A Câmara de Matosinhos decretou ordem de despejo porque inquilinos não pagam nem querem regularizar as mensalidades em atraso.
O "Jornal de Notícias" escreve que sessenta famílias que vivem em urbanizações municipais de Matosinhos estão ameaçadas de despejo. A Câmara já notificou os inquilinos da decisão de despejá-los nos próximos dois meses face ao incumprimento sistemático no pagamento de rendas.
O presidente da Autarquia, Guilherme Pinto, garante que as ordens de despejo apenas abrangem apenas casos de moradores irredutíveis, que não pagam nem querem regularizar as mensalidades em atraso. O nível de incumprimento no conselho não é expressivo. Ronda os 5% num universo total de 4400 arrendatários.
http://www.dn.pt/
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
“A Alemanha é o país mais pobre da Europa (...)"
“A Alemanha é o país mais pobre da Europa em termos de crianças” (Welt Online, 3 de Agosto). Roderich Egeler, diretor do Departamento Federal de Estatísticas, fez esta preocupante afirmação no último 3 de agosto, ao apresentar os resultados do último microcenso nacional, o Mikrozensus 2010.
Os dados revelam que entre 2000 e 2010 houve queda de 14% no número de crianças e menores no país. Enquanto eles eram quase 15,2 milhões no ano 2000, no ano passado foram contados 13,2 milhões, ou 2,1 milhões a menos em 10 anos.
Nos “Länder” (estados federados) da antiga Alemanha Ocidental, o número de crianças diminuiu quase 10%. Ainda mais dramática foi a queda nas regiões da antiga Alemanha Oriental, a ex-República Democrática Alemã. Nos chamados “novos Länder”, havia em 2010 cerca de 2,1 milhões de menores, 837.000 a menos que em 2000: queda de 29%.
Egeler enumera entre as causas não só o declive dos nascimentos no leste do país, mas também o movimento migratório do leste para o oeste. E Christine Kensche, do Welt Online, observa que o motivo não é a falta de assistência à infância e de creches, cuja oferta é até mais ampla no leste. Na média nacional, a “Betreuungsquote” é de 23,1%, o que significa que ao menos uma em cada quatro crianças menores de 2 anos frequenta uma creche. Em alguns “Länder” do leste, como Brandeburgo e Mecklemburgo-Pomerania, a porcentagem supera 51%.
Para incentivar os nascimentos, a coalizão dirigida pela atual chanceler democrata-cristã Angela Merkel (2005-2009) lançou um ambicioso projeto para triplicar, em 2013, o número de creches para crianças menores de três anos. Segundo os planos de Berlim, a “Betreuungsquote” deverá chegar a 38% em 2013.
Com seus 13,1 milhões de menores, a Alemanha tem a porcentagem mais baixa de crianças entre todos os estados europeus: eles são apenas 16,5% da população alemã (em 2000 eram 18,8%). Enquanto na Bulgária (16,7%) e na Itália (16,9%) a situação é parecida com a da Alemanha, a vizinha França se orgulha de uma taxa de fertilidade de 2 filhos por mulher e apresenta a porcentagem de quase 22% de menores em sua população. Na Grã-Bretanha, Holanda e países escandinavos o número de crianças também supera 20% da população. A situação é melhor na Turquia, onde quase um cidadão em cada três é menor de 18 anos: 32% dos 72 milhões de habitantes.
Tudo indica que a proporção de crianças na Alemanha continuará caindo. Se em 2000 quase um cidadão em cada cinco era menor de 18 anos, em 2060 apenas um alemão em cada sete será menor de 18 anos. Calcula-se que a porcentagem de menores cairá para 15% em 2030 e para 14% em 2060.
A situação familiar das crianças também apresenta grandes diferenças do leste para o oeste. Enquanto nos “Länder” ocidentais, no ano passado, 79% das crianças crescia em núcleos familiares compostos por pais casados, a porcentagem no leste da Alemanha era de 58%. No leste, 17% das crianças vive hoje em famílias com pais não casados. É quase o triplo do oeste, onde a porcentagem é de 6%.
Nos “Länder” orientais, quase um quarto das crianças (24%) vive num núcleo familiar monoparental. No oeste, a porcentagem é de 15%. Em termos nacionais, a porcentagem de pessoas que criam um filho sem ajuda de um companheiro(a) aumentou de 13,5% em 2000 para 16,8% no ano passado.
No leste da Alemanha, a proporção de filhos únicos também é mais alta: 35%, contra 24% na parte ocidental do país. Quase a metade dos menores alemães tem um irmão ou irmã; 19% tem dois e 8% ao menos três.
52% dos menores alemães vive em famílias em que ambos pais têm renda. Esta porcentagem cai para 28% no caso das crianças menores de 3 anos, o que significa que, nas famílias com filhos pequenos, um dos pais, normalmente a mãe, tende a interromper temporariamente a carreira. 38% das crianças cresce em famílias onde só um dos pais trabalha, e 11%, em núcleos familiares em que nenhum dos pais tem uma atividade profissional.
A pesquisa indica, ainda, que quase dois milhões de crianças alemãs (1,96%) vivem em famílias que dependem dos subsídios desembolsados pelo programa Hartz IV, a polêmica reforma social iniciada pela coalizão rubro-verde, dirigida pelo então chanceler Gerhard Schröder, que entrou em vigor em 2005. Para as famílias monoparentais, os subsídios sociais são essenciais. Nesta categoria, para uma criança a cada três os benefícios sociais constituem a principal fonte de renda da família.
As crianças que vivem com pais solteiros têm mais risco de pobreza. Enquanto este perigo ameaça 15% das famílias com filhos, ele afeta 37,5% das crianças que vivem com um pai solteiro.
O Departamento Federal de Estatística, com sede em Wiesbaden (Hesse), publicou no dia 12 de agosto os últimos dados do número de crianças nascidas fora do vínculo matrimonial, um fenômeno em constante aumento na Alemanha. Enquanto só 15% das crianças nascidas em 1990 eram “ilegítimas”, no ano passado essa porcentagem aumento para mais do dobro, quase 33%. De fato, os pais de 225.472 crianças nascidas vivas em 2010 (de um total de 677.947) não estavam unidos em matrimônio, 0,5% a mais em relação ao ano anterior.
Como observa o site do Frankfurter Allgemeine Zeitung (12 de agosto), também as diferenças entre o leste e o oeste são notáveis. Nas regiões da antiga Alemanha Oriental, mais de seis crianças de cada dez (61%) atualmente nascem fora do casamento. A percentagem mais elevada – 64% – foi registrada em Sajonia-Anhalt e em Mecklemburgo. No oeste, no entanto, esta proporção é mais reduzida: 27%.
Com seus 33% de crianças “naturais”, a Alemanha permanece abaixo da média da União Europeia, que, segundo dados de Eurostat, alcançava, em 2009, quase 38%. O país da UE com maior incidência é a Estônia (59%). Do outro lado da escala está a Grécia, com 7%. Em França, pouco mais da metade das crianças nascem de pais não casados (53%). Na Itália, quase um quarto (24%).
Por Paul De Maeyer
Roma, 31 de Agosto de 2011 (ZENIT.org)
Os dados revelam que entre 2000 e 2010 houve queda de 14% no número de crianças e menores no país. Enquanto eles eram quase 15,2 milhões no ano 2000, no ano passado foram contados 13,2 milhões, ou 2,1 milhões a menos em 10 anos.
Nos “Länder” (estados federados) da antiga Alemanha Ocidental, o número de crianças diminuiu quase 10%. Ainda mais dramática foi a queda nas regiões da antiga Alemanha Oriental, a ex-República Democrática Alemã. Nos chamados “novos Länder”, havia em 2010 cerca de 2,1 milhões de menores, 837.000 a menos que em 2000: queda de 29%.
Egeler enumera entre as causas não só o declive dos nascimentos no leste do país, mas também o movimento migratório do leste para o oeste. E Christine Kensche, do Welt Online, observa que o motivo não é a falta de assistência à infância e de creches, cuja oferta é até mais ampla no leste. Na média nacional, a “Betreuungsquote” é de 23,1%, o que significa que ao menos uma em cada quatro crianças menores de 2 anos frequenta uma creche. Em alguns “Länder” do leste, como Brandeburgo e Mecklemburgo-Pomerania, a porcentagem supera 51%.
Para incentivar os nascimentos, a coalizão dirigida pela atual chanceler democrata-cristã Angela Merkel (2005-2009) lançou um ambicioso projeto para triplicar, em 2013, o número de creches para crianças menores de três anos. Segundo os planos de Berlim, a “Betreuungsquote” deverá chegar a 38% em 2013.
Com seus 13,1 milhões de menores, a Alemanha tem a porcentagem mais baixa de crianças entre todos os estados europeus: eles são apenas 16,5% da população alemã (em 2000 eram 18,8%). Enquanto na Bulgária (16,7%) e na Itália (16,9%) a situação é parecida com a da Alemanha, a vizinha França se orgulha de uma taxa de fertilidade de 2 filhos por mulher e apresenta a porcentagem de quase 22% de menores em sua população. Na Grã-Bretanha, Holanda e países escandinavos o número de crianças também supera 20% da população. A situação é melhor na Turquia, onde quase um cidadão em cada três é menor de 18 anos: 32% dos 72 milhões de habitantes.
Tudo indica que a proporção de crianças na Alemanha continuará caindo. Se em 2000 quase um cidadão em cada cinco era menor de 18 anos, em 2060 apenas um alemão em cada sete será menor de 18 anos. Calcula-se que a porcentagem de menores cairá para 15% em 2030 e para 14% em 2060.
A situação familiar das crianças também apresenta grandes diferenças do leste para o oeste. Enquanto nos “Länder” ocidentais, no ano passado, 79% das crianças crescia em núcleos familiares compostos por pais casados, a porcentagem no leste da Alemanha era de 58%. No leste, 17% das crianças vive hoje em famílias com pais não casados. É quase o triplo do oeste, onde a porcentagem é de 6%.
Nos “Länder” orientais, quase um quarto das crianças (24%) vive num núcleo familiar monoparental. No oeste, a porcentagem é de 15%. Em termos nacionais, a porcentagem de pessoas que criam um filho sem ajuda de um companheiro(a) aumentou de 13,5% em 2000 para 16,8% no ano passado.
No leste da Alemanha, a proporção de filhos únicos também é mais alta: 35%, contra 24% na parte ocidental do país. Quase a metade dos menores alemães tem um irmão ou irmã; 19% tem dois e 8% ao menos três.
52% dos menores alemães vive em famílias em que ambos pais têm renda. Esta porcentagem cai para 28% no caso das crianças menores de 3 anos, o que significa que, nas famílias com filhos pequenos, um dos pais, normalmente a mãe, tende a interromper temporariamente a carreira. 38% das crianças cresce em famílias onde só um dos pais trabalha, e 11%, em núcleos familiares em que nenhum dos pais tem uma atividade profissional.
A pesquisa indica, ainda, que quase dois milhões de crianças alemãs (1,96%) vivem em famílias que dependem dos subsídios desembolsados pelo programa Hartz IV, a polêmica reforma social iniciada pela coalizão rubro-verde, dirigida pelo então chanceler Gerhard Schröder, que entrou em vigor em 2005. Para as famílias monoparentais, os subsídios sociais são essenciais. Nesta categoria, para uma criança a cada três os benefícios sociais constituem a principal fonte de renda da família.
As crianças que vivem com pais solteiros têm mais risco de pobreza. Enquanto este perigo ameaça 15% das famílias com filhos, ele afeta 37,5% das crianças que vivem com um pai solteiro.
O Departamento Federal de Estatística, com sede em Wiesbaden (Hesse), publicou no dia 12 de agosto os últimos dados do número de crianças nascidas fora do vínculo matrimonial, um fenômeno em constante aumento na Alemanha. Enquanto só 15% das crianças nascidas em 1990 eram “ilegítimas”, no ano passado essa porcentagem aumento para mais do dobro, quase 33%. De fato, os pais de 225.472 crianças nascidas vivas em 2010 (de um total de 677.947) não estavam unidos em matrimônio, 0,5% a mais em relação ao ano anterior.
Como observa o site do Frankfurter Allgemeine Zeitung (12 de agosto), também as diferenças entre o leste e o oeste são notáveis. Nas regiões da antiga Alemanha Oriental, mais de seis crianças de cada dez (61%) atualmente nascem fora do casamento. A percentagem mais elevada – 64% – foi registrada em Sajonia-Anhalt e em Mecklemburgo. No oeste, no entanto, esta proporção é mais reduzida: 27%.
Com seus 33% de crianças “naturais”, a Alemanha permanece abaixo da média da União Europeia, que, segundo dados de Eurostat, alcançava, em 2009, quase 38%. O país da UE com maior incidência é a Estônia (59%). Do outro lado da escala está a Grécia, com 7%. Em França, pouco mais da metade das crianças nascem de pais não casados (53%). Na Itália, quase um quarto (24%).
Por Paul De Maeyer
Roma, 31 de Agosto de 2011 (ZENIT.org)
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
O melhor contributo dos "ricos" para o bem comum não reside em aumentarem os seus impostos
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Depois de Warren Buffet, foi a vez de Liliane Bettencourt apelar a impostos mais elevados sobre os super-ricos, isto é, sobre si própria. A generosidade dos super-ricos surpreendeu num primeiro momento os partidários da luta de classes. Em seguida, lançaram-se numa nova campanha para aumentar os impostos.
Com o devido respeito pela decisão de cada um sobre o que fazer com o que lhe pertence, devo discordar do clima geral da discussão. Não são os impostos a fonte primordial de melhoria da condição de vida do maior número. A riqueza da Europa e do Ocidente - que ainda hoje merece admiração no resto do mundo - não foi produto da redistribuição da riqueza dos ricos para os pobres através dos impostos. Foi produto da criação de riqueza num ambiente de liberdade económica, em regra associada a impostos baixos, justiça célere, e, sobretudo, à ausência de barreiras à entrada de novos competidores.
Esta verdade elementar foi precocemente observada por Adam Smith, já em 1776. E foi mais facilmente corroborada depois disso. Até meados do século XVIII, todos os países eram basicamente pobres, comparativamente à exuberante descolagem económica europeia desde então. Essa descolagem económica, que elevou exponencialmente o nível de vida dos europeus ao longo do século XIX, não podia ter sido obtida pela redistribuição dos ricos para os pobres. Os ricos do início do século simplesmente não sonhavam que pudesse existir a riqueza com que o século terminou. Essa riqueza não existia previamente: ela simplesmente foi gerada, criada, inventada.
Joseph Schumpeter explicou em 1942 (Capitalismo, Socialismo e Democracia) o mecanismo que presidiu a essa extraordinária elevação do nível de vida das pessoas e do número de pessoas (no século XIX, a população europeia cresceu de 150 para 400 milhões). Chamou-lhe "destruição criadora", designando dessa forma o processo de permanente inovação que gera permanentemente novos produtos a custos mais baixos, incluindo velhos produtos também a custos mais baixos.
É isso que constituiu no Ocidente o grande "elevador social", através do qual gerações sucessivas de pessoas comuns têm acesso a bens e produtos que as gerações anteriores não sonhavam obter. Disse Schumpeter: "A rainha Isabel I tinha meias de seda. A proeza do capitalismo não consiste tipicamente em fornecer mais meias de seda às rainhas, mas em colocá-las ao alcance das raparigas das fábricas em troca de quantidades de esforço decrescentes".
Por outras palavras, quando a destruição criadora faz baixar os custos de bens e serviços, ela faz baixar o número de horas de trabalho necessárias para os adquirir. Esta é a chave da democratização do consumo - bem patente, neste final de Agosto, na massificação do turismo.
Por este motivo, o melhor contributo dos "ricos" para o bem comum não reside em aumentarem os seus impostos. Essa é uma contribuição apenas auxiliar, que deve visar a criação de uma rede de segurança pública, abaixo da qual ninguém deve recear cair. (Mas mesmo esse destino dos impostos será incerto, se eles não forem aplicados em regime de concorrência). O melhor contributo dos "ricos" consiste por isso em continuarem a produzir bens e serviços (que sejam voluntariamente escolhidos por consumidores), em concorrência aberta e leal com outros, actuais ou potenciais, produtores.
Por outras palavras, a melhor contribuição para o bem comum reside na liberdade de escolha. A melhor garantia de que um bem ou serviço está a ser produzido da forma mais acessível ao maior número de pessoas consiste na garantia de que esse bem ou serviço não está artificialmente protegido da concorrência e que é voluntariamente escolhido pelos que o consomem.
Esta foi a chave do incrível sucesso da Europa e do Ocidente nos últimos três séculos - uma evidência que nós esquecemos, mas que a China e a Índia compreendem muito bem. Porque a esquecemos, temos hoje dívidas públicas colossais, impostos colossais, despesas públicas colossais, crescimento económico ridículo e desemprego crescente. Entretanto, vamos alegremente discutindo como aumentar ainda mais os impostos - com vista a manter níveis de despesa pública insustentáveis.
João Carlos Espada
Professor do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa.
Público 29/8/2011
As Câmaras Municipais
Reforma local. Governo quer câmaras geridas por um só partido
Câmaras vão perder competências, mas ficam a salvo da extinção pedida pela troika. Governo negoceia com PS executivos monocolores
O governo quer que as câmaras sejam geridas por um só partido e vai negociar com o PS alterações à lei eleitoral autárquica a tempo das próximas eleições, em 2013. Este é apenas um dos quatro eixos da reforma administrativa (ver caixa) que o ministro adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, vai apresentar esta tarde na universidade de Verão do PSD.
Relvas quer mexer nas autarquias tanto ao nível externo como interno. No primeiro eixo, segundo apurou o i, o ministro propõe ainda reduzir o número de vereadores. Ou seja, as câmaras vão passar a ser geridas por um só partido, como acontece a nível nacional, mas com menos gente. A proposta tem de ser negociada com o PS (ver P&R).
Neste eixo, o governo quer ainda um reforço dos poderes de fiscalização das assembleias municipais, que actualmente têm um papel reduzido.
Além disso, Relvas quer alterar o modelo de gestão das câmaras e por isso vai apresentar mexidas nas competências a transferir para as autarquias. O objectivo, sabe o i, é reforçar os poderes das comunidades intermunicipais e das áreas metropolitanas ao passar algumas competências - ao nível da educação, da saúde, da gestão de resíduos, da construção e da gestão de equipamento - para estas entidades. Algumas das actuais associações intermunicipais já têm a seu cargo a gestão do lixo e de águas em alta (infra-estruturas que transportam água das barragens para os concelhos) e agora o governo de Passos Coelho quer expandir a experiência para outras áreas. A regionalização está fora desta reforma administrativa, mas o governo quer que alguns assuntos sejam geridos numa escala maior que as câmaras, para poupar nos recursos.
Neste segundo eixo, o governo prepara-se ainda para mexer nas finanças locais. Para o financiamento das câmaras, o governo quer que estas fiquem, à partida, com parte das receitas fiscais de IVA, IRS e IRC cobradas no seu território. Depois disto, o governo pressupõe a criação do fundo de coesão nacional para que as mais pequenas não fiquem prejudicadas.
Apesar de mexer na vida interna das câmaras, estas foram poupadas a uma reorganização de fundo. O Memorando da troika exigia uma redução do número de freguesias e de câmaras, mas o executivo vai apenas mexer no nível mais pequeno do sector local.
No terceiro eixo, que diz respeito à reorganização do território, a reforma fica-se por uma aglomeração de freguesias. Actualmente existem 4259, mas o governo espera reduzir cerca de mil este número, para que estas cresçam em número de habitantes e área.
Na argumentação do governo pode pesar Portugal ter menos autarquias que outros países europeus como a Itália, a Grécia ou mesmo França e a Alemanha. Ao i, o secretário de Estado da Administração Local, Paulo Júlio, dizia a semana passada que "o grande problema da sustentabilidade financeira dos municípios não é o elevado número de municípios, mas sim o seu modelo de gestão".
Por fim, o governo vai incluir na reforma administrativa a reforma das empresas municipais, no quarto eixo. A semana passada, o Conselho de Ministros aprovou o novo modelo jurídico do sector empresarial local. O executivo suspendeu a criação de novas empresas municipais e intermunicipais e aumentou a fiscalização no sector. Da reforma do sector empresarial local vai resultar a extinção de cerca de 150 empresas.
por Liliana Valente,
Publicado no "i" a 31 de Agosto de 2011
Câmaras vão perder competências, mas ficam a salvo da extinção pedida pela troika. Governo negoceia com PS executivos monocolores
O governo quer que as câmaras sejam geridas por um só partido e vai negociar com o PS alterações à lei eleitoral autárquica a tempo das próximas eleições, em 2013. Este é apenas um dos quatro eixos da reforma administrativa (ver caixa) que o ministro adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, vai apresentar esta tarde na universidade de Verão do PSD.
Relvas quer mexer nas autarquias tanto ao nível externo como interno. No primeiro eixo, segundo apurou o i, o ministro propõe ainda reduzir o número de vereadores. Ou seja, as câmaras vão passar a ser geridas por um só partido, como acontece a nível nacional, mas com menos gente. A proposta tem de ser negociada com o PS (ver P&R).
Neste eixo, o governo quer ainda um reforço dos poderes de fiscalização das assembleias municipais, que actualmente têm um papel reduzido.
Além disso, Relvas quer alterar o modelo de gestão das câmaras e por isso vai apresentar mexidas nas competências a transferir para as autarquias. O objectivo, sabe o i, é reforçar os poderes das comunidades intermunicipais e das áreas metropolitanas ao passar algumas competências - ao nível da educação, da saúde, da gestão de resíduos, da construção e da gestão de equipamento - para estas entidades. Algumas das actuais associações intermunicipais já têm a seu cargo a gestão do lixo e de águas em alta (infra-estruturas que transportam água das barragens para os concelhos) e agora o governo de Passos Coelho quer expandir a experiência para outras áreas. A regionalização está fora desta reforma administrativa, mas o governo quer que alguns assuntos sejam geridos numa escala maior que as câmaras, para poupar nos recursos.
Neste segundo eixo, o governo prepara-se ainda para mexer nas finanças locais. Para o financiamento das câmaras, o governo quer que estas fiquem, à partida, com parte das receitas fiscais de IVA, IRS e IRC cobradas no seu território. Depois disto, o governo pressupõe a criação do fundo de coesão nacional para que as mais pequenas não fiquem prejudicadas.
Apesar de mexer na vida interna das câmaras, estas foram poupadas a uma reorganização de fundo. O Memorando da troika exigia uma redução do número de freguesias e de câmaras, mas o executivo vai apenas mexer no nível mais pequeno do sector local.
No terceiro eixo, que diz respeito à reorganização do território, a reforma fica-se por uma aglomeração de freguesias. Actualmente existem 4259, mas o governo espera reduzir cerca de mil este número, para que estas cresçam em número de habitantes e área.
Na argumentação do governo pode pesar Portugal ter menos autarquias que outros países europeus como a Itália, a Grécia ou mesmo França e a Alemanha. Ao i, o secretário de Estado da Administração Local, Paulo Júlio, dizia a semana passada que "o grande problema da sustentabilidade financeira dos municípios não é o elevado número de municípios, mas sim o seu modelo de gestão".
Por fim, o governo vai incluir na reforma administrativa a reforma das empresas municipais, no quarto eixo. A semana passada, o Conselho de Ministros aprovou o novo modelo jurídico do sector empresarial local. O executivo suspendeu a criação de novas empresas municipais e intermunicipais e aumentou a fiscalização no sector. Da reforma do sector empresarial local vai resultar a extinção de cerca de 150 empresas.
por Liliana Valente,
Publicado no "i" a 31 de Agosto de 2011
terça-feira, 30 de agosto de 2011
Portugal vai evitar incumprimento
Fitch decide rating no final do ano e acredita que Portugal vai evitar incumprimento
A Fitch irá tomar uma decisão sobre o ''rating'' de Portugal no último trimestre do ano, que mantém sob revisão para possível corte, mantendo a confiança de que Portugal "deve conseguir evitar" o incumprimento ou reestruturação da sua dívida.
De acordo com uma apresentação hoje divulgada pela agência de notação financeira, a decisão sobre o ''rating'' de Portugal será tomada com base nos riscos que permanecem sobre a implementação do programa de assistência financeira, as perspetivas de crescimento da economia no curto e longo prazo, assim como a sustentabilidade da dívida pública e da dívida externa do país.
A agência aponta a queda da conjuntura macroeconómica como uma das suas principais preocupações, lembrando o elevado desequilíbrio das contas públicas e da sua dívida externa, apontando que a sua estimativa para a recessão económica em Portugal é de cerca de 4 por cento em termos acumulados este ano e no próximo, consistente com as previsões das instituições económicas internacionais.
A Fitch aponta ainda os riscos que o ajustamento trará ao sistema financeiro português (“que empresta a um setor privado dos mais endividados da Europa e que está altamente dependente de financiamento no mercado”), e aponta que será necessária uma recapitalização dos bancos e um aumento do financiamento do BCE.
Apesar destes riscos, a agência de notação – que cortou o ‘rating’ de Portugal em sete níveis no último ano e meio – acredita que Portugal “deve conseguir evitar o incumprimento ou a reestruturação da sua dívida”, mas aponta que, como Portugal começou o seu processo de ajustamento macroeconómico um ano depois da Grécia, a confiança em Portugal provavelmente não será restaurada no curto prazo.
por Agência Lusa,
Publicado no "i" a 30 de Agosto de 2011
A Fitch irá tomar uma decisão sobre o ''rating'' de Portugal no último trimestre do ano, que mantém sob revisão para possível corte, mantendo a confiança de que Portugal "deve conseguir evitar" o incumprimento ou reestruturação da sua dívida.
De acordo com uma apresentação hoje divulgada pela agência de notação financeira, a decisão sobre o ''rating'' de Portugal será tomada com base nos riscos que permanecem sobre a implementação do programa de assistência financeira, as perspetivas de crescimento da economia no curto e longo prazo, assim como a sustentabilidade da dívida pública e da dívida externa do país.
A agência aponta a queda da conjuntura macroeconómica como uma das suas principais preocupações, lembrando o elevado desequilíbrio das contas públicas e da sua dívida externa, apontando que a sua estimativa para a recessão económica em Portugal é de cerca de 4 por cento em termos acumulados este ano e no próximo, consistente com as previsões das instituições económicas internacionais.
A Fitch aponta ainda os riscos que o ajustamento trará ao sistema financeiro português (“que empresta a um setor privado dos mais endividados da Europa e que está altamente dependente de financiamento no mercado”), e aponta que será necessária uma recapitalização dos bancos e um aumento do financiamento do BCE.
Apesar destes riscos, a agência de notação – que cortou o ‘rating’ de Portugal em sete níveis no último ano e meio – acredita que Portugal “deve conseguir evitar o incumprimento ou a reestruturação da sua dívida”, mas aponta que, como Portugal começou o seu processo de ajustamento macroeconómico um ano depois da Grécia, a confiança em Portugal provavelmente não será restaurada no curto prazo.
por Agência Lusa,
Publicado no "i" a 30 de Agosto de 2011
segunda-feira, 29 de agosto de 2011
Rebeldes líbios pedem continuidade de apoio da NATO
O Conselho Nacional de Transição (CNT) assume que Muamar Kadhafi ainda é perigoso e continua a ser uma ameaça para o país e para o Mundo. O órgão político dos rebeldes líbios recusa qualquer diálogo com Kadhafi e promete mesmo capturar o coronel. O controlo do aeroporto de Trípoli passou para as mãos dos rebeldes no fim-de-semana e as instalações são patrulhadas para evitar pilhagens.
O líder do CNT apelou à NATO para manter o seu apoio dizendo que, apesar de não ser visto há uma semana, “o desafio” de Kadhafi ainda é considerado “um perigo”.
“O desafio que Kadhafi representa para as forças da coligação constitui sempre um perigo, não apenas para o povo líbio mas para todo o mundo. É por isso que pedimos à coligação para continuar com o seu apoio”, declarou Moustapha Abdeljalil, em Doha, na abertura de um encontro dos chefes de Estado-maior dos países com envolvimento militar na Líbia.
Em Tripoli, o enviado da Antena 1 José Manuel Rosendo testemunhou que o regime não dá ainda tréguas no terreno, apesar do controlo dos rebeldes. O movimento ofereceu a amnistia e prometeu um milhão de euros de recompensa para quem capturar o líder líbio, vivo ou morto.
“Ainda precisamos (da ajuda da coligação) para restabelecer a segurança e eliminar as células adormecidas e os restos do regime de Kadhafi”, acrescentou o “ministro da Defesa” do movimento, Jalal al-Deghili.
No mesmo encontro, o representante da NATO prometeu dar continuidade à missão. “Acreditamos que o regime de Kadhafi está perto do colapso e estamos comprometidos a continuar com a operação até à sua conclusão”, disse o almirante Samuel Locklear, alertando para a perda de capacidade do regime no que respeita à organização de operações.
A intervenção militar na Líbia teve início a 19 de março, na sequência de uma resolução do Conselho de Segurança da ONU. O fundamento é a proteção de civis face à repressão do regime do líder líbio durante uma revolta iniciada em meados de fevereiro.
http://tv1.rtp.pt/noticias/
O líder do CNT apelou à NATO para manter o seu apoio dizendo que, apesar de não ser visto há uma semana, “o desafio” de Kadhafi ainda é considerado “um perigo”.
“O desafio que Kadhafi representa para as forças da coligação constitui sempre um perigo, não apenas para o povo líbio mas para todo o mundo. É por isso que pedimos à coligação para continuar com o seu apoio”, declarou Moustapha Abdeljalil, em Doha, na abertura de um encontro dos chefes de Estado-maior dos países com envolvimento militar na Líbia.
Em Tripoli, o enviado da Antena 1 José Manuel Rosendo testemunhou que o regime não dá ainda tréguas no terreno, apesar do controlo dos rebeldes. O movimento ofereceu a amnistia e prometeu um milhão de euros de recompensa para quem capturar o líder líbio, vivo ou morto.
“Ainda precisamos (da ajuda da coligação) para restabelecer a segurança e eliminar as células adormecidas e os restos do regime de Kadhafi”, acrescentou o “ministro da Defesa” do movimento, Jalal al-Deghili.
No mesmo encontro, o representante da NATO prometeu dar continuidade à missão. “Acreditamos que o regime de Kadhafi está perto do colapso e estamos comprometidos a continuar com a operação até à sua conclusão”, disse o almirante Samuel Locklear, alertando para a perda de capacidade do regime no que respeita à organização de operações.
A intervenção militar na Líbia teve início a 19 de março, na sequência de uma resolução do Conselho de Segurança da ONU. O fundamento é a proteção de civis face à repressão do regime do líder líbio durante uma revolta iniciada em meados de fevereiro.
http://tv1.rtp.pt/noticias/
O melhor lado da crise
A actualidade comprova que não será fácil repetir a governação do passado, que nos conduziu à actual situação humilhante, de total dependência externa
***
Manuela Ferreira Leite perdeu as legislativas, em 2009, depois de uma campanha eleitoral em que ficou célebre uma polémica declaração: "E até não sei se a certa altura não seria bom haver seis meses sem democracia. Mete-se tudo na ordem e depois então venha a democracia."
Para muitos, foi um lapso de comunicação; para outros, a expressão foi uma crítica certeira às pseudo-reformas então em curso na justiça, à custa do ataque gratuito aos juízes.
Dois anos depois do início da crise, e face à necessidade de apressar as verdadeiras reformas, chegou a hora de levantar novamente a questão: será preciso voltar a perguntar se é preciso suspender a democracia para salvar o país?
Mais que a discussão filosófica ou jurídico-constitucional, importa afastar desde já a tentação de invectivar determinadas classes profissionais para alijar o fardo de quem tem de fazer o que tem de ser feito. A situação exige muito mais do que uma crispação artificial e desgastante. E tal só é possível quando a governação é credibilizada por uma sociedade civil participativa e inconformada.
A actualidade comprova que não será fácil repetir a governação do passado que nos conduziu à actual situação humilhante de total dependência externa. Directa ou através de mediação, é patente a crescente atenção e apetência da sociedade pela avaliação, quase em tempo real, de cada decisão governamental. Agora já não será tão fácil autorizar investimentos faraónicos, aumentar salários milionários, renovar frotas automóveis de luxo e até permitir mais despesas em telecomunicações inimagináveis. De igual forma, os servidores da causa pública terão cada vez maior dificuldade em enriquecer ilegal e impunemente durante ou depois do exercício de funções. Por sua vez, atitudes como a do ministro Miguel Relvas, que elogiou o correspondente da RTP em Angola quando lhe são publicamente conhecidos interesses empresariais naquele país africano, dificilmente serão repetidas. Por último, a resistência dos mais ricos a pagar um imposto extraordinário, ainda que simbólico, também não passará em claro.
Com o dinheiro a escassear, está instalada a tolerância zero em relação ao esbanjamento, aos sinais exteriores de riqueza injustificados e à falta de solidariedade. E o voto deixou de ser um cheque em branco ao governo, quiçá constituído por iluminados e bem-intencionados, que até abdicaram de belos ordenados para servirem o país. Aliás, já não bastam cortes mais ou menos cegos e brutais na despesa. Começa a ser evidente alguma impaciência em relação a uma profunda e urgente reestruturação em áreas tão importantes como a educação, a justiça e a saúde, que se espera vir a ser feita sem ser à custa de uma nova tentativa de demonizar professores, advogados, investigadores criminais, magistrados, médicos e enfermeiros.
Há um lado bom em qualquer crise, sobretudo quando nos obriga a aprender com os erros do passado, bem como a assumir que a legitimidade formal de quem nos representa não substitui a necessidade de um escrutínio frontal e constante.
Se todos os sacrifícios exigidos consolidarem esta mudança de mentalidade, então nem tudo está perdido. A consciência da necessidade de participar na agregação de diferentes interesses, num espaço de debate e legalidade, é o primeiro passo para promover novas soluções, evitando o risco de explosões sociais que fermentam, invariavelmente, a partir da passividade e da descrença em relação a quem tem a responsabilidade de governar.
por Rui Costa Pinto,
Publicado no "i" a 27 de Agosto de 2011
"Governo (britânico) cede à pressão e apoia reformas anti-aborto"
O governo britânico cedeu à pressão do lóbi anti-aborto e vai avançar com reformas do actual sistema de apoio às mulheres, retirando aos médicos e às instituições de caridade a responsabilidade exclusiva de prestarem assistência e aconselhamento a quem quer interromper a gravidez.
De acordo com o The Guardian, o Ministério da Defesa confirmou que vai mudar as regras de modo a que as mulheres recebem aconselhamento "independente" sobre os serviços relacionados com a interrupção voluntária da gravidez (IVG). Um anúncio que surge uma semana antes de a câmara dos comuns discutir uma alteração à lei da saúde que propõe um caminho semelhante e que será apresentada por Nadine Dorries, uma deputada do Partido Conservador conhecida pelas suas posições contra a actual lei do aborto.
As instituições de solidariedade social argumentam que acrescentar mais um nível de aconselhamento só vai causar perturbação e reduzir o acesso das mulheres aos serviços de IVG. Além disso, dizem, os seus serviços acompanham as mulheres durante todo o processo e rejeitam as acusações de terem conflitos de interesse ao nível financeiro. Yvette Cooper, membro do governo sombra do Partido Trabalhista, considera que a iniciativa governamental é baseada em preconceitos e não em provas, escreve o jornal.
Dorries, uma antiga enfermeira que já fez campanha para reduzir o período de gravidez em que a interrupção voluntária é legal, acredita que é possível evitar 60 mil dos actuais 200 mil abortos por ano se for oferecido às mulheres aconselhamento independente. E critica o British Pregnancy Advisory Service (serviço britânico de aconselhamento sobre gravidez) e a instituição Marie Stopes.
"O importante é que o governo tenha salientado e concordado que um aconselhamento prestado por organizações que são pagas para conduzir os procedimentos para as IVG não é independente. (...) Isso valida a emenda e o que estamos a fazer", afirmou Dorries ao The Guardian. "O aborto é um processo tão rápido - sete a 14 dias. As mulheres que têm dúvidas vêm-se do outro lado ainda antes de terem hipóteses de reflectirem. A maioria pode pensar que está tudo bem, mas há cada vez mais a pensarem que não era aquilo que queriam. E quanto mais rápido é o processo mais mulheres caem nessa armadilha. Isto é uma questão de direitos das mulheres", afirma a deputada (...).
http://www.dn.pt/
De acordo com o The Guardian, o Ministério da Defesa confirmou que vai mudar as regras de modo a que as mulheres recebem aconselhamento "independente" sobre os serviços relacionados com a interrupção voluntária da gravidez (IVG). Um anúncio que surge uma semana antes de a câmara dos comuns discutir uma alteração à lei da saúde que propõe um caminho semelhante e que será apresentada por Nadine Dorries, uma deputada do Partido Conservador conhecida pelas suas posições contra a actual lei do aborto.
As instituições de solidariedade social argumentam que acrescentar mais um nível de aconselhamento só vai causar perturbação e reduzir o acesso das mulheres aos serviços de IVG. Além disso, dizem, os seus serviços acompanham as mulheres durante todo o processo e rejeitam as acusações de terem conflitos de interesse ao nível financeiro. Yvette Cooper, membro do governo sombra do Partido Trabalhista, considera que a iniciativa governamental é baseada em preconceitos e não em provas, escreve o jornal.
Dorries, uma antiga enfermeira que já fez campanha para reduzir o período de gravidez em que a interrupção voluntária é legal, acredita que é possível evitar 60 mil dos actuais 200 mil abortos por ano se for oferecido às mulheres aconselhamento independente. E critica o British Pregnancy Advisory Service (serviço britânico de aconselhamento sobre gravidez) e a instituição Marie Stopes.
"O importante é que o governo tenha salientado e concordado que um aconselhamento prestado por organizações que são pagas para conduzir os procedimentos para as IVG não é independente. (...) Isso valida a emenda e o que estamos a fazer", afirmou Dorries ao The Guardian. "O aborto é um processo tão rápido - sete a 14 dias. As mulheres que têm dúvidas vêm-se do outro lado ainda antes de terem hipóteses de reflectirem. A maioria pode pensar que está tudo bem, mas há cada vez mais a pensarem que não era aquilo que queriam. E quanto mais rápido é o processo mais mulheres caem nessa armadilha. Isto é uma questão de direitos das mulheres", afirma a deputada (...).
http://www.dn.pt/
Benin decide abolir a pena de morte
Três meses antes da visita do Papa a este país
PORTO NOVO, domingo, 28 de agosto de 2011 (ZENIT.org) – Mais um país se soma à lista de nações que aboliram a pena de morte: Benin.
No dia 19 de Agosto, o Benin – para onde o Papa viajará de 18 a 20 de novembro para celebrar o 150° aniversário da evangelização do país e entregar a exortação apostólica fruto do Sínodo da África (2009) – aboliu a pena de morte, convertendo-se no 106° país do mundo e o 17° na África a fazê-lo.
Quem divulgou essa notícia com satisfação foi a Comunidade de Sant’Egídio, que no curso dos anos passados acompanhou o amadurecimento desta decisão na opinião pública de Benin, mediante uma campanha de sensibilização e coleta de assinaturas contra a pena de morte.
A vida que a JMJ salvou
Peregrinos irlandeses convencem casal a não abortar
MADRI, sexta-feira, 26 de agosto de 2011 (ZENIT.org) – A 26ª Jornada Mundial da Juventude (JMJ) conseguiu, entre seus numerosos frutos, salvar uma vida humana, já que uns peregrinos que foram a Madri, para o evento, convenceram um casal a não abortar.
No último dia 19 de agosto, um grupo de jovens pró-vida irlandeses começou a rezar na frente da igreja de São Martinho, onde há uma importante clínica de abortos, segundo informou a ZENIT o Centro Internacional para a Defesa da Vida Humana (CIDEVIDA).
Um casal chegou até o lugar com a intenção de abortar e os jovens foram ao seu encontro, explicando-lhes as razões pelas quais não deveriam fazer isso.
Uma voluntária de CIDEVIDA, organização que tinha uma exposição instalada no claustro dessa igreja madrilena cêntrica, uniu-se ao grupo e colocou o casal em contato com a fundação de apoio, assessoria e ajuda à mulher grávida, Red Madre.
Esta rede se comprometeu a prestar apoio para o nascimento do filho do casal, que consolidou assim sua decisão de não abortar.
Para o secretário de CIDEVIDA, Juan José Panizo, “o presente desta vida é uma alegria para todos”. “Obrigado, Bento XVI, por ter vindo”, expressou, elogiando também a ação dos voluntários da entidade pró-vida e dos peregrinos irlandeses, que, depois desse encontro, voltaram a rezar de joelhos no mesmo lugar.
Um grupo de pessoas preocupadas pelas consequências da nova lei do aborto na Espanha colocou em marcha o CIDEVIDA em 2009, para informar sobre a realidade do aborto e promover alternativas para ajudar as mulheres com problemas diante da gravidez.
Entre outras atividades, a entidade mantém, na Villa de Tordesillas, na província de Valladolid, uma exposição permanente sobre o aborto, um centro de ajuda às mulheres grávidas e de atenção à síndrome pós-aborto, bem como um centro documental.
Madrid, capital mediática mundial durante a JMJ
Segundo um estudo da Universidade de Navarra
PAMPLONA, sexta-feira, 26 de agosto de 2011 (ZENIT.org) – Segundo um estudo elaborado pela Universidade de Navarra, a viagem pastoral de Bento XVI à Espanha gerou 54 mil notícias em todo o mundo, o que provocou que, durante uma semana, todos os olhares estivessem dirigidos a Madrid, graças à realização da Jornada Mundial da Juventude (JMJ).
Dessas notícias, 30 mil foram divulgadas pela mídia espanhola e 12.600 pela imprensa das demais partes da Europa. Da mesma forma, 6.200 notícias procederam da América Latina, 2 mil dos EUA e Canadá, 400 da Oceania e 200 de países da África.
No total, o informe identificou notícias sobre a JMJ em 108 países, algumas de lugares remotos como Fiji (2 artigos) e Serra Leoa (2 artigos), bem como de países com obstáculos para a liberdade religiosa, como Sudão (1 artigo), Arábia Saudita (4 artigos) e Cuba (42 artigos).
O estudo destaca que o acompanhamento da JMJ pelos meios de comunicação foi massivo, em contraste com outros eventos recentes associados a Madrid. Neste sentido, as notícias relacionadas à JMJ tiveram um impacto midiático cinco vezes superior ao último atentado da ETA no Campo de las Naciones e três vezes maior que a não seleção de Madri como organizadora dos Jogos Olímpicos.
Quando se compara a última estadia do Papa na Espanha com outros acontecimentos de caráter religioso, o impacto da JMJ foi 3,3 vezes superior à beatificação de João Paulo II.
JMJ, embaixadora das marcas Madrid e Espanha
Os dados sobre a cobertura midiática do encontro do Papa com os jovens constituem um adiantamento do informe que está sendo elaborado pelo grupo de Medios, Reputación e Intangibles, da Universidade de Navarra, sobre o impacto das JMJ na imagem da marca de Madrid.
Como aponta Francesc Pujol, principal autor do estudo, “A JMJ foi um excelente embaixador da marca Madrid, já que reforçou sua credibilidade para poder albergar outros grandes eventos mundiais no futuro”. Uma recepção que afeta também a projeção internacional do país organizador. “A JMJ contribuiu para restabelecer parte da deteriorada imagem econômica da Espanha no exterior”, indica o professor da Faculdade de Ciências Econômicas e Empresariais.
Mais informação: http://www.unav.es/centro/intangibles/main-page
Judeus e a JMJ
Reação judaica à JMJ: fala David Hatchwell
Entrevista ao vice-presidente da Comunidade Judaica de Madri
Madrid, 26 de Agosto de 2011 (ZENIT.org) – “Êxito absoluto”, “gente saudável”, “energia positiva”, “retorno aos valores”: é com esta contundência que se expressa, nesta entrevista, David Hatchwell, vice-presidente da Comunidade Judaica de Madrid (www.cjmadrid.org), ao falar sobre a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) de 2011.
ZENIT: Você deu seu apoio à JMJ antes de que ela fosse realizada. Por que esta aliança com um evento católico de envergadura?
Hatchwell: Quem pensa as mesmas coisas precisa estar junto. Os católicos, como outros grupos, têm direito de expressar-se, ainda que haja protestos contra isso. Têm direito a acreditar no que acreditam e, por este motivo, temos esta proximidade, porque nós, os judeus, sabemos bem o que significa ser menosprezados. Entendemos o que é ser deslegitimados e eu vivo isso constantemente.
Sou muito sensível e não me preocupam somente, mas me incomodam as tendências a deslegitimar as pessoas. Uma pessoa pode não concordar com alguém, mas não deve haver ataques a coletivos de maneira injustificada e fora de contexto. Neste sentido, nosso apoio a um ato como a JMJ é claro. Comemoro o fato de que esta JMJ tenha se realizado e daí vem a proximidade com o evento.
ZENIT: Percebi que você gostou do encontro.
Hatchwell: Sem dúvida, esta viagem do Papa foi um êxito absoluto. É o maior acontecimento das últimas décadas, eu não me lembro de ter visto algo assim. Ver Madri com todo tipo de gente jovem nas ruas, pessoas muito sudáveis, com energia positiva, foi incrível, uma delícia. A avaliação só pode ser positiva.
Todos os dias, na grande variedade de eventos que ocorreram, demonstrou-se que o que se queria era um momento espiritual muito potente, e isso aconteceu.
ZENIT: Houve críticas também.
Hatchwell: Foi só um incidente de poucas pessoas, quando do outro lado havia quase dois milhões. Infelizmente, alguns meios de comunicação descontextualizam e mostram o fenômeno marginal. Mas, para mim, foi um êxito absoluto.
Do que li, me consta que uma empresa internacional – a Price Waterhouse Coopers – faz uma auditoria, o que me parece muito sensato por parte da Igreja, essa transparência.
Além disso, as JMJ contribuíram muito para a cidade de Madrid, e por isso não entendo essas tentativas de criticá-la. Muito além de informações de manchetes, o que está claro é que Madrid esteve no mapa do mundo vários dias e isso foi muito positivo para a Espanha.
ZENIT: Que aspecto da mensagem do Papa mais chamou sua atenção?
Hatchwell: Sem dúvida, a mensagem foi muito importante, especialmente a reconexão com uma série de valores. Esse apelo transcende um credo específico, não somente mensagens cristãs, mas universais.
O Papa pediu aos jovens que sejam muito valentes com suas convicções. Estamos diante de um relativismo ético muito profundo, com uma tendência a tirar valor das coisas que muita gente tem como princípios básicos da sua educação.
Nisso, estamos totalmente de acordo com o Papa: em uma sociedade moderna, são necessários valores para enfrentar o relativismo e continuar acreditando nas convicções morais que as pessoas têm.
Outro aspecto chamativo da mensagem foi que não vivemos na tirania do indivíduo, não existe um “eu” absoluto, mas hoje há valores comuns coletivos espirituais e o serviço ao outro.
ZENIT: Esses valores são compartilhados entre judeus e cristãos?
Hatchwell: Absolutamente. Judeus e cristãos compartilham valores comuns troncais. Jesus era judeu e os primeiros cristãos também: daí os valores compartilhados que, sem dúvida alguma, continuam sendo os mesmos.
ZENIT: Desde o Concílio Vaticano II, as relações entre a Igreja Católica e o judaísmo melhoraram substancialmente.
Hatchwell: Sabemos que, durante séculos, a relação entre a Igreja e o judaísmo não era em absoluto o que temos agora; melhorou há 40 anos. Eu me sinto privilegiado por viver hoje em dia, em um momento no qual a Igreja percebe de maneira totalmente diferente os judeus. (...)
(Miriam Díez i Bosch)
Entrevista ao vice-presidente da Comunidade Judaica de Madri
Madrid, 26 de Agosto de 2011 (ZENIT.org) – “Êxito absoluto”, “gente saudável”, “energia positiva”, “retorno aos valores”: é com esta contundência que se expressa, nesta entrevista, David Hatchwell, vice-presidente da Comunidade Judaica de Madrid (www.cjmadrid.org), ao falar sobre a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) de 2011.
ZENIT: Você deu seu apoio à JMJ antes de que ela fosse realizada. Por que esta aliança com um evento católico de envergadura?
Hatchwell: Quem pensa as mesmas coisas precisa estar junto. Os católicos, como outros grupos, têm direito de expressar-se, ainda que haja protestos contra isso. Têm direito a acreditar no que acreditam e, por este motivo, temos esta proximidade, porque nós, os judeus, sabemos bem o que significa ser menosprezados. Entendemos o que é ser deslegitimados e eu vivo isso constantemente.
Sou muito sensível e não me preocupam somente, mas me incomodam as tendências a deslegitimar as pessoas. Uma pessoa pode não concordar com alguém, mas não deve haver ataques a coletivos de maneira injustificada e fora de contexto. Neste sentido, nosso apoio a um ato como a JMJ é claro. Comemoro o fato de que esta JMJ tenha se realizado e daí vem a proximidade com o evento.
ZENIT: Percebi que você gostou do encontro.
Hatchwell: Sem dúvida, esta viagem do Papa foi um êxito absoluto. É o maior acontecimento das últimas décadas, eu não me lembro de ter visto algo assim. Ver Madri com todo tipo de gente jovem nas ruas, pessoas muito sudáveis, com energia positiva, foi incrível, uma delícia. A avaliação só pode ser positiva.
Todos os dias, na grande variedade de eventos que ocorreram, demonstrou-se que o que se queria era um momento espiritual muito potente, e isso aconteceu.
ZENIT: Houve críticas também.
Hatchwell: Foi só um incidente de poucas pessoas, quando do outro lado havia quase dois milhões. Infelizmente, alguns meios de comunicação descontextualizam e mostram o fenômeno marginal. Mas, para mim, foi um êxito absoluto.
Do que li, me consta que uma empresa internacional – a Price Waterhouse Coopers – faz uma auditoria, o que me parece muito sensato por parte da Igreja, essa transparência.
Além disso, as JMJ contribuíram muito para a cidade de Madrid, e por isso não entendo essas tentativas de criticá-la. Muito além de informações de manchetes, o que está claro é que Madrid esteve no mapa do mundo vários dias e isso foi muito positivo para a Espanha.
ZENIT: Que aspecto da mensagem do Papa mais chamou sua atenção?
Hatchwell: Sem dúvida, a mensagem foi muito importante, especialmente a reconexão com uma série de valores. Esse apelo transcende um credo específico, não somente mensagens cristãs, mas universais.
O Papa pediu aos jovens que sejam muito valentes com suas convicções. Estamos diante de um relativismo ético muito profundo, com uma tendência a tirar valor das coisas que muita gente tem como princípios básicos da sua educação.
Nisso, estamos totalmente de acordo com o Papa: em uma sociedade moderna, são necessários valores para enfrentar o relativismo e continuar acreditando nas convicções morais que as pessoas têm.
Outro aspecto chamativo da mensagem foi que não vivemos na tirania do indivíduo, não existe um “eu” absoluto, mas hoje há valores comuns coletivos espirituais e o serviço ao outro.
ZENIT: Esses valores são compartilhados entre judeus e cristãos?
Hatchwell: Absolutamente. Judeus e cristãos compartilham valores comuns troncais. Jesus era judeu e os primeiros cristãos também: daí os valores compartilhados que, sem dúvida alguma, continuam sendo os mesmos.
ZENIT: Desde o Concílio Vaticano II, as relações entre a Igreja Católica e o judaísmo melhoraram substancialmente.
Hatchwell: Sabemos que, durante séculos, a relação entre a Igreja e o judaísmo não era em absoluto o que temos agora; melhorou há 40 anos. Eu me sinto privilegiado por viver hoje em dia, em um momento no qual a Igreja percebe de maneira totalmente diferente os judeus. (...)
(Miriam Díez i Bosch)
quinta-feira, 25 de agosto de 2011
Educação. Governo e Fenprof chegam a acordo
Ministério da Educação e Fenprof chegaram a acordo em relação aos professores com horário zero sem colocação e aos professores com doenças graves, mas a Fenprof acusa o Executivo de ter adoptado o que de mau o anterior Governo fez.
A Fenprof reuniu-se ontem com o secretário de Estado do Ensino e da Administração Escolar, João Casanova Almeida, para discutir a situação dos professores que podem vir a ficar sem emprego devido às novas regras de horários. Em declarações aos jornalistas, o secretário-geral da Fenprof disse que não foram tomadas resoluções quanto à situação do emprego dos professores com horário zero. Mário Nogueira deixou ainda uma crítica ao governo de Passos Coelho: "Nós dissemos que este governo se limitou a adoptar aquilo que de mau foi feito pelo governo anterior", referindo-se às novas regras de organização do ano lectivo.
Da reunião ficou a garantia de que não haverá nenhuma situação de mobilidade especial em relação aos professores com horário zero, e para aqueles que não fiquem colocados será feita uma afectação administrativa à sua escola, por forma a continuarem com actividade docente. Quanto aos professores com doenças graves ficou também o compromisso de que "todos os docentes que não venham a ter colocação sejam afectados administrativamente a escolas onde possam de facto fazer os seus tratamentos".
http://www.ionline.pt/conteudo/145089-educacao-governo-e-fenprof-chegam-acordo
A Fenprof reuniu-se ontem com o secretário de Estado do Ensino e da Administração Escolar, João Casanova Almeida, para discutir a situação dos professores que podem vir a ficar sem emprego devido às novas regras de horários. Em declarações aos jornalistas, o secretário-geral da Fenprof disse que não foram tomadas resoluções quanto à situação do emprego dos professores com horário zero. Mário Nogueira deixou ainda uma crítica ao governo de Passos Coelho: "Nós dissemos que este governo se limitou a adoptar aquilo que de mau foi feito pelo governo anterior", referindo-se às novas regras de organização do ano lectivo.
Da reunião ficou a garantia de que não haverá nenhuma situação de mobilidade especial em relação aos professores com horário zero, e para aqueles que não fiquem colocados será feita uma afectação administrativa à sua escola, por forma a continuarem com actividade docente. Quanto aos professores com doenças graves ficou também o compromisso de que "todos os docentes que não venham a ter colocação sejam afectados administrativamente a escolas onde possam de facto fazer os seus tratamentos".
http://www.ionline.pt/conteudo/145089-educacao-governo-e-fenprof-chegam-acordo
Miguel Carvalho, Braga 1577
Quinta-feira, dia 25 de Agosto de 2011
Beato Miguel de Carvalho, presbítero, mártir, +1624
Miguel de Carvalho nasceu em Braga, em 1577, de família nobre e rica.
Com 20 anos pediu para ser admitido na Companhia de Jesus. Cinco anos depois, partia com um grupo de missionários para o Oriente.
Em Goa, termina o curso de teologia e aí fica alguns anos como professor. Mas o seu desejo era partir missionário para o Japão e, apesar das grandes dificuldades que os cristãos por lá viviam, consegue integrar-se num grupo de viajantes, disfarçado de soldado.
Durante alguns anos conseguiu iludir as autoridades, pregando o Evangelho nos mais diversos lugares, até que um dia o descobriram e o condenaram a morrer pelo fogo.
Pio IX beatificou-o em 1867.
cf. Pe. José Leite, s.j., Santos de Cada Dia
http://www.evangelhoquotidiano.org/main.php?language=PT
Beato Miguel de Carvalho, presbítero, mártir, +1624
Miguel de Carvalho nasceu em Braga, em 1577, de família nobre e rica.
Com 20 anos pediu para ser admitido na Companhia de Jesus. Cinco anos depois, partia com um grupo de missionários para o Oriente.
Em Goa, termina o curso de teologia e aí fica alguns anos como professor. Mas o seu desejo era partir missionário para o Japão e, apesar das grandes dificuldades que os cristãos por lá viviam, consegue integrar-se num grupo de viajantes, disfarçado de soldado.
Durante alguns anos conseguiu iludir as autoridades, pregando o Evangelho nos mais diversos lugares, até que um dia o descobriram e o condenaram a morrer pelo fogo.
Pio IX beatificou-o em 1867.
cf. Pe. José Leite, s.j., Santos de Cada Dia
http://www.evangelhoquotidiano.org/main.php?language=PT
Esquerda à deriva ( VII )
"O PS na clandestinidade
"Onde se encontra António José Seguro? Que estará a fazer António José Seguro? Porque não aparece António José Seguro? O PS sumiu-se? As perguntas, aflitas e arquejantes, cruzam-se nas Redacções dos jornais, das televisões, das rádios. Os políticos interrogam-se, por telefone, por mail, por facebook. Até o dr. Sarmento, de hábito muito bem informado, anda tão perplexo e agitado, talvez mais agitado e perplexo do que é costume, vive mergulhado nas trevas da ignorância, acerca de tão augusto problema. Falou com Lobo Xavier, também este gravemente atingido pela inquietação, que não conseguiu esclarecer a funesta dúvida, a qual apoquentava o seu patrão, o eng.º Belmiro, atacado de persistentes insónias.
"Começou a dizer-se, à boca pequena, que o circunspecto Seguro se encafuara num gabinete do Largo do Rato, folheando dossiês sobre dossiês, a fim de se preparar para a abertura das hostilidades com Passos, e aceitando o martírio para conquistar a glória. Outros sussurravam que se encontrava, em sigilo, com Mário Soares, para receber lições de como ser astuto sem o demonstrar, e justiceiro com a displicência de um felino.
"A mortificação de Seguro tinha razão de ser. E a procura de ajuda espiritual era um forte esteio. Os embates que tivera com Passos haviam-se saldado por melancólicos desaires. E os avanços, os projectos, as decisões, as propostas, os decretos, as leis em catadupa, insinuosamente expostos ou claramente apresentados pelo presidente do PSD desorientavam o adversário.
"Que fazer? A leninista interrogação obtinha respostas dúbias. Pouco mais do que ter birras restava a António José Seguro. O seu partido assinara um memorando draconiano e mandam as regras do bom nome que os compromissos se respeitem. Não será bem assim, tanto mais que Passos tem-se adiantado ao que foi estipulado, excedendo a combinação. O Governo comete injustiças das mais bravas e dolorosas e o PS de Seguro está desaparecido sem combate. Como se diz num velho samba: "ninguém sabe / ninguém viu" o que é feito desta gente. Ao menos um arrobo de protesto, um gesticular de indignação, por modesto que fosse. Nada. E o PSD aproveita todas as oportunidades para aparecer, seja nas praias algarvias, seja em declarações absurdas mas úteis para a "visibilidade." O dr. Relvas até foi à Colômbia, apoiar moralmente a selecção de subvinte, enquanto o PS nem um ramo de rosas pálidas enviou como congratulação de "sermos" vicecampeões.
"Onde estará Seguro? Onde se esconde o PS? Paralelamente tristes, votam-nos a uma melancolia atroz, que nem a satisfação provocatória do Governo consegue amenizar. Claro que nada disto é eterno ou estável. Porém, a cada dia que passa perdemos um sonho, uma réstia de esperança, um pequeno gomo de fé, uma fatia de confiança."
por Baptista-Bastos,
http://www.dn.pt/
"Onde se encontra António José Seguro? Que estará a fazer António José Seguro? Porque não aparece António José Seguro? O PS sumiu-se? As perguntas, aflitas e arquejantes, cruzam-se nas Redacções dos jornais, das televisões, das rádios. Os políticos interrogam-se, por telefone, por mail, por facebook. Até o dr. Sarmento, de hábito muito bem informado, anda tão perplexo e agitado, talvez mais agitado e perplexo do que é costume, vive mergulhado nas trevas da ignorância, acerca de tão augusto problema. Falou com Lobo Xavier, também este gravemente atingido pela inquietação, que não conseguiu esclarecer a funesta dúvida, a qual apoquentava o seu patrão, o eng.º Belmiro, atacado de persistentes insónias.
"Começou a dizer-se, à boca pequena, que o circunspecto Seguro se encafuara num gabinete do Largo do Rato, folheando dossiês sobre dossiês, a fim de se preparar para a abertura das hostilidades com Passos, e aceitando o martírio para conquistar a glória. Outros sussurravam que se encontrava, em sigilo, com Mário Soares, para receber lições de como ser astuto sem o demonstrar, e justiceiro com a displicência de um felino.
"A mortificação de Seguro tinha razão de ser. E a procura de ajuda espiritual era um forte esteio. Os embates que tivera com Passos haviam-se saldado por melancólicos desaires. E os avanços, os projectos, as decisões, as propostas, os decretos, as leis em catadupa, insinuosamente expostos ou claramente apresentados pelo presidente do PSD desorientavam o adversário.
"Que fazer? A leninista interrogação obtinha respostas dúbias. Pouco mais do que ter birras restava a António José Seguro. O seu partido assinara um memorando draconiano e mandam as regras do bom nome que os compromissos se respeitem. Não será bem assim, tanto mais que Passos tem-se adiantado ao que foi estipulado, excedendo a combinação. O Governo comete injustiças das mais bravas e dolorosas e o PS de Seguro está desaparecido sem combate. Como se diz num velho samba: "ninguém sabe / ninguém viu" o que é feito desta gente. Ao menos um arrobo de protesto, um gesticular de indignação, por modesto que fosse. Nada. E o PSD aproveita todas as oportunidades para aparecer, seja nas praias algarvias, seja em declarações absurdas mas úteis para a "visibilidade." O dr. Relvas até foi à Colômbia, apoiar moralmente a selecção de subvinte, enquanto o PS nem um ramo de rosas pálidas enviou como congratulação de "sermos" vicecampeões.
"Onde estará Seguro? Onde se esconde o PS? Paralelamente tristes, votam-nos a uma melancolia atroz, que nem a satisfação provocatória do Governo consegue amenizar. Claro que nada disto é eterno ou estável. Porém, a cada dia que passa perdemos um sonho, uma réstia de esperança, um pequeno gomo de fé, uma fatia de confiança."
por Baptista-Bastos,
http://www.dn.pt/
"Alemanha foi primeira a violar PEC" Helmut Kohl
O antigo chanceler alemão Helmut Kohl, considerado um dos 'pais' da União Europeia (UE), continua a criticar a gestão da crise do euro por parte dos actuais dirigentes, mas, nas suas últimas declarações, arrasa também o governo que se lhe seguiu, pois a Alemanha foi a primeira a violar o Pacto de Estabilidade e Crescimento (PEC) e foi permitido à Grécia entrar para a zona euro quando havia indícios de problemas.
O PEC foi criado em 1997 por imposição da Alemanha, para entrar no euro e desistir da sua moeda, o marco, e obrigava a que os países membros não ultrapassassem os 3% de défice orçamental e uma dívida soberana correspondente a 60% do produto interno bruto (PIB).
Entre 1997 e 2009, ano da recessão económica causada pela crise financeira do 'subprime', o défice médio dos países da zona euro ficou abaixo dos 3%. Mas, entre os governos que violaram o PEC não estava só Portugal: a Alemanha também fazia parte do grupo 'negro', tendo infringido a regra do equilíbrio orçamental nos governos de Gerhard Schröder (SPD, oposição à CDU de Kohl e Angela Merkel, actual chanceler) e no primeiro ano do executivo de Merkel, com défices de 3,7% (2002), 4% (2003), 3,8% (2004) e 3,3% (2005 e mais tarde, em 2010).
Também ao nível da dívida soberana a Alemanha violou as regras que ela própria impôs aos outros países, em 1998 e 1999 e posteriormente a partir de 2002, ainda com o governo de Schröeder. Quando Merkel chegou ao poder, a dívida do estado estava em 68% e disparou depois para os 83,2% em 2010, o primeiro ano em que a Espanha, agora olhada como 'mau aluno', passou a fatia dos 60%, por apenas uma décima, escreve o El Mundo.
"Comigo a Alemanha não teria violado o PEC. (...) Comigo como chanceler a Alemanha não teria aprovado a entrada, na zona euro, da Grécia, na sua situação concreta, pois qualquer um que olhasse com atenção poderia tê-la visto", afirmou Kohl em entrevista à revista Internationale Politik. "Estas duas decisões são para mim as causas fundamentais dos erros que agora devemos lamentar", concluiu o político que liderou a Alemanha entre 1982 e 1998 e foi o artífice da reunificação com a Alemanha de Leste.
Apesar de as críticas de Kohl se dirigirem essencialmente aos mandatos de Schröeder, o antigo chanceler também arrasou a incapacidade política de Merkel, durante anos vista como delfim de Kohl: "A Alemanha já desde alguns anos que é um grande [país] não previsível, nem no seu interior nem para o seu exterior."
Merkel evitou entrar em polémica com o seu antecessor, dizendo que "os méritos de Helmut Kohl como chanceler da unificação e da UE não são suficientemente valorizados", mas tentou explicar as diferenças entre os dois: "Cada tempo tem os seus desafios específicos. O governo democrata cristão e liberal trabalha na resolução de desafios do nosso tempo com os seus parceiros na Europa no mundo", disse, ao jornal Süddeutsche Zeitung.
http://www.dn.pt/
O PEC foi criado em 1997 por imposição da Alemanha, para entrar no euro e desistir da sua moeda, o marco, e obrigava a que os países membros não ultrapassassem os 3% de défice orçamental e uma dívida soberana correspondente a 60% do produto interno bruto (PIB).
Entre 1997 e 2009, ano da recessão económica causada pela crise financeira do 'subprime', o défice médio dos países da zona euro ficou abaixo dos 3%. Mas, entre os governos que violaram o PEC não estava só Portugal: a Alemanha também fazia parte do grupo 'negro', tendo infringido a regra do equilíbrio orçamental nos governos de Gerhard Schröder (SPD, oposição à CDU de Kohl e Angela Merkel, actual chanceler) e no primeiro ano do executivo de Merkel, com défices de 3,7% (2002), 4% (2003), 3,8% (2004) e 3,3% (2005 e mais tarde, em 2010).
Também ao nível da dívida soberana a Alemanha violou as regras que ela própria impôs aos outros países, em 1998 e 1999 e posteriormente a partir de 2002, ainda com o governo de Schröeder. Quando Merkel chegou ao poder, a dívida do estado estava em 68% e disparou depois para os 83,2% em 2010, o primeiro ano em que a Espanha, agora olhada como 'mau aluno', passou a fatia dos 60%, por apenas uma décima, escreve o El Mundo.
"Comigo a Alemanha não teria violado o PEC. (...) Comigo como chanceler a Alemanha não teria aprovado a entrada, na zona euro, da Grécia, na sua situação concreta, pois qualquer um que olhasse com atenção poderia tê-la visto", afirmou Kohl em entrevista à revista Internationale Politik. "Estas duas decisões são para mim as causas fundamentais dos erros que agora devemos lamentar", concluiu o político que liderou a Alemanha entre 1982 e 1998 e foi o artífice da reunificação com a Alemanha de Leste.
Apesar de as críticas de Kohl se dirigirem essencialmente aos mandatos de Schröeder, o antigo chanceler também arrasou a incapacidade política de Merkel, durante anos vista como delfim de Kohl: "A Alemanha já desde alguns anos que é um grande [país] não previsível, nem no seu interior nem para o seu exterior."
Merkel evitou entrar em polémica com o seu antecessor, dizendo que "os méritos de Helmut Kohl como chanceler da unificação e da UE não são suficientemente valorizados", mas tentou explicar as diferenças entre os dois: "Cada tempo tem os seus desafios específicos. O governo democrata cristão e liberal trabalha na resolução de desafios do nosso tempo com os seus parceiros na Europa no mundo", disse, ao jornal Süddeutsche Zeitung.
http://www.dn.pt/
Chegou a hora de o nosso governo ser sério
Warren Buffett pede aos políticos para pararem de "mimar" os ricos
Warren Buffett, o terceiro homem mais rico do mundo segundo a revista Forbes, pediu hoje aos políticos para deixarem de "mimar" os ricos com isenções fiscais, aumentando os impostos sobre milionários como ele próprio.
"Enquanto os pobres e a classe média lutam por nós no Afeganistão e a maioria dos norte-mericanos lutam para fazer face às suas despesas, continuamos com as nossas extraordinárias isenções fiscais", afirmou Buffett num artigo publicado hoje no New York Times, intitulado "Parem de mimar os super ricos".
O presidente da Berkshire Hathaway disse que, no longo debate no Congresso norte-americano sobre o aumento do limite da dívida pública, os líderes políticos pediram um "sacrifício partilhado" que, no entanto, as classes superiores não terão de assumir.
Para desbloquear as negociações e evitar que os Estados Unidos entrassem em falência a 2 de agosto, o Partido Democrata e o presidente Barack Obama cederam à pressão dos Republicanos e renunciaram a aumentar os impostos sobre os rendimentos mais altos e as empresas mais lucrativas.
"Alguns de nós somos gestores de fundos de investimento e ganhamos milhões de dólares por dia, mas é-nos permitido classificar os ganhos como rendimentos de juros", que são taxados com apenas 15 por cento, afirmou Buffett.
Com "bênçãos" como estas, o bilionário admite que no ano passado declarou de em rendimentos mais de 6,9 milhões de dólares (cerca de 4,8 milhões de euros ao câmbio actual), o que implica uma tributação de 17,4 por cento, enquanto os trabalhadores foram tributados numa média de 36 por cento.
Buffett, também chamado "Oráculo de Omaha" pelas suas previsões certeiras, considera que esta situação é uma injustiça nos Estados Unidos, onde 80 por cento das receitas vêm de impostos sobre os salários dos trabalhadores.
Buffett refere que os seus amigos bilionário são "em geral pessoas muito decentes” pelo que "muitos não se importariam de pagar mais impostos, particularmente quando muitos de seus compatriotas estão a sofrer".
Para corrigir esta situação, propõe aumentar o imposto sobre os rendimentos superiores a um milhão de dólares, "incluindo dividendos e ganhos de capital", e impostos ainda mais altos para aqueles que ganhem mais de dez milhões de dólares.
"Os meus amigos e eu termos sido mimados por um Congresso bastante amigável para os ricos. Chegou a hora de o nosso governo ser sério sobre a partilha dos sacrifícios", acrescenta Buffett.
por Agência Lusa,
Publicado no "i" a 15 de Agosto de 2011
Warren Buffett, o terceiro homem mais rico do mundo segundo a revista Forbes, pediu hoje aos políticos para deixarem de "mimar" os ricos com isenções fiscais, aumentando os impostos sobre milionários como ele próprio.
"Enquanto os pobres e a classe média lutam por nós no Afeganistão e a maioria dos norte-mericanos lutam para fazer face às suas despesas, continuamos com as nossas extraordinárias isenções fiscais", afirmou Buffett num artigo publicado hoje no New York Times, intitulado "Parem de mimar os super ricos".
O presidente da Berkshire Hathaway disse que, no longo debate no Congresso norte-americano sobre o aumento do limite da dívida pública, os líderes políticos pediram um "sacrifício partilhado" que, no entanto, as classes superiores não terão de assumir.
Para desbloquear as negociações e evitar que os Estados Unidos entrassem em falência a 2 de agosto, o Partido Democrata e o presidente Barack Obama cederam à pressão dos Republicanos e renunciaram a aumentar os impostos sobre os rendimentos mais altos e as empresas mais lucrativas.
"Alguns de nós somos gestores de fundos de investimento e ganhamos milhões de dólares por dia, mas é-nos permitido classificar os ganhos como rendimentos de juros", que são taxados com apenas 15 por cento, afirmou Buffett.
Com "bênçãos" como estas, o bilionário admite que no ano passado declarou de em rendimentos mais de 6,9 milhões de dólares (cerca de 4,8 milhões de euros ao câmbio actual), o que implica uma tributação de 17,4 por cento, enquanto os trabalhadores foram tributados numa média de 36 por cento.
Buffett, também chamado "Oráculo de Omaha" pelas suas previsões certeiras, considera que esta situação é uma injustiça nos Estados Unidos, onde 80 por cento das receitas vêm de impostos sobre os salários dos trabalhadores.
Buffett refere que os seus amigos bilionário são "em geral pessoas muito decentes” pelo que "muitos não se importariam de pagar mais impostos, particularmente quando muitos de seus compatriotas estão a sofrer".
Para corrigir esta situação, propõe aumentar o imposto sobre os rendimentos superiores a um milhão de dólares, "incluindo dividendos e ganhos de capital", e impostos ainda mais altos para aqueles que ganhem mais de dez milhões de dólares.
"Os meus amigos e eu termos sido mimados por um Congresso bastante amigável para os ricos. Chegou a hora de o nosso governo ser sério sobre a partilha dos sacrifícios", acrescenta Buffett.
por Agência Lusa,
Publicado no "i" a 15 de Agosto de 2011
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
New York Times: “uma reunião sem precedentes”
Imprensa concorda: viagem do Papa foi “festa de fé”
Jornais espanhóis e estrangeiros mudam opinião inicial
Entre os jornais espanhóis que mais criticaram, em dias passados, a visita de Bento XVI à Espanha, encontra-se El País. Mas, nesta segunda-feira, o mesmo jornal publicou um editorial no qual qualificava a terceira visita do Pontífice a esta nação como “um êxito de participação, como poucas vezes pôde ser visto”.
O veículo de comunicação espanhol ratifica suas diferenças com as posições da Igreja em questões morais, mas reconhece que Bento XVI realizou uma autêntica “visita pastoral”.
E se este é o balanço de um dos jornais mais críticos com a Igreja na Espanha, a grande maioria sublinhou não somente a participação massiva (os jornais mais tímidos falam de 1,5 milhão de pessoas, enquanto outros registram 2 milhões), mas sobretudo a qualidade, descrita em geral com a fórmula “festa de fé”.
El Mundo, outro dos jornais de maior tiragem, começou o artigo de balanço final, assinado por José Manuel Vidal, com estas palavras: “Uma viagem redonda, um êxito sem paliativos o de Bento XVI e do cardeal Rouco na JMJ de Madri 2011”.
Andrea Tornielli, correspondente de La Stampa de Turim, lamenta, no Vatican Insider que, durante dias, os jornais tenham dado mais espaço aos “dois mil indignados” que protestaram contra a visita papal que aos dois milhões de participantes do evento.
Andrew Brown, de The Guardian, publicou um artigo, em 18 de agosto, no qual reconhecia que, “se eu fosse católico, estaria bastante irritado com a BBC”, que dedicou seus serviços aos protestos de poucas pessoas, sem nem sequer falar da JMJ.
Um título do site do histórico jornal espanhol ABC sintetiza o evento presidido pelo Papa em Cuatro Vientos: “Dois milhões de orações”. Por outro lado, La Razón se refere a este encontro com a manchete “Apóstolos para o século 21”.
Giovani Maria Vian, diretor do jornal vaticano L'Osservatore Romano, vê aspectos semelhantes entre esta visita e a viagem que Bento XVI realizou ao Reino Unido (16-19 de setembro de 2010).
Aquela peregrinação também foi “precedida por uma série de artigos prejudiciais e negativos, que depois deram lugar a um consenso quase unânime – e é um mérito indiscutível de muitos meios informativos britânicos o fato de terem sabido mudar de opinião –, ao sublinhar a transparente humildade do Papa e sua capacidade gentil para dirigir-se a todos, dando-se a entender não somente aos fiéis católicos”.
Surpresa internacional
O dia que arrancou mais manchetes da imprensa internacional foi a acidentada vigília em Cuatro Vientos, que até aquele momento havia dado espaço às manifestações de cunho laicista convocadas em Madrid, frente aos atos multitudinários realizados em toda a cidade.
“Não poderia ter sido melhor”, afirmava um comentarista da RAI; o Papa foi “aclamado por um oceano de peregrinos”, segundo Le Monde. O New York Times admitia que se tratava de “uma reunião sem precedentes”, que ia “muito além de Sydney”. El Universal afirmava que o Papa havia “superado os prognósticos”.
Entre os cerca de 4.700 profissionais do mundo da informação, como refere Inma Álvarez, a editora-chefe de ZENIT que coordenou a cobertura desta visita, “acho que é preciso destacar que o mais lhes chamou a atenção foi a atitude dos jovens”.
“Não somente diante das dificuldades da chuva e do sol, mas também diante das manifestações contrárias. Os informadores ficaram impactados pela festa que havia nas ruas, pelo civismo e pela correção, pela ausência de incidentes e pela atitude positiva daqueles que não puderam entrar em Cuatro Vientos pela falta de espaço”, acrescenta.
Giovanni Maria Vian termina considerando que esta JMJ foram “um êxito reconhecido pelos meios de comunicação, sobretudo espanhóis”.
“Por mérito dos protagonistas, sobretudo, isto é, de Bento XVI e da sua juventude, depois naturalmente dos organizadores, e last but not least, da Espanha: do rei Juan Carlos, com a família real, do governo e das diferentes autoridades”, conclui o diretor do L'Osservatore Romano.
Jesús Colina
23 de agosto de 2011 (ZENIT.org)
Jornais espanhóis e estrangeiros mudam opinião inicial
Entre os jornais espanhóis que mais criticaram, em dias passados, a visita de Bento XVI à Espanha, encontra-se El País. Mas, nesta segunda-feira, o mesmo jornal publicou um editorial no qual qualificava a terceira visita do Pontífice a esta nação como “um êxito de participação, como poucas vezes pôde ser visto”.
O veículo de comunicação espanhol ratifica suas diferenças com as posições da Igreja em questões morais, mas reconhece que Bento XVI realizou uma autêntica “visita pastoral”.
E se este é o balanço de um dos jornais mais críticos com a Igreja na Espanha, a grande maioria sublinhou não somente a participação massiva (os jornais mais tímidos falam de 1,5 milhão de pessoas, enquanto outros registram 2 milhões), mas sobretudo a qualidade, descrita em geral com a fórmula “festa de fé”.
El Mundo, outro dos jornais de maior tiragem, começou o artigo de balanço final, assinado por José Manuel Vidal, com estas palavras: “Uma viagem redonda, um êxito sem paliativos o de Bento XVI e do cardeal Rouco na JMJ de Madri 2011”.
Andrea Tornielli, correspondente de La Stampa de Turim, lamenta, no Vatican Insider que, durante dias, os jornais tenham dado mais espaço aos “dois mil indignados” que protestaram contra a visita papal que aos dois milhões de participantes do evento.
Andrew Brown, de The Guardian, publicou um artigo, em 18 de agosto, no qual reconhecia que, “se eu fosse católico, estaria bastante irritado com a BBC”, que dedicou seus serviços aos protestos de poucas pessoas, sem nem sequer falar da JMJ.
Um título do site do histórico jornal espanhol ABC sintetiza o evento presidido pelo Papa em Cuatro Vientos: “Dois milhões de orações”. Por outro lado, La Razón se refere a este encontro com a manchete “Apóstolos para o século 21”.
Giovani Maria Vian, diretor do jornal vaticano L'Osservatore Romano, vê aspectos semelhantes entre esta visita e a viagem que Bento XVI realizou ao Reino Unido (16-19 de setembro de 2010).
Aquela peregrinação também foi “precedida por uma série de artigos prejudiciais e negativos, que depois deram lugar a um consenso quase unânime – e é um mérito indiscutível de muitos meios informativos britânicos o fato de terem sabido mudar de opinião –, ao sublinhar a transparente humildade do Papa e sua capacidade gentil para dirigir-se a todos, dando-se a entender não somente aos fiéis católicos”.
Surpresa internacional
O dia que arrancou mais manchetes da imprensa internacional foi a acidentada vigília em Cuatro Vientos, que até aquele momento havia dado espaço às manifestações de cunho laicista convocadas em Madrid, frente aos atos multitudinários realizados em toda a cidade.
“Não poderia ter sido melhor”, afirmava um comentarista da RAI; o Papa foi “aclamado por um oceano de peregrinos”, segundo Le Monde. O New York Times admitia que se tratava de “uma reunião sem precedentes”, que ia “muito além de Sydney”. El Universal afirmava que o Papa havia “superado os prognósticos”.
Entre os cerca de 4.700 profissionais do mundo da informação, como refere Inma Álvarez, a editora-chefe de ZENIT que coordenou a cobertura desta visita, “acho que é preciso destacar que o mais lhes chamou a atenção foi a atitude dos jovens”.
“Não somente diante das dificuldades da chuva e do sol, mas também diante das manifestações contrárias. Os informadores ficaram impactados pela festa que havia nas ruas, pelo civismo e pela correção, pela ausência de incidentes e pela atitude positiva daqueles que não puderam entrar em Cuatro Vientos pela falta de espaço”, acrescenta.
Giovanni Maria Vian termina considerando que esta JMJ foram “um êxito reconhecido pelos meios de comunicação, sobretudo espanhóis”.
“Por mérito dos protagonistas, sobretudo, isto é, de Bento XVI e da sua juventude, depois naturalmente dos organizadores, e last but not least, da Espanha: do rei Juan Carlos, com a família real, do governo e das diferentes autoridades”, conclui o diretor do L'Osservatore Romano.
Jesús Colina
23 de agosto de 2011 (ZENIT.org)
terça-feira, 23 de agosto de 2011
Carlos Moedas: “O ponto não são os eurobonds”
O secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro, Carlos Moedas, referiu hoje que o debate em curso na Europa sobre os eurobonds “é muito difícil” e que o governo não pode “tomar uma decisão prematura em relação a este ponto”.
Apesar de dizer que Portugal ainda não tem uma “posição oficial” em relação a esta matéria, Carlos Moedas afirma que “o ponto não são os eurobonds mas que mecanismos temos na Europa para que se possam tomar decisões mais rápidas para que os mercados reconheçam e em conjunto possamos sair da crise”.
O secretário de Estado está neste momento a ser ouvido na comissão eventual para o acompanhamento das medidas do programa de assistência financeira a Portugal, na Assembleia da República.
http://www.ionline.pt/c
Apesar de dizer que Portugal ainda não tem uma “posição oficial” em relação a esta matéria, Carlos Moedas afirma que “o ponto não são os eurobonds mas que mecanismos temos na Europa para que se possam tomar decisões mais rápidas para que os mercados reconheçam e em conjunto possamos sair da crise”.
O secretário de Estado está neste momento a ser ouvido na comissão eventual para o acompanhamento das medidas do programa de assistência financeira a Portugal, na Assembleia da República.
http://www.ionline.pt/c
Carlos Moedas: “Vamos ter um mês de Setembro muito complicado”
O secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro avisou hoje que Portugal está no bom caminho mas ainda tem “muito trabalho pela frente”.
“Vamos ter um mês de Setembro muito complicado”, alertou Carlos Moedas, referindo que até Setembro o governo deverá pôr em prática “75 medidas” nas quais está a trabalhar desde Junho. Entre Junho e Julho já foram postas em prática 22 dessas medidas, adiantou Moedas.
“Como pessoa não posso garantir que não vou falhar mas a equipa vai fazer tudo e é uma equipa com técnicos do melhor que há e estão a fazer tudo que é pedido pela Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional”, referiu o secretário de Estado.
Na Assembleia da República, Carlos Moedas garantiu o empenhamento do governo no cumprimento do acordo com a troika: “Não vamos dar azo a que se levante qualquer dúvida sobre o nosso empenhamento”.
O secretário de Estado está a ser ouvido na comissão eventual para o acompanhamento das medidas do programa de assistência financeira a Portugal.
por Sónia Cerdeira,
Publicado no "i" a 23 de Agosto de 2011
“Vamos ter um mês de Setembro muito complicado”, alertou Carlos Moedas, referindo que até Setembro o governo deverá pôr em prática “75 medidas” nas quais está a trabalhar desde Junho. Entre Junho e Julho já foram postas em prática 22 dessas medidas, adiantou Moedas.
“Como pessoa não posso garantir que não vou falhar mas a equipa vai fazer tudo e é uma equipa com técnicos do melhor que há e estão a fazer tudo que é pedido pela Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional”, referiu o secretário de Estado.
Na Assembleia da República, Carlos Moedas garantiu o empenhamento do governo no cumprimento do acordo com a troika: “Não vamos dar azo a que se levante qualquer dúvida sobre o nosso empenhamento”.
O secretário de Estado está a ser ouvido na comissão eventual para o acompanhamento das medidas do programa de assistência financeira a Portugal.
por Sónia Cerdeira,
Publicado no "i" a 23 de Agosto de 2011
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