Aumenta o número de fetos com deficiência que são abortados
ROMA, domingo, 16 de janeiro de 2011(ZENIT.org) - Os pró-aborto sempre defenderam o direito das mulheres de controlar seus corpos e de ter o nascituro como quiserem. Em uma decisão estranha, um tribunal belga aprovou esse raciocínio até afirmar que uma criança tem o direito de ser abortada.
A revista belga Revue Générale des Assurances et responsabilité publicou a sentença do Tribunal de Apelação em Bruxelas, de 21 de setembro, sobre o caso de uma criança nascida com deficiência, após um erro no diagnóstico pré-natal, de acordo com a revista Gènéthique de 29 de novembro a 3 de dezembro.
O tribunal decidiu que os pais da criança poderiam exigir indenização dos médicos que não conseguiram detectar a incapacidade. Eles alegaram que, ao legalizar o aborto terapêutico, os legisladores pretendiam que as mulheres pudessem evitar dar à luz crianças com deficiências graves, "tendo em conta não só os interesses da mãe, mas também os do nascituro em si".
Assim, os juízes consideraram que a criança deve ter o "direito" ao aborto, se a sua deficiência for diagnosticada corretamente.
Esta reportagem sobre a sentença não explicou como o tribunal chegou a considerar o nascituro como capaz de ser sujeito de direitos, e por que esse direito era apenas o de ser assassinado, e não o de viver.
Uma boa mãe?
A escritora britânica Virginia Ironside deu mais um passo a mais na aceitação cada vez mais comum da visão de que é melhor abortar bebês com deficiência, ao declarar que preferiria afogar seu filho para acabar com seu sofrimento, informou a 5 de outubro o jornal Daily Mail.
Ela fez o comentário durante um programa de rádio na BBC1, Sunday Morning Live. Ironside disse também que abortar um bebê indesejado ou com deficiência "é o ato de uma mãe amorosa".
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
Rússia: Igreja Ortodoxa sugere medidas para reduzir abortos
ROMA, sexta-feira, 21 de janeiro de 2011 (ZENIT.org) - Em vista de uma reunião do Conselho de Estado (órgão consultivo presidido por Dimitri Medvedez), o patriarca de Moscou, Kyrill, entregou, no dia 17 de janeiro, uma série de propostas de políticas familiares à direção do Estado Russo, informou a Agence France-Presse.
O objetivo desta iniciativa sem precedentes - é a primeira vez que a Igreja Ortodoxa prepara um documento oficial com propostas concretas para as autoridades - é, em particular, limitar o número de abortos.
O patriarcado também solicita que o custo do aborto não seja mais assumido pelo sistema de saúde (exceto em caso de risco de morte para as mulheres); propõe também a obrigação de informar as mulheres sobre todas as consequências negativas da interrupção da gravidez; e espera, além disso, a introdução de um consenso informado e de um tempo de reflexão. O documento da Igreja Ortodoxa também sugere a criação de um "centro de crise" em todas as clínicas obstétricas.
De acordo com Aleksandr Verkhovski, do centro de direitos humanos Sova, que fala de "propostas, do ponto de vista religioso, muito moderadas", a "Igreja Ortodoxa, assim como os católicos, é terminantemente contra o aborto, mas nesta mensagem dirigida às autoridades, conta com um compromisso".
Desde junho passado, a Igreja Ortodoxa Russa lançou um apelo a favor de normas mais rigorosas para reduzir os abortos no país, dada a alarmante diminuição da população. Na ocasião, o arcipreste Vsevolod Chaplin - influente figura próxima do Patriarca Kyrill -, declarou que,"em tempos da União Soviética, nós nos acostumamos com o aborto e com considerá-lo parte inevitável da nossa realidade jurídica, sem volta".
"Mas hoje vemos que é possível fazer um retrocesso significativo", disse o clérigo, confirmando a necessidade de mudança na lei do aborto. Segundo o arcipreste, as pessoas jovens, sem qualquer ligação com a Igreja ou com outras instituições religiosas, querem ver uma diminuição no número de abortos (Reuters, 1º de junho de 2010).
O aborto na Rússia remonta ao início do século passado. Apenas três anos após a revolução de 1917, a Rússia se tornou o primeiro país a legalizar a prática. Proibido novamente em 1936 por Stalin (exceto em alguns casos), o aborto foi novamente introduzido em 1955, quase dois anos após sua morte. Menos de dez anos após esta data, em 1964, registrou-se o mais alto nível na história da Rússia, a então União Soviética: 5,6 milhões de abortos.
O objetivo desta iniciativa sem precedentes - é a primeira vez que a Igreja Ortodoxa prepara um documento oficial com propostas concretas para as autoridades - é, em particular, limitar o número de abortos.
O patriarcado também solicita que o custo do aborto não seja mais assumido pelo sistema de saúde (exceto em caso de risco de morte para as mulheres); propõe também a obrigação de informar as mulheres sobre todas as consequências negativas da interrupção da gravidez; e espera, além disso, a introdução de um consenso informado e de um tempo de reflexão. O documento da Igreja Ortodoxa também sugere a criação de um "centro de crise" em todas as clínicas obstétricas.
De acordo com Aleksandr Verkhovski, do centro de direitos humanos Sova, que fala de "propostas, do ponto de vista religioso, muito moderadas", a "Igreja Ortodoxa, assim como os católicos, é terminantemente contra o aborto, mas nesta mensagem dirigida às autoridades, conta com um compromisso".
Desde junho passado, a Igreja Ortodoxa Russa lançou um apelo a favor de normas mais rigorosas para reduzir os abortos no país, dada a alarmante diminuição da população. Na ocasião, o arcipreste Vsevolod Chaplin - influente figura próxima do Patriarca Kyrill -, declarou que,"em tempos da União Soviética, nós nos acostumamos com o aborto e com considerá-lo parte inevitável da nossa realidade jurídica, sem volta".
"Mas hoje vemos que é possível fazer um retrocesso significativo", disse o clérigo, confirmando a necessidade de mudança na lei do aborto. Segundo o arcipreste, as pessoas jovens, sem qualquer ligação com a Igreja ou com outras instituições religiosas, querem ver uma diminuição no número de abortos (Reuters, 1º de junho de 2010).
O aborto na Rússia remonta ao início do século passado. Apenas três anos após a revolução de 1917, a Rússia se tornou o primeiro país a legalizar a prática. Proibido novamente em 1936 por Stalin (exceto em alguns casos), o aborto foi novamente introduzido em 1955, quase dois anos após sua morte. Menos de dez anos após esta data, em 1964, registrou-se o mais alto nível na história da Rússia, a então União Soviética: 5,6 milhões de abortos.
Ser cristão no Facebook
Manual de instruções para ser cristão na era do Facebook
Nesta entrevista, Anselin, que já trabalhou em cargos executivos de alguns dos mais importantes grupos de mídia, como McCann Erickson, Ogilvy e Publicis, comenta com ZENIT a mensagem que o Papa enviou por ocasião do Dia Mundial das Comunicações Sociais.
ZENIT: "As novas tecnologias não mudam apenas a maneira de se comunicar, mas a própria comunicação", diz Bento XVI. Estamos diante de uma pós-cultura?
Guillaume Anselin: O Santo Padre assinalou que "criou uma nova forma de aprender e de pensar, bem como novas oportunidades para estabelecer relações e criar laços de comunhão". Isto não só se refere ao canal internet, mas a uma nova "era digital", sinal de uma nova cultura em que já entramos.
A era digital é uma sociedade de "tudo-comunicação", permanentemente conectada, que redefine a relação individual com o mundo, com os outros e a maneira de consumir ou produzir informação. Nesta era "digital", a informação circula principalmente através de "círculos sociais", com o risco de dar mais crédito ao que está mais estendido ("popularizado" pelos "amigos" reais ou virtuais) que às fontes oficiais. O perigo é, obviamente, uma visão distorcida da realidade.
Implica também a abolição das fronteiras e distâncias, uma cultura da imagem ao invés da escrita, uma sociedade "de conversação", na qual o conteúdo é o próprio objeto da conversa em grande escala.
É um fenômeno cultural inédito e recente: social, midiático, de informação imediata, que não deixa tempo para respirar, com suas comunidades de interesse e cerca de dois bilhões de pessoas online em todo o mundo. Basta lembrar que, há seis anos, Facebook, YouTube, Twitter, tão presentes em nossa vida diária, não existiam.
No caso de países de cultura midiática intensa, podemos falar efetivamente de pós-cultura, no sentido de uma mudança em direção a uma "sociedade digital".
ZENIT: "Os jovens estão experimentando essa mudança na comunicação com todas as aspirações, as contradições e a criatividade daqueles que se abrem com entusiasmo e curiosidade às novas experiências de vida", explica o Papa. Quais são os riscos e desafios disso?
Guillaume Anselin: A era digital implica, obviamente, em um salto geracional. A televisão dos nossos pais já não é a de hoje. Com o advento do "tudo multimídia", há uma forte migração do público jovem para o mundo digital (internet, celular etc.). Amanhã haverá gerações inteiras que terão conhecido desde sempre o Facebook como o principal canal de proximidade para informar-se, falar ou encontrar-se.
Nesta entrevista, Anselin, que já trabalhou em cargos executivos de alguns dos mais importantes grupos de mídia, como McCann Erickson, Ogilvy e Publicis, comenta com ZENIT a mensagem que o Papa enviou por ocasião do Dia Mundial das Comunicações Sociais.
ZENIT: "As novas tecnologias não mudam apenas a maneira de se comunicar, mas a própria comunicação", diz Bento XVI. Estamos diante de uma pós-cultura?
Guillaume Anselin: O Santo Padre assinalou que "criou uma nova forma de aprender e de pensar, bem como novas oportunidades para estabelecer relações e criar laços de comunhão". Isto não só se refere ao canal internet, mas a uma nova "era digital", sinal de uma nova cultura em que já entramos.
A era digital é uma sociedade de "tudo-comunicação", permanentemente conectada, que redefine a relação individual com o mundo, com os outros e a maneira de consumir ou produzir informação. Nesta era "digital", a informação circula principalmente através de "círculos sociais", com o risco de dar mais crédito ao que está mais estendido ("popularizado" pelos "amigos" reais ou virtuais) que às fontes oficiais. O perigo é, obviamente, uma visão distorcida da realidade.
Implica também a abolição das fronteiras e distâncias, uma cultura da imagem ao invés da escrita, uma sociedade "de conversação", na qual o conteúdo é o próprio objeto da conversa em grande escala.
É um fenômeno cultural inédito e recente: social, midiático, de informação imediata, que não deixa tempo para respirar, com suas comunidades de interesse e cerca de dois bilhões de pessoas online em todo o mundo. Basta lembrar que, há seis anos, Facebook, YouTube, Twitter, tão presentes em nossa vida diária, não existiam.
No caso de países de cultura midiática intensa, podemos falar efetivamente de pós-cultura, no sentido de uma mudança em direção a uma "sociedade digital".
ZENIT: "Os jovens estão experimentando essa mudança na comunicação com todas as aspirações, as contradições e a criatividade daqueles que se abrem com entusiasmo e curiosidade às novas experiências de vida", explica o Papa. Quais são os riscos e desafios disso?
Guillaume Anselin: A era digital implica, obviamente, em um salto geracional. A televisão dos nossos pais já não é a de hoje. Com o advento do "tudo multimídia", há uma forte migração do público jovem para o mundo digital (internet, celular etc.). Amanhã haverá gerações inteiras que terão conhecido desde sempre o Facebook como o principal canal de proximidade para informar-se, falar ou encontrar-se.
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
No mês em que faz 2 anos
O blogue Rua do Souto agora também tem um endereço novo:
www.ruadosouto.net
O endereço do blogspot continua a funcionar.
www.ruadosouto.net
O endereço do blogspot continua a funcionar.
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Paulo Novais
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segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
«A má educação»
«Quando o assunto é a educação dos filhos, qualquer pai só tem uma pergunta: a escola é boa ou má? Não entra no cálculo se a escola é estatal ou privada; basta-lhe que seja pública, ou seja, que ele tenha acesso a ela gratuitamente. Este raciocínio básico devia orientar a nossa política de educação: permitir a escolha dos pais de acordo com a qualidade das escolas.
«Infelizmente, o raciocínio não entra na cabeça dura do governo. Para a dra. Alçada, as escolas privadas com contratos de associação são demasiado caras; e, além disso, existem escolas estatais às moscas na mesma área das privadas. Tudo muito certo. Pena que a ministra não tenha esclarecido dois pontos: primeiro, quanto custam as escolas estatais por comparação com as privadas; e, segundo, por que raio se mantêm abertas escolas estatais às moscas quando existem as privadas que fazem o mesmo trabalho com assinalável sucesso.
«Reduzir todo o ensino a uma coutada estatal é condenar gerações de alunos a uma única opção de ensino. E, como sempre, serão os mais pobres a pagar esta factura ideológica.»
João Pereira Coutinho,
CM, 2011-01-30
«Infelizmente, o raciocínio não entra na cabeça dura do governo. Para a dra. Alçada, as escolas privadas com contratos de associação são demasiado caras; e, além disso, existem escolas estatais às moscas na mesma área das privadas. Tudo muito certo. Pena que a ministra não tenha esclarecido dois pontos: primeiro, quanto custam as escolas estatais por comparação com as privadas; e, segundo, por que raio se mantêm abertas escolas estatais às moscas quando existem as privadas que fazem o mesmo trabalho com assinalável sucesso.
«Reduzir todo o ensino a uma coutada estatal é condenar gerações de alunos a uma única opção de ensino. E, como sempre, serão os mais pobres a pagar esta factura ideológica.»
João Pereira Coutinho,
CM, 2011-01-30
«O rescaldo»
«Em 23 de Janeiro, com a reeleição do Presidente da República extinguiram-se não apenas a maioria que o elegeu mas também, e sobretudo, as minorias que se polarizaram nos candidatos derrotados. Descontado o eventual interesse dos elementos de análise que fornecem, os valores percentuais respectivos não servem rigorosamente para nada, nem dão qualquer autoridade ou força política aos vencidos.
«Por sua vez, a autoridade de Aníbal Cavaco Silva não sai beliscada, nem de perto nem de longe. Mas ainda há, aqui e ali, uns trejeitos ranhosos de gente que não desarma e, como não pode contestar a legitimidade da sua eleição, continua a regougar, a ratar, a roer, talvez a regurgitar e a remoer de novo, a propósito da figura e da força do Presidente, o qual, a despeito de vencedor, teria saído ingloriamente enfraquecido da eleição.
«Cavaco Silva não apenas ganhou com uma confortável maioria, como ganhou em todos os distritos, do Continente e das regiões autónomas, mas para essa malta é como se não tivesse ganho. Ganhou, mas agora há quem garanta que afinal ele... perdeu! Este prodígio dialéctico tem um intuito evidente, que é o de tentar desagregar na opinião pública os poderes que a Constituição confere ao Chefe do Estado, ou pela via de lhe quererem descortinar na prática uma diminuição de estatuto e de autoridade, ou pela das conclusões extraídas a fórceps de variados malabarismos aritméticos sobre os resultados eleitorais, ou ainda pela da crítica ao seu discurso de vitória na noite das eleições, em que, opinam eles de sobrolho contristado, deveria ter perdido a memória, oferecido a outra face e estendido a mão caridosa e conciliadora a quem o insultou sem escrúpulos.
«Alguns amigos meus terão também feito algumas reservas quanto a este último aspecto, talvez sem repararem que Cavaco Silva se demarcou - e fez muito bem! - das porcarias da esquerda, sem deixar de se assumir como Presidente de todos os portugueses.
«Dizendo as coisas por outras palavras: as minorias vencidas extinguiram-se, mas ficaram no terreno uns agentes póstumos, ao serviço de uma conveniência política manhosa e obscura. Se pusermos a questão do cui prodest, vemos que essa retórica viciada e viciosa pessoalmente nem sequer aproveita muito aos derrotados que, sejam quais forem os seus méritos e deméritos, não vão a lado nenhum com a derrota; mas poderia aproveitar a um Governo que tem medo de ser posto a andar sem grandes delongas, por incompetente e má figura, e julga que assim faz funcionar mais umas válvulas de segurança.
«É também nessa perspectiva que podem ler-se os ditirambos à estabilidade a que o Governo se agarrou logo a seguir à vitória de Cavaco. É de supor que, na sua análise, o Governo trace um cenário de paupérrimo esquematismo e mais ou menos deste tipo: "Portámo-nos indecentemente com o Presidente, tivemos mesmo a badalhoquice de ajudar a insultá-lo, logo ele vai ajustar contas connosco depois de tomar posse, sendo preciso travá-lo, antes que nos ponha na rua e por isso toca a falar de estabilidade"...
«Com as suas arengas sobre a preciosa estabilidade que agora vislumbram como tão benfazeja para os destinos da Pátria, essas criaturas fingem não perceber que o que pode assegurá-la não tem a ver com ajustes de contas (hélas!), mas sim com outros factores, uns que se prendem com o comportamento do Governo no combate à crise, com particular relevo para a execução orçamental, outros que estão ligados ao endividamento do País e à sua credibilidade externa, à evolução dos indicadores de confiança, ao desemprego e ao agravamento dos problemas sociais dele decorrentes, etc., etc.
«A estabilidade não pode configurar um mero chavão para os lorpas ou para os próximos conclaves do Partido Socialista, nem deve funcionar como simples expediente para reconduzir Sócrates no cargo de secretário-geral do PS. Tem de servir de moldura a uma política útil, firme, rigorosa e exequível, com o objectivo de tirar Portugal da crise.
De outro modo e dentro do buraco em que nos encontramos, a estabilidade pela estabilidade não serve para nada, a não ser para aumentar esse buraco e para ele se tornar ainda mais pantanoso. »
por JOÃO CÉSAR DAS NEVES Hoje
«Por sua vez, a autoridade de Aníbal Cavaco Silva não sai beliscada, nem de perto nem de longe. Mas ainda há, aqui e ali, uns trejeitos ranhosos de gente que não desarma e, como não pode contestar a legitimidade da sua eleição, continua a regougar, a ratar, a roer, talvez a regurgitar e a remoer de novo, a propósito da figura e da força do Presidente, o qual, a despeito de vencedor, teria saído ingloriamente enfraquecido da eleição.
«Cavaco Silva não apenas ganhou com uma confortável maioria, como ganhou em todos os distritos, do Continente e das regiões autónomas, mas para essa malta é como se não tivesse ganho. Ganhou, mas agora há quem garanta que afinal ele... perdeu! Este prodígio dialéctico tem um intuito evidente, que é o de tentar desagregar na opinião pública os poderes que a Constituição confere ao Chefe do Estado, ou pela via de lhe quererem descortinar na prática uma diminuição de estatuto e de autoridade, ou pela das conclusões extraídas a fórceps de variados malabarismos aritméticos sobre os resultados eleitorais, ou ainda pela da crítica ao seu discurso de vitória na noite das eleições, em que, opinam eles de sobrolho contristado, deveria ter perdido a memória, oferecido a outra face e estendido a mão caridosa e conciliadora a quem o insultou sem escrúpulos.
«Alguns amigos meus terão também feito algumas reservas quanto a este último aspecto, talvez sem repararem que Cavaco Silva se demarcou - e fez muito bem! - das porcarias da esquerda, sem deixar de se assumir como Presidente de todos os portugueses.
«Dizendo as coisas por outras palavras: as minorias vencidas extinguiram-se, mas ficaram no terreno uns agentes póstumos, ao serviço de uma conveniência política manhosa e obscura. Se pusermos a questão do cui prodest, vemos que essa retórica viciada e viciosa pessoalmente nem sequer aproveita muito aos derrotados que, sejam quais forem os seus méritos e deméritos, não vão a lado nenhum com a derrota; mas poderia aproveitar a um Governo que tem medo de ser posto a andar sem grandes delongas, por incompetente e má figura, e julga que assim faz funcionar mais umas válvulas de segurança.
«É também nessa perspectiva que podem ler-se os ditirambos à estabilidade a que o Governo se agarrou logo a seguir à vitória de Cavaco. É de supor que, na sua análise, o Governo trace um cenário de paupérrimo esquematismo e mais ou menos deste tipo: "Portámo-nos indecentemente com o Presidente, tivemos mesmo a badalhoquice de ajudar a insultá-lo, logo ele vai ajustar contas connosco depois de tomar posse, sendo preciso travá-lo, antes que nos ponha na rua e por isso toca a falar de estabilidade"...
«Com as suas arengas sobre a preciosa estabilidade que agora vislumbram como tão benfazeja para os destinos da Pátria, essas criaturas fingem não perceber que o que pode assegurá-la não tem a ver com ajustes de contas (hélas!), mas sim com outros factores, uns que se prendem com o comportamento do Governo no combate à crise, com particular relevo para a execução orçamental, outros que estão ligados ao endividamento do País e à sua credibilidade externa, à evolução dos indicadores de confiança, ao desemprego e ao agravamento dos problemas sociais dele decorrentes, etc., etc.
«A estabilidade não pode configurar um mero chavão para os lorpas ou para os próximos conclaves do Partido Socialista, nem deve funcionar como simples expediente para reconduzir Sócrates no cargo de secretário-geral do PS. Tem de servir de moldura a uma política útil, firme, rigorosa e exequível, com o objectivo de tirar Portugal da crise.
De outro modo e dentro do buraco em que nos encontramos, a estabilidade pela estabilidade não serve para nada, a não ser para aumentar esse buraco e para ele se tornar ainda mais pantanoso. »
por JOÃO CÉSAR DAS NEVES Hoje
domingo, 30 de janeiro de 2011
Velharias do meu baú
Pink Floyd - Wish you were here
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Paulo Novais
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Velharias do meu baú
Marques Mendes critica modelo de financiamento autárquico
In Jornal Sol
O ex-presidente do PSD Luís Marques Mendes criticou no sábado à noite, em Ílhavo, o actual modelo de financiamento das autarquias, que considerou «excessivamente» ligado à construção e ao imobiliário, levando a «perversidades imensas» em muitos municípios.
Segundo Marques Mendes, o imposto municipal sobre imóveis (IMI), o imposto municipal sobre transmissões onerosas de imóveis (IMT) e as licenças de construção ou de loteamento são, actualmente, as «grandes receitas» das autarquias.
«Isto quer dizer que o grande volume de receitas das autarquias locais está ligado à construção e ao imobiliário», concluiu o social-democrata, acrescentando que «quanto mais construção se faz, mais receitas o município arrecada».
Para Marques Mendes, «esta filosofia está errada, porque pode levar a perversidades imensas - e tem levado em muitos sítios do país».
«Temos muitos concelhos onde há construções desordenadas, atentados urbanísticos de todo o tamanho, para não falar nas promiscuidades e sinais de corrupção que isso deixa, também, em muitas autarquias», afirmou.
Em alternativa, o ex-líder do PSD defendeu um modelo em que as autarquias sejam financiadas por «uma percentagem dos impostos ligados ao desenvolvimento, que são cobrados em cada concelho - IRS, IRC e IVA».
«Não se trata de aumentar ou diminuir as receitas. É uma filosofia diferente na forma de obter as receitas, para evitar a perversidade que é ter as receitas excessivamente ligadas ao fenómeno do imobiliário e da construção», sustentou.
A mudança do modelo de financiamento das autarquias é uma das prioridades de uma nova agenda para o pode local defendida pelo social-democrata, que deve apostar ainda numa descentralização «fortíssima» na educação e acção social e numa nova lei eleitoral autárquica, que atribua ao vencedor a maioria dos mandatos no executivo camarário.
O ex-presidente do PSD Luís Marques Mendes criticou no sábado à noite, em Ílhavo, o actual modelo de financiamento das autarquias, que considerou «excessivamente» ligado à construção e ao imobiliário, levando a «perversidades imensas» em muitos municípios.
Segundo Marques Mendes, o imposto municipal sobre imóveis (IMI), o imposto municipal sobre transmissões onerosas de imóveis (IMT) e as licenças de construção ou de loteamento são, actualmente, as «grandes receitas» das autarquias.
«Isto quer dizer que o grande volume de receitas das autarquias locais está ligado à construção e ao imobiliário», concluiu o social-democrata, acrescentando que «quanto mais construção se faz, mais receitas o município arrecada».
Para Marques Mendes, «esta filosofia está errada, porque pode levar a perversidades imensas - e tem levado em muitos sítios do país».
«Temos muitos concelhos onde há construções desordenadas, atentados urbanísticos de todo o tamanho, para não falar nas promiscuidades e sinais de corrupção que isso deixa, também, em muitas autarquias», afirmou.
Em alternativa, o ex-líder do PSD defendeu um modelo em que as autarquias sejam financiadas por «uma percentagem dos impostos ligados ao desenvolvimento, que são cobrados em cada concelho - IRS, IRC e IVA».
«Não se trata de aumentar ou diminuir as receitas. É uma filosofia diferente na forma de obter as receitas, para evitar a perversidade que é ter as receitas excessivamente ligadas ao fenómeno do imobiliário e da construção», sustentou.
A mudança do modelo de financiamento das autarquias é uma das prioridades de uma nova agenda para o pode local defendida pelo social-democrata, que deve apostar ainda numa descentralização «fortíssima» na educação e acção social e numa nova lei eleitoral autárquica, que atribua ao vencedor a maioria dos mandatos no executivo camarário.
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Velharias do meu baú
Nusrat fateh ali Khan & Eddie Vedder - The Long Road
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sábado, 29 de janeiro de 2011
O Analfabeto Político
"O Analfabeto Político" - Bertolt Brecht
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Paulo Novais
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Velharias do meu baú
Denez Prigent & Lisa Gerrard - Gortoz a Ran J'Attends
(tema do filme Black Hawk Down)
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Paulo Novais
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Velharias do meu baú
sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
Futuro Adiado
Feche os olhos e imagine o seu filho de cinco meses no berço de uma instituição. Depois acelere o tempo e volte a vê-lo quatro anos depois, a puxar para trás os lençóis da cama que lhe coube na camarata. Sente o peito apertar-se e falta de ar, e uma vontade irresistível de deixar o pensamento fugir para outro assunto? Resista e volte aquela camarata, e imagine que mais cinco anos passaram, e o seu filho agora com nove anos, continua à espera que alguém decida o que vai ser o seu futuro...
Que pedido estúpido, defende-se você, para que é que estou aqui a fazer este exercício se o meu filho nunca estaria numa instituição, porque não sou “como essas” mulheres que abandonam as crias, porque a minha família não é disfuncional, porque, porque... Sim, decididamente, fazer do nosso filho protagonista desta história é insuportável. Por isso preferimos imaginar que estas crianças pertencem a uma subespécie própria. “Estes meninos não são bem como os nossos”, ouvi uma vez a uma técnica de serviço social de carne e osso. Para acrescentar qualquer coisa como “coitado do miúdo, a vida de facto não é justa, mas de certeza de que se foi para o lar tão novinho, até já está habituado”. Habituado, claro. Não é telenovela.
É a realidade de 10 mil crianças institucionalizadas em Portugal. Mas nem todas podem ser adoptadas, vem logo dizer um responsável contristado, até porque “ninguém” deseja crianças com mais de três anos. O que não só não é a verdade toda, bem mais complexa do que isso, nem explica porque é que tantas destas crianças ficaram em banho maria, até que expirasse o seu “prazo de validade”. Enquanto isto há pelo menos 2.346 candidatos “certificados” à espera (depois de um processo cheio de episódios de prepotência), e centenas de outros haveria provavelmente se tudo não fosse tão difícil. Quanto mais tempo vamos permitir que tudo continue na mesma?
Isabel Stilwell
editorial@destak.pt,
27.1.2011
Que pedido estúpido, defende-se você, para que é que estou aqui a fazer este exercício se o meu filho nunca estaria numa instituição, porque não sou “como essas” mulheres que abandonam as crias, porque a minha família não é disfuncional, porque, porque... Sim, decididamente, fazer do nosso filho protagonista desta história é insuportável. Por isso preferimos imaginar que estas crianças pertencem a uma subespécie própria. “Estes meninos não são bem como os nossos”, ouvi uma vez a uma técnica de serviço social de carne e osso. Para acrescentar qualquer coisa como “coitado do miúdo, a vida de facto não é justa, mas de certeza de que se foi para o lar tão novinho, até já está habituado”. Habituado, claro. Não é telenovela.
É a realidade de 10 mil crianças institucionalizadas em Portugal. Mas nem todas podem ser adoptadas, vem logo dizer um responsável contristado, até porque “ninguém” deseja crianças com mais de três anos. O que não só não é a verdade toda, bem mais complexa do que isso, nem explica porque é que tantas destas crianças ficaram em banho maria, até que expirasse o seu “prazo de validade”. Enquanto isto há pelo menos 2.346 candidatos “certificados” à espera (depois de um processo cheio de episódios de prepotência), e centenas de outros haveria provavelmente se tudo não fosse tão difícil. Quanto mais tempo vamos permitir que tudo continue na mesma?
Isabel Stilwell
editorial@destak.pt,
27.1.2011
PS: 80% não votou Alegre
Nunca o voto do eleitorado socialista se terá fragmentado tanto e em tantas direcções como nas presidenciais do passado domingo.
Manuel Alegre era o candidato oficial do PS, mas a contragosto de muitos socialistas, que não lhe perdoam a colagem dos últimos anos à esquerda radical e às teses do Bloco de Esquerda, a rebeldia antipartido do seu avanço contra Mário Soares em 2006 ou as críticas recorrentes à governação de Sócrates.
De acordo com o modelo de transferência de voto assente em matrizes a nível distrital, Alegre não terá captado mais de 1/5 dos eleitores socialistas (cerca de 405 mil dos mais de 2 milhões obtidos pelo PS nas últimas legislativas, de Setembro de 2009 - quase tantos como os 380 mil que terá ido buscar ao eleitorado do BE...).
Para vários sectores do PS, como era o caso evidente da ala soarista, Fernando Nobre era o candidato alternativo de recurso, capaz de congregar muitos socialistas descontentes com a escolha de Alegre e de representar, nestas presidenciais, um papel semelhante ao do movimento cívico de Alegre nas eleições de 2006. Nobre ultrapassou as melhores expectativas e quase igualou, com os seus 14,1%, a votação do próprio Mário Soares há cinco anos (14,3%). (...)
Por José António Lima,
Sol, 28.1.2011
Manuel Alegre era o candidato oficial do PS, mas a contragosto de muitos socialistas, que não lhe perdoam a colagem dos últimos anos à esquerda radical e às teses do Bloco de Esquerda, a rebeldia antipartido do seu avanço contra Mário Soares em 2006 ou as críticas recorrentes à governação de Sócrates.
De acordo com o modelo de transferência de voto assente em matrizes a nível distrital, Alegre não terá captado mais de 1/5 dos eleitores socialistas (cerca de 405 mil dos mais de 2 milhões obtidos pelo PS nas últimas legislativas, de Setembro de 2009 - quase tantos como os 380 mil que terá ido buscar ao eleitorado do BE...).
Para vários sectores do PS, como era o caso evidente da ala soarista, Fernando Nobre era o candidato alternativo de recurso, capaz de congregar muitos socialistas descontentes com a escolha de Alegre e de representar, nestas presidenciais, um papel semelhante ao do movimento cívico de Alegre nas eleições de 2006. Nobre ultrapassou as melhores expectativas e quase igualou, com os seus 14,1%, a votação do próprio Mário Soares há cinco anos (14,3%). (...)
Por José António Lima,
Sol, 28.1.2011
Senado francês veta legalização da eutanásia
Após semanas de intensos debates e mobilização pela vida
PARIS, quinta-feira, 27 de janeiro de 2011 (ZENIT.org) - Após uma longa reunião, que durou até a noite da terça-feira, 25 de janeiro, o Senado francês decidiu votar contra as três propostas de legalização da eutanásia no país, apresentadas por vários membros, tanto do governo como da oposição.
Assim terminou um intenso debate na sociedade francesa, entre os partidários da eutanásia - a maioria representada pela Associação para o Direito de Morrer com Dignidade, Jean-Luc Romero, e pelos progressistas de esquerda - e as associações pró-vida, associações médicas (o próprio colégio médico) e de cuidados paliativos, além de instituições religiosas e civis.
O debate chegou a provocar divisões dentro dos próprios partidos, especialmente dentro da UMP de Nicolas Sarkozy.
Poucas horas antes da votação, o próprio primeiro-ministro francês, François Fillon, opôs-se a estes projetos, descrevendo-os como "precipitados" e alegando que "não oferecem as garantias necessárias", enquanto apostava em "desenvolver os cuidados paliativos e rejeitar a obstinação terapêutica".
Na manhã da votação, a Associação Alliance pour les Droits de la Vie - que havia recolhido cerca de 55.000 assinaturas no site www.fautpaspousser.com - organizou uma manifestação em frente dos portões do Senado.
O arcebispo de Paris, cardeal André Vingt-Trois, que rejeitou, em nome da Igreja Católica, o projeto de lei várias vezes, elogiou a decisão do Senado, convidando seu país a mostrar "uma visão elevada do homem".
"A cultura de nosso país, sua história, sua responsabilidade perante a Europa e o resto do mundo, assim como sua fragilidade actual, comprometem-nos a demonstrar a ambição ética, com coragem e entusiasmo."
Seria irrealista, acrescentou o cardeal Vingt-Trois, "confundir mínimo denominador comum ético com coesão social. Só uma visão alta do homem pode construir a paz. O consenso que pretende basear-se na ética mínima será, de fato, uma caricatura sem futuro".
PARIS, quinta-feira, 27 de janeiro de 2011 (ZENIT.org) - Após uma longa reunião, que durou até a noite da terça-feira, 25 de janeiro, o Senado francês decidiu votar contra as três propostas de legalização da eutanásia no país, apresentadas por vários membros, tanto do governo como da oposição.
Assim terminou um intenso debate na sociedade francesa, entre os partidários da eutanásia - a maioria representada pela Associação para o Direito de Morrer com Dignidade, Jean-Luc Romero, e pelos progressistas de esquerda - e as associações pró-vida, associações médicas (o próprio colégio médico) e de cuidados paliativos, além de instituições religiosas e civis.
O debate chegou a provocar divisões dentro dos próprios partidos, especialmente dentro da UMP de Nicolas Sarkozy.
Poucas horas antes da votação, o próprio primeiro-ministro francês, François Fillon, opôs-se a estes projetos, descrevendo-os como "precipitados" e alegando que "não oferecem as garantias necessárias", enquanto apostava em "desenvolver os cuidados paliativos e rejeitar a obstinação terapêutica".
Na manhã da votação, a Associação Alliance pour les Droits de la Vie - que havia recolhido cerca de 55.000 assinaturas no site www.fautpaspousser.com - organizou uma manifestação em frente dos portões do Senado.
O arcebispo de Paris, cardeal André Vingt-Trois, que rejeitou, em nome da Igreja Católica, o projeto de lei várias vezes, elogiou a decisão do Senado, convidando seu país a mostrar "uma visão elevada do homem".
"A cultura de nosso país, sua história, sua responsabilidade perante a Europa e o resto do mundo, assim como sua fragilidade actual, comprometem-nos a demonstrar a ambição ética, com coragem e entusiasmo."
Seria irrealista, acrescentou o cardeal Vingt-Trois, "confundir mínimo denominador comum ético com coesão social. Só uma visão alta do homem pode construir a paz. O consenso que pretende basear-se na ética mínima será, de fato, uma caricatura sem futuro".
Governo socialista
Sabem quantos países com governo socialista restam agora em toda a União Europeia?
Depois das recentes eleições na Hungria e no Reino Unido só ficaram 3 países:
Grécia, Portugal e Espanha: que coincidência!
Como disse Margaret Thatcher:
"o socialismo dura até se acabar o dinheiro dos outros".
Depois das recentes eleições na Hungria e no Reino Unido só ficaram 3 países:
Grécia, Portugal e Espanha: que coincidência!
Como disse Margaret Thatcher:
"o socialismo dura até se acabar o dinheiro dos outros".
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
Verdadeiros Putos da Pesada
Aqui mesmo ao nosso lado, nas Caldas das Taipas, há um clube de música formado por miúdos da EB 2, 3 com um repertório nada provável para um grupo infantil. Os petizes dedicam-se a interpretar coisas deste género:
Grandes políticos (também os há)!
***
Que futuro para a moderação e a independência política?
Joe Lieberman é um senador democrata que de vez em quando vota com os republicanos. Muitos democratas não gostam, mas com estas credenciais tem alcançado consensos importantes.
Na Primavera de 2008, John McCain pediu a Joe Lieberman que falasse em seu nome na Convenção Nacional Republicana. "Quando olho para trás, isto faz-me pensar", diz Lieberman agora. No entanto, parecia natural ajudar desta maneira o homem que considerava mais qualificado para ser presidente.
Depois de Barack Obama ter ganho as eleições, o martelo desceu. Harry Reid, o líder da maioria no Senado, disse a Lieberman que alguns democratas queriam retirá-lo da presidência da Comissão de Segurança Nacional. Lieberman, independente, disse que, se isso acontecesse, poderia não votar ao lado dos democratas.
A reunião decisiva ocorreu durante o período de transição. O presidente Obama opôs-se à punição de Lieberman, tal como os senadores Reid, Schumer, Durbin, Dodd e Salazar.
Durante o caucus houve um debate sobre o futuro de Lieberman com Lieberman presente. "Não foi ad hominem", recorda Lieberman. "Algumas pessoas disseram: ''Gostamos de ti, Joe. Não podemos é aceitar este comportamento.''" Afinal nem sequer foi à justa. Quarenta e dois senadores democratas votaram a favor de deixar Lieberman na presidência. Apenas treze votaram contra.
Como Ezra Klein, do "The Washington Post", observou recentemente, acabou por ser uma das decisões de Obama e Reid com consequências mais importantes. Se Lieberman não tivesse sido aceite de volta pelos democratas, não teria havido um 60º voto a favor da reforma da saúde, e ela teria sido derrotada. Não teria decerto havido derrota do "não pergunte, não diga" sem o trabalho de Lieberman e sem as suas credenciais. A lei do ambiente Kerry-Lieberman esteve mais perto da aprovação que qualquer outra lei da energia. Além disso, Lieberman proporcionou o apoio crucial à lei do estímulo, à lei bancária, à lei da extensão do apoio aos desempregados e a várias outras medidas.
Assim, embora Lieberman seja odiado por muitos activistas liberais, sempre teve muito melhores relações com os democratas mais pragmáticos. O vice-presidente Joe Biden enviou-me um email emocionado esta quinta-feira que acaba assim: "O Senado não será o mesmo sem a liderança de Joe, sem o seu intelecto poderoso. Mas é da sua amabilidade que sentiremos mais falta."
"Ele era indispensável", escreveu igualmente Reid num email, "e a sua dedicação ao serviço público, a sua capacidade de trabalhar com os opositores e a sua enorme experiência também nos farão falta."
"Joe foi um excelente senador", disse John Kerry. "Definia-se pela sua consciência e pelas suas convicções." Kerry reconhece que se sentiu muitas vezes exasperado com Lieberman, mas as relações de trabalho tornam-se mais significativas graças aos desacordos, e não apesar deles.
Estes políticos estão a julgar Lieberman de acordo com os critérios a que Max Weber chamou a "ética da responsabilidade" - os que produzem melhores resultados. Alguns dos activistas julgam-no de acordo com aquilo a que Weber chamou a "ética da intenção" - de coração mais puro e menos inclinada a compromissos.
Corre uma teoria de acordo com a qual Lieberman teria ficado amargurado pelo trauma de 2006, em que foi derrotado nas primárias do Connecticut devido ao seu apoio à Guerra do Iraque. Há poucas indicações de que assim seja. Lieberman sempre se situou na encruzilhada entre os dois partidos e muitas vezes serviu de ponte, o que enfurecia os democratas, mas depois, nos momentos importantes, também era os interesses deles que servia.
Lieberman vota 90% das vezes com os democratas, mas sempre foi um democrata à Scoop Jackson, e rompeu com o partido em matéria de defesa. Nos anos 90 desafiou a ortodoxia no que dizia respeito à escolha da escola, à idade da reforma e ao papel da religião na vida pública.
No entanto, precisamente por causa destas credenciais, tem conseguido aparecer nos momentos críticos e obter resultados de uma maneira que mais nenhum senador consegue. (...) Lieberman teve um papel importante quando esteve em causa livrar Bill Clinton do embargo. Quando o apoio ao embargo aumentava, Lieberman fez um discurso crucial no Senado em que repreendeu Clinton pelo seu comportamento mas opôs-se de forma resoluta a retirá-lo da presidência. Muitos dos conselheiros mais importantes na Casa Branca perceberam que o que o discurso dele conseguiu foi canalizar a irritação mas sem ser no sentido da demissão.
A questão é se os políticos com o perfil independente e moderado de Lieberman poderão sobreviver no actual ambiente político. "Tenho relações mais calorosas com democratas em Washington do que no Connecticut", reconhece Joe Lieberman.
Seria simpático que os eleitores abrissem lugar a mais meia dúzia de independentes como ele. Já houve alturas, por exemplo durante o debate da saúde, em que a independência de Lieberman me pareceu confusa e sem base intelectual. No entanto, em geral, tem mostrado uma grande coragem.
Há muitos homens de equipa na administração dispostos a fazer tudo o que o chefe manda. O que falta são elementos difíceis, com mentes complicadas, perspectivas invulgares e personalidade para enfrentar o aparelho partidário e os interesses ocultos.
por David Brooks, Publicado em 26 de Janeiro de 2011
Exclusivo i / The New York Times
Que futuro para a moderação e a independência política?
Joe Lieberman é um senador democrata que de vez em quando vota com os republicanos. Muitos democratas não gostam, mas com estas credenciais tem alcançado consensos importantes.
Na Primavera de 2008, John McCain pediu a Joe Lieberman que falasse em seu nome na Convenção Nacional Republicana. "Quando olho para trás, isto faz-me pensar", diz Lieberman agora. No entanto, parecia natural ajudar desta maneira o homem que considerava mais qualificado para ser presidente.
Depois de Barack Obama ter ganho as eleições, o martelo desceu. Harry Reid, o líder da maioria no Senado, disse a Lieberman que alguns democratas queriam retirá-lo da presidência da Comissão de Segurança Nacional. Lieberman, independente, disse que, se isso acontecesse, poderia não votar ao lado dos democratas.
A reunião decisiva ocorreu durante o período de transição. O presidente Obama opôs-se à punição de Lieberman, tal como os senadores Reid, Schumer, Durbin, Dodd e Salazar.
Durante o caucus houve um debate sobre o futuro de Lieberman com Lieberman presente. "Não foi ad hominem", recorda Lieberman. "Algumas pessoas disseram: ''Gostamos de ti, Joe. Não podemos é aceitar este comportamento.''" Afinal nem sequer foi à justa. Quarenta e dois senadores democratas votaram a favor de deixar Lieberman na presidência. Apenas treze votaram contra.
Como Ezra Klein, do "The Washington Post", observou recentemente, acabou por ser uma das decisões de Obama e Reid com consequências mais importantes. Se Lieberman não tivesse sido aceite de volta pelos democratas, não teria havido um 60º voto a favor da reforma da saúde, e ela teria sido derrotada. Não teria decerto havido derrota do "não pergunte, não diga" sem o trabalho de Lieberman e sem as suas credenciais. A lei do ambiente Kerry-Lieberman esteve mais perto da aprovação que qualquer outra lei da energia. Além disso, Lieberman proporcionou o apoio crucial à lei do estímulo, à lei bancária, à lei da extensão do apoio aos desempregados e a várias outras medidas.
Assim, embora Lieberman seja odiado por muitos activistas liberais, sempre teve muito melhores relações com os democratas mais pragmáticos. O vice-presidente Joe Biden enviou-me um email emocionado esta quinta-feira que acaba assim: "O Senado não será o mesmo sem a liderança de Joe, sem o seu intelecto poderoso. Mas é da sua amabilidade que sentiremos mais falta."
"Ele era indispensável", escreveu igualmente Reid num email, "e a sua dedicação ao serviço público, a sua capacidade de trabalhar com os opositores e a sua enorme experiência também nos farão falta."
"Joe foi um excelente senador", disse John Kerry. "Definia-se pela sua consciência e pelas suas convicções." Kerry reconhece que se sentiu muitas vezes exasperado com Lieberman, mas as relações de trabalho tornam-se mais significativas graças aos desacordos, e não apesar deles.
Estes políticos estão a julgar Lieberman de acordo com os critérios a que Max Weber chamou a "ética da responsabilidade" - os que produzem melhores resultados. Alguns dos activistas julgam-no de acordo com aquilo a que Weber chamou a "ética da intenção" - de coração mais puro e menos inclinada a compromissos.
Corre uma teoria de acordo com a qual Lieberman teria ficado amargurado pelo trauma de 2006, em que foi derrotado nas primárias do Connecticut devido ao seu apoio à Guerra do Iraque. Há poucas indicações de que assim seja. Lieberman sempre se situou na encruzilhada entre os dois partidos e muitas vezes serviu de ponte, o que enfurecia os democratas, mas depois, nos momentos importantes, também era os interesses deles que servia.
Lieberman vota 90% das vezes com os democratas, mas sempre foi um democrata à Scoop Jackson, e rompeu com o partido em matéria de defesa. Nos anos 90 desafiou a ortodoxia no que dizia respeito à escolha da escola, à idade da reforma e ao papel da religião na vida pública.
No entanto, precisamente por causa destas credenciais, tem conseguido aparecer nos momentos críticos e obter resultados de uma maneira que mais nenhum senador consegue. (...) Lieberman teve um papel importante quando esteve em causa livrar Bill Clinton do embargo. Quando o apoio ao embargo aumentava, Lieberman fez um discurso crucial no Senado em que repreendeu Clinton pelo seu comportamento mas opôs-se de forma resoluta a retirá-lo da presidência. Muitos dos conselheiros mais importantes na Casa Branca perceberam que o que o discurso dele conseguiu foi canalizar a irritação mas sem ser no sentido da demissão.
A questão é se os políticos com o perfil independente e moderado de Lieberman poderão sobreviver no actual ambiente político. "Tenho relações mais calorosas com democratas em Washington do que no Connecticut", reconhece Joe Lieberman.
Seria simpático que os eleitores abrissem lugar a mais meia dúzia de independentes como ele. Já houve alturas, por exemplo durante o debate da saúde, em que a independência de Lieberman me pareceu confusa e sem base intelectual. No entanto, em geral, tem mostrado uma grande coragem.
Há muitos homens de equipa na administração dispostos a fazer tudo o que o chefe manda. O que falta são elementos difíceis, com mentes complicadas, perspectivas invulgares e personalidade para enfrentar o aparelho partidário e os interesses ocultos.
por David Brooks, Publicado em 26 de Janeiro de 2011
Exclusivo i / The New York Times
Escândalo do momento - o "Bibi" das Finanças :)
Teixeira dos Santos diz que foi obrigado a mentir sobre as contas públicas: "O Sócrates drogava-me".
[via Inimigo Público. Qualquer semelhança com a realidade é mera - mas bastante infeliz - coincidência]
[via Inimigo Público. Qualquer semelhança com a realidade é mera - mas bastante infeliz - coincidência]
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