segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
Outro ponto de vista
por Acácio de Brito
“Poucos países fabricaram acerca de si mesmos uma imagem tão idílica como Portugal”. (Eduardo Lourenço)
Esta semana passaram 35 anos que cheguei a Portugal. Partindo de uma terra com uma temperatura de verão a rondar 40 graus, a chegada
à antiga capital do Império, com um frio de rachar, foi como que um baque ou corte radical de vida. Nesse tempo, 14 de Dezembro de 1976, eram ministros, entre outros, Medina Carreira e António Barreto, personalidades pelas quais nutro admiração intelectual. Não obstante, quando hoje opinam sobre o país e as vicissitudes por que passamos, podem suscitar, a quem chegou
a uma terra nova, da qual apenas tinha conhecimento pelos livros e pelo testemunho de quem por lá passava, algumas perplexidades. Sabemos que o que hoje vivemos é consequência de uma ausência de pensamento estratégico de décadas. Vivíamos, então, na base de um sonho em que tudo era gratuito. Aliás, a Constituição orientava-nos para termos
o céu na terra, de graça! Entretanto, em Braga, terra que adoptei como minha, e onde passei a residir
a partir de finais de 1977, acabava de ganhar as primeiras eleições autárquicas, na véspera da minha chegada a Lisboa, um jovem engenheiro. Braga, terra de que me enamorei là primeira vista. O que logo dela conheci, a zona do então Sabiá, tinha sido obra e rasgo de um verdadeiro Homem de governo, o Comendador Santos da Cunha. Passaram 35 anos! Muito tempo. Tempo de grandes transformações! Jovem adolescente, concluí no Sá de Miranda a minha formação secundária, entrecortando-a, por necessidades pessoais, com trabalhos de ocasião que me fortaleceram e ajudaram a perceber que nada se tem sem trabalho. Concluí a minha formação académica na Faculdade de Filosofia e, também, na UM, ambas na urbe bracarense. Nessa década de 70, acabado o forrobodó revolucionário, porque o dinheiro começou a escassear, dirigem-se os poderes de então para a ajuda externa, solicitando apoio ao FMI. Na década de 80, nova situação aflitiva, novo recurso ao FMI.
A culpa era sempre da conjuntura internacional. Nunca foi assumida como resultante da incompetência doméstica para o tratamento de assuntos de governação. Contudo, o apoio exterior solicitado na década de 80, considerado um sucesso, só o foi aparentemente, pois o seu final coincide com a chegada dos milhões da então CEE, referentes ao período de transição e, posteriormente, ao 1.o QCA. A eles se seguiram, nos últimos 25 anos, mais outros quatro apoios significativos que nos iriam transformar no paraíso da Europa. Não obstante, insistimos em não ouvir
o avisado desafio de Ernâni Lopes, ministro que concluiu, na madrugada de 28 de Março de 1985, o nosso processo de adesão, com palavras sábias por muitos não seguidas: “logo nessa madrugada disse que o mais fácil estava feito –
a partir daí é que iria começar o verdadeiro desafio para Portugal”. Aí está a génese moderna do nosso actual estado de coisa! Perante o desafio sério de procurarmos a autenticidade do verdadeiro saber, na única das áreas em que, de facto, nos podíamos diferenciar, a Educação, a opção foi para o facilitismo: formação profissional pensada na lógica de obtenção de fundos, obras faraónicas com importação maciça de tecnologia estrangeira
e a Educação, sector chave, entregue a quem pensava que o faz-de-conta conta alguma coisa no mundo real!
E chegámos ao que de onde, verdadeiramente, desde Abril de 1974, nunca conseguimos sair: à bancarrota, económica, financeira e social, que se resolve com mais ou menos, sacrifícios pecuniários. Contudo, o mais difícil encontra-se a um outro nível: nos valores que se perderam, que se insiste em continuar
a não valorizar. Portugal precisa de uma Educação que estimule a coragem de arriscar, ou se quisermos, uma curiosidade filosófica por coisas novas, que têm sido, grosso modo, pensadas como inúteis e desnecessárias. Enquanto as discussões permanecerem ao nível de uma pré-formatação dos mesmos actores, em papéis diferentes, ontem ministros, hoje opinadores, tudo ficará na mesma. Também por isso, em Braga, em 35 anos, o essencial não mudou, talvez porque “os portugueses (e os bracarenses) são marcados, desde há muito, pela noção de que, em Portugal, é ‘mesmo assim’, de que as coisas ‘são como são’ e nada muda ou pode mudar”. Não obstante, não tem que ser assim!
C.M. de 16/12/2011
sábado, 17 de dezembro de 2011
Cesaria Evora - Partida
Cesaria Evora - Partida
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
Rui Rio concorda com redução do número de freguesias no país
O presidente da Câmara do Porto, Rui Rio, disse hoje concordar com uma redução do número de freguesias do país, em especial das urbanas, no âmbito da reorganização administrativa autárquica.
“Desde há muitos anos que tenho defendido uma redução do número de freguesias, especialmente das denominadas freguesias urbanas. Tenho-o feito em público e em privado”, observa o edil, numa carta a que a Lusa teve acesso.
Rio alerta que a “reforma administrativa em curso” lhe tem dado oportunidade de falar “múltiplas vezes” sobre o tema, tendo em todas elas defendido “a mesma posição de sempre, ou seja: a redução do número de freguesias”.
O autarca recorda ainda que o documento da Junta Metropolitana do Porto (JMP) por si redigido “defende essa mesma redução logo no segundo ponto” e que essa posição foi por si “formalmente defendida junto do Governo na reunião que a direção da JMP teve com o ministro Miguel Relvas”.
O comentário do edil surge num direito de resposta enviado hoje ao jornal Público e distribuído à Lusa a título de “esclarecimento”, a propósito de uma notícia onde se diz que “Rui Rio discorda da redução de freguesias”.
segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
Outro ponto de vista
por Acácio de Brito
“A Liberdade é a liberdade de dizer que dois e dois são quatro. Uma vez que se reconheça isto, tudo o mais virá por acréscimo”(George Orwell)
Alguém que pretenda governar deve ter, pelo menos, duas características, entre muitas outras: a capacidade de previsão e de escolha. Prever, porque o que se exige a um governante é o anúncio de uma realidade diferente. É perscrutar uma ambiência a que se tende a ascender. Escolher, porque se deve optar entre várias propostas de caminho a seguir. Em Portugal o que tem acontecido, de facto e de direito, é o contrário! Não obstante, fomos país de marinheiros que, de mundos nunca antes alcançados, tornaram as viagens intercontinentais coisa de somenos! Contudo, hoje, governados por marinheiros de lago virtual, atentos às vicissitudes do mero dia-a-dia, perdemos a audácia de apontar para o sem-lugar. Impõe-se-nos a necessidade de eliminar feriados e, sem pensar em coisa nenhuma, julgo que por deficiência de formação, os detentores de um poder efémero por natureza, decidem pelo fim da comemoração do 1.o de Dezembro, que é só e apenas o dia da Restauração da nossa Independência. De lamentar, nomeadamente, a negação e a ausência de referências. Nesta actualidade “pantanosa”, não se prevê, constata-se, verifica-se. Não se faz coisa nenhuma! Limitamo-nos a fazer de conta! Logo, não se escolhe.
O caminho a trilhar é-nos imposto por entidades tecnocráticas, das quais nada se sabe. Com um ponto em comum, foram ou virão a ser quadros da Goldman Sachs. Parafraseando o banqueiro Fernando Ulrich, estamos na mão de homens de 5.a ou 7.a categoria, que se permitem, ou melhor dizendo, a quem permitimos que, do alto da sua falsa importância, debitem opiniões e condicionem os poderes democraticamente eleitos e escolhidos. Mundo pequeno, este nosso, reduzido que está ao que nos é imposto! Mas será que não existe uma alternativa a esta letargia? Temos a certeza que sim. Se a aposta for em quem defenda as virtualidades da pessoa, da realização autêntica do humano e da valoração humanizadora das dimensões económicas, sociais e políticas, conjugadas, sempre, com uma atitude próactiva, podemos prever um mundo melhor e um Portugal mais justo. Prever um Portugal mais competitivo e solidário implica a escolha de um outro caminho. A vereda, ou atalho, com que nos têm presenteado, já provou que nos conduz a nenhures!
O tempo é de chegar, a porto seguro. Mas atenção que, com os mesmos que nos vêm dizendo, de há muito, coisas diversas, análises abstractas de coisa nenhuma, projecções do óbvio e do nenhures, enfim, os mesmos que vão propalando e dizendo o que conseguem vislumbrar da margem do rio, os chamados navegadores de águas pouco profundas, não vamos lá! Os momentos que passamos, difíceis para quem tem de viver do seu suor, sempre foram complicados. O problema reside em algo mais profundo, civilizacional, direi mesmo.
O busílis pode ser encontrado na recente intervenção de Sócrates, “o parisiense”, quando, ainda hoje, nos querem falsamente habituar à ideia que tudo são rosas. Contudo, obstinadamente, elas, por sua mesma natureza, têm espinhos.
in D.M. 9 Dez. 2011
sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
Com todo o respeito
por Miguel Brito
O sapo e o escorpião
O sapo ia atravessar o rio que transbordava e o escorpião precisava de chegar
à outra margem e o escorpião diz ao sapo – por favor, leva-me para o outro lado do rio. O sapo espantado, responde: nem penses, já sei que me ferras com o teu veneno mortal e não quero morrer! És tolo – retorquiu o escorpião! – Se o fizer também me afogo e não quero morrer!
O sapo ficou pensativo e julgou – de facto, o escorpião tem razão! Acho que posso arriscar – pensou o sapo.
Ok, anda daí – gritou o sapo.
No meio do trajecto, o escorpião disse não resisto vou te morder, não posso escapar à minha natureza!
E o resultado é que se afogaram os dois.
Agora imagine que o sapo é o Ministro da Saúde e o escorpião, o Presidente da Distrital do PSD ou do CDS, conforme preferir.
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
Obrigado!
Além disso, penso empenhar-me na nobre tarefa política de mudar a Câmara de Braga e vencer - no âmbito da Coligação Juntos por Braga - o PS nas próximas eleições autárquicas de 2013.
Mais do que tudo, queria agradecer ao Paulo, ao Rui, ao Ramiro e ao Sérgio por me terem deixado usar e abusar deste blog e, por fim, deixar o meu reconhecimento a todos os que tiveram a paciência e a gentileza de me lerem.
Obrigado a todos!
Nuno Oliveira Dias
Passos Coelho e Paulo Portas participam no Congresso do Partido Popular Europeu em Marselha
O encontro acontece na véspera do Conselho Europeu de quinta e sexta-feira e dias depois de o Presidente francês e a chanceler alemã terem afirmado esperar que, até março, os 17 países da Zona Euro cheguem a acordo sobre um novo tratado europeu que inclua "sanções automáticas" para aqueles que desrespeitarem o limite estabelecido para o défice, e em vésperas de mais um Conselho dos 27 em torno da dívida europeia e da situação económica da Europa.
O ministro dos Negócios Estrangeiros e presidente do CDS-PP, Paulo Portas, vai intervir no congresso hoje de manhã, num espaço dedicado às recentes revoluções no mundo árabe. Nesta mesa redonda, intervirão também Youssef Amrani, secretário-geral para a União para o Mediterrâneo, e Franco Frattini, ex-ministro dos Negócios Estrangeiros de Itália.
Paulo Portas irá a Marselha acompanhado por Luís Queiró, que tem o pelouro dos assuntos internacionais no partido, o secretário-geral António Carlos Monteiro, o porta-voz João Almeida, estando ainda presentes os eurodeputados Nuno Melo e Diogo Feio.
Já o primeiro-ministro e líder do PSD, Pedro Passos Coelho, deverá discursar no Congresso do PPE na quinta-feira ao início da tarde.
Por sugestão da UMP, o partido de Nicolas Sarkozy, e do presidente do PPE, Wilfried Martens, o XX congresso de líderes populares europeus vai discutir o documento "fazer avançar a Europa".
O PPE vai também, durante estes dias, realizar a sua cimeira ordinária de chefes de Estado e de Governo na preparação do Conselho Europeu.
O Presidente da Arménia, Serzh Sargsyan, é convidado especial no congresso.
http://www.ionline.pt
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
A Natureza-Morta na Europa: Séculos XIX-XX (1840 - 1955)
Segunda parte: Séculos XIX-XX (1840 - 1955)
21 de Outubro de 2011 a 8 de Janeiro de 2012
Galeria de Exposições da Sede da Gulbenkian, em Lisboa
Dando continuidade à exposição apresentada em 2010 sobre o tema da natureza-morta na Europa, a segunda parte será dedicada à modernidade do século XIX e às alterações fundamentais ocorridas na primeira metade do século XX.
A renovação do interesse pela natureza-morta por parte dos artistas da vanguarda francesa será documentada através das obras dos Realistas e também da nova linguagem do Impressionismo. Em exposição estará uma peça-chave deste contexto, a Natureza-Morta de Claude Monet, que faz parte das colecções do Museu Calouste Gulbenkian. A natureza-morta foi, no final do século XIX, tema que interessou de sobremaneira os pintores Pós-Impressionistas como Cézanne, Van Gogh e Gauguin, que estarão representados através de obras de referência.
A exposição demonstrará como a natureza-morta, enquanto género pictórico, se transformou em veículo de uma experimentação ainda mais radical com Picasso, Braque e Matisse. Poder-se-á entender como permitiu a alguns artistas um olhar reflexivo sobre a sociedade contemporânea, enquanto outros se envolveram nas novas realidades da experiência subjectiva, como é o caso de Magritte e Dalí. A fragmentação e reinvenção da própria categoria de natureza-morta serão exploradas através da amostragem de peças escultóricas ou de objectos de uso corrente transformados em obras de arte.
Eis a viagem que é proposta através dos vários tempos e geografias da natureza-morta na pintura ocidental, ilustrada com obras maiores dos autores que mais reflectiram sobre este género. A natureza-morta foi sem dúvida pretexto para as indagações dos pintores e é hoje motivo de fascínio para o público em geral. A exposição será comissariada por Neil Cox, Professor da Universidade de Essex, especialista em arte francesa do século XX, com tese de doutoramento sobre Picasso e uma vasta obra publicada bibliografia.
http://www.museu.gulbenkian.pt/exposicoes.asp?lang=pt
Para andar para a frente.
Os líderes da Alemanha e de França chegaram ontem a um acordo genérico para regras orçamentais mais duras e punitivas na União Europeia, que entendem ser um dos passos para a resposta global à crise na zona euro. Angela Merkel e Nicolas Sarkozy apresentarão este acordo para aprovação dos restantes países europeus na cimeira da próxima sexta--feira, considerada crítica para a sobrevivência da moeda única. Num sinal de pressão adicional sobre a zona euro, a Standard&Poor’s, a maior agência de notação financeira do mundo, avisou ontem os seis países mais sólidos da zona euro que passa a haver 50% de probabilidades para um corte do rating.
Na cimeira os países do euro serão pressionados a aceitarem o acordo, de que a Alemanha não abdica para ceder a assistência temporária do Banco Central Europeu aos países em maiores dificuldades no mercado de dívida. Os restantes países do grupo dos 27 têm até sexta-feira para decidir se querem fazer parte do grupo com um Pacto de Estabilidade e Crescimento reforçado.
“Veremos se será com 17 ou com 27”, afirmou ontem Nicolas Sarkozy, ao lado de Angela Merkel, na conferência de imprensa conjunta em Paris. “Mas vamos em frente a todo o vapor para reestabelecer a confiança no euro e na zona euro”, acrescentou.
Por outras palavras, membros como o Reino Unido e a Polónia podem bloquear as mudanças no universo a 27 – fora do euro –, mas os estados da zona euro não têm margem para fazê-lo, o que colocará problemas aos governos da Irlanda e da Holanda, que poderão ser forçados pela pressão política interna a realizar um referendo (de resultado incerto). Os países fora do euro que aceitarem o acordo são livres de o fazer.
Ir “em frente a todo o vapor” significa alterar parte da arquitectura actual da zona euro, transferindo mais soberania para a Comissão Europeia e reforçando o carácter austeritário do antigo Pacto de Estabilidade e Crescimento. O acordo implica ampliar o poder de vigilância orçamental (retirando margem aos estados na política orçamental), instaurar um esquema de pesadas sanções automáticas para quem falhar os objectivos e pagar integralmente a dívida pública da região, sem partilha de riscos com os credores privados.
Os líderes das duas maiores economias europeias assumiram que na actual situação de emergência para o euro a aliança franco-alemã tem “importância estratégica”. França acabou por ceder na questão da vigilância orçamental e das sanções automáticas (embora tenha conseguido que o Tribunal Europeu de Justiça não ganhe poderes para rejeitar orçamentos nacionais). Os franceses cederam, também, na questão da emissão conjunta de dívida, as chamadas eurobonds – França e Alemanha não darão qualquer sinal nesse sentido na próxima sexta-feira.
A posição alemã cedeu na questão da obrigatoriedade da imposição de perdas aos credores privados nos casos de futuros resgates financeiros a países do euro. Esta partilha de risco era visto como um dos factores que alimentou o receio e a desconfiança dos mercados. “A Grécia é e será a excepção”, afirmou Merkel. “A mensagem para os investidores em todo o mundo é de que na Europa nós pagamos as nossas dívidas”, juntou Sarkozy.
As notícias da existência de um acordo e a aprovação no domingo de um pacote de austeridade em Itália (e de outro ontem na Irlanda) geraram ontem uma reacção positiva no mercado de dívida, com os juros de Itália a dez anos a caírem abaixo de 6%. A reacção positiva esmoreceu no final do dia, quando a S&P colocou a Alemanha, a França, a Holanda, a Áustria, a Finlândia e o Luxemburgo (os seis países do euro com nota máxima AAA) em vigilância negativa, citando como justificação o agravamento da crise na zona euro e a falta de previsibilidade e de progressos na sua resolução. Um corte dificultaria o financiamento de futuros pacotes de resgate europeus – afectando os juros suportados, por exemplo, por Portugal no empréstimo da troika.
http://www.ionline.pt/mundo/merkozy-ultimato-quem-quer-estar-no-clube-da-austeridade
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
Com todo o respeito
por Miguel Brito
A tartaruga que viajou em classe executiva
Há notícias que me comovem. No jornal da uma, conta-nos que uma tartaruga em vias de extinção e rara, proveniente do México, ia ser devolvida ao seu “habitat” natural.
Primeiro louvo o trabalho de quem trabalha com animais: logo com tartarugas!
Além dessa nobreza de os cuidar, alimentar e proteger, a tartaruga engordou vinte e tal quilos, o que me chamou atenção foi a viagem da tartaruga ter sido na TAP, uma companhia em vias de extinção e que ao contrário da tartaruga não foi encontrada abandonada, mas que se preparam para a abandonar!
A tartaruga foi em classe executiva para chegar bem ao seu destino, foi preciso desocupar o avião, tirar duas filas, para que a tartaruga fosse confortavelmente!
Ora, a missão da tartaruga está cumprida é para o seu habitat que ela tem que ir!
E a TAP? Para onde segue, para a Alemanha? Para Madrid?
E não aparece ninguém, como aquele tratador que cuidou a tartaruga como um filho e o levou para o seu destino?
Não aparece ninguém que arrume a TAP? Que tire e ponha lugares para que ela possa chegar a bom porto?
Ano 2060, foi hoje anunciado pela estação alemã que A TAP (transportes aéreos portugueses) foi devolvida ao céu de Angola, Cabo Verde, Moçambique, Macau e Brasil por um excêntrico coleccionador de relíquias de origem chinesa.
Itália: Ministra do Trabalho chora ao apresentar medidas de austeridade
A palavra foi retomada pelo primeiro-ministro, que teve menos dificuldades em explicar aos italianos os sacrifícios aos quais a partir de agora ficam sujeitos.
O grosso das medidas que Elsa Forneso tinha de apresentar aplica-se à reforma das pensões – aumento da idade de reforma, cálculo da pensão aplicado apenas às contribuições, incentivos à permanência no trabalho até aos 70 anos, entre outras.
http://sol.sapo.pt/inicio/Internacional/Interior.aspx?content_id=35454
domingo, 4 de dezembro de 2011
Outro Ponto de Vista
por Acácio de Brito
“Se és capaz de preencher o minuto que foge Com sessenta segundos de tarefa acertada (Kipling, If)
A pretexto da greve “geral” realizada, republico, com algumas nuances, crónica anterior que versa sobre a administração pública, por razões de ter sido este o sector que participou, de forma mais aguerrida, na referida jornada de luta.
A administração pública precisa de reformas urgentes para se transformar num espaço mais eficiente e com utilidade para os cidadãos.
O país já não suporta uma visão burocrática que não é capaz de dar resposta cabal às responsabilidades e competências que o Estado assumiu perante a sociedade. Nomeadamente, quando o mundo privado, que tem no aproveitamento das oportunidades de lucro o “leitmotiv”, procura manter uma estrutura competitiva com capacidade de resposta aos sinais que recebe do mercado.
É condição necessária e suficiente para o sucesso, no universo privado, que as hierarquias sejam responsáveis e responsabilizadas pelos resultados, obrigando-as a empregar os colaboradores no local e na forma onde sejam mais eficientes. Numa economia de mercado, esta dimensão instrumental, mas essencial, implica que as pessoas obtenham posições sociais e laborais compatíveis com as suas capacidades e dedicação.
A visão moderna, tecnocrática na sua essência, procura constatar e defender de forma racional que o mercado de trabalho deve procurar encaixar em cada emprego o colaborador mais adequado, aquele que apresenta maior mérito. Encontrada e desejada a meritocracia, por que não também envolvê-la
e implicá-la no sector da administração pública? Constatamos o ressurgimento deste modelo a seguir para a administração pública, que não deve ser complementada pela (re)definição dos cargos directivos de confiança político-partidária, porque é errada nos pressupostos e nas consequências! No modelo actual, não tem utilidade para o cidadão que cada funcionário ou cada unidade do Estado passe a responder pela respectiva produtividade, pois é o serviço a determinar a satisfação dos cidadãos e não o seu contrário. Não obstante, a função pública não terá reforma possível enquanto só responder a sinais endógenos e não se sujeitar à regra mater do mercado: o utente em primeiro lugar. Até porque o funcionamento deficiente da administração pública fica a dever-se, sobretudo, ao facto de não depender da satisfação das necessidades da pessoa. Para alterar este regime anacrónico de desenvolvimento, deve a administração passar a ser sujeita a uma concorrência que lhe possa servir de lenitivo. Finalmente, não é o sistema burocrático que tem de ser sujeito a liberalização, mas sim muitos dos serviços que
o Estado presta em exclusividade, sem outra razão que não seja a de perpetuar o poder e o “mérito” de políticos burocratizados.
O Estado tem todas as razões para regenerar-se, emagrecendo e colocando, aí sim, a meritocracia dos seus servidores ao dispor do cidadão e contribuinte. Não basta copiar modelos, não é suficiente o recurso a teorias de “management”, se não inteligirmos o essencial. Mudar para que tudo fique na mesma tem sido a prática recorrente, com consequências gravosas para todos nós.
Diário do Minho, 3 de Dezembro
www.diariodominho.pt
quarta-feira, 30 de novembro de 2011
Com todo o respeito
Simples e claro
O voto do CDS-PP no Orçamento do Estado para 2012 é feito com “convicção” perante um documento que mostra ser “difícil”. Quem o afirma é Paulo Portas que falou ainda de um orçamento que “tem de ser cumprido”(...). Já esta madrugada e depois da reunião da comissão política nacional do CDS, o líder dos centristas saudou ainda o esforço de diálogo demonstrado pela maioria ao longo do debate que hoje chega ao fim com a votação final global do documento no Parlamento.
Paulo Portas voltou esta madrugada a pronunciar-se sobre o Orçamento do Estado para 2012 para considerar que o seu partido irá votar no dia de hoje na Assembleia da República "com convicção" e favoravelmente um documento "difícil", mas que "tem que ser cumprido".
No final da reunião da comissão política nacional do CDS, que decorreu na sede do partido, no largo do Caldas, em Lisboa, Paulo Portas explicou que a votação favorável e com convicção no Orçamento se deve ao facto de “Portugal ter sido levado a uma situação em que foi obrigado a pedir emprestado dinheiro para poder pagar salários e pensões e evitar uma rutura no sistema financeiro".
Para o líder dos centristas a aprovação deste orçamento, “que é difícil, mas tem que ser cumprido", é "um passo muito significativo" para "libertar" Portugal da "situação de dependência externa em que foi colocado".
Portas salienta ainda a forma como decorreu a discussão do orçamento e o diálogo que foi conseguido para que o documento fosse ao encontro de parte das reivindicações do PS.
"Antes não havia maioria absoluta, e portanto o diálogo era necessário, e havia pouco diálogo. Desta vez há uma maioria que é clara, que é estável, que é duradoura, mas o Governo e a maioria tiveram abertura para fazer gestos e tomar decisões e fazer propostas que iam encontro de temas que o principal partido da oposição tinha reclamado como mais importantes", sustentou.
Para o líder do CDS é importante salientar a "ética social na austeridade", contida no documento e que está patente, nomeadamente, no descongelamento das pensões mínimas.
http://tv1.rtp.pt/noticias/index.php?t=CDS-PP
Ministros das Finanças chegam a acordo sobre alavancagem do FEEF
O FEFF tem actualmente a capacidade de disponibilizar 440 mil milhões de euros, mas terá de ser capaz de alavancar este valor em mais 250 mil milhões de euros, revela um comunicado hoje divulgado pelo FEEF e citado pela Bloomberg.
E apesar de Klaus Regling não ter avançado com um valor final da capacidade do FEEF, considerando que era impossível saber, Jean-Claude Juncker, presidente do Eurogrupo, revelou, em conferência de imprensa, que a capacidade do FEEF será inferior a um bilião de euros.
As opções estão “desenhadas para aumentar a capacidade do FEFF para que os novos instrumentos disponíveis possam ser usados eficientemente”, afirma Klaus Regling (na foto), presidente do FEEF, citado no comunicado.
O acordo a que hoje os ministros das Finanças chegaram inclui um “seguro”. O FEEF poderá emitir certificados que vão oferecer uma protecção sobre as novas emissões de obrigações por parte de estados-membros, explica o comunicado.
Juncker revelou ainda que a Zona Euro vai analisar a possibilidade de impulsionar os recursos do Fundo Monetário Internacional (FMI) através de empréstimos bilaterais. “Acordámos explorar rapidamente um aumento dos fundos do FMI através de empréstimos bi-laterais”, para que desta forma “o FMI possa de forma adequada” acompanhar a alavancagem do FEEF “e cooperar mais de perto” neste processo, adiantou durante uma conferência de imprensa após a reunião dos ministros das Finanças da Zona Euro.
Uma das vias que tem sido explorada nos bastidores passa por o Banco Central Europeu (BCE) abrir uma linha de financiamento para o FMI, passando a ser este a intervir directamente na Zona Euro. Mas a Alemanha e o Bundesbank têm levantado objecções.
http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=522795
Irão
O pessoal diplomático norueguês ainda está em Teerão e ainda não foi tomada qualquer decisão sobre a evacuação da embaixada, declarou Hilde Steinfeld, uma porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros norueguês.
"A embaixada foi fechada ontem [terça-feira] depois do ataque da embaixada britânica", afirmou. "Nós avaliamos a situação permanentemente", disse quando foi questionada sobre a duração do encerramento.
http://aeiou.visao.pt/irao-noruega-fechou-embaixada-em-teerao=f636383#ixzz1fBEW4qAc
terça-feira, 29 de novembro de 2011
« Il y a bien un architecte »
Danielle Mitterrand : l'ultime interview
Danielle Mitterrand est décédée dans la nuit de lundi à mardi. Nous l'avions rencontrée à son domicile le 27 octobre dernier à l'occasion des 25 ans de France Libertés.
C'est une femme fragile, mais au regard intense et lumineux qui nous a reçues le 27 octobre dernier à son domicile rue de Bièvre. Elle était fatiguée. Elle avait souhaité donner deux ou trois interviews, pas plus, pour célébrer les 25 ans de France Libertés, sa fondation et son combat. Elle voulait vraiment parler à La Vie, nous avait confié sa responsable de communication. Elle nous avait choisi.
Interview testament ? C'est le sentiment que nous avons eu, Corine Chabaud et moi-même, lorsque deux heures durant, l'ex-première dame de France, a accepté de relire pour nous le fil de sa vie. De l'enfance heureuse dans une famille unie et viscéralement engagée, à la Résistance jusqu'à la vie aux côtés de "François" puis du Président. Vie faite des abnégations que l'on sait, dans cette étrange existence d'épouse publique qui a dû partager avec une autre, mais une vie aussi faite de combats personnels, parfois contraires à la raison d'État et à la prudence, pour la dignité, la justice, le pacifisme. Sincère, passionnée, pleine d'humour mais aussi touchante souvent dans ses aveux de fragilité, Danielle Mitterrand n'a esquivé aucune question. Et dans l'extrême sobriété, quasi monacale, d'un rez de jardin rue de Bièvre, en cette veille de Toussaint, la conversation a roulé aussi sur sa compassion pour la souffrance depuis toute petite et sur ce lien inextinguible que l'on entretient avec ses morts. Par delà le doute.
Élisabeth Marshall
« Je suis agnostique. Je doute »
Danielle Mitterrand a décidé d'accorder à La Vie sa dernière interview. Pourquoi ? "Je lui ai fait plusieurs propositions. Elle a choisi La Vie car elle a toujours trouvé que c'était un magazine très respectueux, à l'esprit positif" nous disait hier matin son attachée de presse. Lors de ce long entretien le 27 octobre, à son domicile rue de Bièvre, Danielle Mitterrand semblait fatiguée -elle toussait beaucoup, mais surtout sereine. Comme une femme engagée au parcours cohérent qui a le sentiment du devoir accompli. Voici un extrait de l'interview qu'elle nous a donnée. Nous la publierons en intégralité dans La Vie daté du 24 novembre.
Quel est le fil conducteur de vos combats ?
L’affection. Les liens avec tous ces gens que j’ai soutenus. Je me suis beaucoup investie auprès des Kurdes. Je leur ai rendu visite, par exemple dans la ville d’Halabja où la population avait été gazée. C’était atroce. Nous sommes parvenus à faire sortir beaucoup d’orphelins des camps. Ce dossier m’attendrit, car ce sont des enfants qui ont tout perdu. Souvent, ils m’appellent « maman ». Cela ne me déplaît pas. Je parle. J’écoute même les gens qui n’ont pas les mêmes idées que moi. J’ai un gros défaut : j’aime être aimée. En revanche je n’apprécie ni le vedettariat ni l’adulation. Le dalaï-lama m’a rendu un bel hommage. Il a salué ma vie pleine de sens. Je l’aime beaucoup. Il rit tout le temps. Il estime qu’aucun problème ne doit nous abattre, qu’il présente ou non une solution. Autrefois, j’ai aussi apprécié la rencontre avec sœur Emmanuelle : elle agissait, mettait les gens face à leurs responsabilités. Pas comme Mère Teresa, qui faisait plutôt de la charité. Il y a Fidel Castro aussi, à qui j’ai dit mes quatre vérités, au sujet de la peine de mort et des prisonniers politiques cubains. Un jour, je lui ai demandé : « Comment pouvez-vous supporter d’entendre mes critiques ? ». « Parce que je vous aime bien ». J’ai rencontré aussi Mumia Abu-Jamal dans le couloir de la mort en Pennsylvanie en 1999. Je me souviens du bruit terrible des portes qui se referment… Comme François, je suis contre la peine de mort et la loi du talion. C’est pourquoi je me réjouis que la condamnation à mort de ce militant noir américain soit depuis peu commuée en détention à perpétuité. Même si passer sa vie en prison n’a rien de réjouissant.
Croyez-vous comme votre mari aux forces de l’esprit ?
Oui, il m’a peut-être influencée dans ce sens. Je suis agnostique. Je doute. Je ne crois pas en Dieu car je pense qu’il a été fabriqué par les hommes qui avaient besoin de lui. Mais devant la naissance d’un enfant, ses petits doigts si bien dessinés… Je me dis : « il y a bien un architecte ». Ou quand je vois ce que Jules Verne a imaginé, maintenant réalisé, je m’interroge. Le seul grand malheur que j’ai connu, c’est la mort de mon premier enfant, Pascal, à deux mois et demi, de maladie. Pour les autres, mes parents, François, je me suis résignée à leur disparition, car la vie est un cycle. Et je sens qu’ils sont là. Quand j’ai un gros problème, je pense à eux, je me sens reliée à eux. Comme l’eau nous lie à la terre. Pour François, je relis aussi beaucoup ses écrits, rangés dans la bibliothèque de ma chambre, envahie par les livres, notamment la nuit quand j’ai des insomnies. Il était visionnaire. En 1971, au congrès d’Épinay, il prônait déjà la rupture avec le capitalisme. Malheureusement, il n’y est pas parvenu. Nous avons perdu beaucoup de temps. Mais ce système est à bout de souffle. Sans doute pas loin de s’effondrer. Ah, si nous vivions comme Pierre Rabhi ! Un toit, un coin de terre où élever poules et lapins, comme lorsque mon père a perdu son travail pendant la guerre… Vive la sobriété heureuse !
Quel message souhaitez-vous laisser derrière vous ?
La vie est la valeur la plus importante. Le XXe siècle a apporté beaucoup de progrès en matière de technologies. Mais elles doivent être au service de la vie. J’attends que l’on sorte de la croissance, qui amplifie la pauvreté et les inégalités. Je milite pour une société nouvelle. L’argent rend fou. Il n’est pourtant qu’un outil. Il faut que les valeurs marchandes ne comptent que ce pour quoi elles doivent compter. Il faut que la peur recule. Aujourd’hui, on a peur de perdre sa maison, son travail, sa santé, d’aller dans la rue, de rencontrer son voisin. On a peur de vivre. À tort. Il faut bâtir un monde solidaire.
interview par Corine Chabaud
http://www.lavie.fr/actualite/france/danielle-mitterrand-l-ultime-interview-22-11-2011-22005_4.php
Comissão política do CDS reúne-se hoje
O secretário-geral do CDS-PP, António Carlos Monteiro, defendeu à Lusa que as propostas da maioria permitiram melhorar a situação de "alguns milhares de funcionários públicos", apesar de o PS "não ter apresentado alternativas em matéria de redução da despesa".
"Na análise da situação política não deixará de ser dada a devida relevância ao facto de o Governo e a maioria terem dado extrema importância à coesão social interna e a credibilidade externa do país nas proposta na especialidade do Orçamento do Estado", disse António Carlos Monteiro.
"Apesar de o PS não ter apresentado alternativas em matéria de redução da despesa, a maioria conseguiu apresentar melhorias, poupando alguns milhares de funcionários públicos" aos cortes nos subsídios, acrescentou.
Por outro lado, o secretário-geral democrata-cristão salientou o IVA na taxa intermédia para as atividades culturais como outra das "preocupações expressas publicamente" que foi possível "acomodar".
Na proposta do Governo o IVA destas atividades subia da taxa mínima para a taxa máxima de 23 por cento, mas os grupos parlamentares do PSD e do CDS apresentaram uma proposta conjunta para que ficasse na taxa intermédia.
Outro dos pontos da reunião da comissão política do CDS será a discussão do relatório elaborado por Diogo Feio sobre as agências de notação financeira.
O relatório começou a ser elaborado depois de, no início de julho, a agência Moody's ter cortado em quatro níveis o rating de Portugal, colocando a dívida do país na categoria de "lixo".
Entre as propostas defendidas por Diogo Feio no documento está a abertura dos mercado a novos agentes, pois embora não exista qualquer prova ou queixa de violações das regras de concorrência, há um domínio da Moody's, S&P e Fitch, num funcionamento que "é claramente oligopolista". (...)
Outra das propostas que o eurodeputado faz no seu relatório diz respeito à transparência, preconizando que na próxima legislação sobre as agências de notação deve estar prevista a existência de prazos, o mais alargados que seja possível, para avisos prévios da publicação de notação".
O eurodeputado do CDS-PP, que irá utilizar o relatório como base para propostas que irá apresentar no Parlamento Europeu, advoga ainda a necessidade de ponderar a possibilidade de criar um sistema de avaliações independentes das dívidas soberanas, bem como "um sistema responsável por centralizar e sistematizar a informação relevante sobre as dívidas soberanas".
Por Agência Lusa, publicado em 29 Nov 2011
segunda-feira, 28 de novembro de 2011
Outro Ponto de Vista
Acácio de Brito
“A Liberdade não é gratuita”
Já um ano passou e novo surto de contestação social emerge com uma radicalidade inusitada. Greve geral! Que sentido? Reconheço validade intrínseca nesta forma de protesto. Mas se, emocionalmente, a adesão a esta forma de luta pode parecer lógica, a racionalidade que deve imperar nas nossas escolhas impede-me de fazer parte dos inúmeros portugueses, muitos forçados e impedidos de se deslocarem ao seu local de trabalho, que optaram por esta forma de dizer basta. Não obstante, a situação que hoje vivemos tem a sua origem, o seu “pecado original”, no desvario, na irresponsabilidade e na mentira institucionalizada de quem teve a responsabilidade de governo. No anterior, e mesmo em alguns anteriores, de forma assumida e descarada. Quanto ao protesto, concordo com alguns dos seus pressupostos, mas ele deveria ser consequente. Nomeadamente, quando ainda não passaram seis meses, em que tantos deram, democraticamente, aos actuais detentores do poder uma nova oportunidade para fazer melhor fazendo bem, tentando resolver o verdadeiro problema que se situa, sobretudo, na competência ou, de outra forma, no sentido da responsabilidade de bem-fazer. Estes senhores que têm a responsabilidade democrática de fazer um bom governo, têm-no feito, nos últimos tempos, como prova o abono de confiança, cada vez maior, constatável nos nossos credores. Até porque existem soluções, que não passam pela gente que nos conduziu aos braços musculados do triunvirato, mas, sim, por quem propõe a verdade, competência, transparência e autoridade democrática, sem promessas vãs de coisa nenhuma.
E o caminho a trilhar deve ser de esforço, muito trabalho e equilíbrio. É possível e, sobretudo, desejável. Agora não devemos ouvir sequer os mesmos que ontem diziam uma coisa e hoje, com a mesma convicção, dizem o seu contrário. Não!
O tempo nem sequer deve ser para diagnósticos que já estão devidamente feitos. O momento deve ser de escolha, de exigência e intransigência com os que, prometendo o paraíso celestial na terra, nos oferecem o inferno terreno quotidiano.
E este desafio deve ser tratado em nome dos que hoje não têm emprego, não têm coisa alguma! Hoje temos pobres, nossos irmãos e constatamos a insensibilidade dos vários poderes em tratá-los não como um de nós, mas como um número, como um valor estatístico. NÃO! SÃO PESSOAS que choram, riem e sofrem como todos nós! Afinal, o Portugal moderno, com estradas e obras sem fim, é uma tragédia para tantos!
A resposta deve ser encontrada em três dimensões: (i) com uma educação que proponha uma escola exigente, competente e disciplinada; (ii) com uma justiça que não se embrulhe em jogos sindicais e mais ou menos palacianos; (iii) com uma classe política que seja expurgada dos seus piores, os corruptores de toda a nossa sociedade! Educando bem, com exigência e sem malabarismos “novo-oportunísticos”, com sentido de justiça e deixando o mercado funcionar com regras, a crise actual é potenciadora de um amanhã menos sombrio. Vereda com muitos escolhos, seguramente, mas sem trabalho, sem suor e algumas lágrimas não se chega a lado algum. Façamos uma greve geral a tudo o que temos, indevidamente, utilizado! Os vindouros, que já estão aí, agradecem.
In DM 25/11
