Moção:
Criação de Comissão Eventual de Acompanhamento da Reorganização Administrativa
O CDS Braga, consciente da importância, urgência e inevitabilidade, da reorganização administrativa do território do nosso Concelho, e atendendo, em particular, à sensibilidade do tema junto das nossas populações, vem, de uns meses a esta parte, desenvolvendo um esforço no acompanhamento e auscultação dos diversos agentes envolvidos nesta matéria. Exige-se, de todos nós, um acompanhamento e um interesse aprofundado das várias soluções que possam vir a ser apresentadas.
Neste contexto, dada a particular competência da Assembleia Municipal nesta matéria, temos aqui um papel vital no acompanhamento do trabalho que, esperamos, esteja já a ser desenvolvido pela Câmara Municipal.
Este processo de reorganização é vital, não só para as populações como entidades histórico-culturais, como para as próprias juntas de freguesia, que podem ter aqui uma oportunidade, pensamos nós, não só de ganhar dimensão mas assim também assumir um papel mais interventivo. Há, como sabemos, atribuições municipais que seriam exercidas com maior eficácia e ecumenicidade pelas freguesias. Em conjugação com as medidas de redimensionamento propugnadas, poderia surgir a oportunidade para a redefinição de um novo elenco das suas atribuições, incluindo-se neste processo a necessária revisão da Lei n.º 159/99, de 14 de Setembro. Não é, quanto a nós, também de excluir a possibilidade de algumas atribuições da Administração Central poderem passar a caber às Juntas de Freguesias.
Assim, esta reorganização, pode ser a janela de oportunidade para aumentar o conjunto de atribuições e competências objecto de transferência universal para as freguesias, para serem exercidas directamente por estas ou por associações de freguesias, já que as transferências não universais implicam a duplicação de máquinas administrativas, as quais prejudicam a eficiente afectação de recursos públicos.
Como o CDS sempre defendeu, e está plasmado no seu Programa Eleitoral às últimas eleições legislativas; "Não vale a pena entrar numa "guerra de território": a freguesia pode continuar a existir como território e identidade. O que é necessário é agregar Juntas de Freguesia. Várias freguesias podem agrupar-se numa única Junta e Assembleia de Freguesia, devendo, neste particular, ter-se em especial atenção a realidade rural, as distâncias geográficas, os equipamentos ou as redes de transportes existentes." disse.
Por estas razões e pela necessidade de trabalhar esta reorganização como uma oportunidade e não como um problema, é fundamental que esta Assembleia Municipal, dada até a sua especial representatividade, acompanhe de perto o processo.
Por isso propomos:
A constituição de uma Comissão Eventual no seio desta Assembleia Municipal, com a atribuição de acompanhamento do trabalho a realizar pela Câmara Municipal que dará origem à proposta do novo mapa de freguesias do Concelho.
CDS, Assembleia Municipal
Braga, 16 de Setembro de 2011
terça-feira, 20 de setembro de 2011
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
"Infelizmente, para todos, Durão Barroso não é Jacques Delors" Mira Amaral
O ex-ministro diz que é mais barato mandar para casa funcionários públicos, pagando-lhes o salário do que mantê-los a trabalhar
Mira Amaral, presidente do Banco BIC Portugês e ex-ministro da Indústria e Energia acredita que o sector privado o tem tratado melhor que o sector público. E sente-se injustiçado por Cavaco Silva, o seu primeiro-ministro, que, acredita, não soube reconhecer-lhe o devido valor: "Tinha três meninos queridos e nunca soube elogiar o trabalho de ninguém". Agora, para voltar ao governo, só na pele de ministro das Finanças. Conta que a vida o ensinou que as grandes mudanças se fazem com pequenos passos. E que é assim que se gera confiança. Defende o fim do canal público de televisão e de todos os serviços públicos inúteis. E só assim o Estado pode garantir a saúde e a educação, duas prioridades de um Estado Social. Sobre a Europa, diz que a saída de Portugal do euro seria um "disparate" sem tamanho e uma medida "preguiçosa" que nos levaria de volta ao terceiro mundo.
Pertence ao grupo dos que defendem a saída de Portugal do euro?
Portugal sair do euro é um perfeito disparate!
Porquê?
Porque se sairmos do euro a dívida mantém-se em euros e noutras moedas fortes, o que significa que as taxas de juro disparariam para 40 por cento ou 50 por cento, com a consequente perda de poder de compra e de nível de vida. Voltávamos a ser um país de terceiro mundo.
E não estamos quase lá?
Se o problema é a falta de competitividade, é preferível reduzir salários nominais, aumentar horários de trabalho ou reduzir a taxa social única. Tudo medidas que não acarretam as consequências muito graves da saída do euro.
Mas estamos à beira disso...
Sair do euro é condenar Portugal a ser um país de terceiro mundo e seria uma medida preguiçosa para tentar evitar os ajustamentos estruturais que temos que fazer. E vamos ser realistas: haverá sempre países com salários mais baixos. Deixemo-nos de fantasias.
Qual é a sua solução?
Avançar com as reformas estruturais que estão previstas no Memorando assinado com a troika.
O problema do euro existe para lá da questão de Portugal...
O que vai acontecer na Europa não vai depender só de nós. O que temos é que fazer o nosso trabalho de casa bem feito.
Como vê o desempenho de Durão Barroso à frente da Comissão Europeia?
Infelizmente, para todos, Durão Barroso não é um Jaques Delors, que conseguiu formar uma estratégia e levar gente atrás de si.
Barroso nunca apresentou um pensamento estratégico para a integração europeia e para o desenvolvimento desse projecto. A Alemanha e a França não ligam ao presidente e tomam as suas decisões sem ter em conta a coesão europeia .
Portugal está refém da Europa?
Portugal precisa de manter-se no euro como de pão para a boca, mas não podemos ficar dependentes só da Europa. Não podemos esquecer o eixo atlântico, países com Angola e o Brasil. Isto já para não falar da China e da Índia...
Existem vários casos de sucesso de empresas brasileiras em Portugal. No entanto, os empresários portugueses não têm tido muito êxito no Brasil. Há uma explicação para isto?
Há duas ou três razões para isso. A primeira de todas é que o Brasil é mais proteccionista do que nós possamos pensar. Em termos económicos, o Brasil tem muita influência anglo-saxónica... Angola é mais fácil para nós.(...)
Fala das contas nacionais, da despesa pública?
Como o Estado não tem balanço é difícil dizer com exactidão, mas se Portugal fosse uma empresa não teria facturação para fazer face aos seus custos fixos actuais. A despesa fixa é elevada. A despesa pública corrente primária tem que baixar. Está nos 44% do PIB e tem de ir para uns 30% do PIB no espaço de duas legislaturas.
A situação era, antes da intervenção da Troika, de ameaça de estoiro das finanças públicas.
A dívida pública efectiva do Estado português era de cerca de 115% do PIB em 2010, da qual as parcerias público privadas representam 11% e o passivo das empresas públicas representa cerca de 15%.
Mas havia sinais evidentes de ruptura.
Há três anos fui ao Prós e Contras, a pedido do então líder do PSD Luís Filipe Menezes, discutir o Orçamento de Estado com o ministro da Finanças, Teixeira dos Santos. Disse na altura que a redução do défice não era sustentável, porque foi feita à custa do aumento da receita fiscal e não da diminuição da despesa.
E como é que se pode aliviar o peso das empresas públicas nas contas do Estado?
A questão é que as empresas públicas de transportes, por exemplo, que têm uma função social, têm receitas que não cobrem os custos. Mas há outras. Por mim era acabar com a RTP pública, canal 1, canal generalista que faz o mesmo que as privadas. A subvenção pública da empresa é igual ao investimento no TGV.
É preciso reduzir o número de serviços públicos, extinguindo os socialmente inúteis. É evidente que temos de manter o Estado nas funções de soberania e sociais. Mas só assim é que teremos dinheiro para pagar as reformas, os subsídios de desemprego, a saúde.
Se não cortarmos com o Estado inútil, não haverá dinheiro para o Estado Social.
E como se corta com o Estado inútil?
É mais barato para o Estado pagar às pessoas (Função Pública) para ficarem em casa. A poupança é maior. Preferia mandar para casa, com ordenado, uma série de gente. Depois discutia com os sindicatos o que fazer a essas pessoas.
Criaram um complicómetro...
O que é que o choca mais, neste processo?
O que mais me choca é o que aconteceu à Função Pública. Manuela Ferreira Leite congelou a progressão de carreira na Função Pública, e isso tem infelizmente continuado.
Devia ter-se dispensado logo os que não faziam falta e os outros deveriam ser geridos decentemente com naturais aumentos salariais e progressão na carreira.
Era isso que faria, se estivesse no governo?
Se eu chegasse ao governo como ministro das Finanças dizia a cada ministro: "Quais são as suas prioridades essenciais? Muito bem, então quero contrapartidas: que serviços pode extinguir?".
E dava sinal de que algo iria mudar. A vida ensinou-me que a estratégia não é fazer uma aposta grandiosa, é dar pequenos passos. O factor psicológico, introduzindo imediatamente sinais de mudança, é muito importante para gerir as expectativas das pessoas.
Falou no investimento em Angola. Hoje, Angola e corrupção são indissociáveis...
Devem ser os angolanos a falar sobre isso, eu não me meto nessas questões. Mas a verdade é que Angola já ultrapassou a União Europeia como mercado exportador de produtos portugueses. É mais fácil exportar para Angola do que para a União Europeia ou para o Brasil.
Pela experiência que tem, o que quer Angola de Portugal?
O governo angolano quer que as empresas façam parcerias com angolanos, com empresas locais, para ajudar a formar empresários no país e para fomentar o desenvolvimento local.
Eu lembro-me de que quando estava no governo e não havia empresas estrangeiras em Portugal a estratégia que seguimos para atrair investimento era igual. E as empresas não podem estar alheias a este facto.
Agora, também penso que a ex-potência colonizadora deve ser a que menos se deve meter em assuntos internos de Angola.(...)
Há um lobby instalado de grupos de interesse do Estado em relação a quem fornece o quê?
Sim. Choca-me, por exemplo, a protecção que se faz à EDP ou à PT, mas quando é para comprar determinados tipos de serviço fazem-no no mercado global em vez de apoiarem as empresas de software nacionais. É muito interessante. Veja o caso da PT e da EDP com as golden-shares para as proteger. Os gestores, quando é para fazer compras vão fazê-las lá fora, quando podiam comprar a fornecedores portugueses. Aí comportam-se como gestores do mercado internacional. Mas depois, gostavam da golden-share para os proteger de uma OPA...
Para mim, é simples: em condições de igualdade devem ser privilegiadas marcas portuguesas. Mas a compra tem de ser competitiva: a empresa tem de tratar do interesse accionista e o Estado trata do interesse nacional.
Costuma comprar nacional ou estrangeiro?
Como todos sabem gosto de qualidade de vida, embora saiba que há uns esquerdalhos que não gostam desta minha faceta. Se tiver tão bom português como estrangeiro, compro português, até acho que é uma questão de cultura cívica. Há um novo riquismo por produto estrangeiro.
E, como estamos a falar de compras, qual a sua opinião sobre um imposto sobre as grandes fortunas ou cobrar mais a quem ganha mais?
Antes de mais, uma declaração de interesses: eu não sou rico!
Vai responder como Américo Amorim, que é um pobre trabalhador?
Quando se falou nisso, percebi logo que isto ia apanhar a classe média. Como é possível, um país onde a ganhar 50 mil euros já se é rico...
A questão é que taxar o património imobiliário é complicado, porque pode não gerar renda para pagar imposto e vai acabar por ser entregue ao fisco.
No mobiliário a questão é que se pode sempre levar para outro lado. Estas medidas vão fazer fugir capitais, num momento em que o que se devia estar a fazer era captar riqueza externa.
Claro, o pagamento de impostos é um dever cívico indiscutível. Não gosto do aumento de impostos, mas percebo, e não tenham pena de mim.
O que pensa sobre as críticas às empresas que têm sede domiciliária fora de Portugal?
É um disparate. O nosso governo não nasceu de geração espontânea e Portugal assinou o Tratado que prevê a livre circulação de pessoas e bens. Se a Holanda ou o Luxemburgo oferecem boas condições, o que Portugal tem de fazer é oferecer condições melhores, aliviar a carga fiscal.
No tempo de Salazar, havia quem fugisse a pé para França... Agora há livre circulação de capitais, que o governo assinou por interesse do país. Só há uma coisa a perguntar: porque é que eles estão lá e não estão cá?! É tão simples quanto isto.
Ainda sobre si, diz que não é rico mas o valor da sua reforma já fez correr muita tinta...
A minha reforma é em função dos descontos que fiz. Trabalhei para ela contribuindo com 38 anos de carreira contributiva, e sou dos melhores clientes da minha Repartição de Finanças.
Resolvi a questão da Barragem de Cahora Bassa sem cobrar um tostão ao Estado, o que resultou em 900 milhões de dólares para os bolsos do Estado. Podia ter cobrado um fee, que seria elevadíssimo, e não o fiz. Trabalhei dois anos nisto de graça para ajudar o meu país e no fim fui enganado e enxovalhado pelo governo PSD/PP da altura.
Está magoado com Cavaco Silva?
Cavaco Silva conseguiu no governo uma imagem de mais executivo e menos político. Diz que não é político profissional mas é o mais profissional dos políticos portugueses...
Do ISEG trouxe dois amigos Ferreira Leite e Eduardo Catroga. Na Católica, como professor, ficou a gostar de Alexandre Relvas, Luís Palha, António de Sousa e Horta Osório. No governo os eleitos eram Durão Barroso, Ferreira do Amaral, Dias Loureiro, Leonor Beleza, Isabel Mota, Paulo Teixeira Pinto e Teresa Patrício Gouveia. Durão Barroso foi o seu príncipe herdeiro.Tinha três meninos queridos e nunca soube elogiar o trabalho de ninguém.
por Isabel Tavares,
"i", 19 de Setembro de 2011
Mira Amaral, presidente do Banco BIC Portugês e ex-ministro da Indústria e Energia acredita que o sector privado o tem tratado melhor que o sector público. E sente-se injustiçado por Cavaco Silva, o seu primeiro-ministro, que, acredita, não soube reconhecer-lhe o devido valor: "Tinha três meninos queridos e nunca soube elogiar o trabalho de ninguém". Agora, para voltar ao governo, só na pele de ministro das Finanças. Conta que a vida o ensinou que as grandes mudanças se fazem com pequenos passos. E que é assim que se gera confiança. Defende o fim do canal público de televisão e de todos os serviços públicos inúteis. E só assim o Estado pode garantir a saúde e a educação, duas prioridades de um Estado Social. Sobre a Europa, diz que a saída de Portugal do euro seria um "disparate" sem tamanho e uma medida "preguiçosa" que nos levaria de volta ao terceiro mundo.
Pertence ao grupo dos que defendem a saída de Portugal do euro?
Portugal sair do euro é um perfeito disparate!
Porquê?
Porque se sairmos do euro a dívida mantém-se em euros e noutras moedas fortes, o que significa que as taxas de juro disparariam para 40 por cento ou 50 por cento, com a consequente perda de poder de compra e de nível de vida. Voltávamos a ser um país de terceiro mundo.
E não estamos quase lá?
Se o problema é a falta de competitividade, é preferível reduzir salários nominais, aumentar horários de trabalho ou reduzir a taxa social única. Tudo medidas que não acarretam as consequências muito graves da saída do euro.
Mas estamos à beira disso...
Sair do euro é condenar Portugal a ser um país de terceiro mundo e seria uma medida preguiçosa para tentar evitar os ajustamentos estruturais que temos que fazer. E vamos ser realistas: haverá sempre países com salários mais baixos. Deixemo-nos de fantasias.
Qual é a sua solução?
Avançar com as reformas estruturais que estão previstas no Memorando assinado com a troika.
O problema do euro existe para lá da questão de Portugal...
O que vai acontecer na Europa não vai depender só de nós. O que temos é que fazer o nosso trabalho de casa bem feito.
Como vê o desempenho de Durão Barroso à frente da Comissão Europeia?
Infelizmente, para todos, Durão Barroso não é um Jaques Delors, que conseguiu formar uma estratégia e levar gente atrás de si.
Barroso nunca apresentou um pensamento estratégico para a integração europeia e para o desenvolvimento desse projecto. A Alemanha e a França não ligam ao presidente e tomam as suas decisões sem ter em conta a coesão europeia .
Portugal está refém da Europa?
Portugal precisa de manter-se no euro como de pão para a boca, mas não podemos ficar dependentes só da Europa. Não podemos esquecer o eixo atlântico, países com Angola e o Brasil. Isto já para não falar da China e da Índia...
Existem vários casos de sucesso de empresas brasileiras em Portugal. No entanto, os empresários portugueses não têm tido muito êxito no Brasil. Há uma explicação para isto?
Há duas ou três razões para isso. A primeira de todas é que o Brasil é mais proteccionista do que nós possamos pensar. Em termos económicos, o Brasil tem muita influência anglo-saxónica... Angola é mais fácil para nós.(...)
Fala das contas nacionais, da despesa pública?
Como o Estado não tem balanço é difícil dizer com exactidão, mas se Portugal fosse uma empresa não teria facturação para fazer face aos seus custos fixos actuais. A despesa fixa é elevada. A despesa pública corrente primária tem que baixar. Está nos 44% do PIB e tem de ir para uns 30% do PIB no espaço de duas legislaturas.
A situação era, antes da intervenção da Troika, de ameaça de estoiro das finanças públicas.
A dívida pública efectiva do Estado português era de cerca de 115% do PIB em 2010, da qual as parcerias público privadas representam 11% e o passivo das empresas públicas representa cerca de 15%.
Mas havia sinais evidentes de ruptura.
Há três anos fui ao Prós e Contras, a pedido do então líder do PSD Luís Filipe Menezes, discutir o Orçamento de Estado com o ministro da Finanças, Teixeira dos Santos. Disse na altura que a redução do défice não era sustentável, porque foi feita à custa do aumento da receita fiscal e não da diminuição da despesa.
E como é que se pode aliviar o peso das empresas públicas nas contas do Estado?
A questão é que as empresas públicas de transportes, por exemplo, que têm uma função social, têm receitas que não cobrem os custos. Mas há outras. Por mim era acabar com a RTP pública, canal 1, canal generalista que faz o mesmo que as privadas. A subvenção pública da empresa é igual ao investimento no TGV.
É preciso reduzir o número de serviços públicos, extinguindo os socialmente inúteis. É evidente que temos de manter o Estado nas funções de soberania e sociais. Mas só assim é que teremos dinheiro para pagar as reformas, os subsídios de desemprego, a saúde.
Se não cortarmos com o Estado inútil, não haverá dinheiro para o Estado Social.
E como se corta com o Estado inútil?
É mais barato para o Estado pagar às pessoas (Função Pública) para ficarem em casa. A poupança é maior. Preferia mandar para casa, com ordenado, uma série de gente. Depois discutia com os sindicatos o que fazer a essas pessoas.
Criaram um complicómetro...
O que é que o choca mais, neste processo?
O que mais me choca é o que aconteceu à Função Pública. Manuela Ferreira Leite congelou a progressão de carreira na Função Pública, e isso tem infelizmente continuado.
Devia ter-se dispensado logo os que não faziam falta e os outros deveriam ser geridos decentemente com naturais aumentos salariais e progressão na carreira.
Era isso que faria, se estivesse no governo?
Se eu chegasse ao governo como ministro das Finanças dizia a cada ministro: "Quais são as suas prioridades essenciais? Muito bem, então quero contrapartidas: que serviços pode extinguir?".
E dava sinal de que algo iria mudar. A vida ensinou-me que a estratégia não é fazer uma aposta grandiosa, é dar pequenos passos. O factor psicológico, introduzindo imediatamente sinais de mudança, é muito importante para gerir as expectativas das pessoas.
Falou no investimento em Angola. Hoje, Angola e corrupção são indissociáveis...
Devem ser os angolanos a falar sobre isso, eu não me meto nessas questões. Mas a verdade é que Angola já ultrapassou a União Europeia como mercado exportador de produtos portugueses. É mais fácil exportar para Angola do que para a União Europeia ou para o Brasil.
Pela experiência que tem, o que quer Angola de Portugal?
O governo angolano quer que as empresas façam parcerias com angolanos, com empresas locais, para ajudar a formar empresários no país e para fomentar o desenvolvimento local.
Eu lembro-me de que quando estava no governo e não havia empresas estrangeiras em Portugal a estratégia que seguimos para atrair investimento era igual. E as empresas não podem estar alheias a este facto.
Agora, também penso que a ex-potência colonizadora deve ser a que menos se deve meter em assuntos internos de Angola.(...)
Há um lobby instalado de grupos de interesse do Estado em relação a quem fornece o quê?
Sim. Choca-me, por exemplo, a protecção que se faz à EDP ou à PT, mas quando é para comprar determinados tipos de serviço fazem-no no mercado global em vez de apoiarem as empresas de software nacionais. É muito interessante. Veja o caso da PT e da EDP com as golden-shares para as proteger. Os gestores, quando é para fazer compras vão fazê-las lá fora, quando podiam comprar a fornecedores portugueses. Aí comportam-se como gestores do mercado internacional. Mas depois, gostavam da golden-share para os proteger de uma OPA...
Para mim, é simples: em condições de igualdade devem ser privilegiadas marcas portuguesas. Mas a compra tem de ser competitiva: a empresa tem de tratar do interesse accionista e o Estado trata do interesse nacional.
Costuma comprar nacional ou estrangeiro?
Como todos sabem gosto de qualidade de vida, embora saiba que há uns esquerdalhos que não gostam desta minha faceta. Se tiver tão bom português como estrangeiro, compro português, até acho que é uma questão de cultura cívica. Há um novo riquismo por produto estrangeiro.
E, como estamos a falar de compras, qual a sua opinião sobre um imposto sobre as grandes fortunas ou cobrar mais a quem ganha mais?
Antes de mais, uma declaração de interesses: eu não sou rico!
Vai responder como Américo Amorim, que é um pobre trabalhador?
Quando se falou nisso, percebi logo que isto ia apanhar a classe média. Como é possível, um país onde a ganhar 50 mil euros já se é rico...
A questão é que taxar o património imobiliário é complicado, porque pode não gerar renda para pagar imposto e vai acabar por ser entregue ao fisco.
No mobiliário a questão é que se pode sempre levar para outro lado. Estas medidas vão fazer fugir capitais, num momento em que o que se devia estar a fazer era captar riqueza externa.
Claro, o pagamento de impostos é um dever cívico indiscutível. Não gosto do aumento de impostos, mas percebo, e não tenham pena de mim.
O que pensa sobre as críticas às empresas que têm sede domiciliária fora de Portugal?
É um disparate. O nosso governo não nasceu de geração espontânea e Portugal assinou o Tratado que prevê a livre circulação de pessoas e bens. Se a Holanda ou o Luxemburgo oferecem boas condições, o que Portugal tem de fazer é oferecer condições melhores, aliviar a carga fiscal.
No tempo de Salazar, havia quem fugisse a pé para França... Agora há livre circulação de capitais, que o governo assinou por interesse do país. Só há uma coisa a perguntar: porque é que eles estão lá e não estão cá?! É tão simples quanto isto.
Ainda sobre si, diz que não é rico mas o valor da sua reforma já fez correr muita tinta...
A minha reforma é em função dos descontos que fiz. Trabalhei para ela contribuindo com 38 anos de carreira contributiva, e sou dos melhores clientes da minha Repartição de Finanças.
Resolvi a questão da Barragem de Cahora Bassa sem cobrar um tostão ao Estado, o que resultou em 900 milhões de dólares para os bolsos do Estado. Podia ter cobrado um fee, que seria elevadíssimo, e não o fiz. Trabalhei dois anos nisto de graça para ajudar o meu país e no fim fui enganado e enxovalhado pelo governo PSD/PP da altura.
Está magoado com Cavaco Silva?
Cavaco Silva conseguiu no governo uma imagem de mais executivo e menos político. Diz que não é político profissional mas é o mais profissional dos políticos portugueses...
Do ISEG trouxe dois amigos Ferreira Leite e Eduardo Catroga. Na Católica, como professor, ficou a gostar de Alexandre Relvas, Luís Palha, António de Sousa e Horta Osório. No governo os eleitos eram Durão Barroso, Ferreira do Amaral, Dias Loureiro, Leonor Beleza, Isabel Mota, Paulo Teixeira Pinto e Teresa Patrício Gouveia. Durão Barroso foi o seu príncipe herdeiro.Tinha três meninos queridos e nunca soube elogiar o trabalho de ninguém.
por Isabel Tavares,
"i", 19 de Setembro de 2011
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
2.000 mensagens!
Chegámos às 2.000 mensagens!
E há ainda muito para dizer e, principalmente, a fazer por Braga!
E há ainda muito para dizer e, principalmente, a fazer por Braga!
A Primavera Árabe, uma revolução sequestrada
Patriarca Naguib: objetivos iniciais ainda estão longe
MUNIQUE, quinta-feira, 15 de setembro de 2011 (ZENIT.org) – “Uma geração jovem, que tinha sido deixada de lado, que se familiarizou com os meios de comunicação modernos e se conectou à rede sem a mediação de partidos políticos ou religiosos. Eles têm fé, mas separam política e religião. Eles provocaram a revolução e são a garantia dos objetivos iniciais: justiça, dignidade e trabalho”.
É o cardeal Antonios Naguib, patriarca copta católico de Alexandria, quem descreve os jovens da praça Tahrir, protagonistas da revolução de janeiro que derrubou Hosni Mubarak da presidência egípcia, “pondo fim em 18 dias a 30 anos de um regime de aparência democrática, mas ditatorial na prática”.
Muito foi dito sobre a “primavera árabe” no encontro mundial “Bound to Live Together - Religões e culturas em diálogo”, em Munique, por iniciativa da Comunidade de Santo Egídio e daquela arquidiocese alemã. É evidente o vínculo entre o desenvolvimento das mudanças institucionais e políticas e a convivência entre os povos e as religiões nas áreas já “quentes” do Oriente Médio e norte africano.
Revolução sequestrada
A “queda do muro de medo que bloqueava a livre expressão de opiniões e críticas” e o “despertar da possibilidade de sonhar com um mundo melhor, baseado nos princípios de uma sociedade democrática” são, para Naguib, os efeitos principais da revolução egípcia. No tocante ao religioso, ele destaca ainda “a desaparição das barreiras confessionais psicológicas e sociais que separavam os muçulmanos dos cristãos e que causavam conflitos frequentes, muitas vezes dramáticos”.
Tudo isso ficou evidente nos primeiros momentos da reação. Mas, hoje, em que ponto estamos? Os objetivos iniciais estão “longe do alcance da mão”. A falta de segurança e o aumento dos preços condicionam muito esta fase e preocupam os cidadãos. “Movimentos islamistas como os Irmãos Muçulmanos, os salafitas e outros grupos mudaram a situação política a ponto de se falar de uma revolução 'sequestrada'. E reapareceram os conflitos entre muçulmanos e cristãos”, afirma Naguib.
O elemento tranquilizador é a Declaração de Al-Azhar e de uma elite intelectual sobre o futuro do Egito, de 19 de julho de 2011, uma “clara tomada de posição dentro da suprema autoridade religiosa sunita que rejeita o estado teocrático e apóia a instituição de um Estado nacional, constitucional, democrático, moderno”, completa o patriarca.
Primavera árabe?
Enquanto a ONU difunde o número de vítimas da repressão na Síria (2.600 desde março), a definição de “primavera árabe” é questionada por Gregórios III Laham, patriarca de Antioquia dos melquitas: “Não estamos diante de uma revolução, mas de manifestações de praça, manipuladas pelo exterior, que têm o objetivo de agredir e criar confusão. O governo reage para se defender”. E prossegue: “A Síria é um país com liberdade e democracia: não é à toa que nos últimos cinco anos abriram dez universidades europeias no país”.
Seria necessário “dar uma chance ao presidente Assad, já que a Síria pode ser um verdadeiro instrumento de paz para o Oriente Médio”. “Mais que uma revolução”, afirma Laham, “temos que falar de uma luta entre grupos sunitas e alauitas pelo poder: parece mais uma guerra civil”. “Os cristãos não se sentem em perigo, não houve hostilidades contra eles, mas tememos o caos que pode surgir da derrocada do governo se faltar uma verdadeira alternativa”.
Rota para a democracia
“Quarenta anos de abusos nos deram uma visão clara do nosso futuro”, afirma Fathi Mohammed Baja, responsável de Assuntos Políticos e Internacionais do Conselho de Transição Nacional da Líbia, o CNT. Ao falar de “Qual é o futuro para o mundo árabe?”, Baja descreveu para os jornalistas a situação do país. “Já que Gadaffi rejeitou qualquer tipo de solução pacífica, somos obrigados a usar a opção militar até que a Líbia seja libertada: depois vamos voltar a ser um movimento pacífico e trabalhar pela democracia”.
“Hoje”, prossegue Baja, “controlamos 70% da capital Trípoli. Quando libertarmos toda a cidade, levaremos para lá o governo de transição, que está em Bengasi. Na liderança do nosso movimento temos juízes, professores, peritos em direito, e o CNT tem uma rota para a democratização da Líbia, no militar, no jurídico e institucional, na justiça para evitar vinganças, na imprensa, nos tribunais civis”. A ação “deverá contar com um plano em prol das vastas faixas da nossa população que são afetadas pela pobreza”.
“Desde 1995, a Líbia registra 80 bilhões de dólares por ano com a venda de petróleo. Uma boa parte irá para a reconstrução e para a luta contra o desemprego e o analfabetismo”.
Quanto à possibilidade da afirmação de tendências fundamentalistas islâmicas, “isso é mais um temor ocidental, porque na Líbia não existe um movimento fundamentalista, e sim um movimento pela libertação e pela democracia. Temos em mente uma alternativa muito clara, rejeitar os movimentos violentos e unificar visões políticas diferentes. Queremos eleições livres. Acreditamos no respeito aos direitos humanos e não queremos o fundamentalismo e muito menos o terrorismo”.
“Para a Líbia moderna, queremos a paz”, acrescenta o representante do CNT. “E o povo está em consenso quanto ao 'depois de Gadaffi', porque quer participar de uma sociedade democrática”.
A propósito das relações da “nova Líbia” com o ex-rais, Baja precisa que “quando capturarmos Gadaffi, o processo contra ele será na Líbia, porque o Tribunal Penal Internacional de Haia só o processaria pelos crimes cometidos desde fevereiro deste ano, mas ele mata a nossa gente e nos rouba desde 1969. Se, depois da justiça líbia, o Tribunal de Haia também quiser processá-lo, não vejo problema em processá-lo duas vezes”.
(Chiara Santomiero)
MUNIQUE, quinta-feira, 15 de setembro de 2011 (ZENIT.org) – “Uma geração jovem, que tinha sido deixada de lado, que se familiarizou com os meios de comunicação modernos e se conectou à rede sem a mediação de partidos políticos ou religiosos. Eles têm fé, mas separam política e religião. Eles provocaram a revolução e são a garantia dos objetivos iniciais: justiça, dignidade e trabalho”.
É o cardeal Antonios Naguib, patriarca copta católico de Alexandria, quem descreve os jovens da praça Tahrir, protagonistas da revolução de janeiro que derrubou Hosni Mubarak da presidência egípcia, “pondo fim em 18 dias a 30 anos de um regime de aparência democrática, mas ditatorial na prática”.
Muito foi dito sobre a “primavera árabe” no encontro mundial “Bound to Live Together - Religões e culturas em diálogo”, em Munique, por iniciativa da Comunidade de Santo Egídio e daquela arquidiocese alemã. É evidente o vínculo entre o desenvolvimento das mudanças institucionais e políticas e a convivência entre os povos e as religiões nas áreas já “quentes” do Oriente Médio e norte africano.
Revolução sequestrada
A “queda do muro de medo que bloqueava a livre expressão de opiniões e críticas” e o “despertar da possibilidade de sonhar com um mundo melhor, baseado nos princípios de uma sociedade democrática” são, para Naguib, os efeitos principais da revolução egípcia. No tocante ao religioso, ele destaca ainda “a desaparição das barreiras confessionais psicológicas e sociais que separavam os muçulmanos dos cristãos e que causavam conflitos frequentes, muitas vezes dramáticos”.
Tudo isso ficou evidente nos primeiros momentos da reação. Mas, hoje, em que ponto estamos? Os objetivos iniciais estão “longe do alcance da mão”. A falta de segurança e o aumento dos preços condicionam muito esta fase e preocupam os cidadãos. “Movimentos islamistas como os Irmãos Muçulmanos, os salafitas e outros grupos mudaram a situação política a ponto de se falar de uma revolução 'sequestrada'. E reapareceram os conflitos entre muçulmanos e cristãos”, afirma Naguib.
O elemento tranquilizador é a Declaração de Al-Azhar e de uma elite intelectual sobre o futuro do Egito, de 19 de julho de 2011, uma “clara tomada de posição dentro da suprema autoridade religiosa sunita que rejeita o estado teocrático e apóia a instituição de um Estado nacional, constitucional, democrático, moderno”, completa o patriarca.
Primavera árabe?
Enquanto a ONU difunde o número de vítimas da repressão na Síria (2.600 desde março), a definição de “primavera árabe” é questionada por Gregórios III Laham, patriarca de Antioquia dos melquitas: “Não estamos diante de uma revolução, mas de manifestações de praça, manipuladas pelo exterior, que têm o objetivo de agredir e criar confusão. O governo reage para se defender”. E prossegue: “A Síria é um país com liberdade e democracia: não é à toa que nos últimos cinco anos abriram dez universidades europeias no país”.
Seria necessário “dar uma chance ao presidente Assad, já que a Síria pode ser um verdadeiro instrumento de paz para o Oriente Médio”. “Mais que uma revolução”, afirma Laham, “temos que falar de uma luta entre grupos sunitas e alauitas pelo poder: parece mais uma guerra civil”. “Os cristãos não se sentem em perigo, não houve hostilidades contra eles, mas tememos o caos que pode surgir da derrocada do governo se faltar uma verdadeira alternativa”.
Rota para a democracia
“Quarenta anos de abusos nos deram uma visão clara do nosso futuro”, afirma Fathi Mohammed Baja, responsável de Assuntos Políticos e Internacionais do Conselho de Transição Nacional da Líbia, o CNT. Ao falar de “Qual é o futuro para o mundo árabe?”, Baja descreveu para os jornalistas a situação do país. “Já que Gadaffi rejeitou qualquer tipo de solução pacífica, somos obrigados a usar a opção militar até que a Líbia seja libertada: depois vamos voltar a ser um movimento pacífico e trabalhar pela democracia”.
“Hoje”, prossegue Baja, “controlamos 70% da capital Trípoli. Quando libertarmos toda a cidade, levaremos para lá o governo de transição, que está em Bengasi. Na liderança do nosso movimento temos juízes, professores, peritos em direito, e o CNT tem uma rota para a democratização da Líbia, no militar, no jurídico e institucional, na justiça para evitar vinganças, na imprensa, nos tribunais civis”. A ação “deverá contar com um plano em prol das vastas faixas da nossa população que são afetadas pela pobreza”.
“Desde 1995, a Líbia registra 80 bilhões de dólares por ano com a venda de petróleo. Uma boa parte irá para a reconstrução e para a luta contra o desemprego e o analfabetismo”.
Quanto à possibilidade da afirmação de tendências fundamentalistas islâmicas, “isso é mais um temor ocidental, porque na Líbia não existe um movimento fundamentalista, e sim um movimento pela libertação e pela democracia. Temos em mente uma alternativa muito clara, rejeitar os movimentos violentos e unificar visões políticas diferentes. Queremos eleições livres. Acreditamos no respeito aos direitos humanos e não queremos o fundamentalismo e muito menos o terrorismo”.
“Para a Líbia moderna, queremos a paz”, acrescenta o representante do CNT. “E o povo está em consenso quanto ao 'depois de Gadaffi', porque quer participar de uma sociedade democrática”.
A propósito das relações da “nova Líbia” com o ex-rais, Baja precisa que “quando capturarmos Gadaffi, o processo contra ele será na Líbia, porque o Tribunal Penal Internacional de Haia só o processaria pelos crimes cometidos desde fevereiro deste ano, mas ele mata a nossa gente e nos rouba desde 1969. Se, depois da justiça líbia, o Tribunal de Haia também quiser processá-lo, não vejo problema em processá-lo duas vezes”.
(Chiara Santomiero)
Artigo Revista SIM nº92
LOW COAST MOTORSPORT
Do ditame latino “sol lucet omnibus”, o sol quando nasce é para todos, retiro a máxima que servirá de base a este artigo, a saber, o crise quando vem é para todos. Como não podia deixar de ser o mundo dos desportos motorizados não foi excepção.
A verdade é que os chamados troféus low coast, são uma solução, muitas vezes a única, para os aficionados deste desporto esta pode ser a única via para poderem praticar as modalidades associadas a este apaixonante desporto.
Ora, os troféus low coast em Portugal tiveram o seu grande impulso com o ressurgimento do troféu Datsun 1200, o primeiro troféu de clássicos em Portugal. Foi pelas mãos de José Megre, essa personagem incontornável dos desportos motorizados, que surgiu esta ideia de promover troféus mais acessíveis ao comum dos pilotos. Ora, como não pode deixar de ser, a experiência que se vai adquirindo ao longo do tempo em que se pratica este tipo de modalidades, vai-nos mostrando que o processo evolutivo de preparação de qualquer viatura de competição, ainda que os regulamentos sejam apertados e restritivos cria, naturalmente desigualdades. A título de exemplo, podemos entender o seguinte, à medida que os troféus com as características do Datsun e, mais recentemente, dos Uno’s e Punto’s da FEUP, vão avançando no tempo, vão surgindo mais participantes, uns com mais poder económico, outros com menos...e, pasme-se, existem os que gastam verdadeiras fortunas na preparação de um Fiat Uno, simplesmente para terem vantagem competitiva sobre outros, com menos poder económico. Ora, esta desigualdade financeira desvirtua completamente a natureza destes troféus que pretendem criar um “produto” acessível e equilibrado, de forma a ter um compromisso excelente na relação preço/competitividade.
Há que dar o mérito a iniciativas com as do Sr. José Megre e da FEUP, pois são eles os grandes precursores dos desportos motorizados em Portugal. São os que criam dinâmicas que permitem termos mais pilotos, mais carros em pista e nas estradas, mais aficionados...enfim, mais sinergias que fazem progredir e não deixam morrer os desportos motorizados. Como não há bela sem senão, a verdade é que estes troféus são muitas vezes subvertidos pelo poder do dinheiro. Quem investe dezenas de milhares de euros num Fiat Uno para correr tem, do meu ponto de vista, dois problemas a serem combatidos, a saber, não tem capacidade para ter bons resultados em carros mais potentes e evoluídos e noutro tipo de campeonatos e, caso venha a ser vencedor do troféu low coast, nunca saberemos se foi de facto o melhor, ou o mais rico.
Há que combater esta tendência de uns mais abonados financeiramente que, de forma persistente, condicionam o sucesso de uma ideia tão bem conseguida e singular como é a dos troféus low coast.
Este tipo de troféus e iniciativas é o mais próximo que chegaremos da máxima “desportos motorizados para todos”.
Do ditame latino “sol lucet omnibus”, o sol quando nasce é para todos, retiro a máxima que servirá de base a este artigo, a saber, o crise quando vem é para todos. Como não podia deixar de ser o mundo dos desportos motorizados não foi excepção.
A verdade é que os chamados troféus low coast, são uma solução, muitas vezes a única, para os aficionados deste desporto esta pode ser a única via para poderem praticar as modalidades associadas a este apaixonante desporto.
Ora, os troféus low coast em Portugal tiveram o seu grande impulso com o ressurgimento do troféu Datsun 1200, o primeiro troféu de clássicos em Portugal. Foi pelas mãos de José Megre, essa personagem incontornável dos desportos motorizados, que surgiu esta ideia de promover troféus mais acessíveis ao comum dos pilotos. Ora, como não pode deixar de ser, a experiência que se vai adquirindo ao longo do tempo em que se pratica este tipo de modalidades, vai-nos mostrando que o processo evolutivo de preparação de qualquer viatura de competição, ainda que os regulamentos sejam apertados e restritivos cria, naturalmente desigualdades. A título de exemplo, podemos entender o seguinte, à medida que os troféus com as características do Datsun e, mais recentemente, dos Uno’s e Punto’s da FEUP, vão avançando no tempo, vão surgindo mais participantes, uns com mais poder económico, outros com menos...e, pasme-se, existem os que gastam verdadeiras fortunas na preparação de um Fiat Uno, simplesmente para terem vantagem competitiva sobre outros, com menos poder económico. Ora, esta desigualdade financeira desvirtua completamente a natureza destes troféus que pretendem criar um “produto” acessível e equilibrado, de forma a ter um compromisso excelente na relação preço/competitividade.
Há que dar o mérito a iniciativas com as do Sr. José Megre e da FEUP, pois são eles os grandes precursores dos desportos motorizados em Portugal. São os que criam dinâmicas que permitem termos mais pilotos, mais carros em pista e nas estradas, mais aficionados...enfim, mais sinergias que fazem progredir e não deixam morrer os desportos motorizados. Como não há bela sem senão, a verdade é que estes troféus são muitas vezes subvertidos pelo poder do dinheiro. Quem investe dezenas de milhares de euros num Fiat Uno para correr tem, do meu ponto de vista, dois problemas a serem combatidos, a saber, não tem capacidade para ter bons resultados em carros mais potentes e evoluídos e noutro tipo de campeonatos e, caso venha a ser vencedor do troféu low coast, nunca saberemos se foi de facto o melhor, ou o mais rico.
Há que combater esta tendência de uns mais abonados financeiramente que, de forma persistente, condicionam o sucesso de uma ideia tão bem conseguida e singular como é a dos troféus low coast.
Este tipo de troféus e iniciativas é o mais próximo que chegaremos da máxima “desportos motorizados para todos”.
Publicada por
Ramiro Brito
às
12:11
0
comentários
Enviar a mensagem por emailDê a sua opinião!Partilhar no TwitterPartilhar no FacebookPartilhar no Pinterest
EUA: mais de 150 meios-irmãos do mesmo sêmen
WASHINGTON, quinta-feira, 15 de setembro de 2011 (ZENIT.org) – Uma trabalhadora social da área de Washington revelou ter descoberto que o sêmen utilizado para conceber seu filho, há sete anos, deu vida a pelo menos outras 150 crianças, o que gerou um debate moral sobre as consequências do fato. Existe inclusive a possibilidade de que se produza um incesto acidental.
Cynthia Daily, de 48 anos, declarou ao jornal The New York Times – em um artigo publicado em 6 de setembro – que iniciou uma busca dos meios-irmãos do seu filho através de um registro na internet.
Ela e seu cônjuge recorreram a um doador para conceber um bebê, há sete anos, e esperavam que um dia seu filho pudesse conhecer alguns dos seus meios-irmãos. Após buscar no registro virtual, Cynthia ajudou a criar um grupo online para poder rastreá-los.
Com os anos, viu como ia crescendo a quantidade de crianças do grupo do seu filho. Hoje, são mais de 150 e há outros a caminho. “É uma loucura vê-los juntos, porque são todos parecidos”, contou Cynthia, que às vezes sai de férias com famílias do grupo do seu filho.
À medida que cada vez mais mulheres decidem ter seus filhos sozinhas e aumenta a quantidade de nascidos por inseminação artificial, começam a aparecer grupos numerosos de irmãos, filhos de um mesmo doador. Nos Estados Unidos, onde a matéria não é regulamentada, há uma crescente preocupação entre pais, doadores e médicos sobre as potenciais consequências negativas de que haja tantos filhos do mesmo doador, inclusive a possibilidade de que genes de doenças raras se disseminem com mais facilidade. Alguns especialistas advertem sobre a possibilidade de que haja um incesto acidental entre meios-irmãos.
“Minha filha conhece o número do seu doador justamente por este motivo – contou a mãe de uma adolescente concebida por meio de doação de sêmen na Califórnia. Ela até se apaixonou por meninos que são filhos de doadores. O tema já é parte da educação sexual.”
Os setores mais críticos sustentam que os bancos de sêmen e clínicas de fertilidade estão lucrando muito, ao permitir que uma quantidade muito grande de crianças seja concebida com sêmen de doadores populares. Pedem limitem legais para a quantidade de crianças que podem ser concebidas com o sêmen de um mesmo doador.
“Ao comprar um carro usado, há mais regras a serem levadas em consideração que ao comprar sêmen”, disse Debora Spar, autora de “The Baby Business: How Money, Science and Politics Drive the Commerce of Conception” (“O negócio dos bebês: de que forma o dinheiro, a ciência e a política manejam o comércio da concepção”).
Ainda que em outros países, como Reino Unido, França e Suécia, limitem a quantidade de filhos para os quais um doador pode oferecer sêmen, nos Estados Unidos esse limite não existe.
Na Espanha, as clínicas de reprodução assistida mantêm as amostras congeladas até conseguir seis gravidezes por doador. Este é o máximo que a lei permite sobre técnicas de reprodução assistida.
A gratificação econômica para os doadores, um tema polêmico, é defendida, no entanto, pelas clínicas de reprodução assistida na Espanha. Especialistas reconhecem que, se não fossem abonados os 600 euros estabelecidos por doação, praticamente não haveria doadores. O retrato falado do doador de sêmen na Espanha é de um jovem universitário de menos de 35 anos.
Cynthia Daily, de 48 anos, declarou ao jornal The New York Times – em um artigo publicado em 6 de setembro – que iniciou uma busca dos meios-irmãos do seu filho através de um registro na internet.
Ela e seu cônjuge recorreram a um doador para conceber um bebê, há sete anos, e esperavam que um dia seu filho pudesse conhecer alguns dos seus meios-irmãos. Após buscar no registro virtual, Cynthia ajudou a criar um grupo online para poder rastreá-los.
Com os anos, viu como ia crescendo a quantidade de crianças do grupo do seu filho. Hoje, são mais de 150 e há outros a caminho. “É uma loucura vê-los juntos, porque são todos parecidos”, contou Cynthia, que às vezes sai de férias com famílias do grupo do seu filho.
À medida que cada vez mais mulheres decidem ter seus filhos sozinhas e aumenta a quantidade de nascidos por inseminação artificial, começam a aparecer grupos numerosos de irmãos, filhos de um mesmo doador. Nos Estados Unidos, onde a matéria não é regulamentada, há uma crescente preocupação entre pais, doadores e médicos sobre as potenciais consequências negativas de que haja tantos filhos do mesmo doador, inclusive a possibilidade de que genes de doenças raras se disseminem com mais facilidade. Alguns especialistas advertem sobre a possibilidade de que haja um incesto acidental entre meios-irmãos.
“Minha filha conhece o número do seu doador justamente por este motivo – contou a mãe de uma adolescente concebida por meio de doação de sêmen na Califórnia. Ela até se apaixonou por meninos que são filhos de doadores. O tema já é parte da educação sexual.”
Os setores mais críticos sustentam que os bancos de sêmen e clínicas de fertilidade estão lucrando muito, ao permitir que uma quantidade muito grande de crianças seja concebida com sêmen de doadores populares. Pedem limitem legais para a quantidade de crianças que podem ser concebidas com o sêmen de um mesmo doador.
“Ao comprar um carro usado, há mais regras a serem levadas em consideração que ao comprar sêmen”, disse Debora Spar, autora de “The Baby Business: How Money, Science and Politics Drive the Commerce of Conception” (“O negócio dos bebês: de que forma o dinheiro, a ciência e a política manejam o comércio da concepção”).
Ainda que em outros países, como Reino Unido, França e Suécia, limitem a quantidade de filhos para os quais um doador pode oferecer sêmen, nos Estados Unidos esse limite não existe.
Na Espanha, as clínicas de reprodução assistida mantêm as amostras congeladas até conseguir seis gravidezes por doador. Este é o máximo que a lei permite sobre técnicas de reprodução assistida.
A gratificação econômica para os doadores, um tema polêmico, é defendida, no entanto, pelas clínicas de reprodução assistida na Espanha. Especialistas reconhecem que, se não fossem abonados os 600 euros estabelecidos por doação, praticamente não haveria doadores. O retrato falado do doador de sêmen na Espanha é de um jovem universitário de menos de 35 anos.
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
Portas
Acordo sobre vistos para Angola satisfaz necessidades, diz MNE
Portugal e Angola assinaram esta tarde um protocolo com as novas regras dos vistos de curta duração. O prazo é alargado de 30 para 180 dias por ano e permite entradas múltiplas, o que não acontecia até aqui. Paulo Portas já classificou este acordo como muito importante. Na cerimónia de assinatura do protocolo, o ministro dos Negócios Estrangeiros anunciou ainda que a partir de outubro todos os serviços consulares de Portugal e Angola, estão em condições de emitir vistos de acordo com as novas regras.
http://tv1.rtp.pt/noticias/
Portugal e Angola assinaram esta tarde um protocolo com as novas regras dos vistos de curta duração. O prazo é alargado de 30 para 180 dias por ano e permite entradas múltiplas, o que não acontecia até aqui. Paulo Portas já classificou este acordo como muito importante. Na cerimónia de assinatura do protocolo, o ministro dos Negócios Estrangeiros anunciou ainda que a partir de outubro todos os serviços consulares de Portugal e Angola, estão em condições de emitir vistos de acordo com as novas regras.
http://tv1.rtp.pt/noticias/
quarta-feira, 14 de setembro de 2011
Rio Este
Estão a decorrer no Rio Este – entre a Av. Frei Bartolomeu dos Mártires e a Ponte Pedrinha – as obras de regularização e ordenamento, estimadas em 2.5 M€. Mas, estas obras suscitam várias dúvidas.
A origem do problema está na falta de cuidado na manutenção do Rio. Desde há trinta anos para cá houve muito descuido com a qualidade da água. As questões ambientais e a protecção do Rio Este pareciam não ter importância e foi despejado para ali todo o tipo de lixo e esgotos. Acabaram por ser associações de voluntários a fazer muito que o município não fez. Este valioso património ambiental e cultural ficou em causa.
1. A questão mais importante é a da qualidade da água.
Assim, deve haver controlo regular e os focos de poluição têm que ser combatidos. É aqui que a Câmara tem que intervir pois é da sua responsabilidade. Se não, o desleixo continua e o Rio Este em vez de valorizar a cidade e dar qualidade de vida às pessoas é antes uma vergonha para todos.
Muito está por fazer. Desde a Serra do Carvalho até aos campos da Rodovia, o Rio vai recebendo poluição para, da Av. Frei Bartolomeu dos Mártires para jusante ficar com as margens reconstruídas. Mas, que interessa ter as obras feitas se o Rio continuar poluído? Aliás, substituí-se o betão pelo granito mas, o leito de cheias está protegido? A fauna e a flora poderão desenvolver-se e crescer?
Para além disso, é importante esclarecer se os lençóis freáticos estão controlados ou se vamos continuar a ter a Av. Frei Bartolomeu dos Mártires – uma obra recente – inundada com enchentes de água da chuva como acontece todos anos… E se, as margens deixam de ser estanques, qual será a segurança das construções feitas junto do Rio? Estão protegidas da água? Esta é, também, uma responsabilidade da Câmara Municipal.
2. Tornar as margens do Rio artificiais descaracterizou o Rio e originou a extinção de fauna e flora. Este erro deve ser corrigido e basta seguir o curso do Rio e ir um pouco mais longe – passando Braga – para ver as margens do Este criando um ambiente natural rico e atractivo para todos, tal como eram no meio da cidade.
Infelizmente, o que assistimos hoje, ali ao lado da Av. Frei Bartolomeu dos Mártires, é a uma limpeza com recurso a maquinaria pesada a destruir a vegetação ribeirinha e a arrancar as árvores e as raízes que protegiam o solo das margens. A vegetação natural não precisa nem deve ser removida!
Está prevista a reflorestação das margens? É fundamental preservar e valorizar a riqueza ecológica e paisagística que o Rio Este pode dar a Braga.
3. Concluindo, é importante pensarmos no Planeamento Urbano que queremos e saber que Política de Ambiente procuramos para Braga.
No Rio Este há problemas com a qualidade da água; há questões de segurança nos leitos de cheias; e as margens têm que ser recriadas de forma a protegerem também a flora e a fauna. Enquanto estas questões não forem devidamente resolvidas, os problemas no Rio Este persistem.
N. Oliveira Dias
( Grupo parlamentar do CDS )
Comissão de Planeamento, Urbanismo, Ambiente…
A origem do problema está na falta de cuidado na manutenção do Rio. Desde há trinta anos para cá houve muito descuido com a qualidade da água. As questões ambientais e a protecção do Rio Este pareciam não ter importância e foi despejado para ali todo o tipo de lixo e esgotos. Acabaram por ser associações de voluntários a fazer muito que o município não fez. Este valioso património ambiental e cultural ficou em causa.
1. A questão mais importante é a da qualidade da água.
Assim, deve haver controlo regular e os focos de poluição têm que ser combatidos. É aqui que a Câmara tem que intervir pois é da sua responsabilidade. Se não, o desleixo continua e o Rio Este em vez de valorizar a cidade e dar qualidade de vida às pessoas é antes uma vergonha para todos.
Muito está por fazer. Desde a Serra do Carvalho até aos campos da Rodovia, o Rio vai recebendo poluição para, da Av. Frei Bartolomeu dos Mártires para jusante ficar com as margens reconstruídas. Mas, que interessa ter as obras feitas se o Rio continuar poluído? Aliás, substituí-se o betão pelo granito mas, o leito de cheias está protegido? A fauna e a flora poderão desenvolver-se e crescer?
Para além disso, é importante esclarecer se os lençóis freáticos estão controlados ou se vamos continuar a ter a Av. Frei Bartolomeu dos Mártires – uma obra recente – inundada com enchentes de água da chuva como acontece todos anos… E se, as margens deixam de ser estanques, qual será a segurança das construções feitas junto do Rio? Estão protegidas da água? Esta é, também, uma responsabilidade da Câmara Municipal.
2. Tornar as margens do Rio artificiais descaracterizou o Rio e originou a extinção de fauna e flora. Este erro deve ser corrigido e basta seguir o curso do Rio e ir um pouco mais longe – passando Braga – para ver as margens do Este criando um ambiente natural rico e atractivo para todos, tal como eram no meio da cidade.
Infelizmente, o que assistimos hoje, ali ao lado da Av. Frei Bartolomeu dos Mártires, é a uma limpeza com recurso a maquinaria pesada a destruir a vegetação ribeirinha e a arrancar as árvores e as raízes que protegiam o solo das margens. A vegetação natural não precisa nem deve ser removida!
Está prevista a reflorestação das margens? É fundamental preservar e valorizar a riqueza ecológica e paisagística que o Rio Este pode dar a Braga.
3. Concluindo, é importante pensarmos no Planeamento Urbano que queremos e saber que Política de Ambiente procuramos para Braga.
No Rio Este há problemas com a qualidade da água; há questões de segurança nos leitos de cheias; e as margens têm que ser recriadas de forma a protegerem também a flora e a fauna. Enquanto estas questões não forem devidamente resolvidas, os problemas no Rio Este persistem.
N. Oliveira Dias
( Grupo parlamentar do CDS )
Comissão de Planeamento, Urbanismo, Ambiente…
terça-feira, 13 de setembro de 2011
Ser Realista Sem Perder o Ideal
É preciso viver com os pés na terra e a cabeça no céu. Isto é, ser realista sem perder o ideal. Aliás, um ideal - e não um idealismo - é uma meta concreta, possível, onde se pretende chegar. Por isso, a primeira coisa que a pessoa de ideais tem a fazer é conhecer muito bem a sua realidade. Só conhecendo e amando essa realidade, saberá fazê-la crescer e purificá-la do que não é ideal.
Pe. Vasco Pinto de Magalhães,
in 'Não Há Soluções, Há Caminhos'
Pe. Vasco Pinto de Magalhães,
in 'Não Há Soluções, Há Caminhos'
Política de fiscalidade municipal continua a asfixiar empresas e famílias
A Coligação Juntos por Braga considera que as taxas da derrama e do IMI para o próximo ano deveriam ser mais baixas e que a aprovação da proposta socialista de fixar as taxas máximas permitidas para estes impostos, hoje, em reunião do Executivo camarário, demonstra que a política de fiscalidade municipal continua a ser de asfixia das empresas e das famílias.
No final da reunião camarária, o líder da oposição, Ricardo Rio, referiu que “cumpre lembrar que a receita da derrama diminuiu em cerca de 25% de 2009 para 2010, concretamente de cerca de 4,2 milhões para 3,2 milhões de euros”, o que “se deverá compreender pela retracção da actividade económica, pelo que seria bom que a Câmara de Braga tivesse uma atitude mais colaborante com os agentes económicos”.
Mas Ricardo Rio destacou “outro aspecto fundamental”, ao indicar que “hoje em dia deparamo-nos também com uma questão de competitividade”. Daí que tenha considerado que “manter a taxa máxima de derrama é convidar as empresas a sair de Braga e condenar a autarquia a receber ainda menos receita”.
Quanto ao IMI, o líder da Coligação Juntos por Braga começou por afirmar que “há uma coisa que deveria prevalecer, que é o bom senso”. Isto é, “por força da situação que se vive no País, atendendo a que a generalidade das famílias se vê confrontada com uma enorme carga fiscal, tudo o que possa ser feito para atenuar essa carga, dentro da margem de escolha existente, deve ser concretizado”.
"O País não tem alternativa. Braga tem", garantiu.
Afinal – lembrou o líder da oposição – “a maioria socialista continua a apregoar aos quatro ventos a boa saúde financeira da autarquia”, razão pela qual "a Coligação Juntos por Braga não compreende que se continue a sobrecarregar as famílias bracarenses com esta taxa de IMI”.
Para Ricardo Rio, “o IMI sempre foi entendido pela maioria do PS na Câmara de Braga como uma galinha dos ovos de ouro e enquanto puderem vão continuar a espremer os munícipes, bastando verificar que a receita do IMI em 2006 foi de 14,5 milhões de euros e em 2010 foi de 18 milhões”. Dessa forma, “defendendo que a taxa o IMI deve baixar, a Coligação Juntos por Braga obviamente que votou contra”.
http://www.bracara2009.blogspot.com/
No final da reunião camarária, o líder da oposição, Ricardo Rio, referiu que “cumpre lembrar que a receita da derrama diminuiu em cerca de 25% de 2009 para 2010, concretamente de cerca de 4,2 milhões para 3,2 milhões de euros”, o que “se deverá compreender pela retracção da actividade económica, pelo que seria bom que a Câmara de Braga tivesse uma atitude mais colaborante com os agentes económicos”.
Mas Ricardo Rio destacou “outro aspecto fundamental”, ao indicar que “hoje em dia deparamo-nos também com uma questão de competitividade”. Daí que tenha considerado que “manter a taxa máxima de derrama é convidar as empresas a sair de Braga e condenar a autarquia a receber ainda menos receita”.
Quanto ao IMI, o líder da Coligação Juntos por Braga começou por afirmar que “há uma coisa que deveria prevalecer, que é o bom senso”. Isto é, “por força da situação que se vive no País, atendendo a que a generalidade das famílias se vê confrontada com uma enorme carga fiscal, tudo o que possa ser feito para atenuar essa carga, dentro da margem de escolha existente, deve ser concretizado”.
"O País não tem alternativa. Braga tem", garantiu.
Afinal – lembrou o líder da oposição – “a maioria socialista continua a apregoar aos quatro ventos a boa saúde financeira da autarquia”, razão pela qual "a Coligação Juntos por Braga não compreende que se continue a sobrecarregar as famílias bracarenses com esta taxa de IMI”.
Para Ricardo Rio, “o IMI sempre foi entendido pela maioria do PS na Câmara de Braga como uma galinha dos ovos de ouro e enquanto puderem vão continuar a espremer os munícipes, bastando verificar que a receita do IMI em 2006 foi de 14,5 milhões de euros e em 2010 foi de 18 milhões”. Dessa forma, “defendendo que a taxa o IMI deve baixar, a Coligação Juntos por Braga obviamente que votou contra”.
http://www.bracara2009.blogspot.com/
Merkel vem descartar uma bancarrota total de Atenas
Merkel: Alemanha está disposta a fazer tudo para evitar quebra grega
BERLIM, Alemanha — A chanceler alemã Angela Merkel afirmou nesta terça-feira que é necessário "evitar qualquer processo descontrolado na zona do euro", em uma referência ao risco de falência da Grécia.
"Trabalhamos com todos os meios possíveis para que isto não aconteça", disse a chanceler em uma entrevista à emissora Inforadio.
"Devemos evitar qualquer processo descontrolado na zona do euro", completou Merkel.
A chanceler afirmou que não haverá nesta terça-feira "um comunicado comum franco-alemão sobre a Grécia", como havia feito anteriormente a presidência francesa, desmentindo um rumor que circulava nas bolsas.
"Há um contato permanente entre França e Alemanha (...), mas não haverá uma posição específica hoje sobre a situação na Grécia", disse a chanceler durante uma coletiva de imprensa com o primeiro-ministro finlandês Jyrki Katainen.
Pouco antes, um comunicado da presidência francesa em Paris havia desmentido os rumores de uma iniciativa conjunta de França e Alemanha.
O ministro alemão da Economia, o liberal Philipp Rösler, mencionou na segunda-feira a possibilidade de um default (suspensão de pagamentos) de Atenas, o que provocou o pânico nas bolsas de todo o mundo pelo temor de uma reação em cadeia desatada pela eventual quebra.
"Penso que faremos um grande favor a Grécia se especularmos o menos possível e a estimularmos a respeitar seus compromissos", destacou Merkel, em uma crítica indireta às declarações de seu ministro, que também é vice-chanceler.
"Segundo as coisas que escuto procedentes da Grécia, o governo grego tomou consciência da situação e fez o que era necessário", completou a chanceler, que há poucos dias pediu paciência com Atenas.
"A declaração de Merkel deve ser entendida como um esclarecimento", comentou à AFP Thorsten Polleit, economista da Barclays Capital.
Na véspera, o presidente americano Barack Obama expressou sua inquietação com a situação atual.
"Penso que seguiremos observando um enfraquecimento na economia mundial enquanto esta questão não estiver resolvida", declarou Obama sobre a crise da dívida soberana na Eurozona. "A Grécia é, evidentemente, o problema mais urgente", acrescentou.
Na falta de um procedimento de default controlado, que não existirá na Europa até 2013, as declarações de Merkel vêm descartar uma bancarrota total de Atenas, segundo Berlim. (...)
Copyright © 2011 AFP.
BERLIM, Alemanha — A chanceler alemã Angela Merkel afirmou nesta terça-feira que é necessário "evitar qualquer processo descontrolado na zona do euro", em uma referência ao risco de falência da Grécia.
"Trabalhamos com todos os meios possíveis para que isto não aconteça", disse a chanceler em uma entrevista à emissora Inforadio.
"Devemos evitar qualquer processo descontrolado na zona do euro", completou Merkel.
A chanceler afirmou que não haverá nesta terça-feira "um comunicado comum franco-alemão sobre a Grécia", como havia feito anteriormente a presidência francesa, desmentindo um rumor que circulava nas bolsas.
"Há um contato permanente entre França e Alemanha (...), mas não haverá uma posição específica hoje sobre a situação na Grécia", disse a chanceler durante uma coletiva de imprensa com o primeiro-ministro finlandês Jyrki Katainen.
Pouco antes, um comunicado da presidência francesa em Paris havia desmentido os rumores de uma iniciativa conjunta de França e Alemanha.
O ministro alemão da Economia, o liberal Philipp Rösler, mencionou na segunda-feira a possibilidade de um default (suspensão de pagamentos) de Atenas, o que provocou o pânico nas bolsas de todo o mundo pelo temor de uma reação em cadeia desatada pela eventual quebra.
"Penso que faremos um grande favor a Grécia se especularmos o menos possível e a estimularmos a respeitar seus compromissos", destacou Merkel, em uma crítica indireta às declarações de seu ministro, que também é vice-chanceler.
"Segundo as coisas que escuto procedentes da Grécia, o governo grego tomou consciência da situação e fez o que era necessário", completou a chanceler, que há poucos dias pediu paciência com Atenas.
"A declaração de Merkel deve ser entendida como um esclarecimento", comentou à AFP Thorsten Polleit, economista da Barclays Capital.
Na véspera, o presidente americano Barack Obama expressou sua inquietação com a situação atual.
"Penso que seguiremos observando um enfraquecimento na economia mundial enquanto esta questão não estiver resolvida", declarou Obama sobre a crise da dívida soberana na Eurozona. "A Grécia é, evidentemente, o problema mais urgente", acrescentou.
Na falta de um procedimento de default controlado, que não existirá na Europa até 2013, as declarações de Merkel vêm descartar uma bancarrota total de Atenas, segundo Berlim. (...)
Copyright © 2011 AFP.
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
Henrique teve a ideia e o Facebook ajudou: já há 14 bancos de livros
Nasceram em sítios tão improváveis como um gabinete de arquitectura. Manuais escolares vão à boleia
Onze minutos chegaram para 30 encomendas de livros escolares arranjarem boleia do Porto para Lisboa, com um alfacinha que foi passar o fim-de-semana ao Gerês e não se importou de fazer um pequeno desvio no regresso. Henrique Cunha, explicador de Matemática e Geometria Descritiva e mentor do projecto Banco do Livro Escolar, dá o exemplo de ontem à tarde - quando pôs o pedido de ajuda no Facebook e recebeu resposta em menos de nada - para mostrar como a iniciativa vai de vento em popa. Em menos de 15 dias de divulgação já há 14 bancos a funcionar em todo o país.
O princípio é simples: qualquer um pode dar ou receber, desde que não se pague nada - nem portes de envio. Os livros viajarão portanto à boleia, com a ajuda do Facebook. Henrique lançou o primeiro banco há dois anos no seu centro de estudos, depois de ter percebido que os alunos que recorriam às explicações entravam e saíam com os livros praticamente novos. Começou a incentivá-los a trocar livros com amigos e familiares, mas a verdade é que nunca imaginou que a iniciativa local viesse a ganhar dimensão nacional. "Tinha a indicação do projecto na minha página pessoal do Facebook e sem saber muito bem porquê este ano correu o mundo. Comecei a receber telefonemas de várias pessoas solidárias e empreendedoras que queriam fazer o mesmo." Henrique elogia sobretudo o papel de mulheres: são 10 em 14 dos fundadores dos bancos. Em centros de explicações só há mais um, em Linda-a-Velha, e os restantes nasceram em sítios tão inesperados como um gabinete de arquitectura, em Coimbra, ou um restaurante vegetariano e uma clínica em Lisboa. O banco de Henrique, no Porto, recebe centenas livros por dia mas mesmo os mais recentes estão a ter grande adesão: o da Almirante Reis, em Lisboa, abriu há uma semana e recebeu 400 livros no sábado.
"Recebemos mais do que entregamos, há pessoas que aproveitam para doar os livros que tinham em casa. Os que já não forem usados nas escolas vão ser entregues a instituições com missões no estrangeiro", adianta o responsável. Este ano muitas escolas optaram por só pagar os livros escolares às famílias com apoio social depois da sua aquisição. Um estudo do Observatório dos Recursos Educativos concluiu que o Estado gastaria 104 milhões de euros para arrancar com um sistema de empréstimo de manuais escolares.
por Marta Reis, "i" 12 de Setembro de 2011
Onze minutos chegaram para 30 encomendas de livros escolares arranjarem boleia do Porto para Lisboa, com um alfacinha que foi passar o fim-de-semana ao Gerês e não se importou de fazer um pequeno desvio no regresso. Henrique Cunha, explicador de Matemática e Geometria Descritiva e mentor do projecto Banco do Livro Escolar, dá o exemplo de ontem à tarde - quando pôs o pedido de ajuda no Facebook e recebeu resposta em menos de nada - para mostrar como a iniciativa vai de vento em popa. Em menos de 15 dias de divulgação já há 14 bancos a funcionar em todo o país.
O princípio é simples: qualquer um pode dar ou receber, desde que não se pague nada - nem portes de envio. Os livros viajarão portanto à boleia, com a ajuda do Facebook. Henrique lançou o primeiro banco há dois anos no seu centro de estudos, depois de ter percebido que os alunos que recorriam às explicações entravam e saíam com os livros praticamente novos. Começou a incentivá-los a trocar livros com amigos e familiares, mas a verdade é que nunca imaginou que a iniciativa local viesse a ganhar dimensão nacional. "Tinha a indicação do projecto na minha página pessoal do Facebook e sem saber muito bem porquê este ano correu o mundo. Comecei a receber telefonemas de várias pessoas solidárias e empreendedoras que queriam fazer o mesmo." Henrique elogia sobretudo o papel de mulheres: são 10 em 14 dos fundadores dos bancos. Em centros de explicações só há mais um, em Linda-a-Velha, e os restantes nasceram em sítios tão inesperados como um gabinete de arquitectura, em Coimbra, ou um restaurante vegetariano e uma clínica em Lisboa. O banco de Henrique, no Porto, recebe centenas livros por dia mas mesmo os mais recentes estão a ter grande adesão: o da Almirante Reis, em Lisboa, abriu há uma semana e recebeu 400 livros no sábado.
"Recebemos mais do que entregamos, há pessoas que aproveitam para doar os livros que tinham em casa. Os que já não forem usados nas escolas vão ser entregues a instituições com missões no estrangeiro", adianta o responsável. Este ano muitas escolas optaram por só pagar os livros escolares às famílias com apoio social depois da sua aquisição. Um estudo do Observatório dos Recursos Educativos concluiu que o Estado gastaria 104 milhões de euros para arrancar com um sistema de empréstimo de manuais escolares.
por Marta Reis, "i" 12 de Setembro de 2011
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
All Blacks a jogar futebol
Em 2007, no Mundial de França, os Lobos até ganharam aos neozelandeses
Um amador no meio dos profissionais salta sempre à vista. No futebol, quando uma equipa pequena faz cair um grande na Taça de Portugal, por exemplo, a festa é interminável. Há espaço para sorrir, chorar, comer, beber, celebrar sem pensar, como os outros, que logo a seguir vem outro jogo. Em 2007, no Mundial de râguebi, em França, Portugal deu uma lição no meio dos monstros da modalidade. Sisudos, demasiado fechados em si mesmos, muitos não souberam desfrutar da presença portuguesa. Os Lobos queriam aproveitar cada segundo, fazer a festa, como um pequeno no meio dos grandes, porque sabiam que essa era a sua realidade.
Portugal sai do torneio só com derrotas. É o que dizem os registos da competição - e quem somos nós para duvidar. O que não fica assinalado nos livros é o segundo jogo entre Lobos e All Blacks, a
selecção da Nova Zelândia, em Lyon. Depois do tradicional haka, dos 108-13 do resultado final, a bola arrendonda-se e passa a andar mais tempo junto à relva. As mãos ficam mais quietas, os pés mexem-se mais. Num ápice, Portugal e Nova Zelândia trocam o râguebi pelo futebol. É tempo de conviver, tempo de fazer a festa. À portuguesa.
"Até foram eles que sugeriram", conta António Aguilar, jogador da selecção portuguesa. "Foram a equipa mais acessível, os mais simpáticos, mesmo sendo as maiores estrelas. Nós éramos amadores, eles profissionais. E foram os únicos com quem conseguimos confraternizar, com os outros foi impossível." A Nova Zelândia tinha deixado de fora do jogo (de râguebi) algumas das principais figuras, para dar minutos aos menos utilizados. O respeito manteve-se, o objectivo continuava a ser só um: ganhar pelo máximo de pontos possível. Mas quando mudam para o futebol - e entram vedetas como Richie McCaw e Dan Carter - é Portugal quem sai por cima.
Nas bancadas ainda está muita gente. Afinal, está ali uma (dupla) oportunidade única. Podem passar-se décadas até Portugal reaparecer num Mundial e sabe-se lá quando esta Nova Zelândia voltará a jogar futebol em público. Por isso, toca a ligar as câmaras e captar o momento. "A maioria dos adeptos era portuguesa. Nós tínhamos sempre mais do que os adversários. Mesmo os All Blacks, que são a equipa mais mediática, tinham menos do que nós", recorda Aguilar. E agora não há como escapar: Portugal domina a Nova Zelândia.
Não há marcador para confirmar o resultado, mas os Lobos ganham por 3-0. Os neozelandeses, temendo o pior, desistem. "Disseram mesmo: ''Epá, não vale a pena continuar. Vamos fazer um touch rugby [variação do râguebi, sem placagens], porque no futebol já percebemos que não temos hipóteses.''" O jogo fica por aqui. Portugal ganha à Nova Zelândia e o estádio delira. Jornalistas de todo o mundo aplaudem o momento, registam-no nas crónicas e guardam-no na memória. Todos se rendem aos Lobos.
A festa segue para o balneário dos All Blacks. "Muitos de nós pediram autógrafos. Mas eles recusaram: 'Não vamos fazer isso a uma equipa com quem jogámos. Se quiserem tiramos umas fotos, trocamos camisolas e bebemos umas cervejas juntos, como equipas iguais, com respeito'", explica o jogador português. Dois jogos depois, com Itália e Roménia, e Portugal é eliminado do Mundial. Para muitos, o torneio fica mais pobre.
por Rui Catalão,
Publicado no "i" a 9 de Setembro de 2011
Um amador no meio dos profissionais salta sempre à vista. No futebol, quando uma equipa pequena faz cair um grande na Taça de Portugal, por exemplo, a festa é interminável. Há espaço para sorrir, chorar, comer, beber, celebrar sem pensar, como os outros, que logo a seguir vem outro jogo. Em 2007, no Mundial de râguebi, em França, Portugal deu uma lição no meio dos monstros da modalidade. Sisudos, demasiado fechados em si mesmos, muitos não souberam desfrutar da presença portuguesa. Os Lobos queriam aproveitar cada segundo, fazer a festa, como um pequeno no meio dos grandes, porque sabiam que essa era a sua realidade.
Portugal sai do torneio só com derrotas. É o que dizem os registos da competição - e quem somos nós para duvidar. O que não fica assinalado nos livros é o segundo jogo entre Lobos e All Blacks, a
selecção da Nova Zelândia, em Lyon. Depois do tradicional haka, dos 108-13 do resultado final, a bola arrendonda-se e passa a andar mais tempo junto à relva. As mãos ficam mais quietas, os pés mexem-se mais. Num ápice, Portugal e Nova Zelândia trocam o râguebi pelo futebol. É tempo de conviver, tempo de fazer a festa. À portuguesa.
"Até foram eles que sugeriram", conta António Aguilar, jogador da selecção portuguesa. "Foram a equipa mais acessível, os mais simpáticos, mesmo sendo as maiores estrelas. Nós éramos amadores, eles profissionais. E foram os únicos com quem conseguimos confraternizar, com os outros foi impossível." A Nova Zelândia tinha deixado de fora do jogo (de râguebi) algumas das principais figuras, para dar minutos aos menos utilizados. O respeito manteve-se, o objectivo continuava a ser só um: ganhar pelo máximo de pontos possível. Mas quando mudam para o futebol - e entram vedetas como Richie McCaw e Dan Carter - é Portugal quem sai por cima.
Nas bancadas ainda está muita gente. Afinal, está ali uma (dupla) oportunidade única. Podem passar-se décadas até Portugal reaparecer num Mundial e sabe-se lá quando esta Nova Zelândia voltará a jogar futebol em público. Por isso, toca a ligar as câmaras e captar o momento. "A maioria dos adeptos era portuguesa. Nós tínhamos sempre mais do que os adversários. Mesmo os All Blacks, que são a equipa mais mediática, tinham menos do que nós", recorda Aguilar. E agora não há como escapar: Portugal domina a Nova Zelândia.
Não há marcador para confirmar o resultado, mas os Lobos ganham por 3-0. Os neozelandeses, temendo o pior, desistem. "Disseram mesmo: ''Epá, não vale a pena continuar. Vamos fazer um touch rugby [variação do râguebi, sem placagens], porque no futebol já percebemos que não temos hipóteses.''" O jogo fica por aqui. Portugal ganha à Nova Zelândia e o estádio delira. Jornalistas de todo o mundo aplaudem o momento, registam-no nas crónicas e guardam-no na memória. Todos se rendem aos Lobos.
A festa segue para o balneário dos All Blacks. "Muitos de nós pediram autógrafos. Mas eles recusaram: 'Não vamos fazer isso a uma equipa com quem jogámos. Se quiserem tiramos umas fotos, trocamos camisolas e bebemos umas cervejas juntos, como equipas iguais, com respeito'", explica o jogador português. Dois jogos depois, com Itália e Roménia, e Portugal é eliminado do Mundial. Para muitos, o torneio fica mais pobre.
por Rui Catalão,
Publicado no "i" a 9 de Setembro de 2011
E depois do "adoro-vos", adeus. Sócrates sai de cena
"Eu adoro-vos". Com o seu quê de dramatismo, José Sócrates despediu-se dos socialistas na reunião da comissão nacional do PS que marcou a data para a eleição do novo líder. A partir daí não apareceu mais e é à distância que vai manter-se. A justificação é semelhante à que António Guterres deu em 2002 quando disse que não iria estar no congresso do Coliseu dos Recreios, em Lisboa, porque o partido precisava de "libertar-se".
Na noite em que perdeu as legislativas e se afastou da liderança do partido, Sócrates avisou que o PS devia "iniciar um novo ciclo", por isso ficará no estrangeiro, onde tem estado, enquanto em Braga o seu rival de sempre, António José Seguro, inaugura a sua era ao comando do PS. "Sócrates quis mesmo marcar a saída", frisa fonte próxima do ex-secretário-geral ao i, confirmando que o
afastamento é para cumprir.
E a decisão não é invulgar entre os ex--líderes socialistas no momento em que passam o testemunho. Veja-se o caso de Mário Soares, que não voltou a estar num congresso do partido que fundou desde que saiu da liderança, em 1986. O ex-Presidente da República regressa agora, com Seguro, para participar num debate sobre a Europa e ficará na abertura dos trabalhos. Além deste ex do PS, só Ferro Rodrigues estará no congresso de Braga. Jorge Sampaio, António Guterres e Vítor Constâncio estão fora do país e não vão comparecer.
No congresso de 2004, em Guimarães, quando Sócrates tomou oficialmente o poder socialista, Ferro era o líder de saída, mas marcou a diferença e apareceu para discursar. O objectivo da intervenção foi duplo: defender Sócrates como o líder capaz de conseguir uma maioria absoluta para ao PS, o que aconteceu poucos meses depois; defender a candidatura presidencial de Guterres, nas eleições de 2006, o que não aconteceu nesse ano nem nas presidenciais que se seguiram.
O que é certo é que, além do fundador Soares, são Guterres e Sócrates os ex- -líderes que maior marca deixaram no partido, com períodos longos de governação. E no caso de Sócrates com a conquista da primeira maioria absoluta para o PS. Num congresso de transição de poder, não é que o sucessor não os queira ver, mas ainda não tem armas para rivalizar com o frisson que ex como estes ainda causarão entre os socialistas que vão estar na sala.
por Rita Tavares,
Publicado no "i" a 9 de Setembro de 2011
Na noite em que perdeu as legislativas e se afastou da liderança do partido, Sócrates avisou que o PS devia "iniciar um novo ciclo", por isso ficará no estrangeiro, onde tem estado, enquanto em Braga o seu rival de sempre, António José Seguro, inaugura a sua era ao comando do PS. "Sócrates quis mesmo marcar a saída", frisa fonte próxima do ex-secretário-geral ao i, confirmando que o
afastamento é para cumprir.
E a decisão não é invulgar entre os ex--líderes socialistas no momento em que passam o testemunho. Veja-se o caso de Mário Soares, que não voltou a estar num congresso do partido que fundou desde que saiu da liderança, em 1986. O ex-Presidente da República regressa agora, com Seguro, para participar num debate sobre a Europa e ficará na abertura dos trabalhos. Além deste ex do PS, só Ferro Rodrigues estará no congresso de Braga. Jorge Sampaio, António Guterres e Vítor Constâncio estão fora do país e não vão comparecer.
No congresso de 2004, em Guimarães, quando Sócrates tomou oficialmente o poder socialista, Ferro era o líder de saída, mas marcou a diferença e apareceu para discursar. O objectivo da intervenção foi duplo: defender Sócrates como o líder capaz de conseguir uma maioria absoluta para ao PS, o que aconteceu poucos meses depois; defender a candidatura presidencial de Guterres, nas eleições de 2006, o que não aconteceu nesse ano nem nas presidenciais que se seguiram.
O que é certo é que, além do fundador Soares, são Guterres e Sócrates os ex- -líderes que maior marca deixaram no partido, com períodos longos de governação. E no caso de Sócrates com a conquista da primeira maioria absoluta para o PS. Num congresso de transição de poder, não é que o sucessor não os queira ver, mas ainda não tem armas para rivalizar com o frisson que ex como estes ainda causarão entre os socialistas que vão estar na sala.
por Rita Tavares,
Publicado no "i" a 9 de Setembro de 2011
Câmaras: Governo quer reduzir quase 2 mil chefes
Previsão é que poupança ultrapasse os 40 milhões de euros por ano. Câmaras escapam à extinção e só vão aglomerar-se se quiserem
As câmaras municipais vão ter menos chefes de departamento e de secção. A reforma administrativa, cujas linhas gerais o governo aprovou no Conselho de Ministros de ontem, vai propor uma diminuição do número de chefias em mais de metade.
O executivo vai negociar com a Associação Nacional de Municípios (ANMP) e com a Associação Nacional de Freguesias o pacote a que Miguel Relvas chamou "choque reformista". Nestas negociações vai estar uma proposta de redução de quase 2 mil dirigentes superiores e intermédios. Ao todo, com a redução nas chefias locais, o governo estima uma poupança de pelo menos 40 milhões de euros por ano. O número poderá sofrer ligeiras alterações, resultado das negociações, mas é esta a meta que o governo tem em mente.
De acordo com a matriz negocial que o executivo vai apresentar à ANMP, a que o i teve acesso, o executivo quer uma diminuição das chefias em função do número de habitantes. Assim, por cada cem mil habitantes haverá um dirigente superior. Já no que diz respeito a dirigentes intermédios de primeiro grau (dirigentes de departamento), o rácio será de cem por cada cem mil habitantes. Os chefes de divisão ficam reduzidos a um para cada 5 mil habitantes.
Entre dirigentes superiores e intermédios a ideia do executivo é passar dos actuais 3137 para 1495, ou seja, menos 1642 chefes, cerca de 52% do total. No caso de Lisboa, por exemplo, actualmente existem 12 dirigentes superiores, 39 de primeiro grau e 106 de segundo grau. O número terá de ser reduzido para cerca de metade.
Menos freguesias Por imposição da troika o governo tinha ainda de reduzir o número de autarquias, mas a tesoura do executivo apenas vai chegar às freguesias. O ministro Miguel Relvas disse que as câmaras ficaram de fora da extinção porque o Memorando da troika apenas falar na redução "de autarquias" e não especifica mais. O Memorando é claro: "Existem actualmente 308 municípios e 4259 freguesias. Até Julho de 2012, o governo irá elaborar um plano de consolidação no sentido de reorganizar e reduzir significativamente o número de tais entidades."
Às câmaras é dada a possibilidade de, "voluntariamente", proporem a aglomeração ou fusão. Mas a proposta vai figurar apenas no papel, já que com a oposição dos municípios às extinções dificilmente haverá presidentes de câmara a tomarem esta iniciativa.
Além das mudanças no território - com a extinção de cerca de mil freguesias - o governo vai ainda reduzir o número de vereadores. No entanto, para isso é necessário um acordo com os socialistas, dado que a alteração exige mexer na lei eleitoral autárquica.
"Conversaremos com o PS. E eu estou profundamente convencido de que não será difícil encontrarmos pontos de entendimento. A situação do país assim o exige e os autarcas de ambas as forças não deixarão de dar o seu contributo para a mudança", considerou Relvas. A negociações ainda não começaram.
por Liliana Valente,
Publicado no "i" a 9 de Setembro de 2011
As câmaras municipais vão ter menos chefes de departamento e de secção. A reforma administrativa, cujas linhas gerais o governo aprovou no Conselho de Ministros de ontem, vai propor uma diminuição do número de chefias em mais de metade.
O executivo vai negociar com a Associação Nacional de Municípios (ANMP) e com a Associação Nacional de Freguesias o pacote a que Miguel Relvas chamou "choque reformista". Nestas negociações vai estar uma proposta de redução de quase 2 mil dirigentes superiores e intermédios. Ao todo, com a redução nas chefias locais, o governo estima uma poupança de pelo menos 40 milhões de euros por ano. O número poderá sofrer ligeiras alterações, resultado das negociações, mas é esta a meta que o governo tem em mente.
De acordo com a matriz negocial que o executivo vai apresentar à ANMP, a que o i teve acesso, o executivo quer uma diminuição das chefias em função do número de habitantes. Assim, por cada cem mil habitantes haverá um dirigente superior. Já no que diz respeito a dirigentes intermédios de primeiro grau (dirigentes de departamento), o rácio será de cem por cada cem mil habitantes. Os chefes de divisão ficam reduzidos a um para cada 5 mil habitantes.
Entre dirigentes superiores e intermédios a ideia do executivo é passar dos actuais 3137 para 1495, ou seja, menos 1642 chefes, cerca de 52% do total. No caso de Lisboa, por exemplo, actualmente existem 12 dirigentes superiores, 39 de primeiro grau e 106 de segundo grau. O número terá de ser reduzido para cerca de metade.
Menos freguesias Por imposição da troika o governo tinha ainda de reduzir o número de autarquias, mas a tesoura do executivo apenas vai chegar às freguesias. O ministro Miguel Relvas disse que as câmaras ficaram de fora da extinção porque o Memorando da troika apenas falar na redução "de autarquias" e não especifica mais. O Memorando é claro: "Existem actualmente 308 municípios e 4259 freguesias. Até Julho de 2012, o governo irá elaborar um plano de consolidação no sentido de reorganizar e reduzir significativamente o número de tais entidades."
Às câmaras é dada a possibilidade de, "voluntariamente", proporem a aglomeração ou fusão. Mas a proposta vai figurar apenas no papel, já que com a oposição dos municípios às extinções dificilmente haverá presidentes de câmara a tomarem esta iniciativa.
Além das mudanças no território - com a extinção de cerca de mil freguesias - o governo vai ainda reduzir o número de vereadores. No entanto, para isso é necessário um acordo com os socialistas, dado que a alteração exige mexer na lei eleitoral autárquica.
"Conversaremos com o PS. E eu estou profundamente convencido de que não será difícil encontrarmos pontos de entendimento. A situação do país assim o exige e os autarcas de ambas as forças não deixarão de dar o seu contributo para a mudança", considerou Relvas. A negociações ainda não começaram.
por Liliana Valente,
Publicado no "i" a 9 de Setembro de 2011
A Suíça e a Idade da Pedra
Igreja defende maternidade na Suíça
Comissão Justiça e Paz destaca importância de conciliar família e trabalho
BERNA, quinta-feira, 8 de setembro de 2011 (ZENIT.org) – Trabalhar pela igualdade entre os sexos, tornar compatível a vida profissional e familiar, dar prioridade ao bem-estar das mães e dos seus filhos: com estes objetivos, a Comissão Justiça e Paz, da Conferência Episcopal Suíça, apoia a ratificação da Convenção 183 da Organização Internacional do Trabalho, sobre a proteção da maternidade, e a modificação do artigo 35 da lei federal sobre o trabalho, referente à licença-maternidade remunerada.
Num documento, o secretário-geral da comissão, Wolfgang Bürgstein, destaca a conveniência de ratificar a C183, porque insiste “no bem-estar da mãe assalariada e do filho”. “É indispensável que se proteja o emprego das mulheres durante esta fase da vida”, explica.
“Em sua aplicação, uma proteção jurídica assim contribui não somente para o bem-estar da família, mas também para uma sociedade promotora da vida. E, dessa maneira, a proteção da maternidade constitui um dos pilares da política familiar.”
Com relação à modificação da lei federal sobre o trabalho, que se refere à licença-maternidade remunerada, recorda que, “na legislação suíça, o tempo necessário para a lactância está reconhecido como tempo de trabalho, mas sua remuneração não está regulamentada”.
Também destaca as “numerosas vantagens da lactância” para a saúde da criança e da mãe, recordando as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS): lactância materna exclusiva até os seis meses, porque o leite materno contém todos os nutrientes necessários para a alimentação até esse momento.
“Apesar dessa recomendação da OMS, somente 14% das mulheres na Suíça ainda mantêm a lactância materna até os 6 meses, segundo um estudo nacional de 2003”, indica.
“Para muitas mulheres, a volta ao trabalho depois das 14 semanas de licença-maternidade representa uma razão para deter ou diminuir a lactância materna”, lamenta.
“Medidas como as pausas remuneradas para a lactância e colocar à disposição infraestruturas necessárias para dar de mamar, tirar o leite e conservá-lo são, portanto, muito importantes para promover a continuidade da lactância materna”, conclui o prelado suíço.
A Comissão Justiça e Paz destaca também que, “segundo a imagem cristã do ser humano, cada homem e cada mulher possui a mesma dignidade”. E “a dignidade humana deve ser levada em consideração no lugar de trabalho, sobretudo quando se trata de dependentes particularmente vulneráveis”.
Neste sentido, acrescenta o texto, ratificando a C183, “a Suíça poderia acolher a oportunidade de promover a proteção da maternidade tanto no âmbito nacional como no internacional, confirmando, assim, seu compromisso com os direitos humanos”.
Comissão Justiça e Paz destaca importância de conciliar família e trabalho
BERNA, quinta-feira, 8 de setembro de 2011 (ZENIT.org) – Trabalhar pela igualdade entre os sexos, tornar compatível a vida profissional e familiar, dar prioridade ao bem-estar das mães e dos seus filhos: com estes objetivos, a Comissão Justiça e Paz, da Conferência Episcopal Suíça, apoia a ratificação da Convenção 183 da Organização Internacional do Trabalho, sobre a proteção da maternidade, e a modificação do artigo 35 da lei federal sobre o trabalho, referente à licença-maternidade remunerada.
Num documento, o secretário-geral da comissão, Wolfgang Bürgstein, destaca a conveniência de ratificar a C183, porque insiste “no bem-estar da mãe assalariada e do filho”. “É indispensável que se proteja o emprego das mulheres durante esta fase da vida”, explica.
“Em sua aplicação, uma proteção jurídica assim contribui não somente para o bem-estar da família, mas também para uma sociedade promotora da vida. E, dessa maneira, a proteção da maternidade constitui um dos pilares da política familiar.”
Com relação à modificação da lei federal sobre o trabalho, que se refere à licença-maternidade remunerada, recorda que, “na legislação suíça, o tempo necessário para a lactância está reconhecido como tempo de trabalho, mas sua remuneração não está regulamentada”.
Também destaca as “numerosas vantagens da lactância” para a saúde da criança e da mãe, recordando as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS): lactância materna exclusiva até os seis meses, porque o leite materno contém todos os nutrientes necessários para a alimentação até esse momento.
“Apesar dessa recomendação da OMS, somente 14% das mulheres na Suíça ainda mantêm a lactância materna até os 6 meses, segundo um estudo nacional de 2003”, indica.
“Para muitas mulheres, a volta ao trabalho depois das 14 semanas de licença-maternidade representa uma razão para deter ou diminuir a lactância materna”, lamenta.
“Medidas como as pausas remuneradas para a lactância e colocar à disposição infraestruturas necessárias para dar de mamar, tirar o leite e conservá-lo são, portanto, muito importantes para promover a continuidade da lactância materna”, conclui o prelado suíço.
A Comissão Justiça e Paz destaca também que, “segundo a imagem cristã do ser humano, cada homem e cada mulher possui a mesma dignidade”. E “a dignidade humana deve ser levada em consideração no lugar de trabalho, sobretudo quando se trata de dependentes particularmente vulneráveis”.
Neste sentido, acrescenta o texto, ratificando a C183, “a Suíça poderia acolher a oportunidade de promover a proteção da maternidade tanto no âmbito nacional como no internacional, confirmando, assim, seu compromisso com os direitos humanos”.
terça-feira, 6 de setembro de 2011
Uma polícia do pensamento?
Abri o meu email e não queria acreditar: estava positivamente inundado de correspondência enviada por pessoas que eu não conhecia, insultando-me pela crónica Dois Maridos, publicada neste espaço há 15 dias.
A correspondência dividia-se em três categorias.
Os emails mais benévolos continham lições de moral, considerando o dito artigo homofóbico e contrário à igualdade entre os seres humanos. E uma leitora até dizia que o texto era «racista» e que incitava à «violência sobre as mulheres». Extraordinário!
Havia, depois, os emails simplesmente insultuosos, quase sempre com amplo recurso a palavrões, chegando a desejar-me a infelicidade e a morte – a mim e aos meus familiares!
Um terceiro grupo era composto por emails sem qualquer texto escrito – e que, no espaço destinado ao Assunto, tinham uma referência depreciativa: «Vergonhoso», «Atrasado mental», etc.
Havia finalmente um, endereçado por um jornalista estrangeiro, que me ameaçava com a Justiça internacional e uma eventual pena de prisão!
‘Só me faltava esta’, pensei eu, que já fui julgado umas 100 vezes por alegado abuso de liberdade de imprensa e passo a vida nos tribunais e nas secções de Justiça a prestar declarações.
Percebi, entretanto, que uma comunidade gay tinha feito circular o texto entre os seus membros, com o pedido expresso de enviarem ao autor um email ofensivo. E no Facebook circulava um abaixo-assinado incitando a um boicote activo ao SOL e ao seu director, que tinha cerca de 1.000 adesões.
Ora qual fora o meu crime, para suscitar tamanho repúdio e ataques tão violentos e grosseiros?
Basicamente, manifestar-me contra o casamento gay.
Numa crónica que eu pretendi que fosse ligeira e descontraída, ilustrada por uma imagem do filme Dona Flor e Seus Dois Maridos, comentava-se a suposta cena de violência conjugal entre o ex-deputado do PSD Jorge Nuno de Sá e Carlos Marcano, referiam-se as dificuldades semânticas que um casamento gay levanta (por exemplo, numa relação entre dois homens devemos chamar ‘maridos’ a ambos?) e reafirmava-se a ideia de que a palavra ‘casamento’ deveria ser reservada à união entre um homem e uma mulher, ou seja, ao acto fundador de uma família.
Não era um texto pesado nem doutrinário, e muito menos radical. O desacordo relativamente ao casamento gay não é uma posição original e, até mais ver, é legítima. Ou não será? Já não existe o direito de discordar da lei que admitiu a extensão da palavra ‘casamento’ à união entre dois homens ou duas mulheres?
Enchi-me de paciência e decidi responder personalizadamente a cada um dos emails. Entendi que era meu dever enviar uma palavra directa a todos que me tinham escrito, mesmo os mais grosseiros. Levei uma noite inteira a fazê-lo, e as minhas respostas agrupavam-se em três categorias.
Aos que não escreveram texto nenhum, e apenas preencheram o espaço do Assunto, agradeci o facto de se darem ao trabalho de me escrever mesmo sem terem nada para dizer.
Aos que me insultavam com palavrões ou me desejavam a morte expliquei que os insultos dizem muito sobre quem os profere – mas não dizem absolutamente nada sobre o destinatário. Ora os autores dessas mensagens tinham deixado uma péssima imagem de si próprios.
Aos que me davam lições de moral – acrescentando invariavelmente que aquele texto não devia ter sido publicado – procurei explicar-lhes o que significa a palavra ‘tolerância’. Informei-os que publico semanalmente no SOL diversos textos com opiniões contrárias às minhas, já tendo publicado artigos a defender o casamento gay. E interpelei-os directamente: «Se o leitor estivesse agora no meu lugar, publicaria o meu texto?». Esta pergunta é sempre, nestas polémicas, a pedra de toque. É ela que separa os tolerantes dos intolerantes, os democratas dos fundamentalistas.
Finalmente, expliquei ao jornalista estrangeiro que em Portugal houve censura durante 50 anos, que agora vivemos em democracia – e que o SOL é um jornal plural, que respeita a liberdade de opinião e a diversidade de pontos de vista.
Não percebo por que razão a homossexualidade tende a tornar-se um tema tabu, que não pode ser discutido e sobre o qual não é permitido opinar.
Não percebo – e não aceito. Nunca me verguei às conveniências e ao politicamente correcto – e não seria agora que o começaria a fazer. Sou totalmente contra o casamento gay, já expliquei detalhadamente porquê e reivindico o direito de ter opinião sobre este assunto e de a expressar. Será que alguns querem instituir uma nova Polícia do Pensamento? Querem reacender-se as fogueiras da Inquisição?
Hoje, em Portugal, escreve-se sobre tudo: sobre a liberalização de todas as drogas, sobre a eutanásia, sobre as vantagens das centrais nucleares, sobre a legitimidade do aborto, até sobre a reposição da pena de morte – e não se pode contestar o casamento gay? Porquê? Com base em quê?
Há muitos anos o meu pai, já em ruptura com o PCP, escreveu no Diário de Lisboa um longo artigo sobre África que incomodou os comunistas. Respondeu-lhe um jornalista chamado António Rego Chaves, militante ou simpatizante comunista, que acabava assim o seu texto: «Senhor doutor, deixe-nos em paz!».
Numa admirável resposta, o meu pai dizia-lhe o seguinte: «Faço-lhe a justiça de pensar que, ao tomar a iniciativa de comentar o meu artigo, a sua paz irreversivelmente acabou». Tinha razão. Uns tempos depois este jornalista afastar-se-ia do PCP.
A todos os que me atacaram, mesmo aos mais agressivos, aos mais grosseiros, aos mais insultuosos, eu digo o mesmo: «Faço-lhes a justiça de pensar que a minha resposta os leve a reflectir um pouco sobre a sua atitude. Ao verem que alguém lhes pode responder civilizadamente a um insulto, isso constitua para eles uma lição».
Acredito nisso – e foi por isso que a todos respondi um a um.
Uma reflexão, para finalizar.
Na nossa Civilização, a palavra ‘casamento’ tinha um significado preciso. Por que se insistiu em estendê-la a outro tipo de relações? Eu digo: por razões ideológicas. Exactamente para significar que as uniões homossexuais são exactamente iguais às uniões heterossexuais. Só que eu acho que não são. Que são diferentes – e portanto não deveriam usar a mesma palavra.
Ora, se os gays tiveram o direito de defender o seu ponto de vista, eu não terei o direito de discordar? Ou a lei que legalizou os casamentos gay ilegalizou simultaneamente as opiniões contrárias?
José António Saraiva
Sol, 5 de Setembro, 2011
A correspondência dividia-se em três categorias.
Os emails mais benévolos continham lições de moral, considerando o dito artigo homofóbico e contrário à igualdade entre os seres humanos. E uma leitora até dizia que o texto era «racista» e que incitava à «violência sobre as mulheres». Extraordinário!
Havia, depois, os emails simplesmente insultuosos, quase sempre com amplo recurso a palavrões, chegando a desejar-me a infelicidade e a morte – a mim e aos meus familiares!
Um terceiro grupo era composto por emails sem qualquer texto escrito – e que, no espaço destinado ao Assunto, tinham uma referência depreciativa: «Vergonhoso», «Atrasado mental», etc.
Havia finalmente um, endereçado por um jornalista estrangeiro, que me ameaçava com a Justiça internacional e uma eventual pena de prisão!
‘Só me faltava esta’, pensei eu, que já fui julgado umas 100 vezes por alegado abuso de liberdade de imprensa e passo a vida nos tribunais e nas secções de Justiça a prestar declarações.
Percebi, entretanto, que uma comunidade gay tinha feito circular o texto entre os seus membros, com o pedido expresso de enviarem ao autor um email ofensivo. E no Facebook circulava um abaixo-assinado incitando a um boicote activo ao SOL e ao seu director, que tinha cerca de 1.000 adesões.
Ora qual fora o meu crime, para suscitar tamanho repúdio e ataques tão violentos e grosseiros?
Basicamente, manifestar-me contra o casamento gay.
Numa crónica que eu pretendi que fosse ligeira e descontraída, ilustrada por uma imagem do filme Dona Flor e Seus Dois Maridos, comentava-se a suposta cena de violência conjugal entre o ex-deputado do PSD Jorge Nuno de Sá e Carlos Marcano, referiam-se as dificuldades semânticas que um casamento gay levanta (por exemplo, numa relação entre dois homens devemos chamar ‘maridos’ a ambos?) e reafirmava-se a ideia de que a palavra ‘casamento’ deveria ser reservada à união entre um homem e uma mulher, ou seja, ao acto fundador de uma família.
Não era um texto pesado nem doutrinário, e muito menos radical. O desacordo relativamente ao casamento gay não é uma posição original e, até mais ver, é legítima. Ou não será? Já não existe o direito de discordar da lei que admitiu a extensão da palavra ‘casamento’ à união entre dois homens ou duas mulheres?
Enchi-me de paciência e decidi responder personalizadamente a cada um dos emails. Entendi que era meu dever enviar uma palavra directa a todos que me tinham escrito, mesmo os mais grosseiros. Levei uma noite inteira a fazê-lo, e as minhas respostas agrupavam-se em três categorias.
Aos que não escreveram texto nenhum, e apenas preencheram o espaço do Assunto, agradeci o facto de se darem ao trabalho de me escrever mesmo sem terem nada para dizer.
Aos que me insultavam com palavrões ou me desejavam a morte expliquei que os insultos dizem muito sobre quem os profere – mas não dizem absolutamente nada sobre o destinatário. Ora os autores dessas mensagens tinham deixado uma péssima imagem de si próprios.
Aos que me davam lições de moral – acrescentando invariavelmente que aquele texto não devia ter sido publicado – procurei explicar-lhes o que significa a palavra ‘tolerância’. Informei-os que publico semanalmente no SOL diversos textos com opiniões contrárias às minhas, já tendo publicado artigos a defender o casamento gay. E interpelei-os directamente: «Se o leitor estivesse agora no meu lugar, publicaria o meu texto?». Esta pergunta é sempre, nestas polémicas, a pedra de toque. É ela que separa os tolerantes dos intolerantes, os democratas dos fundamentalistas.
Finalmente, expliquei ao jornalista estrangeiro que em Portugal houve censura durante 50 anos, que agora vivemos em democracia – e que o SOL é um jornal plural, que respeita a liberdade de opinião e a diversidade de pontos de vista.
Não percebo por que razão a homossexualidade tende a tornar-se um tema tabu, que não pode ser discutido e sobre o qual não é permitido opinar.
Não percebo – e não aceito. Nunca me verguei às conveniências e ao politicamente correcto – e não seria agora que o começaria a fazer. Sou totalmente contra o casamento gay, já expliquei detalhadamente porquê e reivindico o direito de ter opinião sobre este assunto e de a expressar. Será que alguns querem instituir uma nova Polícia do Pensamento? Querem reacender-se as fogueiras da Inquisição?
Hoje, em Portugal, escreve-se sobre tudo: sobre a liberalização de todas as drogas, sobre a eutanásia, sobre as vantagens das centrais nucleares, sobre a legitimidade do aborto, até sobre a reposição da pena de morte – e não se pode contestar o casamento gay? Porquê? Com base em quê?
Há muitos anos o meu pai, já em ruptura com o PCP, escreveu no Diário de Lisboa um longo artigo sobre África que incomodou os comunistas. Respondeu-lhe um jornalista chamado António Rego Chaves, militante ou simpatizante comunista, que acabava assim o seu texto: «Senhor doutor, deixe-nos em paz!».
Numa admirável resposta, o meu pai dizia-lhe o seguinte: «Faço-lhe a justiça de pensar que, ao tomar a iniciativa de comentar o meu artigo, a sua paz irreversivelmente acabou». Tinha razão. Uns tempos depois este jornalista afastar-se-ia do PCP.
A todos os que me atacaram, mesmo aos mais agressivos, aos mais grosseiros, aos mais insultuosos, eu digo o mesmo: «Faço-lhes a justiça de pensar que a minha resposta os leve a reflectir um pouco sobre a sua atitude. Ao verem que alguém lhes pode responder civilizadamente a um insulto, isso constitua para eles uma lição».
Acredito nisso – e foi por isso que a todos respondi um a um.
Uma reflexão, para finalizar.
Na nossa Civilização, a palavra ‘casamento’ tinha um significado preciso. Por que se insistiu em estendê-la a outro tipo de relações? Eu digo: por razões ideológicas. Exactamente para significar que as uniões homossexuais são exactamente iguais às uniões heterossexuais. Só que eu acho que não são. Que são diferentes – e portanto não deveriam usar a mesma palavra.
Ora, se os gays tiveram o direito de defender o seu ponto de vista, eu não terei o direito de discordar? Ou a lei que legalizou os casamentos gay ilegalizou simultaneamente as opiniões contrárias?
José António Saraiva
Sol, 5 de Setembro, 2011
sexta-feira, 2 de setembro de 2011
Itália: atiram em padre que combate máfia com Evangelho
REGGIO CALÁBRIA, quinta-feira, 1º de setembro de 2011 (ZENIT.org) – O sacerdote Giuseppe Campisano, conhecido pela sua oposição à máfia calabresa – Ndrangheta – foi intimidado quando o carro em que viajava recebeu vários tiros na noite do dia 29 de agosto, na cidade italiana de Calábria. Anteriormente, ele já havia recebido ameaças telefônicas e cartas acompanhadas de balas.
Seu bispo, Dom Giuseppe Fiorini Morosini, expressou publicamente sua solidariedade com o sacerdote, que é pároco de São Roque (no município de Gioiosa Ionica), e o convidou a prosseguir seu “ministério precioso e valorizado de sacerdote dedicado à sua missão religiosa e social”.
O bispo de Locri-Gerace condenou firmemente o “gesto intimidatório, fruto da covardia de pessoas que não sabem ou não querem enfrentar os problemas através do debate e do diálogo civilizado”.
Ao mesmo tempo, convidou “todos os habitantes de Locride, crentes ou não, a ampliar sua consciência cívica, que não pode se ocultar em um vil anonimato quando é preciso enfrentar os problemas”.
Segundo o bispo, é necessário “reafirmar nosso compromisso pela nova evangelização no nosso território e convidamos todos os fiéis a uma maior coerência entre sua fé e sua vida, recordando que a fé não pode se reduzir a uma devoção exterior, mas deve acolher o convite de Cristo a colocar em prática a sua Palavra”.
O Pe. Campisano revelou à Rádio Vaticano que “o acontecimento está relacionado à festa de São Roque”, após a decisão tomada pelo bispo e pelo sacerdote de dar um “rosto religioso” a esta festa, até agora “sinal de um paganismo absoluto”.
O sacerdote explicou que “a festa começa às 9h30 e acaba cerca de doze horas mais tarde, ao anoitecer, e isso é escandaloso pelo barulho dos tambores e pelo baile, sobretudo dos jovens, de todos os lugares de Locride”.
A festa de São Roque, que tem muito “nome”, é objeto de uma “forma de poder e de controle precisamente pela circulação, pelo fluxo de dinheiro, porque a feira é enorme” e os mafiosos “passam sistematicamente por todas as barraquinhas para a extorsão”, denunciou.
Também acredita que o gesto de intimidação responde aos dias dedicados à legalidade, organizados diante da igreja: quatro tardes que tiveram um grande êxito e nas quais “o tom foi muito forte”.
Os tiros, explicou, aconteceram na hora em que ainda havia muita gente na rua: “eles queriam ser vistos”.
Para o Pe. Campisano, Gioiosa Ionica se encontra em “uma área cinza, muito perigosa”, e tem uma “região preta, conhecida por todos – conhecemos os nomes e sobrenomes”, mas a área cinza é “um estilo de vida, de conivência com esse tipo de personalidade e de mentalidade”.
Os que aceitaram a mensagem evangélica sustentam o seu pároco e colaboram, e isso conta nesse pequeno resto, segundo explicou. Com relação ao medo, o sacerdote confessa que começou, pouco a pouco, a “conviver com ele” e que hoje o aceita melhor.
Mas como combater a Ndrangheta? “Estou tentando fazer isso com o Evangelho – respondeu o Pe. Campisano –, com a animação dos jovens, com a educação das crianças, dando andamento a grupos familiares nos quais se tratam diversos temas; eu tento evangelizar.”
“Outro instrumento que estou querendo adotar é o de ir ao encontro das vítimas da usura, que é outra praga terrível – acrescentou. Sou muito optimista; se não fosse, isso não valeria a pena. Que sentido teria, depois de 30 anos, permanecer aqui para combater e lutar?”, concluiu.
Seu bispo, Dom Giuseppe Fiorini Morosini, expressou publicamente sua solidariedade com o sacerdote, que é pároco de São Roque (no município de Gioiosa Ionica), e o convidou a prosseguir seu “ministério precioso e valorizado de sacerdote dedicado à sua missão religiosa e social”.
O bispo de Locri-Gerace condenou firmemente o “gesto intimidatório, fruto da covardia de pessoas que não sabem ou não querem enfrentar os problemas através do debate e do diálogo civilizado”.
Ao mesmo tempo, convidou “todos os habitantes de Locride, crentes ou não, a ampliar sua consciência cívica, que não pode se ocultar em um vil anonimato quando é preciso enfrentar os problemas”.
Segundo o bispo, é necessário “reafirmar nosso compromisso pela nova evangelização no nosso território e convidamos todos os fiéis a uma maior coerência entre sua fé e sua vida, recordando que a fé não pode se reduzir a uma devoção exterior, mas deve acolher o convite de Cristo a colocar em prática a sua Palavra”.
O Pe. Campisano revelou à Rádio Vaticano que “o acontecimento está relacionado à festa de São Roque”, após a decisão tomada pelo bispo e pelo sacerdote de dar um “rosto religioso” a esta festa, até agora “sinal de um paganismo absoluto”.
O sacerdote explicou que “a festa começa às 9h30 e acaba cerca de doze horas mais tarde, ao anoitecer, e isso é escandaloso pelo barulho dos tambores e pelo baile, sobretudo dos jovens, de todos os lugares de Locride”.
A festa de São Roque, que tem muito “nome”, é objeto de uma “forma de poder e de controle precisamente pela circulação, pelo fluxo de dinheiro, porque a feira é enorme” e os mafiosos “passam sistematicamente por todas as barraquinhas para a extorsão”, denunciou.
Também acredita que o gesto de intimidação responde aos dias dedicados à legalidade, organizados diante da igreja: quatro tardes que tiveram um grande êxito e nas quais “o tom foi muito forte”.
Os tiros, explicou, aconteceram na hora em que ainda havia muita gente na rua: “eles queriam ser vistos”.
Para o Pe. Campisano, Gioiosa Ionica se encontra em “uma área cinza, muito perigosa”, e tem uma “região preta, conhecida por todos – conhecemos os nomes e sobrenomes”, mas a área cinza é “um estilo de vida, de conivência com esse tipo de personalidade e de mentalidade”.
Os que aceitaram a mensagem evangélica sustentam o seu pároco e colaboram, e isso conta nesse pequeno resto, segundo explicou. Com relação ao medo, o sacerdote confessa que começou, pouco a pouco, a “conviver com ele” e que hoje o aceita melhor.
Mas como combater a Ndrangheta? “Estou tentando fazer isso com o Evangelho – respondeu o Pe. Campisano –, com a animação dos jovens, com a educação das crianças, dando andamento a grupos familiares nos quais se tratam diversos temas; eu tento evangelizar.”
“Outro instrumento que estou querendo adotar é o de ir ao encontro das vítimas da usura, que é outra praga terrível – acrescentou. Sou muito optimista; se não fosse, isso não valeria a pena. Que sentido teria, depois de 30 anos, permanecer aqui para combater e lutar?”, concluiu.
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
Crónicas do Planeta Oval
Contra todas as expectativas, a Austrália venceu o torneio das Três Nações de rugby, batendo a Nova Zelândia por 20-25 no jogo decisivo - uma autêntica final, por capricho do calendário e dos resultados anteriores. A duas semanas de receberem o Mundial, que não ganham desde a primeira edição, em 1987, também disputada em casa, há quatro milhões de neozelandeses em choque.
Compreende-se: depois de dois anos quase invictos (com uma única derrota, igualmente às mãos dos Wallabies, mas num jogo amigável), esta foi a segunda azia consecutiva. Há semana e meia, jogaram e perderam contra a África do Sul, em Durban, mas ninguém levou aquilo a sério. A jogar com uma equipa B, nitidamente em poupança de esforços, mesmo assim os All Blacks dominaram os Springboks e só perderam à conta de dois ensaios anulados (um mal, outro bem) e da falta de pontaria de um Dan Carter com a cabeça no Mundial.
Desta vez foi a doer e ambas as equipas jogaram na máxima força. Estava mais em jogo do que simplesmente uma vitória sobre os eternos rivais ou mesmo a vitória na principal prova do hemisfério sul. Ninguém tinha dúvidas de que se enfrentavam, na noite de Brisbane, os dois candidatos maiores a erguer a próxima William Webb Ellis. Quem vencesse, partiria em vantagem. E não foram os Kiwis... Para agravar as coisas, o actual treinador da Austrália, Robbie Deans, é uma velha glória All Black e o primeiro estrangeiro a comandar os Aussies. Cada vitória sobre as antigas cores é vista pelos seus compatriotas como uma espécie de traição. Se Deans ganhar o Mundial, o melhor é pedir asilo político a Camberra.
Claro que, para o resto da Humanidade, tudo isto são excelentes notícias. O mito da invencibilidade maori foi pela água do Pacífico baixo. O espectro de um Mundial com vencedor antecipado, tão evidente era até há dois dias a superioridade dos anfitriões, seguiu o mesmo caminho. O Pacífico tem muita água. E, além de Boks e cangurus, a setentrional Inglaterra também desfraldou as velas e parte com o vento pelas costas, depois de ter resolvido a falta de bússola dos centros com o recrutamento de Manu Tuilagi, um jovem 13 de origem samoana (as águas do Pacífico...) que marcou dois ensaios em dois jogos de rosa ao peito e promete ser uma das revelações nos antípodas. E ainda há a França, sempre imprevisível - e sempre disposta a cumprir a missão providencial de reduzir a pó as esperanças neozelandesas, como em 1999 e 2007. A revista Rugby World dizia, meio a brincar meio a sério, que os frogs estão a jogar tão mal que se preparam para ser finalmente campeões do mundo. Allez les Bleus! Em suma, é tempo de ir buscar umas cervejas e sentar-se à frente da televisão. Alguém tem que combater a crise.
por Pedro Picoito
http://cachimbodemagritte.com/
PPP's que funcionam: Central Park
Um interessante artigo do City Journal descreve a forma como a gestão privada transformou alguns parques públicos nova-iorquinos cuja negligente gestão municipal tinha deixado deixado degradar e transformado em zonas de criminalidade elevada. Um dos maiores casos de sucesso é o famoso Central Park:
"Central Park in spring may be the most glorious public space on Earth. Flowering dogwoods and lilacs scent the air as children, sprung from being cooped up all winter, pack the playgrounds. Bicyclists and runners swirl around the six-mile grand loop, battling through the steep hills of Harlem to take in the skyline views farther south. High-end food carts sell waffles and organic fare. It’s hard to believe that 30 years ago, tourists would stand on 59th Street staring north, afraid to venture into the park. New York City’s green spaces are “certainly at a modern high point,” says Adrian Benepe, commissioner of the Department of Parks and Recreation (who started his career in 1979 as a park ranger and thus “worked in the parks system at its low point,” too).
But perhaps the most amazing thing about Central Park is how little tax money goes into maintaining it. Though it is still ultimately the city’s responsibility, the park has been managed since the 1980s by the nonprofit Central Park Conservancy, and it relies on private donations for most of its budget. The marriage between the city and the Conservancy has been a fruitful one. Can this model, known as a public-private partnership, restore and invigorate all of New York’s green spaces, including neighborhood parks in less affluent areas? It’s an important question, not only as the city faces tough fiscal times but as urban planners increasingly view parks as tools of economic development and public health."
http://cachimbodemagritte.com/
"Central Park in spring may be the most glorious public space on Earth. Flowering dogwoods and lilacs scent the air as children, sprung from being cooped up all winter, pack the playgrounds. Bicyclists and runners swirl around the six-mile grand loop, battling through the steep hills of Harlem to take in the skyline views farther south. High-end food carts sell waffles and organic fare. It’s hard to believe that 30 years ago, tourists would stand on 59th Street staring north, afraid to venture into the park. New York City’s green spaces are “certainly at a modern high point,” says Adrian Benepe, commissioner of the Department of Parks and Recreation (who started his career in 1979 as a park ranger and thus “worked in the parks system at its low point,” too).
But perhaps the most amazing thing about Central Park is how little tax money goes into maintaining it. Though it is still ultimately the city’s responsibility, the park has been managed since the 1980s by the nonprofit Central Park Conservancy, and it relies on private donations for most of its budget. The marriage between the city and the Conservancy has been a fruitful one. Can this model, known as a public-private partnership, restore and invigorate all of New York’s green spaces, including neighborhood parks in less affluent areas? It’s an important question, not only as the city faces tough fiscal times but as urban planners increasingly view parks as tools of economic development and public health."
http://cachimbodemagritte.com/
A festa e a cruzada (JMJ)
“La fiesta y la cruzada” (JMJ)
"Durante muito tempo acreditou-se que, com o avanço dos conhecimentos e da cultura democrática, a religião, essa forma elevada de superstição, ir-se-ia desfazendo, e que a ciência e a cultura a substituiriam com vantagem. Agora sabemos que essa era outra superstição que a realidade se encarregou de fazer em cacos. E sabemos, também, que aquela função que os livres-pensadores novecentistas, com tanta generosidade quanta ingenuidade, atribuíam à cultura, esta é incapaz de cumprir, sobretudo agora. Porque, no nosso tempo, a cultura deixou de ser essa resposta séria e profunda para as grandes perguntas do ser humano sobre a vida, a morte, o destino, a história, que no passado tentou ser, e transformou-se, por um lado, num divertimento ligeiro e inconsequente, e, por outro, numa cabala de especialistas incompreensíveis e arrogantes, confinados em fortalezas de gírias e palavras crípticas e a anos-luz do comum dos mortais. (…) Crentes e não crentes devemos alegrar-nos por isso com o que aconteceu em Madrid nestes dias em que Deus parecia existir, o catolicismo parecia ser a religião única e verdadeira, e todos como rapazes bons caminhávamos mão dada com Santo Padre em direcção ao reino dos céus."
Mario Vargas Llosa, El País
"Durante muito tempo acreditou-se que, com o avanço dos conhecimentos e da cultura democrática, a religião, essa forma elevada de superstição, ir-se-ia desfazendo, e que a ciência e a cultura a substituiriam com vantagem. Agora sabemos que essa era outra superstição que a realidade se encarregou de fazer em cacos. E sabemos, também, que aquela função que os livres-pensadores novecentistas, com tanta generosidade quanta ingenuidade, atribuíam à cultura, esta é incapaz de cumprir, sobretudo agora. Porque, no nosso tempo, a cultura deixou de ser essa resposta séria e profunda para as grandes perguntas do ser humano sobre a vida, a morte, o destino, a história, que no passado tentou ser, e transformou-se, por um lado, num divertimento ligeiro e inconsequente, e, por outro, numa cabala de especialistas incompreensíveis e arrogantes, confinados em fortalezas de gírias e palavras crípticas e a anos-luz do comum dos mortais. (…) Crentes e não crentes devemos alegrar-nos por isso com o que aconteceu em Madrid nestes dias em que Deus parecia existir, o catolicismo parecia ser a religião única e verdadeira, e todos como rapazes bons caminhávamos mão dada com Santo Padre em direcção ao reino dos céus."
Mario Vargas Llosa, El País
Melbourne é a melhor cidade do mundo para se viver
Pela primeira vez em quase uma década, a canadiana Vancouver foi destronada do primeiro lugar do pódio das melhores cidades para se viver. A honra cabe agora à australiana Melbourne. Lisboa surge no 57º lugar e Harare, no Zimbabué, em último.
Desde 2002 que Vancouver surgia no primeiro lugar do ranking "Global Liveability Survey", elaborado pela Economist Intelligence Unit, do grupo que edita a prestigiada revista The Economist. Este ano, no entanto, a cidade canadiana cai para o terceiro lugar, atrás de Melbourne e de Viena.
Para este ranking, as cidades são avaliadas em cinco categorias: estabilidade, cuidados de saúde, cultura e ambiente, educação e infraestruturas. Terá sido precisamente uma falha neste último ponto a ditar a descida de posição de Vancouver, a braços com os encerramentos periódicos de uma das suas principais estradas.
No top 10 aparecem ainda mais três cidades australianas, nos 7º, 8º e 9º lugar: Sydney, Perth e Adelaide e outras duas canadianas: Toronto e Calgary, respetivamente nas 4º e 5ª posição.
A capital é a única cidade portuguesa a ter lugar neste ranking e surge em 57º. A nota mais alta vai para o item "cultura e ambiente" e as mais baixas para estabilidade e infraestruturas.
http://aeiou.visao.pt/melbourne-e-a-melhor-cidade-do-mundo-para-se-viver=f619750#ixzz1WhMe52ex - 30 de Ago de 2011
Câmara manda 60 famílias "irredutíveis" para a rua
A Câmara de Matosinhos decretou ordem de despejo porque inquilinos não pagam nem querem regularizar as mensalidades em atraso.
O "Jornal de Notícias" escreve que sessenta famílias que vivem em urbanizações municipais de Matosinhos estão ameaçadas de despejo. A Câmara já notificou os inquilinos da decisão de despejá-los nos próximos dois meses face ao incumprimento sistemático no pagamento de rendas.
O presidente da Autarquia, Guilherme Pinto, garante que as ordens de despejo apenas abrangem apenas casos de moradores irredutíveis, que não pagam nem querem regularizar as mensalidades em atraso. O nível de incumprimento no conselho não é expressivo. Ronda os 5% num universo total de 4400 arrendatários.
http://www.dn.pt/
O "Jornal de Notícias" escreve que sessenta famílias que vivem em urbanizações municipais de Matosinhos estão ameaçadas de despejo. A Câmara já notificou os inquilinos da decisão de despejá-los nos próximos dois meses face ao incumprimento sistemático no pagamento de rendas.
O presidente da Autarquia, Guilherme Pinto, garante que as ordens de despejo apenas abrangem apenas casos de moradores irredutíveis, que não pagam nem querem regularizar as mensalidades em atraso. O nível de incumprimento no conselho não é expressivo. Ronda os 5% num universo total de 4400 arrendatários.
http://www.dn.pt/
“A Alemanha é o país mais pobre da Europa (...)"
“A Alemanha é o país mais pobre da Europa em termos de crianças” (Welt Online, 3 de Agosto). Roderich Egeler, diretor do Departamento Federal de Estatísticas, fez esta preocupante afirmação no último 3 de agosto, ao apresentar os resultados do último microcenso nacional, o Mikrozensus 2010.
Os dados revelam que entre 2000 e 2010 houve queda de 14% no número de crianças e menores no país. Enquanto eles eram quase 15,2 milhões no ano 2000, no ano passado foram contados 13,2 milhões, ou 2,1 milhões a menos em 10 anos.
Nos “Länder” (estados federados) da antiga Alemanha Ocidental, o número de crianças diminuiu quase 10%. Ainda mais dramática foi a queda nas regiões da antiga Alemanha Oriental, a ex-República Democrática Alemã. Nos chamados “novos Länder”, havia em 2010 cerca de 2,1 milhões de menores, 837.000 a menos que em 2000: queda de 29%.
Egeler enumera entre as causas não só o declive dos nascimentos no leste do país, mas também o movimento migratório do leste para o oeste. E Christine Kensche, do Welt Online, observa que o motivo não é a falta de assistência à infância e de creches, cuja oferta é até mais ampla no leste. Na média nacional, a “Betreuungsquote” é de 23,1%, o que significa que ao menos uma em cada quatro crianças menores de 2 anos frequenta uma creche. Em alguns “Länder” do leste, como Brandeburgo e Mecklemburgo-Pomerania, a porcentagem supera 51%.
Para incentivar os nascimentos, a coalizão dirigida pela atual chanceler democrata-cristã Angela Merkel (2005-2009) lançou um ambicioso projeto para triplicar, em 2013, o número de creches para crianças menores de três anos. Segundo os planos de Berlim, a “Betreuungsquote” deverá chegar a 38% em 2013.
Com seus 13,1 milhões de menores, a Alemanha tem a porcentagem mais baixa de crianças entre todos os estados europeus: eles são apenas 16,5% da população alemã (em 2000 eram 18,8%). Enquanto na Bulgária (16,7%) e na Itália (16,9%) a situação é parecida com a da Alemanha, a vizinha França se orgulha de uma taxa de fertilidade de 2 filhos por mulher e apresenta a porcentagem de quase 22% de menores em sua população. Na Grã-Bretanha, Holanda e países escandinavos o número de crianças também supera 20% da população. A situação é melhor na Turquia, onde quase um cidadão em cada três é menor de 18 anos: 32% dos 72 milhões de habitantes.
Tudo indica que a proporção de crianças na Alemanha continuará caindo. Se em 2000 quase um cidadão em cada cinco era menor de 18 anos, em 2060 apenas um alemão em cada sete será menor de 18 anos. Calcula-se que a porcentagem de menores cairá para 15% em 2030 e para 14% em 2060.
A situação familiar das crianças também apresenta grandes diferenças do leste para o oeste. Enquanto nos “Länder” ocidentais, no ano passado, 79% das crianças crescia em núcleos familiares compostos por pais casados, a porcentagem no leste da Alemanha era de 58%. No leste, 17% das crianças vive hoje em famílias com pais não casados. É quase o triplo do oeste, onde a porcentagem é de 6%.
Nos “Länder” orientais, quase um quarto das crianças (24%) vive num núcleo familiar monoparental. No oeste, a porcentagem é de 15%. Em termos nacionais, a porcentagem de pessoas que criam um filho sem ajuda de um companheiro(a) aumentou de 13,5% em 2000 para 16,8% no ano passado.
No leste da Alemanha, a proporção de filhos únicos também é mais alta: 35%, contra 24% na parte ocidental do país. Quase a metade dos menores alemães tem um irmão ou irmã; 19% tem dois e 8% ao menos três.
52% dos menores alemães vive em famílias em que ambos pais têm renda. Esta porcentagem cai para 28% no caso das crianças menores de 3 anos, o que significa que, nas famílias com filhos pequenos, um dos pais, normalmente a mãe, tende a interromper temporariamente a carreira. 38% das crianças cresce em famílias onde só um dos pais trabalha, e 11%, em núcleos familiares em que nenhum dos pais tem uma atividade profissional.
A pesquisa indica, ainda, que quase dois milhões de crianças alemãs (1,96%) vivem em famílias que dependem dos subsídios desembolsados pelo programa Hartz IV, a polêmica reforma social iniciada pela coalizão rubro-verde, dirigida pelo então chanceler Gerhard Schröder, que entrou em vigor em 2005. Para as famílias monoparentais, os subsídios sociais são essenciais. Nesta categoria, para uma criança a cada três os benefícios sociais constituem a principal fonte de renda da família.
As crianças que vivem com pais solteiros têm mais risco de pobreza. Enquanto este perigo ameaça 15% das famílias com filhos, ele afeta 37,5% das crianças que vivem com um pai solteiro.
O Departamento Federal de Estatística, com sede em Wiesbaden (Hesse), publicou no dia 12 de agosto os últimos dados do número de crianças nascidas fora do vínculo matrimonial, um fenômeno em constante aumento na Alemanha. Enquanto só 15% das crianças nascidas em 1990 eram “ilegítimas”, no ano passado essa porcentagem aumento para mais do dobro, quase 33%. De fato, os pais de 225.472 crianças nascidas vivas em 2010 (de um total de 677.947) não estavam unidos em matrimônio, 0,5% a mais em relação ao ano anterior.
Como observa o site do Frankfurter Allgemeine Zeitung (12 de agosto), também as diferenças entre o leste e o oeste são notáveis. Nas regiões da antiga Alemanha Oriental, mais de seis crianças de cada dez (61%) atualmente nascem fora do casamento. A percentagem mais elevada – 64% – foi registrada em Sajonia-Anhalt e em Mecklemburgo. No oeste, no entanto, esta proporção é mais reduzida: 27%.
Com seus 33% de crianças “naturais”, a Alemanha permanece abaixo da média da União Europeia, que, segundo dados de Eurostat, alcançava, em 2009, quase 38%. O país da UE com maior incidência é a Estônia (59%). Do outro lado da escala está a Grécia, com 7%. Em França, pouco mais da metade das crianças nascem de pais não casados (53%). Na Itália, quase um quarto (24%).
Por Paul De Maeyer
Roma, 31 de Agosto de 2011 (ZENIT.org)
Os dados revelam que entre 2000 e 2010 houve queda de 14% no número de crianças e menores no país. Enquanto eles eram quase 15,2 milhões no ano 2000, no ano passado foram contados 13,2 milhões, ou 2,1 milhões a menos em 10 anos.
Nos “Länder” (estados federados) da antiga Alemanha Ocidental, o número de crianças diminuiu quase 10%. Ainda mais dramática foi a queda nas regiões da antiga Alemanha Oriental, a ex-República Democrática Alemã. Nos chamados “novos Länder”, havia em 2010 cerca de 2,1 milhões de menores, 837.000 a menos que em 2000: queda de 29%.
Egeler enumera entre as causas não só o declive dos nascimentos no leste do país, mas também o movimento migratório do leste para o oeste. E Christine Kensche, do Welt Online, observa que o motivo não é a falta de assistência à infância e de creches, cuja oferta é até mais ampla no leste. Na média nacional, a “Betreuungsquote” é de 23,1%, o que significa que ao menos uma em cada quatro crianças menores de 2 anos frequenta uma creche. Em alguns “Länder” do leste, como Brandeburgo e Mecklemburgo-Pomerania, a porcentagem supera 51%.
Para incentivar os nascimentos, a coalizão dirigida pela atual chanceler democrata-cristã Angela Merkel (2005-2009) lançou um ambicioso projeto para triplicar, em 2013, o número de creches para crianças menores de três anos. Segundo os planos de Berlim, a “Betreuungsquote” deverá chegar a 38% em 2013.
Com seus 13,1 milhões de menores, a Alemanha tem a porcentagem mais baixa de crianças entre todos os estados europeus: eles são apenas 16,5% da população alemã (em 2000 eram 18,8%). Enquanto na Bulgária (16,7%) e na Itália (16,9%) a situação é parecida com a da Alemanha, a vizinha França se orgulha de uma taxa de fertilidade de 2 filhos por mulher e apresenta a porcentagem de quase 22% de menores em sua população. Na Grã-Bretanha, Holanda e países escandinavos o número de crianças também supera 20% da população. A situação é melhor na Turquia, onde quase um cidadão em cada três é menor de 18 anos: 32% dos 72 milhões de habitantes.
Tudo indica que a proporção de crianças na Alemanha continuará caindo. Se em 2000 quase um cidadão em cada cinco era menor de 18 anos, em 2060 apenas um alemão em cada sete será menor de 18 anos. Calcula-se que a porcentagem de menores cairá para 15% em 2030 e para 14% em 2060.
A situação familiar das crianças também apresenta grandes diferenças do leste para o oeste. Enquanto nos “Länder” ocidentais, no ano passado, 79% das crianças crescia em núcleos familiares compostos por pais casados, a porcentagem no leste da Alemanha era de 58%. No leste, 17% das crianças vive hoje em famílias com pais não casados. É quase o triplo do oeste, onde a porcentagem é de 6%.
Nos “Länder” orientais, quase um quarto das crianças (24%) vive num núcleo familiar monoparental. No oeste, a porcentagem é de 15%. Em termos nacionais, a porcentagem de pessoas que criam um filho sem ajuda de um companheiro(a) aumentou de 13,5% em 2000 para 16,8% no ano passado.
No leste da Alemanha, a proporção de filhos únicos também é mais alta: 35%, contra 24% na parte ocidental do país. Quase a metade dos menores alemães tem um irmão ou irmã; 19% tem dois e 8% ao menos três.
52% dos menores alemães vive em famílias em que ambos pais têm renda. Esta porcentagem cai para 28% no caso das crianças menores de 3 anos, o que significa que, nas famílias com filhos pequenos, um dos pais, normalmente a mãe, tende a interromper temporariamente a carreira. 38% das crianças cresce em famílias onde só um dos pais trabalha, e 11%, em núcleos familiares em que nenhum dos pais tem uma atividade profissional.
A pesquisa indica, ainda, que quase dois milhões de crianças alemãs (1,96%) vivem em famílias que dependem dos subsídios desembolsados pelo programa Hartz IV, a polêmica reforma social iniciada pela coalizão rubro-verde, dirigida pelo então chanceler Gerhard Schröder, que entrou em vigor em 2005. Para as famílias monoparentais, os subsídios sociais são essenciais. Nesta categoria, para uma criança a cada três os benefícios sociais constituem a principal fonte de renda da família.
As crianças que vivem com pais solteiros têm mais risco de pobreza. Enquanto este perigo ameaça 15% das famílias com filhos, ele afeta 37,5% das crianças que vivem com um pai solteiro.
O Departamento Federal de Estatística, com sede em Wiesbaden (Hesse), publicou no dia 12 de agosto os últimos dados do número de crianças nascidas fora do vínculo matrimonial, um fenômeno em constante aumento na Alemanha. Enquanto só 15% das crianças nascidas em 1990 eram “ilegítimas”, no ano passado essa porcentagem aumento para mais do dobro, quase 33%. De fato, os pais de 225.472 crianças nascidas vivas em 2010 (de um total de 677.947) não estavam unidos em matrimônio, 0,5% a mais em relação ao ano anterior.
Como observa o site do Frankfurter Allgemeine Zeitung (12 de agosto), também as diferenças entre o leste e o oeste são notáveis. Nas regiões da antiga Alemanha Oriental, mais de seis crianças de cada dez (61%) atualmente nascem fora do casamento. A percentagem mais elevada – 64% – foi registrada em Sajonia-Anhalt e em Mecklemburgo. No oeste, no entanto, esta proporção é mais reduzida: 27%.
Com seus 33% de crianças “naturais”, a Alemanha permanece abaixo da média da União Europeia, que, segundo dados de Eurostat, alcançava, em 2009, quase 38%. O país da UE com maior incidência é a Estônia (59%). Do outro lado da escala está a Grécia, com 7%. Em França, pouco mais da metade das crianças nascem de pais não casados (53%). Na Itália, quase um quarto (24%).
Por Paul De Maeyer
Roma, 31 de Agosto de 2011 (ZENIT.org)
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
O melhor contributo dos "ricos" para o bem comum não reside em aumentarem os seus impostos
--------------------------------------------------------------------------------
Depois de Warren Buffet, foi a vez de Liliane Bettencourt apelar a impostos mais elevados sobre os super-ricos, isto é, sobre si própria. A generosidade dos super-ricos surpreendeu num primeiro momento os partidários da luta de classes. Em seguida, lançaram-se numa nova campanha para aumentar os impostos.
Com o devido respeito pela decisão de cada um sobre o que fazer com o que lhe pertence, devo discordar do clima geral da discussão. Não são os impostos a fonte primordial de melhoria da condição de vida do maior número. A riqueza da Europa e do Ocidente - que ainda hoje merece admiração no resto do mundo - não foi produto da redistribuição da riqueza dos ricos para os pobres através dos impostos. Foi produto da criação de riqueza num ambiente de liberdade económica, em regra associada a impostos baixos, justiça célere, e, sobretudo, à ausência de barreiras à entrada de novos competidores.
Esta verdade elementar foi precocemente observada por Adam Smith, já em 1776. E foi mais facilmente corroborada depois disso. Até meados do século XVIII, todos os países eram basicamente pobres, comparativamente à exuberante descolagem económica europeia desde então. Essa descolagem económica, que elevou exponencialmente o nível de vida dos europeus ao longo do século XIX, não podia ter sido obtida pela redistribuição dos ricos para os pobres. Os ricos do início do século simplesmente não sonhavam que pudesse existir a riqueza com que o século terminou. Essa riqueza não existia previamente: ela simplesmente foi gerada, criada, inventada.
Joseph Schumpeter explicou em 1942 (Capitalismo, Socialismo e Democracia) o mecanismo que presidiu a essa extraordinária elevação do nível de vida das pessoas e do número de pessoas (no século XIX, a população europeia cresceu de 150 para 400 milhões). Chamou-lhe "destruição criadora", designando dessa forma o processo de permanente inovação que gera permanentemente novos produtos a custos mais baixos, incluindo velhos produtos também a custos mais baixos.
É isso que constituiu no Ocidente o grande "elevador social", através do qual gerações sucessivas de pessoas comuns têm acesso a bens e produtos que as gerações anteriores não sonhavam obter. Disse Schumpeter: "A rainha Isabel I tinha meias de seda. A proeza do capitalismo não consiste tipicamente em fornecer mais meias de seda às rainhas, mas em colocá-las ao alcance das raparigas das fábricas em troca de quantidades de esforço decrescentes".
Por outras palavras, quando a destruição criadora faz baixar os custos de bens e serviços, ela faz baixar o número de horas de trabalho necessárias para os adquirir. Esta é a chave da democratização do consumo - bem patente, neste final de Agosto, na massificação do turismo.
Por este motivo, o melhor contributo dos "ricos" para o bem comum não reside em aumentarem os seus impostos. Essa é uma contribuição apenas auxiliar, que deve visar a criação de uma rede de segurança pública, abaixo da qual ninguém deve recear cair. (Mas mesmo esse destino dos impostos será incerto, se eles não forem aplicados em regime de concorrência). O melhor contributo dos "ricos" consiste por isso em continuarem a produzir bens e serviços (que sejam voluntariamente escolhidos por consumidores), em concorrência aberta e leal com outros, actuais ou potenciais, produtores.
Por outras palavras, a melhor contribuição para o bem comum reside na liberdade de escolha. A melhor garantia de que um bem ou serviço está a ser produzido da forma mais acessível ao maior número de pessoas consiste na garantia de que esse bem ou serviço não está artificialmente protegido da concorrência e que é voluntariamente escolhido pelos que o consomem.
Esta foi a chave do incrível sucesso da Europa e do Ocidente nos últimos três séculos - uma evidência que nós esquecemos, mas que a China e a Índia compreendem muito bem. Porque a esquecemos, temos hoje dívidas públicas colossais, impostos colossais, despesas públicas colossais, crescimento económico ridículo e desemprego crescente. Entretanto, vamos alegremente discutindo como aumentar ainda mais os impostos - com vista a manter níveis de despesa pública insustentáveis.
João Carlos Espada
Professor do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa.
Público 29/8/2011
As Câmaras Municipais
Reforma local. Governo quer câmaras geridas por um só partido
Câmaras vão perder competências, mas ficam a salvo da extinção pedida pela troika. Governo negoceia com PS executivos monocolores
O governo quer que as câmaras sejam geridas por um só partido e vai negociar com o PS alterações à lei eleitoral autárquica a tempo das próximas eleições, em 2013. Este é apenas um dos quatro eixos da reforma administrativa (ver caixa) que o ministro adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, vai apresentar esta tarde na universidade de Verão do PSD.
Relvas quer mexer nas autarquias tanto ao nível externo como interno. No primeiro eixo, segundo apurou o i, o ministro propõe ainda reduzir o número de vereadores. Ou seja, as câmaras vão passar a ser geridas por um só partido, como acontece a nível nacional, mas com menos gente. A proposta tem de ser negociada com o PS (ver P&R).
Neste eixo, o governo quer ainda um reforço dos poderes de fiscalização das assembleias municipais, que actualmente têm um papel reduzido.
Além disso, Relvas quer alterar o modelo de gestão das câmaras e por isso vai apresentar mexidas nas competências a transferir para as autarquias. O objectivo, sabe o i, é reforçar os poderes das comunidades intermunicipais e das áreas metropolitanas ao passar algumas competências - ao nível da educação, da saúde, da gestão de resíduos, da construção e da gestão de equipamento - para estas entidades. Algumas das actuais associações intermunicipais já têm a seu cargo a gestão do lixo e de águas em alta (infra-estruturas que transportam água das barragens para os concelhos) e agora o governo de Passos Coelho quer expandir a experiência para outras áreas. A regionalização está fora desta reforma administrativa, mas o governo quer que alguns assuntos sejam geridos numa escala maior que as câmaras, para poupar nos recursos.
Neste segundo eixo, o governo prepara-se ainda para mexer nas finanças locais. Para o financiamento das câmaras, o governo quer que estas fiquem, à partida, com parte das receitas fiscais de IVA, IRS e IRC cobradas no seu território. Depois disto, o governo pressupõe a criação do fundo de coesão nacional para que as mais pequenas não fiquem prejudicadas.
Apesar de mexer na vida interna das câmaras, estas foram poupadas a uma reorganização de fundo. O Memorando da troika exigia uma redução do número de freguesias e de câmaras, mas o executivo vai apenas mexer no nível mais pequeno do sector local.
No terceiro eixo, que diz respeito à reorganização do território, a reforma fica-se por uma aglomeração de freguesias. Actualmente existem 4259, mas o governo espera reduzir cerca de mil este número, para que estas cresçam em número de habitantes e área.
Na argumentação do governo pode pesar Portugal ter menos autarquias que outros países europeus como a Itália, a Grécia ou mesmo França e a Alemanha. Ao i, o secretário de Estado da Administração Local, Paulo Júlio, dizia a semana passada que "o grande problema da sustentabilidade financeira dos municípios não é o elevado número de municípios, mas sim o seu modelo de gestão".
Por fim, o governo vai incluir na reforma administrativa a reforma das empresas municipais, no quarto eixo. A semana passada, o Conselho de Ministros aprovou o novo modelo jurídico do sector empresarial local. O executivo suspendeu a criação de novas empresas municipais e intermunicipais e aumentou a fiscalização no sector. Da reforma do sector empresarial local vai resultar a extinção de cerca de 150 empresas.
por Liliana Valente,
Publicado no "i" a 31 de Agosto de 2011
Câmaras vão perder competências, mas ficam a salvo da extinção pedida pela troika. Governo negoceia com PS executivos monocolores
O governo quer que as câmaras sejam geridas por um só partido e vai negociar com o PS alterações à lei eleitoral autárquica a tempo das próximas eleições, em 2013. Este é apenas um dos quatro eixos da reforma administrativa (ver caixa) que o ministro adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, vai apresentar esta tarde na universidade de Verão do PSD.
Relvas quer mexer nas autarquias tanto ao nível externo como interno. No primeiro eixo, segundo apurou o i, o ministro propõe ainda reduzir o número de vereadores. Ou seja, as câmaras vão passar a ser geridas por um só partido, como acontece a nível nacional, mas com menos gente. A proposta tem de ser negociada com o PS (ver P&R).
Neste eixo, o governo quer ainda um reforço dos poderes de fiscalização das assembleias municipais, que actualmente têm um papel reduzido.
Além disso, Relvas quer alterar o modelo de gestão das câmaras e por isso vai apresentar mexidas nas competências a transferir para as autarquias. O objectivo, sabe o i, é reforçar os poderes das comunidades intermunicipais e das áreas metropolitanas ao passar algumas competências - ao nível da educação, da saúde, da gestão de resíduos, da construção e da gestão de equipamento - para estas entidades. Algumas das actuais associações intermunicipais já têm a seu cargo a gestão do lixo e de águas em alta (infra-estruturas que transportam água das barragens para os concelhos) e agora o governo de Passos Coelho quer expandir a experiência para outras áreas. A regionalização está fora desta reforma administrativa, mas o governo quer que alguns assuntos sejam geridos numa escala maior que as câmaras, para poupar nos recursos.
Neste segundo eixo, o governo prepara-se ainda para mexer nas finanças locais. Para o financiamento das câmaras, o governo quer que estas fiquem, à partida, com parte das receitas fiscais de IVA, IRS e IRC cobradas no seu território. Depois disto, o governo pressupõe a criação do fundo de coesão nacional para que as mais pequenas não fiquem prejudicadas.
Apesar de mexer na vida interna das câmaras, estas foram poupadas a uma reorganização de fundo. O Memorando da troika exigia uma redução do número de freguesias e de câmaras, mas o executivo vai apenas mexer no nível mais pequeno do sector local.
No terceiro eixo, que diz respeito à reorganização do território, a reforma fica-se por uma aglomeração de freguesias. Actualmente existem 4259, mas o governo espera reduzir cerca de mil este número, para que estas cresçam em número de habitantes e área.
Na argumentação do governo pode pesar Portugal ter menos autarquias que outros países europeus como a Itália, a Grécia ou mesmo França e a Alemanha. Ao i, o secretário de Estado da Administração Local, Paulo Júlio, dizia a semana passada que "o grande problema da sustentabilidade financeira dos municípios não é o elevado número de municípios, mas sim o seu modelo de gestão".
Por fim, o governo vai incluir na reforma administrativa a reforma das empresas municipais, no quarto eixo. A semana passada, o Conselho de Ministros aprovou o novo modelo jurídico do sector empresarial local. O executivo suspendeu a criação de novas empresas municipais e intermunicipais e aumentou a fiscalização no sector. Da reforma do sector empresarial local vai resultar a extinção de cerca de 150 empresas.
por Liliana Valente,
Publicado no "i" a 31 de Agosto de 2011
terça-feira, 30 de agosto de 2011
Portugal vai evitar incumprimento
Fitch decide rating no final do ano e acredita que Portugal vai evitar incumprimento
A Fitch irá tomar uma decisão sobre o ''rating'' de Portugal no último trimestre do ano, que mantém sob revisão para possível corte, mantendo a confiança de que Portugal "deve conseguir evitar" o incumprimento ou reestruturação da sua dívida.
De acordo com uma apresentação hoje divulgada pela agência de notação financeira, a decisão sobre o ''rating'' de Portugal será tomada com base nos riscos que permanecem sobre a implementação do programa de assistência financeira, as perspetivas de crescimento da economia no curto e longo prazo, assim como a sustentabilidade da dívida pública e da dívida externa do país.
A agência aponta a queda da conjuntura macroeconómica como uma das suas principais preocupações, lembrando o elevado desequilíbrio das contas públicas e da sua dívida externa, apontando que a sua estimativa para a recessão económica em Portugal é de cerca de 4 por cento em termos acumulados este ano e no próximo, consistente com as previsões das instituições económicas internacionais.
A Fitch aponta ainda os riscos que o ajustamento trará ao sistema financeiro português (“que empresta a um setor privado dos mais endividados da Europa e que está altamente dependente de financiamento no mercado”), e aponta que será necessária uma recapitalização dos bancos e um aumento do financiamento do BCE.
Apesar destes riscos, a agência de notação – que cortou o ‘rating’ de Portugal em sete níveis no último ano e meio – acredita que Portugal “deve conseguir evitar o incumprimento ou a reestruturação da sua dívida”, mas aponta que, como Portugal começou o seu processo de ajustamento macroeconómico um ano depois da Grécia, a confiança em Portugal provavelmente não será restaurada no curto prazo.
por Agência Lusa,
Publicado no "i" a 30 de Agosto de 2011
A Fitch irá tomar uma decisão sobre o ''rating'' de Portugal no último trimestre do ano, que mantém sob revisão para possível corte, mantendo a confiança de que Portugal "deve conseguir evitar" o incumprimento ou reestruturação da sua dívida.
De acordo com uma apresentação hoje divulgada pela agência de notação financeira, a decisão sobre o ''rating'' de Portugal será tomada com base nos riscos que permanecem sobre a implementação do programa de assistência financeira, as perspetivas de crescimento da economia no curto e longo prazo, assim como a sustentabilidade da dívida pública e da dívida externa do país.
A agência aponta a queda da conjuntura macroeconómica como uma das suas principais preocupações, lembrando o elevado desequilíbrio das contas públicas e da sua dívida externa, apontando que a sua estimativa para a recessão económica em Portugal é de cerca de 4 por cento em termos acumulados este ano e no próximo, consistente com as previsões das instituições económicas internacionais.
A Fitch aponta ainda os riscos que o ajustamento trará ao sistema financeiro português (“que empresta a um setor privado dos mais endividados da Europa e que está altamente dependente de financiamento no mercado”), e aponta que será necessária uma recapitalização dos bancos e um aumento do financiamento do BCE.
Apesar destes riscos, a agência de notação – que cortou o ‘rating’ de Portugal em sete níveis no último ano e meio – acredita que Portugal “deve conseguir evitar o incumprimento ou a reestruturação da sua dívida”, mas aponta que, como Portugal começou o seu processo de ajustamento macroeconómico um ano depois da Grécia, a confiança em Portugal provavelmente não será restaurada no curto prazo.
por Agência Lusa,
Publicado no "i" a 30 de Agosto de 2011
segunda-feira, 29 de agosto de 2011
Rebeldes líbios pedem continuidade de apoio da NATO
O Conselho Nacional de Transição (CNT) assume que Muamar Kadhafi ainda é perigoso e continua a ser uma ameaça para o país e para o Mundo. O órgão político dos rebeldes líbios recusa qualquer diálogo com Kadhafi e promete mesmo capturar o coronel. O controlo do aeroporto de Trípoli passou para as mãos dos rebeldes no fim-de-semana e as instalações são patrulhadas para evitar pilhagens.
O líder do CNT apelou à NATO para manter o seu apoio dizendo que, apesar de não ser visto há uma semana, “o desafio” de Kadhafi ainda é considerado “um perigo”.
“O desafio que Kadhafi representa para as forças da coligação constitui sempre um perigo, não apenas para o povo líbio mas para todo o mundo. É por isso que pedimos à coligação para continuar com o seu apoio”, declarou Moustapha Abdeljalil, em Doha, na abertura de um encontro dos chefes de Estado-maior dos países com envolvimento militar na Líbia.
Em Tripoli, o enviado da Antena 1 José Manuel Rosendo testemunhou que o regime não dá ainda tréguas no terreno, apesar do controlo dos rebeldes. O movimento ofereceu a amnistia e prometeu um milhão de euros de recompensa para quem capturar o líder líbio, vivo ou morto.
“Ainda precisamos (da ajuda da coligação) para restabelecer a segurança e eliminar as células adormecidas e os restos do regime de Kadhafi”, acrescentou o “ministro da Defesa” do movimento, Jalal al-Deghili.
No mesmo encontro, o representante da NATO prometeu dar continuidade à missão. “Acreditamos que o regime de Kadhafi está perto do colapso e estamos comprometidos a continuar com a operação até à sua conclusão”, disse o almirante Samuel Locklear, alertando para a perda de capacidade do regime no que respeita à organização de operações.
A intervenção militar na Líbia teve início a 19 de março, na sequência de uma resolução do Conselho de Segurança da ONU. O fundamento é a proteção de civis face à repressão do regime do líder líbio durante uma revolta iniciada em meados de fevereiro.
http://tv1.rtp.pt/noticias/
O líder do CNT apelou à NATO para manter o seu apoio dizendo que, apesar de não ser visto há uma semana, “o desafio” de Kadhafi ainda é considerado “um perigo”.
“O desafio que Kadhafi representa para as forças da coligação constitui sempre um perigo, não apenas para o povo líbio mas para todo o mundo. É por isso que pedimos à coligação para continuar com o seu apoio”, declarou Moustapha Abdeljalil, em Doha, na abertura de um encontro dos chefes de Estado-maior dos países com envolvimento militar na Líbia.
Em Tripoli, o enviado da Antena 1 José Manuel Rosendo testemunhou que o regime não dá ainda tréguas no terreno, apesar do controlo dos rebeldes. O movimento ofereceu a amnistia e prometeu um milhão de euros de recompensa para quem capturar o líder líbio, vivo ou morto.
“Ainda precisamos (da ajuda da coligação) para restabelecer a segurança e eliminar as células adormecidas e os restos do regime de Kadhafi”, acrescentou o “ministro da Defesa” do movimento, Jalal al-Deghili.
No mesmo encontro, o representante da NATO prometeu dar continuidade à missão. “Acreditamos que o regime de Kadhafi está perto do colapso e estamos comprometidos a continuar com a operação até à sua conclusão”, disse o almirante Samuel Locklear, alertando para a perda de capacidade do regime no que respeita à organização de operações.
A intervenção militar na Líbia teve início a 19 de março, na sequência de uma resolução do Conselho de Segurança da ONU. O fundamento é a proteção de civis face à repressão do regime do líder líbio durante uma revolta iniciada em meados de fevereiro.
http://tv1.rtp.pt/noticias/
O melhor lado da crise
A actualidade comprova que não será fácil repetir a governação do passado, que nos conduziu à actual situação humilhante, de total dependência externa
***
Manuela Ferreira Leite perdeu as legislativas, em 2009, depois de uma campanha eleitoral em que ficou célebre uma polémica declaração: "E até não sei se a certa altura não seria bom haver seis meses sem democracia. Mete-se tudo na ordem e depois então venha a democracia."
Para muitos, foi um lapso de comunicação; para outros, a expressão foi uma crítica certeira às pseudo-reformas então em curso na justiça, à custa do ataque gratuito aos juízes.
Dois anos depois do início da crise, e face à necessidade de apressar as verdadeiras reformas, chegou a hora de levantar novamente a questão: será preciso voltar a perguntar se é preciso suspender a democracia para salvar o país?
Mais que a discussão filosófica ou jurídico-constitucional, importa afastar desde já a tentação de invectivar determinadas classes profissionais para alijar o fardo de quem tem de fazer o que tem de ser feito. A situação exige muito mais do que uma crispação artificial e desgastante. E tal só é possível quando a governação é credibilizada por uma sociedade civil participativa e inconformada.
A actualidade comprova que não será fácil repetir a governação do passado que nos conduziu à actual situação humilhante de total dependência externa. Directa ou através de mediação, é patente a crescente atenção e apetência da sociedade pela avaliação, quase em tempo real, de cada decisão governamental. Agora já não será tão fácil autorizar investimentos faraónicos, aumentar salários milionários, renovar frotas automóveis de luxo e até permitir mais despesas em telecomunicações inimagináveis. De igual forma, os servidores da causa pública terão cada vez maior dificuldade em enriquecer ilegal e impunemente durante ou depois do exercício de funções. Por sua vez, atitudes como a do ministro Miguel Relvas, que elogiou o correspondente da RTP em Angola quando lhe são publicamente conhecidos interesses empresariais naquele país africano, dificilmente serão repetidas. Por último, a resistência dos mais ricos a pagar um imposto extraordinário, ainda que simbólico, também não passará em claro.
Com o dinheiro a escassear, está instalada a tolerância zero em relação ao esbanjamento, aos sinais exteriores de riqueza injustificados e à falta de solidariedade. E o voto deixou de ser um cheque em branco ao governo, quiçá constituído por iluminados e bem-intencionados, que até abdicaram de belos ordenados para servirem o país. Aliás, já não bastam cortes mais ou menos cegos e brutais na despesa. Começa a ser evidente alguma impaciência em relação a uma profunda e urgente reestruturação em áreas tão importantes como a educação, a justiça e a saúde, que se espera vir a ser feita sem ser à custa de uma nova tentativa de demonizar professores, advogados, investigadores criminais, magistrados, médicos e enfermeiros.
Há um lado bom em qualquer crise, sobretudo quando nos obriga a aprender com os erros do passado, bem como a assumir que a legitimidade formal de quem nos representa não substitui a necessidade de um escrutínio frontal e constante.
Se todos os sacrifícios exigidos consolidarem esta mudança de mentalidade, então nem tudo está perdido. A consciência da necessidade de participar na agregação de diferentes interesses, num espaço de debate e legalidade, é o primeiro passo para promover novas soluções, evitando o risco de explosões sociais que fermentam, invariavelmente, a partir da passividade e da descrença em relação a quem tem a responsabilidade de governar.
por Rui Costa Pinto,
Publicado no "i" a 27 de Agosto de 2011
"Governo (britânico) cede à pressão e apoia reformas anti-aborto"
O governo britânico cedeu à pressão do lóbi anti-aborto e vai avançar com reformas do actual sistema de apoio às mulheres, retirando aos médicos e às instituições de caridade a responsabilidade exclusiva de prestarem assistência e aconselhamento a quem quer interromper a gravidez.
De acordo com o The Guardian, o Ministério da Defesa confirmou que vai mudar as regras de modo a que as mulheres recebem aconselhamento "independente" sobre os serviços relacionados com a interrupção voluntária da gravidez (IVG). Um anúncio que surge uma semana antes de a câmara dos comuns discutir uma alteração à lei da saúde que propõe um caminho semelhante e que será apresentada por Nadine Dorries, uma deputada do Partido Conservador conhecida pelas suas posições contra a actual lei do aborto.
As instituições de solidariedade social argumentam que acrescentar mais um nível de aconselhamento só vai causar perturbação e reduzir o acesso das mulheres aos serviços de IVG. Além disso, dizem, os seus serviços acompanham as mulheres durante todo o processo e rejeitam as acusações de terem conflitos de interesse ao nível financeiro. Yvette Cooper, membro do governo sombra do Partido Trabalhista, considera que a iniciativa governamental é baseada em preconceitos e não em provas, escreve o jornal.
Dorries, uma antiga enfermeira que já fez campanha para reduzir o período de gravidez em que a interrupção voluntária é legal, acredita que é possível evitar 60 mil dos actuais 200 mil abortos por ano se for oferecido às mulheres aconselhamento independente. E critica o British Pregnancy Advisory Service (serviço britânico de aconselhamento sobre gravidez) e a instituição Marie Stopes.
"O importante é que o governo tenha salientado e concordado que um aconselhamento prestado por organizações que são pagas para conduzir os procedimentos para as IVG não é independente. (...) Isso valida a emenda e o que estamos a fazer", afirmou Dorries ao The Guardian. "O aborto é um processo tão rápido - sete a 14 dias. As mulheres que têm dúvidas vêm-se do outro lado ainda antes de terem hipóteses de reflectirem. A maioria pode pensar que está tudo bem, mas há cada vez mais a pensarem que não era aquilo que queriam. E quanto mais rápido é o processo mais mulheres caem nessa armadilha. Isto é uma questão de direitos das mulheres", afirma a deputada (...).
http://www.dn.pt/
De acordo com o The Guardian, o Ministério da Defesa confirmou que vai mudar as regras de modo a que as mulheres recebem aconselhamento "independente" sobre os serviços relacionados com a interrupção voluntária da gravidez (IVG). Um anúncio que surge uma semana antes de a câmara dos comuns discutir uma alteração à lei da saúde que propõe um caminho semelhante e que será apresentada por Nadine Dorries, uma deputada do Partido Conservador conhecida pelas suas posições contra a actual lei do aborto.
As instituições de solidariedade social argumentam que acrescentar mais um nível de aconselhamento só vai causar perturbação e reduzir o acesso das mulheres aos serviços de IVG. Além disso, dizem, os seus serviços acompanham as mulheres durante todo o processo e rejeitam as acusações de terem conflitos de interesse ao nível financeiro. Yvette Cooper, membro do governo sombra do Partido Trabalhista, considera que a iniciativa governamental é baseada em preconceitos e não em provas, escreve o jornal.
Dorries, uma antiga enfermeira que já fez campanha para reduzir o período de gravidez em que a interrupção voluntária é legal, acredita que é possível evitar 60 mil dos actuais 200 mil abortos por ano se for oferecido às mulheres aconselhamento independente. E critica o British Pregnancy Advisory Service (serviço britânico de aconselhamento sobre gravidez) e a instituição Marie Stopes.
"O importante é que o governo tenha salientado e concordado que um aconselhamento prestado por organizações que são pagas para conduzir os procedimentos para as IVG não é independente. (...) Isso valida a emenda e o que estamos a fazer", afirmou Dorries ao The Guardian. "O aborto é um processo tão rápido - sete a 14 dias. As mulheres que têm dúvidas vêm-se do outro lado ainda antes de terem hipóteses de reflectirem. A maioria pode pensar que está tudo bem, mas há cada vez mais a pensarem que não era aquilo que queriam. E quanto mais rápido é o processo mais mulheres caem nessa armadilha. Isto é uma questão de direitos das mulheres", afirma a deputada (...).
http://www.dn.pt/
Benin decide abolir a pena de morte
Três meses antes da visita do Papa a este país
PORTO NOVO, domingo, 28 de agosto de 2011 (ZENIT.org) – Mais um país se soma à lista de nações que aboliram a pena de morte: Benin.
No dia 19 de Agosto, o Benin – para onde o Papa viajará de 18 a 20 de novembro para celebrar o 150° aniversário da evangelização do país e entregar a exortação apostólica fruto do Sínodo da África (2009) – aboliu a pena de morte, convertendo-se no 106° país do mundo e o 17° na África a fazê-lo.
Quem divulgou essa notícia com satisfação foi a Comunidade de Sant’Egídio, que no curso dos anos passados acompanhou o amadurecimento desta decisão na opinião pública de Benin, mediante uma campanha de sensibilização e coleta de assinaturas contra a pena de morte.
A vida que a JMJ salvou
Peregrinos irlandeses convencem casal a não abortar
MADRI, sexta-feira, 26 de agosto de 2011 (ZENIT.org) – A 26ª Jornada Mundial da Juventude (JMJ) conseguiu, entre seus numerosos frutos, salvar uma vida humana, já que uns peregrinos que foram a Madri, para o evento, convenceram um casal a não abortar.
No último dia 19 de agosto, um grupo de jovens pró-vida irlandeses começou a rezar na frente da igreja de São Martinho, onde há uma importante clínica de abortos, segundo informou a ZENIT o Centro Internacional para a Defesa da Vida Humana (CIDEVIDA).
Um casal chegou até o lugar com a intenção de abortar e os jovens foram ao seu encontro, explicando-lhes as razões pelas quais não deveriam fazer isso.
Uma voluntária de CIDEVIDA, organização que tinha uma exposição instalada no claustro dessa igreja madrilena cêntrica, uniu-se ao grupo e colocou o casal em contato com a fundação de apoio, assessoria e ajuda à mulher grávida, Red Madre.
Esta rede se comprometeu a prestar apoio para o nascimento do filho do casal, que consolidou assim sua decisão de não abortar.
Para o secretário de CIDEVIDA, Juan José Panizo, “o presente desta vida é uma alegria para todos”. “Obrigado, Bento XVI, por ter vindo”, expressou, elogiando também a ação dos voluntários da entidade pró-vida e dos peregrinos irlandeses, que, depois desse encontro, voltaram a rezar de joelhos no mesmo lugar.
Um grupo de pessoas preocupadas pelas consequências da nova lei do aborto na Espanha colocou em marcha o CIDEVIDA em 2009, para informar sobre a realidade do aborto e promover alternativas para ajudar as mulheres com problemas diante da gravidez.
Entre outras atividades, a entidade mantém, na Villa de Tordesillas, na província de Valladolid, uma exposição permanente sobre o aborto, um centro de ajuda às mulheres grávidas e de atenção à síndrome pós-aborto, bem como um centro documental.
Madrid, capital mediática mundial durante a JMJ
Segundo um estudo da Universidade de Navarra
PAMPLONA, sexta-feira, 26 de agosto de 2011 (ZENIT.org) – Segundo um estudo elaborado pela Universidade de Navarra, a viagem pastoral de Bento XVI à Espanha gerou 54 mil notícias em todo o mundo, o que provocou que, durante uma semana, todos os olhares estivessem dirigidos a Madrid, graças à realização da Jornada Mundial da Juventude (JMJ).
Dessas notícias, 30 mil foram divulgadas pela mídia espanhola e 12.600 pela imprensa das demais partes da Europa. Da mesma forma, 6.200 notícias procederam da América Latina, 2 mil dos EUA e Canadá, 400 da Oceania e 200 de países da África.
No total, o informe identificou notícias sobre a JMJ em 108 países, algumas de lugares remotos como Fiji (2 artigos) e Serra Leoa (2 artigos), bem como de países com obstáculos para a liberdade religiosa, como Sudão (1 artigo), Arábia Saudita (4 artigos) e Cuba (42 artigos).
O estudo destaca que o acompanhamento da JMJ pelos meios de comunicação foi massivo, em contraste com outros eventos recentes associados a Madrid. Neste sentido, as notícias relacionadas à JMJ tiveram um impacto midiático cinco vezes superior ao último atentado da ETA no Campo de las Naciones e três vezes maior que a não seleção de Madri como organizadora dos Jogos Olímpicos.
Quando se compara a última estadia do Papa na Espanha com outros acontecimentos de caráter religioso, o impacto da JMJ foi 3,3 vezes superior à beatificação de João Paulo II.
JMJ, embaixadora das marcas Madrid e Espanha
Os dados sobre a cobertura midiática do encontro do Papa com os jovens constituem um adiantamento do informe que está sendo elaborado pelo grupo de Medios, Reputación e Intangibles, da Universidade de Navarra, sobre o impacto das JMJ na imagem da marca de Madrid.
Como aponta Francesc Pujol, principal autor do estudo, “A JMJ foi um excelente embaixador da marca Madrid, já que reforçou sua credibilidade para poder albergar outros grandes eventos mundiais no futuro”. Uma recepção que afeta também a projeção internacional do país organizador. “A JMJ contribuiu para restabelecer parte da deteriorada imagem econômica da Espanha no exterior”, indica o professor da Faculdade de Ciências Econômicas e Empresariais.
Mais informação: http://www.unav.es/centro/intangibles/main-page
Subscrever:
Mensagens (Atom)