terça-feira, 18 de outubro de 2011

picadinho de coq au vin

Quem diria, na fase de grupos do Mundial, que a França derrotada sem apelo nem agravo pela Nova Zelândia e por Tonga estaria na final? E, no entanto, ela move-se.

Bastou-lhe um jogo mediano contra a medianíssima Inglaterra, há uma semana, e uma hora de sorte contra Gales no Sábado, et voilá. Maxime Médard, um dos poucos tricolores a fugir à banalidade até agora, resumiu o sentimento de embaraço colectivo (e olhem que não é fácil embaraçá-los, com o futebol que têm...) quando admitiu que todos os deuses do rugby tinham estado por eles. Liberté, egalité, divinité, eis a nova divisa da République. Bem podem esquecer por momentos a laicidade e agradecer ao todos os inquilinos dos Campos Elísios. Como sentenciou o lendário François Pienaar, o capitão dos Springboks que ergueu a taça em 95 nas barbas de Lomu e companhia, esta França é a pior finalista de sempre. Não amira que os neozelandeses tenham visto na sua vitória sobre a Austrália a verdadeira final, ainda por cima ganha por 20-6 sem especial dificuldade, e exibam desde anteontem aquele sorriso "we are the champions" que faz dos kiwis um povo de gajos porreiros - excepto quando estão prestes a vencer um Mundial. Felizmente, só acontece de dez em dez anos. Os deuses podem ser franceses, mas não dormem.

Para Gales, pelo contrário, a lei de Murphy substituiu-se à Providência: tudo o que podia correr mal correu. Os experientíssimos James Hook e Stephen Jones, que jogaram sucessivamente a abertura por lesão do titular Priestland, estão com falta de rodagem e falharam quase todos os pontapés que havia para falhar, incluindo a conversão de mais um brilhante ensaio de Mike Phillips (ao poste) e uma incompreensível hesitação em matar o jogo nos últimos minutos com o drop da praxe.

Halfpenny, revelação da prova a arrière, fez passar por baixo do H uma penalidade de 50 metros semelhante à que tinha convertido contra a Irlanda. Pior ainda, muito pior, o skipper Warburton foi expulso aos 17 minutos por placagem perigosa, obrigando os galeses a jogar uma hora inteira com um a menos - e logo o seu jogador mais influente. Mesmo assim, os frogs nunca arriscaram jogar ao largo, para vergonha do tradicional french flair, e limitaram-se a aproveitar as penalidades concedidas. Resultado: 9-8. Blaaargh!

A expulsão de Warburton, verdadeiro momento do jogo, é muitíssimo polémica e incendiou os media britânicos durante o fim-de-semana. O mister Gatland clamou aos quatro ventos que os dragões foram "roubados do seu destino", que seria vencer o mais importante acontecimento desportivo da história do país (uma alegação de peso, tendo em conta o esforço dos archeiros galeses na Guerra dos Cem Anos, uma espécie de Cinco Nações medieval). Em Cardiff, até o Primeiro-Ministro Carwin Jones acusou o árbitro Allan Rolland (irlandês, para cúmulo do azar) de ter "arruinado" um tal momento histórico. E Mike Phillips, menos eloquente ou talvez não, limitou-se a rosnar que os franceses ganharam mal e vão ser feitos em pedacinhos por quem quer que vá à final com eles.

Têm razão? Têm. Como se pode ver acima, a placagem de Warburton é uma speer tackle, uma placagem em que o placador levanta do chão o jogador placado e o projecta sem controlar a queda. Jogo perigoso, sem dúvida, e punido pelas leis do jogo com a expulsão - se intencional. Ora, como também se pode ver acima, o galês larga Clerc no ar porque quer jogar a bola. Não há qualquer intenção de jogo perigoso, apenas uma desproporção evidente entre o peso e a força dos dois. Por amarga ironia, Gales e o seu capitão foram agora vítimas da tremenda garra que lhes deu a vitória contra a Irlanda. Torna-se muito difícil ao árbitro avaliar a intenção quando a jogada é tão rápida, mas exigia-se que aplicasse o espírito e não a letra da lei, ou seja, que optasse pela pena mínima atendendo às circunstâncias. Warburton pode orgulhar-se de um cadastro invulgarmente limpo para um terceira-linha. Clerc não se lesionou.

Qualquer expulsão ao fim de um quarto de hora teria consequências no resultado. E era uma meia-final. Um cartão amarelo e a correspondente expulsão de dez minutos seria a melhor decisão. Rolland não entendeu assim, oferecendo à França uma imerecida presença em Eden Park no próximo Domingo e aos All Blacks um dos mais fracos adversários a sair da fase de grupos. Porque ninguém duvida que os maoris vão voltar a fazer picadinho de coq au vin, como há um mês e como em 87. Provavelmente, o cartão vermelho do Sr. Rolland decidiu o Mundial.


por Pedro Picoito,
http://cachimbodemagritte.com/

Reabilitação Urbana: É urgente salvar Braga!

Sessão promovida pela Coligação “Juntos por Braga” encheu Auditório da Junta da Sé
Reabilitação urbana exige acção conjugada com privados “para salvar a cidade”

A reabilitação urbana “não se compagina com a rapidez”, torna-se “fundamental, antes de se avançar com um processo deste tipo, fazer um aprofundado estudo em termos de investimento articulando a equação económica em função dos privados” e o que é uma realidade é que “as nossas cidades precisam de ser salvas”.

Estas foram algumas das ideias deixadas por Rui Quelhas e José Teixeira, os dois oradores convidados pela Coligação “Juntos por Braga” para falarem sobre a reabilitação urbana, numa sessão que encheu por completo o Auditório da Junta de Freguesia da Sé, em que se destacou a participação eclética de empresários, arquitectos, estudantes e autarcas.

A reabilitação urbana da cidade de Braga – disse no início da sessão o líder da Coligação, Ricardo Rio – “é um projecto incontornável, decisivo e prioritário para o nosso concelho”, sendo “importante tanto do ponto de vista económico como na vertente social”. Com esta sessão a Coligação pretendeu “um debate alargado”, com os contributos diferenciados de um responsável por um profundo processo de reabilitação urbana (no caso, da cidade do Porto), Rui Quelhas, e de um empresário do sector privado bracarense, José Teixeira (da DST). E porquê estes dois convidados? Ricardo Rio esclareceu, a propósito, que “este não é um esforço estritamente público, mas também de parceria público-privada”, porque “torna-se fundamental trazer o investimento privado para este desígnio”.


“A revitalização exige um esforço aturado de planeamento”

Ora, foi precisamente esta uma das vertentes vincadas na intervenção do administrador-delegado da Porto Vivo – Sociedade de Reabilitação Urbana (SRU). Rui Quelhas demonstrou, com mais do que um exemplo, como é possível atrair o investimento privado – com efectivo retorno, devidamente calculado e sustentado – a um processo de reabilitação urbana. A Porto Vivo – disse Rui Quelhas – “assenta muito mais na revitalização”, envolvendo “uma reabilitação muito voltada para os investidores”, funcionando a SRU “como acompanhamento do processo e até mesmo como uma espécie de agência de investimento”. Lembrando que “toda a gente já percebeu que não faz sentido a construção nova, porque há um excedente nesta vertente”, Rui Quelhas alertou no entanto que “a reabilitação urbana não se compagina com a rapidez, porque, pela nossa experiência, um projecto desta natureza demora cerca de 30 meses até ficar concluído, há depois a fase de construção que calculamos em 18 meses e podemos dizer que só a partir do quinto ano é que se pode falar de retorno”.

O administrador-delegado da Porto Vivo SRU lembrou ainda que “hoje em dia as cidades estão cada vez mais a apostar nos serviços e no turismo”, sendo que se torna “fundamental que, antes de se avançar com o processo de reabilitação urbana, se faça um aprofundado estudo em termos de investimento, testando a equação económica também em função dos privados”. De acordo com Rui Quelhas, “é necessário estabelecer uma articulação muito grande com os investidores e com os conhecedores do mercado”.

“É preciso salvar Braga!”

Precisamente o “conhecimento do mercado” é uma das “garantias” de José Teixeira, presidente do Conselho de Administração da DST, SGPS. Que desde logo, no início da sua intervenção, fez uma análise retrospectiva da situação que conduziu à degradação do património histórico das cidades e, logo, ao progressivo abandono das pessoas desse território, para assinalar que “assim não é possível aproveitar todas as potencialidades existentes, como por exemplo, o turismo ou a restauração”.

José Teixeira entrou depois na análise do que chamou “os factores de pressão” que podem condicionar os privados a não apostar na reabilitação urbana – destacando, entre outros casos, a restrição ao crédito, a construção de raiz (que disse ser “um perfeito disparate”) ou a crise na engenharia e na construção. Mas – afirmou – “as nossas cidades precisam de ser salvas”.

Ilustrando a sua intervenção com múltiplas fotos de edifícios degradados do centro da cidade de Braga, o líder da DST apresentou uma visão ambiciosa para o futuro da cidade de Braga, assente “numa lógica cosmopolita, com energia e mundo”.

Para tal, defendeu, “é preciso repovoar o centro com jovens e reforçar a ligação ao mundo universitário, trazendo para esta zona as “tribos” das artes”, o que será possível com a criação de uma “Escola de Artes, com a instalação de um Museu de Arte Contemporânea e com outros projectos arrojados que conciliem os “nativos” do centro com as novas gentes que urge seduzir”.

Esta é, no seu entender, uma visão exequível, graças a mecanismos como a criação de uma “Sociedade de Reabilitação Urbana, participada pelo Município, por investidores privados e pelos próprios proprietários”, que “trabalhe com margens razoáveis validadas pelo mercado” e que seja orientada quer para o “arrendamento quer para a venda dos imóveis recuperados”

Bracarenses anseiam por projectos nesta área e Ricardo Rio assume-a como primeira prioridade da Gestão Municipal

A multifacetada e preenchida plateia que lotou o auditório da Sé não se fez também rogada nas múltiplas questões e comentários ao teor das intervenções anteriores, destacando a necessidade de “Braga avançar com uma acção decidida nesta área”, “centrada nas pessoas” e capaz de “mobilizar os diferentes stakeholders destes processos”.

Embora reconhecendo a diferente atractividade e escala das realidades de Braga e Porto, um dos arquitectos presentes realçou a “oportunidade” que consiste no facto de “o centro da cidade estar bem desenhado” ao contrário das demais zonas de expansão urbanas, “muito condicionadas aos interesses imobiliários que condicionaram a construção dos PDMs”.

No seu entender, há também que destacar o “enorme potencial associado ao aproveitamento de edifícios de referência hoje ao abandono e em progressivo estado de degradação”.

Na sua intervenção final, o líder da Coligação “Juntos por Braga” assumiu que um arrojado projecto de regeneração urbana estará na primeira linha das prioridades da nova gestão municipal.

Para tal, disse ser necessário “mobilizar todos os agentes de desenvolvimento para este desígnio”, sejam eles a Universidade, a Igreja ou o tecido empresarial, concretizando “iniciativas diferenciadoras e capazes de responder às necessidades concretas dos cidadãos”.

Ricardo Rio destacou ainda a “convergência de posições” entre a visão apresentada por José Teixeira e os exemplos já praticados no Porto e as propostas constantes do Programa da Coligação às últimas Eleições Autárquicas.

Mas, destacou, este esforço requer também a “validação e mobilização dos cidadãos”, a quem cabe dizer de forma clara se querem ou não “uma cidade diferente para melhor, uma cidade culta, cosmopolita e cool”.


Braga, 17 de Outubro de 2011
O Gabinete de Comunicação da Coligação “Juntos Por Braga”

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Hollande ganha PS francês e será o adversário de Sarkozy em 2012

Os primeiros resultados divulgados deram-lhe 56,5%, pouco depois Martine Aubry reconheceu a derrota. François Hollande será o candidato do PS francês às eleições do próximo ano.

Não é uma vitória inesperada, que as sondagens já lhe tinham dado alguma vantagem. Hollande, de 57 anos, ganhou neste domingo a segunda volta das eleições para escolher o candidato socialista que irá disputar as presidenciais francesas previstas para Abril ou Maio do próximo ano. Irá procurar derrotar o actual Presidente, Nicolas Sarkozy, que apesar de ainda não ter anunciado a sua candidatura deverá procurar ser reeleito.

“Recebi o mandato imperioso de fazer ganhar a esquerda”, disse Hollande no seu discurso de vitória na sede do Partido Socialista francês. “É nisso que concentrarei todas as minhas forças e toda a minha energia.”

A vitória, disse, deu-lhe “a força e a legitimidade para preparar a disputa presidencial”. E também lhe terá dado confiança.
“Os franceses não podem mais com as políticas de Sarkozy. Nós vamos ganhar”.

Ao referir problemas como o desemprego, mas também “a crise financeira, os excessos da mundialização, as insuficiências da Europa e os atentados ambientais”, Hollande garantiu que entende “a indignação daqueles que não podem mais”.

Pouco depois de terem sido divulgados os primeiros resultados parciais – 56,5% para Hollande e 43,5% para Aubry – a candidata reconheceu a derrota. “Saúdo calorosamente a vitória de François Hollande, o nosso candidato para as presidenciais de 2012”, disse. “É hora de nos juntarmos em torno do nosso candidato.”

Hollande estava à frente nas sondagens para as eleições deste domingo, umas primárias ao estilo americano em que os socialistas ou simpatizantes do partido puderam escolher o seu candidato e nas quais participaram cerca de três milhões de eleitores. A vantagem para Hollande era de 13% quando estavam contados cerca de 486 mil votos e manteve-se quando já tinham sido contabilizados dois terços dos boletins.

Vencedor da primeira volta das eleições com 39,2% contra 30,4% para Aubry, Hollande, nunca participou em qualquer Executivo e tem sido acusado de falta de experiência governativa, mas liderou o Partido Socialista francês entre 1997 e 2008 e é deputado desde 1988. Nesta segunda volta das eleições contou com o apoio de quatro candidatos que foram eliminados no primeiro escrutínio – Arnaud Montebourg, que obteve 17,2%, a sua ex-mulher Ségòlene Royal (6,9%), Manuel Valls (5,6%) e Jean Michel Baylet (0,6%).

Já Aubry, filha de Jacques Delors, foi ministra do Trabalho de Lionel Jospin, entre 1997 e 2000, está à frente da câmara de Lille desde 2001 e é secretária do PS desde 2008.

Apesar de Aubry ter sido apontada como vencedora de um debate que ocorreu quarta-feira, as sondagens deram Hollande como o favorito, embora por margem reduzida: 53% contra 47%, segundo um estudo do OpinionWay Fiducial para o jornal “Fígaro” e a cadeia LCI. Mas apesar de os resultados definitivos não terem sido ainda divulgados, prevê-se que Hollande vença por uma margem superior.

Por Isabel Gorjão Santos, 16.10.2011
http://www.publico.pt com agências

Ricardo Rio

Ricardo Rio fala com a convicção de quem já ganhou as próximas eleições. A meio do actual mandato autárquico, o vereador do PSD admite uma privatização parcial dos transportes urbanos de Braga. O líder da oposição calcula que mais de 10 por cento do orçamento municipal esgota-se nos compromissos da parceria público-privado e do novo estádio.

P - Já foi por duas vezes candidato a presidente da Câmara de Braga. Vai recandidatar-se?
R - Assim o desejo. É nesse sentido que tenho desenvolvido o meu trabalho político autárquico ao longo destes dois anos e que pretendo desenvolvê-lo nos próximos dois. E também respaldado no apoio que me foi expresso, desde a primeira hora, pelos órgãos e dirigentes dos partidos da coligação ‘Juntos por Braga’ (n.r. PSD, CDS-PP e PPM). Ainda recentemente, o líder do PSD e primeiro-ministro expressou isso mesmo. Partilho a convicção de que serei o próximo presidente da Câmara de Braga.

P - Tirando alguns imponderáveis que podem surgir, é o candidato da coligação ‘Juntos por Braga’?
R - Isso terá que passar por um processo formal de reconhecimento dos partidos. A minha convicção é que esse processo formal irá confirmar aquilo que é hoje a minha convicção de que os bracarenses não perceberiam que o candidato da coligação nas próximas eleições autárquicas fosse outro que não o Ricardo Rio.

P - Não é habitual na política portuguesa alguém que perde duas eleições autárquicas seguidas recandidatar-se uma terceira vez. Chegou a ponderar não avançar mais, embora tenha subido a sua votação da primeira para a segunda eleição ?
R - Quem desenvolve um trabalho de oposição como nós desenvolvemos em Braga, a reflexão que tem de fazer é pessoal, mais do que sobre a capacidade política. Tem de pensar se se sente motivado e disponível para continuar um trabalho que, por vezes, é ingrato, que exige sacrifício pessoal, profissional, familiar e financeiro, e se o deseja fazer tendo por vista propiciar algo diferente aos seus concidadãos. Eu fiz essa reflexão e ponderei se este era o caminho que deveria manter na minha intervenção pública. Aí foi decisivo o apoio que recebi da minha equipa, de vários dirigentes e de autarcas de freguesias. Eu não quero ser candidato, eu quero ser o próximo presidente da Câmara de Braga. Não acredito que exista um eleitor da coligação ‘Juntos por Braga’ que, neste momento, se sinta defraudado com o seu voto nas últimas eleições. A progressão eleitoral de 2001 para 2005 de cerca de cinco mil votos, de 2005 para 2009 com mais 6 500 eleitores, continuará a verificar-se nas próximas eleições.

P - São já evidentes as movimentações no interior do PS para a escolha do candidato à Câmara de Braga, já que o actual presidente não se pode recandidatar. O deputado António Braga e o vereador Victor Sousa são apontados como candidatos do PS...
R - E o vereador Hugo Pires.

P - Qual é o melhor candidato para os interesses da coligação ‘Juntos por Braga’?
R - É muito difícil avaliar objectivamente, na óptica dos interesses da coligação, qual seria o melhor candidato do PS. São pessoas com perfis e experiências diferentes, mas que acabam por ter uma linha comum: todos, de uma forma continuada e indefectível, mostraram-se sempre alinhados com a gestão de Mesquita Machado e nunca conseguiram contribuir para um paradigma de mudança dessa mesma gestão.

P - É-lhe indiferente um ou outro candidato do PS?
R - É. Foi assim que fizemos no passado. Sempre assumi que o nosso trabalho é feito com base em projectos e ideias para a cidade, com base em contactos que vamos tendo com instituições e pessoas.

P - Olhando para a história autárquica em Braga, Mesquita Machado é a mais-valia do PS. As próximas eleições são a oportunidade de ouro de a coligação ‘Juntos por Braga’ chegar ao poder?
R - Tenho a convicção de que Mesquita Machado podia ter perdido as eleições de 2009.

P - Por que é que não perdeu?
R - Por um conjunto de factores, mais ou menos objectivos. Quem está no poder tem meios para usar um último argumento junto do eleitorado. A capacidade de, à boca das eleições, se proceder a centenas de inaugurações, muitas delas despropositadas, acaba por criar a ilusão de realização. Para além disso, nas últimas eleições autárquicas, houve um factor que foi decisivo: o peso da carga emotiva da substituição do presidente Mesquita Machado, depois de tantos anos de exercício do cargo. Acho que em muitos bracarenses esteve presente a ideia do último mandato de Mesquita Machado. Pensaram: Por que é que o vamos mudar agora? Ricardo Rio ainda é uma pessoa nova. Foi pena que assim acontecesse, porque perderam-se quatro anos. Se o anterior mandato não foi particularmente brilhante, este tem sido marcado por circunstâncias que agravam o desencanto.

P - Se tivesse sido eleito presidente da Câmara de Braga em 2009, com a conjuntura económico-financeira que o país atravessa, teria tido capacidade de fazer melhor do que o PS?
R - A mudança na gestão da câmara não tem apenas a ver com a forma como os recursos são alocados, embora isso também seja importante. Tenho dado como exemplo o Parque do Picoto, que eu julgo que não é um projecto que vem criar uma verdadeira mais-valia, atendendo às necessidades da cidade.

P - Se fosse presidente, não avançaria com o projecto do Picoto?
R - Nesta fase e com as actuais condições não avançaria. Há uma questão que é crítica: as expropriações. A câmara está a trabalhar sem rede nesta matéria. Não há um valor claro dos custos das expropriações. É uma maneira irresponsável de conduzir este processo, arriscando-se a repetição daquilo que se passou com o novo estádio municipal.

P - Está a dizer que com as mesmas restrições orçamentais e com a queda de receitas a pique no sector do urbanismo faria melhor?
R - Convém dizer que, no que respeita ao IMI, com a política que a Câmara tem seguido com aplicação de taxas máximas, as receitas têm subido. Muito mais prioritário que o Monte Picoto seria investir no Parque das Sete Fontes. Há outros projectos que são absolutamente prioritários para o futuro da cidade, como é a regeneração urbana. A Câmara já se predispôs a estudar o problema, mas basta ver os fundos necessários para concretizar um projecto de regeneração urbana para perceber que aquilo que se gastou no estádio municipal ou na constituição da parceria público-privado e no Picoto é desviar recursos daquilo que é prioritário.

P - Se tivesse sido eleito presidente da Câmara, teria que assumir esses custos do estádio e da parceria público-privadas.
R - Em relação ao estádio, sim. Relativamente à parceria, não necessariamente. A Câmara tem vindo a retirar projectos da parceria.

P - Mesquita Machado disse que algumas obras sairiam da parceria se houvesse financiamento comunitário.
R - Até agora não tiveram. Recordo a piscina olímpica, que para nós é um projecto emblemático da má gestão socialista dos últimos anos.

P - Tem criticado o PS pela fixação de taxas máximas do IMI e da derrama municipal, mas o PSD, a nível nacional, tem defendido a necessidade de mais receita fiscal. É justo pedir à Câmara de Braga que vá em sentido contrário?
R - É justo atendendo ao suposto diferente enquadramento do país e do município de Braga. No dia em que Mesquita Machado disser que a Câmara está numa situação de pré-falência como está hoje o país e necessita de meios financeiros para solver os seus compromissos, sou o primeiro a dizer que vamos socorrer-nos de todos os meios ao nosso alcance. O que ouvimos o presidente dizer é que a Câmara tem grande capacidade financeira e de endividamento. Infelizmente, os bracarenses só vão saber qual é a real situação financeira da Câmara quando uma nova gestão entrar na Praça do Município. Convém recordar um relatório da Inspecção de Finanças, no final do anterior mandato, que denunciava a ocultação de despesas e a não conformidade dos reportes financeiros.

P - Como economista, quando analisa os relatórios da Câmara fica com dúvidas?
R - Fico. Não tanto pelo que lá está mas pelo que lá não está.

P - Tem noção dos encargos financeiros da parceria público-privada?
R - Representa entre cinco e sete por cento do orçamento camarário. Os encargos com o estádio e as expropriações do parque norte representam seis a sete por cento. Mais de dez por cento do orçamento é esgotado em compromissos assumidos no passado.

P - Que parâmetros deve ter o próximo orçamento camarário?
R - Deveria ser capaz de mobilizar a sociedade bracarense. Estou a lembrar-me, por exemplo, das agendas que foram negociadas com a Universidade do Minho e que, dois anos volvidos, tiveram zero de concretização.

P - A propósito da regeneração urbana, chegou a falar-se de uma nova empresa pública municipal. Tendo em conta que a ‘troika’ aconselha a não constituição de novas empresas municipais, não há aqui uma opção em contra-ciclo, assumido pela própria coligação?
R - A coligação nunca defendeu a criação de uma nova empresa municipal. Defendo que a regeneração urbana deve ser integrada na empresa municipal Bragahabit ou nos serviços municipais. Aquilo que a coligação defendeu nas eleições de 2009 e que um estudo recente vem corroborar é a necessidade de uma verdadeira parceria público-privada para concretizar o projecto da regeneração urbana. Na nossa perspectiva, isso concretizar-se-ia com a constituição de um fundo de investimento imobiliário onde os proprietários poderiam participar com entregas em espécie dos imóveis.

P - O que é que defende para o conjunto das empresas municipais?
R - É preciso clarificar a sua intervenção estratégica. A Bragahabit não pode ser uma empresa de apoio à habitação e depois dispersar-se em outras áreas de actividade que não são o cerne do seu objecto social. Já uma intervenção na regeneração urbana, de apoio às juntas de freguesia na criação de habitação a custos controlados, de relacionamento com associações de moradores e de condóminos, isso parece-me claro. No caso do Parque de Exposições de Braga, defendemos que deve alargar a sua actuação no sentido de ser uma empresa de dinamização económica que integre a gestão do mercado municipal, a participação no mercado abastecedor e o projecto Braga Digital.

P - O Projecto Braga Digital ainda existe?
R - Eu presumo que exista.

P - Tem-se ouvido pouco a coligação ‘Juntos por Braga’ falar do Braga Digital.
R - A última vez foi a propósito da alienação da Escola Profissional de Braga, quando descobrimos que o ‘data center’ ali instalado estava desaproveitado. O grande problema do Braga Digital é que o investimento feito não teve um efeito claro reprodutivo. Há pequenos progressos na gestão dos transportes urbanos, mas no cômputo geral o investimento foi um fracasso claro. Uma Câmara como a de Braga já devia estar dotada de um serviço de gestão da informação e de tramitação de processos verdadeiramente fluida.

P - Se fosse presidente da Câmara nesta altura, a empresa municipal Transportes Urbanos de Braga (TUB) era para continuar?
R - Os TUB são a situação mais complicada do ponto de vista financeiro. É a empresa que acumula mais prejuízos.

P - Com a justificação de que presta serviço social...
R - Aí é a pedra de toque. Temos que pensar que a eventual extinção de uma empresa desta natureza não extingue o serviço por ela prestado. Esse serviço é inalienável.

P - E pode ser prestado por privados?
R - Pode. É possível o equilíbrio entre a qualidade do serviço e o preço. Isso foi conseguido com algum sucesso na Agere, com alguns cuidados que é preciso ter na angariação de receitas para que elas não sejam excessivas face ao potencial de pagamento de utentes.

P - Em sua opinião, isso verifica-se na Agere?
R - As taxas de ligação às redes de água e saneamento parecem-me claramente excessivas.

P - Nos TUB será possível alienar a privados?
R - Julgo que é possível abrir uma participação a privados, mas mantendo sempre a maioria de capital público como acontece na Agere e, mais do que isso, um exercício efectivo da maioria. O que vemos é que a Câmara, nas entidades em que tem maioria, não exerce esse poder maioritário. Há uma questão central em relação às empresas municipais: a responsabilização dos gestores. Não é possível olhar para uma empresa municipal sem definir objectivos claros, quantificados e calendarizados para os que exercem funções de gestão. Em Braga as empresas municipais nunca foram pólo de recrutamento de gestores muito capazes, mas sim de recompensa para aqueles que exerceram funções autárquicas e foram gozar as suas reformas douradas.

P - Justifica-se a Câmara ser proprietária do Theatro Circo?
R - Julgo que sim. O Theatro Circo tem um enquadramento histórico.

P - Mas se defende uma participação privada nos TUB...
R - Há que distinguir duas questões: uma é a detenção do capital, outra é a gestão. Julgo que é possível alienar ou contratualizar a gestão com entidades privadas sem ter que alienar capital. Em todos os programas eleitorais do PSD se defendeu que o Parque de Exposições de Braga devia ser gerido pelas associações empresariais, nunca se disse que se deveria aliená-lo a essas associações.

P - O Theatro Circo poderia ter uma gestão privada?
R - Lamentavelmente, o Theatro Circo é umas das situações em que a Câmara investiu no ‘hardware’ e não no ‘software’. Fez-se uma recuperação notável do edifício mas, depois do director Paulo Brandão, houve um esfaziamento progressivo da actividade com a redução substancial do financiamento. O Theatro Circo continua muito aquém daquilo que poderia ser enquanto agente dinamizador cultural do concelho.

P - Apontou a piscina olímpica como exemplo do despesismo da gestão socialista e diz que não investirá mais dez ou doze milhões de euros na sua conclusão. Qual é a solução? Demolir o que está feito?
R - Não, até porque a demolição teria custos. Terá de haver uma conversa com o arquitecto para perceber se é possível transformar aquela estrutura onde já se gastaram oito, nove ou dez milhões de euros em algo utilizável sem um custo tão significativo. Gastar mais 12 ou 13 milhões de euros para concluir a obra é algo absolutamente impensável e criminoso até. Com o valor que falta para concluir aquele equipamento, eu consigo fazer duas ou três piscinas. Eu disse que a estrutura da piscina poderia ficar como memorial do despesismo socialista, mas é óbvio que ninguém quer ficar com uma obra inacabada. O grande parque urbano norte que a Câmara apregoou anos a fio esvaziou-se e fica ilustrado na estrutura inacabada que são as piscinas olímpicas.

P - Vai ser candidato à Câmara de Braga num quadro de reorganização administrativa, com menos freguesias e um sistema de eleição com lista à Assembleia Municipal. Relativamente à reforma das freguesias, parece estar algo reticente em relação ao mapa que é proposto para Braga. Tem uma proposta de mapa para o concelho?
R - Mapa não tenho. A reforma, tal como está configurada, terá que respeitar determinados critérios, embora numa sessão de esclarecimento sobre esta matéria, o nosso companheiro Paulo Júlio ( n.r. secretário de Estado das Autarquias Locais) tenha dito que aqueles critérios são indicativos, uma primeira proposta para desencadear o processo. Espera-se que, localmente, surjam propostas concretas. Eu acho que é importante racionalizar a administração local. Mais do que um controle dos custos associados ao funcionamento das juntas de freguesia, vai ser um contributo para algo que, lamentavelmente, não aconteceu no passado, à escala dos municípios e das freguesias: um planeamento integrado do território.

P - Isso não é possível fazer-se com o actual número de freguesias?
R - Poderia ter sido e lamentavelmente não foi. Não se olhou para uma coope- ração das freguesias e dos municípios.

P - No caso de Braga, a passagem de 62 para 20 freguesias...

R - O método e os critérios da reforma administrativa são discutíveis. Por isso, acho que devia haver um trabalho de todas as forças partidárias para o melhor mapa possível. Temos de reconhecer que em Braga há freguesias com afinidades naturais e históricas, com equipamentos sociais e educativos de referência.

P - Há já assembleias de freguesias do concelho a manifestarem-se contra a reforma.
R - Eu compreendo essas reacções. Até poderão ser legítimas, mas aquilo que é o sentimento dos autarcas pode não traduzir fielmente o sentimento das populações sobre esta matéria. Há pessoas que sentem a agregação de freguesias quase natural. Devemos encontrar uma solução que cumpra o objectivo de reforçar o planeamento integrado do território.

P - Entre os autarcas de freguesia da coligação ‘Juntos por Braga’ há alguma tentativa de entendimento?
R - Há predisposições para.

P - Não teme estar a criar uma guerra com esses autarcas?
R - Eu não vou criar guerra nenhuma. Quem criou esta guerra foi quem incluiu esta reforma no memorando da troika e quem, logo a seguir, a assumiu no seu programa eleitoral. Uma reforma deste tipo não pode ser apenas de um partido, tem de ser consensualizada com a sociedade civil.

P - Acredita que a reforma vai por diante?
R - Acredito.

P - O presidente da Câmara de Braga afirmou que proposta dele são as actuais 62 freguesias...
R - Isso só demonstra o quão ultrapassado está Mesquita Machado nesta matéria.

P - Por que é que o Ricardo Rio não assume um mapa alternativo às 62 freguesias?
R - Um trabalho que eu acho notável nesta matéria é o que está a ser feito na Póvoa de Lanhoso. A Assembleia Municipal constituiu uma comissão com todos os partidos e técnicos da Câmara. Esta reforma tem que ter alguma racionalidade que só se consegue com uma sustentação técnica. Braga devia seguir esse modelo.

P - Acha que é uma redução de 62 para 20 freguesias é aceitável?
R - Não é fugir à questão, mas é muito difícil, de uma forma genérica, avaliar esse tipo de redução. Depende de quais sejam as competências das freguesias, de como elas serão estruturadas no futuro. Não percebo o discurso do presidente da Câmara que admite fusões nas freguesias urbanas e não nas freguesias rurais. Freguesias que servem 10 ou 20 mil eleitores são inúteis?

P - Nas zonas urbanas, as competências das juntas de freguesias diluem-se nas das câmaras.
R - Está a olhar para a realidade de Braga. Defendo há muito o reforço das competências das juntas por delegação da Câmara. A coligação, no mandato anterior, apresentou um conjunto de iniciativas a protocolar voluntariamente entre a Câmara e as juntas, que cumpria um protocolo entre as associações nacionais de freguesias e municípios. Foi reprovado pela maioria socialista.

P - Será um dano para Braga não se avançar com uma comissão eventual para a reforma administrativa?
R - Julgo que sim.

P - Vai imputar essa responsabilidade ao presidente da Câmara?
R - Não tanto a Mesquita Machado. António Braga, que era membro do Governo que assinou o memorando com a troika e que é o presidente da Assembleia Municipal, tem nesta matéria uma responsabilidade particular. António Braga devia ter tido a responsabilidade de dar o seu contributo sobre esta matéria.

P - A bancada do PSD na Assembleia Municipal não vai propor a criação da comissão?
R - Ela já foi proposta pela bancada do CDS/PP.

P - A reforma da administração local aponta para a redução do número de vereadores. Acha possível governar a Câmara de Braga com menos vereadores?
R - Acho.

P - A Câmara de Braga tem vereadores a mais?
R - A questão não é ter vereadores a mais ou a menos. Ter vereadores a mais até poderia potenciar uma maior representatividade. Repare que a mudança da eleição da Câmara a partir da Assembleia Municipal vai potenciar isso. Ninguém se iluda que nas próximas eleições autárquicas será mais difícil qualquer força partidária conseguir uma maioria.

P - Partindo da sua convicção de que vai ganhar as próximas eleições, está ciente de que poderá governar em maioria relativa?
R - Estou. Não vejo nenhum óbice a que a governação da Câmara seja feita numa base minoritária, porque sinto-me capaz de uma postura de diálogo com as outras forças partidárias, o que, de forma indesmentível, Mesquita Machado não tem.

P - A coligação ‘Juntos por Braga’ já manifestou algumas dúvidas e inquietações sobre a organização da Capital Europeia da Juventude. O que é que receia em concreto?
R - Quando a coligação apresentou, no anterior mandato, a ideia da Capital Europeia da Juventude deu algo ao actual executivo municipal para poder dizer que tem alguma realização. Felizmente que assim é. Quando apresentámos essa proposta tínhamos um objectivo claro: usar a Capital Europeia como alavanca reformadora das políticas para a juventude do concelho, que é algo transversal. Nessa matéria, a Capital Europeia da Juventude não está a prometer ser esse elemento de reforma. Em segundo lugar, uma iniciativa como esta teria que ser construída, desde a primeira hora, numa lógica de participação das associações mais representativas do público jovem. Aquilo que nós constatamos no terreno é que várias associações vêm expressar o seu lamento por não serem envolvidas na Capital Europeia da Juventude.

P - O modelo utilizado em Braga, diferente do da Capital Europeia da Cultura em Guimarães, não é garante de um resultado menos polémico no que respeita ao envolvimento das instituições?
R - Não sei. Temos que relativar. Olhando para os orçamentos, uma Capital da Juventude com 1,5 milhões de euros mais as comparticipações de fundos comunitário não tem comparação com uma Capital da Cultura que tem 100 milhões de euros.

P - Com esse orçamento limitado como é que a Capital Europeia da Juventude pode ser o tal motor reformista?
R - Essa reforma das políticas municipais não carece de recursos, carece sim da alteração dos objectivos e das iniciativas. Enquanto evento, a Capital Europeia da Juventude poderia sobreviver com uma capa diferente: com o vereador da Juventude e os seus assessores sem serem presidente e administradores de uma fundação. Não queremos usar estas questões em volta da Capital Europeia da Juventude para denegrir o evento e projectar uma imagem negativa de Braga. Apesar de alguns procedimentos não estarem a ser o mais rigorosos e transparentes, não é isso que pode por em causa o sucesso do evento.

P - Teve até há bem pouco tempo uma colaboração com a organização de Guimarães Capital Europeia da Cultura, situação que provocou polémica nos meios políticos. Voltava a aceitar essa colaboração?
R - Voltava. Aquilo que me levou a ser recrutado pela Fundação Cidade de Guimarães foram os meus atributos profissionais. A polémica política que se instalou só atestou alguma capacidade de influência do PS de Braga sobre o PS do distrito. O incómodo da minha contratação verificou-se mais no PS de Braga do que no de Guimarães.

P - A não renovação da sua assessoria deveu-se a questões políticas?
R - Exclusivamente. Como é óbvio.

P - Quando o contrataram foi para continuar até final de 2012?
R - O contrato inicial era até final de Junho de 2011, embora esta actividade pudesse vir a ser prolongada.

P - O antigo e o novo Hospital de Braga. Qual é o seu projecto para o espaço do antigo hospital que está devoluto, sendo certo que o edifício é da Misericórdia?
R - Precisamente por isso reuni com os responsáveis da Misericórdia. O que me transmitiram é que uma série de oportunidades para o aproveitamento das instalações tinham-se gorado pelo retardar da libertação das mesmas. Esta questão merece o empenho claro da Câmara a dois níveis. Em primeiro lugar, o aproveitamento de parte das instalações por parte da Câmara.

P - Isso traria mais encargos para a Câmara.
R - A renda de todo o hospital era de 25 mil euros...

P - O que é que a Câmara poderia transferir para o antigo hospital?

R - A nossa proposta é a de instalação de um centro cívico, um espaço de acolhimento de associações e colectividades. A criação de uma comissão com as principais instituições da cidade para estudar o aproveitamento das instalações é uma boa ideia. Pelo facto de não encontrarmos ainda uma solução, estamos a assistir as consequências devastadoras no comércio da zona envolvente do antigo hospital. Lamentável foi chegar-se a este ponto.

P - Mas o principal impecilho neste processo foi o próprio Estado ao não informar a tempo a Misericórdia das suas intenções.
R - Uma questão que é objectiva: havia uma informação pública de que o novo hospital abria em Maio de 2011.

P - Quanto ao novo hospital, têm surgido muitas queixas sobre o seu funcionamento. O que deve ser a actuação do município nesta área?
R - O município falhou em vários momentos deste processo, desde logo ao não tomar uma posição mais vigilante sobre a concretização da obra e falha agora ao não diligenciar que o investimento seja rentabilizado da melhor forma. 
Mas não podemos generalizar e pensar que tudo está mal no novo hospital que deu um contributo positivo para a prestação dos cuidados de saúde no concelho.

http://www.correiodominho.pt

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Salvar o fogo!

A actual crise é como um incêndio à nossa porta. Que fazer? Como defendia o poeta Jean Cocteau, temos que salvar o fogo!

Temos que ter a capacidade de olhar para o interior desta situação sem ser de uma forma unívoca.
Ouvimos os economistas. Tenho o maior respeito por esta procura humana de encontrar soluções, que me toca! Mas, não podemos deixar a reflexão só aos economistas, os novos “sacerdotes” ( agora, são eles que falam de milagres e parece que têm a solução dos problemas ).

Concordo que problema nº 1 é o desemprego.

O problema ( da crise ) é quando o nosso sofrimento nos impede de olhar para as nossas alegrias. Quando a carência, as dificuldades, o desânimo, a exaustão não nos permitem ser humanos. Perder a capacidade de olhar para o fundamental. É importante olhar para a crise e perceber como é importante olhar para o que temos. E deixar de demonizar o mundo! Parece que estamos em catarse, com medo de olhar para a pobreza!

Precisamos de profecia!
Precisamos – como na idade Média – de ordens mendicantes, de quem diga: bendita pobreza!
O problema, o modelo subjacente, é vivermos num certo patamar. Demonizar a pobreza. A maior parte da população humana vive uma vida digna de ser vivida com muito menos daquilo que nós desperdiçamos. E a vida continua a ser vida!
Por isso, a reflexão sobre os modelos, sobre a transformação, deve ser alargada. Esta deve ser uma hora de ousadia!

Gás África, voluntariado de estudantes, com bom nível económico: têm o contacto com a pobreza o que os torna melhores pessoas!
A pobreza toca-nos na nossa humanidade! E nós estamos a desperdiçar capital humano!...Os homens nunca viveram todos em inclusão. Nós nunca tivemos uma sociedade justa. Nunca, em nenhum período da história.

Voltar aos anos 80 é uma ilusão. Temos que sonhar com o futuro!
E perceber que a vida é um laboratório de humanidade, onde podemos acolher experiências, gramáticas, sabedorias que nós neste momento desvalorizamos.

Uma sociedade onde o grau de felicidade seja tabelado pelo PIB e pelos rendimentos económicos é uma sociedade que, em termos humanos, é tremendamente deficitária! Precisamos duma reflexão mais vasta.

Precisamos dum humanismo que nos conduza à criatividade. Precisamos de ensaiar.
Somos toda uma geração “à rasca”! Que este seja um momento de parto, o momento inicial. Há grupos, energias que nos podem sinalizar futuros diferentes. Temos que trilhar novos caminhos.


Pe. José Tolentino de Mendonça,
excertos duma entrevista na rtp1, Abril 2011

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

“É absolutamente necessária uma reorganização administrativa do Estado”

A Coligação Juntos por Braga vai lançar, a partir da presente semana, um conjunto de iniciativas com os seus autarcas, especialmente os das freguesias, no sentido de analisar todo o processo, já em curso, relativo à proposta de extinção de Juntas de Freguesia. A notícia foi avançada aos jornalistas pelo líder da Coligação, Ricardo Rio, no decorrer da conferência de imprensa que se seguiu à reunião do executivo camarário.

Questionado sobre o que pensa sobre o processo de reorganização administrativa do país, Ricardo Rio optou por falar em nome pessoal, desde logo fazendo questão de afirmar que “não compreende” como é que “agora tantos autarcas – muitos deles com grandes responsabilidades – do Partido Socialista vêm fazer coro contra a fusão ou extinção de freguesias, quando no próprio programa eleitoral com que o PS se apresentou ao eleitorado nas últimas eleições esta matéria já constava, para já não falar que se trata de um assunto inscrito no memorando da Troika assinado pelo Governo de José Sócrates".

Por isso, desde logo há que realçar – disse Rio – que “esta é uma questão incontornável, com a qual todos teremos de nos debater”. O que não pode acontecer – disse – “é a rejeição pela rejeição, porque isso daria oportunidade, em última instância, a uma decisão por via administrativa, o que poderia ser muito mais prejudicial do que à primeira vista pode parecer, sendo que a responsabilidade do novo mapa autárquico tem necessariamente de passar pelas Assembleias Municipais”.

Salientando que “é absolutamente necessária uma reorganização administrativa do Estado”, Ricardo Rio considera que “uma maior eficiência com esta reorganização” e “uma maior racionalização dos investimentos” pode ser alcançado através desta proposta que está a ser analisada na praça pública, mas já tem dúvidas quanto à “maior racionalização das despesas correntes”, porque a extinção de Juntas de Freguesias significaria “um valor muito residual”, estando provado que “o que move a esmagadora maioria dos autarcas não é o dinheiro”.

http://www.bracara2009.blogspot.com/

A Idade do Armário

«É preciso afastar a ideia de que eles já não gostam de nós»

Em entrevista ao Destak, Penélope Villar, psicóloga e co-autora do livro 'A Idade do Armário', desmistifica esta fase da vida temida por muitos pais. E deixa a garantia: é possível sobreviver à idade do armário. Quanto às muitas outras questões e dúvidas, as respostas estão no livro.


O que é a idade do armário? Não é mesma coisa que adolescência?

A Idade do Armário é a fase de transição entre a puberdade e a entrada na adolescência. É aquela idade em que os filhos já não crianças, mas também ainda não são adolescente

Estão as crianças de hoje a tornar-se adolescentes mais cedo?

É uma pergunta difícil de responder… Acredito que as pressões que os pré-adolescentes de hoje sentem, são as mesmas de sempre – lidar com as suas mudanças corporais, vontade de ser aceite pelos pares, despertar de novas emoções e sentimentos, desejo de “libertação” dos pais e da família. No entanto, a forma como estas pressões se manifestam hoje em dia é seguramente diferente. Hoje a afirmação passa por um conjunto de bens materiais (roupa e vestuário de marca, telemóveis, etc.) e meios (internet, redes sociais, etc.) que são recentes e que colocam novos desafios a pais e filhos. Simultaneamente, tudo isto acontece mais cedo.

Como se explica esta mudança?

Na sociedade de hoje tudo tende a acontecer mais depressa e de forma mais exigente. Se as mudanças físicas da pré-adolescência ocorrem num intervalo de idade que se mantém constante (entre os 10 e os 15 anos sensivelmente), já as mudanças sociais e emocionais tendem a ser antecipadas. Os nossos filhos são expostos cada vez mais cedo ao uso de telemóveis ou da internet, e as suas «teias sociais» são hoje mais influenciadas por modelos apresentados na televisão ou internet.

As mudanças são tantas e complexas, que os pais acabam embalados na montanha russa de emoções. Qual a melhor forma para os pais lidarem com elas: dando muita importância ou tentando não levar tão a sério?

No meio estará a virtude! Talvez ajude lembrar que o papel dos pais é o de orientar os filhos, num percurso que é o deles. Os filhos, e os pré-adolescentes em particular, necessitam de sentir firmeza da parte dos pais – não num sentido de rigidez, mas sim no sentido de perceberem que as regras definidas são para cumprir, que eles têm obrigações e que têm de aprender a regular o seu comportamento à medida que transitam para a idade adulta.

A questão do sexo deve ser uma das que mais assusta os progenitores. Há alguma fórmula que indique quando e como se deve abordar este tema ou os educadores devem agir de acordo com os seus instintos?

Um bom indicador para falarmos de sexo com os nossos filhos é sempre que eles nos procurem para tal. Seguir o ritmo deles é uma boa estratégia , até porque nos permite sentir melhor o que os preocupa. Talvez as suas perguntas sejam esquivas ou indirectas. Ou pelo contrário, talvez nos abordem de forma muito directa e desproporcionada. Acima de tudo, não devemos desperdiçar esta oportunidade em que nos procuram para obter respostas aos seus medos, anseios ou simples curiosidade. O único cuidado a ter, é adequar a linguagem que usamos e a informação transmitida, de modo a que possa ser válida para os nossos filhos. Fugir ou ignorar as perguntas dos filhos sobre sexo, só fará com que eles procurem as respostas noutro lado… e nós não queremos isso, pois não?

No que diz respeito às modas (ao desejo de ter um corte de cabelo diferente, de usar as calças a cair...), elas sempre existiram. Como se deve lidar com elas, sobretudo quando vão um pouco além do que pode ser considerado um limite?

Dentro dos limites do razoável, estes movimentos de emancipação são positivos e desejáveis! E mesmo que nós enquanto pais não entendamos algumas destas modas ou não concordemos totalmente com elas, a verdade é que não há grande mal se deixar o seu filho cortar o cabelo de forma mais esquisita – afinal, se não for agora que vai usar um corte de cabelo estranho, quando será? Acima de tudo, os pais devem tentar estabelecer limites «prévios» daquilo que consideram tolerável ou não, pensando na segurança e bem estar dos seus filhos. Isso ajuda-os a saber o que permitem ou não, poupando-os ao desgaste causado por estes pequenos devaneios, próprios da idade.

Na sociedade em que vivemos, em que a velocidade é uma constante, como é que os pais se podem sentir menos culpados?

De facto, se não reservarmos algum do nosso tempo e disponibilidade para estar ou simplesmente ouvir (com atenção!) os nossos filhos, é normal que nos sintamos mais culpados… A vida hoje em dia é muito exigente em termos de tempo, para nós e, a partir desta idade, também para os nossos filhos. Por isso, nada como estabelecer alguns rituais simples para estarmos em família, junto dos nossos filhos. Criarmos compromisso com os nossos filhos, nem que seja necessário “marcar na agenda” uma hora que vai ser inteiramente reservada para estar com os filhos. A hora do jantar, por exemplo, é uma excelente oportunidade – em vez de jantar qualquer coisa à pressa, em frente à televisão, porque não criar o hábito de sentar todos à mesa e dar espaço para que cada um fale um pouco do seu dia?

Os castigos funcionam nesta fase da vida?

Desde que sejam justos e adequados, sim. Os pré-adolescentes ainda precisam de regulação e os pais devem ser claros e firmes no estabelecimentos de regras e limites. Assim, se os pré-adolescentes ultrapassam os limites ou quebram as regras que estão definidas, devem saber que isso implica uma consequência – um castigo. Estabelecer regras que são sistematicamente quebradas ou prometer castigos que depois não são cumpridos, é um erro grave que os pais devem evitar.

O que é que os levou a escrever este livro e sobretudo a esquematizar, da forma como o fizeram, os problemas?

Este livro nasceu da experiência que temos na nossa prática diária. Temos o privilégio de lidar com pais que nos procuram para partilhar as suas dúvidas e dificuldades, o que nos levou a estruturar este livro de forma a guiar os pais para que encontrem dentro de si respostas concretas a problemas reais. Não queríamos um livro teórico ou instrutivo que “ensinasse os pais a serem perfeitos”.

Que conselho daria aos pais que se preparam para enfrentar esta idade do armário?

Acreditamos que todos os pais querem o melhor para os seus filhos, apesar de por vezes não saberem como o fazer. Por isso, há que respirar fundo - esta é apenas mais uma fase de transição, a que se vai sobreviver, como sobreviveram os nossos pais. Talvez o melhor conselho seja afastarmos a ideia de que eles já não gostam de nós, só porque estão a tornar-se adultos e com vontades próprias. Devemos mostrar sempre o nosso amor pelos nossos filhos, mesmo quando parece que eles não «ligam» a isso…

Carla Marina Mendes
cmendes@destak.pt, 13 | 10 | 2011

A esquerda francesa

Ciclo, reciclo... ou novo ciclo?

Vaticinei há cerca de quinze dias que, com a vitória na Dinamarca da coligação de esquerda liderada pelos socialistas, se poderia estar a esboçar um novo ciclo político na União Europeia, e que a previsível próxima vitória da direita em Espanha poderá marcar o crepúsculo de uma década de indiscutível predomínio ideológico e político.

A primeira volta das "primárias" francesas, no último fim-de-semana, em que os socialistas foram chamados a escolher o seu candidato às presidenciais, veio reforçar esta impressão. Em França tudo parece agora encaminhar-se para uma possível (ainda que muito difícil) vitória da esquerda nas presidenciais francesas de Abril do próximo ano.

Com efeito, vença quem vencer estas "primárias", François Hollande ou Martine Aubry - a 2.ª volta será no próximo domingo -, a decisão final colocará frente a Nicolas Sarkozy alguém que todas as sondagens dão, neste momento, como podendo ganhar as próximas presidenciais francesas. A que se poderá seguir, também a julgar pelas sondagens, a dos socialistas alemães, o que - sobretudo num quadro em que Obama consiga a reeleição - alterará profundamente a situação política que hoje conhecemos.

Os socialistas franceses conseguiram nestas inéditas "primárias" uma mobilização extraordinária: um partido de cerca de 120 mil militantes conseguiu implicar na escolha do seu candidato presidencial dois milhões e meio de franceses, ou seja, cerca de vinte vezes mais franceses do que os militantes que tem.

Isto é impressionante, mas é sobretudo um grande sinal para a esquerda francesa, para a qual se começa a desenhar uma nova oportunidade histórica de grande significado nacional e europeu. Caíram assim por terra os palpites de tantos analistas e comentadores sobre a indiferença dos franceses com umas "primárias" tipicamente americanas, sobre os efeitos do caso Strauss-Kahn, sobre a falta de carisma dos candidatos, etc., numa lenga-lenga que é por demais conhecida.

O facto é que os socialistas franceses conseguiram inovar e motivar politicamente os franceses. Para isso muito contribuíram três factores. Em primeiro lugar, a desastrosa condução política de Nicolas Sarkozy, perdido entre um voluntarismo maníaco e uma conjuntura inesperada. (O slogan central da sua campanha de 2007 tinha sido "trabalhar mais para ganhar mais"!...) Depois, a crise internacional e europeia, cujos efeitos têm ameaçado cada vez mais a França e a sua notação financeira "triplo A". Por fim, a capacidade de abertura, de autocrítica e de formulação de novas propostas, de que os socialistas franceses deram prova nestes anos de oposição.

A liderança de Martine Aubry foi, neste ponto, decisiva. Política muito experiente (n.º 2 no Governo de Lionel Jospin, deputada e presidente da Câmara de Lille), Aubry apostou tudo, desde o primeiro minuto da sua liderança, por um lado na compreensão das razões porque a esquerda tem perdido a batalha das ideias; e, por outro lado, na convicção de que só um trabalho sério no plano das ideias poderia conduzir a uma nova proposta global capaz de mobilizar a França.

Como outros partidos socialistas e sociais-democratas que decidiram cortar com os impasses que se foram acumulando no decorrer da última década, também Martine Aubry adoptou o ponto de vista do futuro, abrindo o partido à discussão com os cidadãos e à dinâmica dos "laboratórios de ideias", onde pessoas das mais diversas proveniências colaboram com o objectivo de tornar mais compreensível o mundo em que vivemos, e sobretudo mais claro o mundo em que queremos viver, procurando assim dar um rumo mais definido e estimulante à acção política.

Nada disto se consegue sem abordar de frente e discutir com abertura a actual desordem do mundo, a crítica do capitalismo, as consequências da globalização, o papel do Estado e a revitalização da democracia, os retrocessos da igualdade e a teia da economia da dívida.

Como se sabe melhor do que se pratica, não é com ideias velhas que se ultrapassam os impasses e as crises. É com a coragem das ideias que, mais do que proclamarem-se novas, consigam provar que efectivamente o são, fazendo-o através do debate, da deliberação e da eficácia.

Não é reciclando ideias gastas que se conseguem abrir novos ciclos - é esta, para já, a principal lição a tirar das primárias da esquerda francesa.

por MANUEL MARIA CARRILHO,
http://www.dn.pt/inicio/opiniao

Ça commence fort

Hollande et Aubry, directs mais corrects

Une maire de Lille plus offensive, un député de Corrèze plus rassembleur, les deux finalistes de la primaire du PS se sont affrontés hier sur France 2.

Ça commence fort. François Hollande : «Je connais Martine depuis longtemps.» «Je n’étais pas sur tes genoux», corrige Martine Aubry. David Pujadas vient de leur demander si les deux finalistes de la primaire se détestent autant que la presse l’écrit. La maire de Lille reconnaît des relations «amicales et franches». Et Hollande préfère parler de respect «en ce qui [le] concerne».

Elus à l’Elysée, ils pourraient donc nommer l’autre à Matignon, s’enquiert, perfidement, David Pujadas ? «Je pense qu’il faut un Premier ministre plus jeune que moi», dégaine la maire de Lille. «Je suis plus jeune que toi», plaisante Hollande pour qui, cependant, contexte de crise oblige, le choix d’un Premier ministre «n’est pas un arrangement, une combinaison». De fait, à mesure que l’émission avance, l’objectif de Hollande se précise : enfermer Aubry dans le rôle de Première ministre. Technique mais pas politique quand lui s’essaie au parler présidentiel avec ses «grandes causes»et ses «pages d’histoire».

Peut-on vraiment s’attendre à ce que le vaincu du deuxième tour soutienne le vainqueur ? «Dès lundi, nous serons tous unis», assure Aubry, qui entend reprendre son poste de première secrétaire du PS et rappelle qu’à ce titre, c’est elle qui a organisé la «convention d’investiture» du grand pardon, prévue pour le 22 octobre. L’unité, «c’est une évidence et une exigence», confirme Hollande. «Il ne peut pas y avoir de victoire sans unité.»

Thèmes. Le décor est planté, les candidats se cherchent, assis «en triangle» sur le plateau. Ni face à face comme l’aurait aimé Aubry, ni côte à côte comme le souhaitait Hollande. Avant de passer aux quatre thèmes préétablis du débat : économiques, social, politique européenne et internationale et «quelle présidence pour 2012».

David Pujadas met les pieds dans l’actualité socialiste du jour. Ségolène Royal vient d’appeler à voter «massivement» pour Hollande au second tour. «C’est Ségolène, elle rebondit immédiatement», salue Aubry, ni «déçue» ni mauvaise joueuse. Faute d’avoir reçu le soutien de Royal, elle vise ses électeurs : la primaire, «c’est la liberté donnée au peuple de gauche», martèle la candidate. Au tour de Hollande, qui salue les idées portées par son ex-compagne. «Des responsabilités, elle en aura», s’engage-t-il l’air relax.

On entre dans le vif du sujet. «J’ai dit et je le redis, face à une droite dure, il ne faut pas une gauche molle», attaque Aubry. «Je ne sais pas ce que c’est que la gauche dure. Je n’en ai pas envie après cinq ans de présidence brutale.», réplique Hollande. Lui veut une «gauche solide», pas une «gauche sectaire». Un partout la balle au centre.

Inflexion.«Ce n’est pas le débat qui est gênant entre nous, c’est le flou», tape encore la maire de Lille. Notamment sur le non-cumul des mandats, qu’elle soupçonne Hollande ne pas vouloir instaurer. «Je le ferai. Il y aura le vote d’une loi», lance le Corrézien qui interroge : «Puis-je être plus clair ?»«Oui, je le pense», tacle sa rivale : «Je ne change pas mes propositions pour rassembler.»

Sur le «contrat de génération» de Hollande, l’ex-ministre de l’Emploi est formelle : «Tu n’auras pas d’accord, les syndicats sont contre, ça ne marche pas.» Mais sur les 60 000 créations de postes promises par Hollande, Aubry a beau taper du stylo sur sa feuille, elle s’y perd un peu. Pour elle, c’est incompatible avec la réduction du nombre de redoublements qu’il veut. «Ça veut dire qu’on retire par ailleurs des professeurs qu’on veut rajouter», patauge-t-elle.

Ils sont techniques et souvent d’accord. Sur les retraites, Hollande sort de son ambiguïté et approuve la liberté offerte à tous de partir à 60 ans avec décote. Une inflexion qu’elle n’exploite pas jusqu’à l’autoportrait élyséen final. Il veut incarner «une présidence solide, qui puisse être solidaire et respectueuse». Elle revendique aussi la solidité mais pas la même : «On a confiance en moi parce que je ne change pas de position. La solidité c’est aussi la clarté.» Et revient une fois de plus sur son expérience gouvernementale. «Chacun a son expérience et sa clarté, ce sera mesuré dimanche», défie Hollande.

Par MATTHIEU ECOIFFIER, LAURE BRETTON
http://www.liberation.fr/politiques/01012365404

«Esquerda mole»

Presidenciais 2012 - França
(Os candidatos do PS francês)

Voici des extraits du débat qui a opposé hier soir Martine Aubry à François Hollande.

L’après-primaire
Quel que soit le résultat du second tour de cette primaire, les deux candidats jurent de leur loyauté. «Nous ferons camp l’un pour l’autre», déclare Martine Aubry qui souligne «avoir organisé dès lundi la convention de l’union après ces primaires». «C’est une évidence et une exigence. Une exigence parce qu’il n’y aura pas de victoire sans unité», renchérit François Hollande.

Gauche molle
Aubry : «Je n’ai pas besoin de m’expliquer pour dire que je ne suis pas une gauche molle.» «Je ne me suis pas senti visé quand Martine a parlé de gauche molle, réagit Hollande. Mais je ne sais pas ce que c’est qu’une gauche dure […]. Je pense que le pays a besoin d’être apaisé, réconcilié. Mais je ne veux pas non plus une gauche molle. On n’a pas besoin d’un gauche timide. Je veux une gauche qui soit solide […]. Il faut d’abord être crédible […]. Je suis dans une gauche solide et sincère.»

La règle d’or
Aubry attaque : «Quand je parle d’une gauche forte, ce que je ne veux pas, c’est le flou. Par exemple sur la règle d’or qu’avait proposée Sarkozy, tu as dit qu’il fallait la reprendre», accuse-t-elle. «Je ne suis pas pour inscrire la règle d’or dans la loi de finances, moi, j’ai dit que je veux réduire les déficits publics et relancer la croissance. 50% iront pour la réduction des déficits et 50% pour financer l’éducation, etc.»

L’économie
Martine Aubry : «Avec 90 milliards de déficit, il faut trouver 30 milliards. Je pense qu’on trouvera 20 milliards avec des niches fiscales en moins. Les 10 autres milliards viendront de la croissance…» Réponse de François Hollande : «Je suis contre la dette. Je préfère payer des professeurs que de payer les intérêts de la dette.» Martine Aubry n’est pas convaincue : «On baisse les dépenses publiques et on cogne sur les couches populaires. On réduit alors le déficit public la première année, mais on casse la croissance […]. J’aurai deux yeux pour regarder le déficit public et le déficit d’emploi.»

François Hollande embraye sur son «contrat de génération», soit «la possibilité pour un employeur qui garde un senior […] et embauche un jeune en CDI» d’être exonéré de charges pendant trois ans. Il se dit aussi «d’accord avec les [300 000] emplois d’avenir», inscrits dans le projet du Parti socialiste, «mais il faut les mettre dans les quartiers où il y a 40% de chômage !» «Tout système fondé sur des exonérations de cotisations sociales pour les jeunes n’a jamais marché. C’est une nouvelle niche fiscale», répond Martine Aubry.

Les banques
Martine Aubry: « nous l'avions dit en 2008: lorsque l'Etat
a apporté 20 milliards aux banques, au lieu de le faire sans droit de vote, il faut acheter des actions, pour entrer au conseil d'administration. Deuxièmement, il faut une loi qui distingue les banques de dépot des banques de marché ». Et pour bien montrer qu'elle a des connexions internationales, elle ajoute: « j'étais avec Paul Rassmussen, le président du parti socialiste européen, hier au téléphone. Il m'a dit: Martine, il ne faudra rien céder. Tout l'argent qui ira au banque, il faut qu'il aille dans l'économie réelle ».« Cela va être une question d'immédiate actualité », réplique François Hollande. Dans quelques jours, le défaut partiel de paiement de la Grèce devrait être constaté. Il faudra recapitaliser les banques, et ce devrait être aux actionnaires privé de le faire. Mais s'ils ne peuvent pas le faire, que ce soit au niveau du Fonds européen de stabilité financière ou de l'Etat, il faut une présence au capital, et un droit de veto ». Pas de différence de fond donc sur ce sujet, juste de présentation.

La question sociale
Martine Aubry laisse venir François Hollande,
pour mieux souligner les différence entre leurs propos. «Il faut pénaliser financièrement les licenciements boursiers », explique le député de Corrèze. «Ce n'est ni pénal ni administratif, c'est une mesure fiscale. Mais, deuxième disposition, comme l'action judiciaire est lente, il faut que les salariés puissent lancer une procédure en référé pour suspendre très vite les licenciements ». « Je pense que Ségolène Royal a compris que François Hollande reprenait ses propositions. C'est ce qu'elle m'a dit » intervient Martine Aubry: « moi je reste fidèle à ce que j'ai toujours dit. Je propose qu'il y ait pour les salariés la possibilité de saisir le tribunal de Commerce, comme peuvent le faire les actionnaires ».

Les retraites«Il faut que les salariés puissent partir à 60 ans, mais avec une décote s’ils n’ont pas 41 ans de cotisation», rappelle François Hollande. «Il faut aussi donner la possibilité aux salariés qui ont les emplois les plus pénibles de partir plus tôt», attaque Martine Aubry, obligeant le Corrézien à préciser que le retour à 60 ans doit être suivi d’une négociation.

La fiscalité
La maire de Lille veut «créer très vite une tranche d’impôt supplémentaire de 50% au-dessus 100 000 euros. Mais dans le même temps, il faut baisser l’impôt pour les PME qui réinvestissent».Pour François Hollande : «La réforme fiscale doit être faite tout de suite pour s’appliquer dès 2013. Mais il y aura une augmentation des prélèvements.»

L’éducation
François Hollande : «C’est ma grande priorité. C’est la condition pour s’en sortir. 100 000 postes ont été supprimés, j’ai dit qu’il fallait en rétablir 12 000 par an.» Réponse de Martine Aubry : «Je ne comprends pas, tu crées 60 000 postes avec 2,5 millions de budget ?»

L’Europe
Tous deux appelés à répondre à la «démondialisation» d’Arnaud Montebourg. «Quand on est socialiste aujourd’hui, on voit les dégâts du libre-échange, attaque Aubry. Je propose une régulation de la mondialisation.» Pas de quitus à Montebourg, mais elle défend son «juste échange».

Le profil du Président
François Hollande : «A chacun de dire qui est le mieux à même de battre Sarkozy, le plus capable de rassembler.[…]Rien n’a été normal pendant ces cinq ans, rien n’a été juste. Je veux être le président de la justice.» Martine Aubry : «J’ai appris à Pechiney, à Lille, en étant deux fois ministre. Le "contrat génération", je le dis en toute amitié, ça ne marche pas. Sur le rassemblement, dont François parle beaucoup depuis quelques jours, j’ai trouvé un PS qui n’était pas rassemblé. Le flou est la pire des choses.»

Um processo que até pode ter um final feliz

A trama fatal

O poder político mudou de mãos e com essa mudança veio uma perspetiva completamente diferente de lidar com os problemas. Antes, por mais negros que fossem os números, havia sempre uma "explicação" a dar a volta aos piores cenários e todo um Governo a agir como uma espécie de comissão sempre em festa, desmultiplicando-se em eventos encenados com o rigor e o fausto próprios de quem não tem de olhar a contas. O povo percebeu que o teatro estava a conduzir o País para o precipício e mudou os protagonistas. Agora, temos justamente o contrário. Na atual maioria, ninguém desperdiça a oportunidade para nos lembrar que vivemos um calvário sem fim à vista. Mais, repetem com uma insistência que, às vezes, sugere laivos de sadismo, que "isto" ainda vai ficar pior, como se o inferno, sob a forma de desemprego, falência ou perda da casa, não fosse já tragédia suficiente na vida de centenas de milhares de portugueses. É óbvio que dizer a verdade é sempre a melhor opção, mas limitar a ação governativa à imposição de um plano de austeridade pode ser tão desastroso quanto infantilizar o exercício da governação. Em última análise, as duas atitudes, aparentemente antagónicas, podem mesmo convergir na medida em que desencadeiam mecanismos idênticos de paralisia social. Quando, no tempo de Sócrates, o poder se empenhava na ilusão de uma prosperidade inesgotável acabava por "matar" qualquer veleidade de mudança por parte dos cidadãos. Porquê mudar se está tudo bem e o futuro é radioso? Da mesma forma, a insistência obsessiva dos atuais governantes na austeridade e no sacrifício ajudam à depressão e ao desalento. Para quê mudar se, faça o que fizer, o futuro é negro?

Este clima negativo e deprimente já está a contaminar o próprio Governo. Perdeu-se o ímpeto inicial à medida que surgiram buracos orçamentais desconhecidos e que foram visíveis os primeiros sinais da tensão provocada pela pressão dos lobbies, agora mais do que nunca empenhados em não perder posições à mesa do orçamento. Com exceção das Finanças e do irrequieto Relvas, pouco se sabe sobre o que andam os ministros a fazer, mas a intriga palaciana já tratou de arranjar um bode expiatório - Álvaro Santos Pereira, o titular da Economia. Mais do que apontar as debilidades de um ministro, o fogo sobre Santos Pereira é revelador do estado de alma de um governo que parece perdido na trama fatal por ele próprio criada. Uma austeridade defendida ad nauseum que adquiriu vida própria, como se fosse um fim em si mesma e não uma simples etapa de um processo que até pode ter um final feliz.


Áurea Sampaio
13 de Out de 2011, http://aeiou.visao.pt/

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Passos Coelho diz que impasse na Eslováquia lhe está a provocar um "ataque cardíaco"

A primeira-ministra da Eslováquia revelou terça-feira que Pedro Passos Coelho lhe telefonou para lhe dizer que o impasse em Bratislava lhe estava a provocar "um ataque de coração", noticia o Financial Times no seu sítio na Internet.

O Parlamento eslovaco rejeitou terça-feira o reforço do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira, ameaçando o agravamento da crise da dívida na Zona Euro, noticiaram as agências internacionais.

Iveta Radicova é citada como tendo dito que foi contactada pelo primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, que lhe expressou a sua preocupação com o impasse e que o fundo era fundamental para permitir a consolidação das finanças portuguesas.

O resultado da votação implicou a queda do governo de centro-direita, que associara a aprovação do reforço do fundo a uma moção de confiança ao seu Executivo.

A Eslováquia é o único país da Zona Euro que ainda não aprovou o reforço do fundo de resgate europeu, que exige a unanimidade dos seus 17 Estados membros até meados de outubro.

Mas já esta noite, a primeira-ministra cessante e o líder do principal partido da oposição acordaram em iniciar negociações com vista à aprovação do reforço do fundo de resgate europeu.

"Decidimos que temos de o fazer o mais rápido possível", afirmou Iveta Radicova, citada pela agência AP.

O líder do principal partido da oposição, o social-democrata Robert Fico, vincou que "a Eslováquia tem que aprovar o [reforço] do fundo".


Por Agência Lusa, 12 Out 2011

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Jasmim paira no ar

Sirte, um dos últimos redutos de Kadhafi, prestes a cair

SIRTE, Líbia — As forças do novo regime líbio se preparavam nesta segunda-feira para tomar o controle total de Sirte, após se apoderar no domingo da universidade e de um centro de conferências desta cidade, um dos últimos bastiões do coronel Muamar Kadhafi.

Na segunda-feira de manhã, na frente nordeste, onde o novo regime controla boa parte do trecho voltado para o mar, uma coluna de dezenas de combatentes do Conselho Nacional de Transição (CNT), apoiados por tanques, avançou facilmente em direção ao sul mais ou menos um quilômetro, segundo um jornalista da AFP no local. (...)

Por Hervé Bar e Rory Mulholland (AFP)

O PS cumpre sempre as suas promessas?...

Ricardo Rio cita a piscina olímpica entre outros casos
Um “memorial de despesismo socialista que está prestes a findar na Câmara de Braga"


O caso das obras da piscina olímpica de Braga representa, por si só, “um memorial do despesismo socialista que está prestes a findar na Câmara Municipal de Braga”. Foi este um dos exemplos que o líder da Coligação Juntos por Braga, Ricardo Rio, apresentou hoje aos jornalistas, no final da reunião do executivo camarário, simbolizando “as inúmeras situações que figuravam no compromisso eleitoral dos socialistas e que continuam por desenvolver", quando no próximo dia 11 se completam dois anos sobre as mais recentes eleições autárquicas.

Questionado pelos jornalistas sobre o que faria, se estivesse no poder, relativamente ao projecto da piscina olímpica, Ricardo Rio foi peremptório ao afirmar que “não gastaria os 12 ou 13 milhões de euros para terminar esta piscina olímpica porque com essa verba certamente se poderia construir duas ou três piscinas idênticas em pontos distintos do concelho”. Para o líder da oposição na Câmara de Braga, “a questão fundamental esteve na base do projecto – não se questionando a utilidade ou conveniência de uma piscina olímpica em Braga”.

Outro “exemplo flagrante” dado por Ricardo Rio relaciona-se com o Parque de Exposições de Braga (PEB) e aqui o líder da Coligação disse claramente que “a Câmara de Braga e a maioria socialista estão a desresponsabilizar-se notoriamente do futuro do PEB”. Recordando que o PEB “está desde 2005 a aguardar uma intervenção de requalificação que viabilize a sua revitalização”, Ricardo Rio disse que até agora a Câmara “nada fez quanto a este assunto” e que a única intervenção visível naquele espaço “não teve a ver com a vertente de feiras e exposições do PEB mas sim com a zona envolvente”. Quanto ao cerne da actividade fulcral do PEB, “todas as queixas – que vêm ainda da anterior administração – não têm tido resposta e dessa forma prejudica-se a capacidade de aproveitamento da actividade daquela empresa municipal”. Segundo Ricardo Rio, “o que nos foi informado pela Câmara de Braga é que a autarquia está à espera que esta administração do PEB seja capaz de dar uma nova dinâmica à empresa e só depois actuar”. Ora, sustenta Ricardo Rio, “parece-nos que aqui está a inverter-se a lógica das coisas e, assim, a Câmara está já a desresponsabilizar-se do futuro do PEB”. (...)

A dotação para um novo quartel dos Bombeiros Sapadores, a conclusão do Parque Urbano Norte (com a já referida piscina olímpica), a criação de um parque arqueológico ou mesmo o Complexo das Sete Fontes foram outras das matérias lembradas por Ricardo Rio como estando “sem qualquer desenvolvimento prático” ao fim de dois anos de mandato da maioria socialista na Câmara de Braga.

Quartos de final

E pronto: aí estão os quartos de final do Mundial de rugby. Irlanda-Gales e França-Inglaterra amanhã, África do Sul-Austrália e Nova Zelândia-Argentina no Domingo. Não há grandes surpresas e os oito apurados correspondem ao ranking da International Board antes de Setembro, mas a fase de grupos proporcionou alguns resultados gloriosamente inesperados. A derrota da França com Tonga, uma ilha do Pacífico que deve ter menos habitantes do que o número de inscritos na Federação Francesa de Rugby, foi um momento alto, mais ainda do que a vitória dos irlandeses sobre os Wallabies, causa da verdadeira final antecipada entre estes e a África do Sul, a quase vitória de Gales sobre os Springboks, só falhada à conta de um pontapé galês que o árbitro foi o único a não ver passar entre os postes, ou da épica resistência de Samoa contra os mesmos Boks e da Argentina contra a Inglaterra. (...)

por Pedro Picoito,
http://cachimbodemagritte.com

CDS: "Nada ficará igual na Madeira"

O CDS-PP na Madeira está em festa, este início de noite, com o seu líder, José Manuel Rodrigues, a anunciar que depois destas eleições "nada ficará igual na Madeira".

"Em quatro anos o PSD perdeu 15 % dos votos", fez questão de lembrar José Manuel Rodrigues, num discurso muito aplaudido pelos apoiantes presentes.

"O CDS quadruplica o número de votos e de deputados", afirmou.

Os centristas madeirenses conquistaram nove deputados, com 17,63% dos votos expressos. "É um resultado histórico", disse o líder centrista da Madeira.

José Manuel Rodrigues garantiu ainda que fará "uma oposição construtiva" e assumir-se-á como "uma alternativa democrática [ao PSD], a começar já nas autárquicas de 2012".

*Jardim: Maioria absoluta, mas com menos de 50% de votos
*António José Seguro assume "resultado muito negativo"
*Jerónimo de Sousa reconhece "resultado negativo"
*Louçã assume "uma derrota" do Bloco de Esquerda


http://www.dn.pt/politica/

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Lisboa segundo Tomas Tranströmer

*****


Lisboa

No bairro de Alfama os eléctricos amarelos cantavam nas calçadas íngremes.
Havia lá duas cadeias. Uma era para ladrões.
Acenavam através das grades.
Gritavam que lhes tirassem o retrato.

“Mas aqui!”, disse o condutor e riu à sucapa como se cortado ao meio,
“aqui estão políticos”. Vi a fachada, a fachada, a fachada
e lá no cimo um homem à janela,
tinha um óculo e olhava para o mar.

Roupa branca no azul. Os muros quentes.
As moscas liam cartas microscópicas.
Seis anos mais tarde perguntei a uma senhora de Lisboa:
“será verdade ou só um sonho meu?”

Tomas Tranströmer, Nobel literatura 2011

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Todas estas crianças no deserto

Agradecemos ao P. Luís Ferreira do Amaral, sj a cedência desta entrevista anteriormente publicada no seu blogue.
Nova Missão do JRS para Refugiados da Somália


Publico hoje uma entrevista ao Pe. Frido Pflueger SJ, Director do JRS para a África Oriental. O Pe. Frido acabou de regressar de uma visita aos campos de refugiados de Dollo Ado, no sudeste da Etiópia. A entrevista foi concedida ao gabinete de comunicação do JRS no dia 16 de Agosto de 2011, em Nairobi (original em inglês).



Pe. Frido, acabou de regressar de uma visita de quatro dias aos campos de refugiados de Dollo Ado. Pode-nos descrever um pouco a situação?

É uma situação difícil. Existem neste momento quatro campos na região de Dollo Ado que foram construídos sucessivamente. Os primeiros dois campos, Bokolmayo e Melkadida, foram construídos em 2009 e 2010 respectivamente, por isso estão um pouco mais desenvolvidos. Cada um destes dois campos alberga cerca de 40.000 refugiados. O terceiro campo, Kobe, foi construído há poucos meses e o quarto, Helawen, acabou de abrir no dia 4 de Agosto. Estima-se que cerca de 7.000 refugiados estejam neste momento a viver nesse campo.

A zona onde os campos se encontram é completamente seca e com aspecto de um deserto. Felizmente o rio Genale tem suficiente água a correr, que é tratada e transportada em camiões para os quatro campos.

Quando visitámos o centro de trânsito, na passada terça-feira, este contava ainda com mais de 12.000 refugiados. Estes refugiados têm estado acampados nesse centro ao longo de várias semanas e estão agora a ser transferidos para Helawen. O centro de trânsito irá em breve ficar vazio, pois o número de refugiados que chega em cada dia tem baixado consideravelmente: de cerca de 1.700 em Junho para 100-140 em Agosto.

Disseram-nos que os somalis enviam os anciãos para avaliar a situação no Quénia e na Etiópia e que estes chegaram à conclusão que a situação nos campos do Quénia seria melhor do que nos da Etiópia. Por isso terão aconselhado as pessoas a irem para Dadaab [no nordeste do Quénia], o que causa um grande problema para Dadaab.

Existem neste momento quase 120.000 refugiados na área de Dollo Ado. Aquilo que mais me impressionou, e que é mesmo triste e perturbador, é o enorme número de crianças em cada campo. Mais de 80% da população dos refugiados são crianças, com menos de 18 anos.

Há crianças por todo o lado! E que não têm nada para fazer. A impressão que tive é que a situação pior é em Helawen. Por o campo ter sido aberto apenas na passada sexta-feira, não existe qualquer tipo de infra-estruturas. Existem tendas alinhadas e um grande número de crianças em cada tenda. É uma zona rochosa, com alguns arbustos de espinhos, não existe sombra e não existem espaços onde elas possam brincar. É tão triste ver uma situação como estas.

E aquilo que eu achei mais espantoso foi que quando as saudamos, elas sorriem amigavelmente, e olham para nós com os olhos muito abertos. Muitas delas precisam de tratamento especial, pois estão malnutridas. Algumas ONGs estão já a trabalhar bastante para poder alimentar estas crianças, em particular as mais gravemente malnutridas. É uma situação incrível, muito difícil de descrever.

O JRS tem de actuar muito depressa, porque a nossa obrigação é de ajudar os mais pobres de entre os pobres. E foi esses que eu encontrei nestes campos.


Depois de ter testemunhado a situação no terreno, tem uma ideia mais concreta de qual poderá ser o trabalho do JRS?

Uma vez que nestes campos existe um número tão elevado de crianças com menos de 18 anos, penso que o melhor modo de criar um ambiente útil para elas é construindo escolas. Quando as crianças estão na escola, têm já algo para fazer que faz sentido para as suas vidas, e estão seguras. Também lhes dá uma perspectiva para o seu futuro.

A minha impressão é que os somalis irão ficar por estes campos durante um longo tempo, se a situação na Somália não mudar. E provavelmente não irá melhorar nos próximos tempos. Por isso faz sentido que nós procuremos proporcionar-lhes possibilidade de educação.

Uma vez que a educação primária é gerida pela ARRA [a administração do governo da Etiópia para assuntos relativos a refugiados e retornados], o JRS deverá proporcionar educação secundária num dos campos mais antigos – em Bokolmayo ou em Melkadida – onde o número das crianças é também muito grande. E deveríamos começar logo que possível.

Tirando Dollo Ado, não existem escolas de ensino secundário nas proximidades dos campos. Bokolmayo e Melkadida estão a cerca de 100 e 65 km de distância de Dollo Ado, respectivamente.

Para poder ajudar a juventude, deveríamos também começar a proporcionar outro tipo de actividades na área do apoio psico-social, tal como actividades de desporto, teatro, drama, para que, ao longo do dia, elas possam ter algo de significativo para fazer.

E depois devíamos montar um sistema de counselling, por forma a treinar os refugiados como acompanhantes, cujo alcance se estenderá progressivamente pelas diferentes comunidades no campo. Com toda a violência que estas pessoas experienciaram, é muito importante que elas possam ter este tipo de apoio.

A ARRA tem já a funcionar uma escola primária para os cinco primeiros anos, com mais de 1600 estudantes, no campo de Bokolmayo. Cerca de 50 estudantes que terminaram o quinto ano estão a frequentar a escola primária local, do sexto ao oitavo ano. Mas depois disso não existe qualquer perspectiva.

Se o JRS montasse uma escola secundária, aceitaríamos também estudantes da comunidade local, o que é sempre uma grande vantagem pois ajuda a melhorar as relações entre refugiados e a comunidade local. E dá a possibilidade a ambos os lados de se conhecerem mutuamente.

Refugiados e estudantes nativos poderão então falar uns com os outros; os refugiados usam diferentes dialectos da língua somali mas, de qualquer dos modos, a educação secundária será em inglês.

Iremos também considerar a possibilidade de construir residências para estudantes do campo de Melkadida, que fica a cerca de 30 km de distância. A escola primária está ainda em construção, mas disseram-nos que há estudantes no campo que já terminaram a sua educação primária na Somália. Logo que tenhamos uma avaliação em maior profundidade da situação, saberemos mais.

Eventualmente poderemos também ajudar a ARRA a construir mais escolas primárias nos outros dois campos, Kobe e Helawen, porque existe um grande número de crianças e não há nenhuma escola.


Quais são os próximos passos que o JRS irá dar para começar a trabalhar lá e qual o calendário em que está a pensar?

Nas próximas duas semanas temos de enviar uma equipa que irá fazer uma avaliação mais profunda da situação e começar a preparar alguns dos edifícios e algumas actividades.

Precisamos de recrutar uma boa equipa,porque o ambiente é muito duro de se viver, já que praticamente não existe qualquer tipo de infra-estruturas ou instalações montadas. A equipa terá de dormir em tendas e irá viver em condições muito simples.

O passo seguinte seria começar a construção da escola secundária e, talvez ao mesmo tempo, um recinto para os escritórios do JRS, sempre na condição de que disponhamos de fundos suficientes. O mais importante, no entanto, é o edifício da escola secundária, pois este poderá ter várias utilizações.

Uma vez que estejamos presentes e tenhamos uma instituição no terreno, será mais fácil de responder a outras necessidades das quais podemos nem estar conscientes agora.

O ano académico na Etiópia começa em Setembro, o que poderá colocar algumas dificuldades porque não será possível começar as nossas actividades em Setembro. Mas estou convencido de que poderemos encontrar uma solução, tal como começar com aulas preparatórias de inglês, actividades sociais, ou um primeiro ano escolar mais compacto.


Quando pensa nestes últimos quatro dias, há algo que queira partilhar connosco que o tenha tocado particularmente?

Foi uma das piores coisas que vi na minha vida: todas estas crianças no deserto, no calor e no meio da poeira, nas rochas, por entre arbustos de espinhos, a espreitar para fora das tendas, a sorrir para nós, sem terem nada para fazer. Os campos são como pequenas cidades, pequenas cidades cheias de crianças.

Existe comida e alguma água, mas não há muito mais. Há muito vento naquela região e, quando o vento é forte, levanta-se a areia e não se consegue ver mais do que 10 metros adiante. E estas pessoas vivem neste lugar.

Há poucos homens nos campos, a maior parte das famílias apenas têm mães . Os homens ou estão mortos ou desaparecidos, ou então ficaram na Somália a tomar conta do gado, ou foram recrutados pela al-Shabaab, ou não os deixaram sair o País.

Às mulheres e às crianças foi-lhes permitido deixar o País. Mas é muito duro ver todos estes milhares e milhares de crianças sem nada para fazer.

Por isso temos de começar a fazer alguma coisa. É a nossa obrigação moral. Não podemos ignorar esta situação. E penso que o plano que temos agora é já um bom ponto de partida.


* * *

Se quiser pode fazer uma doação ou consultar o website do JRS
para ver fotografias ou mais informação.

O JRS agradece todo o apoio que tem já sido dado.

http://www.essejota.net

Esquerda à deriva ( VIII )

Seguro e a corrupção

Em matéria de corrupção, Seguro não quis ou não teve força política para se impor no PS. Deu um tiro no pé


A principal razão pela qual António José Seguro venceu Francisco Assis nas eleições internas do PS foi a sua reconhecida distância face ao universo Sócrates. Os portugueses tinham mostrado, nas legislativas de junho, que estavam fartos de um PS sem causas, de um primeiro-ministro que privilegiava a imagem em vez da substância e de uma governação pontuada de casos mal esclarecidos e de cumplicidades perigosas. Há sempre injustiças nestas avaliações, mas a verdade é que os militantes do PS confirmaram depois, expressivamente, a varridela daquela direção política. Muita má-língua e muito azedume por parte de quem tinha ficado com os pés de fora do regime escarneceu a imagem e o currículo de Seguro com a mesma leviandade com que escamoteou os pecadilhos académicos do líder "falecido" e se esqueceu que o requinte Armani era coisa de marketing.

Seguro devia compreender que não está seguro enquanto não arrumar com o passado de má memória. Com outra prática, outra gente, outras propostas. No Congresso, pactuou com a falta de autocrítica, um erro que pagará caro politicamente, pois permitiu uma recuperação mais rápida aos seus adversários internos. E eles perceberam tão bem as fragilidades do líder que foi vê-los desfilarem no púlpito, aviando discursos de quem tem a verdade na mão e sem o mínimo decoro face à sua condição de condenados pelo veredicto popular.

Mas se a liderança de Seguro se tem revelado mais ou menos hesitante nas questões internas, a verdade é que o secretário-geral do PS tem tido uma postura bastante positiva no seu relacionamento com o Governo. Saiu-se bem no mano a mano com Passos Coelho, tem conseguido marcar diferenças com a maioria governativa (apesar de estar prisioneiro do acordo com a troika), apresentou alternativas quando discordou de medidas, enfim, Seguro tem surpreendido ao demonstrar que estudou a lição. E sem recorrer a truques ou a golpes baixos como, infelizmente, tem sido prática na vida política portuguesa. É, por tudo isto, incompreensível a posição do líder socialista sobre a criminalização do enriquecimento ilícito. O PS foi o único partido que ficou de fora de um consenso sobre esta matéria, apresentando, no Parlamento, um projeto pífio, assente nos mesmos argumentos que serviram à anterior maioria para derrotar as sucessivas tentativas do "pai" desta legislação, justamente um socialista, João Cravinho. Ana Gomes, eurodeputada do PS e apoiante de Seguro, põe os pontos nos ii: "Continua a dar a sensação de que o PS não quer, de facto, combater a corrupção." E por mais que o líder se esforce por tentar explicar, ninguém entende. Ele conhece o sistema. Anda há demasiado tempo na vida política para saber o que se passa - as leis enviesadas, os esquemas corruptos, a dificuldade na obtenção de provas neste tipo de crimes... É preciso quebrar este ciclo infernal e há virtualidades nos projetos do BE, PCP e PSD/CDS que permitem encontrar uma fórmula capaz de tornar este país mais limpo e mais justo. António José Seguro não quis, ou não teve força política para se impor no seu partido. Deu um tiro no pé. De que se vai arrepender.

Áurea Sampaio
Quinta feira, 29 de Set de 2011
http://aeiou.visao.pt/seguro-e-a-corrupcao=f624758#ixzz1a0Ay0gB4

terça-feira, 4 de outubro de 2011

A Simplicidade elevada

Um sábio pobre, despojado, enxuto de riquezas
Um poeta santo, cantor do Altíssimo
Um pacificador universal, reconciliador de impossíveis
Um cristificado. Crucificado no corpo e no espírito
Um irmão global, amigo de toda a criatura
Uma alma inteira em obediência eclesial
Um louco ignorante, alheio a tratados
Eis Francisco de Assis, um dos santos mais desejados



Pe. Nuno Serras Pereira
4 de Outubro, dia de São Francisco de Assis

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Crianças: mais sadias, mais ricas e com mais problemas

Relatório australiano destaca crescentes desafios para a infância

Um estudo publicado neste mês sobre o bem-estar das crianças australianas aponta que, embora a geração atual cresça mais sadia e mais rica, existem problemas graves que as afetam.

O relatório "Reparar o entorno social para as crianças e jovens australianos" é do Australian Christian Lobby. O autor, Patrick Parkinson, é professor de direito na Universidade de Sydney e escreveu livros sobre direito de família e maus tratos contra menores.

O texto informa que a Austrália ocupa um lugar destacado no mundo em termos de desenvolvimento social, nível educativo e bem-estar econômico. Mesmo assim, esses níveis gerais escondem problemas cada vez mais graves para muitas crianças.

Houve "um aumento dramático" de casos de maus tratos e abandono infantil, além de um incremento significativo do número de crianças sob proteção do Estado nos últimos 15 anos. O crescimento demográfico e o aumento da informação disponível sobre maus tratos não são suficientes para explicar o incremento nos casos.

Os altos índices de maus tratos e abandono infantil atingem todas as classes sócio-econômicas, mas são especialmente evidentes na população indígena.

Os transtornos de saúde mental nas crianças também cresceram de modo notável, com grande aumento do número de crianças com medicação antidepressiva. "A velocidade da deterioração da saúde mental das crianças e dos jovens é muito preocupante."

Lesões contra si próprios, abuso do álcool, delinquência juvenil, comportamento sexual de risco e gravidez de adolescentes são outras áreas em que as crianças de hoje estão em situação pior do que as dos anos noventa.

Saúde mental

O informe observa que os problemas não se limitam à Austrália e cita um estudo publicado nos Estados Unidos em 2010. O relatório americano retrata os estudantes universitários entre 1938 e 2007. Os pesquisadores descobriram que cada geração tem uma saúde mental pior que a anterior. Em 2007, os estudantes multiplicaram por cinco as possibilidades de sofrer problemas mentais, em comparação com os de 1938. Segundo o estudo, o reconhecimento mais preciso dos problemas de saúde mental nos últimos tempos não é uma explicação suficiente para o dramático aumento de casos.

Como explicar esta deterioração do bem-estar infanto-juvenil? O informe reconhece que é problemático achar as causas destas situações e que a correlação não é causal. Outros estudos sobre esta tendência apontam mudanças nas estruturas familiares, desemprego juvenil e um materialismo e individualismo maiores.

Parkinson, porém, destaca um dos fatores, os conflitos e as rupturas familiares, como uma causa especialmente importante. É suficientemente documentado que o fato de se viver numa família diferente daquela dos dois pais biológicos antes dos 16 anos tem ligação com uma ampla série de resultados negativos para o bem-estar das crianças.

Alguns analistas consideram que isto ocorre porque os adultos com casamentos estáveis tendem a ser mais equilibrados e ter uma situação econômica melhor; portanto, não seria uma questão de estruturas familiares, mas de características pessoais dos pais.

Se até certo ponto isto é verdadeiro, o informe cita, por outro lado, pesquisas que afirmam que a ruptura familiar é uma causa importante de problemas para as crianças, mais do que a qualidade dos adultos.

Impacto negativo

Na Escócia, um estudo concluiu que os jovens em 2006 declaravam ter relações familiares piores que os de 1987. Esse estudo visava encontrar a causa de um aumento notável de transtornos psicológicos em jovens de quinze anos.

Outro estudo, nos Estados Unidos, acompanhou as experiências de 2.000 pessoas casadas durante mais de 15 anos. Confirmou que, em casamentos com altos índices de conflito, a infelicidade conjugal tinha um impacto negativo no bem-estar das crianças. O divórcio também tinha efeito prejudicial.

Outros estudos mostram que o divórcio é um notável fator de risco para o estado emocional das crianças e para o seu rendimento acadêmico. Um estudo norte-americano também aponta uma conexão entre o divórcio dos pais e a duração da vida dos filhos. Pessoas criadas em famílias divorciadas morriam quase cinco anos antes que aquelas cujos pais permaneceram unidos.

Parkinson observa ainda que os conflitos e tensões dos pais não terminam necessariamente com a separação. Às vezes aumentam com a divisão dos bens, os acordos de custódia e o modo de relacionamento com os filhos.

Ao tratar das famílias monoparentais, Parkinson faz referência a um estudo australiano que encontrou maior grau de conflito nas famílias com padrasto ou madrasta do que nas famílias intactas.

Outro estudo australiano analisa as consequências do divórcio na vida adulta dos filhos de pais separados. Entre todos os resultados negativos, as crianças que sofreram o divórcio dos pais obtiveram as piores pontuações, desde na atividade sexual precoce até o fato de terem filhos antes dos 20 anos, passando pelo impacto negativo no rendimento escolar.

Uma das consequências do divórcio é a diminuição do contato dos filhos com o pai. Um estudo de 2001 indica que 36% dos pais não tinham visto os filhos menores nos últimos 12 meses.

A depressão e os maus resultados escolares, por outro lado, se associam aos adolescentes que têm contato frequente com o pai divorciado, independentemente do quanto as mães estejam próximas.

Pe. John Flynn, L.C.
Roma, 2 de Outubro de 2011 (ZENIT.org)

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

‘l´air du temps’

A imprensa francesa, chocada e rendida, aplaudiu há poucos dias o desfile de Felipe Oliveira Baptista na Semana da Moda de Nova Iorque, comentando que o criador português vestiu «seda e cabedal» ao velho crocodilo da marca Lacoste.

Felipe Oliveira Baptista, cuja cotação nas capitais da moda não parou de crescer na última década, é desde 2010 o director artístico da Lacoste, ao mesmo tempo que continua a assinar a linha com o seu próprio nome.

O criador mostrou na quarta-feira, na Semana da Moda de Paris, a colecção FBO para a Primavera-Verão 2012, num desfile no Jeu de Paume, no Jardim das Tulherias, um bom cenário para acolher o ruidoso buzz que rodeia hoje o seu trabalho.

Em nome próprio, o designer propôs “Sky Dive SS 2012”, apresentado como uma colecção de «roupas evolutivas, que se desdobram e libertam, zip atrás de zip».

Felipe Oliveira Baptista explicou, antes do desfile, que pretendeu «uma ideia de liberdade», exibindo vários elementos que definiram as suas criações nos últimos anos, como «pára-quedas, experiências com energia, ritmo, vento».

Elemento mais arrojado dessa linguagem na nova colecção, os zippers” são usados de todas as formas, mesmo sem utilização prática, não para fechar ou abrir mas como mero motivo estético, agente de fluidez, revelando a pele como «padrão vivo».

A contratação pela Lacoste deu uma visibilidade internacional a Felipe Oliveira Baptista que, avaliando pelas reacções da imprensa de moda, é apenas merecida pelo talento que o criador tem demonstrado na renovação da imagem da marca francesa.

«Aceitar a direcção artística de uma marca é fazê-la evoluir, fazê-la estar no ‘air du temps’ e dar-lhe o que está a fazer falta», explicou Felipe de Oliveira Baptista.

«Lacoste é ‘a marca de ‘sportswear’ francesa de referência e por isso era importante dar uma injecção desse chique no ‘sportswear’ francês”, acrescentou o designer português.

Isso significou «seda e cabedal, sim, e também sair do ‘sportswear’ puro e duro para dar a ideia de que se pode usar Lacoste todos os dias, sempre com uma herança de roupa desportiva, de vestuário fácil de vestir e confortável mas talvez um pouco mais sofisticado e versátil», segundo Baptista.

A viragem operada pelo criador português instalado em Paris é também de mercado, procurando acordar a clientela feminina da Lacoste.

«Um dos requisitos, quando fui contactado e mais tarde contratado, é que a Lacoste queria bastante desenvolver a parte de roupa de mulher, porque hoje em dia representa só 15 por cento das vendas. Fizemos um ‘zoom’ especial a relançar a colecção de mulher», lembrou o criador.

Felipe Oliveira Baptista mexeu tanto na imagem da Lacoste que isso até se nota no conhecido logótipo da marca, um crocodilo, para que se possa «vestir várias roupas Lacoste e não ter de usar o crocodilo visível em todos os sítios. Se se tem um crocodilo na camisa, nas calças, no casaco e nos ténis, ninguém usa dez ‘logos’ na roupa», conclui Felipe Oliveira Baptista.

O desfile de FOB integrou mais uma vez o Portugal Fashion na Semana da Moda de Paris, uma iniciativa da Associação Nacional de Jovens Empresários (...).

Lusa/SOL