirmou que a Alemanha não pode prosperar com a Europa em sofrimento, endereçou os parabéns à Grécia por ter encetado reformas «dolorosas, mas necessárias» e considerou que o país helénico vai enfrentar «um longo e duro caminho» até equilibrar as contas públicas.

No discurso que antecede a cimeira europeia desta noite, a chanceler alemã afirmou ainda que o sector privado deve aguentar um fardo «significativamente mais elevado» na reestruturação da dívida grega e que são precisas mais medidas para conter a crise da dívida, independentemente das decisões que sejam tomadas na cimeira marcada para esta noite, em Bruxelas.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Qualidades morais de Tintin são necessárias hoje

As "qualidades morais" da personagem de banda desenhada de Hergé são "actuais, importantes e necessárias", apesar de Tintin ter sido criado no início do século XX, considerou esta segunda-feira Yves Février, representante do Museu Hergé.

Em Guimarães, a propósito da antestreia nacional do filme "As Aventuras de Tintin: O Segredo do Licorne", ao abrigo da Capital Europeia da Cultura Guimarães 2012, Yves Février descreveu o autor de Tintin como um trabalhador incansável.

"O Hergé era um escravo. Durante anos trabalhou sem parar e em 1929 criou este herói, Tintin, no qual trabalhou o resto da vida", disse.

As Aventuras de Tintin, adiantou, começaram a ser publicadas num jornal semanalmente em 1929 e após um ano destas publicações foi editado o primeiro álbum, "Tintin no país dos Sovietes".

Yves Février descreveu Tintin como "um bom menino, ao estilo dos escuteiros".

Em declarações à Agência Lusa, o representante do Museu Hergé, afirmou que "os valores defendidos por Tintin" têm "lugar" no século XXI. "Este herói representa valores morais que não só são atuais como são importantes e necessários nos dias de hoje", afirmou, explicando que "valores como os que estão na base destas histórias são intemporais".

No entanto, admitiu Février, que se a questão da actualidade dos valores de Tintin lhe fosse colocada quando era adolescente nos anos 70 diria: "Não. São antiquados e fora de moda".

Para Yves Février, a "grande inteligência" de Steven Spielberg foi "precisamente" ter-se apercebido da "actualidade da moral que está na base das aventuras do Tintin", pois, "para além da técnica de filmagem, o grande valor deste filme é a mensagem".

Este estudioso da obra de Hergé considerou ainda que a "mais valia" dos desenhos do autor de Tintin e Milou "é a noção de movimento que transmite cada vinheta da banda desenhada".

Essa "mestria", admitiu Février à Agência Lusa, "esbate-se na passagem das Aventuras de Tintin do papel para a tela de cinema, pois em cinema é fácil dar a noção de movimento, difícil é fazê-lo no papel".

Sobre a vida de Hergé, Yves Février abordou ainda a "catalogação" do artista como "colaboracionista nazi" durante a ocupação alemã na Bélgica.

"É injusto dizer que o Hergé colaborou com Hitler. É preciso analisar a história da Bélgica. O rei decidiu ficar na Bélgica nesse período e ele fez o mesmo. Mas o facto de ter continuado a trabalhar num jornal favorável ao regime foi algo que o atormentou nos anos seguintes", explicou.

Filmado, com recuso à tecnologia 'motion capture', "As Aventuras de Tintin" conta com o ator Jamie Bell no papel de Tintin e com Daniel Craig no papel do 'vilão'.

O filme "As Aventuras de Tintin: O Segredo do Licorne" estreia dia 25 no resto do país e é a mais recente película de Steven Spielberg e Peter Jackson.

por Lusa