quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Tintin é de Todos

Há que tempos que os fãs do mais famoso repórter do mundo andam num nervoso miudinho. Tudo porque dois não europeus (pior: um americano e um neo-zelandês) ousavam penetrar no território sagrado de Hergé. Ainda por cima adulteravam com a terceira dimensão o país plano de Jacques Brel. E corrompiam a limpeza, a elegância e o apuramento do traço, ou humor, a qualidade e a imaginação das histórias, dos gags, do ritmo narrativo criados por um dos mais referenciais autores de BD com a motion capture, a técnica que mistura imagem real e CGI (computer generated imagery), utilizada recentemente por James Cameron, em Avatar, seguindo o caminho trilhado por Peter Jackson (Senhor dos Anéis, King Kong). Mas a verdade é que não se imagina melhores câmaras, melhores técnicas, melhores mentes e melhores mãos a que pudesse ser entregue esta missão quase impossível. Peter Jackson, produtor e futuro realizador da eventual sequela, cresceu a ler o Tintin - este repórter globetrotter é transversal a geografias e a gerações, as suas aventuras são traduzidas em 80 idiomas, com mais de 350 milhões de cópias vendidas. . .

E Spielberg tornou-se um ávido leitor, nos anos 80, depois muita gente ter associado o seu indiana Jones a Tintin - aliás, adquiriu os direitos logo em 83, com a concordância e o agrado do próprio Hergé.

De facto, Tintin é um Indiana Jones sem mochila, sem chicote, sem suor nem barba por fazer - e, neste filme, o já lendário compositor John Williams encarrega-se de o sublinhar. Nem um rasgo de mau feitio, cobiça ou mínima centelha amorosa se lhe atravessa no caminho. E é dramática e cinematograficamente difícil sustentar um herói tão imberbe, tão angelical, sem back-ground familiar, sem passado, sem rugas nem dirty secrets a macular a sua perfeição. Ele é quase uma abstracção, uma espécie de incorporação da neutralidade (em francês Tintin quer dizer Rien du tout). Por isso a motion capture é a técnica que melhor lhe serve, num meio termo entre o realismo e animação, que tornam os actores - seres digitalmente modificados - irreconhecíveis, sendo-lhes, contudo, captáveis as milhares de nuances e expressões faciais e corporais. Muito longe, portanto, do triste destino e que condenou ao ridículo o magistral Goscinny, quando a saga Astérix foi lamentavelmente vertida nas telas.

O filme baseia-se nos álbuns sequenciais Segredo de Licorne e O Tesouro de Rackham, o Terrível, que não são de todos os mais sofisticados, mas faz sentido, se pensarmos que este pode ser o início de uma triologia (se tudo correr bem na bilheteiras, já na América é uma incógnita): aqui Tintin cruza-se pela primeira vez com o seu contraponto de vícios, o capitão Haddock e a sua prolixidade de insultos e com o mítico castelo de Moulinsart. Há um excerto de O caranguejo e Tenazes de Ouro, à mistura, e intrometem-se o barco Karaboujan e a travessia do Saara. Rackan é o vilão do filme, mas falta-lhe carisma, daí nem ter sido retomado em aventuras seguintes, ao contrário do incorrigível Rastapopoulos. E esta pode ser uma falha do filme. Se o herói é atípico e dificílimo de assimilar numa lógica de estereótipo por uma lógica cinéfila mas iletrada nos álbuns de BD, teria de se compensar com um vilão mais terrível. Faltam também os irmãos Pardal, mas em contrapartida introduz-se os gémeos mais redundantes do mundo Dupond e Dupont, Allan, o mordomo Nestor e Castafiore - que não satisfaz o potencial humorístico, mas cumpre a quota feminina. Diz-se que o português Oliveira da Figueira estava previsto (interpretado por Danny de Vito), mas afinal não compareceu. Nem o general Alcazar, ou vendedor de seguros Lampião, a Irma, camareira do rouxinol milanês, e o ensurdecido Professor Girassol. De resto toda a meticulosidade de Hergé, e o seu amor pela tecnologia de transportes, estão presentes nas batalhas navais, nas perseguições com side-cars e modelos de carros dos anos 30, com hidro-aviões amarelos, botes e navios. É preciso ver que Tintin chegou à lua, 16 anos antes de Armstrong. Há, além da banda sonora, um genérico fabuloso, e um diálogo muito à Indiana Jones, agora vestido com calças de golfe: "Sabes pilotar", pergunta-lhe o velho lobo do mar Haddock, a bordo do hidro-avião. "Uma vez entrevistei um piloto", responde Tintin.



Ler mais: http://aeiou.visao.pt/tintin-e-de-todos=f628651#ixzz1byUSXw3d

Zona euro arranca acordo sobre plano anti-crise

A zona euro chegou esta madrugada a um acordo sobre praticamente todos os aspectos de um novo plano contra a crise que pressupõe uma redução da dívida grega e o aumento do seu fundo de estabilidade de ajuda aos países em dificuldades para “cerca de um bilião de euros”. (...)

http://economia.publico.pt/

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Presidente da República

Falta de vergonha

Bom, também ando a dizer isto há bastante tempo:

«A eleição do dr. Cavaco para Presidente da República foi uma das maiores desgraças que sucederam a Portugal e aos portugueses desde 2006. Mas foi pior do que uma desgraça. Foi um erro». (VPV, 21/10)

Mas adiante….

Agora deu-lhe para pedir «sentido de responsabilidade aos líderes europeus»(*). Claro, oportunisticamente, sabendo-se já que a cimeira de amanhã não dará em nada de especial (como felizmente a esmagadora maioria das cimeiras), nada como na véspera tentar falar grosso e de dedo em riste. É fácil e rende boa imagem. Falta-lhe é um pingo de autoridade e muita vergonha na cara.

Ou acaso esquece que uma cimeira europeia não é propriamente um grupo de pessoas num seminário ou reunião de trabalho a quem seja pedido «vá lá, entendam-se». Esse discursinho da treta da «ausência de grandes líderes» é um bocado fassita… . Nestas cimeiras estão líderes eleitos de países, representando e defendendo interesses divergentes, opostos e dificilmente reconciliáveis. Qualquer entendimento tem um elevadíssimo grau de dificuldade e implica custos elevados para as suas populações. Exemplo. Portugal emprestou o ano passado 3 mil milhões de euros à Grécia. Quer-se mesmo que o nosso PM, em nosso nome diga, «ok, perdoe-se…«? Acham mesmo que o eleitorado e os contribuintes alemães, finlandeses, franceses, luxemburgueses…estariam dispostos assim do pé para a mão a aceitar ver subir as suas taxas de juro para que gregos e portugueses tenham taxas de juro mais baixas e que caso estes não paguem as suas dívidas eles, contribuintes alemães, finaldeses, austríacos… seriam os fiadores de tais dívidas (eurobonds)? Não, pois não?

Pois é,…é feio exigir «sentido de responsabilidade» quem dela nunca assumiu a grande quota-parte na criação do «monstro» imparável que agora é preciso domar e derrotar, pelo que se agradeceria que deixasse as coisas importantes para quem de facto tem a responsabilidade de as decidir e limitar-se a entregar prémios literários, assinar de cruz leis «com que não concorda» e a ver as vacas, coisas para que, ao que consta, não lhe tem faltado a arte e o engenho.

Por Gabriel Silva
http://blasfemias.net/
22 Outubro, 2011

Que o velho continente «saia da actual crise mais forte do que entrou».

A chanceler alemã, Angela Merkel, lembrou esta quarta-feira no Parlamento alemão que Portugal «está firmemente disposto a impor» o programa de ajustamento económico negociado com a «troika» da União Europeia e o FMI.

Isto no dia em que a Comissão Europeia pediu aos líderes europeus que cheguem a um acordo «credível», na cimeira desta quarta-feira, para dar resposta à crise da dívida na Zona Euro.

A chanceler discursava antes da votação no Parlamento alemão sobre o reforço do fundo de resgate europeu, que precede o Conselho Europeu e a cimeira de líderes da Zona Euro desta noite, em Bruxelas, para aprovar um pacote de medidas para estabilizar a moeda única.

Merkel afirmou ainda que a Alemanha «não pode estar duradouramente bem se a Europa estiver mal», preconizando que o velho continente «saia da actual crise mais forte do que entrou».

Merkel defendeu uma «união de estabilidade para superar a crise e encontrar soluções sustentáveis» contra o endividamento e a falta de competitividade de alguns Estados, sublinhando que é também necessário «corrigir os erros do passado e evitar o contágio a outros países».

A chanceler prometeu ainda empenhar-se no conselho europeu e na cimeira de líderes da zona euro de hoje à noite «a favor de soluções sustentáveis», garantindo que tem havido «bons avanços» nas negociações.

Após a intervenção da chanceler, o Bundestag iniciou o debate sobre o reforço do FEEF, e votará em seguida uma moção conjunta dos partidos do Governo, democratas-cristãos e liberais, e de dois partidos da oposição, sociais-democratas e Verdes, favorável às alterações, mandatando a chanceler para negociar com os parceiros europeus esta noite, em Bruxelas, o pacote de medidas para estabilizar a Zona Euro.

Tratados europeus têm de ser alterados

A chanceler alemã disse ainda que os tratados europeus devem ser alterados para a Europa combater de forma mais eficaz a crise da dívida soberana e admitiu recorrer a mais financiamento por parte do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Num discurso no Parlamento alemão, Merkel afirmou que a Alemanha não pode prosperar com a Europa em sofrimento, endereçou os parabéns à Grécia por ter encetado reformas «dolorosas, mas necessárias» e considerou que o país helénico vai enfrentar «um longo e duro caminho» até equilibrar as contas públicas.

No discurso que antecede a cimeira europeia desta noite, a chanceler alemã afirmou ainda que o sector privado deve aguentar um fardo «significativamente mais elevado» na reestruturação da dívida grega e que são precisas mais medidas para conter a crise da dívida, independentemente das decisões que sejam tomadas na cimeira marcada para esta noite, em Bruxelas.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Qualidades morais de Tintin são necessárias hoje

As "qualidades morais" da personagem de banda desenhada de Hergé são "actuais, importantes e necessárias", apesar de Tintin ter sido criado no início do século XX, considerou esta segunda-feira Yves Février, representante do Museu Hergé.

Em Guimarães, a propósito da antestreia nacional do filme "As Aventuras de Tintin: O Segredo do Licorne", ao abrigo da Capital Europeia da Cultura Guimarães 2012, Yves Février descreveu o autor de Tintin como um trabalhador incansável.

"O Hergé era um escravo. Durante anos trabalhou sem parar e em 1929 criou este herói, Tintin, no qual trabalhou o resto da vida", disse.

As Aventuras de Tintin, adiantou, começaram a ser publicadas num jornal semanalmente em 1929 e após um ano destas publicações foi editado o primeiro álbum, "Tintin no país dos Sovietes".

Yves Février descreveu Tintin como "um bom menino, ao estilo dos escuteiros".

Em declarações à Agência Lusa, o representante do Museu Hergé, afirmou que "os valores defendidos por Tintin" têm "lugar" no século XXI. "Este herói representa valores morais que não só são atuais como são importantes e necessários nos dias de hoje", afirmou, explicando que "valores como os que estão na base destas histórias são intemporais".

No entanto, admitiu Février, que se a questão da actualidade dos valores de Tintin lhe fosse colocada quando era adolescente nos anos 70 diria: "Não. São antiquados e fora de moda".

Para Yves Février, a "grande inteligência" de Steven Spielberg foi "precisamente" ter-se apercebido da "actualidade da moral que está na base das aventuras do Tintin", pois, "para além da técnica de filmagem, o grande valor deste filme é a mensagem".

Este estudioso da obra de Hergé considerou ainda que a "mais valia" dos desenhos do autor de Tintin e Milou "é a noção de movimento que transmite cada vinheta da banda desenhada".

Essa "mestria", admitiu Février à Agência Lusa, "esbate-se na passagem das Aventuras de Tintin do papel para a tela de cinema, pois em cinema é fácil dar a noção de movimento, difícil é fazê-lo no papel".

Sobre a vida de Hergé, Yves Février abordou ainda a "catalogação" do artista como "colaboracionista nazi" durante a ocupação alemã na Bélgica.

"É injusto dizer que o Hergé colaborou com Hitler. É preciso analisar a história da Bélgica. O rei decidiu ficar na Bélgica nesse período e ele fez o mesmo. Mas o facto de ter continuado a trabalhar num jornal favorável ao regime foi algo que o atormentou nos anos seguintes", explicou.

Filmado, com recuso à tecnologia 'motion capture', "As Aventuras de Tintin" conta com o ator Jamie Bell no papel de Tintin e com Daniel Craig no papel do 'vilão'.

O filme "As Aventuras de Tintin: O Segredo do Licorne" estreia dia 25 no resto do país e é a mais recente película de Steven Spielberg e Peter Jackson.

por Lusa

Tintin em Guimarães

Uma ante-estreia com a presença de um dos grandes especialistas na personagem de BD criada por Hergé: Yves Février

Será na próxima quinta-feira, dia 27, que "As Aventuras de Tintin - O Segredo do Licorne" chega às salas portuguesas, em simultâneo com a sua estreia europeia. Três dias antes, já na segunda-feira, o Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães, recebe uma ante-estreia muito especial do filme de Steven Spielberg no âmbito da Capital Europeia da Cultura, com a presença de um dos grandes especialistas na personagem de banda-desenhada criada por Hergé. Yves Février, do Museu Hergé de Louvain-la-Neuve, na Bélgica, virá a Guimarães dar uma conferência sobre Tintin, às 18h30, acompanhando a exibição do filme em 3D (na versão dobrada em português às 15h30, na versão original inglesa legendada em português às 21h30). Paralelamente, o universo de Tintin e Milu é alvo de uma iniciativa escolar de desenho que será exposta com as ante-estreias.

Realizado inteiramente no método de "performance capture" utilizado por Peter Jackson em "O Senhor dos Anéis" 
e "King Kong" e por James Cameron para criar os alienígenas Na'vi 
de "Avatar", 
"O Segredo 
do Licorne". É um projecto que Spielberg transportava há 30 anos - mais precisamente desde que lhe apontaram as semelhanças entre o intrépido repórter da banda-desenhada e o seu Indiana Jones, tal como revelado em "Os Salteadores da Arca Perdida" (1981).

Com a ajuda de Peter Jackson, co-produtor do filme e responsável pela supervisão de todo o trabalho de pós-produção gráfica, Spielberg abalançou-se finalmente a concretizar o seu sonho em 2009, sobre um argumento dos ingleses Steven Moffat, Edgar Wright e Joe Cornish que usa como centro da narrativa o álbum "O Segredo do Licorne", embora inserindo elementos de "O Caranguejo com Tenazes de Ouro" e uma série de piscadelas de olho a outras aventuras de Tintin. A 40 dias de rodagem com actores num "plateau" virtual na Nova Zelândia seguiu-se mais de ano e meio de trabalho no "revestimento" digital das interpretações dos actores (Jamie Bell, Daniel Craig, Andy Serkis e Toby Jones, entre outros) para criar um universo a meio caminho entre o traço da banda-desenhada e o fotorrealismo da animação digital.

O resultado promete dividir opiniões, quer entre os fãs de Tintin quer entre os fãs de Spielberg, que não estão habituados a ver o cineasta a abraçar tão abertamente o "cinema virtual", mesmo que com o seu amor do cinema clássico bem visível. Uma coisa podemos dizer desde já: independentemente dos resultados da adaptação, a fidelidade do filme ao espírito da série é invulgar, e consubstancia-se na extraordinária criação que é o capitão Haddock de Andy Serkis. O actor inglês está, aliás, habituado a estas coisas da "performance capture", ele que foi o Gollum de "O Senhor dos Anéis" e o King Kong para Peter Jackson, e o César de "Planeta dos Macacos - A Origem".

Resta apenas saber o veredicto do público e da crítica - a partir de dia 26 na Europa continental, mas só em Dezembro nos EUA e no Canadá, onde a personagem é menos conhecida e o filme vai estrear em simultâneo com "Cavalo de Guerra", a adaptação (em imagem real) do romance de Michael Morpurgo que Spielberg dirigiu durante a pós-produção de Tintin e que apenas chegará à Europa em Janeiro.

http://ipsilon.publico.pt/cinema

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

"Declarações de Cavaco vão ajudar o Governo"

Marcelo Rebelo de Sousa analisou hoje, no seu comentário na TVI, as declarações do Presidente da República sobre os sacrifícios pedidos no Orçamento do Estado para 2012. Em seu entender, foram a favor do Governo.

“No curto prazo, diz-se que o primeiro-ministro ficou estupefacto, mas a prazo vai perceber que ajuda. O Presidente tem uma base de apoio mais ampla que o Governo. É útil. Um Presidente totalmente colado a um Governo seria mau para o Presidente e para o Governo. O Governo vai precisa, no ano que vem, do Presidente e da sua cobertura e essa cobertura é tanto mais eficaz quanto mais amplo for o espectro de reconhecimento das pessoas, mesmo das que não gostam do Governo, que gostam do Presidente”, sustenta o Professor.

Marcelo Rebelo de Sousa considera ainda que Cavaco Silva lançou um convite ao entendimento entre Executivo e PS, que, “por razões várias de lado a lado, têm falado pouco”.

O Professor não acredita, de resto, que o chefe de Estado vá vetar o Orçamento: “No tempo do Governo Sócrates, disse claramente que um Presidente, por princípio, não veta um Orçamento, mesmo que discorde dele, porque isso é inviabilizar a política do Governo e da sua maioria”. (...)

http://rr.sapo.pt/informacao

Nova Zelândia campeã do mundo de rugby

Foi bem mais difícil do que todos os neozelandeses esperariam, mas ao bater hoje a França por apertados 8-7, a Nova Zelândia acabou com uma espera que já durava há 24 anos e sagrou-se campeã do mundo pela segunda vez na história.

Notas:

Os "All Blacks", que igualaram na liderança do "ranking" a Austrália (1991 e 1999) e a África do Sul (1995 e 2007), já tinham conquistado o título em 1987, também numa final face aos gauleses.

A França foi segunda classificada pela terceira vez, pois já tinha ocupado o mesmo lugar em 1987 e 1999.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Bispo satisfeito com restrições à destruição de embriões

D. Manuel Clemente fala sobre a proibição de patentear a investigação com células estaminais que implique a destruição de embriões

O bispo do Porto congratula-se com a decisão judicial que proíbe o registo para fins comerciais da investigação com células estaminais que implique a destruição de embriões, afirmando que «o processo vital, desde o embrião até à morte, é unitário».

Manuel Clemente, que falava aos jornalistas, no Porto, à margem de um debate sobre ciência, afirmou ficar «satisfeito com a decisão do Tribunal» de Justiça da União Europeia, que proibiu na terça-feira patentear a investigação com células estaminais que implique a destruição de embriões, informa a agência Lusa.

«A protecção da vida é um fenómeno global», disse o prelado, que acrescentou: «Ainda bem que houve esta cautela por parte do tribunal. O processo vital desde o embrião à morte natural é um e, sem barreiras, desenvolve-se naturalmente. Cortá-lo e logo ao princípio não era bom pronuncio».

«A vida é um processo unitário que se vai desenvolvendo, quer na fase uterina quer extrauterina até que a morte chegue», sublinhou, lembrando que são «os próprios cientistas que o dizem».

A decisão do Tribunal surgiu na sequência da resolução de um litígio que envolvia a patente de uma investigação que está a ser desenvolvida pelo cientista alemão Oliver Brüstle, que conseguiu transformar células embrionárias em células neurais.

O Tribunal decidiu que não se pode patentear um procedimento que implique a extracção de células mãe obtidas a partir de um embrião humano no estádio de blastocisto quatro ou cinco dias depois da fecundação e que «implique a destruição de um embrião».

http://www.tvi24.iol.pt/

Debate aceso nas primárias republicanas

Debate republicano de ontem subiu de tom. Mitt Romney e Rick Perry tiveram uma discussão acesa sobre a questão da imigração.


A corrida republicana à Casa Branca entrou num novo patamar. Rick Perry , governador do Texas, e Mitt Romney , ex-governador do Massachusetts, elevaram o tom no debate de ontem em Las Vegas.

Os dois principais candidatos à disputa das eleições presidenciais de 2012 com Barack Obama tiveram uma violenta discussão sobre a questão da imigração.

Perry acusou Romney de, em 2006, ter contratado uma empresa que empregava trabalhadores ilegais. O ex-governador do Massachusetts defendeu-se dizendo que não sabia que a empresa que lhe tratou do relvado contratava trabalhadores ilegais.

A discussão chegou a um nível em que os outros candidatos mal conseguiram intervir. Alguns analistas políticos dizem que os candidatos usaram, pela primeira vez nesta campanha, as luvas de boxe.

http://aeiou.expresso.pt/

Indignação, trabalho e orçamento

Regressei ontem de Luanda, onde contactei com muitos portugueses e angolanos. No táxi para casa, em Lisboa, o condutor – um informático especializado em programação - confessou-me a sua vontade de ir para lá. “Não hesitaria”. Depois falámos e lamentou, “aqui só tenho trabalhos de outsourcing, por períodos de 6 meses, sem garantias”.

Ironicamente, muitas das pessoas que vi trabalharem em Luanda interiorizaram uma incerteza constante e profunda. Incerteza de segurança, incerteza política, jurídica (os vistos!), afectiva, etc. Muitos dos portugueses não imaginam a que esforço são sujeitos os que trabalham lá fora. Invejamos o dinheiro e o emprego, mas nem sempre aqui estamos disponíveis aos mesmos sacrifícios.

Aqui invocamos direitos e indignação, mas passada a fronteira estamos dispostos a tudo, ou quase tudo, para ganhar a vida e oferecer melhores condições à nossa família. Testemunhei como a vida em Luanda é dura e exigente. Mesmo para aqueles que muito ganham.

Os próximos anos vão ser de grande sacrifício. É preciso que não se eliminem as compensações e os incentivos aos que mais se esforçam e lutam, incluindo na função pública. Na altura de tomar decisões, é neles que devemos ter o olhar. É deles que podemos esperar um País com outro futuro.

por Filipe Anacoreta Correia,
http://cachimbodemagritte.com/

Papa convoca novo Encontro de Assis

Bento XVI assinala, na próxima semana, os 25 anos do Encontro de Assis. O famoso dia de oração e jejum pela paz, convocado por João Paulo II em 1986, vai ser recordado no mesmo local pelo actual Papa.

Partem todos de comboio com Bento XVI, em direcção a Assis. O pretexto é assinalar os 25 anos do famoso dia de oração e jejum pela paz que João Paulo convocou a 27 de Outubro de 1986. É já na próxima semana, nesse mesmo dia 27, que o Papa regressa a Assis para um grande encontro.

Confirmados estão já 176 participantes não cristãos de diferentes países e outras religiões: hindus, budistas, muçulmanos, judeus, sikhs e muitos mais já confirmaram a sua presença.

O objectivo é sublinhar o papel das religiões na construção da paz no mundo. Por isso, há delegações de países como o Paquistão, o Egipto, a Síria, o Irão, as Filipinas e Israel.

São 31 as delegações cristãs não católicas, entre evangélicos, luteranos, anglicanos. Há 17 ortodoxas, incluindo uma delegação do Patriarcado de Moscovo.

Muçulmanos serão cerca de 50, incluindo o Príncipe Ghazi, da Jordânia, o vice-ministro da Educação da Arábia Saudita e um representante do rei de Marrocos.

Novidade é a presença de alguns convidados sem religião: um pequeno grupo de não crentes, quase todos filósofos, que se mostram disponíveis para aprofundar a questão de Deus.

Também em Lisboa, o Centro Cultural Franciscano vai recordar os 25 anos do Encontro de Assis. No Porto, na Igreja da Cedofeita, vai decorrer uma actividade inter-religiosa.

http://rr.sapo.pt/informacao_detalhe.aspx?fid=29&did=35171

Carlos Moedas garante que surpresas desagradáveis acabaram

Criação de uma nova sobretaxa sobre os rendimentos não está em cima da mesa, assegura o secretário de Estado.

“As contas relativas a este ano estão apuradas” e, por isso, não são de esperar novos “buracos”, garante o secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro, Carlos Moedas, em entrevista ao programa “Terça à Noite” da Renascença.

O responsável do Governo pelo acompanhamento das medidas do memorando da “troika” diz ainda que não está em cima da mesa a hipótese de em 2012 vir a ser criada nova sobretaxa sobre os rendimentos, já que este Orçamento está feito e “o que está definido no Orçamento é muito claro e muito realista”.

Carlos Moedas considera que o Orçamento do Estado para 2012 é orçamento necessário para cumprir o memorando da “troika” e, como tal, espera que o Partido Socialista actue de acordo com o que assinou.

Num registo mais pessoal, o secretário de Estado considera positivo que muitos jovens estejam a partir para fora do país, mas diz que também é importante que possam voltar.

Espera que não lhes aconteça como ocorreu com a si próprio, que levou quatro anos a tentar voltar para Portugal. “O que é triste é que queiram voltar e não consigam porque o país não lhes dá oportunidade, espero que isso venha a mudar no futuro”.

por Raquel Abecasis, 18.10.2011
http://rr.sapo.pt/informacao

IBM entrega 15 mil euros a investigadora da Universidade do Minho

Pela primeira vez o Prémio Científico IBM foi, em Portugal, entregue a uma mulher. Alexandra Silva, investigadora da Universidade do Minho, recebeu esta semana o galardão, na instituição de ensino pela qual se licenciou, em Braga.

A jovem de 27 anos é a vencedora da 21ª edição do prémio, que visava distinguir os melhores trabalhos de investigação publicados no ano de 2010 na área das Ciências da Computação e Tecnologias de Informação.

Denominado "Coálgebras de Kleene", o trabalho escolhido assenta numa generalização de um resultado clássico em teoria de computação, o Teorema de Kleene, apresentando uma nova abordagem sobre a forma de derivar linguagens de expressões regulares para modelos de computação.

Para além de Alexandra, foi distinguida outra investigadora: Maria Almeida, do Instituto Superior Técnico, que recebeu uma Menção Honrosa, pela nova abordagem à focagem de imagens proposta pelo seu projeto. Fotografia, vídeo vigilância, imagiologia médica, astronomia, observação remota ou televisão, são algumas das áreas que poderão beneficiar do método proposto pela cientista.

Nos últimos 20 anos, passaram pelas mãos do júri perto de 300 trabalhos, com as áreas das telecomunicações e ciência dos computadores a assumirem-se como as mais premiadas, revelou o presidente da IBM Portugal, em jeito de balanço.

A entrega do prémio, no valor de 15 mil euros, decorreu durante uma cerimónia, presidida pelo ministro da Educação e Ciência, Nuno Crato, que destacou a importância do papel das empresas privadas no apoio à Ciência.

"Não o conseguimos fazer sem este apoio que é fundamental", afirmou o ministro, destacando também o "imenso valor" da "continuidade e persistência" da iniciativa. "A excelência deriva do esforço e persistência. E nós temos de apostar nos jovens, são eles que vão melhorar o nosso país", concluiu.

http://tek.sapo.pt/noticias/

Cavaco ataca Governo: Orçamento viola “equidade fiscal” e afeta "coesão"

Presidente da República, Cavaco Silva, considera que a coesão social está em risco, a partir do momento em que se difunde uma ideia de “injusta repartição de sacrifícios”. Para o chefe de Estado, a suspensão do subsídio de férias é uma medida que afeta a “equidade fiscal” que qualquer proposta de Orçamento deve salvaguardar. Cavaco faz uma alusão aos "livros de economia", para justificar as suas críticas ao Governo.

Cavaco Silva, tece duras críticas à política fiscal do executivo de Passos Coelho e com uma frase sintetiza a sua discordância, manifestada repetidamente antes desta legislatura: “Mudou o Governo, mas eu não mudei de opinião”.

O Presidente da República falava de igualdade de repartição de sacrifícios e, na sua opinião, ao retirar benefícios a uns, sem que outros contribuam do mesmo modo, para ultrapassar a crise, “põe em causa a coesão nacional”.

O Governo de Passos Coelho não é, assim, poupado às criticas do Presidente da República, que discorda da proposta de Orçamento de Estado para 2012 e considera que retirar subsídios a pensionistas e trabalhadores da Função Pública “viola princípios básicos como a equidade fiscal”.

O ministro das Finanças, Vítor Gaspar, ouve uma lição de Cavaco, que se baseia em “livros”, que “ensinam quais são os princípios básicos de equidade fiscal”. Segundo o Presidente da República, “é sabido por todos os que estudam esses livros que cortar vencimentos, ou pensões a grupos específicos é um imposto”.

Numa das mais “difíceis crises da história da Democracia”, Portugal deve reforçar esses valores de equidade. Mas, segundo Cavaco, medidas de austeridade mal repartidas podem provocar o efeito contrário.

O Presidente da República considera que fatores externos contribuíram para a crise portuguesa, mas lança um olha para dentro de fronteiras, na hora de procurar culpados: “Os nossos problemas residem, sobretudo, na falta de competitividade, no desequilíbrio das contas públicas e no excesso de dívida”.

Orçamento de Estado aumenta preocupações

Cavaco Silva – que participava na abertura do Congresso da Ordem dos Economistas, em Lisboa – perspetiva “uma recessão profunda” e vê o desemprego “atingir níveis sem precedentes”. Por outro lado, as famílias estão sem meios para agitar a economia através do consumo e “as empresas não encontram formas de financiamento”.

“Os últimos anos expuseram de forma dramática os desequilíbrios da economia e a insustentabilidade da estratégia que vinha a ser seguida”, disse. E este olhar para o passado associado à frase “mudou o Governo, mas não muda a minha opinião” deixa perceber que Cavaco viu as suas preocupações acrescidas, depois de conhecer a proposta de Orçamento.

“Não estou a dizer-vos nada de novo”, vincou o chefe de Estado, que reitera assim as palavras que dissera quando José Sócrates era primeiro-ministro...

http://www.ptjornal.com/

Refugiados

Refugiados: Santa Sé exige novas estratégias

GENEBRA, terça-feira, 18 de outubro de 2011 (ZENIT.org) – O observador permanente da Santa Sé junto às Nações Unidas em Genebra, Dom Silvano Tomasi, pediu “novas estratégias” e “novas políticas” para a defesa dos refugiados.

Em uma intervenção pronunciada em 4 de outubro, em Genebra, por ocasião da 62ª sessão do Comitê Executivo da Agência das Nações Unidas para o Refugiado (ACNUR), lamentou as condições com as que se acolhem alguns refugiados.

De maneira particular, referiu-se ao problema do acolhimento dos menores, que convidou a tratar “como crianças”.

Avaliou o “efeito civilizador” da Convenção sobre o Estatuto dos Refugiados, que entrou em vigor em 1951, com o objectivo de “garantir aos refugiados o exercício mais amplo possível dos seus direitos e liberdades fundamentais”.

Dom Tomasi lamentou que, “em muitas regiões do mundo, milhões de refugiados ainda não estejam em condições de desfrutar destes direitos”.

Em sua intervenção, Dom Tomasi denunciou firmemente as condições de acolhimento, que comparou com as do sistema penitenciário.

“Estas pessoas que buscam a proteção ou maneiras para tentar sobreviver são literalmente fechadas e vigiladas como se fossem presos criminais e inclusive as crianças são submetidas às mesmas condições”, disse.

“O ambiente parecido ao das prisões, que existe em muitos destes centros, o isolamento do 'mundo exterior', o fluxo incompreensível de informações e a destruição de um projeto de vida afectam a saúde mental e física dos que pedem asilo e causam stress psicológico, depressão, insegurança, diminuição do apetite e insônia em diversos graus”, explicou.

“É, portanto, urgente desenvolver e promover alternativas”, afirmou. Entre as propostas da Santa Sé, encontram-se “programas comunitários, introduzir mecanismos de controle e de informação, formar grupos de apoio e acrescentar centros de visitas aos projetos de casas abertas para que pelo menos as famílias com filhos possam residir em um ambiente de vida seguro”.

Dom Tomasi também se referiu ao problema dos menores não acompanhados que, em milhares, “viajam à Europa, desafiando o sistema de proteção dos países que atravessam”.

Eles “devem sobretudo ser tratados como crianças e a principal preocupação deve ser defender seu maior interesse, independentemente do motivo da sua fuga”.

“As investigações demonstraram que, como fonte de motivação e de apoio, a religião é considerada importante por estes menores que desejam a disponibilidade de conselheiros espirituais”, afirmou.

O observador permanente desejou, finalmente, “novas estratégias e novas políticas”, que permitam “compreender as causas primeiras” e “definir a gestão das fronteiras e da integração”.

“A compaixão criativa se torna possível quando tem um autêntico sentido de solidariedade e de responsabilidade com relação aos membros mais necessitados da nossa família humana”, indicou.


E concluiu: “Os refugiados não são números anónimos, mas pessoas, homens, mulheres, crianças, com suas histórias individuais, com dons a ser colocados à disposição e aspirações a satisfazer”.

França: sondagem coloca Hollande à frente de Sarkozy nas eleições presidenciais

[Ainda falta imenso tempo, mas...]

François Hollande, eleito no domingo para representar o partido socialista nas eleições presidenciais de 2012, lidera as intenções de voto com larga maioria, com 62 por cento contra os 38 por cento de Nicolas Sarkozy, segundo uma sondagem divulgada hoje.


Na primeira volta, François Hollande surge com 35 por cento das intenções de voto, seguido de Nicolas Sarkozy, com 25 por cento, da candidata de extrema-direita Marine Le Pen (16 por cento) e do centrista François Bayrou (9 por cento), revela a sondagem do instituto CSA.

O instituto considera que "a ambição de Nicolas Sarkozy de chegar à segunda volta parece difícil de realizar, uma vez que 61 por cento dos franceses excluem votar nele na primeira volta".

Na segunda volta, "as indicações de voto tanto à esquerda como ao centro", permitiriam a François Hollande obter 62 por cento.

Segundo o CSA, 65 por cento dos inquiridos pensam que "o projeto presidencial delineado por François Hollande" é "mais ao centro-esquerda" e 19 por cento consideram-no "verdadeiramente de esquerda".

Destak/Lusa | destak@destak.pt

terça-feira, 18 de outubro de 2011

picadinho de coq au vin

Quem diria, na fase de grupos do Mundial, que a França derrotada sem apelo nem agravo pela Nova Zelândia e por Tonga estaria na final? E, no entanto, ela move-se.

Bastou-lhe um jogo mediano contra a medianíssima Inglaterra, há uma semana, e uma hora de sorte contra Gales no Sábado, et voilá. Maxime Médard, um dos poucos tricolores a fugir à banalidade até agora, resumiu o sentimento de embaraço colectivo (e olhem que não é fácil embaraçá-los, com o futebol que têm...) quando admitiu que todos os deuses do rugby tinham estado por eles. Liberté, egalité, divinité, eis a nova divisa da République. Bem podem esquecer por momentos a laicidade e agradecer ao todos os inquilinos dos Campos Elísios. Como sentenciou o lendário François Pienaar, o capitão dos Springboks que ergueu a taça em 95 nas barbas de Lomu e companhia, esta França é a pior finalista de sempre. Não amira que os neozelandeses tenham visto na sua vitória sobre a Austrália a verdadeira final, ainda por cima ganha por 20-6 sem especial dificuldade, e exibam desde anteontem aquele sorriso "we are the champions" que faz dos kiwis um povo de gajos porreiros - excepto quando estão prestes a vencer um Mundial. Felizmente, só acontece de dez em dez anos. Os deuses podem ser franceses, mas não dormem.

Para Gales, pelo contrário, a lei de Murphy substituiu-se à Providência: tudo o que podia correr mal correu. Os experientíssimos James Hook e Stephen Jones, que jogaram sucessivamente a abertura por lesão do titular Priestland, estão com falta de rodagem e falharam quase todos os pontapés que havia para falhar, incluindo a conversão de mais um brilhante ensaio de Mike Phillips (ao poste) e uma incompreensível hesitação em matar o jogo nos últimos minutos com o drop da praxe.

Halfpenny, revelação da prova a arrière, fez passar por baixo do H uma penalidade de 50 metros semelhante à que tinha convertido contra a Irlanda. Pior ainda, muito pior, o skipper Warburton foi expulso aos 17 minutos por placagem perigosa, obrigando os galeses a jogar uma hora inteira com um a menos - e logo o seu jogador mais influente. Mesmo assim, os frogs nunca arriscaram jogar ao largo, para vergonha do tradicional french flair, e limitaram-se a aproveitar as penalidades concedidas. Resultado: 9-8. Blaaargh!

A expulsão de Warburton, verdadeiro momento do jogo, é muitíssimo polémica e incendiou os media britânicos durante o fim-de-semana. O mister Gatland clamou aos quatro ventos que os dragões foram "roubados do seu destino", que seria vencer o mais importante acontecimento desportivo da história do país (uma alegação de peso, tendo em conta o esforço dos archeiros galeses na Guerra dos Cem Anos, uma espécie de Cinco Nações medieval). Em Cardiff, até o Primeiro-Ministro Carwin Jones acusou o árbitro Allan Rolland (irlandês, para cúmulo do azar) de ter "arruinado" um tal momento histórico. E Mike Phillips, menos eloquente ou talvez não, limitou-se a rosnar que os franceses ganharam mal e vão ser feitos em pedacinhos por quem quer que vá à final com eles.

Têm razão? Têm. Como se pode ver acima, a placagem de Warburton é uma speer tackle, uma placagem em que o placador levanta do chão o jogador placado e o projecta sem controlar a queda. Jogo perigoso, sem dúvida, e punido pelas leis do jogo com a expulsão - se intencional. Ora, como também se pode ver acima, o galês larga Clerc no ar porque quer jogar a bola. Não há qualquer intenção de jogo perigoso, apenas uma desproporção evidente entre o peso e a força dos dois. Por amarga ironia, Gales e o seu capitão foram agora vítimas da tremenda garra que lhes deu a vitória contra a Irlanda. Torna-se muito difícil ao árbitro avaliar a intenção quando a jogada é tão rápida, mas exigia-se que aplicasse o espírito e não a letra da lei, ou seja, que optasse pela pena mínima atendendo às circunstâncias. Warburton pode orgulhar-se de um cadastro invulgarmente limpo para um terceira-linha. Clerc não se lesionou.

Qualquer expulsão ao fim de um quarto de hora teria consequências no resultado. E era uma meia-final. Um cartão amarelo e a correspondente expulsão de dez minutos seria a melhor decisão. Rolland não entendeu assim, oferecendo à França uma imerecida presença em Eden Park no próximo Domingo e aos All Blacks um dos mais fracos adversários a sair da fase de grupos. Porque ninguém duvida que os maoris vão voltar a fazer picadinho de coq au vin, como há um mês e como em 87. Provavelmente, o cartão vermelho do Sr. Rolland decidiu o Mundial.


por Pedro Picoito,
http://cachimbodemagritte.com/

Reabilitação Urbana: É urgente salvar Braga!

Sessão promovida pela Coligação “Juntos por Braga” encheu Auditório da Junta da Sé
Reabilitação urbana exige acção conjugada com privados “para salvar a cidade”

A reabilitação urbana “não se compagina com a rapidez”, torna-se “fundamental, antes de se avançar com um processo deste tipo, fazer um aprofundado estudo em termos de investimento articulando a equação económica em função dos privados” e o que é uma realidade é que “as nossas cidades precisam de ser salvas”.

Estas foram algumas das ideias deixadas por Rui Quelhas e José Teixeira, os dois oradores convidados pela Coligação “Juntos por Braga” para falarem sobre a reabilitação urbana, numa sessão que encheu por completo o Auditório da Junta de Freguesia da Sé, em que se destacou a participação eclética de empresários, arquitectos, estudantes e autarcas.

A reabilitação urbana da cidade de Braga – disse no início da sessão o líder da Coligação, Ricardo Rio – “é um projecto incontornável, decisivo e prioritário para o nosso concelho”, sendo “importante tanto do ponto de vista económico como na vertente social”. Com esta sessão a Coligação pretendeu “um debate alargado”, com os contributos diferenciados de um responsável por um profundo processo de reabilitação urbana (no caso, da cidade do Porto), Rui Quelhas, e de um empresário do sector privado bracarense, José Teixeira (da DST). E porquê estes dois convidados? Ricardo Rio esclareceu, a propósito, que “este não é um esforço estritamente público, mas também de parceria público-privada”, porque “torna-se fundamental trazer o investimento privado para este desígnio”.


“A revitalização exige um esforço aturado de planeamento”

Ora, foi precisamente esta uma das vertentes vincadas na intervenção do administrador-delegado da Porto Vivo – Sociedade de Reabilitação Urbana (SRU). Rui Quelhas demonstrou, com mais do que um exemplo, como é possível atrair o investimento privado – com efectivo retorno, devidamente calculado e sustentado – a um processo de reabilitação urbana. A Porto Vivo – disse Rui Quelhas – “assenta muito mais na revitalização”, envolvendo “uma reabilitação muito voltada para os investidores”, funcionando a SRU “como acompanhamento do processo e até mesmo como uma espécie de agência de investimento”. Lembrando que “toda a gente já percebeu que não faz sentido a construção nova, porque há um excedente nesta vertente”, Rui Quelhas alertou no entanto que “a reabilitação urbana não se compagina com a rapidez, porque, pela nossa experiência, um projecto desta natureza demora cerca de 30 meses até ficar concluído, há depois a fase de construção que calculamos em 18 meses e podemos dizer que só a partir do quinto ano é que se pode falar de retorno”.

O administrador-delegado da Porto Vivo SRU lembrou ainda que “hoje em dia as cidades estão cada vez mais a apostar nos serviços e no turismo”, sendo que se torna “fundamental que, antes de se avançar com o processo de reabilitação urbana, se faça um aprofundado estudo em termos de investimento, testando a equação económica também em função dos privados”. De acordo com Rui Quelhas, “é necessário estabelecer uma articulação muito grande com os investidores e com os conhecedores do mercado”.

“É preciso salvar Braga!”

Precisamente o “conhecimento do mercado” é uma das “garantias” de José Teixeira, presidente do Conselho de Administração da DST, SGPS. Que desde logo, no início da sua intervenção, fez uma análise retrospectiva da situação que conduziu à degradação do património histórico das cidades e, logo, ao progressivo abandono das pessoas desse território, para assinalar que “assim não é possível aproveitar todas as potencialidades existentes, como por exemplo, o turismo ou a restauração”.

José Teixeira entrou depois na análise do que chamou “os factores de pressão” que podem condicionar os privados a não apostar na reabilitação urbana – destacando, entre outros casos, a restrição ao crédito, a construção de raiz (que disse ser “um perfeito disparate”) ou a crise na engenharia e na construção. Mas – afirmou – “as nossas cidades precisam de ser salvas”.

Ilustrando a sua intervenção com múltiplas fotos de edifícios degradados do centro da cidade de Braga, o líder da DST apresentou uma visão ambiciosa para o futuro da cidade de Braga, assente “numa lógica cosmopolita, com energia e mundo”.

Para tal, defendeu, “é preciso repovoar o centro com jovens e reforçar a ligação ao mundo universitário, trazendo para esta zona as “tribos” das artes”, o que será possível com a criação de uma “Escola de Artes, com a instalação de um Museu de Arte Contemporânea e com outros projectos arrojados que conciliem os “nativos” do centro com as novas gentes que urge seduzir”.

Esta é, no seu entender, uma visão exequível, graças a mecanismos como a criação de uma “Sociedade de Reabilitação Urbana, participada pelo Município, por investidores privados e pelos próprios proprietários”, que “trabalhe com margens razoáveis validadas pelo mercado” e que seja orientada quer para o “arrendamento quer para a venda dos imóveis recuperados”

Bracarenses anseiam por projectos nesta área e Ricardo Rio assume-a como primeira prioridade da Gestão Municipal

A multifacetada e preenchida plateia que lotou o auditório da Sé não se fez também rogada nas múltiplas questões e comentários ao teor das intervenções anteriores, destacando a necessidade de “Braga avançar com uma acção decidida nesta área”, “centrada nas pessoas” e capaz de “mobilizar os diferentes stakeholders destes processos”.

Embora reconhecendo a diferente atractividade e escala das realidades de Braga e Porto, um dos arquitectos presentes realçou a “oportunidade” que consiste no facto de “o centro da cidade estar bem desenhado” ao contrário das demais zonas de expansão urbanas, “muito condicionadas aos interesses imobiliários que condicionaram a construção dos PDMs”.

No seu entender, há também que destacar o “enorme potencial associado ao aproveitamento de edifícios de referência hoje ao abandono e em progressivo estado de degradação”.

Na sua intervenção final, o líder da Coligação “Juntos por Braga” assumiu que um arrojado projecto de regeneração urbana estará na primeira linha das prioridades da nova gestão municipal.

Para tal, disse ser necessário “mobilizar todos os agentes de desenvolvimento para este desígnio”, sejam eles a Universidade, a Igreja ou o tecido empresarial, concretizando “iniciativas diferenciadoras e capazes de responder às necessidades concretas dos cidadãos”.

Ricardo Rio destacou ainda a “convergência de posições” entre a visão apresentada por José Teixeira e os exemplos já praticados no Porto e as propostas constantes do Programa da Coligação às últimas Eleições Autárquicas.

Mas, destacou, este esforço requer também a “validação e mobilização dos cidadãos”, a quem cabe dizer de forma clara se querem ou não “uma cidade diferente para melhor, uma cidade culta, cosmopolita e cool”.


Braga, 17 de Outubro de 2011
O Gabinete de Comunicação da Coligação “Juntos Por Braga”