segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Uma das questões prioritárias

Entre défices e dívidas, pouco se fala do que será, porventura, o maior défice que germina lentamente: o de natalidade. Dele resultará um dos maiores problemas que legaremos aos vindouros: a insustentabilidade do actual modelo social público. Pelo menos, com razoabilidade de custos e equidade.

Foram agora conhecidos números que, em condições desejáveis, teriam levantado reflexões e propostas. Refiro-me aos dados mundiais sobre a taxa de fecundidade da mulher. Portugal ocupa a penúltima posição: 1,3 filhos por mulher. Em todo o mundo, pior só a Bósnia! Um valor igual a 62% do necessário para o equilíbrio geracional (2,1 filhos). Um índice que, há 40 anos, chegava aos 3 filhos.

Esta vertigem só tem sido atenuada pela notável evolução da mortalidade infantil que não chega agora às 3 crianças por mil (no 1º ano de vida), quando há 40 anos atingia 55 nado-vivos!

Se ao défice de natalidade (nascem 100.000 crianças quando precisaríamos, no mínimo, de 160.000), juntarmos o progresso assinalável da esperança de vida, constatamos o rápido envelhecimento da população: em 1970 havia 34 pessoas com mais de 65 anos de idade por cada 100 crianças e jovens. Agora aproximamo-nos de 120 velhos por cada 100 crianças! As escolas fecham e os lares não chegam. O Estado Social só sobreviverá com uma primavera demográfica. Reduzir abonos, agravar custos de saúde infantil, eliminar deduções fiscais de educação é um sinal errado.

Há países com uma boa evolução em resultado de políticas públicas de apoio à natalidade: a Holanda e os países nórdicos, além da Irlanda que é o único país da UE que repõe as gerações. Nós por cá andamos mais entretidos com a espuma do dia e a promoção de políticas anti-natalistas.

Entretanto, a ameaça avança. Silenciosamente.

Bagão Félix
negócios-online, 2 Novembro 2011

Isto foi, e isto há-de ser sempre

"Em Portugal cada um quer tudo e quando os homens são de tal condição, que cada um quer tudo para si, com aquilo com que se pudera contentar a quatro, é força que fiquem descontentes três. O mesmo nos sucede. Nunca tantas mercês se fizeram em Portugal, como neste tempo; e são mais os queixosos, que os contentes. Porquê? Porque cada um quer tudo. Nos outros reinos com uma mercê ganha-se um homem; em Portugal com uma mercê, perdem-se muitos. Se Cleofas fora português, mais se havia de ofender da a metade do pão que Cristo deu ao companheiro, do que se havia de obrigar da outra metade, que lhe deu a ele. Porque como cada um presume que se lhe deve tudo, qualquer cousa que se dá aos outros, cuida que se lhe rouba. Verdadeiramente, que não há mais dificultosa coroa que a dos reis de Portugal: por isto mais, do que por nenhum outro empenho. (…)

Em nenhuns reis do mundo se vê isto mais claramente que nos de Portugal. Conquistar a terra das três partes do mundo a nações estranhas, foi empresa que os reis de Portugal conseguiram muito fácil e muito felizmente; mas repartir três palmos de terra em Portugal aos vassalos com satisfação deles, foi impossível, que nenhum rei pôde acomodar, nem com facilidade, nem com felicidade jamais. Mais fácil era antigamente conquistar dez reinos na Índia, que repartir duas comendas em Portugal. Isto foi, e isto há-de ser sempre: e esta, na minha opinião, é a maior dificuldade que tem o governo do nosso reino.”

Padre António Vieira,
in ‘Sermões’ ( Séc. XVII )

Reino Unido garante que a pressão vai aumentar sobre a Síria

O ministro britânico dos Negócios Estrangeiros, William Hague, garantiu nesta segunda-feira que a comunidade internacional vai aumentar significativamente a pressão sobre o regime de Damasco, depois de o Presidente sírio, Bashar al-Assad, ter afirmado que não vai ceder aos apelos para pôr fim à repressão do movimento de revolta no país.

“Vamos todos aumentar a pressão. Discuti isto com o secretário-geral da Liga Árabe ontem e estou confiante que estão dispostos a fazê-lo na próxima reunião, amanhã”, sublinhou o chefe da diplomacia britânica numa entrevista esta manhã na rádio BBC.

“O comportamento do regime de Assad é chocante e inaceitável, e é óbvio que faremos tudo quanto estiver ao nosso alcance para apoiar a democracia na Síria no futuro”, prosseguiu, dando conta da crescente impaciência das potências ocidentais face ao conflito na Síria, que se prolonga há oito meses e com um saldo de mais de 3500 vítimas mortais, segundo estimativas das Nações Unidas.

Juntando-se a este intensificar da retórica contra a intransigência do regime de Damasco, o primeiro-ministro turco, Recep Erdogan, frisou já hoje que Assad tem os dias contados: “Virá o dia em que tu também partirás”, afirmou, rodeado de jornalistas à margem do fórum internacional que decorre em Istambul.

Erdogan – que já ameaçou cortes de electricidade à Síria e sugeriu mesmo adopção de sanções futuras – foi veementemente crítico às declarações recentes de Assad, numa entrevista ontem publicada pelo britânico The Sunday Times, onde se afirmou “indubitavelmente” pronto a combater e morrer se tiver que defrontar forças militares estrangeiras na Síria.

Mais quatro pessoas terão sido mortas a tiro nesta segunda-feira pelas forças policiais, em raides na província de Homs, no centro do país, foi avançado pelo Observatório sírio dos Direitos Humanos.


http://www.publico.pt/Mundo/reino-unido-garante-que-a-pressao-vai-aumentar-sobre-a-siria-1521822

O Braga fez tudo, o Sporting só fez os golos

Há um ano, Paulo Sérgio eliminou o Paços em Alvalade, mas cairia na ronda seguinte em Setúbal, no penoso caminho do técnico para o cadafalso. O seu nome era entoado no estádio e alguns assobios percorriam as bancadas. O treinador saiu sem glória e foi para a Escócia. O nome de Domingos é agora recebido com aplausos. Foi a maior ovação na noite fria deste domingo e percebe-se porquê. O Braga foi eliminado (2-0), os “leões” estão fortes e os adeptos acreditam no seu líder. É tudo muito mais calmo agora no reino do leão.

Até quando as coisas não correm bem, os jogadores parecem mascarar as insuficiências e dão a volta. Os bracarenses tinham ameaçado entrar em Alvalade para reclamar a eliminatória. Jogaram para isso, fizeram tudo para marcar. A equipa que Domingos deixou sem cabeça quando abandonou Braga, em Maio (agora liderada por Leonardo Jardim), chegou mesmo a tomar conta do jogo. Só falhou onde não devia: em frente à baliza adversária, onde o Sporting acertou, e junto à sua própria baliza, onde os “leões” foram letais.

O relvado escorregadio é inimigo dos artistas. Muitos caíram nas piores alturas. Outros erraram quando não podiam. Foi o caso de Lima, logo aos 6’, ao falhar um golo isolado frente a Patrício. Depois foi Vinícius, que se esqueceu de Capel na área e o espanhol aproveitou para fazer o primeiro golo, pleno de classe. E ainda Berni, o guarda-redes que não segurou o remate de Matías e socou a bola contra o corpo inerte de Insúa, agente passivo no segundo golo.

Mas houve mais. Domingos parecia assistir aos erros da antiga equipa e aproveitar-se disso, instigando os jogadores a não largarem a presa. A segunda parte começou com o Braga novamente em cima do adversário, mas Ewerton escorregou e Elias isolou-se. Foi Elderson a tentar redimir o companheiro e acabou expulso, por derrube do brasileiro. Foram quatro erros fatais para um Braga imenso, perante um predador que cobrou com pena máxima as suas hesitações.

Com mais um elemento, nem assim o “leão” mandou no jogo. Manteve-se na expectativa. O Braga, coxo, tentou a sorte. Mais rápido, mais forte, nunca desistiu nem deixou o Sporting tranquilo. Os jogadores leoninos eram obrigados a fazer faltas e a verem cartões (o árbitro foi muitas vezes ao bolso) - até Wolfswinkel viu amarelo. Todos corriam atrás da bola.

Jardim acabou o jogo com três avançados: Lima, Nuno Gomes e Paulo César. Poucos minutos depois de ter entrado, este último subiu mais alto que João Pereira e bateu Patrício, só que a bola foi ao poste. O Sporting estava encolhido e tentava o contra-ataque, agora com Carriço e Evaldo na equipa.

Domingos, para não se encostar muito lá atrás, também lançou Carrillo. O peruano, numa das suas rápidas investidas, sacudiu a pressão por uns segundos e acertou em cheio na barra. Ainda não se estreou a festejar um golo, mas a noite foi dele e de Capel.

O Sporting segue para os oitavos-de-final da Taça à custa de um Braga demasiado perdulário. (...)


Filipe Escobar de Lima
http://desporto.publico.pt/noticia.aspx?id=1521775

Esquerda à deriva ( XI )

El 'tsunami' de Rajoy tiñe de azul el mapa de España

El mapa electoral español se tiñe de azul con la victoria, con holgada mayoría absoluta (con 186 escaños frente a 110 del PSOE), que obtuvo este domingo el Partido Popular (PP) de Mariano Rajoy. La tendencia, que ya se marcó en las elecciones autonómicas y municipales del pasado mayo, se ha hecho realidad.

Por provincias, el PP ha ganado en 43 de las 50 que hay en España y en las dos ciudades autónomas -Ceuta y Melilla-; CiU ganó en tres provincias -Tarragona, Lleida y Girona-; el PSOE, en dos -Barcelona y Sevilla-; y PNV y Amaiur, en una cada uno (Vizcaya y Guipúzcoa, respectivamente).

La contundente victoria deja en manos populares casi todo el poder municipal, autonómico -que ganó en mayo- y nacional.

Y aún puede ser mayor esta marea azul: el próximo 4 de marzo los andaluces elegirán su nuevo ejecutivo autonómico y todo parece indicar que se producirá un histórico relevo. El PP ya ganó en mayo en esa región y este domingo obtuvo, por primera vez, una clara victoria: obtuvo 33 escaños y 1.982.091 votos, frente a los 25 y 1.590.844 votos del PSOE, y se impusieron en ocho de las nueve provincias andaluzas.

Hemiciclo fragmentado

A pesar de los habituales llamamientos a terminar con el bipartidismo éste, favorecido por el sistema electoral, continúa vigente. El PP ha obtenido 186 escaños y el PSOE 110, suman en conjunto 296 de los 350 escaños del Congreso. Lo que sí cambia es la fragmentación de la parte del hemiciclo que no será ni azul ni roja.

Trece partidos estará en el Congreso, cifra que no se veía desde las elecciones de 1989. Una parte del hemiclo que tendrá más peso -serán 54 escaños frente a los 27 de la legislatura pasada-, debido en gran parte a la debacle socialista y los buenos resultados de CiU -de 10 a 16 escaños-, los réditos recogidos por IU -que pasa de 2 a 11 escaños-, Amaiur -que entra por primera vez con siete escaños- y UPyD -que pasa de un escaño a 5-.

Sin embargo, a pesar de ser más, estarán más fragmentados. Trece formaciones estarán representadas en el nuevo hemiciclo, una cifra inédita desde los comicios de 1989 y 1979. Además de PP y PSOE, CiU (16), IU (11), Amaiur (7), UPyD (5), PNV (5), ERC (3), BNG (2), CC (2), Compromís-Equo (1), FAC (1) y GBai (1) contarán con representación parlamentaria.

http://www.20minutos.es/noticia/1226916/0/pp/marea-azul/rajoy/

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

E o que é mais importante, pelo Cristianismo

Um viver juntos europeu, vispo por Herman Van Rompuy

Para uma economia socialmente e humanamente correcta

Roma, 15 de Novembro, 2011 (ZENIT.org) - Falando em Roma, o presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy , realizou um plaidoyer para um viver juntos Europeu e para uma economia socialmente e humanamente correta.

Van Rompuy teve na manhã do Sábado 12 Novembro uma conferência na Pontifícia Universidade Gregoriana (PUG) com o título 'Solitário - Solidário', que é a essência de um viver juntos na Europa, a presença do Cardeal Zenon Grocholewski, prefeito da Congregação para a Educação Católica e Chanceler da Universidade, Padre Adolfo Nicolás, SJ, Superior Geral da Companhia de Jesus, o professor Giovanni Maria Flick, presidente emérito do Tribunal Constitucional italiano - que evocou os 150 anos da unificação da Itália - e membros do Corpo Diplomático, incluindo o embaixador da França junto à Santa Sé, Stanislas de Laboulaye.

O presidente europeu foi recebido pelo reitor da Gregoriana, o padre François-Xavier Dumortier, SI, que evocou a coragem necessária para os responsáveis políticos. A coragem política requer muito do estadista, especialmente quando se trata ao mesmo tempo, de continuar este projecto apaixonante que é a construção de uma Europa mais solidária que seja uma terra de paz e justiça, e de encontrar, dia após dia, através de luzes e sombras da história actual, as formas e meios de convivência que tenha senso, disse o jesuíta.

O Presidente do Conselho Europeu sublinhou que a Europa em permanente construção está unida por valores baseados no amor – tendo se tornado a solidariedade em nossos dias, muito institucional.

A Europa, como projeto político foi a resposta à guerra, ao horror, ela tem sido construída através da memória dos túmulos de milhões de inocentes, disse Van Rompuy. Hoje, no entanto admitiu, é de recear que ela possa cair no individualismo, cujo populismo e o nacionalismo são as expressões. O Presidente lamentou que por um lado o mundo se humaniza porque, onde quer que seja, combate a pobreza”, por outro lado, “se despersonaliza porque o nosso destino se torna sempre mais dependente de um sistema financeiro capitalista desenfreado e sem ética. De acordo com Van Rompuy, hoje, há um novo desafio para acolher, ou seja aquele de construir uma economia que chamaria de ‘socialmente e humanamente’ correcta.

O Presidente do Conselho Europeu sublinhou a importância de respeitar a pessoa. Se, amanhã, a União Europeia, a comunidade dos povos europeus, deseja chegar, a nível global, a uma maior unidade no respeito da liberdade dos povos, ela deverá, sem dúvida, fundamentar-se no que é seu gênio, ou seja, sobre uma maior solidariedade de todos no respeito pela integridade de cada um, assim reiterou.

Para Van Rompuy, a famosa estratégia dos pequenos passos tão cara aos pais da Europa, não perdeu sua relevância. A essência de uma Europa em construção não reside em um espírito de conquista, à maneira de Carlos Magno, Carlos V ou de Napoleão, mas em pequenos passos tomados todos os dias, porque na ausência de grandes sonhos, impossíveis de alcançar, nós tentamos, e repito ‘tentamos’, manter políticamente, diplomáticamente e economicamente a Europa sobre os trilhos e, para o bem de todos, a fazer avançar o comboio conduzindo-o para uma vida melhor, um melhor viver em comum”.

No início de sua palestra, Van Rompuy citou o vocábulo Europa da famosa Enciclopédia de Diderot e D'Alembert: Não importa que a Europa seja a menor parte das quatro partes do mundo por extensão territorial, porque é a mais significativa de todas pelo seu comércio, suas navegações, pela criatividade, as luzes e a operosidade dos seus povos, pelo conhecimento das artes, das ciências, dos mistérios, e o que é mais importante, pelo Cristianismo cuja moral da caridade tende só ao bem-estar da sociedade.

Anita S. Bourdin
[Tradução realizada por Thácio Siqueira]

Precisamos de políticos, precisamos de ideias, de ideias protagonizadas por gente de coragem

Venha de lá o plano B

Mesmo quando a nossa vida é dominada pela necessidade de sabermos fazer bem as contas, este não é o tempo dos contabilistas. E muito menos dos banqueiros

É humilhante ver a Europa a pedinchar junto dos seus parceiros do G20 e a levar tampa e puxões de orelhas por mau comportamento. A Europa berço da democracia, até ainda há pouco admirada pela construção de um espaço único de civilização e prosperidade, a Europa sinónimo de liberdade e de pujança jaz, doente e isolada, no leito de um destino incerto. Até este frenesim inconsequente de cimeiras, de onde os líderes vão saindo com uma mão cheia de nada e outra de coisa nenhuma, emana já o cheiro insuportável da putrefação. Por detrás da coreografia das aparências, com sorrisos, apertos de mãos e as inevitáveis photo opportunities, esconde-se a debilidade das lideranças. Por ali não se descortina pensamento político estruturado e muito menos sombra de causa ou ideal, o que é trágico quando o objetivo primordial da política deveriam ser as pessoas, o seu bem-estar e a sua felicidade. Pelo contrário, a esmagadora maioria dos poderosos que nos governam guia-se pela frieza dos números, como se a política fosse um pingue-pongue estatístico em que inflação, taxas de juro e cotações valessem por si e não pelo reflexo que têm no emprego, nas pensões ou na qualidade de vida das pessoas reais.

Mesmo quando a nossa vida é dominada pela necessidade imperiosa de sabermos fazer bem as contas, este não é o tempo dos contabilistas. E muito menos dos banqueiros, pois é a governação da alta finança que tem mergulhado a Europa na instabilidade e na angústia. Se olharmos com atenção para o currículo da maior parte das figuras que decidem as nossas vidas a partir das chancelarias europeias, reconhecemos-lhes percursos quase miméticos, desde os bancos de escola. Pensam todos da mesma forma, frequentam os mesmos sítios, revezam-se nos cargos importantes. Por exemplo, Mario Draghi, o italiano que chegou agora à presidência do Banco Central Europeu (BCE), foi governador do Banco de Itália, ex-diretor executivo do Banco Mundial e diretor executivo da famosa Goldman Sachs, um dos bancos causadores da crise do subprime. Instituição financeira de onde, curiosamente, foi conselheiro Mario Monti, o ex-comissário europeu agora muito falado para substituir Berlusconi à frente do Governo italiano. Também António Borges, o português que dirige o Departamento Europeu do FMI, foi vice-presidente do conselho de administração da mesma Goldman Sachs. Lucas Papademus, o nome que poderá suceder a Papandreou como primeiro-ministro grego, tem, igualmente, experiência na banca. Além de governador do Banco da Grécia, foi vice-presidente do BCE, sendo visto como um homem da confiança do sistema financeiro europeu. Jean Claude Juncker, o conhecido presidente do chamado Eurogrupo, foi governador do Banco Mundial e presidiu ao FMI...

Esta gente e outra da mesma estirpe já provou que não serve. Precisamos de políticos, precisamos de ideias, de ideias protagonizadas por gente de coragem, capaz de resistir à cartilha de uma austeridade que não está a resolver os problemas, mas a agravá-los. É urgente ter um plano B e é fundamental estarmos o mais unidos possível, mesmo com todas nossas diferenças. Em tempos de guerra não se limpam armas, e nós estamos em guerra. Só quem entender isso ficará na História.

Áurea Sampaio, 10 de Nov de 2011
http://aeiou.visao.pt/venha-de-la-o-plano-b=f632475#ixzz1dxSE9Epc

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

"Ó meus amigos, o que é verdadeiramente a dança?"

«SÓCRATES: Ó meus amigos, o que é verdadeiramente a dança?
ERIXÍMACO: [...] — Que queres de mais claro sobre a dança, além da dança nela mesma?/ [...]
SÓCRATES: [...] Um olhar frio tomaria com facilidade por demente essa mulher bizarramente desenraizada, que se arranca sem cessar da própria forma [...]. Afinal, por que tudo isso? — Basta que a alma se fixe e faça uma recusa, para só conceber a estranheza e o repulsivo dessa agitação ridícula... Se quiseres, alma, tudo isso é absurdo!/ [...]
FEDRO: Queres dizer, amado Sócrates, que tua razão considera a dança como uma estrangeira, cuja linguagem ela despreza, cujos costumes lhe parecem inexplicáveis, senão chocantes; ou até mesmo, totalmente obscenos?
ERIXÍMACO: A razão, por vezes, me parece ser a faculdade que nossa alma tem de nada entender de nosso corpo!
FEDRO: [...] Athiktê me parecia representar o amor. [...]
ERIXÍMACO: Fedro quer, a todo custo, que ela represente alguma coisa!
FEDRO: Que pensas, Sócrates?/ [...]/ Crês que ela representa alguma coisa?
SÓCRATES: Coisa nenhuma, caro Fedro. Mas qualquer coisa, Erixímaco. [...] Não sentis que ela é o acto puro das metamorfoses?
FEDRO: [...] não posso ouvir-te sem acreditar em ti, nem acreditar sem ter prazer em mim mesmo ao acreditar em ti. Mas que a dança de Athiktê nada represente, e não seja, acima de tudo, uma imagem dos transportes e das graças do amor, eis o que considero quase insuportável de ouvir...
SÓCRATES: Eu nada disse de tão cruel ainda! — Ó amigos, nada faço além de perguntar-vos o que é a dança; um e outro de vós parece respectivamente sabê-lo; mas sabê-lo totalmente em separado! Um me diz que ela é o que é, e que se reduz àquilo que nossos olhos estão vendo; e o outro insiste em que ela represente alguma coisa, e que não existe então inteiramente nela mesma, mas principalmente em nós. Quanto a mim, meus amigos, minha incerteza fica intacta!... Os meus pensamentos são numerosos — o que nunca é bom sinal!...»

[ mais gregos clássicos ]

«ANAXÁGORAS: Se você tem razão, posto que eu não sou você, você não pode ter
verdadeiramente razão, ó Sócrates. É necessário então que eu ainda reflita. É necessário que, retomando o que você me disse, e partindo do estado no qual você colocou o meu pensamento, tendo combatido e vencido, eu encontro finalmente uma razão em mim que, por sua vez, contém a sua própria e justifique, entretanto, minha opinião precedente. E isso sob pena de minha morte.Pois de outro modo, ao que rimaria minha existência?

«SÓCRATES: Que orgulho! Anaxágoras... O orgulho é o sentimento de ser nascido para alguma coisa que somente nós podemos conceber, e esta coisa [é] mais grande e mais importante que todas as outras. [...]/ A coisa que eu quero deve ser sempre superior àquela que quer qualquer outro. Tal é o orgulho. Ele não emana das coisas feitas nem daquilo que se é.»

in "Orgulho por orgulho", Diálogo socrático

"No fundo de qualquer homem ocidental repousa um grego" André Malraux

André Malraux escreveu que no fundo de qualquer homem ocidental repousa um grego. Quanto a mim, tive que refazer muitas vezes a imagem que desde adolescente fui-me construindo da Grécia. Depois da fase inicial, a da Grécia antojada através de manuais de história e dos poetas parnasianos, brasileiros ou franceses, veio a fase polêmica, na tentativa de destruir uma Grécia que me parecia irreversível, imobilizada no academismo, fora da experiência deste século: embora contraditoriamente soubesse que as idéias gregas continuavam a fecundar a cultura ocidental, da teologia à pesquisa leiga, da arte à política, do teatro à pedagogia.

Mais tarde a leitura de Platão e dos pré-socráticos ajudou-me a desenhar a figura duma Grécia do equilíbrio, da razão, da justa medida, que ainda podia ligar-se à nossa época por meio de numerosos fios de contacto, sobressaindo aqui o texto de "Eupalinos ou l'architecte". Mas, talvez acima de tudo, a Grécia possui uma força inesgotável: sua mitologia, que constitui ao mesmo tempo sistema cosmogônico, transposição figurada de fatos reais, reservatório sempre renovado de arquétipos e símbolos. Haverá nesta terra muitas coisas maiores que a mitologia grega, na sua capacidade de contaminar poetas e pensadores? Dai-me uma fábula grega, um "mitologema", e eu recriarei o mundo.
*

Hoje a Grécia se apresenta aos meus olhos como um país fundamental, um dos raros onde a presença do mito subsiste no ar, na paisagem, nas ruínas, também na obra de alguns poetas maiores, que posso ler somente em tradução. Grande é o meu prazer quando vejo a importância e necessidade do mito sublinhadas por algum alto espírito de cientista ou pensador; ainda agora nesta passagem de C. G. Jung:

"Infelizmente hoje se dá bem pouco desafogo ao lado mítico do homem: este não pode mais criar mitos. Assim muitas coisas lhe escapa: já que é importante e saudável falar também de coisas incompreensíveis. Na realidade, dia a dia vivemos muito além dos confins da nossa consciência; a vida do inconsciente caminha conosco sem que disto sejamos sabedores. Quanto mais domina a razão crítica, tanto mais a vida se empobrece; quanto maior carga de inconsciente e de mito somos capazes de levar à consciência, tanto mais completa tornamos a nossa vida. A razão, se superestimada, tem isto de comum com o absolutismo político: sob o seu domínio a vida individual se empobrece."



MENDES, Murilo.
"Grécia e Atenas"
in Carta Geográfica, in Transístor, Nova Fronteira, 1980.


Publicado por Patrícia Lino
http://ojardimdeadonis.blogspot.com/2011_01_01_archive.html

Frank Gehry vai desenhar hotel e museu para a Guarda

O arquitecto norte-americano Frank Gehry vai desenhar um hotel de cinco estrelas e um museu numa aldeia do concelho da Guarda. A obra assinada por Gehry integra a terceira fase do empreendimento turístico Cegonha Negra Golf Resort & SPA.

Localizados na freguesia de Gonçalo, a unidade hoteleira e o museu dedicado à comunidade judaica da região (o próprio arquitecto é filho de judeus polacos) deverão abrir ao público em 2014.

O Cegonha Negra Golf Resort & SPA encontra-se, neste momento, a construir a sua segunda fase, da que fazem parte um aldeamento turístico de cinco estrelas, 65 vivendas e um spa medicinal, num investimento que ronda os 25 milhões de euros e que deverá estar concluído dentro de um ano.

O arquitecto, vencedor do Pritzker, prémio Nobel da arquitectura, em 1989, foi contratado pelo empresário Manuel Alexandre Abreu, que em 2003 iniciou este projecto no vizinho concelho de Belmonte com o clube de golfe da Quinta da Bica.


http://p3.publico.pt/cultura/arquitectura/532/frank-gehry-vai-desenhar-hotel-e-museu-para-guarda

Base militar síria

Serviços secretos da Força Aérea são uma das agências mais temidas no país
Base militar síria atacada por desertores do exército fiel a Assad

Um grupo de soldados desertores das tropas sírias atacou durante a noite uma importante base militar do país em Harasta, perto da capital, Damasco, dando sinais de uma cada vez maior intensificação da oposição armada ao regime do contestado Presidente, Bashar al-Assad.

Segundo fontes do grupo da oposição Comissão Geral da Revolução Síria, partes do complexo da base da Força Aérea de Harasta foram destruídas, incluindo o edifício que serve de sede aos serviços secretos deste ramo das forças militares do país.

Os desertores, que se reúnem já num semi-organizado Exército Livre da Síria, usaram rockets e metralhadoras neste ataque às forças convencionais, o mais ousado desde que as primeiras manifestações pacíficas contra Assad eclodiram a 15 de Março – visando agora um alvo que é considerado um dos mais temidos no país e aquele que mais significativo papel tem tido na repressão infligida pelas autoridades contra os protestos ao regime.

Este ataque surge no mesmo dia em que a Liga Árabe reúne em Marrocos para oficializar a suspensão da Síria da organização, decidida já na semana passada, depois de o regime de Assad não ter cumprido no terreno os termos do acordo – que tinha aceite – para pôr fim a esta crise, que acumula mais de 3500 mortos, segundo estimativas das Nações Unidas.

O regime sírio, que argumenta estar a combater “grupos criminosos armados”, mantém os seus tanques e soldados dentro das cidades revoltosas, recusa permitir a entrada de jornalistas estrangeiros no país e nada fez ainda para encetar negociações sérias com a oposição, tudo condições expressamente elencadas no acordo do Plano de Acção Árabe.

Além da operação contra a base de Harasta, nos subúrbios da capital, os soldados rebeldes lançaram também durante esta noite e madrugada outros ataques, mas já de menor envergadura, contra postos de controlo militar nas imediações das cidades de Douma, Qaboun, Arabeen e Saqba. Dois dias antes o auto-designado Exército Livre da Síria atacara uma posição militar do regime em Deraa – a cidade onde surgiram as primeiras manifestações – causando a morte a 34 soldados leais a Assad e 12 desertores.

Por Dulce Furtado,
http://www.publico.pt, 16.11.2011

La crisis de la deuda en Europa «es un problema de voluntad política, no técnico», Barack Obama,

La crisis de la deuda en Europa «es un problema de voluntad política, no técnico», afirmó hoy el presidente de EE.UU., Barack Obama, en una rueda de prensa conjunta con la primera ministra australiana, Julia Gillard.

Obama indicó que, hasta el momento, los países europeos "han hecho progresos» pero añadió que la Unión Europea (UE) debe dejar claro que está decidida a «respaldar el proyecto europeo».

Hasta que eso no suceda «estaré muy preocupado hoy, mañana, la semana próxima y más allá», dijo, y los mercados continuarán los sobresaltos de los últimos días. Insistió en que Europa necesita «un plan y una estructura concreta que envíe a los mercados la señal clara de que está dispuesta a hacer lo necesario».

Hay un deseo genuino de resolver la crisis, pero con una estructura política complicada. «Es un problema de voluntad política, no un problema técnico», aseguró Obama.

Italia y Grecia han puesto en marcha gobiernos de unidad nacional que pondrán en marcha reformas, consideró. «Seguiremos asesorando a los europeos acerca de qué medidas creemos necesarias para que los mercados se calmen», dijo, pero advirtió de que esos países «van a tener que tomar decisiones duras».

En su opinión, hasta el momento, los países europeos han logrado avances en algunos aspectos, como la capitalización de los bancos, pero la prueba clave será el establecimiento de un cortafuegos lo suficientemente sólido como para demostrar «que respaldan el proyecto europeo, y el euro» y los países miembros de la eurozona tendrán la liquidez que necesitan para resolver su deuda.(...)

http://www.abc.es/20111116/economia/abci-obama-problema-euro-politico-201111160948.html

terça-feira, 15 de novembro de 2011

“Dunquerque ou Normandia?”

Só ontem acabei de ler a última edição do Expresso. O suplemento Economia traz um artigo de opinião de Luís Mira Amaral, um dos mais destacados apoiantes dos estarolas da São Caetano, com o sugestivo título “Dunquerque ou Normandia?”, através do qual se percebe o grau de consistência da coligação de direita:

‘(…) participei no desembarque cavaquista de 1985. Avancei sempre na primeira linha da infantaria, nunca consegui chegar ao estado-maior, mas curiosamente nunca fui atingido pelo fogo in, mas várias vezes alvejado pelas forças supostas amigas, as quais posteriormente me puseram em estado de coma na CGD… O mesmo parece estar a acontecer com o ministro da Economia neste desembarque. O CDS-PP quer o lugar e no PSD Moreira da Silva quer ser ministro da Energia, Transportes e Ambiente para o qual já tem como Gabinete de Estudos o Centro de Estudos da Energia, Transportes e Ambiente do Carlos Pimenta¹… O Álvaro que se cuide pois agora toda a gente reconhece a necessidade da função, talvez porque há muitos anos que não existia ministro da Economia.

No meio disto, apareceram também os treinadores de bancada, quais repórteres de guerra. Um deles, aliás já muito activo no governo Sócrates, é Bagão Félix, aquele que fez uma legislação laboral que nada resolveu mas levou a uma greve geral (um desastre em termos de análise custos-benefícios…) e que depois foi o pior ministro das Finanças que tivemos, brindando-nos com um défice superior a 6% do PIB e isto ainda sem crise financeira. Deus queira que as tropas aliadas não o sigam, se não ainda temos um novo Dunquerque…’
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¹ Este notável texto deve também ser lido à luz dos interesses do lobby nuclear, naturalmente mais interessado na manutenção de um Álvaro sem vontade própria e que já admitiu que será estudada a possibilidade de construir uma central nuclear no país.


Publicado por Miguel Abrantes,
http://corporacoes.blogspot.com/

Governo propõe acabar com os feriados de 5 de Outubro e 1 de Dezembro

O Governo propõe cortar com os feriados de 1 de Dezembro, que assinala a restauração da independência, e de 5 de Outubro, que celebra a implantação da República,

A Renascença apurou que serão estes os dois feriados sugeridos pelo Executivo em contrapartida à proposta da Igreja, que avançou com a possibilidade de abdicar do 15 de Agosto, festa da Assunção de Nossa Senhora, e do Corpo de Deus, um feriádo móvel que calha sempre a uma quinta-feira depois do Domingo da Santíssima Trindade que, por sua vez, tem lugar na semana depois de Pentecostes.

A proposta da Igreja é, por enquanto, apenas indicativa, já que a palavra final cabe ao Vaticano, uma vez que o assunto é regulado pela Concordata entre o Estado português e a Santa Sé.

As negociações formais com a Igreja deverão começar em breve. O Estado português será representado por João da Rocha Páris, ex-embaixador de Portugal junto da Santa Sé, e o Vaticano será representado pelo bispo emérito de Bragança, D. António Montes Moreira.

Ainda ontem, o Ministro da Economia referiu que não deverá haver mais mexidas, uma vez que os feriados que restam são inamovíveis. A proposta inicial do Governo foi desde sempre o corte de quatro feriados: dois civis e dois religiosos.

por Domingos Pinto
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Desemprego sobe para 12,5%

A taxa de desemprego subiu para os 12,5% em Setembro, avançou hoje a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE). Em Agosto, a taxa tinha ficado inalterada, nos 12,4%.

Os números colocam Portugal no quarto lugar da lista dos países com maior taxa de desemprego dentro da OCDE. Espanha (com 22,6%) lidera a tabela, seguida da Irlanda (14,2%) e da Eslováquia (13,5%). (...)

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Determinado a não facilitar

Otelo parece entusiasmado com os tumultos na Grécia. E ressuscitou no seu pior. Diz que não gosta de ver militares na rua, mas ameaça com uma saída dos quartéis. Desta vez, diz que até pode ser mais fácil organizar um golpe que derrube o poder político do que foi em 74. Bastam 800 homens.

Na Madeira, Alberto João Jardim não prepara a revolução, mas parece. Com a "troika" a exigir-lhe poupança, decidiu dar folga aos funcionários do seu Estado para o ouvirem discursar. Como se eles tivessem ouvido outra coisa nos últimos 30 anos.

Em Lisboa, Juncker, o presidente do Eurogrupo, encontrou-se com Passos Coelho, em S. Bento, à hora em que Jardim discursava. E não terão ouvido em directo a enésima insolência do político madeirense, que, ao tomar posse – mais uma vez – festejou à dívida contraída porque agora ela não seria possível.

Visto de fora, Portugal tem sol, é ameno, simpático e conta, para já, com um primeiro-ministro que se reafirma determinado a não facilitar na correcção das dívidas. Mas quem aterrasse ontem em Lisboa e ouvisse Otelo e Jardim bem podia lembrar-se do desabafo do general romano que um dia terá constatado: há na parte mais ocidental da Ibéria um povo muito estranho que não se governa nem se deixa governar.

Ângela Silva
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O Presidente do Conselho, Van Rompuy, elogiou as raízes cristãs da Europa

Roma,14 de Novembro, 2011 (ZENIT.org) - Durou todo o sábado a visita a Roma de Herman Van Rompuy, Presidente do Conselho da Europa. Na parte da manhã, Van Rompuy foi recebido em audiência pelo Papa Bento XVI, tendo com o pontífice um colóquio que durou uns vinte minutos.

"Vivemos uma época de crises", começou o Papa em seu discurso ao euro dirigente belga. "Europa tem grandes problemas", acrescentou o Santo Padre, com particular referência à crise económica. Van Rompuy, em seguida, apresentou sua esposa e o resto da sua delegação ao Papa.

De acordo com o que foi referido pela Sala de imprensa da Santa Sé, a reunião foi realizada "em uma atmosfera de cordialidade" que permitiu "uma troca útil de pontos de vista sobre a situação internacional e sobre a contribuição que a Igreja católica deseja oferecer à União Europeia".

O Presidente do Conselho Europeu deu ao Papa o livro Europe epure du dessin ("Europa esboço de um projeto"), enquanto Bento XVI homenageou Van Rompuy e a sua delegação com a medalha do seu pontificado.

Após a reunião com o Papa, Van Rompuy foi recebido pelo Secretário de Estado vaticano, o cardeal Tarcisio Bertone, e pelo Secretário para as Relações com os Estados, monsenhor Dominique Mamberti.

Posteriormente, o Presidente do Conselho Europeu visitou a Comunidade de Santo Egídio, onde ficou para o almoço, discutindo ainda sobre Europa, sobre a crise econômica e sobre o compromisso da União Europeia no Norte da África, depois da Primavera árabe.

Van Rompuy, por fim, participou da conferência Viver juntos na Europa de hoje, hospedado pela Pontifícia Universidade Gregoriana, durante à qual defendeu as raízes cristãs do velho continente.

O Presidente do Conselho da Europa citou o historiador belga Jacques Pirenne, que disse: "A Europa é um verdadeiro caos, formada por antigos povos romanos, cuja civilização tem origens milenárias, e por novos povos que incluem todos os graus de barbárie e semi-barbárie. A Igreja, unindo-os no cristianismo, cria a Europa. Não será uma entidade política, nem uma entidade econômica, essa será exclusivamente uma comunidade cristã".

O cristianismo foi um "elemento constitutivo” que “marcou profundamente as estruturas” do velho continente, acrescentou o ex-primeiro ministro belga.

A Europa como projecto político "foi a resposta para a guerra, para o horror". Essa está “fundada sobre esta rejeição e sobre esta escolha, pelo homem, contra a barbárie e o totalitarismo ", disse Van Rompuy.

A união dos valores que deveriam unir as nossas comunidades não deverá ser apenas a "solidariedade", conceito que "para não ser demasiado estéril, implica uma noção de partilha e de amor". É justo o amor, de acordo com Van Rompuy, o elemento fundamental: um amor "gratuito no sentido do dom".

O amor é uma "força transcendente", sem, no entanto, ser "abstracta". "Ele precisa, também, de concretização – continuou o euro dirigente -. O amor, como também a fé, está morto se não se traduz em obras".

Depois de prestar homenagem à Companhia de Jesus e ao grande legado religioso, cultural e cívico da congregação de Santo Inácio de Loyola, Van Rompuy concluiu com um elogio à cidade de Roma, citando uma frase do Papa Pio XII: "Roma, a geradoura, a anunciadora, a tutora da civilização e dos eternos valores de vida".

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Capitão Desassisado



Outro Ponto de Vista


Acácio de Brito
in DM de 11/11/11 

“O nosso conhecimento só pode ser finito, enquanto a nossa ignorância tem necessariamente de ser infinita” (Karl Popper)

A propósito do frenesim provocado pela presença, ou não, da selecção portuguesa de futebol no europeu da bola chutada pelos pés, uma reflexão: o futebol, enquanto prática desportiva, transformou-se, para bem e para mal, numa indústria de entretenimento que move milhões. Milhões de pessoas e de dinheiro! Os seus actores principais, os jogadores, transformam-se em autênticos deuses do Olimpo. Idolatrados por multidões, têm responsabilidades acrescidas. Significam para muitos, nomeadamente, os mais jovens, modelos que procuram seguir. Recordamos o exemplo de jogadores como António Simões, Coluna, Humberto Coelho, Fernando Gomes, Jordão, Nené, José Augusto e, por que não, Nuno Gomes, Rui Costa ou Messi, como modelos de bom comportamento. Queremos, ou procuramos esquecer, exemplos de outros e de um conjunto de indivíduos, capitaneados não sabemos por quem que, na celebração de uma vitória, que nós devemos parabenizar, a estragam completamente. Sempre visto, do palanque da vitória, o gozo é o insulto ordinário e gratuito. Só não é trágico porque é cómico. As acções caracterizam bem os seus autores. Contudo, não podemos permitir que alguns, sem qualquer formação cívica
e moral, se permitam, de forma leviana, insultar tantos que gostam de futebol e até são adeptos de clubes diferentes. Bem sei que a culpa não é só dos que aparecem, mas isto não deve constituir um factor de desculpabilização. Estes, os que aparecem, têm a responsabilidade acrescida de quem é visto como modelo. Sabemos que muitos dos ídolos têm pés de barro. Os exemplos, tanto no mercado doméstico como no exterior, são abundantes, desde um Vítor Baptista a Best, ou mesmo a Diego Maradona. Mas alguns parecem que nunca aprendem...
O problema, se calhar, pode ser outro: termos alguns dirigentes que, usando e abusando da mais fina ironia, julgam mesmo que são intocáveis! Quão efémeros são os poderes temporais! Às vezes, quando nos apercebemos desta iniludível realidade, o nosso tempo já passou!