domingo, 4 de dezembro de 2011
Outro Ponto de Vista
por Acácio de Brito
“Se és capaz de preencher o minuto que foge Com sessenta segundos de tarefa acertada (Kipling, If)
A pretexto da greve “geral” realizada, republico, com algumas nuances, crónica anterior que versa sobre a administração pública, por razões de ter sido este o sector que participou, de forma mais aguerrida, na referida jornada de luta.
A administração pública precisa de reformas urgentes para se transformar num espaço mais eficiente e com utilidade para os cidadãos.
O país já não suporta uma visão burocrática que não é capaz de dar resposta cabal às responsabilidades e competências que o Estado assumiu perante a sociedade. Nomeadamente, quando o mundo privado, que tem no aproveitamento das oportunidades de lucro o “leitmotiv”, procura manter uma estrutura competitiva com capacidade de resposta aos sinais que recebe do mercado.
É condição necessária e suficiente para o sucesso, no universo privado, que as hierarquias sejam responsáveis e responsabilizadas pelos resultados, obrigando-as a empregar os colaboradores no local e na forma onde sejam mais eficientes. Numa economia de mercado, esta dimensão instrumental, mas essencial, implica que as pessoas obtenham posições sociais e laborais compatíveis com as suas capacidades e dedicação.
A visão moderna, tecnocrática na sua essência, procura constatar e defender de forma racional que o mercado de trabalho deve procurar encaixar em cada emprego o colaborador mais adequado, aquele que apresenta maior mérito. Encontrada e desejada a meritocracia, por que não também envolvê-la
e implicá-la no sector da administração pública? Constatamos o ressurgimento deste modelo a seguir para a administração pública, que não deve ser complementada pela (re)definição dos cargos directivos de confiança político-partidária, porque é errada nos pressupostos e nas consequências! No modelo actual, não tem utilidade para o cidadão que cada funcionário ou cada unidade do Estado passe a responder pela respectiva produtividade, pois é o serviço a determinar a satisfação dos cidadãos e não o seu contrário. Não obstante, a função pública não terá reforma possível enquanto só responder a sinais endógenos e não se sujeitar à regra mater do mercado: o utente em primeiro lugar. Até porque o funcionamento deficiente da administração pública fica a dever-se, sobretudo, ao facto de não depender da satisfação das necessidades da pessoa. Para alterar este regime anacrónico de desenvolvimento, deve a administração passar a ser sujeita a uma concorrência que lhe possa servir de lenitivo. Finalmente, não é o sistema burocrático que tem de ser sujeito a liberalização, mas sim muitos dos serviços que
o Estado presta em exclusividade, sem outra razão que não seja a de perpetuar o poder e o “mérito” de políticos burocratizados.
O Estado tem todas as razões para regenerar-se, emagrecendo e colocando, aí sim, a meritocracia dos seus servidores ao dispor do cidadão e contribuinte. Não basta copiar modelos, não é suficiente o recurso a teorias de “management”, se não inteligirmos o essencial. Mudar para que tudo fique na mesma tem sido a prática recorrente, com consequências gravosas para todos nós.
Diário do Minho, 3 de Dezembro
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quarta-feira, 30 de novembro de 2011
Com todo o respeito
por Miguel Brito
As eleições para os órgãos
representativos da concelhia da Juventude Socialista de Braga,
mostram bem a assertividade da escolha de “Braga – Capital
Europeia da Juventude”; quando dizem que os jovens estão afastados
da política, a “secção” júnior de Braga, dá um exemplo de
participação e de cidadania.
De um colégio eleitoral a passar os
dois milhares de inscritos, cerca de 1.300 foram votar e escolher –
uma espécie de primárias – das eleição do PS para o futuro
Presidente da Câmara de Braga, que depois de sufragado pela secção
sénior e confirmado pelo senado composto por Presidentes de Junta, é
apresentado ao povo!
É um processo de escolha inédito, a
recordar os hambúrgueres gourmet H3, com carne sem sabor, para ser
apresentado a um povo sem dentes, mas com uma campanha de marketing
forte!
A campanha foi animada e ordeira, e a
equipe de juniores do Merelim foi em massa a votos. Um mais afoito
ainda gritou: golooooo!
Da bancada o mestre: olha o respeito,
somos Capital da Juventude e o futuro é dos jovens e a malta
aplaudiu.
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Com todo o respeito
Simples e claro
CDS-PP vota com "convicção" Orçamento do Estado para 2012
O voto do CDS-PP no Orçamento do Estado para 2012 é feito com “convicção” perante um documento que mostra ser “difícil”. Quem o afirma é Paulo Portas que falou ainda de um orçamento que “tem de ser cumprido”(...). Já esta madrugada e depois da reunião da comissão política nacional do CDS, o líder dos centristas saudou ainda o esforço de diálogo demonstrado pela maioria ao longo do debate que hoje chega ao fim com a votação final global do documento no Parlamento.
Paulo Portas voltou esta madrugada a pronunciar-se sobre o Orçamento do Estado para 2012 para considerar que o seu partido irá votar no dia de hoje na Assembleia da República "com convicção" e favoravelmente um documento "difícil", mas que "tem que ser cumprido".
No final da reunião da comissão política nacional do CDS, que decorreu na sede do partido, no largo do Caldas, em Lisboa, Paulo Portas explicou que a votação favorável e com convicção no Orçamento se deve ao facto de “Portugal ter sido levado a uma situação em que foi obrigado a pedir emprestado dinheiro para poder pagar salários e pensões e evitar uma rutura no sistema financeiro".
Para o líder dos centristas a aprovação deste orçamento, “que é difícil, mas tem que ser cumprido", é "um passo muito significativo" para "libertar" Portugal da "situação de dependência externa em que foi colocado".
Portas salienta ainda a forma como decorreu a discussão do orçamento e o diálogo que foi conseguido para que o documento fosse ao encontro de parte das reivindicações do PS.
"Antes não havia maioria absoluta, e portanto o diálogo era necessário, e havia pouco diálogo. Desta vez há uma maioria que é clara, que é estável, que é duradoura, mas o Governo e a maioria tiveram abertura para fazer gestos e tomar decisões e fazer propostas que iam encontro de temas que o principal partido da oposição tinha reclamado como mais importantes", sustentou.
Para o líder do CDS é importante salientar a "ética social na austeridade", contida no documento e que está patente, nomeadamente, no descongelamento das pensões mínimas.
http://tv1.rtp.pt/noticias/index.php?t=CDS-PP
O voto do CDS-PP no Orçamento do Estado para 2012 é feito com “convicção” perante um documento que mostra ser “difícil”. Quem o afirma é Paulo Portas que falou ainda de um orçamento que “tem de ser cumprido”(...). Já esta madrugada e depois da reunião da comissão política nacional do CDS, o líder dos centristas saudou ainda o esforço de diálogo demonstrado pela maioria ao longo do debate que hoje chega ao fim com a votação final global do documento no Parlamento.
Paulo Portas voltou esta madrugada a pronunciar-se sobre o Orçamento do Estado para 2012 para considerar que o seu partido irá votar no dia de hoje na Assembleia da República "com convicção" e favoravelmente um documento "difícil", mas que "tem que ser cumprido".
No final da reunião da comissão política nacional do CDS, que decorreu na sede do partido, no largo do Caldas, em Lisboa, Paulo Portas explicou que a votação favorável e com convicção no Orçamento se deve ao facto de “Portugal ter sido levado a uma situação em que foi obrigado a pedir emprestado dinheiro para poder pagar salários e pensões e evitar uma rutura no sistema financeiro".
Para o líder dos centristas a aprovação deste orçamento, “que é difícil, mas tem que ser cumprido", é "um passo muito significativo" para "libertar" Portugal da "situação de dependência externa em que foi colocado".
Portas salienta ainda a forma como decorreu a discussão do orçamento e o diálogo que foi conseguido para que o documento fosse ao encontro de parte das reivindicações do PS.
"Antes não havia maioria absoluta, e portanto o diálogo era necessário, e havia pouco diálogo. Desta vez há uma maioria que é clara, que é estável, que é duradoura, mas o Governo e a maioria tiveram abertura para fazer gestos e tomar decisões e fazer propostas que iam encontro de temas que o principal partido da oposição tinha reclamado como mais importantes", sustentou.
Para o líder do CDS é importante salientar a "ética social na austeridade", contida no documento e que está patente, nomeadamente, no descongelamento das pensões mínimas.
http://tv1.rtp.pt/noticias/index.php?t=CDS-PP
Ministros das Finanças chegam a acordo sobre alavancagem do FEEF
Os ministros das Finanças da Zona Euro chegaram a acordo sobre uma parte da alavancagem do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF), que passará a oferecer "seguros" contra o risco de obrigações soberanas do euro. Mas foram forçados a admitir que ainda não conseguiram chegar ao bilião de euros que julgam necessário para proteger a moeda única. Para isso é preciso a ajuda do FMI.
O FEFF tem actualmente a capacidade de disponibilizar 440 mil milhões de euros, mas terá de ser capaz de alavancar este valor em mais 250 mil milhões de euros, revela um comunicado hoje divulgado pelo FEEF e citado pela Bloomberg.
E apesar de Klaus Regling não ter avançado com um valor final da capacidade do FEEF, considerando que era impossível saber, Jean-Claude Juncker, presidente do Eurogrupo, revelou, em conferência de imprensa, que a capacidade do FEEF será inferior a um bilião de euros.
As opções estão “desenhadas para aumentar a capacidade do FEFF para que os novos instrumentos disponíveis possam ser usados eficientemente”, afirma Klaus Regling (na foto), presidente do FEEF, citado no comunicado.
O acordo a que hoje os ministros das Finanças chegaram inclui um “seguro”. O FEEF poderá emitir certificados que vão oferecer uma protecção sobre as novas emissões de obrigações por parte de estados-membros, explica o comunicado.
Juncker revelou ainda que a Zona Euro vai analisar a possibilidade de impulsionar os recursos do Fundo Monetário Internacional (FMI) através de empréstimos bilaterais. “Acordámos explorar rapidamente um aumento dos fundos do FMI através de empréstimos bi-laterais”, para que desta forma “o FMI possa de forma adequada” acompanhar a alavancagem do FEEF “e cooperar mais de perto” neste processo, adiantou durante uma conferência de imprensa após a reunião dos ministros das Finanças da Zona Euro.
Uma das vias que tem sido explorada nos bastidores passa por o Banco Central Europeu (BCE) abrir uma linha de financiamento para o FMI, passando a ser este a intervir directamente na Zona Euro. Mas a Alemanha e o Bundesbank têm levantado objecções.
http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=522795
O FEFF tem actualmente a capacidade de disponibilizar 440 mil milhões de euros, mas terá de ser capaz de alavancar este valor em mais 250 mil milhões de euros, revela um comunicado hoje divulgado pelo FEEF e citado pela Bloomberg.
E apesar de Klaus Regling não ter avançado com um valor final da capacidade do FEEF, considerando que era impossível saber, Jean-Claude Juncker, presidente do Eurogrupo, revelou, em conferência de imprensa, que a capacidade do FEEF será inferior a um bilião de euros.
As opções estão “desenhadas para aumentar a capacidade do FEFF para que os novos instrumentos disponíveis possam ser usados eficientemente”, afirma Klaus Regling (na foto), presidente do FEEF, citado no comunicado.
O acordo a que hoje os ministros das Finanças chegaram inclui um “seguro”. O FEEF poderá emitir certificados que vão oferecer uma protecção sobre as novas emissões de obrigações por parte de estados-membros, explica o comunicado.
Juncker revelou ainda que a Zona Euro vai analisar a possibilidade de impulsionar os recursos do Fundo Monetário Internacional (FMI) através de empréstimos bilaterais. “Acordámos explorar rapidamente um aumento dos fundos do FMI através de empréstimos bi-laterais”, para que desta forma “o FMI possa de forma adequada” acompanhar a alavancagem do FEEF “e cooperar mais de perto” neste processo, adiantou durante uma conferência de imprensa após a reunião dos ministros das Finanças da Zona Euro.
Uma das vias que tem sido explorada nos bastidores passa por o Banco Central Europeu (BCE) abrir uma linha de financiamento para o FMI, passando a ser este a intervir directamente na Zona Euro. Mas a Alemanha e o Bundesbank têm levantado objecções.
http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=522795
Irão
Oslo, 30 nov (Lusa) - A Noruega fechou a embaixada em Teerão, capital do Irão, na sequência do ataque e o saqueamento da missão britânica por manifestantes islamitas, anunciou hoje o governo norueguês.
O pessoal diplomático norueguês ainda está em Teerão e ainda não foi tomada qualquer decisão sobre a evacuação da embaixada, declarou Hilde Steinfeld, uma porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros norueguês.
"A embaixada foi fechada ontem [terça-feira] depois do ataque da embaixada britânica", afirmou. "Nós avaliamos a situação permanentemente", disse quando foi questionada sobre a duração do encerramento.
http://aeiou.visao.pt/irao-noruega-fechou-embaixada-em-teerao=f636383#ixzz1fBEW4qAc
O pessoal diplomático norueguês ainda está em Teerão e ainda não foi tomada qualquer decisão sobre a evacuação da embaixada, declarou Hilde Steinfeld, uma porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros norueguês.
"A embaixada foi fechada ontem [terça-feira] depois do ataque da embaixada britânica", afirmou. "Nós avaliamos a situação permanentemente", disse quando foi questionada sobre a duração do encerramento.
http://aeiou.visao.pt/irao-noruega-fechou-embaixada-em-teerao=f636383#ixzz1fBEW4qAc
terça-feira, 29 de novembro de 2011
« Il y a bien un architecte »
[Última entrevista a Danielle Mitterrand, viúva de François Mitterrand, antigo Presidente da República de França]
Danielle Mitterrand : l'ultime interview
Danielle Mitterrand est décédée dans la nuit de lundi à mardi. Nous l'avions rencontrée à son domicile le 27 octobre dernier à l'occasion des 25 ans de France Libertés.
C'est une femme fragile, mais au regard intense et lumineux qui nous a reçues le 27 octobre dernier à son domicile rue de Bièvre. Elle était fatiguée. Elle avait souhaité donner deux ou trois interviews, pas plus, pour célébrer les 25 ans de France Libertés, sa fondation et son combat. Elle voulait vraiment parler à La Vie, nous avait confié sa responsable de communication. Elle nous avait choisi.
Interview testament ? C'est le sentiment que nous avons eu, Corine Chabaud et moi-même, lorsque deux heures durant, l'ex-première dame de France, a accepté de relire pour nous le fil de sa vie. De l'enfance heureuse dans une famille unie et viscéralement engagée, à la Résistance jusqu'à la vie aux côtés de "François" puis du Président. Vie faite des abnégations que l'on sait, dans cette étrange existence d'épouse publique qui a dû partager avec une autre, mais une vie aussi faite de combats personnels, parfois contraires à la raison d'État et à la prudence, pour la dignité, la justice, le pacifisme. Sincère, passionnée, pleine d'humour mais aussi touchante souvent dans ses aveux de fragilité, Danielle Mitterrand n'a esquivé aucune question. Et dans l'extrême sobriété, quasi monacale, d'un rez de jardin rue de Bièvre, en cette veille de Toussaint, la conversation a roulé aussi sur sa compassion pour la souffrance depuis toute petite et sur ce lien inextinguible que l'on entretient avec ses morts. Par delà le doute.
Élisabeth Marshall
« Je suis agnostique. Je doute »
Danielle Mitterrand a décidé d'accorder à La Vie sa dernière interview. Pourquoi ? "Je lui ai fait plusieurs propositions. Elle a choisi La Vie car elle a toujours trouvé que c'était un magazine très respectueux, à l'esprit positif" nous disait hier matin son attachée de presse. Lors de ce long entretien le 27 octobre, à son domicile rue de Bièvre, Danielle Mitterrand semblait fatiguée -elle toussait beaucoup, mais surtout sereine. Comme une femme engagée au parcours cohérent qui a le sentiment du devoir accompli. Voici un extrait de l'interview qu'elle nous a donnée. Nous la publierons en intégralité dans La Vie daté du 24 novembre.
Quel est le fil conducteur de vos combats ?
L’affection. Les liens avec tous ces gens que j’ai soutenus. Je me suis beaucoup investie auprès des Kurdes. Je leur ai rendu visite, par exemple dans la ville d’Halabja où la population avait été gazée. C’était atroce. Nous sommes parvenus à faire sortir beaucoup d’orphelins des camps. Ce dossier m’attendrit, car ce sont des enfants qui ont tout perdu. Souvent, ils m’appellent « maman ». Cela ne me déplaît pas. Je parle. J’écoute même les gens qui n’ont pas les mêmes idées que moi. J’ai un gros défaut : j’aime être aimée. En revanche je n’apprécie ni le vedettariat ni l’adulation. Le dalaï-lama m’a rendu un bel hommage. Il a salué ma vie pleine de sens. Je l’aime beaucoup. Il rit tout le temps. Il estime qu’aucun problème ne doit nous abattre, qu’il présente ou non une solution. Autrefois, j’ai aussi apprécié la rencontre avec sœur Emmanuelle : elle agissait, mettait les gens face à leurs responsabilités. Pas comme Mère Teresa, qui faisait plutôt de la charité. Il y a Fidel Castro aussi, à qui j’ai dit mes quatre vérités, au sujet de la peine de mort et des prisonniers politiques cubains. Un jour, je lui ai demandé : « Comment pouvez-vous supporter d’entendre mes critiques ? ». « Parce que je vous aime bien ». J’ai rencontré aussi Mumia Abu-Jamal dans le couloir de la mort en Pennsylvanie en 1999. Je me souviens du bruit terrible des portes qui se referment… Comme François, je suis contre la peine de mort et la loi du talion. C’est pourquoi je me réjouis que la condamnation à mort de ce militant noir américain soit depuis peu commuée en détention à perpétuité. Même si passer sa vie en prison n’a rien de réjouissant.
Croyez-vous comme votre mari aux forces de l’esprit ?
Oui, il m’a peut-être influencée dans ce sens. Je suis agnostique. Je doute. Je ne crois pas en Dieu car je pense qu’il a été fabriqué par les hommes qui avaient besoin de lui. Mais devant la naissance d’un enfant, ses petits doigts si bien dessinés… Je me dis : « il y a bien un architecte ». Ou quand je vois ce que Jules Verne a imaginé, maintenant réalisé, je m’interroge. Le seul grand malheur que j’ai connu, c’est la mort de mon premier enfant, Pascal, à deux mois et demi, de maladie. Pour les autres, mes parents, François, je me suis résignée à leur disparition, car la vie est un cycle. Et je sens qu’ils sont là. Quand j’ai un gros problème, je pense à eux, je me sens reliée à eux. Comme l’eau nous lie à la terre. Pour François, je relis aussi beaucoup ses écrits, rangés dans la bibliothèque de ma chambre, envahie par les livres, notamment la nuit quand j’ai des insomnies. Il était visionnaire. En 1971, au congrès d’Épinay, il prônait déjà la rupture avec le capitalisme. Malheureusement, il n’y est pas parvenu. Nous avons perdu beaucoup de temps. Mais ce système est à bout de souffle. Sans doute pas loin de s’effondrer. Ah, si nous vivions comme Pierre Rabhi ! Un toit, un coin de terre où élever poules et lapins, comme lorsque mon père a perdu son travail pendant la guerre… Vive la sobriété heureuse !
Quel message souhaitez-vous laisser derrière vous ?
La vie est la valeur la plus importante. Le XXe siècle a apporté beaucoup de progrès en matière de technologies. Mais elles doivent être au service de la vie. J’attends que l’on sorte de la croissance, qui amplifie la pauvreté et les inégalités. Je milite pour une société nouvelle. L’argent rend fou. Il n’est pourtant qu’un outil. Il faut que les valeurs marchandes ne comptent que ce pour quoi elles doivent compter. Il faut que la peur recule. Aujourd’hui, on a peur de perdre sa maison, son travail, sa santé, d’aller dans la rue, de rencontrer son voisin. On a peur de vivre. À tort. Il faut bâtir un monde solidaire.
interview par Corine Chabaud
http://www.lavie.fr/actualite/france/danielle-mitterrand-l-ultime-interview-22-11-2011-22005_4.php
Danielle Mitterrand : l'ultime interview
Danielle Mitterrand est décédée dans la nuit de lundi à mardi. Nous l'avions rencontrée à son domicile le 27 octobre dernier à l'occasion des 25 ans de France Libertés.
C'est une femme fragile, mais au regard intense et lumineux qui nous a reçues le 27 octobre dernier à son domicile rue de Bièvre. Elle était fatiguée. Elle avait souhaité donner deux ou trois interviews, pas plus, pour célébrer les 25 ans de France Libertés, sa fondation et son combat. Elle voulait vraiment parler à La Vie, nous avait confié sa responsable de communication. Elle nous avait choisi.
Interview testament ? C'est le sentiment que nous avons eu, Corine Chabaud et moi-même, lorsque deux heures durant, l'ex-première dame de France, a accepté de relire pour nous le fil de sa vie. De l'enfance heureuse dans une famille unie et viscéralement engagée, à la Résistance jusqu'à la vie aux côtés de "François" puis du Président. Vie faite des abnégations que l'on sait, dans cette étrange existence d'épouse publique qui a dû partager avec une autre, mais une vie aussi faite de combats personnels, parfois contraires à la raison d'État et à la prudence, pour la dignité, la justice, le pacifisme. Sincère, passionnée, pleine d'humour mais aussi touchante souvent dans ses aveux de fragilité, Danielle Mitterrand n'a esquivé aucune question. Et dans l'extrême sobriété, quasi monacale, d'un rez de jardin rue de Bièvre, en cette veille de Toussaint, la conversation a roulé aussi sur sa compassion pour la souffrance depuis toute petite et sur ce lien inextinguible que l'on entretient avec ses morts. Par delà le doute.
Élisabeth Marshall
« Je suis agnostique. Je doute »
Danielle Mitterrand a décidé d'accorder à La Vie sa dernière interview. Pourquoi ? "Je lui ai fait plusieurs propositions. Elle a choisi La Vie car elle a toujours trouvé que c'était un magazine très respectueux, à l'esprit positif" nous disait hier matin son attachée de presse. Lors de ce long entretien le 27 octobre, à son domicile rue de Bièvre, Danielle Mitterrand semblait fatiguée -elle toussait beaucoup, mais surtout sereine. Comme une femme engagée au parcours cohérent qui a le sentiment du devoir accompli. Voici un extrait de l'interview qu'elle nous a donnée. Nous la publierons en intégralité dans La Vie daté du 24 novembre.
Quel est le fil conducteur de vos combats ?
L’affection. Les liens avec tous ces gens que j’ai soutenus. Je me suis beaucoup investie auprès des Kurdes. Je leur ai rendu visite, par exemple dans la ville d’Halabja où la population avait été gazée. C’était atroce. Nous sommes parvenus à faire sortir beaucoup d’orphelins des camps. Ce dossier m’attendrit, car ce sont des enfants qui ont tout perdu. Souvent, ils m’appellent « maman ». Cela ne me déplaît pas. Je parle. J’écoute même les gens qui n’ont pas les mêmes idées que moi. J’ai un gros défaut : j’aime être aimée. En revanche je n’apprécie ni le vedettariat ni l’adulation. Le dalaï-lama m’a rendu un bel hommage. Il a salué ma vie pleine de sens. Je l’aime beaucoup. Il rit tout le temps. Il estime qu’aucun problème ne doit nous abattre, qu’il présente ou non une solution. Autrefois, j’ai aussi apprécié la rencontre avec sœur Emmanuelle : elle agissait, mettait les gens face à leurs responsabilités. Pas comme Mère Teresa, qui faisait plutôt de la charité. Il y a Fidel Castro aussi, à qui j’ai dit mes quatre vérités, au sujet de la peine de mort et des prisonniers politiques cubains. Un jour, je lui ai demandé : « Comment pouvez-vous supporter d’entendre mes critiques ? ». « Parce que je vous aime bien ». J’ai rencontré aussi Mumia Abu-Jamal dans le couloir de la mort en Pennsylvanie en 1999. Je me souviens du bruit terrible des portes qui se referment… Comme François, je suis contre la peine de mort et la loi du talion. C’est pourquoi je me réjouis que la condamnation à mort de ce militant noir américain soit depuis peu commuée en détention à perpétuité. Même si passer sa vie en prison n’a rien de réjouissant.
Croyez-vous comme votre mari aux forces de l’esprit ?
Oui, il m’a peut-être influencée dans ce sens. Je suis agnostique. Je doute. Je ne crois pas en Dieu car je pense qu’il a été fabriqué par les hommes qui avaient besoin de lui. Mais devant la naissance d’un enfant, ses petits doigts si bien dessinés… Je me dis : « il y a bien un architecte ». Ou quand je vois ce que Jules Verne a imaginé, maintenant réalisé, je m’interroge. Le seul grand malheur que j’ai connu, c’est la mort de mon premier enfant, Pascal, à deux mois et demi, de maladie. Pour les autres, mes parents, François, je me suis résignée à leur disparition, car la vie est un cycle. Et je sens qu’ils sont là. Quand j’ai un gros problème, je pense à eux, je me sens reliée à eux. Comme l’eau nous lie à la terre. Pour François, je relis aussi beaucoup ses écrits, rangés dans la bibliothèque de ma chambre, envahie par les livres, notamment la nuit quand j’ai des insomnies. Il était visionnaire. En 1971, au congrès d’Épinay, il prônait déjà la rupture avec le capitalisme. Malheureusement, il n’y est pas parvenu. Nous avons perdu beaucoup de temps. Mais ce système est à bout de souffle. Sans doute pas loin de s’effondrer. Ah, si nous vivions comme Pierre Rabhi ! Un toit, un coin de terre où élever poules et lapins, comme lorsque mon père a perdu son travail pendant la guerre… Vive la sobriété heureuse !
Quel message souhaitez-vous laisser derrière vous ?
La vie est la valeur la plus importante. Le XXe siècle a apporté beaucoup de progrès en matière de technologies. Mais elles doivent être au service de la vie. J’attends que l’on sorte de la croissance, qui amplifie la pauvreté et les inégalités. Je milite pour une société nouvelle. L’argent rend fou. Il n’est pourtant qu’un outil. Il faut que les valeurs marchandes ne comptent que ce pour quoi elles doivent compter. Il faut que la peur recule. Aujourd’hui, on a peur de perdre sa maison, son travail, sa santé, d’aller dans la rue, de rencontrer son voisin. On a peur de vivre. À tort. Il faut bâtir un monde solidaire.
interview par Corine Chabaud
http://www.lavie.fr/actualite/france/danielle-mitterrand-l-ultime-interview-22-11-2011-22005_4.php
Comissão política do CDS reúne-se hoje
A comissão política nacional do CDS-PP reúne-se hoje em Lisboa para analisar a situação política, nomeadamente as alterações apresentadas pela maioria ao Orçamento, e o relatório do eurodeputado democrata-cristão Diogo Feio sobre as agências de notação.
O secretário-geral do CDS-PP, António Carlos Monteiro, defendeu à Lusa que as propostas da maioria permitiram melhorar a situação de "alguns milhares de funcionários públicos", apesar de o PS "não ter apresentado alternativas em matéria de redução da despesa".
"Na análise da situação política não deixará de ser dada a devida relevância ao facto de o Governo e a maioria terem dado extrema importância à coesão social interna e a credibilidade externa do país nas proposta na especialidade do Orçamento do Estado", disse António Carlos Monteiro.
"Apesar de o PS não ter apresentado alternativas em matéria de redução da despesa, a maioria conseguiu apresentar melhorias, poupando alguns milhares de funcionários públicos" aos cortes nos subsídios, acrescentou.
Por outro lado, o secretário-geral democrata-cristão salientou o IVA na taxa intermédia para as atividades culturais como outra das "preocupações expressas publicamente" que foi possível "acomodar".
Na proposta do Governo o IVA destas atividades subia da taxa mínima para a taxa máxima de 23 por cento, mas os grupos parlamentares do PSD e do CDS apresentaram uma proposta conjunta para que ficasse na taxa intermédia.
Outro dos pontos da reunião da comissão política do CDS será a discussão do relatório elaborado por Diogo Feio sobre as agências de notação financeira.
O relatório começou a ser elaborado depois de, no início de julho, a agência Moody's ter cortado em quatro níveis o rating de Portugal, colocando a dívida do país na categoria de "lixo".
Entre as propostas defendidas por Diogo Feio no documento está a abertura dos mercado a novos agentes, pois embora não exista qualquer prova ou queixa de violações das regras de concorrência, há um domínio da Moody's, S&P e Fitch, num funcionamento que "é claramente oligopolista". (...)
Outra das propostas que o eurodeputado faz no seu relatório diz respeito à transparência, preconizando que na próxima legislação sobre as agências de notação deve estar prevista a existência de prazos, o mais alargados que seja possível, para avisos prévios da publicação de notação".
O eurodeputado do CDS-PP, que irá utilizar o relatório como base para propostas que irá apresentar no Parlamento Europeu, advoga ainda a necessidade de ponderar a possibilidade de criar um sistema de avaliações independentes das dívidas soberanas, bem como "um sistema responsável por centralizar e sistematizar a informação relevante sobre as dívidas soberanas".
Por Agência Lusa, publicado em 29 Nov 2011
O secretário-geral do CDS-PP, António Carlos Monteiro, defendeu à Lusa que as propostas da maioria permitiram melhorar a situação de "alguns milhares de funcionários públicos", apesar de o PS "não ter apresentado alternativas em matéria de redução da despesa".
"Na análise da situação política não deixará de ser dada a devida relevância ao facto de o Governo e a maioria terem dado extrema importância à coesão social interna e a credibilidade externa do país nas proposta na especialidade do Orçamento do Estado", disse António Carlos Monteiro.
"Apesar de o PS não ter apresentado alternativas em matéria de redução da despesa, a maioria conseguiu apresentar melhorias, poupando alguns milhares de funcionários públicos" aos cortes nos subsídios, acrescentou.
Por outro lado, o secretário-geral democrata-cristão salientou o IVA na taxa intermédia para as atividades culturais como outra das "preocupações expressas publicamente" que foi possível "acomodar".
Na proposta do Governo o IVA destas atividades subia da taxa mínima para a taxa máxima de 23 por cento, mas os grupos parlamentares do PSD e do CDS apresentaram uma proposta conjunta para que ficasse na taxa intermédia.
Outro dos pontos da reunião da comissão política do CDS será a discussão do relatório elaborado por Diogo Feio sobre as agências de notação financeira.
O relatório começou a ser elaborado depois de, no início de julho, a agência Moody's ter cortado em quatro níveis o rating de Portugal, colocando a dívida do país na categoria de "lixo".
Entre as propostas defendidas por Diogo Feio no documento está a abertura dos mercado a novos agentes, pois embora não exista qualquer prova ou queixa de violações das regras de concorrência, há um domínio da Moody's, S&P e Fitch, num funcionamento que "é claramente oligopolista". (...)
Outra das propostas que o eurodeputado faz no seu relatório diz respeito à transparência, preconizando que na próxima legislação sobre as agências de notação deve estar prevista a existência de prazos, o mais alargados que seja possível, para avisos prévios da publicação de notação".
O eurodeputado do CDS-PP, que irá utilizar o relatório como base para propostas que irá apresentar no Parlamento Europeu, advoga ainda a necessidade de ponderar a possibilidade de criar um sistema de avaliações independentes das dívidas soberanas, bem como "um sistema responsável por centralizar e sistematizar a informação relevante sobre as dívidas soberanas".
Por Agência Lusa, publicado em 29 Nov 2011
segunda-feira, 28 de novembro de 2011
Outro Ponto de Vista
Acácio de Brito
“A Liberdade não é gratuita”
Já um ano passou e novo surto de contestação social emerge com uma radicalidade inusitada. Greve geral! Que sentido? Reconheço validade intrínseca nesta forma de protesto. Mas se, emocionalmente, a adesão a esta forma de luta pode parecer lógica, a racionalidade que deve imperar nas nossas escolhas impede-me de fazer parte dos inúmeros portugueses, muitos forçados e impedidos de se deslocarem ao seu local de trabalho, que optaram por esta forma de dizer basta. Não obstante, a situação que hoje vivemos tem a sua origem, o seu “pecado original”, no desvario, na irresponsabilidade e na mentira institucionalizada de quem teve a responsabilidade de governo. No anterior, e mesmo em alguns anteriores, de forma assumida e descarada. Quanto ao protesto, concordo com alguns dos seus pressupostos, mas ele deveria ser consequente. Nomeadamente, quando ainda não passaram seis meses, em que tantos deram, democraticamente, aos actuais detentores do poder uma nova oportunidade para fazer melhor fazendo bem, tentando resolver o verdadeiro problema que se situa, sobretudo, na competência ou, de outra forma, no sentido da responsabilidade de bem-fazer. Estes senhores que têm a responsabilidade democrática de fazer um bom governo, têm-no feito, nos últimos tempos, como prova o abono de confiança, cada vez maior, constatável nos nossos credores. Até porque existem soluções, que não passam pela gente que nos conduziu aos braços musculados do triunvirato, mas, sim, por quem propõe a verdade, competência, transparência e autoridade democrática, sem promessas vãs de coisa nenhuma.
E o caminho a trilhar deve ser de esforço, muito trabalho e equilíbrio. É possível e, sobretudo, desejável. Agora não devemos ouvir sequer os mesmos que ontem diziam uma coisa e hoje, com a mesma convicção, dizem o seu contrário. Não!
O tempo nem sequer deve ser para diagnósticos que já estão devidamente feitos. O momento deve ser de escolha, de exigência e intransigência com os que, prometendo o paraíso celestial na terra, nos oferecem o inferno terreno quotidiano.
E este desafio deve ser tratado em nome dos que hoje não têm emprego, não têm coisa alguma! Hoje temos pobres, nossos irmãos e constatamos a insensibilidade dos vários poderes em tratá-los não como um de nós, mas como um número, como um valor estatístico. NÃO! SÃO PESSOAS que choram, riem e sofrem como todos nós! Afinal, o Portugal moderno, com estradas e obras sem fim, é uma tragédia para tantos!
A resposta deve ser encontrada em três dimensões: (i) com uma educação que proponha uma escola exigente, competente e disciplinada; (ii) com uma justiça que não se embrulhe em jogos sindicais e mais ou menos palacianos; (iii) com uma classe política que seja expurgada dos seus piores, os corruptores de toda a nossa sociedade! Educando bem, com exigência e sem malabarismos “novo-oportunísticos”, com sentido de justiça e deixando o mercado funcionar com regras, a crise actual é potenciadora de um amanhã menos sombrio. Vereda com muitos escolhos, seguramente, mas sem trabalho, sem suor e algumas lágrimas não se chega a lado algum. Façamos uma greve geral a tudo o que temos, indevidamente, utilizado! Os vindouros, que já estão aí, agradecem.
In DM 25/11
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Rua do Souto
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23:45
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Outro Ponto de Vista
O dia-a-dia de uma criança manoba
Relato do padre Fausto Tentorio, martirizado em outubro nas Filipinas
Por Piero Gheddo
ROMA, sexta-feira, 25 de novembro de 2011 (ZENIT.org) - A vida do padre missionário Fausto Tentorio, martirizado no último 17 de outubro na ilha de Mindanao, nas Filipinas, é vislumbrada neste relato escrito por ele mesmo e publicado no boletim Mondo e Dintorni, do “laboratório missionário” de Lecco, em dezembro de 2001. É um texto de grande significância sobre o ambiente em que o padre Fausto viveu seus trinta anos de missão entre os manobo, uma tribo local. O testemunho poderia ser lido para os nossos jovens nas escolas, para terem uma ideia do quanto são privilegiados em contraste com a realidade de outros jovens de lugares distantes.
Neste 11 de novembro, o padre Fausto recebeu postumamente a Medaglia d’Oro alla Memoria, do governo da Lombardia.
Segue seu relato.
“Vou narrar um dia na vida de uma criança manoba, no decurso do ano escolar que dura aqui dez meses, do início de junho até o final de março, tirando os sábados e domingos.
A jornada começa cedo. Eles costumam levantar ao canto do galo, entre as quatro e cinco da manhã, dependendo de quantos quilômetros cada um tem que andar até chegar à escola. Assim que acordam, antes ainda de levantar, eles se estiram no estrado para vencer o frio que penetra pelas paredes da choça, feitas de varas entrelaçadas de bambu. Pouco depois, afastam o pedaço de pano que lhes serviu de cobertor e pulam do leito forrado de palha.
Já de pé, sem parar de se mexer, eles sacodem a esteira sobre a qual dormiram, quase sempre roída pelos ratos que, nessas paragens, já são de casa. E a recolocam sobre o estrato de varas de bambu, que ficará erguido durante o dia.
No lusco-fusco de antes da aurora, porque só amanhece entre as cinco e meia e seis da manhã, eles começam seus afazeres do lar. Se é menina, ajuda a mãe a fazer o fogo, varrer o chão, preparar de comer ou cuidar dos irmãozinhos caçulas. Se é menino, ajuda o pai a trazer lenha, buscar água e levar o pasto para a criação – búfalos, cavalos, cabras –, se é que possuem alguma.
Despachadas as tarefas, eles vão se lavar na fonte ou no rio. Quase nunca têm sabonete: eles pegam uma pedra áspera e a esfregam na pele, tratando de arrancar o sujo. Lavam a roupa ali mesmo, também sem sabão e sem nada, torcem-na e voltam a vesti-la.
De volta em casa, preparam-se para a escola. Tiram a roupa lavada e a estendem: até o meio-dia vão ficar enxutas. Botam o uniforme da escola e olham se a mãe cozinhou alguma coisa para o café. Se tem, é batata doce fervida, e se não tem, eles pegam o pouco que vão levar à escola para almoçar: milho moído grosso ou arroz cozido. Rara vez vai de acompanhamento um peixe seco ou salgado, meio ovo cozido em água fervente, ou só sal puro, mesmo. E tudo é transportado enrolado numa folha de bananeira.
É hora de preparar a “mochila”, ou o saquinho de plástico, botando dentro a comida, um caderno, uma caneta e um lápis. Estão prontos para partir às seis ou às sete, conforme a lonjura da escola, e vão se chamando aos gritos enquanto passam na frente das cabanas das outras crianças. Caminham para a escola todos em grupo, os pés descalços e os calçados na mão, para tentar não gastar a sola, colinas acima e abaixo e atravessando torrentes sem ponte, debaixo de chuva ou de sol, por cima do barro ou do pó, percorrendo uns cinco, seis quilômetros.
Na escola, enxugam o suor com a mão e fazem fila para o iça- bandeira e o hino nacional. São as 7h15. Depois do hino, eles encaram dez minutos de ginástica, embora tenham recém-andado seis quilômetros a pé, limpam o jardim da escola e as salas e, finalmente, às oito, vão para a aula. Cada um tem a carteira que ele próprio teve que fazer e trazer de casa no começo do ano. Em cinquenta metros quadrados, cinquenta crianças se reúnem. Ou mais. Alguns, que ainda não fizeram a própria cadeira, ficam sentados no chão.
As aulas são em tagalog, a língua nacional, ou no dialeto das professoras (sebuano ou ilongo), com alguma frase de vez em quando em inglês. Seja como for, para os pequenos manobos são todas línguas estrangeiras, como são estrangeiros seus companheiros não manobos. Os primeiros meses de aulas são, por isso, duros de verdade: eles se sentem como peixes fora d’água. Se conseguirem resistir, pode ser que eles continuem na escola. Senão, vão largar as aulas e depois será difícil retornarem. As professoras, de qualquer forma, só acompanham os mais interessados.
Às 9h45 há um intervalo de quinze minutos e as crianças saem da escola para respirar um pouco. Quem não tomou café começa a sentir o estômago rosnar e não resiste à tentação de abrir o pacotinho de comida trazida de casa, adiantando o almoço.
Depois, ao meio-dia, Deus dirá... Às dez, eles voltam às aulas até as 11h30, quando param de novo até a uma. A hora mais importante é o almoço, para quem não comeu antes, e ele é consumido em no máximo dez minutos. O resto do tempo eles usam para uma soneca embaixo de alguma árvore ou para brincar.
A tarde é mais difícil. O sono começa a pesar, especialmente para os que acordaram às 4h30. Aproveitando mais um breve repouso, às duas e meia da tarde, eles dão uma olhada no tempo. Se ele não está de cara boa e eles moram longe ou têm rios para atravessar, vão já pegando a sacolinha plástica, sapatos na mão, e, muitas vezes sem avisar a professora, voltam a pé para casa, torcendo para não topar com nenhuma cheia nos rios. Se o tempo é bom, eles ficam na escola até as quatro.
Quando voltaram para casa, guardam as coisas a salvo dos ratos, tiram o uniforme, botam de volta aquelas roupas que tinham lavado de manhã e escondem os calçados num cantinho da choça, esperando que os cachorros não os peguem para brincar pela aldeia.
Depois de descansar um pouquinho, eles recomeçam as tarefas domésticas. Meninas ajudam a mãe a fazer a janta e cuidam dos irmãozinhos. Meninos ajudam o pai a tratar os bichos, buscar água e pegar lenha. Lição de casa? Nem pensar! Perto das seis, quando a noite começa a cair, eles jantam: batata doce, arroz ou milho cozido na água. Se tiver, alguma verdura e peixe salgado. Carne é um luxo. Às sete já está escuro e é tempo de estender a esteira na palha para dormir de novo. Não é incomum que as crianças cheguem tarde da escola e adormeçam no chão, pulando o jantar.
É a vida dos pequenos manobos.
O que eles querem? O que eles esperam? Às vezes, é difícil para eles mesmos dizer.
Eles não têm muita chance de escolha, mas, devagarinho, estão entendendo que é importante estudar, saber ler e escrever, aprender o idioma e, principalmente, fazer parte da sociedade. Quem se fechar em si mesmo estará perdido.
Um duro desafio para as crianças, mas, com a ajuda de vocês, nós esperamos que elas tenham um futuro mais luminoso.
Fausto Tentorio
Por Piero Gheddo
ROMA, sexta-feira, 25 de novembro de 2011 (ZENIT.org) - A vida do padre missionário Fausto Tentorio, martirizado no último 17 de outubro na ilha de Mindanao, nas Filipinas, é vislumbrada neste relato escrito por ele mesmo e publicado no boletim Mondo e Dintorni, do “laboratório missionário” de Lecco, em dezembro de 2001. É um texto de grande significância sobre o ambiente em que o padre Fausto viveu seus trinta anos de missão entre os manobo, uma tribo local. O testemunho poderia ser lido para os nossos jovens nas escolas, para terem uma ideia do quanto são privilegiados em contraste com a realidade de outros jovens de lugares distantes.
Neste 11 de novembro, o padre Fausto recebeu postumamente a Medaglia d’Oro alla Memoria, do governo da Lombardia.
Segue seu relato.
“Vou narrar um dia na vida de uma criança manoba, no decurso do ano escolar que dura aqui dez meses, do início de junho até o final de março, tirando os sábados e domingos.
A jornada começa cedo. Eles costumam levantar ao canto do galo, entre as quatro e cinco da manhã, dependendo de quantos quilômetros cada um tem que andar até chegar à escola. Assim que acordam, antes ainda de levantar, eles se estiram no estrado para vencer o frio que penetra pelas paredes da choça, feitas de varas entrelaçadas de bambu. Pouco depois, afastam o pedaço de pano que lhes serviu de cobertor e pulam do leito forrado de palha.
Já de pé, sem parar de se mexer, eles sacodem a esteira sobre a qual dormiram, quase sempre roída pelos ratos que, nessas paragens, já são de casa. E a recolocam sobre o estrato de varas de bambu, que ficará erguido durante o dia.
No lusco-fusco de antes da aurora, porque só amanhece entre as cinco e meia e seis da manhã, eles começam seus afazeres do lar. Se é menina, ajuda a mãe a fazer o fogo, varrer o chão, preparar de comer ou cuidar dos irmãozinhos caçulas. Se é menino, ajuda o pai a trazer lenha, buscar água e levar o pasto para a criação – búfalos, cavalos, cabras –, se é que possuem alguma.
Despachadas as tarefas, eles vão se lavar na fonte ou no rio. Quase nunca têm sabonete: eles pegam uma pedra áspera e a esfregam na pele, tratando de arrancar o sujo. Lavam a roupa ali mesmo, também sem sabão e sem nada, torcem-na e voltam a vesti-la.
De volta em casa, preparam-se para a escola. Tiram a roupa lavada e a estendem: até o meio-dia vão ficar enxutas. Botam o uniforme da escola e olham se a mãe cozinhou alguma coisa para o café. Se tem, é batata doce fervida, e se não tem, eles pegam o pouco que vão levar à escola para almoçar: milho moído grosso ou arroz cozido. Rara vez vai de acompanhamento um peixe seco ou salgado, meio ovo cozido em água fervente, ou só sal puro, mesmo. E tudo é transportado enrolado numa folha de bananeira.
É hora de preparar a “mochila”, ou o saquinho de plástico, botando dentro a comida, um caderno, uma caneta e um lápis. Estão prontos para partir às seis ou às sete, conforme a lonjura da escola, e vão se chamando aos gritos enquanto passam na frente das cabanas das outras crianças. Caminham para a escola todos em grupo, os pés descalços e os calçados na mão, para tentar não gastar a sola, colinas acima e abaixo e atravessando torrentes sem ponte, debaixo de chuva ou de sol, por cima do barro ou do pó, percorrendo uns cinco, seis quilômetros.
Na escola, enxugam o suor com a mão e fazem fila para o iça- bandeira e o hino nacional. São as 7h15. Depois do hino, eles encaram dez minutos de ginástica, embora tenham recém-andado seis quilômetros a pé, limpam o jardim da escola e as salas e, finalmente, às oito, vão para a aula. Cada um tem a carteira que ele próprio teve que fazer e trazer de casa no começo do ano. Em cinquenta metros quadrados, cinquenta crianças se reúnem. Ou mais. Alguns, que ainda não fizeram a própria cadeira, ficam sentados no chão.
As aulas são em tagalog, a língua nacional, ou no dialeto das professoras (sebuano ou ilongo), com alguma frase de vez em quando em inglês. Seja como for, para os pequenos manobos são todas línguas estrangeiras, como são estrangeiros seus companheiros não manobos. Os primeiros meses de aulas são, por isso, duros de verdade: eles se sentem como peixes fora d’água. Se conseguirem resistir, pode ser que eles continuem na escola. Senão, vão largar as aulas e depois será difícil retornarem. As professoras, de qualquer forma, só acompanham os mais interessados.
Às 9h45 há um intervalo de quinze minutos e as crianças saem da escola para respirar um pouco. Quem não tomou café começa a sentir o estômago rosnar e não resiste à tentação de abrir o pacotinho de comida trazida de casa, adiantando o almoço.
Depois, ao meio-dia, Deus dirá... Às dez, eles voltam às aulas até as 11h30, quando param de novo até a uma. A hora mais importante é o almoço, para quem não comeu antes, e ele é consumido em no máximo dez minutos. O resto do tempo eles usam para uma soneca embaixo de alguma árvore ou para brincar.
A tarde é mais difícil. O sono começa a pesar, especialmente para os que acordaram às 4h30. Aproveitando mais um breve repouso, às duas e meia da tarde, eles dão uma olhada no tempo. Se ele não está de cara boa e eles moram longe ou têm rios para atravessar, vão já pegando a sacolinha plástica, sapatos na mão, e, muitas vezes sem avisar a professora, voltam a pé para casa, torcendo para não topar com nenhuma cheia nos rios. Se o tempo é bom, eles ficam na escola até as quatro.
Quando voltaram para casa, guardam as coisas a salvo dos ratos, tiram o uniforme, botam de volta aquelas roupas que tinham lavado de manhã e escondem os calçados num cantinho da choça, esperando que os cachorros não os peguem para brincar pela aldeia.
Depois de descansar um pouquinho, eles recomeçam as tarefas domésticas. Meninas ajudam a mãe a fazer a janta e cuidam dos irmãozinhos. Meninos ajudam o pai a tratar os bichos, buscar água e pegar lenha. Lição de casa? Nem pensar! Perto das seis, quando a noite começa a cair, eles jantam: batata doce, arroz ou milho cozido na água. Se tiver, alguma verdura e peixe salgado. Carne é um luxo. Às sete já está escuro e é tempo de estender a esteira na palha para dormir de novo. Não é incomum que as crianças cheguem tarde da escola e adormeçam no chão, pulando o jantar.
É a vida dos pequenos manobos.
O que eles querem? O que eles esperam? Às vezes, é difícil para eles mesmos dizer.
Eles não têm muita chance de escolha, mas, devagarinho, estão entendendo que é importante estudar, saber ler e escrever, aprender o idioma e, principalmente, fazer parte da sociedade. Quem se fechar em si mesmo estará perdido.
Um duro desafio para as crianças, mas, com a ajuda de vocês, nós esperamos que elas tenham um futuro mais luminoso.
Fausto Tentorio
Espanha e os valores cristãos
Espanha: haverá uma reviravolta legislativa a favor dos valores cristãos?
Fala o especialista Rafael Navarro-Valls, professor da Universidade Complutense de Madrid
por Nieves San Martín
MADRID, quarta-feira 23 de novembro de 2011 (ZENIT.org) – Entrevistado pelo Zenit o professor Rafael Navarro-Valls ofereceu uma visão geral sobre o atual panorama moral da Espanha e sobre uma possível mudança legislativa sobre questões relativas aos valores cristãos.
Rafael Navarro-Valls, professor na Faculdade de Direito da Universidade Complutense de Madrid e secretário-geral da Real Academia Espanhola de Jurisprudência e Legislação, colabora regularmente com ZENIT no que diz respeito à questões de direitos humanos e da relação com a "Antropologia e a fé cristã, de acordo com a Doutrina Social da Igreja.
Nesta entrevista o advogado enfrenta concretamente as novas perspectivas jurídicas em matéria de tutela dos nascituros, o assim chamado "matrimônio entre pessoas do mesmo sexo," a queda de governos no mundo por causa da crise econômica sem recorrer às urnas, o possível déficit da democracia, e a questão de como remediar a erosão do sistema ecológico moral de um país.
O senhor acredita que temos que lidar com uma reforma da Constituição para questões como a defesa do nascituro? Ou seria suficiente uma reforma das leis em questão?
- Rafael Navarro-Valls: Em termos de tutela da vida humana há um movimento constitucional orientado a acolhê-la de um modo ou de outro. Assim, 18 estados mexicanos em um período relativamente curto de tempo mudaram suas constituições para proteger a vida desde a concepção até a morte natural. Algo semelhante aconteceu na Europa com a constituição da Hungria, que define o matrimônio como "união entre um homem e uma mulher," protege a vida do nascituro desde a concepção até a morte natural, e proíbe a eugenética. Na Espanha, a mudança da Constituição exige uma mudança no processo legislativo tão complexa, que parece mais apropriado reformar a legislação ordinária, começando de uma visão sobre os direitos humanos muito mais rigorosa, que impeça que o aborto seja concebido como um direito. Deve-se evitar que devam ser financiadas pelos contribuintes e também que seja acessível à qualquer menor sem o consentimento dos parentes.
Embora seja uma realidade muito pequena no nosso país, como se poderia resolver a questão do assim chamado "matrimônio entre pessoas do mesmo sexo"?
- Rafael Navarro-Valls: "É minoritário, não apenas no sentido sugerido pela pergunta (um número relativamente pequeno de matrimônios entre pessoas do mesmo sexo), mas também no cenário mundial. Atualmente, existem exatamente 193 países membros da ONU. Destes, somente 10 o contemplam. É natural que seja assim, porque a própria noção jurídica de matrimônio (união destinada, entre os outros, à procriação) o exige. Na Espanha, os órgãos jurídicos mais qualificados (Conselho do Estado, Conselho do poder Judicial, Real academia de jurisprudência, etc.) Rejeitaram por unanimidade o conceito de matrimônio da união entre pessoas do mesmo sexo. Até mesmo um conhecido homossexual espanhol (grande escritor e político), no debate antes das eleições recentes, disse que compartilhava esta idéia. Por esta razão, a maioria das legislações se orientaram à uma união civil de escopo amplo, que inclui a convivência entre pessoas do mesmo sexo. (...)
O senhor acha que os recentes desenvolvimentos, com poderes econômicos que fazem cair governos, são na realidade uma redução da soberania dos povos e pressupõem uma democracia deficitária, sujeita aos ditames do mercado supranacional?
Rafael Navarro-Valls: A criação da União Europeia tornou muito mais estreito os laços entre as Nações e ampliou o conceito de "mercado comum". Isso cria uma série de benefícios econômicos para os países membros e, portanto, uma ênfase da globalidade entre eles. Mas o "mercado" não sendo a panacéia de todos os bens, organiza de tal modo que as consequências negativas da crise sejam transmitidas com maior intensidade no interior do "mercado". Este déficit democrático não é uma necessidade, mas é uma das possíveis regras do jogo. Desde que seja transitória, deve ser considerada como uma “emergência”, não como um deficit. Algo similar às medidas tomadas por Roosevelt nos Estados Unidos para limitar o desastre do 'crack' de 1929.
O senhor acredita que as medidas legislativas para solucionar a erosão do sistema ecológico moral de um país sejam suficientes?
- Rafael Navarro-Valls - Os advogados sabem que, em matéria de valores sociais, o Direito tem uma influência maior por meio daquilo que poderíamos chamar de sua atividade negativa. Isto é, por exemplo, podem ajudar a corroer o ecossistema familiar de forma mais eficaz do que restaurá-lo. Em outras palavras, as legislações têm sido muitas vezes mais eficazes contribuindo na consolidação das tendências desintegrantes da família do que em integrá-la. Às vezes, essas leis se consolidam em uma espécie de "experiências de não retorno", uma vez que tenham penetrado no tecido social. É uma tarefa difícil restaurar o tecido social corroído por Estados intervencionistas com uma conceituação da lei como um instrumento concebido para impor do alto uma moral ou uma "filosofia de vida." Sem uma atividade legal mais ou menos positiva. É necessária a ação conjunta de todos aqueles que estão implicados na ordem social (Igreja, sociedade civil, partidos políticos, indivíduos, etc.) para restaurar o equilíbrio perdido.
Neste sentido, Dante Alighieri tinha razão quando disse que: "os lugares mais quentes do inferno estão reservados para aqueles que em tempos de grandes crises morais mantêm a sua neutralidade."
Fala o especialista Rafael Navarro-Valls, professor da Universidade Complutense de Madrid
por Nieves San Martín
MADRID, quarta-feira 23 de novembro de 2011 (ZENIT.org) – Entrevistado pelo Zenit o professor Rafael Navarro-Valls ofereceu uma visão geral sobre o atual panorama moral da Espanha e sobre uma possível mudança legislativa sobre questões relativas aos valores cristãos.
Rafael Navarro-Valls, professor na Faculdade de Direito da Universidade Complutense de Madrid e secretário-geral da Real Academia Espanhola de Jurisprudência e Legislação, colabora regularmente com ZENIT no que diz respeito à questões de direitos humanos e da relação com a "Antropologia e a fé cristã, de acordo com a Doutrina Social da Igreja.
Nesta entrevista o advogado enfrenta concretamente as novas perspectivas jurídicas em matéria de tutela dos nascituros, o assim chamado "matrimônio entre pessoas do mesmo sexo," a queda de governos no mundo por causa da crise econômica sem recorrer às urnas, o possível déficit da democracia, e a questão de como remediar a erosão do sistema ecológico moral de um país.
O senhor acredita que temos que lidar com uma reforma da Constituição para questões como a defesa do nascituro? Ou seria suficiente uma reforma das leis em questão?
- Rafael Navarro-Valls: Em termos de tutela da vida humana há um movimento constitucional orientado a acolhê-la de um modo ou de outro. Assim, 18 estados mexicanos em um período relativamente curto de tempo mudaram suas constituições para proteger a vida desde a concepção até a morte natural. Algo semelhante aconteceu na Europa com a constituição da Hungria, que define o matrimônio como "união entre um homem e uma mulher," protege a vida do nascituro desde a concepção até a morte natural, e proíbe a eugenética. Na Espanha, a mudança da Constituição exige uma mudança no processo legislativo tão complexa, que parece mais apropriado reformar a legislação ordinária, começando de uma visão sobre os direitos humanos muito mais rigorosa, que impeça que o aborto seja concebido como um direito. Deve-se evitar que devam ser financiadas pelos contribuintes e também que seja acessível à qualquer menor sem o consentimento dos parentes.
Embora seja uma realidade muito pequena no nosso país, como se poderia resolver a questão do assim chamado "matrimônio entre pessoas do mesmo sexo"?
- Rafael Navarro-Valls: "É minoritário, não apenas no sentido sugerido pela pergunta (um número relativamente pequeno de matrimônios entre pessoas do mesmo sexo), mas também no cenário mundial. Atualmente, existem exatamente 193 países membros da ONU. Destes, somente 10 o contemplam. É natural que seja assim, porque a própria noção jurídica de matrimônio (união destinada, entre os outros, à procriação) o exige. Na Espanha, os órgãos jurídicos mais qualificados (Conselho do Estado, Conselho do poder Judicial, Real academia de jurisprudência, etc.) Rejeitaram por unanimidade o conceito de matrimônio da união entre pessoas do mesmo sexo. Até mesmo um conhecido homossexual espanhol (grande escritor e político), no debate antes das eleições recentes, disse que compartilhava esta idéia. Por esta razão, a maioria das legislações se orientaram à uma união civil de escopo amplo, que inclui a convivência entre pessoas do mesmo sexo. (...)
O senhor acha que os recentes desenvolvimentos, com poderes econômicos que fazem cair governos, são na realidade uma redução da soberania dos povos e pressupõem uma democracia deficitária, sujeita aos ditames do mercado supranacional?
Rafael Navarro-Valls: A criação da União Europeia tornou muito mais estreito os laços entre as Nações e ampliou o conceito de "mercado comum". Isso cria uma série de benefícios econômicos para os países membros e, portanto, uma ênfase da globalidade entre eles. Mas o "mercado" não sendo a panacéia de todos os bens, organiza de tal modo que as consequências negativas da crise sejam transmitidas com maior intensidade no interior do "mercado". Este déficit democrático não é uma necessidade, mas é uma das possíveis regras do jogo. Desde que seja transitória, deve ser considerada como uma “emergência”, não como um deficit. Algo similar às medidas tomadas por Roosevelt nos Estados Unidos para limitar o desastre do 'crack' de 1929.
O senhor acredita que as medidas legislativas para solucionar a erosão do sistema ecológico moral de um país sejam suficientes?
- Rafael Navarro-Valls - Os advogados sabem que, em matéria de valores sociais, o Direito tem uma influência maior por meio daquilo que poderíamos chamar de sua atividade negativa. Isto é, por exemplo, podem ajudar a corroer o ecossistema familiar de forma mais eficaz do que restaurá-lo. Em outras palavras, as legislações têm sido muitas vezes mais eficazes contribuindo na consolidação das tendências desintegrantes da família do que em integrá-la. Às vezes, essas leis se consolidam em uma espécie de "experiências de não retorno", uma vez que tenham penetrado no tecido social. É uma tarefa difícil restaurar o tecido social corroído por Estados intervencionistas com uma conceituação da lei como um instrumento concebido para impor do alto uma moral ou uma "filosofia de vida." Sem uma atividade legal mais ou menos positiva. É necessária a ação conjunta de todos aqueles que estão implicados na ordem social (Igreja, sociedade civil, partidos políticos, indivíduos, etc.) para restaurar o equilíbrio perdido.
Neste sentido, Dante Alighieri tinha razão quando disse que: "os lugares mais quentes do inferno estão reservados para aqueles que em tempos de grandes crises morais mantêm a sua neutralidade."
Em defesa do casamento
Uma segunda chance para o matrimônio
Dicas de como reduzir os divórcios
ROMA, terça-feira, 22 de novembro de 2011(ZENIT.org) – As consequências negativas de casamentos destruídos são bem conhecidas. A recente publicação do Institute for American Values forneceu algumas sugestões de como reduzir este pesado fardo.
***
“Segunda chance: Uma proposta para reduzir divórcios desnecessários”, escrito por William J.Doherty, professor da Family Social Science at the Univesity of Minnesota, e Leah Ward Searas, ex-chefe de justiça do Supremo Tribunal da Geórgia.
Na investigação, foi descoberto que existe uma forte evidência para a teoria de que muitos casais divorciados são bastante similares àqueles que permanecem juntos. O que contradiz o senso comum de que a maioria dos divórcios ocorre somente após muitos anos de conflito. Eles também descobriram que não é verdade a idéia de que, uma vez feita a petição de divórcio, os casais desconsiderem a possibilidade de reconciliação.
Os autores citaram algumas pesquisas realizadas nas últimas décadas, mostrando que, entre 50% e 60% dos divórcios ocorrem com casais que eram relativamente felizes e tinham baixo nível de conflito no ano precedente ao divórcio.(...)
Em muitas situações o número de divórcios poderia ser reduzido e isso seria um excelente benefício para as crianças.
- Existem evidências claras de que os pais são menos propensos a ter relacionamentos de alta qualidade com seus filhos.
- Crianças com pais divorciados ou não casados são mais susceptíveis a serem pobres.
- A mortalidade infantil é maior e, em média, as crianças têm pior estado de saúde em comparação aos colegas que têm pais casados.
- Adolescentes de famílias com pais divorciados são mais propensos ao abuso de drogas ou álcool, de entrar em conflito com a lei, e viver uma gravidez na adolescência.
- Crianças que vivem em lares com homens sem laços familiares correm maior risco de abuso físico ou sexual.
- Divórcios aumentam o risco de fracasso escolar e diminui a possibilidade de obter um bom emprego.
-Filhos de pais divorciados têm 50% a mais de chance de um dia terem seus casamentos fracassados.
-Nenhuma estabilidade.
Além disso, a expectativa de que após o divórcio o ex-cônjuge será livre para casar com outra pessoa, com quem será feliz, proporcionando aos seus filhos maior estabilidade, não é um resultado comum, apontou o relatório. A taxa de divórcios no primeiro casamento é de 40% a 50%, e para a segunda união é de 60%. Isso significa que as crianças passam por muitas transições familiares, aumentando cada vez mais as consequências negativas.
Os autores também demostraram que o matrimônio é mais do que apenas um assunto privado e que a estabilidade familiar, ou a falta dela, tem importantes consequências econômicas. Em recente estudo tendo por base um modelo econômico muito cauteloso, foi estimado que divórcios e gravidez fora do casamento custa aos contribuintes dos Estados Unidos no mínimo $12 bilhões por ano.
Analisando como este imenso dano social e econômico pode ser reduzido, o relatório alegou que é errado supor, que uma vez feita a petição de divórcio pelos casais, não há como voltar atrás. Em recente pesquisa foi demonstrado que 40% dos casais americanos já decididos pelo divórcio dizem que, um ou ambos, estão interessados na possibilidade de uma reconciliação.Infelizmente, afirmam os autores, os juízes e advogados de divórcios, normalmente, não fazem qualquer tentativa para promover a reconciliação, concentrando-se em uma resolução rápida para o processo.
Entre as evidências contidas no relatório, estava o resultado de uma amostra de 2.484 pais divorciados. A mesma demonstrava que cerca de um em cada quatro pais acredita que seu casamento ainda poderia ser salvo. O processo de divórcio dos pais envolvidos estava quase no final. Para casais que procuram o divórcio o percentual de abertura à reconciliação poderia ser bem maior, adicionaram os autores.
Recomendações
O relatório prosseguiu fazendo uma série de recomendações que poderiam ajudar a reduzir o número de divórcios.
O período de espera para o divórcio varia de estado para estado. Nos Estados Unidos, dez estados não tem prazo de espera, 29 tem prazo menor que seis meses, sete estados seis meses, e em cinco estados a espera é de um ano ou mais. O relatório sugeriu um período mínimo de um ano a partir da data de apresentação do divórcio até que ele entre em vigor.
Este adiamento poderia dar tempo ao casal para reconsiderar a decisão de se separar. Afinal de contas, muitos estados têm um período de espera para se casar, a fim de desencorajar as decisões impulsivas. Além disso, às vezes, a decisão de divorciar é feita em um momento de crise emocional, e uma pessoa em tal estado não pode pensar sobre as consequências do divórcio a longo prazo.
Junto com um período de espera é fundamental oferecer serviços para promover a reconciliação. Atualmente, afirmaram os autores do relatório, a qualidade dos aconselhamentos matrimoniais disponíveis em muitas comunidades é insuficiente.
Em muitos casos, os conselheiros matrimoniais não são adequadamente formados. Além disso, muitos conselheiros sentem que devem manter a neutralidade quanto à possibilidade do casamento terminar em divórcio ou não, o que não estimula a esperança para um casal à beira do divórcio.
Programas de educação para o aprimoramento do matrimônio, especialmente para aqueles em maior risco de divórcio, foi outra recomendação. Avaliações de alguns dos melhores programas têm mostrado que estes são bastante eficazes.
Estas e outras recomendações sugeridas no relatório se forem implementadas, devem ajudar a reduzir o número de divórcios, um resultado que seria benéfico para muitas pessoas e para a sociedade como um todo.
Por Pe. John Flynn, LC
Dicas de como reduzir os divórcios
ROMA, terça-feira, 22 de novembro de 2011(ZENIT.org) – As consequências negativas de casamentos destruídos são bem conhecidas. A recente publicação do Institute for American Values forneceu algumas sugestões de como reduzir este pesado fardo.
***
“Segunda chance: Uma proposta para reduzir divórcios desnecessários”, escrito por William J.Doherty, professor da Family Social Science at the Univesity of Minnesota, e Leah Ward Searas, ex-chefe de justiça do Supremo Tribunal da Geórgia.
Na investigação, foi descoberto que existe uma forte evidência para a teoria de que muitos casais divorciados são bastante similares àqueles que permanecem juntos. O que contradiz o senso comum de que a maioria dos divórcios ocorre somente após muitos anos de conflito. Eles também descobriram que não é verdade a idéia de que, uma vez feita a petição de divórcio, os casais desconsiderem a possibilidade de reconciliação.
Os autores citaram algumas pesquisas realizadas nas últimas décadas, mostrando que, entre 50% e 60% dos divórcios ocorrem com casais que eram relativamente felizes e tinham baixo nível de conflito no ano precedente ao divórcio.(...)
Em muitas situações o número de divórcios poderia ser reduzido e isso seria um excelente benefício para as crianças.
- Existem evidências claras de que os pais são menos propensos a ter relacionamentos de alta qualidade com seus filhos.
- Crianças com pais divorciados ou não casados são mais susceptíveis a serem pobres.
- A mortalidade infantil é maior e, em média, as crianças têm pior estado de saúde em comparação aos colegas que têm pais casados.
- Adolescentes de famílias com pais divorciados são mais propensos ao abuso de drogas ou álcool, de entrar em conflito com a lei, e viver uma gravidez na adolescência.
- Crianças que vivem em lares com homens sem laços familiares correm maior risco de abuso físico ou sexual.
- Divórcios aumentam o risco de fracasso escolar e diminui a possibilidade de obter um bom emprego.
-Filhos de pais divorciados têm 50% a mais de chance de um dia terem seus casamentos fracassados.
-Nenhuma estabilidade.
Além disso, a expectativa de que após o divórcio o ex-cônjuge será livre para casar com outra pessoa, com quem será feliz, proporcionando aos seus filhos maior estabilidade, não é um resultado comum, apontou o relatório. A taxa de divórcios no primeiro casamento é de 40% a 50%, e para a segunda união é de 60%. Isso significa que as crianças passam por muitas transições familiares, aumentando cada vez mais as consequências negativas.
Os autores também demostraram que o matrimônio é mais do que apenas um assunto privado e que a estabilidade familiar, ou a falta dela, tem importantes consequências econômicas. Em recente estudo tendo por base um modelo econômico muito cauteloso, foi estimado que divórcios e gravidez fora do casamento custa aos contribuintes dos Estados Unidos no mínimo $12 bilhões por ano.
Analisando como este imenso dano social e econômico pode ser reduzido, o relatório alegou que é errado supor, que uma vez feita a petição de divórcio pelos casais, não há como voltar atrás. Em recente pesquisa foi demonstrado que 40% dos casais americanos já decididos pelo divórcio dizem que, um ou ambos, estão interessados na possibilidade de uma reconciliação.Infelizmente, afirmam os autores, os juízes e advogados de divórcios, normalmente, não fazem qualquer tentativa para promover a reconciliação, concentrando-se em uma resolução rápida para o processo.
Entre as evidências contidas no relatório, estava o resultado de uma amostra de 2.484 pais divorciados. A mesma demonstrava que cerca de um em cada quatro pais acredita que seu casamento ainda poderia ser salvo. O processo de divórcio dos pais envolvidos estava quase no final. Para casais que procuram o divórcio o percentual de abertura à reconciliação poderia ser bem maior, adicionaram os autores.
Recomendações
O relatório prosseguiu fazendo uma série de recomendações que poderiam ajudar a reduzir o número de divórcios.
O período de espera para o divórcio varia de estado para estado. Nos Estados Unidos, dez estados não tem prazo de espera, 29 tem prazo menor que seis meses, sete estados seis meses, e em cinco estados a espera é de um ano ou mais. O relatório sugeriu um período mínimo de um ano a partir da data de apresentação do divórcio até que ele entre em vigor.
Este adiamento poderia dar tempo ao casal para reconsiderar a decisão de se separar. Afinal de contas, muitos estados têm um período de espera para se casar, a fim de desencorajar as decisões impulsivas. Além disso, às vezes, a decisão de divorciar é feita em um momento de crise emocional, e uma pessoa em tal estado não pode pensar sobre as consequências do divórcio a longo prazo.
Junto com um período de espera é fundamental oferecer serviços para promover a reconciliação. Atualmente, afirmaram os autores do relatório, a qualidade dos aconselhamentos matrimoniais disponíveis em muitas comunidades é insuficiente.
Em muitos casos, os conselheiros matrimoniais não são adequadamente formados. Além disso, muitos conselheiros sentem que devem manter a neutralidade quanto à possibilidade do casamento terminar em divórcio ou não, o que não estimula a esperança para um casal à beira do divórcio.
Programas de educação para o aprimoramento do matrimônio, especialmente para aqueles em maior risco de divórcio, foi outra recomendação. Avaliações de alguns dos melhores programas têm mostrado que estes são bastante eficazes.
Estas e outras recomendações sugeridas no relatório se forem implementadas, devem ajudar a reduzir o número de divórcios, um resultado que seria benéfico para muitas pessoas e para a sociedade como um todo.
Por Pe. John Flynn, LC
Monumento à criança não nascida.
Un monumento al niño no nacido
En una ceremonia que contó con la presencia del ministro de Salud de la República Eslovaca Ivan Uhliarik, el 28 de octubre pasado se inauguró en la localidad de Nova Ves Bardejovske un memorial del niño no nacido
La estatua es obra del joven escultor eslovaco Martin Hudáčeka.
La iniciativa de la estatua es de un grupo de jóvenes madres eslovacas, conscientes del valor de la vida humana y de la necesidad de abolir el aborto.
El monumento expresa no sólo el pesar y arrepentimiento de la madre que ha abortado, sino también el perdón y el amor del niño por nacer hacia su madre.
http://www.religionenlibertad.com/articulo.asp?idarticulo=19166
En una ceremonia que contó con la presencia del ministro de Salud de la República Eslovaca Ivan Uhliarik, el 28 de octubre pasado se inauguró en la localidad de Nova Ves Bardejovske un memorial del niño no nacido
La estatua es obra del joven escultor eslovaco Martin Hudáčeka.
La iniciativa de la estatua es de un grupo de jóvenes madres eslovacas, conscientes del valor de la vida humana y de la necesidad de abolir el aborto.
El monumento expresa no sólo el pesar y arrepentimiento de la madre que ha abortado, sino también el perdón y el amor del niño por nacer hacia su madre.
http://www.religionenlibertad.com/articulo.asp?idarticulo=19166
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
S.O.S. Família
A ideologia do género, na sua escalada contra a família natural, obteve no ano passado uma importante vitória, com a aprovação parlamentar do casamento legal entre pessoas do mesmo sexo. Uma tal reforma subverteu, em termos legais, o matrimónio civil, agora equiparado à união de duas pessoas do mesmo sexo. Mas, como a lei em vigor não permite que estas uniões possam adoptar, está em curso uma tentativa de substituir o conceito de filiação pela volátil noção de «homoparentalidade».
A homoparentalidade significa, em termos práticos, que é pai ou mãe não apenas quem gera biologicamente, mas também – e esta é a novidade – o seu cônjuge. Assim sendo, nada obsta a que uma infeliz criança possa ter duas mães ou dois pais e, a bem dizer, até alguns mais.
São recorrentes o uso e o abuso do princípio da igualdade, como fundamento jurídico desta pretensão. Mas o casal natural – homem e mulher – está legitimado para adoptar não só por estar casado mas, sobretudo, por ser realmente um potencial pai e uma possível mãe. Ora tal não acontece quando são duas pessoas do mesmo sexo. Por isso, é lógico que não se lhes permita a adopção, que frustraria a legítima expectativa do menor, o qual não precisa de vários tutores, mas de uma verdadeira família, ou seja, de um pai e de uma mãe.
As uniões do mesmo sexo querem o privilégio de um estatuto parental não fundado na geração biológica, mas na sua relação conjugal. Como se o facto de ser casado com o pai, ou a mãe, concedesse a alguém o direito de ser mãe, ou pai, dos seus filhos!
Mas se, por absurdo, se viesse a concretizar esta ameaça contra a família e se concedesse esta aberrante benesse às uniões de pessoas do mesmo sexo, seria então necessário, por razão do dito princípio da igualdade, dar esse mesmo direito aos casais de pessoas de diferente sexo. Com efeito, se o marido do pai também é pai, com mais razão o deveria ser o marido da mãe. E se a mulher da mãe é mãe, também o deve ser a mulher do pai.
Mais: se o filho do progenitor é também, juridicamente, filho do cônjuge deste, tem de ser igualmente herdeiro dos ascendentes da pessoa que casou com seu pai ou mãe. Portanto, se o príncipe herdeiro do Reino Unido tivesse a infelicidade de «casar» com Elton John, o filho deste passaria a ser filho do príncipe e, como tal, herdeiro do trono britânico, apesar de não ter nenhuma relação de parentesco com os referidos monarcas! Seria cómico, se não fosse dramático.
Na realidade, a homoparentalidade, ao substituir a filiação natural, destrói as noções de paternidade e maternidade. Porque ou a filiação legal está fundada na geração, ou então as palavras «pai» e «mãe» deixam de fazer sentido e nem sequer se distinguem. De facto, por que razão o marido do pai, ou a mulher da mãe, têm que ser, respectivamente, pai e mãe do filho do marido ou da mulher? Se pode ser pai, ou mãe, quem de facto não gerou tal filho, o marido do pai poderia ser mãe – na realidade, não sendo progenitor, não é mais pai do que mãe … – como a mulher da mãe deveria poder ser pai. No limite, o filho de dois indivíduos do mesmo sexo poderia ser legalmente filho de dois pais, de duas mães ou até – quem diria! – de um pai e de uma mãe!
«Se se põe de parte o Direito, que distingue o Estado de um grande bando de salteadores?», perguntava Santo Agostinho (De civitate Dei, IV, 4, 1), recentemente citado por Bento XVI. Se se ignora a ecologia familiar, se se falsifica a noção de casamento, equiparando-o às uniões entre pessoas do mesmo sexo, e se se substitui a filiação pela «homoparentalidade», que resta senão uma fraude e uma mentira?! Se à família se nega o seu fundamento natural, é a sua identidade que é negada e, na realidade, nada mais seria do que a factualidade de uma qualquer aventura em comum.
E não é preciso ser bruxo para adivinhar que as principais vítimas da destruição da família natural, em que tanto se empenha a ideologia do género, são, como sempre, as mais vulneráveis: as crianças.
P. Gonçalo Portocarrero de Almada
Voz da Verdade, 2011-11-20
A homoparentalidade significa, em termos práticos, que é pai ou mãe não apenas quem gera biologicamente, mas também – e esta é a novidade – o seu cônjuge. Assim sendo, nada obsta a que uma infeliz criança possa ter duas mães ou dois pais e, a bem dizer, até alguns mais.
São recorrentes o uso e o abuso do princípio da igualdade, como fundamento jurídico desta pretensão. Mas o casal natural – homem e mulher – está legitimado para adoptar não só por estar casado mas, sobretudo, por ser realmente um potencial pai e uma possível mãe. Ora tal não acontece quando são duas pessoas do mesmo sexo. Por isso, é lógico que não se lhes permita a adopção, que frustraria a legítima expectativa do menor, o qual não precisa de vários tutores, mas de uma verdadeira família, ou seja, de um pai e de uma mãe.
As uniões do mesmo sexo querem o privilégio de um estatuto parental não fundado na geração biológica, mas na sua relação conjugal. Como se o facto de ser casado com o pai, ou a mãe, concedesse a alguém o direito de ser mãe, ou pai, dos seus filhos!
Mas se, por absurdo, se viesse a concretizar esta ameaça contra a família e se concedesse esta aberrante benesse às uniões de pessoas do mesmo sexo, seria então necessário, por razão do dito princípio da igualdade, dar esse mesmo direito aos casais de pessoas de diferente sexo. Com efeito, se o marido do pai também é pai, com mais razão o deveria ser o marido da mãe. E se a mulher da mãe é mãe, também o deve ser a mulher do pai.
Mais: se o filho do progenitor é também, juridicamente, filho do cônjuge deste, tem de ser igualmente herdeiro dos ascendentes da pessoa que casou com seu pai ou mãe. Portanto, se o príncipe herdeiro do Reino Unido tivesse a infelicidade de «casar» com Elton John, o filho deste passaria a ser filho do príncipe e, como tal, herdeiro do trono britânico, apesar de não ter nenhuma relação de parentesco com os referidos monarcas! Seria cómico, se não fosse dramático.
Na realidade, a homoparentalidade, ao substituir a filiação natural, destrói as noções de paternidade e maternidade. Porque ou a filiação legal está fundada na geração, ou então as palavras «pai» e «mãe» deixam de fazer sentido e nem sequer se distinguem. De facto, por que razão o marido do pai, ou a mulher da mãe, têm que ser, respectivamente, pai e mãe do filho do marido ou da mulher? Se pode ser pai, ou mãe, quem de facto não gerou tal filho, o marido do pai poderia ser mãe – na realidade, não sendo progenitor, não é mais pai do que mãe … – como a mulher da mãe deveria poder ser pai. No limite, o filho de dois indivíduos do mesmo sexo poderia ser legalmente filho de dois pais, de duas mães ou até – quem diria! – de um pai e de uma mãe!
«Se se põe de parte o Direito, que distingue o Estado de um grande bando de salteadores?», perguntava Santo Agostinho (De civitate Dei, IV, 4, 1), recentemente citado por Bento XVI. Se se ignora a ecologia familiar, se se falsifica a noção de casamento, equiparando-o às uniões entre pessoas do mesmo sexo, e se se substitui a filiação pela «homoparentalidade», que resta senão uma fraude e uma mentira?! Se à família se nega o seu fundamento natural, é a sua identidade que é negada e, na realidade, nada mais seria do que a factualidade de uma qualquer aventura em comum.
E não é preciso ser bruxo para adivinhar que as principais vítimas da destruição da família natural, em que tanto se empenha a ideologia do género, são, como sempre, as mais vulneráveis: as crianças.
P. Gonçalo Portocarrero de Almada
Voz da Verdade, 2011-11-20
O milagre dos peixes que a greve exige...
É sempre inconfortável escrever contra uma greve.
Vivemos demasiados anos sob uma ditadura, que proibiu qualquer forma de protesto, para nos sentirmos bem a falar contra uma paralisação de trabalhadores, ou a tomar qualquer posição que possa ser interpretada como «fascista», epíteto que por mais absurdo que seja, tem um peso imenso para uma geração que viveu o 25 de Abril.
E, no entanto, crescer emdemocracia implica isso mesmo: o direito, eodever, de denunciar uma greve, quando em consciência se considera que constituiam erro, e até uma manipulação de quem tem outros interesses, ou mesmo um“posto” a defender. Uma greve tem, como principal objectivo, prejudicar um patrão, obrigando-o a ceder. É eficaz, quando aquilo que ele perde, é superior aquilo que ganha se mantiver a postura inicial.
Mas hoje prevê-se que, tal como indicam os números das adesões às últimas greves, a maioria dos grevistas trabalhe para o Estado ou para empresas publicas, e paralise serviços prestados à população. Só que, desta vez, os prejudicados não são os patrões/governantes, a quem pouca diferença faz o caos por um dia, mas aqueles que trabalham no sector privado e assim não conseguem chegar ao emprego, não têm onde deixar os filhos, correm o risco de não receber o dia, e tudo isso contra a sua vontade. Os mesmos que, acrescido a isto, serão depois penalisados nos seus impostos que em lugar de contribuirem para o bem comum, serão utilizados para cobrir os custos desta greve.
Mas, é claro, que uma greve também pode ser uma forma de alerta.
Contudo, como é que se podem exigir simultaneamente coisas tão contraditórias, como protecção acrescida para os mais pobres e fragéis e ao mesmo tempo menos cortes, nomeadamente nos subsídios e na despesa?
Se alguém tem a solução pede-se que a apresente rapidamente, porque não há nenhum português que não vote nela. Senão, talvez a única opção seja mesmo trabalhar e pagar, por muito duro que seja. E claro que é.
24 | Nov | 2011
Isabel Stilwell, editorial@destak.pt
Vivemos demasiados anos sob uma ditadura, que proibiu qualquer forma de protesto, para nos sentirmos bem a falar contra uma paralisação de trabalhadores, ou a tomar qualquer posição que possa ser interpretada como «fascista», epíteto que por mais absurdo que seja, tem um peso imenso para uma geração que viveu o 25 de Abril.
E, no entanto, crescer emdemocracia implica isso mesmo: o direito, eodever, de denunciar uma greve, quando em consciência se considera que constituiam erro, e até uma manipulação de quem tem outros interesses, ou mesmo um“posto” a defender. Uma greve tem, como principal objectivo, prejudicar um patrão, obrigando-o a ceder. É eficaz, quando aquilo que ele perde, é superior aquilo que ganha se mantiver a postura inicial.
Mas hoje prevê-se que, tal como indicam os números das adesões às últimas greves, a maioria dos grevistas trabalhe para o Estado ou para empresas publicas, e paralise serviços prestados à população. Só que, desta vez, os prejudicados não são os patrões/governantes, a quem pouca diferença faz o caos por um dia, mas aqueles que trabalham no sector privado e assim não conseguem chegar ao emprego, não têm onde deixar os filhos, correm o risco de não receber o dia, e tudo isso contra a sua vontade. Os mesmos que, acrescido a isto, serão depois penalisados nos seus impostos que em lugar de contribuirem para o bem comum, serão utilizados para cobrir os custos desta greve.
Mas, é claro, que uma greve também pode ser uma forma de alerta.
Contudo, como é que se podem exigir simultaneamente coisas tão contraditórias, como protecção acrescida para os mais pobres e fragéis e ao mesmo tempo menos cortes, nomeadamente nos subsídios e na despesa?
Se alguém tem a solução pede-se que a apresente rapidamente, porque não há nenhum português que não vote nela. Senão, talvez a única opção seja mesmo trabalhar e pagar, por muito duro que seja. E claro que é.
24 | Nov | 2011
Isabel Stilwell, editorial@destak.pt
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
« J’ai peur d’avoir de nouveau faim quand le pain sera fini. »
Mère Teresa, fondatrice des Missionnaires de la charité, a reçu le prix Nobel de la paix en 1979 pour son oeuvre en faveur des exclus.
Inédit en France, c’est un florilège de méditations, de conseils, de lettres, d’enseignements, adressés par Mère Teresa aux membres de sa famille religieuse à travers le monde. Regroupés par Brian Kolodiejchuk, directeur du centre Mère-Teresa et postulateur de sa cause en canonisation, ces textes dessinent en creux le portrait d’une femme qui voulait se donner toujours mieux, toujours plus à Dieu à travers les pauvres. Quand l’amour est là, Dieu est là, à paraître le 24 novembre et dont nous publions des extraits en avant-première, est un plaidoyer pour les exclus, un appel sans relâche à aimer. À travers les 450 pages de ce recueil, paru aux États-Unis en 2010 à l’occasion du centenaire de la naissance de la religieuse, la fondatrice des Missionnaires de la charité creuse, inépuisable, son sillon de pédagogue et de mère spirituelle. C’est bien du Christ « dans son déguisement désolant » dont nous parle la sainte, inlassablement. Si elle dépeint, d’anecdotes en souvenirs, le quotidien d’une vie de service immergée dans les misères les plus noires, c’est pour en extraire la moelle spirituelle : faire goûter la teneur du don ; inviter ses sœurs religieuses, surtout, à toujours aimer davantage, « jusqu’à en souffrir ».
Ces pages disent aussi son immense amour pour la famille, première cellule de la charité, mais qu’elle voit devenir, en Occident, le siège d’une pauvreté toute spirituelle. Face à un monde « assoiffé d’être aimé », elle appelle de manière lancinante à la proximité. Car le prochain, que son interpellation n’a de cesse de nous désigner, n’est pas seulement l’inconnu de la rue, mais aussi le familier ; le compagnon du quotidien.
Extraits :
« Le fruit du silence est la prière. Le fruit de la prière est la foi ; le fruit de la foi est l’amour. Le fruit de l’amour est le service. Le fruit du service est la paix. (page 21)
•••
Vous devez être emplies de silence, car, dans le silence du cœur, Dieu parle. Un cœur vide, Dieu le remplit. Même Dieu Tout-Puissant ne peut remplir un cœur plein – plein d’orgueil, d’amertume, de jalousie ; nous devons renoncer à ces sentiments. Tant que nous nous y accrochons, Dieu ne peut pas le remplir. Silence du cœur, pas seulement de la bouche – qui est aussi nécessaire – mais plus encore, ce silence de l’esprit, silence des yeux, silence du toucher. Alors vous pouvez L’entendre partout : dans le bruit d’une porte qui se ferme, dans la personne qui a besoin de vous, dans le chant des oiseaux, dans les fleurs, les animaux – ce silence qui est émerveillement et louange. (page 33)
•••
La faim n’est pas seulement l’absence de pain, c’est la faim d’amour, d’être aimé, d’être désiré. Cette terrible solitude des vieillards et des gens isolés est une faim terrible. La nudité n’est pas seulement l’absence d’un morceau de tissu ; la nudité, c’est aussi ce manque de dignité, ce beau don de Dieu, la perte de la pureté du cœur, de l’esprit, du corps. Être sans logis, ce n’est pas seulement l’absence d’une maison faite de briques ; être sans logis, c’est aussi être rejeté, être un « rebut » de la société, indésirable, mal aimé, négligé. Là, au milieu de ces gens, vous pouvez mettre et je peux mettre mon amour de Dieu en actes vivants. (page 68)
•••
Nous avons tellement de gens comme cela, au cœur de New York, au cœur de Londres, dans ces grandes villes européennes, avec seulement un morceau de journal [comme couverture, ndlr], allongés là. Nos sœurs sortent le soir, de 22 heures à 1 heure du matin, dans les rues de Rome, et elles apportent des sandwiches, elles apportent quelque chose de chaud à boire. À Londres, j’ai vu des gens rester debout contre le mur de l’usine pour se réchauffer. Comment ? Pourquoi ? Où sommes-nous ? Donc, je crois qu’il est bon pour nous de commencer par aimer à la maison. Puis, une fois que nous aurons appris à aimer de cet amour qui fait souffrir, alors nous serons capables de donner cet amour, nos yeux s’ouvriront, nous verrons, nous verrons. Très souvent, nous regardons mais nous ne voyons pas ou bien nous voyons mais nous ne voulons pas regarder. (page 125)
•••
Pour moi, la plus grande injustice faite aux pauvres n’est pas tant que nous les avons privés de choses matérielles, mais que nous les avons privés de cette dignité d’enfant de Dieu, du respect que nous devons à une personne dont [nous] pensons « elle n’est bonne à rien, elle est paresseuse, elle est ceci, elle est cela » – tant d’adjectifs que nous rajoutons. Pour moi, c’est cela, la plus grande injustice […] et je leur dis toujours : « Que feriez-vous si vous étiez à leur place ? Si vous aviez l’estomac vide jour après jour et que vous voyiez vos enfants mourir de faim, de froid ? » (…) Il est facile pour nous qui avons l’estomac plein de proférer ce genre d’adjectifs. Et c’est la plus grande injustice. (page 130)
•••
Un jour, j’ai recueilli une petite enfant de six ans dans la rue. Et je voyais à son visage que cette enfant avait très, très faim. Alors je lui ai donné un morceau de pain et la petite a pris le pain et elle a commencé à le manger miette par miette ; alors j’ai dit à l’enfant : « Mange le pain, tu as faim, mange le pain. » Et elle m’a regardée et elle a dit : « J’ai peur d’avoir de nouveau faim quand le pain sera fini. » Alors, elle pensait qu’en le mangeant lentement, lentement, elle se sentirait moins affamée. La douleur de la faim est terrible et c’est là que vous et moi devons intervenir et donner jusqu’à en souffrir. Je ne veux pas que vous donniez comme ça, je veux que vous donniez jusqu’à en souffrir. Et ce don est amour de Dieu en actes. (page 223)
•••
Il y a beaucoup, beaucoup de gens (des vieux, des infirmes, des malades mentaux, des gens qui n’ont personne, aucun être pour les aimer) qui ont faim d’amour. Et peut-être que cette sorte de faim se trouve dans votre propre maison, votre propre famille. Peut-être qu’il y a une personne âgée dans votre famille, peut-être qu’il y a un malade dans votre famille. Avez-vous jamais pensé que vous pouviez montrer votre amour de Dieu en donnant peut-être un sourire, peut-être rien qu’un verre d’eau, peut-être rien qu’en restant assis là à parler un petit moment ? (page 224)
•••
Un monsieur hindou m’a un jour demandé, un fonctionnaire très important, haut placé : « Ne tenez-vous pas beaucoup à tous nous convertir ? » Et j’ai dit : « Naturellement, le trésor que j’ai, Jésus, naturellement que je veux le partager avec vous, mais la conversion doit venir de Lui. Mon rôle est de vous aider à faire des œuvres d’amour et alors, par ces œuvres d’amour, vous vous trouvez naturellement face à face avec Dieu et c’est entre vous que ce trésor, Son amour, s’échange. Et alors soit vous êtes converti, vous acceptez Dieu dans votre vie, soit non. » (page 288)
•••
Dans les bidonvilles, Jésus choisit comme déguisement la misère et la pauvreté de nos gens des bidonvilles. Vous ne pouvez pas respecter le vœu de charité si vous n’avez pas la foi nécessaire pour voir Jésus dans les gens avec lesquels nous entrons en contact. Autrement, notre travail n’est rien de plus que du travail social. (page 216)
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Vous devez faire de votre maison un centre d’amour brûlant, le soleil de l’amour de Dieu doit d’abord être dans votre maison. Vous devez être cette espérance de bonheur éternel pour votre mari, pour votre femme, pour votre enfant, pour votre grand-père, votre grand-mère, pour vos domestiques – tous ceux qui ont un lien avec vous. Vous travaillez dans une grande entreprise, vous êtes un coopérateur, mais vous ne connaissez même pas vos proches. Là-bas, vous devez être la flamme brûlante de l’amour de Dieu pour les gens qui travaillent avec vous ou qui travaillent pour vous. Est-ce qu’en levant les yeux, ils peuvent voir la joie d’aimer sur votre visage ? Est-ce qu’en levant les yeux, ils peuvent voir la joie d’un cœur pur ? Est-ce qu’en levant les yeux, ils peuvent voir Jésus en vous ? (page 364)
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Quand je dis joie, je ne veux pas parler de rires tonitruants ni de cris. Non, cela est trompeur, et peut être là pour cacher quelque chose. Je parle de la profonde joie intérieure qui est en vous, dans vos yeux, votre regard, votre visage, vos mouvements, vos gestes, votre vivacité etc. « Que Ma joie soit en vous », dit Jésus. Quelle est cette joie de Jésus ? C’est le résultat de Son union continuelle avec Dieu, tandis qu’Il faisait la volonté du Père. Vivre en présence de Dieu nous remplit de joie. Dieu est joie. Pour nous apporter de la joie, Jésus S’est fait homme. Marie est la première à avoir reçu Jésus : « Mon esprit exulte en Dieu mon Sauveur. » L’enfant dans le sein d’Élisabeth a tressailli de joie parce que Marie lui apportait Jésus. Ce même Jésus que nous recevons en Communion ; il n’y a aucune différence. (page 402) »
Inédit en France, c’est un florilège de méditations, de conseils, de lettres, d’enseignements, adressés par Mère Teresa aux membres de sa famille religieuse à travers le monde. Regroupés par Brian Kolodiejchuk, directeur du centre Mère-Teresa et postulateur de sa cause en canonisation, ces textes dessinent en creux le portrait d’une femme qui voulait se donner toujours mieux, toujours plus à Dieu à travers les pauvres. Quand l’amour est là, Dieu est là, à paraître le 24 novembre et dont nous publions des extraits en avant-première, est un plaidoyer pour les exclus, un appel sans relâche à aimer. À travers les 450 pages de ce recueil, paru aux États-Unis en 2010 à l’occasion du centenaire de la naissance de la religieuse, la fondatrice des Missionnaires de la charité creuse, inépuisable, son sillon de pédagogue et de mère spirituelle. C’est bien du Christ « dans son déguisement désolant » dont nous parle la sainte, inlassablement. Si elle dépeint, d’anecdotes en souvenirs, le quotidien d’une vie de service immergée dans les misères les plus noires, c’est pour en extraire la moelle spirituelle : faire goûter la teneur du don ; inviter ses sœurs religieuses, surtout, à toujours aimer davantage, « jusqu’à en souffrir ».
Ces pages disent aussi son immense amour pour la famille, première cellule de la charité, mais qu’elle voit devenir, en Occident, le siège d’une pauvreté toute spirituelle. Face à un monde « assoiffé d’être aimé », elle appelle de manière lancinante à la proximité. Car le prochain, que son interpellation n’a de cesse de nous désigner, n’est pas seulement l’inconnu de la rue, mais aussi le familier ; le compagnon du quotidien.
Extraits :
« Le fruit du silence est la prière. Le fruit de la prière est la foi ; le fruit de la foi est l’amour. Le fruit de l’amour est le service. Le fruit du service est la paix. (page 21)
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Vous devez être emplies de silence, car, dans le silence du cœur, Dieu parle. Un cœur vide, Dieu le remplit. Même Dieu Tout-Puissant ne peut remplir un cœur plein – plein d’orgueil, d’amertume, de jalousie ; nous devons renoncer à ces sentiments. Tant que nous nous y accrochons, Dieu ne peut pas le remplir. Silence du cœur, pas seulement de la bouche – qui est aussi nécessaire – mais plus encore, ce silence de l’esprit, silence des yeux, silence du toucher. Alors vous pouvez L’entendre partout : dans le bruit d’une porte qui se ferme, dans la personne qui a besoin de vous, dans le chant des oiseaux, dans les fleurs, les animaux – ce silence qui est émerveillement et louange. (page 33)
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La faim n’est pas seulement l’absence de pain, c’est la faim d’amour, d’être aimé, d’être désiré. Cette terrible solitude des vieillards et des gens isolés est une faim terrible. La nudité n’est pas seulement l’absence d’un morceau de tissu ; la nudité, c’est aussi ce manque de dignité, ce beau don de Dieu, la perte de la pureté du cœur, de l’esprit, du corps. Être sans logis, ce n’est pas seulement l’absence d’une maison faite de briques ; être sans logis, c’est aussi être rejeté, être un « rebut » de la société, indésirable, mal aimé, négligé. Là, au milieu de ces gens, vous pouvez mettre et je peux mettre mon amour de Dieu en actes vivants. (page 68)
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Nous avons tellement de gens comme cela, au cœur de New York, au cœur de Londres, dans ces grandes villes européennes, avec seulement un morceau de journal [comme couverture, ndlr], allongés là. Nos sœurs sortent le soir, de 22 heures à 1 heure du matin, dans les rues de Rome, et elles apportent des sandwiches, elles apportent quelque chose de chaud à boire. À Londres, j’ai vu des gens rester debout contre le mur de l’usine pour se réchauffer. Comment ? Pourquoi ? Où sommes-nous ? Donc, je crois qu’il est bon pour nous de commencer par aimer à la maison. Puis, une fois que nous aurons appris à aimer de cet amour qui fait souffrir, alors nous serons capables de donner cet amour, nos yeux s’ouvriront, nous verrons, nous verrons. Très souvent, nous regardons mais nous ne voyons pas ou bien nous voyons mais nous ne voulons pas regarder. (page 125)
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Pour moi, la plus grande injustice faite aux pauvres n’est pas tant que nous les avons privés de choses matérielles, mais que nous les avons privés de cette dignité d’enfant de Dieu, du respect que nous devons à une personne dont [nous] pensons « elle n’est bonne à rien, elle est paresseuse, elle est ceci, elle est cela » – tant d’adjectifs que nous rajoutons. Pour moi, c’est cela, la plus grande injustice […] et je leur dis toujours : « Que feriez-vous si vous étiez à leur place ? Si vous aviez l’estomac vide jour après jour et que vous voyiez vos enfants mourir de faim, de froid ? » (…) Il est facile pour nous qui avons l’estomac plein de proférer ce genre d’adjectifs. Et c’est la plus grande injustice. (page 130)
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Un jour, j’ai recueilli une petite enfant de six ans dans la rue. Et je voyais à son visage que cette enfant avait très, très faim. Alors je lui ai donné un morceau de pain et la petite a pris le pain et elle a commencé à le manger miette par miette ; alors j’ai dit à l’enfant : « Mange le pain, tu as faim, mange le pain. » Et elle m’a regardée et elle a dit : « J’ai peur d’avoir de nouveau faim quand le pain sera fini. » Alors, elle pensait qu’en le mangeant lentement, lentement, elle se sentirait moins affamée. La douleur de la faim est terrible et c’est là que vous et moi devons intervenir et donner jusqu’à en souffrir. Je ne veux pas que vous donniez comme ça, je veux que vous donniez jusqu’à en souffrir. Et ce don est amour de Dieu en actes. (page 223)
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Il y a beaucoup, beaucoup de gens (des vieux, des infirmes, des malades mentaux, des gens qui n’ont personne, aucun être pour les aimer) qui ont faim d’amour. Et peut-être que cette sorte de faim se trouve dans votre propre maison, votre propre famille. Peut-être qu’il y a une personne âgée dans votre famille, peut-être qu’il y a un malade dans votre famille. Avez-vous jamais pensé que vous pouviez montrer votre amour de Dieu en donnant peut-être un sourire, peut-être rien qu’un verre d’eau, peut-être rien qu’en restant assis là à parler un petit moment ? (page 224)
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Un monsieur hindou m’a un jour demandé, un fonctionnaire très important, haut placé : « Ne tenez-vous pas beaucoup à tous nous convertir ? » Et j’ai dit : « Naturellement, le trésor que j’ai, Jésus, naturellement que je veux le partager avec vous, mais la conversion doit venir de Lui. Mon rôle est de vous aider à faire des œuvres d’amour et alors, par ces œuvres d’amour, vous vous trouvez naturellement face à face avec Dieu et c’est entre vous que ce trésor, Son amour, s’échange. Et alors soit vous êtes converti, vous acceptez Dieu dans votre vie, soit non. » (page 288)
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Dans les bidonvilles, Jésus choisit comme déguisement la misère et la pauvreté de nos gens des bidonvilles. Vous ne pouvez pas respecter le vœu de charité si vous n’avez pas la foi nécessaire pour voir Jésus dans les gens avec lesquels nous entrons en contact. Autrement, notre travail n’est rien de plus que du travail social. (page 216)
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Vous devez faire de votre maison un centre d’amour brûlant, le soleil de l’amour de Dieu doit d’abord être dans votre maison. Vous devez être cette espérance de bonheur éternel pour votre mari, pour votre femme, pour votre enfant, pour votre grand-père, votre grand-mère, pour vos domestiques – tous ceux qui ont un lien avec vous. Vous travaillez dans une grande entreprise, vous êtes un coopérateur, mais vous ne connaissez même pas vos proches. Là-bas, vous devez être la flamme brûlante de l’amour de Dieu pour les gens qui travaillent avec vous ou qui travaillent pour vous. Est-ce qu’en levant les yeux, ils peuvent voir la joie d’aimer sur votre visage ? Est-ce qu’en levant les yeux, ils peuvent voir la joie d’un cœur pur ? Est-ce qu’en levant les yeux, ils peuvent voir Jésus en vous ? (page 364)
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Quand je dis joie, je ne veux pas parler de rires tonitruants ni de cris. Non, cela est trompeur, et peut être là pour cacher quelque chose. Je parle de la profonde joie intérieure qui est en vous, dans vos yeux, votre regard, votre visage, vos mouvements, vos gestes, votre vivacité etc. « Que Ma joie soit en vous », dit Jésus. Quelle est cette joie de Jésus ? C’est le résultat de Son union continuelle avec Dieu, tandis qu’Il faisait la volonté du Père. Vivre en présence de Dieu nous remplit de joie. Dieu est joie. Pour nous apporter de la joie, Jésus S’est fait homme. Marie est la première à avoir reçu Jésus : « Mon esprit exulte en Dieu mon Sauveur. » L’enfant dans le sein d’Élisabeth a tressailli de joie parce que Marie lui apportait Jésus. Ce même Jésus que nous recevons en Communion ; il n’y a aucune différence. (page 402) »
Governador de Oregón suspendeu pena de morte
O Governador de Oregón, oeste dos Estados Unidos, John Kitzhaber, suspendeu terça-feira a pena de morte por a considerar "moralmente errada" e evitando assim uma execução já no mês de Dezembro.
"A pena de morte praticada em Oregón não é imparcial nem justa, nem rápida nem certeira e não é aplicada de igual modo a toda a gente", assegurou o Governador democrata, no poder desde 2010.
Com a decisão da noite de terça-feira, os 37 reclusos que permanecem no corredor da morte naquele estado da costa oeste dos Estados Unidos ficam com a garantia de não execução, pelo menos, até 2015, quando termina o mandato do atual Governador.
"É hora de Oregón considerar outra aproximação. Recuso ser parte deste sistema desigual e comprometido por mais tempo e não permitirei mais execuções enquanto for Governador", acrescentou John Kitzhaber.
Desde que o estado de Oregón retomou a pena de morte em 1984, foram executadas apenas duas pessoas, precisamente durante o último período da governação de John Kitzhaber, que já tinha desempenhado o cargo de governador entre 1985 e 1992 e entre 1995 e 2003.
"Foram as decisões mais difíceis que tive como governador", disse.
Até agora, em 2011, os Estados Unidos executaram 43 reclusos e apenas estava pendente a morte de Gary Haugen, precisamente em Oregón, condenado pelo homicídio da sua mãe e da sua ex-namorada.
Em 2010, 46 pessoas foram executadas no Estados Unidos e entre os 50 estado que integram o país, 35 - excluindo Oregón - mantêm ainda vigente a pena capital.
"A pena de morte praticada em Oregón não é imparcial nem justa, nem rápida nem certeira e não é aplicada de igual modo a toda a gente", assegurou o Governador democrata, no poder desde 2010.
Com a decisão da noite de terça-feira, os 37 reclusos que permanecem no corredor da morte naquele estado da costa oeste dos Estados Unidos ficam com a garantia de não execução, pelo menos, até 2015, quando termina o mandato do atual Governador.
"É hora de Oregón considerar outra aproximação. Recuso ser parte deste sistema desigual e comprometido por mais tempo e não permitirei mais execuções enquanto for Governador", acrescentou John Kitzhaber.
Desde que o estado de Oregón retomou a pena de morte em 1984, foram executadas apenas duas pessoas, precisamente durante o último período da governação de John Kitzhaber, que já tinha desempenhado o cargo de governador entre 1985 e 1992 e entre 1995 e 2003.
"Foram as decisões mais difíceis que tive como governador", disse.
Até agora, em 2011, os Estados Unidos executaram 43 reclusos e apenas estava pendente a morte de Gary Haugen, precisamente em Oregón, condenado pelo homicídio da sua mãe e da sua ex-namorada.
Em 2010, 46 pessoas foram executadas no Estados Unidos e entre os 50 estado que integram o país, 35 - excluindo Oregón - mantêm ainda vigente a pena capital.
A reforma do mapa
A distrital de Braga do CDS conjuntamente com a distrital do PSD promovem no próximo sábado, dia 26, às 11 horas, no Auditório Vita (seminário menor, Arquidiocese de Braga, R. São Domingos 94 B) um debate sobre a reforma do mapa administrativo de Braga. Contará com as presenças dos Drs. Nuno Melo e Miguel Relvas.
Aqui tão perto
A Espanha foi a eleições no Domingo passado. Com uma invulgar afluência às urnas conferiu uma estrondosa vitória ao centro direita e defenestrou o Partido Socialista para a maior derrota de sempre. A democracia fez-se e o povo decidiu.
Esta vitória tem, porém, uma história.
Em 2004, Zapatero foi o vencedor improvável das eleições gerais. O atentado de Atocha e a reacção de Aznar desmoronaram a vitória espectável de Rajoy. Por margem mínima, e fruto desta circunstância, o PSOE regressou ao governo suportado nas Cortes pelos partidos autonomistas e nacionalistas. E, como é dos livros, estes cobraram o apoio. A economia resvalou, o desemprego cresceu e o “milagre económico” de Aznar reconduziu-se à “bolha imobiliária”, mantendo artificialmente padrões de vida que as políticas económicas da direita tinham conseguido assegurar. Ao declínio económico sucedeu uma crispação social e política sem paralelo desde a transição democrática. O “pacto constitucional” (fruto do entendimento promovido por Suarez, Gonzalez, Fraga e Carrillo e que reergueu a Espanha, reconciliou-a com o seu passado e tentou sarar as feridas da Guerra Civil) foi simplesmente incinerado pela “Lei da Memória Histórica”. Numa pulsão só compreensível à luz de um incontrolável desforço, Zapatero afrontou a ossatura da sociedade espanhola, desde a Igreja (com os tristes episódios da primeira visita de Bento XVI) à própria Coroa (ao aceitar coligar-se no governo da Catalunha com a esquerda republicana).
Foram anos para esquecer, embora na altura particularmente saudados por alguns, como Soares, e com tímidas réplicas noutros, como Sócrates. No Domingo a Espanha ergueu-se de novo. Na sua diversidade. E na sua notável resistência.
22 | 11 | 2011
Eduardo Sá
Esta vitória tem, porém, uma história.
Em 2004, Zapatero foi o vencedor improvável das eleições gerais. O atentado de Atocha e a reacção de Aznar desmoronaram a vitória espectável de Rajoy. Por margem mínima, e fruto desta circunstância, o PSOE regressou ao governo suportado nas Cortes pelos partidos autonomistas e nacionalistas. E, como é dos livros, estes cobraram o apoio. A economia resvalou, o desemprego cresceu e o “milagre económico” de Aznar reconduziu-se à “bolha imobiliária”, mantendo artificialmente padrões de vida que as políticas económicas da direita tinham conseguido assegurar. Ao declínio económico sucedeu uma crispação social e política sem paralelo desde a transição democrática. O “pacto constitucional” (fruto do entendimento promovido por Suarez, Gonzalez, Fraga e Carrillo e que reergueu a Espanha, reconciliou-a com o seu passado e tentou sarar as feridas da Guerra Civil) foi simplesmente incinerado pela “Lei da Memória Histórica”. Numa pulsão só compreensível à luz de um incontrolável desforço, Zapatero afrontou a ossatura da sociedade espanhola, desde a Igreja (com os tristes episódios da primeira visita de Bento XVI) à própria Coroa (ao aceitar coligar-se no governo da Catalunha com a esquerda republicana).
Foram anos para esquecer, embora na altura particularmente saudados por alguns, como Soares, e com tímidas réplicas noutros, como Sócrates. No Domingo a Espanha ergueu-se de novo. Na sua diversidade. E na sua notável resistência.
22 | 11 | 2011
Eduardo Sá
terça-feira, 22 de novembro de 2011
Campanha do Banco Alimentar Contra a Fome
PRÓXIMA CAMPANHA:
26 E 27 DE NOVEMBRO DE 2011
Alimente esta ideia.
Publicada por
Rua do Souto
às
17:57
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