quinta-feira, 14 de julho de 2011

Percebi que não era de Esquerda

(Nota: todos os factos relatados no presente remontam a maio de 2005)

Aos 53 anos, Maria José Nogueira Pinto foi reconduzida à frente da Santa Casa, um império com 500 anos, que factura, anualmente, 24% das receitas dos jogos sociais e possui mais de 1 300 prédios urbanos e mais de 1 200 hectares de prédios rústicos.

Figura de relevo da Direita, é militante do CDS-PP, dirigiu a Maternidade Alfredo da Costa e foi subsecretária de Estado da Cultura mas também viveu num campo de refugiados, na África do Sul, de onde fugiu com o marido, depois de se ter feito passar por doente...

VISÃO: "A Thatcher, ao lado dela, é de chocolate", disse, num depoimento à VISÃO, há sete anos, a sua irmã Maria João Avillez. Assenta-lhe bem, esta definição?

MARIA JOSÉ NOGUEIRA PINTO: Sou uma pessoa determinada e gosto de autoridade.

Já era assim "mandona", em pequenina, em família e com as suas irmãs?

Nasci numa família com muitas mulheres. Além das minhas duas irmãs e da minha mãe, havia a minha tia, a minha avó (uma mulher com uma fé muito grande em Deus, que vivia o Evangelho até às últimas consequências) e o meu pai. Era um microcosmos onde a mulher nunca esteve num plano de desigualdade. O clima sempre foi, todo ele, no sentido de estimular estas personalidades fortes.

São as mulheres que mandam no casarão do Campo Grande, onde reside, com a sua família?

Exactamente, embora a figura masculina seja muito respeitada nisso somos muito conservadoras. Hoje, ainda assistimos a essa discussão caricata sobre se as mulheres têm importância intelectual...

Ainda se assiste?

Sim, veja o debate sobre as quotas, o acesso das mulheres aos centros de decisão, as mulheres nos partidos políticos. Nada disso fez parte da minha formação as mulheres eram preponderantes, no sentido de preservarem a sua personalidade, as suas escolhas profissionais. Por exemplo, lembro-me de a minha tia ir vender cortiça para a Uniao Soviética e sapatos para os Estados Unidos. A minha bisavó, que já não conheci, teve o primeiro side-car que existiu em Lisboa! Sendo eu uma mulher de Direita e de uma família conservadora, tive essa parte toda que normalmente, por cliché, não se associa à Direita: muita fantasia, muita imaginação, um sentido muito lúdico da vida, muita discussão.

Quando foi construída, aquela casa?

É anterior ao terramoto. Foi uma casa que nos deu muito sentido estético e ético. As coisas não estão lá por acaso, estão lá porque cada geração lutou para as manter. Esta ideia de que somos elos de uma cadeia, talvez seja a coisa mais interessante de uma família antiga.


quarta-feira, 13 de julho de 2011

O PS Pós-Sócrates

Já várias pessoas notaram que a campanha para a liderança do PS está muito mortiça. O desinteresse dos media e do público é talvez compreensível, tendo em conta a ressaca universal pós-Sócrates, mas nem os socialistas se mostram muito entusiasmados com a escolha do herdeiro. Pacheco Pereira, que tende a intelectualizar as coisas, culpa a desertificação a que o ex-PM votou o partido pela indigência do debate interno. Eu, que sou um cínico, acho que o problema é outro: toda a gente vê o próximo secretário-geral do PS como um líder de transição. Mal ou bem, há a percepção geral de que a coligação de direita está para durar e que, portanto, o PS vai fazer nos próximos tempos a sua travessia do deserto seja quem for o camelo que o leva às costas (sem ofensa).

É pena, porque as democracias só funcionam realmente bem quando a oposição representa uma alternativa ao Governo. Isto, que constitui uma evidência de la Palisse, ainda é mais evidente e mais lapalissiano em tempos de crise. Um PS em estado comatoso nos próximos anos não é uma boa notícia para ninguém. Não é para o Governo, que precisa mais do que nunca de um interlocutor válido no Parlamento, e não é para o país, que precisa mais do que nunca de quem fiscalize o Governo. A bem de todos, esperemos que haja vida depois de Sócrates.


por Pedro Picoito
http://cachimbodemagritte.com/

Dica sobre o momento político americano

"The fact that we are here today to debate raising America’s debt limit is a sign of leadership failure. It is a sign that the U.S. Government can’t pay its own bills. It is a sign that we now depend on ongoing financial assistance from foreign countries to finance our Government’s reckless fiscal policies."

Retirado do discurso do Senador Barack Obama em 2006,
antes de votar contra o aumento do limite do endividamento.

in http://cachimbodemagritte.com/

Sudão do Sul

Sudão do Sul: finalmente independente

Primeiro país em reconhecer a nova nação foi o próprio Sudão

ROMA, terça-feira, 12 de julho de 2011 (ZENIT.org) – Em uma atmosfera quase de estádio de futebol – com gente até tocando vuvuzelas –, o Sudão do Sul viveu, no último dia 9, o tão esperado dia da sua independência do Sudão, tornando-se oficialmente o 54º país do continente africano e o 193º do mundo.

Na solene cerimônia, realizada na capital Juba, no mausoléu do líder independentista John Garang, que morreu em um acidente de helicóptero em julho de 2005, participaram dezenas de milhares de pessoas, formando, segundo a Neue Zürcher Zeitung (9 de julho), a mais numerosa concentração humana jamais vista na cidade situada às margens do Nilo Branco.

A celebração começou com as orações lidas por dois líderes religiosos, um muçulmano e outro cristão, Dom Paulino Luduku Loro. “Que Deus dê alegria a todo o nosso povo”, rezou o arcebispo católico de Juba, que quis recordar todos os que “nos expressaram sua solidariedade durante os longos anos de guerra” e pediu, além disso, um “novo entendimento” entre o Norte e o Sul (Agence France-Presse, 9 de julho).

O cume do evento chegou quando se recolheu a bandeira sudanesa e se içou a da República do Sudão do Sul, que, depois de Eritreia (1993), é a segunda nação africana nascida de uma secessão. A independência de Juba foi precedida por uma longa e sanguinária guerra civil entre o Norte muçulmano e o Sul animista e cristão que, explodindo em 1955, durou (com uma pausa de 1972 a 1983) até a assinatura do Acordo Geral de Paz (CPA), que se realizou em 9 de janeiro de 2005, na capital do Quênia, Nairóbi, entre o presidente sudanês, Omar Hassan al-Bashir, e os rebeldes do Movimento/Exército Popular para a Libertação do Sudão (SPLA/M) de Garang.

Calcula-se que a segunda fase da guerra civil – a mais cruenta – causou quase 2 milhões de vítimas e mais de 4 milhões de deslocados. “Nossos mártires não morreram em vão”, destacou o presidente do Sudão do Sul, Salva Kiir Mayardit, dirigindo-se à multidão (BBC, 9 de julho). “Esperamos mais de 56 anos até este dia. É um dia que ficará gravado em nossos corações e em nossas mentes”, continuou o ex-chefe rebelde, que usava seu já característico chapéu preto de cowboy.


"Crise é consequência da perda da dignidade humana"

"Resposta à crise econômica: “Humanae Vitae” e “Populorum progressio”

"ROMA, terça-feira, 12 de julho de 2011 (ZENIT.org) – Na origem da crise econômica mundial, existe uma evolução negativa sobre a concepção da dignidade do homem: do homem centro da criação progressivamente se passou ao homem produtor, consumidor, ao câncer da sociedade, homem inútil e custoso, como os idosos.

"Esta é uma das reflexões que surgiram sobre o tema “Consequência da crise econômica”, no evento realizado no último dia 6 de julho, na embaixada da Itália junto à Santa Sé.

"Intervieram o professor Gotti Tedeschi, presidente do IOR (Instituto das Obras de Religião); o vice-presidente da Câmara dos Deputados da Itália, Maurizio Lupi; o administrador na Itália do Santander Private Banking, Stefano Boccadoro; e o embaixador da Italia na Santa Sé, Francesco Maria Greco.

"O presidente do IOR sugeriu o que se pode ler nas entrelinhas da encíclica Caritas in Veritate. “Bento XVI nos diz que não temos que colocar a culpa nos instrumentos quando na verdade somos nós que os usamos mal. Não são os instrumentos que devem mudar, mas o homem. A medicina, a economia etc., são instrumentos; o que os torna mais ou menos éticos é como o homem os usa.”

"O bancário italiano indicou que, na introdução da encíclica, o Papa explica que a origem da crise está no niilismo dominante e na perda progressiva dos valores, e em não ter levado em consideração duas encíclicas anteriores.

"Em outras palavras, “na origem desta crise está o fato de não ter respeitado inteiramente a vida e a dignidade do homem (a Humanae Vitae) e o tipo de progresso que o homem deve seguir, um progresso ideal (a Populorum Progressio)”.

"Gotti Tedeschi considerou que a crise nasce da paulatina perda de consciência da dignidade da pessoa humana, o que, no final das contas, se reduz a um problema: “se o homem é filho de Deus ou se é a evolução de uma bactéria. E se o fim justifica os meios e, por conseguinte, a vida não tem sentido. A diferença está em que, na visão laicista, a vida não tem um sentido sobrenatural”.

"Por outro lado, centrando-se diretamente no âmbito econômico, o vice-presidente da Câmara dos Deputados da Itália, Maurizio Lupi, afirmou que é necessário fugir do pensamento “mais regras, mais estado e menos mercado”.

"“Esta é uma tentação que não pode ser considerada, especialmente se entendemos que é a pessoa quem é capaz de sair da crise. O problema não é colocar mais regras, mas solicitar o melhor da pessoa.”

"Ele considerou, além disso, que existe um desafio educativo. Não se trata somente de leis ou de ajudas econômicas, mas de ter uma concepção própria da pessoa, da família e da empresa, elementos que dão vida ao próprio fundamento da ação."

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Daqui: HenriCartoon

terça-feira, 12 de julho de 2011

Nova Campanha de Marketing da Cerveja Cintra

Se Sousa Cintra tem impulsionado uma campanha de marketing deste género em Portugal, às tantas não tinha passado por um processo de insolvência...

Hospitais devem retirar objectos alusivos à infância

Segundo o Diário de Noticias, o IGAS (inspecção geral das actividades em saúde), recomendou que todos os consultórios médicos em hospitais públicos onde são realizadas consultas de IVG (interrupção voluntária da gravidez) ou de acompanhamento psicológico e social das intervenientes, devem remover todos os objectos visíveis nestes consultórios que interfiram com a escolha das mulheres. Especificamente estes consultórios não poderão ter quaisquer objectos relativos à infância ou de cariz religioso. 

Eu pergunto, relativamente a esta questão. Vão também tomar medidas semelhantes em consultórios que atendam, por exemplo, mulheres que têm cancro de peito e vão remover um peito? Por exemplo, proibir que sejam atendidas por médicas e enfermeiras com trajes ousados ou atributos que interfiram com a escolha da paciente?

Eu pergunto ainda, relativamente a esta questão. Os consultórios que o IGAS verificou apenas fazem consultas de IVG? Se não, e então os direitos das outras pessoas. Os direitos de quem sofre de cancro e utiliza os mesmo consultórios de apoio psicológico e social e que acredita e tem fé? E daquelas mulheres que não podem ter filhos, que são acompanhadas nestes consultórios em preparação para IA (inseminação artificial)? A estas pessoas, a privação da presença de objectos alusivos à infância ou de cariz religioso não tem efeitos contrários aos das mulheres que recorrem à IVG? Então porque é que os direitos de umas são mais importantes do que de outras?

Eu pergunto ainda, relativamente a esta questão. Vão também proibir e fechar igrejas e lojas de artigos infantis nas proximidades destes locais? Vão obrigar a médica ou a enfermeira a esconder a cruz que têm no fio ao pescoço? Não poderão ter estes profissionais, fotos visíveis dos seus filhos, por exemplo nos telemóveis ou smartphones?  O que vão proibir a seguir. A presença de mulheres grávidas ou de crianças nas instalações destes hospitais, por exemplo na sala de espera das consultas que tantas vezes são comuns ou adjacentes.

Isto não tem outro nome senão sectarismo ideológico. É um assunto da moda e não importa atropelar os direitos dos outros para extrapolar a importância deste método anticoncepcional.

Já agora só mais uma pergunta. Para quando o pagamento de taxas moderadoras respectivas a quem recorre à IVG. Pelo menos, às quem o fazem por mais do que uma vez! Isto não recomenda o IGAS. Talvez não faça parte das suas (in)competências.

Fonte: Diário de Noticias

A Europa e Portugal ficaram mais pobres

Público 2011-07-11
Otto von Habsburg simbolizava um mundo liberal e democrático, conservador e aristocrático, a que a I Guerra pôs termo

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"Otto von Habsburg morreu na passada segunda-feira, com 98 anos. Não muito conhecido entre nós, foi, no entanto, uma figura de referência na Europa. Simbolizava um mundo liberal e democrático, conservador e aristocrático, a que a I Guerra pôs termo, com a parcial excepção da Inglaterra e dos povos de língua inglesa. Mas ele insistiu em manter-se fiel a essa nobre tradição, desafiando os populismos revolucionários da direita e da esquerda.

"Otto era o príncipe-herdeiro do Império Austro-Húngaro, filho do imperador Carlos I e da imperatriz Zita de Bourbon-Parma. Mas o império desagregou-se com a I Guerra e a nova república austríaca, muito zelosa dos seus imaginários pergaminhos igualitários, baniu os Habsburgos dos seus títulos nobiliárquicos. A família exilou-se na Madeira, onde o antigo imperador morreu em 1922.

"Otto permaneceu toda a vida católico, liberal, democrata e europeísta, além de atlantista. Admirava a monarquia constitucional inglesa e a tradição gradualista dos povos de língua inglesa, incluindo a República americana. Mas, se foi possível importar para o continente europeu os princípios constitucionais da língua inglesa, não foi possível replicar no continente o sentido de humor, o horror ao fanatismo e o espírito de compromisso e moderação dos ingleses. A Europa do século XX caiu vítima de líderes ordinários de sinal contrário: Hitler e Mussolini de um lado, Lenine e Staline do outro, competiram entre si na manipulação de massas ululantes, de braço estendido ou de punho erguido, com trajes de mau gosto.

"Otto denunciou com horror os dois totalitarismos de sinal contrário. Recusou-se a cumprimentar Hitler na sua Áustria natal - que em breve iria acolher de bandeja a anexação pelo cabo Hitler. Otto foi condenado à morte pelo III Reich e exilou-se em França, de onde escapou das tropas germânicas para novo exílio nos EUA.

"Após a II Guerra, Otto regressou à Europa e, com Winston Churchill, encabeçou os movimentos favoráveis à reunificação europeia e à reconciliação franco-alemã. Presidiu à União Pan-Europeia, entre 1973 e 2004, e foi deputado ao Parlamento europeu, pelo partido social-cristão da Baviera, entre 1979 e 1999. Em 1960, aderira à Mont-Pélerin Society, um clube euro-americano de liberais, fundado em 1946 por Friedrich A. Hayek e Karl Popper, entre outros.

"Tive o privilégio de o conhecer, ainda que fugazmente, quando discursou na Universidade Católica em Lisboa, em 2005, a convite do reitor, Manuel Braga da Cruz. Foi uma intervenção memorável, em defesa da liberdade, da democracia, da dimensão cristã da civilização europeia, e da nova União Europeia alargada aos países da Europa central e oriental.

"Otto von Habsburg era um dos últimos grandes representantes de uma nobre tradição liberal e aristocrática europeia, de que Winston Churchill foi líder no século XX. Ambos aceitavam - e defenderam com vigor - a democracia moderna, sem contudo se renderem às modas igualitárias e às vulgaridades ideológicas. Conta-se que um dia, em Bruxelas, quando alguém lhe disse que ia assistir a um jogo de futebol, Otto terá perguntado "entre quem?". "A Áustria e a Hungria", foi a resposta. Ao que ele terá ripostado: "Contra quem?"

"A notícia da morte de Otto von Habsburg colheu-nos na mesma semana em que duas personalidades marcantes nacionais faleceram prematuramente: Maria José Avillez Nogueira Pinto e Diogo Vasconcelos.

"Conheci mais de perto o Diogo, que foi meu aluno num dos primeiros programas de mestrado do IEP-UCP, em 1997-98. Era um jovem brilhante, cheio de energia e espírito empreendedor, com uma larga visão e uma grande ambição para Portugal.

"Conheci Maria José sobretudo através do marido, Jaime Nogueira Pinto, e de sua filha Teresa, que também foi aluna do IEP. Mas todos conhecíamos a sua personalidade pública, afirmativa e inspiradora, de uma grande senhora.(...)"

A promiscuidade tira a vontade

"O que é a experiência?

"Nada. É o número dos donos que se teve. Cada amante é uma coronhada. São mais mil no conta-quilómetros. A experiência é uma coisa que amarga e atrapalha. Não é um motivo de orgulho. É uma coisa que se desculpa. A experiência é um erro repetido e re-repetido até à exaustão. Se é difícil amar um enganador, mais difícil ainda é amar um enganado.

"Desengane-se de vez a rapaziada. Nenhuma mulher gosta de um homem «experiente». O número de amantes anteriores é uma coisa que faz um bocadinho de nojo e um bocadinho de ciúme. O pudor que se exige às mulheres não é um conceito ultrapassado — é uma excelente ideia. Só que também se devia aplicar aos homens. O pudor valoriza. 0 sexo é uma coisa trivial. É por isso que temos de torná-lo especial. Ir para a cama com toda a gente é pouco higiénico e dispersa as energias. Os seres castos, que se reprimem e se guardam, tornam-se tigres quando se libertam. E só se libertam quando vale a pena. A castidade é que é «sexy». Nos homens como nas mulheres. A promiscuidade tira a vontade.

"Uma mulher gosta de conquistar não o homem que já todas conquistaram, saquearam e pilharam, mas aquele que ainda nenhuma conseguiu tocar. O que é erótico é a resistência, a dificuldade e a raridade. Não é a «liberdade», a facilidade e a vulgaridade. Isto parece óbvio, mas é o contrário do que se faz e do que se diz. Porque será escandaloso dizer, numa época hippificada em que a virgindade é vergonhosa e o amor é bom por ser «livre», que as mulheres querem dos homens aquilo que os homens querem das mulheres? Ser conquistador é ser conquistado. Ninguém gosta de um ser conquistado. O que é preciso conquistar é a castidade."

Miguel Esteves Cardoso,
in 'As Minhas Aventuras na República Portuguesa'

São Tomé: eleições presidenciais

No próximo domingo haverá eleições presidenciais em São Tomé e Príncipe, sendo possível que seja necessária uma segunda volta que, a confirmar-se, deverá ter lugar três semanas depois. Naturalmente, as hipóteses de sucesso não estão distribuídas de forma igual pelos dez candidatos presentes na disputa eleitoral, mas mesmo assim o resultado final é imprevisível.

Estas eleições presidenciais são cruciais para o futuro do primeiro-ministro, Patrice Trovoada. Tendo vencido as eleições legislativas em Agosto de 2010, a Acção Democrática Independente (ADI), por si liderada, foi incapaz de estabelecer um governo de coligação e acabou por formar um executivo minoritário. Ora, desde a transição para a democracia não houve um único governo - maioritário ou minoritário, de coligação ou de um só partido político - que vigorasse toda a legislatura. Em média, a partir de 1991, os governos duraram menos de dois anos, sendo evidente que existe um grave problema de instabilidade política em São Tomé e Príncipe.

Tendo em conta a natureza estrutural da instabilidade política, bem como a natureza minoritária do governo de Patrice Trovoada, não é muito arriscado vaticinar que o actual primeiro- -ministro, tal como os seus antecessores, terá muita dificuldade em manter--se no cargo durante toda a legislatura. Tudo se tornará ainda mais difícil se for eleito um novo Presidente da República oriundo, ou próximo, do Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe/Partido Social Democrata (MLSTP/PSD), o partido que mais tempo ocupou o poder político desde a transição para a democracia, derrotado em Agosto de 2010 pela ADI e actualmente a maior força política na oposição.

Isto dito, seja qual for o desfecho das eleições presidenciais, a instabilidade política vivida nas últimas duas décadas impõe que se proceda a ajustes de natureza sistémica. Trovoada defende a presidencialização do regime, uma solução que satisfazia as suas pretensões políticas. Julgo que o caminho a seguir deverá ser em sentido contrário, i.e. a parlamentarização do regime. Independentemente dos méritos de cada uma das soluções - um debate que não cabe neste espaço -, num ponto todos estarão de acordo: a estabilidade política é fundamental, uma vez que sem ela dificilmente haverá crescimento económico.

Uma última nota para registar que, no último ano, Patrice Trovoada veio três vezes a Portugal. Em nenhuma delas foi solicitada oficialmente qualquer audiência com o Presidente da República, o primeiro-ministro, ou o ministro dos Negócios Estrangeiros. As primeiras impressões confirmam-se: o distanciamento político de Trovoada - em claro contraste com o anterior primeiro-ministro e, em geral, com as lideranças anteriores do MLSTP/PSD - em relação a Portugal é indisfarçável.

Perante o reajuste a que procedeu Patrice Trovoada na relação de São Tomé com Portugal, é legítimo que o seu homólogo português, Pedro Passos Coelho, proceda de igual modo e reavalie também a relação de Lisboa com São Tomé. A seu tempo, ainda com Trovoada ou já com o seu sucessor, as relações bilaterais voltarão seguramente a conhecer um novo ciclo de cumplicidade política. Afinal, as lideranças políticas são efémeras, mas os laços históricos são duradouros.

por Paulo Gorjão,
Director do Instituto Português de Relações Internacionais e Segurança (IPRIS)
Publicado no "i" em 12 de Julho de 2011

domingo, 10 de julho de 2011

Ainda a Moody's

E agora Moody's?

Lagarde alerta para a necessidade dos EUA aumentarem nível da dívida

Em entrevista à estação norte-americana ABC, Lagarde disse esperar que os dois partidos cheguem a um compromisso até à data – 2 de Agosto – que a Casa Branca deu como limite para o Congresso aumentar o tecto máximo do endividamento dos EUA, que chegou ao seu limiar a 16 de Maio.

Apesar do impasse nas negociações, o secretário do Tesouro, Timothy Geithner, assegurou hoje que o país não deixará de cumprir os seus compromissos financeiros. “Os Estados Unidos não entrarão em default” (incumprimento da dívida), reforçou.

De acordo com o que já dissera, os Estados Unidos terão esgotado, a 2 de Agosto, os recursos que lhe têm garantido sobreviver sem ultrapassar o máximo de 14,3 biliões (milhões de milhões) de dólares de dívida atingida em Maio.

Ao afirmar que “os dirigentes do Congresso compreendem” o que está em causa, Geithner tenta pressionar a oposição republicana (em maioria na Câmara dos Representantes) para fazer aprovar o aumento desse tecto máximo – que corresponde a 93 por cento do Produto Interno Bruto previsto para este ano. Mas ainda ontem John Boehner, o republicano que preside à Câmara dos Representantes, rejeitou em comunicado chegar a acordo com a Casa Branca.

Neste quadro, Christine Lagarde alertou para as “consequências devastadoras” que uma eventual entrada dos Estados Unidos em incumprimento teria a nível mundial, dizendo mesmo que não quer imaginar sequer um cenário desses.

Fonte: Publico

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Standard & Poor's contraria Moody's e não baixa rating a Portugal



Fonte: RTP, TVI24

Aí está, pura e dura, a herança socialista! - II

Fonte: HenriCartoon

«Nada me faltará» Sl 23, 1



«Acho que descobri a política - como amor da cidade e do seu bem - em casa. Nasci numa família com convicções políticas, com sentido do amor e do serviço de Deus e da Pátria. O meu Avô, Eduardo Pinto da Cunha, adolescente, foi combatente monárquico e depois emigrado, com a família, por causa disso. O meu Pai, Luís, era um patriota que adorava a África portuguesa e aí passava as férias a visitar os filiados do LAG. A minha Mãe, Maria José, lia-nos a mim e às minhas irmãs a Mensagem de Pessoa, quando eu tinha sete anos. A minha Tia e madrinha, a Tia Mimi, quando a guerra de África começou, ofereceu-se para acompanhar pelos sítios mais recônditos de Angola, em teco-tecos, os jornalistas estrangeiros. Aprendi, desde cedo, o dever de não ignorar o que via, ouvia e lia.

«Aos dezassete anos, no primeiro ano da Faculdade, furei uma greve associativa. Fi-lo mais por rebeldia contra uma ordem imposta arbitrariamente (mesmo que alternativa) que por qualquer outra coisa. Foi por isso que conheci o Jaime e mudámos as nossas vidas, ficando sempre juntos. Fizemos desde então uma família, com os nossos filhos - o Eduardo, a Catarina, a Teresinha - e com os filhos deles. Há quase quarenta anos.

«Procurei, procurámos, sempre viver de acordo com os princípios que tinham a ver com valores ditos tradicionais - Deus e a Pátria -, mas também com a justiça e com a solidariedade em que sempre acreditei e acredito. Tenho tentado deles dar testemunho na vida política e no serviço público. Sem transigências, sem abdicações, sem meter no bolso ideias e convicções.

«Convicções que partem de uma fé profunda no amor de Cristo, que sempre nos diz - como repetiu João Paulo II - "não tenhais medo". Graças a Deus nunca tive medo. Nem das fugas, nem dos exílios, nem da perseguição, nem da incerteza. Nem da vida, nem na morte. Suportei as rodas baixas da fortuna, partilhei a humilhação da diáspora dos portugueses de África, conheci o exílio no Brasil e em Espanha. Aprendi a levar a pátria na sola dos sapatos.

«Como no salmo, o Senhor foi sempre o meu pastor e por isso nada me faltou -mesmo quando faltava tudo.

«Regressada a Portugal, concluí o meu curso e iniciei uma actividade profissional em que procurei sempre servir o Estado e a comunidade com lealdade e com coerência.

«Gostei de trabalhar no serviço público, quer em funções de aconselhamento ou assessoria quer como responsável de grandes organizações. Procurei fazer o melhor pelas instituições e pelos que nelas trabalhavam, cuidando dos que por elas eram assistidos. Nunca critérios do sectarismo político moveram ou influenciaram os meus juízos na escolha de colaboradores ou na sua avaliação.

«Combatendo ideias e políticas que considerei erradas ou nocivas para o bem comum, sempre respeitei, como pessoas, os seus defensores por convicção, os meus adversários.

«A política activa, partidária, também foi importante para mim. Vivi--a com racionalidade, mas também com emoção e até com paixão. Tentei subordiná-la a valores e crenças superiores. E seguir regras éticas também nos meios. Fui deputada, líder parlamentar e vereadora por Lisboa pelo CDS-PP, e depois eleita por duas vezes deputada independente nas listas do PSD.

«Também aqui servi o melhor que soube e pude. Bati- -me por causas cívicas, umas vitoriosas, outras derrotadas, desde a defesa da unidade do país contra regionalismos centrífugos, até à defesa da vida e dos mais fracos entre os fracos. Foi em nome deles e das causas em que acredito que, além do combate político directo na representação popular, intervim com regularidade na televisão, rádio, jornais, como aqui no DN.

«Nas fraquezas e limites da condição humana, tentei travar esse bom combate de que fala o apóstolo Paulo. E guardei a Fé.

«Tem sido bom viver estes tempos felizes e difíceis, porque uma vida boa não é uma boa vida. Estou agora num combate mais pessoal, contra um inimigo subtil, silencioso, traiçoeiro. Neste combate conto com a ciência dos homens e com a graça de Deus, Pai de nós todos, para não ter medo. E também com a família e com os amigos. Esperando o pior, mas confiando no melhor.

«Seja qual for o desfecho, como o Senhor é meu pastor, nada me faltará.»


por Maria José Nogueira Pinto
In DN, Quinta-feira, 7 de Julho de 2011

quinta-feira, 7 de julho de 2011

"Cidadãos portugueses" usam site da Moody's para mensagem provocatória

This is Afonso Henriques, our first King
On your website... PRICELESS!
Afonso ranked your website as Z- -
WIS SWORD WILL BE SHOVED UP YOUR ASS
Sincerly,
Portuguese Citizens


Uma página no site da agência Moody’s exibe uma mensagem provocatória em favor de Portugal. É o resultado da exploração de uma pequena falha informática.
A página alterada mostra a esfera armilar e uma foto da estátua de D. Afonso Henriques, em Guimarães. No texto, assinado por "cidadãos portugueses", lê-se, numa tradução livre: “A Moody's tem orgulho em anunciar que Portugal é agora um país classificado com AA+. Aqui na Moody’s somos pagos para dizer aquilo que os nossos amigo$ querem”.
Fonte: Publico

Trichet: medidas extra são «muito, muito boas»

O presidente do Banco Central Europeu elogiou esta quinta-feira o anúncio de medidas do Governo português que vão além do acordado com a troika (FMI, BCE e UE).

«No caso do governo português sublinho que foi muito, muito bom que alguma decisões tenham sido tomadas pelo Governo que vão alem do que é o programa [da troika]», disse Jean-Claude Trichet aos jornalistas na habitual conferência após a reunião mensal do conselho de governadores.

«Por exemplo, a lista de privatizações vai mais longe que o programa e isso é algo que considero positivo. Temos também uma decisão que não está no programa, que é a taxação do subsídio de Natal», sublinhou Trichet.

O BCE decidiu esta quinta-feira que suspender o valor mínimo para aceitar dívida pública como colateral para os empréstimos bancários, uma medida de «excepção» para Portugal.

Esta foi, justificou Trichet, «em certa medida, uma resposta imediata» às agências de rating, principalmente à Moody`s que, há dois dias, colocou a nota da República portuguesa em «lixo».

Se a S&P, Fitch e a canadiana DBRS decidirem pelo mesmo caminho, as obrigações portuguesas deixariam de servir como garantia nos empréstimos de emergência aos bancos, já por si num momento de difícil acesso ao financiamento.

Assim, o anúncio hoje do BCE determina que, mesmo que as agências cortem a notação de Portugal, a instituição vai continuar a aceitar dívida pública nacional como colateral.

www.agenciafinanceira.iol.pt/m

"Era uma mulher muito clara na afirmação das suas convicções"

O deputado e antigo presidente do CDS-PP José Ribeiro e Castro afirmou hoje que a morte de Maria José Nogueira Pinto foi uma “grande perda para Portugal”, enaltecendo o seu exemplo de “coragem” e “verticalidade”.

“A morte da Maria José Nogueira Pinto é uma grande perda para Portugal, para o nosso tempo. É também, no meu caso pessoal, a perda de uma amiga que vai fazer muita falta aqueles que lhe são mais próximos, à sua família e aqueles que tiveram a sua companhia e o seu conselho durante muitos anos”, afirmou Ribeiro e Castro.

O antigo presidente democrata-cristão sublinhou que Maria José Nogueira Pinto “foi uma mulher de intensa intervenção pública, de grande sentido cívico, e que marcou muito os últimos anos da vida portuguesa, em diferentes áreas onde interveio”.

“Foi um exemplo e uma inspiração ver como já afetada pela doença manteve um combate político como candidata e fazendo-se reeleger deputada”, afirmou, referindo também a atividade como colunista, na imprensa, que continuou a desenvolver.

“Mostrou nestes últimos meses, nesta última etapa difícil da sua vida, a coragem que foi talvez um dos traços mais característicos da sua presença na vida portuguesa, assim como uma enorme verticalidade”, disse Ribeiro e Castro, numa declaração emocionada aos jornalistas, no Parlamento.

O deputado democrata-cristão evocou Maria José Nogueira Pinto como “uma pessoa que pelo sentido forte da sua intervenção” dificilmente receberia “unanimidade naquilo que foi o seu testemunho”.

“Era uma mulher muito clara na afirmação das suas convicções, mas decerto colherá unanimidade de todos nós nesta casa a forma extremamente digna como viveu a esteve sempre presente nos trabalhos parlamentares e na vida política nestes últimos meses da sua vida”, afirmou.

Ribeiro e Castro lembrou igualmente a sua faceta de “católica” e “cristã empenhada”, que “procurou sempre viver na companhia de Deus, que é uma coisa difícil”.

Maria José Nogueira Pinto morreu hoje, aos 59 anos, vítima de doença prolongada.

Foi deputada entre 1995 e 1999, eleita pelo CDS-PP, e depois entre 2009 até à data, pelo PSD.

Na actual legislatura, esteve presente nas duas primeiras sessões plenárias, referentes à eleição da presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, não tendo já comparecido à discussão do Programa do Governo, quinta e sexta-feira da semana passada.

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NATO: "Jogo terminou" para Kadhafi

Os aviões da NATO inutilizaram mais de 600 tanques e peças de artilharia líbios e destruíram mais de 800 depósitos de munições desde o início da campanha na Líbia, anunciou hoje em Bruxelas o secretário-geral da Aliança.

Anders Fogh Rasmussen também confirmou um encontro em 13 de Julho, na sede da NATO, com uma delegação do Conselho Nacional de Transição líbio (CNT) liderado pelo seu responsável diplomático Mahmud Jibril.

O secretário-geral da NATO disse que os cerca de 100 dias de campanha aérea também garantiram outros resultados significativos, incluindo o bloqueio dos esforços das forças leais a Muammar Kadhafi para controlar as zonas do país ocupadas pelos rebeldes.

"A actual situação é desfavorável a Kadhafi, a sua capacidade económica para manter a guerra está a diminuir, os seus generais e ministros estão a desertar, a comunidade internacional voltou-se contra ele", referiu em conferência de imprensa. "Para Kadhafi, o jogo terminou", garantiu.

Rasmussen confirmou alguns avanços das forças da oposição nas últimas semanas no oeste do país, mais reconheceu que ainda não ser possível garantir a amplitude do seu progresso.

As observações do líder da NATO surgem num momento em que vários participantes na campanha aérea já admitiram uma progressiva redução do seu envolvimento. De início, a campanha militar aliada tinha por objectivo desferir um golpe devastador e que permitisse à oposição uma rápida conquista do poder.

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